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terça-feira, 12 de abril de 2011

ABANDONO

«A teologia da vida espiritual afirma que a paz interior só nasce no homem quando este se abandona a Deus. Enquanto não procurares abandonar-te ao Senhor estarás inquieto e o teu coração debater-se-á, como a borboleta que esvoaça ao redor da lâmpada, cheio de inquietações, de problemas e preocupações. Não há outro caminho para alcançar a paz, senão o do pleno abandono à vontade de Deus, isto é, Seu Amor. 

Senhor, que se faça como Tu queres, porque creio que Tu me amas e sabes melhor que ninguém o que me faz falta, a mim e àqueles a quem eu amo e pelos quais Te suplico.» 


Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé"

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

AUTO-REALIZAÇÃO EM CRISTO

"Cada um de nós somente encontra a sua realização quando ama.
Cada um de nós só é plenamente homem pelo amor.


A auto-realização de cada um de nós tem o seu cumprimento na medida em que nos abrimos a Cristo, na medida em que deixamos que Ele ame em nós, que viva em nós. Se te abrires totalmente a Cristo poderias também dizer como São Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). E Cristo tem mesmo este desejo extraordinário: quer amar cada um de nós com especial amor, quer tantos rostos quantos os homens sobre a terra.


A nossa auto-realização encontra a sua concretização mediante a vida em verdade e pela resposta ao chamamento de Deus ao amor.
Sem uma vida vivida em verdade não se pode sequer falar de amor no sentido sobrenatural. Esse amor, de facto, é o amor do próprio Cristo em nós. E Ele vive em nós, na medida em que, vendo-nos na verdade, isto é, reconhecendo a nossa fraqueza, nós O invocamos, na medida em que queiramos que Ele seja a nossa vida.» 

Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé"

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O DESERTO

"Na simbologia bíblica, o deserto é uma etapa no caminho para Deus que todos os que são chamados à fé devem atravessar.

O deserto não é uma pátria, mas somente um percurso, um caminho que conduz ao conhecimento do Amor misericordioso de Deus. Todos aqueles que procuram Deus devem passar por ele, pois a experiência do deserto está estreitamente ligada ao aprofundamento da nossa fé na Sua Misericórdia.
O deserto, por excelência, são os dificeis estados espirituais de aridez e secura, quando Deus pareça ter-te abandonado, quando não sintas a Sua presença e te seja mais difícil crer nela.

A situação do deserto põe a descoberto aquilo que no homem se encontra mais profundamente escondido. (...) É no deserto que o homem se dá conta de que coisas é capaz, da sua fraqueza, da sua condição de pecador, da sua dureza de coração. Aí o homem encontra-se face a face com a aterradora verdade daquilo que é sem a ajuda de Deus.

Normalmente o homem vive de uma maneira superficial, como se vivesse apenas à flor da pele. Só as situações difíceis, as situações de deserto, o constrangem a tomar decisões, revelando, ao mesmo tempo, as camadas mais profundas do bem ou do mal.

O deserto, porém, não só revela a verdade acerca de ti, mas transforma-te interiormente, polarizando as tuas atitudes. O dom do deserto permite-te vencer a tibieza, porque te obriga a fazer opções.

Enquanto fores um cristão tíbio, para quem a vida corre sem problemas e tudo vai bem, a tua situação, vista à luz da fé, é dramática, porque pensas que és tu que solucionas tudo e Deus deixa, assim, de te ser necessário: estás, desse modo, numa condição de ateísmo prático.

A finalidade do deserto é de formar o homem, fortalecer a sua fé, eliminar a sua mediocridade, formar verdadeiros discípulos de Cristo.

No deserto é que vais dar conta de que Deus realmente nunca te abandona. É verdade que no deserto Deus Se oculta mas, na realidade, Ele está particularmente perto de ti. Nunca como nessas ocasiões se encontra tão próximo. Somente espera que Lhe demonstres a tua fé, espera que Lhe estendas os teus braços confiantemente."

Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé"

terça-feira, 7 de abril de 2009

TUDO É GRAÇA

"Deus vem ao teu encontro sob a forma de um dom, na Sua graça que te interpela e neste sentido «tudo é graça».
Ele quer que para ti tudo resulte num «capital» de bem e até do próprio mal procura extrair algo de bom. Evidentemente que o mal não pode ser uma graça, mas na Sua omnipotência e infinita misericórdia, Deus pode extrair dele o bem. As consequências do mal podem mesmo dar como fruto uma boa oportunidade de se alcançar a conversão. Então, desse modo, «tudo é graça» e tudo é um talento, porque o Senhor, sempre e em toda a parte, te concede uma oportunidade.

