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01/12/2025

Eles os dois são ela [Eurythmics]

 

PÚBLICO SÁBADO, 13 ABRIL 1991 >> Local >> Televisão

 

Eles os dois são ela

 

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ELA É ANNIE LENNOX. Ele Dave Stewart. Ele toca, compõe e arranja. Canções, claro. Ela é a voz, o rosto e o corpo dado ao manifesto. Ele é a música, o profissional na sombra que faz mexer os cordelinhos. Ela é teatro, instinto, sedução. Ele – óculos escuros – tocava com Elton John e abusava das drogas. Ela – cabelo louro muito curto – cantava nos Tourists. De tão diferentes, ligam bem um com o outro. São os Eurythmics – fábrica de sonhos prontos a consumir. Ou de espelhos. “Sweet dreams are made of this”, afinal de contas.

No início, o frio de um jardim de Colónia: “In the Garden”, gravado nesta cidade, com Holger Czukay e Jaki Liebezeit, dos Can, e os dois D.A.F., Robert Görl e Gabi Delgado. Disco eletrónico, distante, fatal. Em 1981, dançava-se ao som das máquinas. Depois, o golpe de magia de “Sweet Dreams (are made of this)”, um milhão de discos vendidos e “top one” nos Estados Unidos. Os tijolos do caminho tornam-se dourados: “Touch” – e a versão mini, para discoteca, “Touch Dance” –, “1984 (for the love of big brother)” – banda sonora do filme inspirado na obra de Orwell –, “Be yourself tonight”, “Revenge”, “Savage” e “We two are one too” desmentem o provérbio – com os Eurythmics, tudo o que luz é ouro.

Canções de êxito, nem se fala: “Love is a Stranger”, “Right by your side”, “Here Comes the Rain”, “Sex Crime”, “Sisters are Doing it for Themselves” (em dueto com Aretha Franklin), “Beethoven (I love to listen to)”. “There Must be na Angel”, com certeza. Há. Chama-se Annie Lennox. Vamos vê-la e ouvi-la, a propósito de “We two are one too”, ao vivo, no mundo real, e em “clips”, no mundo da ilusão. Os dois são um.

 

Canal 2, às 00h25

14/10/2008

Eurythmics - Greatest Hits

Pop Rock

10 ABRIL 1991
VÍDEOS

EURYTHMICS
Greatest hits
RCA, distri. BMG, 1h35m

Fazendo parte de um pacote que inclui ainda o álbum, a cassete e o CD, estes “Greatest Hits” não escondem que pretendem em primeiro lugar facturar e depois, se possível, facturar um pouco mais. De facto os “hits” estão cá todos e os clips que ajudaram a criar a imagem de Annie Lennox servem-se a frio.
Registados entre 1982 e 1991, aqui se alinham os sonhos que fizeram gemer muitas mulheres em busca de uma feminilidade liberta e ao mesmo tempo confundidas pela androginia assumida do seu arauto. Os sonhos “are made of this”, de ambiguidade e perucas que não deixam descobrir a careca – avisa logo de início a loura de cabelos curtos e olhos da cor do mar, antes de se atirar a hora e meia de trocas e baldrocas.
Ao longo dos 21 clips que constituem o “long form”, Annie Lennox é dona de casa, provocadora, anjo, diabo, “starlette”, Marilyn, espírito desencarnado, feminista, homem, mulher ou o que fica no meio. Tudo ao mesmo tempo, em “The king and queen of America”. As canções que foram êxito estão cá todas: “Love is a stranger”, “Sex crime”, “There must be an angel”, “Sisters are doin’ it by themselves”, “When tomorrow comes” e por aí fora, num nunca mais acabar de máscaras que sucessivamente se vão vestindo e despindo para melhor trocar as voltas às libidos a quem não é dado um segundo de descanso. Se num momento Annie deixa cair a alça do vestido e mostra o “soutien”, no outro só lhe falta o bigode para parecer rapaz, não fora o brilho inconfundível do olhar e o resto, às vezes difícil de esconder.
Típicos de intenções afinal nunca ocultadas, o dueto sem disfarces mantido com Aretha Franklin, no manifesto das vitórias de classe que é “Sisters…” ou o “mudar de vida” da doméstica frustrada que gosta de ouvir Beethoven, revelam uma personalidade fascinante capaz de juntar a atitude interventiva à acessibilidade das propostas musicais. Neste aspecto, agradeça-se ao homem da casa – Dave Stewart –, artífice ofuscado pelo brilho da cantora, sem o qual, porém, os amanhãs jamais ousariam cantar. ***