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domingo, 26 de março de 2017

A ÚNICA COISA NECESSÁRIA

"Se tivermos a coragem de abrir mão de quase tudo, provavelmente conseguiremos reter o único necessário – seja ele qual for. Se formos por demais ávidos de ter tudo, quase com certeza perderemos até a única coisa que necessitamos.


A felicidade consiste em descobrir precisamente o que pode ser essa ‘única coisa necessária’ em nossas vidas e renunciar alegremente a todo o resto. Pois então, por um divino paradoxo, constatamos que tudo o mais nos é dado junto com a coisa única de que precisamos.»


Thomas Merton, in "Homem algum é uma ilha"

quinta-feira, 27 de outubro de 2016


"Se estamos à espera que algumas pessoas se tornem agradáveis ou atraentes antes de começarmos a amá-las, nunca vamos começar."
[Thomas Merton]

domingo, 22 de junho de 2014

O AMOR DE CRISTO

«Qual é a perfeição acabada para o cristão? A plena manifestação de Cristo nas nossas vidas. 

Sem amor e compaixão pelos outros, o nosso aparente "amor" por Cristo é ficção.

Amar é deixar aqueles que amamos serem eles mesmos e não tentar moldá-los segundo nossa própria imagem. Caso contrário, amaríamos apenas o reflexo de nós mesmos.»

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"


sexta-feira, 20 de junho de 2014

NOSSO PAI AMOROSO

«A nossa atitude espiritual, o nosso caminho de procura de paz e perfeição, dependem inteiramente do nosso conceito de Deus.

Se formos capazes de acreditar que Ele é verdadeiramente o nosso Pai amoroso, se conseguirmos realmente aceitar a verdade da sua infinita e compassiva preocupação por nós, se acreditarmos que Ele nos ama, não porque somos merecedores, mas porque precisamos do seu amor, podemos então avançar com confiança. Não seremos desencorajados pelas nossas inevitáveis fraquezas e fracassos. Podemos fazer tudo o que Ele nos pede.

Mas se acreditarmos que Ele é um austero e frio legislador, que não tem verdadeiro interesse por nós, um mero governante, um senhor, um juiz e não um pai, teremos grande dificuldade em viver a vida cristã.»

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

quarta-feira, 3 de julho de 2013

DEIXAR CRISTO VIVER EM NÓS


«Aquilo que devemos fazer hoje, não é tanto falar de Cristo, mas deixar que Ele viva em nós, de tal modo que as pessoas possam encontrá-lo ao sentir como vive em nós». 

Thomas Merton

domingo, 17 de abril de 2011

PAZ E ALEGRIA

«A finalidade da Quaresma não é só expiação para satisfazer a justiça divina; é, sobretudo, uma preparação para nos alegrarmos em seu amor. E essa preparação consiste em receber o dom de sua misericórdia — dom que recebemos na medida em que lhe abrimos nosso coração, lançando fora o que não pode permanecer juntamente com a misericórdia.
Ora, uma das primeiras coisas que devemos lançar fora é o temor. O temor estreita ainda mais a pequena entrada de nosso coração, diminui nossa capacidade de amar. Resfria nossa capacidade de nos darmos. Se estivéssemos aterrorizados diante de Deus como diante de um juiz inexorável, não esperaríamos, confiantes, sua misericórdia, nem nos aproximaríamos dele confiantemente, na oração. Nossa paz, nossa alegria, na Quaresma, são uma garantia da graça.»

Thomas Merton

domingo, 13 de junho de 2010

SEGUE O CAMINHO DA HUMILDADE

«É na humildade que se encontra a maior liberdade.(...)

É só quando deixamos de prestar atenção aos nossos feitos, à nossa fama e à nossa superioridade, que estamos finalmente livres para servir Deus perfeitamente e por Ele só.

A pessoa que não está despojada, pobre e despida no íntimo da sua alma tenderá insconscientemente a realizar em seu proveito as obras que tem a fazer, mais do que para a glória de Deus. Será virtuosa não porque ame a vontade de Deus, mas porque deseja admirar as suas virtudes pessoais. Mas cada momento do dia irá trazer-lhe alguma frustração que a tornará ríspida e impaciente, e será descoberta na sua impaciência.

