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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Fantasporto 2014 celebrará os 75 anos da estreia de "Gone with the Wind"


A direcção do Fantasporto anunciou a celebração dos 75 anos desde a estreia de Gone with the Wind, de Victor Fleming no Fantasporto 2014. O festival exibirá a versão restaurada do filme (de 238 minutos) no Grande Auditório do Teatro Rivoli do Porto, no dia 8 de Março de 2014. Gone with the Wind venceu oito Óscares, incluindo Melhor Filme e Realizador, estando nomeado para um total de treze.

Conforme já anunciado, na mesma edição o festival exibirá também do mesmo cineasta, uma versão restaurada de The Wizard of Oz (um delas na sua versão sing-a-long). O Fantasporto 2014 decorrerá de 24 de Fevereiro a 9 de Março.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fantasporto 2014 exibirá versão restaurada de "The Wizard of Oz"


A organização do Fantasporto revelou que na edição de 2014 exibirá uma versão restaurada do filme The Wizard of Oz (1939), na celebração dos 75 anos da obra de Victor Fleming. Essa versão será exibida a 28 de Fevereiro de 2014, na sessão de abertura do festival.

O Fantasporto 2014 dedicará o seu programa paralelo à música e exibirá uma segunda vez a cópia, mas na sua versão sing-a-long, de forma a estimular o público a cantar em conjunto com o filme. 

No entanto, a organização de uma nova edição do festival portuense continua em risco, tendo recentemente o jornal Público dado conta que a Cooperativa Cinema Novo, que gere o festival, ter procedido a um despedimento colectivo (num total de seis trabalhadores), permanecendo apenas Mário Dorminsky, Beatriz Pacheco Pereira e uma secretária. Segundo o próprio director do festival a «situação está caótica. A única verba que tenho neste momento são dez mil euros de um patrocinador».

De qualquer forma, o Fantasporto 2014 continua até ao momento programado para acontecer de 24 de Fevereiro a 9 de Março.

sábado, 6 de abril de 2013

O Profundo Mar Azul, por Tiago Ramos


Título original: The Deep Blue Sea (2011)
Há uma certa rigidez e formalismo no cinema de Terence Davies que é simultaneamente o que contém de melhor e pior. É a grosso modo uma identidade muito enraizada na teatralidade e que faz com que, para o bem e para o mal, apenas a espaços longos tenhamos oportunidade de ver uma película sua no cinema. É também por isso evidente que nesta adaptação cinematográfica da peça de teatro homónima assistamos a esse rigor do teatro, tanto nos tempos da narrativa, como no acentuado detalhe dos cenários e na presença da música. O que torna tudo muito paradoxal: a sua força é também a sua fraqueza. Aqui a estilização é bela e poética, numa mise-en-scène segura e visualmente primorosa, com acentuação na direcção de fotografia de tons escuros, uma severidade bem-vinda na direcção artística e até um detalhe sonoro que faz a diferença. Essa mesma austeridade técnica contribui para o crescimento da narrativa e um olhar atento sobre a psique humana, mesmo que assente em personagens-arquétipo, como da mulher conformada, mas com desejos secretos. Tudo isso num tom acentuadamente melancólico e soturno, uma tendência depressiva que chega até a ser impressionante, mas que por vezes culmina numa sensação de constante arrastamento e até de algum excesso de pompa, chamemos-lhe assim. Esse excesso é por exemplo notado na utilização da banda sonora, praticamente omnipresente logo desde a cena inicial e que tem o condão de marcar em demasia a sua presença, por vezes quase massacrante.

Da mesma forma convém sublinhar que o cinema de Terence Davies é também ele raro, o que faz deste O Profundo Mar Azul um singular objecto cinematográfico, de sua intensidade operática, com um elevado grau de lirismo que lhe chega até a assentar bem. Mas se isso é também por vezes excessivo, o que marca realmente a diferença são as escolhas de elenco, a destacar sobretudo a presença de Rachel Weisz (que o cineasta nem conhecia antes de a ter visto na televisão e ter perguntado quem ela era) e que tem aqui seguramente uma das melhores interpretações da sua carreira. A intensidade do seu assombroso e marcante desempenho é o que toma de assalto grande parte das cenas, com uma construção e complexidade de personagem invejáveis até para actores de maior currículo. É ela que faz valer o texto e que engrandece o trabalho do realizador, marcando a diferença num filme que em outras mãos seria completamente distinto. Também isso, para o bem e para o mal.


