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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Canto de Simone - Não me vás deixar

Não me vás deixar

David Mourão Ferreira - Jacques Brel

Não me vás deixar
importa esquecer
trata de esquecer
o que há-de passar
esquecer o tempo
dos mal-entendidos
e o tempo perdido
em busca do vento
esquecer de vez
o que sem parar
nos tenta matar
com tantos porquês
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar


Por mim te darei
pérolas de chuva
dum país sem chuva
que nem água tem
deixarei tesouros
depois de morrer
para tudo te encher
de luzes e de ouro
um reino farei
onde a murmurar
de sempre te amar
só tu serás rei
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar


Não me vás deixar
inventar-te-ei
palavras que nem
se podem escutar
e falar-te-ei
de quem por amor
destrói o terror
de todas as leis
e a história de um rei
morto de pesar
por não me encontrar
também encontrei
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar


Já mesmo se viu
do fundo de um mar
que nunca existiu
o fogo brotar
acontece enfim
um campo queimado
dá um perigo mais grave
que o melhor Abril
e ao cair da tarde
vão-se misturar
sob o céu que arde
tantas cores aos pares
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar


Não me vás deixar
nada te direi
nem chorar já sei
vou ali ficar
dali te verei
dançar e sorrir
e escutar-te-ei
a cantar e a rir
até me sentir
sombra de uma sombra
que há na tua mão
sombra do teu cão
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

in Perfil de Simone de Oliveira

in Simone ao vivo no Hotel Altis

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Simone - A menina dos festivais - 1964 - Olhos nos Olhos

Simone foi a menina dos festivais. Presença assídua, Simone brilhou e fez brilhar o evento da canção portuguesa, lado a lado com Artur Garcia, António Calvário e Madalena Iglésias.
Simone ganhou o 1º lugar nos Festivais de 1965 (Sol de Inverno) e de 1969 (Desfolhada). Além disso, participa nas edições de 1964, 1968 e 1973, neste último ganhando o prémio de interpretação
Olhos nos Olhos é a música que levou Simone ao 3º lugar em 1964



Diz-me o coração qualquer coisa
Quando em mim poisa
O teu olhar
Ambos enlevados ficamos
E não deixamos
De nos fitar
Que sinto em mim
Que vejo em ti
Olhos nos olhos
Será assim
Que o amor sorri
Olhos nos olhos
Lindo sonho se vê
Despontar e subir
Enlaçar
Que domina e que lê
Sendo cego e fala
Sem falar
Amar é belo
Amar é doce
Olhos nos olhos
O teu olhar
É que me trouxe
Esta certeza
Quando olho p´ra ti
Quando olhas p´ra mim
Nossa vida há um amor
Temos pressa
Amor que diz
Coisas febris
Olhos nos olhos

Música: Carlos Canelhas
Letra: António Antão

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sete Letras

Esta palavra saudade
sete letras de ternura
sete letras de ansiedade
e outras tantas de aventura.
Esta palavra saudade
a mais bela e mais pura
sete letras de verdade
e outras tantas de loucura.
Sete pedras, sete cardos,sete facas e punhais
sete beijos que são nardos
sete pecados mortais.
Esta palavra saudade
dói no corpo devagar
quando a gente se levanta
fica na cama a chorar.
Esta palavra saudade
sabe a sumo de limão
tem o travo de amargura
que nasceu do coração.
Ai! palavra amarga e doce
estrangulada na garganta
palavra como se fosse
o silêncio que se canta.
Meu cavalo imenso e louco
a galopar na distância
entre o muito e entre o pouco
que me afasta da infância.
Esta palavra saudade
é a mais prenha de pranto
como um filho que nascesse
por termos sofrido tanto.
Por termos sofrido tanto
é que a saudade está viva
são sete letras de encanto
sete letras por enquanto
enquanto a gente for viva.
Este palavra saudade
sabe ao gosto das amoras
cada vez que tu não vens
cada vez que tu demoras.
Ai! palavra amarga e doce
debruçada na idade
palavra como se fosse
um resto de mocidade.
Marcada por sete letras
a ferro e a fogo no tempo
Ai! palavra dos poetas
que a disparam contra o vento.
Letra José Carlos Ary dos Santos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Ribalta

Ribalta
Pedro Bandeia Freire
José Luís Tinoco


Se este olhar me disser
Que a rua é o meu palco
Sou ave a pairar na ribalta
E se a voz alcançar
O fim desta seara
Que invade a cidade e o mar
Sou poema a cantar
Sou a banda a tocar no coreto
No meio do meu jardim
Sou poema de gente sem pressa
Num mundo desperto tão perto de mim
Canto a cor deste cais
Sem ecos de saudade
Sou ave a poisar na cidade
Vejo a tarde nas fontes de vidros
A bailar em cantigas de tempo de paz
Fantasias e caras pintadas
De meias verdades
Inveja e amor
Luz do átrio, sombra, bastidor
Na plateia se arruma a alegria e a dor
O sonho e a aventura
Poema a navegar sobre o céu do meu palco
Do meu mar

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Discos de Simone - O Burrinho


Esta é a capa do 1º EP da carreira de Simone de Oliveira (que tenhamos conhecimento, claro está). É o disco ALVORADA MEP 60 103.

Como sabem os EP'S tinham, normalmente, 4 faixas apenas, duas de cada lado. Este de que se fala hoje tinha as seguintes cantigas:
  • O burrinho
  • Agora
  • Eh pá do fado
  • Vocês sabem lá
As faixas Eh pá do fado e Vocês sabem lá foram reeditadas, mais tarde, no CD da Série Ouro: Grandes Êxitos, Simone de Oliveira.

De seguida, deixo-vos a letra da cantiga Eh pá do fado que consta deste seu 1º EP. Letra: Fernando Farinha. Música: Mário José Lopes. Canta: Simone de Oliveira.

O fado perdeu a raça
aquela raça afadistada
deixou de ser desordeiro
e companheiro da ramboiada
Estas fadistas d'agora
trazem o fado virado
nas boites, nos salões
cantam canções
em vez de fado

Eh pá não fiques calado
eh pá canta lá o fado
o fado é assim, meus senhores
com o vinho da pipa a correr
assim malcriado e avinhado
é que o fado é fado a valer
o fado é assim, meus senhores
com o vinho da pipa a correr
assim malcriado e avinhado
é que o fado é fado a valer

O fado hoje é pra banqueiros
e pra estrangeiros e pra doutores
e os fadistas são artistas
não são fadistas, já são cantores
É cantado nas boites
assim armado em finório
o fado mudou de rumo
já tem consumo obrigatório

Eh pá não fiques calado
eh pá canta lá o fado
o fado é assim, meus senhores
com o vinho da pipa a correr
assim malcriado e avinhado
é que o fado é fado a valer
o fado é assim, meus senhores
com o vinho da pipa a correr
assim malcriado e avinhado
é que o fado é fado a valer

Eh pá não fiques calado
eh pá canta lá o fado
o fado é assim, meus senhores
com o vinho da pipa a correr
assim malcriado e avinhado
é que o fado é fado a valer.