Planeou executar actos espectaculares. Não pode imaginar-se sem uma auréola. E, quando os acontecimentos da sua vida diária lhe vão recordando a sua insignificância e mediocridade, fica envergonhado e o orgulho impede-o de engolir uma verdade que não surpreenderia qualquer pessoa sensata.»

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (3ª PARTE)

«A nossa atitude espiritual, o nosso caminho de procura de paz e perfeição, dependem inteiramente do nosso conceito de Deus.
Se formos capazes de acreditar que Ele é verdadeiramente o nosso Pai amoroso, se conseguirmos realmente aceitar a verdade da sua infinita e compassiva preocupação por nós, se acreditarmos que Ele nos ama, não porque somos merecedores, mas porque precisamos do seu amor, podemos então avançar com confiança. Não seremos desencorajados pelas nossas inevitáveis fraquezas e fracassos. Podemos fazer tudo o que Ele nos pede.

Mas se acreditarmos que Ele é um austero e frio legislador, que não tem verdadeiro interesse por nós, um mero governante, um senhor, um juiz e não um pai, teremos grande dificuldade em viver a vida cristã.
Precisamos, por isso, de começar a acreditar que Deus é o nosso Pai; se assim não for, não conseguiremos enfrentar as dificuldades do caminho da perfeição cristã.
Sem fé, o "caminho estreito" é completamente impossível.»

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

terça-feira, 3 de novembro de 2009

EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (2ª PARTE)

«"Ser perfeito" não é tanto uma questão de procurar Deus com ardor e generosidade, mas de ser procurado, amado e possuído por Deus, de tal modo que a sua acção em nós nos torna completamente generosos, e nos ajuda a transcender as nossas limitações e a reagir contra a nossa fraqueza.
Tornamo-nos santos, não por dominarmos violentamente a nossa fraqueza, mas por deixarmos que Deus nos dê a força e a pureza do Espírito, em troca da nossa fraqueza e miséria.
Não compliquemos as nossas vidas nem nos frustremos, fixando demasiado a atenção em nós mesmos, esquecendo assim o poder de Deus e ofendendo o Espírito Santo.»

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

domingo, 1 de novembro de 2009

EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (1ª PARTE)

«Uma pessoa não se torna perfeita, quando pratica na sua vida um padrão uniforme de perfeição universal, mas quando responde à chamada e ao amor de Deus, realizada nas limitações e circunstâncias da sua vocação particular.
De facto, a nossa procura de Deus não é de modo algum uma questão de O encontrar através de certas técnicas ascéticas. É antes uma pacificação e ordenação de toda a nossa vida pela negação de si mesmo, pela oração e boas obras, para que o próprio Deus, que nos procura mais do que nós O procuramos, possa "encontrar-nos" e "tomar posse de nós".

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

VIDA NO ESPÍRITO

«A "vida espiritual" é a vida perfeitamente equilibrada, em que o corpo com as suas paixões e instintos, o espírito iluminado passivamente pela Luz e o Amor de Deus, formam um homem completo, que está em Deus e com Deus, de Deus e para Deus - um homem em quem Deus é tudo em tudo, um homem em quem Deus realiza, sem obstáculos, a Sua própria Vontade.»

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O QUE É A LIBERDADE? (2ª parte)

«Toda a verdadeira liberdade é-nos outorgada como um dom sobrenatural de Deus, uma participação na sua própria Liberdade essencial pelo Amor que Ele derrama nos nossos corações, unindo-nos a Ele, primeiro por um acordo total, depois pela união transformante de vontades.

A outra liberdade, a denominada liberdade natural, isto é, a indiferença a respeito das boas e más escolhas, não é senão uma capacidade, uma potencialidade à espera de ser transformada pela graça, a vontade e o amor sobrenatural de Deus.

Todo o bem, toda a perfeição, toda a felicidade se encontram na infinitamente boa, perfeita e abençoada vontade de Deus. E como a verdadeira liberdade significa a capacidade de desejar e escolher sempre, sem errar, sem desfalecer, o que é realmente bom, então, a liberdade só poderá encontrar-se na perfeita união e submissão à vontade de Deus. Se a nossa vontade seguir a sua, alcançará o mesmo fim, gozará da mesma paz e será repleta da infinita felicidade que Lhe é própria.