Classificação:

quarta-feira, 20 de março de 2013

Robô e Frank, por Tiago Ramos

Título original: Robot & Frank (2012)
Realização: Jake Schreier
Argumento: Christopher D. Ford
Elenco: Peter Sarsgaard (voz), Frank Langella, Susan Sarandon, James Marsden, Liv Tyler e Jeremy Strong

Não querendo reduzir um filme a uma corrente de género, Robô e Frank facilmente se integra no cinema actual que começa a dar também atenção a uma faixa etária mais idosa, nem que seja para potenciar o uso das suas estrelas, agora envelhecidas. Felizmente que este filme se enquadra para além desse mero retrato da terceira idade, sem porém nunca desconsiderar as noções reais do processo de envelhecimento. O maior destaque a fazer ao argumento de Christopher D. Ford é a forma notável como aborda esse tema, mas de modo mais ou menos subliminar, quando o torna num heist movie, num misto de comédia e drama, bem como umas leves noções futuristas. Na sua comédia charmosa e elegante, as acções das personagens são-nos entregues no formato de um conto que tem como intenção abordar a adaptação ao mundo e de como enfrentamos as constantes mudanças que nos são impostas.

O baixo orçamento e a inexperiência do realizador faz com que o filme peque por alguma inconsistência esporádica e momentos desinspirados, com a história a oscilar para o excessivo melodrama, mas não é também menos verdade que isso faz com que Robô e Frank assuma frequentemente um tom genuíno, raro neste tipo de história. Inteligente, competente e emocionalmente honesto, Frank Langella brilha num papel simples, mas comovente e memorável dentro daquele retrato estereotipado de velhote resmungão que redescobre uma motivação para viver, à medida que sofre com os processos naturais de envelhecimento e definhamento físico e mental. A dupla com Susan Sarandon transparece química, mesmo que a personagem desta não lhe ofereça grande destaque.

O argumento não chega a alcançar a plenitude que poderia, devido a algumas francas falhas e um rumo que nem sempre é bem focado. Mas o caminho do humor e da emoção é frequentemente capaz de sustentar a narrativa, fazendo de Robô e Frank um daqueles raros, simples e belos momentos de cinema.


Classificação:

terça-feira, 19 de março de 2013

The Tall Man - O Homem das Sombras, por Tiago Ramos


Título original: The Tall Man (2012)
Realização: Pascal Laugier
Argumento: Pascal Laugier
Elenco: Jessica Biel, Jodelle Ferland, William B. Davis, Stephen McHattie e Samantha Ferris

Se com Martyrs (2008), percebemos as capacidades do francês Pascal Laugier em criar um horror survival movie, com um arrojo e crueldade suficientes para marcar a sua diminuta carreira, as expectativas para o seu novo trabalho talvez estivessem mais elevadas. Daí que quem esperasse aquela intensidade na criação da tensão e na forma fria com que conduziu a trama, talvez facilmente se desiludisse com este The Tall Man. Mas o jovem realizador segue um caminho e formato diferentes, construído um thriller bastante competente, mas sobretudo focado num suspense psicológico que funciona maioritariamente quando conectado à componente dramática da história. Daí que a primeira parte da trama acabe por ser importante para estabelecer a construção narrativa comum e induzir o espectador na crença de um formato banal que habitualmente rege este género contemporâneo. Um jogo de previsibilidades que é incutido ao espectador, para num curioso jogo de ambiguidades lhe retirar a certeza da previsibilidade e transformar o filme num género diferente do que havia construído até ali. E rapidamente passamos de um thriller com uma componente sobrenatural (e que o próprio título antecipava) para uma conspiração de intrincados níveis sociais, transformando a protagonista (uma Jessica Biel bastante competente na sua personagem, já que a narrativa lhe oferece a oportunidade de uma interpretação em duas vertentes distintas) no oposto que a história havia feito crer.