Deves começar a olhar a tua vida de modo diferente, isto é, deves vê-la com os olhos da fé. Só então te aperceberás que Deus te cumula continuamente de dons, apenas nessa altura serás capaz de compreender que toda a tua vida é um conjunto de oportunidades escondidas, em ordem a uma contínua transformação interior. Compreenderás, pois, que tudo é graça."

(Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé")

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"BASTA-TE A MINHA GRAÇA"


«Há uma tão incrível quantidade de luzes de graça a penetrar mesmo a alma má e perversa, que vemos salvo aquele que parecia perdido.
Mas, jamais se viu deixar-se impregnar o que era envernizado, repassar o que era impermeável, nem se viu tornar brando o que era duro...
Daqui provém as numerosas falhas que observamos na eficácia da graça que, enquanto alcança vitórias inesperadas nas almas dos grandes pecadores, com frequência fica inoperante nas pessoas de "bem".

A sua pele moral invariavelmente intacta tornou-se para eles rija como couro e couraça lisa impenetrável, sem beliscadura. Esses não apresentam aquela abertura produzida por ferida dolorosa, nem por algum inesquecível tormento, nem sequer aquela dor jamais superada, um ponto de sutura eternamente mal ajustado, a inquietação mortal, uma secreta amargura, uma ruptura inconfessável, uma cicatriz nunca fechada.

Eles nem sequer apresentam essa abertura à graça que pode ser essencialmente o pecado. Como não estão feridos, não se encontram vulneráveis. Já que não lhes falta nada, nada recebem. Como nada lhes carece, não podem receber Aquele que é Tudo. O Amor de Deus não pode curar aquele que não apresente ferimentos.» - Charles Péguy, citado por Tadeuz Dajczer, em "Meditações sofre a Fé"

Talvez na tua vida haja também algo dessa terrível ferida que não cicatriza, talvez haja um inesquecível tormento, uma dor por ultrapassar, uma angústia de morte, talvez uma amargura de morte, talvez uma amargura dissimulada - uma das muitas que o mundo proporciona - qualquer coisa que se desmoronou. Consideras, então, que tudo acabou, quando na realidade se passa o contrário. Tudo isso deve ser para ti um canal de graça. Deus permite que sofras todas essas feridas e dificuldades para que te sintas fraco e, por meio desse fraqueza, te abras à graça." - Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé"

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

"A fé torna-nos capazes de pensarmos como Deus, tanto no que respeita à nossa pessoa como a tudo aquilo com que contactamos. Crer significa, portanto, sintonizar e identificar o nosso pensamento com o de Deus.

O mundo criado à nossa volta é como que a expressão de uma voz que nos fala. Se a nossa fé é fraca essa voz produz em nós a dispersão, afasta-nos de Deus e leva a centrarmo-nos em nós próprios. Mas, quando a fé cresce, dá-se o processo inverso: o mundo exterior começa a falar-nos de Deus, a atrair-nos para Ele, torna-se sinal da Sua presença. Além disso, ajuda-nos a entrar em contacto com Ele e transforma-se num lugar de encontro com Deus.

É a fé que te torna capaz de ultrapassar as aparências, de distinguir a causa primeira das causas segundas e de ver que aquilo que se passa em teu redor, não é fruto do poder dos homens. A fé permite-te descobrir os sinais de Deus na Criação, oferece-te a possibilidade de acolheres os acontecimentos como expressão da Vontade de Deus e de os ver como uma passagem de Deus na tua vida" (Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a fé")

domingo, 31 de agosto de 2008

AUTO-REALIZAÇÃO EM CRISTO

"Cada um de nós somente encontra a sua realização quando ama.
Cada um de nós só é plenamente homem pelo amor.


A auto-realização de cada um de nós tem o seu cumprimento na medida em que nos abrimos a Cristo, na medida em que deixamos que Ele ame em nós, que viva em nós. Se te abrires totalmente a Cristo poderias também dizer como São Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). E Cristo tem mesmo este desejo extraordinário: quer amar cada um de nós com especial amor, quer tantos rostos quantos os homens sobre a terra.


A nossa auto-realização encontra a sua concretização mediante a vida em verdade e pela resposta ao chamamento de Deus ao amor.
Sem uma vida vivida em verdade não se pode sequer falar de amor no sentido sobrenatural. Esse amor, de facto, é o amor do próprio Cristo em nós. E Ele vive em nós, na medida em que, vendo-nos na verdade, isto é, reconhecendo a nossa fraqueza, nós O invocamos, na medida em que queiramos que Ele seja a nossa vida.» (Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a Fé")

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...