Por isso, a definição mais simples de liberdade é esta: significa a capacidade de cumprir a vontade de Deus. Ser capaz de resistir à sua vontade é não ser livre. Não existe nenhuma liberdade no pecado

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

domingo, 25 de outubro de 2009

O QUE É A LIBERDADE? (1ª parte)

«A faculdade pura e simples de escolher entre o bem e o mal é o grau mais ínfimo da liberdade, e, nele, o único elemento livre é podermos ainda escolher o bem.

Enquanto tivermos liberdade de escolher o mal, não somos livres, porque escolher o mal destrói a liberdade.
Nunca podemos escolher o mal enquanto mal: somente como um bem aparente. Mas se decidimos fazer alguma coisa que nos parece boa, quando realmente não o é, estamos a fazer o que realmente não queríamos fazer, e, por isso, não somos verdadeiramente livres.

A liberdade... não consiste num equilíbrio entre boas e más escolhas, mas em amar e aceitar o que é realmente bom, e odiar e rejeitar o que é mau, de maneira que tudo o que fazemos é bom e faz-nos felizes, e recusamos, rejeitamos e ignoramos tudo o que poderia conduzir-nos à infelicidade, decepção e sofrimento profundo.

Só é verdadeiramente livre o homem que rejeitou tão completamente o mal que se tornou incapaz de o desejar.»

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

domingo, 18 de outubro de 2009

SEGUE O CAMINHO DA HUMILDADE

É na humildade que se encontra a maior liberdade.(...)

É só quando deixamos de prestar atenção aos nossos feitos, à nossa fama e à nossa superioridade, que estamos finalmente livres para servir Deus perfeitamente e por Ele só.

A pessoa que não está despojada, pobre e despida no íntimo da sua alma tenderá insconscientemente a realizar em seu proveito as obras que tem a fazer, mais do que para a glória de Deus. Será virtuosa não porque ame a vontade de Deus, mas porque deseja admirar as suas virtudes pessoais. Mas cada momento do dia irá trazer-lhe alguma frustração que a tornará ríspida e impaciente, e será descoberta na sua impaciência.

Planeou executar actos espectaculares. Não pode imaginar-se sem uma auréola. E, quando os acontecimentos da sua vida diária lhe vão recordando a sua insignificância e mediocridade, fica envergonhado e o orgulho impede-o de engolir uma verdade que não surpreenderia qualquer pessoa sensata.

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O QUE É O PECADO?

«O pecado é a recusa da vida espiritual, a rejeição da ordem interior e da paz, que vêm da nossa união com a vontade divina.
Numa palavra, o pecado é a recusa da vontade de Deus e do seu amor.

Não é apenas a recusa de fazer esta ou aquela coisa desejada por Deus, ou uma determinação para fazer o que é proibido.
É, mais radicalmente, a recusa de sermos o que somos, uma rejeição da nossa realidade misteriosa, contingente e espiritual, escondida no próprio mistério de Deus.

O pecado é a nossa recusa de sermos aquilo para que fomos criados - filhos de Deus, imagens de Deus.»

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

domingo, 11 de outubro de 2009

O AMOR DE DEUS

O Amor vem de Deus e leva-nos para Deus para retornar a Ele através de nós e nos levar a todos de volta para Ele na corrente da sua infinita misericórdia.

Assim, todos nós passamos a ser portas e janelas através das quais a luz de Deus se reflecte no interior da sua própria casa.

Quando o amor de Deus está em mim, Deus é capaz de amar-te através de mim e tu és capaz de amar Deus através de mim. Se a minha alma estiver fechada a esse amor, o amor de Deus por ti, o teu amor a Deus e o amor de Deus por Ele próprio em ti e em mim, ficariam privados da expressão particular que encontra através de mim e de mais ninguém.

Porque o amor de Deus está em mim, ele pode chegar a ti desde uma direcção diferente e particular, que se encontraria fechada se Ele não vivesse em mim. E, porque o seu amor está em ti, pode chegar até mim desde uma direcção que não poderia tomar de qualquer outro modo. E porque está em ti e em mim, Deus recebe uma glória maior.
O seu amor exprime-se de mais duas maneiras nas quais não poderia exprimir-se de outro modo; isto é, em mais duas alegrias, que não poderiam existir sem Ele.

Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"

domingo, 4 de outubro de 2009

VERDADEIRAMENTE HUMANOS

Enquanto não compreendermos que, antes de o homem se tornar santo tem de ser primeiro homem, com toda a humanidade e fragilidade da verdadeira condição humana, não seremos capazes de entender o significado da palavra "santo". (...)

Se devemos ser "perfeitos" como Cristo é perfeito, devemos lutar para sermos tão perfeitamente humanos como Ele, de modo que Ele possa unir-nos com o seu divino ser e partilhar connosco a sua filiação do Pai do céu. Assim, a santidade não é uma questão de ser menos humano, antes mais humano do que os outros homens. Isto implica uma maior capacidade de preocupação, sofrimento, compreensão, simpatia e também de humor, alegria e valorização das coisas boas e belas da vida.

Por conseguinte, um pretenso "caminho de perfeição", que simplesmente destrói ou frustra os valores humanos, precisamente porque são humanos, tendo como ideal a atingir a separação dos outros homens, está condenado a não ser mais do que uma caricatura. E tal caricatura de santidade é, sem dúvida, um pecado contra a fé na Incarnação. Evidencia desprezo pela humanidade, pela qual Cristo não hesitou em morrer na cruz.»

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

domingo, 27 de setembro de 2009

VIDA DE AMOR

«Toda a vida cristã consiste na procura da vontade de Deus com uma fé amorosa e no cumprimento dessa vontade abençoada, através de um amor fiel. (...)

Quando perdemos de vista o elemento central da santidade cristã, que é o amor, e quando esquecemos que o caminho para cumprir o mandamento cristão do amor não é algo de remoto e esotérico, mas sim algo que está imediatamente diante de nós, então a vida cristã torna-se complicada e muito confusa. Perde a simplicidade e a unidade que Cristo lhe deu no seu evangelho, e torna-se um labirinto de preceitos sem conexão, conselhos, princípios ascéticos, casos morais e até detalhes técnicos legais e rituais. Estas coisas tornam-se dificeis de entender, na medida em que perdem a sua conexão com a caridade que as une e lhes dá uma orientação para Cristo.»

Thomas Merton, em "Vida e Santidade"

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O "DEUS" FEITO DE PALAVRAS E SENTIMENTOS

«Temos uma máscara externa, superficial, que juntamos às palavras e às acções que não representam plenamente tudo o que há em nós; assim também, até as pessoas de fé tratam com um Deus feito de palavras, sentimentos e slogans reconfortantes, menos o Deus da fé do que o produto de rotinas sociais e religiosas. Esse "Deus" pode tornar-se um substituto da verdade do Deus invisível da fé, e, embora essa imagem reconfortante possa parecer-nos real, ela é realmente uma espécie de ídolo. Sua função principal é proteger-nos contra um encontro profundo com nosso verdadeiro eu interior e com o verdadeiro Deus.»

Thomas Merton

domingo, 16 de agosto de 2009

O NASCIMENTO DIVINO DENTRO DE NÓS

«O que é que torna a vida do homem "divina"? Com certeza, se essa qualidade especial o caracteriza, ela deve ser, em certo sentido, reconhecível.
A vida "divina" caracteriza-se, de facto, por uma fé que liberta o homem de todas as formas de servidão, até, e talvez especialmente, em questões religiosas (ver Gálatas). Essa fé o coloca sob a orientação directa do Espírito Santo de amor que vive na Igreja de Deus.

O homem "divino", ou "o filho de Deus", é então paradoxalmente marcado por grande humildade e modéstia. Não é violento, mas clemente e bondoso (Mt 5, 43-48), livre de qualquer necessidade de auto-afirmação agressiva. Não se aflige com as próprias necessidades, mas confia plenamente em Deus para tudo (Mt 6,19-34).

O homem que leva uma vida "divina" é, portanto, filho perfeito de Deus à imitação de Cristo que, em todas as coisas, considerava apenas a vontade e o amor de Seu Pai. O homem divino vive em contacto constante com a fonte interior da vida divina ou, como teria dito Mestre Eckhart, com "o nascimento divino dentro de nós"

Thomas Merton, em "Amor e Vida"

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...