Daí que essa reviravolta sirva para desarmar o espectador, aparentemente mais ou menos cheio de certezas e que Pascal Laugier inteligentemente subverte. No entanto e apesar dessa reviravolta resultar, a narrativa na segunda metade da história nem sempre se consegue suportar a si própria, porque a dada altura ou torna-se demasiado confusa ou tende a forçar o debate de um modo moralista. E esse forçar contraria a intenção de subversão que o realizador havia conseguido manter até ali. Mesmo assim, The Tall Man - O Homem das Sombras tem capacidade suficiente para interessar as suas audiências, mantendo uma interessante consistência. O seu problema, porém, parece tornar-se frequente em muito do cinema contemporâneo, especialmente do género (até como aconteceu com o recente Mama) e envolve a necessidade de subestimar as capacidades do espectador, ignorando o poder da sugestão e tornando-se auto-explicativo.


Classificação:

domingo, 17 de março de 2013

Mamã, por Tiago Ramos


Título original: Mama (2013)
Realização: Andrés Muschietti
Argumento: Neil Cross, Andrés Muschietti e Barbara Muschietti
Elenco: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier, Isabelle Nélisse e Daniel Kash

Além do factor mediático (o óbvio protagonismo de Jessica Chastain uma estrela em ascensão e uma espécie de "selo" de garantia de um produtor como Guillermo del Toro), há outros motivos para o sucesso de Mamã. Partindo de uma curta-metragem sem grande teor narrativo, mas de uma qualidade técnica e ambiente interessantes, como génese do projecto, a versão longa da ideia teria que obviamente ser preenchida com detalhes consistentes e cativantes. E este filme consegue-o por recuperar as normas do género de terror, seguindo-as como se de uma lição académica se tratasse, mas aplicando-as de um modo bastante competente, algo que nem sempre podemos dizer das mais recentes produções de género. A forma que Mamã tem de impressionar a sua audiência é recorrendo aos mecanismos básicos do terror (e que recentemente tivemos de oportunidade de rever em Psico, um dos pioneiros nessa técnica), daí que nos momentos mais tenebrosos da história tenhamos direito a mudanças de som abruptas, uma fotografia escura com bom uso das sombras, sustos esperados, crianças e uma narrativa que inclui elementos sobrenaturais. Se é ou não original, essa é outra discussão, mas a verdade é que resulta e Andrés Muschietti consegue manter um ambiente consistentemente tenso e de grande expectativa.

O elenco ajuda, especialmente as jovens actrizes (Megan Charpentier e Isabelle Nélisse são simplesmente arrepiantes), com os restantes actores a apresentarem desempenhos credíveis o suficiente para nos manter interessados. Pena que nem sempre a narrativa saiba construir as personagens para além do tal conformismo dos estereótipos e não deixa de ser incómodo que a protagonista, uma jovem de poucos afectos e de um estilo de vida boémio e membro de uma banda, tenha de ser produzida com um cabelo curto e escuro, várias tatuagens, maquilhagem escura e unhas pintadas de preto. Esse é um tipo de estereótipo básico que, mesmo gerando reconhecimento e compreensão fácil por parte do espectador, acaba por se sentir acomodado a essa simplicidade.

Mesmo assim e com algumas mudanças na condução da história (há momentos em que parece que o protagonista da trama se vai alterando), Mamã consegue gerir bem o seu tempo e na maioria das vezes, manter-se acima da média para uma produção do género. O problema é que no seu final (apesar de apresentar uma conclusão bastante corajosa e consistente em relação à construção das personagens), recorre a uma sequência em CGI para dar corpo a algo que era maioritariamente sugerido durante a história. O poder de sugestão funciona mais que o gráfico e a mente humana mais facilmente se ilude com a sua própria imaginação e Mamã, ao mostrar em demasia e tornar tudo demasiado real, faz perder esse jogo de ilusão com a mente do espectador. É uma pena.


Classificação:

domingo, 10 de março de 2013

Os melhores filmes do Fantasporto 2013, por Tiago Ramos


Ao longo de cerca de quinze dias, muito cinema passou pelo Teatro Rivoli, entre sessões competitivas e não-competitivas, bem como retrospectivas de filmes, neste Fantasporto 2013. De um programa aparentemente discreto numa apreciação geral, a verdade é que se encontraram grandes surpresas e pequenas pérolas dentre a selecção deste ano.

Deixo agora uma lista ordenada por ordem de preferência entre todos os filmes visionados nesta edição do festival (deixarei de fora os filmes antigos exibidos no pré-Fantas, bem como as excelentes homenagens feitas com a exibição de Aniki Bobó, The Red Shoes e La Planète Sauvage).

1. Vanishing Waves (2012), de Kristina Buozyte
2. The Exam (2011), de Péter Bergendy
3. Forgotten (2012), de Alex Schmidt
4. Aglaja (2012), de Krisztina Deák
5. Insensibles (2012), de Juan Carlos Medina
6. Pieta (2012), de Kim Ki-Duk
7. The Seasoning House (2012), de Paul Hyett
8. O Apóstolo (2012), de Fernando Cortizo
9. The Weight (2012), de Kyu-hwan Jeon
10. Kauwboy (2012), de Boudewijn Koole
11. Mama (2013), de Andrés Muschietti
12. Ace Attorney (2012), de Takashi Miike
13. Robot & Frank (2012), de Jake Schreier
14. A Beautiful Mistake (2010), de Lui Hui Zhou
15. The Deep Blue Sea (2011), de Terence Davies
16. AKP: Job 27 (2012), de Michael L. Suan
17. Feed Me With Your Words (2012), de Martin Turk
18. Otro verano (2012), de Jorge Arenillas
19. White Tiger (2012), de Karen Shakhnazarov
20. The Grand Heist (2012), de Joo-ho Kim
21. Face to Face (2011), de Mychael Rymer
22. The Tall Man (2012), de Pascal Laugier
23. Modus Anomali (2012), de Joko Anwar
24. Thale (2012), de Aleksander Nordaas
25. After (2012), de Ryan Smith
26. Tenth Day (2012), de Vasilis Mazomenos
27. Slice and Dice: The Slasher Film Forever (2012), de Calum Waddell
28. Midnight Son (2011), de Scott Leberecht
29. Iron Sky (2012), de Timo Vuorensola
30. Delirium (2013), de Ihor Podolchak
31. Closed Circuit Extreme (2012), de Giorgio Amato

De seguida deixo uma lista também ordenada por preferência das (poucas) curtas-metragens que vi:

1. Oh Willy... (2012), de Emma De Swaef e Marc Roels
2. Pohyper (2012), de Hui-Ching Tseng
3. The Boy in the Bubble (2011), de Kealan O'Rourke
4. El vagabundo (2012), de Jorge Blas
5. The Doctor's Wife (2011), de Julian Grant
6. And Death Will Be Alright (2012), de WeAreTresGentil
7. Linear (2012), de Amir Admoni
8. Beyond That Wasteland (2012), de Daniel Wirtberg e Jenny Wilson
9. The Birth of Rock (2012), de Michael Lee

Fantasporto 2013: Dia 13

O dia da sessão de encerramento do Fantasporto 2013 (hoje há ainda tempo para ver os filmes premiados no Grande e Pequeno Auditórios) começou já com o 4.º Encontro de Bloggers, num ambiente informal e descontraído onde se falou sobre esta edição do festival e essencialmente sobre cinema. Além do Split Screen, o encontro fez-se com o habitual anfitrião Nuno Reis do blogue Antestreia, junto com membros do Portal Cinema, Laxante Cultural, Um Dia Fui ao Cinema e Matinée Portuense.

De resto, o discurso de encerramento pontuou-se com a habitual celebração do cinema através da entrega de prémios na presença de quase todos os representantes dos filmes, bem como um enérgico discurso de Mário Dorminsky acerca do futuro do festival e da Cinema Novo (e onde foi inclusive citada a nossa cobertura ao certame, num agradecimento geral).

Produção de baixo orçamento (que se nota especialmente no seu visual que revela algum amadorismo) que recupera mais uma vez a temática dos vampiros. Curiosamente a história é relativamente original e consegue abordar o género de um modo mais plausível e científico, fugindo à habitual ligação a um lado mais paranormal. Não é um grande filme, mas é suficientemente competente, especialmente atendendo aos baixos recursos, aliado uma noção mais delicada, emocional e subtil ao género.

Divertida e sensível proposta, a ligeireza com que se move no terreno da comédia emocional, com umas nuances levemente futuristas, é o melhor do filme. Embora lhe falte alguma consistência narrativa em alguns momentos e sofra de uma realização frequentemente desinspirada, a simpatia e honestidade com que a história nos é entregue, acaba por ser suficiente. Frank Langella tem uma interpretação de grande coração, numa história que diz respeito à amizade e ao processo de envelhecimento como parte da adaptação ao mundo exterior e em constante mudança.

sábado, 9 de março de 2013

Fantasporto 2013: "Pieta" é o vencedor do Prémio da Blogosfera


Pelo quarto ano consecutivo, os bloggers que cobriram o festival Fantasporto votaram nos seus filmes preferidos. E pela terceira vez, foi um filme asiático o eleito (depois de filmes como Air Doll e I Saw the Devil) com Pieta, de Kim Ki-duk a reunir a média mais elevada. A curta-metragem preferida foi Nostalgic Z (com média de 8).

Melhor Filme
Pieta (8,5)
Vanishing Waves (8,14)
The Exam (8)

Pior Filme
Closed Circuti (2,75)
The Deep Blue Sea (4,5)

Clássicos
Aniki Bobó (8,2)
The Red Shoes (7,33)
La Planète Sauvage (7,2)

Fantasporto 2013: Dia 12

O décimo segundo dia de festival ficou marcado pelo anúncio dos vencedores do certame deste ano, com escolhas surpreendentes e que ignoram muito do bom trabalho que se viu na edição deste ano. Já sabemos que nem todos podem ganhar, mas existem algumas ausências e/ou presenças bastante bizarras, com predominância para o apelo comercial, de grande orçamento ou para o reconhecimento da personalidade e não do filme em si.

Feed Me With Your Words (2012), de Martin Turk Uma estrelaUma estrela½
Admito que este filme me trocou as voltas. Muito bem construído enquanto drama, com algum mistério envolvido, a estrutura tripartida do filme (cada uma das partes com a mesma história sob a perspectiva de uma personagem diferente), consegue sustentar-se durante todo o filme de um modo eficaz. O problema é sobretudo o seu final que nem se poderá chamar de inconclusivo, mas sim inexistente. A forma abrupta e inexplicável como termina fará pensar na quarta parte do filme que não existe e que deveria ligar as outras anteriores, fazendo deste um filme sem qualquer objectivo. O que é uma pena, já que o material prometia bastante.

Slice and Dice: The Slasher Film Forever (2012), de Calum Waddell Uma estrelaUma estrela½
A ideia é cativante, mas a concepção não é a melhor, transmitindo um ar até pouco profissional. Especialmente porque além de um grafismo sempre presente, que se torna incómodo e que distrai o espectador do essencial, a verdade é que os temas abordados não são mais que os clichés que rodeiam todo o género do slasher movie, não acrescentando nada de novo àquilo que o espectador já sabe. Os entrevistados também não são de todo os mais interessantes e chega a irritar o facto de raras vezes se focarem em filmes menos conhecidos do género, mas sim apenas nos mais populares e icónicos. Contudo é um documentário verdadeiramente divertido, especialmente adequado para fãs de terror.

Thriller construído de forma competente para se focar num suspense psicológico (diferente do estilo mais arrojado que Pascal Laugier já tinha revelado no seu cinema), que funciona muito bem também na sua componente dramática. Mesmo que a narrativa por vezes se revele confusa, as pequenas reviravoltas na trama são suficientes para despertar a atenção, mesmo que o final tenda a ser demasiado auto-explicativo.

sexta-feira, 8 de março de 2013

"Mama" vence o Grande Prémio Fantasporto 2013


O filme Mama, estreado esta semana nas salas de cinema nacionais, foi o vencedor do Grande Prémio Fantasporto 2013 para Melhor Filme. Foi ainda premiado como Melhor Realizador (Andrés Muschietti) e Melhor Actriz (Jessica Chastain).


COMPETIÇÃO CINEMA FANTÁSTICO

Grande Prémio Fantasporto 2013 - Melhor Filme
Mama, de Andrès Muschietti

Prémio Especial do Júri
O Apóstolo, de Fernando Cortizo

Melhor Realização
Andrès Muschietti por Mama

Melhor Actor
Toby Jones em Berberian Sound Studio

Melhor Actriz
Jessica Chastain em Mama

Melhor Argumento
Forgotten, de Alex Schmidt

Melhores Efeitos Especiais/Fotografia
Iron Sky

Melhor Curta-Metragem
Hotel, de José Luis Aleman

SEMANA DOS REALIZADORES

Melhor Filme
Pieta, de Kim Ki-Duk

Prémio Especial do Júri
White Tiger, de Karen Shaknazarov

Melhor Realizador
Karen Shaknazarov por White Tiger

Melhor Argumento
Boudewijn e Jolein Laarman por Kauwboy

Melhor Actor
Aleksey Vertkov em White Tiger

Melhor Actriz
Lee Jung-Jin em Pieta


ORIENT EXPRESS

Melhor Filme
The Grand Heist, de Kim Joo-Ho

Prémio Especial do Júri
The Weight, de Jeon Kyu-Hwan


COMPETIÇÃO ESCOLAS E  CINEMA PORTUGUÊS

Melhor Filme Português
Mia Mia Sudan Tamam Tamam, de Luís Moya

Melhor Escola de Cinema
Restart - Escola de Creatividade e Novas Tecnologias

PRÉMIOS NÃO-OFICIAIS

Prémio da Crítica
The Seasoning House

Prémio do Público
Thale, de Aleksandre Nordaas

Fantasporto 2013: Dia 11

Ao décimo primeiro dia do certame, começam também a terminar a exibição dos filmes em competição, mas mesmo assim continuam a surgir algumas surpresas. 

Kauwboy (2012), de Boudewijn Koole Uma estrelaUma estrelaUma estrelaUma estrela
Com uma narrativa muito simples, mas de grande sensibilidade, a surpresa neste filme está a forma delicada como se dirige uma criança de dez anos (o maravilhoso Rick Lens) num filme onde esta basicamente entra em todos os planos. A sua interpretação é bastante natural e cria facilmente empatia com o espectador, numa história que não sendo imprevisível, segue uma fórmula bastante competente e cuidada. Abordando os temas da ausência e do luto, o filme mascara um sentido de tragédia e repressão, sempre sob a perspectiva infantil, o que o torna particularmente simples, mas ainda assim muito bem executado.

O melhor aqui é a forma como o realizador vai conseguindo manter um misto de tensão e mistério, a um filme que logo desde o início se adivinha anti-climático. De produção modesta (com um orçamento de cerca de 40 mil euros), o filme é capaz contudo de manter o espectador interessado na história, que se vai percebendo cada vez mais psicológica, no sentido clínico do termo, por abordar temas como repressão de memórias, obsessão, tornando físicas as memórias passadas. É uma exercício simples, mas cativante, que contudo, o argumento não sabe rematar. O sentido anti-climático é percebido facilmente logo de início, mas não deixa de ser frustrante chegar ao fim e perceber que estamos perante um filme sem objectivo.

Modus anomali (2012), de Joko Anwar Uma estrelaUma estrelaUma estrela½
Thriller de terror de construção lenta, pelo que exige alguma paciência por parte do espectador na fase inicial. Mas feito esse investimento estamos perante um bom filme, com momentos negros, perversos e estranhos que garantem a conquista do espectador. Inteligente e surpreendente, com uma excelente interpretação de Rio Dewanto, estamos perante uma boa surpresa.

White Tiger (2012), de Karen Shakhnazarov Uma estrelaUma estrela½
Aquele que é provavelmente um dos filmes mais acessíveis do cineasta russo Shakhnazarov, não deixa de ser no entanto mais uma das suas obras firmemente consolidadas no cinema soviético e de realização austera. A curiosidade aqui é a forma como o filme oscila entre o drama da II Guerra Mundial e a fantasia, para depois culminar como uma reflexão filosófica acerca da guerra. Destaque para a direcção de fotografia e as cenas de guerra.

Como fazer um filme de terror sem o mostrar? Peter Strickland sabe-o. E o terror está lá, mas nunca o vemos. Um filme dentro de um filme. Ouvimos apenas aquele que é um giallo italiano e o terror que nos é mostrado, é apenas a sugestão doo mesmo, através da tensão que a narrativa vai sempre imprimindo, quase operática. O protagonista aqui é o som e é utilizado de forma fetichista (os cinéfilos vão adorar essa perspectiva), numa espécie de bastidores que recriam o processo de sonorização em pós-produção do filme. O resultado é um filme intenso, visualmente intrigante e sonoramente incrível, com um tom sempre tenso, expressivamente protagonizado por Toby Jones.