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domingo, 26 de fevereiro de 2012

FAZ SENTIDO SOFRER?

«Deus sussura nos nossos prazeres, fala na nossa consciência, mas grita no nosso sofrimento: ele é o Seu megafone para despertar um mundo surdo. (...)

(...) Não há dúvida de que o sofrimento como o megafone de Deus é um instrumento terrível, podendo levar à rebelião final, que não dá lugar ao arrependimento. Mas ele fornece também a única oportunidade que o perverso pode ter de emendar-se. Ele remove o véu, planta a bandeira da verdade na fortaleza de uma alma rebelde.

Se a primeira operação do sofrimento destroça a ilusão de que tudo está bem, a segunda faz cair a ilusão de que aquilo que temos, quer seja bom ou mau em si mesmo, é nosso e basta para nós. Todos sabem como é difícil voltarmos os pensamentos para Deus quando tudo vai bem connosco.A expressão "temos tudo o que queremos" é uma frase terrível quando esse "tudo" não inclui Deus. Nós achamos que Deus é uma interrupção. Como diz Sto. Agostinho em algum lugar: "Deus quer dar-nos algo, mas não pode, porque as nossas mãos estão cheias - não há nelas lugar para colocá-lo". Ou como afirmou um amigo meu: "consideramos Deus como um aviador considera o seu pára-quedas; ele o leva para as emergências, mas não espera jamais ter de usá-lo."»

C.S. Lewis, em "O problema do sofrimento"


domingo, 13 de novembro de 2011

SOBRE O SOFRIMENTO

Uma história de S. Francisco de Sales contada por François Varillon, s.j. :


"Um cirurgião vê-se obrigado a operar a sua própria filha. Em geral, os médicos não gostam de operar as pessoas da sua família, como os obstretas também não gostam de cuidar do parto de suas mulheres.

Naquele tempo não havia calmantes nem anestesias. O cirurgião teve de cortar com o bisturi a carne da filha, a quem seguravam os braços e as pernas. Ela grita. Mas de repente os seus olhos encontram os olhos do pai, e vê que nesses olhos só há amor.

S. Francisco de Sales acrescenta: a filha já não pode desprender os olhos de seu pai: e enquanto assim fizer, suporta a situação. Não diz que ela deixa de sofrer. O sofrimento é sempre sofrimento. Mas basta-lhe ver toda a ternura, todo o amor que há nos olhos do pai, para poder aguentar."

François Varillon s.j. , em "Viver o Evangelho"

domingo, 10 de abril de 2011

SOFRIMENTO E VERDADE

«O sofrimento não nos aproxima necessariamente da virtude, mas aproxima-nos sempre da verdade.(...)

«O que, para a maioria das criaturas nem o amor nem a oração nem a poesia nem a arte puderam conseguir, só a morte e o sofrimento serão capazes de o alcançar. 
Mas talvez ainda venha um dia em que o amor, a arte e a oração exerçam tal poder sobre nós que possamos ser dispensados de sofrer e de morrer.» 

Louis Evely, em "Sofrimento"

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PASSAR POR CIMA DAS NOSSAS FERIDAS

«Os humanos sofrem imenso. Muito, para não dizer a maior parte, do nosso sofrimento tem origem na relação com aqueles que nos amam. Estou constantemente ciente de que a minha agonia profunda provém, não dos terríveis eventos que leio nos jornais ou vejo na televisão, mas da relação com as pessoas com quem partilho a minha vida diária. São precisamente os homens e mulheres, que me amam e que estão muito perto de mim, os que me ferem.

À medida que ficamos mais velhos, geralmente vamos descobrindo que nem sempre fomos bem amados. Com frequência, os que nos amaram também nos usaram. Os que se interessaram por nós foram, por vezes, também invejosos. Os que nos deram muito, por vezes, exigiram também muito em troca. os que nos protegeram quiseram também possuir-nos nos momentos críticos. Habitualmente, sentimos a necessidade de esclarecer como e porque é que estamos feridos; e, com frequência, chegamos à alarmante descoberta de que o amor que recebemos não foi tão puro e simples como tínhamos julgado. É importante esclarecer estas coisas, especialmente quando nos sentimos paralizados por medos, preocupações e anseios obscuros que não compreendemos.

Mas compreender as nossas feridas não basta. Ao fim e ao cabo, temos que encontrar a liberdade para passar por cima das nossas feridas e a coragem para perdoar aos que nos feriram. O verdadeiro perigo está em ficarmos paralizados pela raiva e pelo ressentimento. Então começaremos a viver com o complexo do "ferido", queixando-nos sempre de que a vida não é "justa".

Jesus veio livrar-nos destas queixas auto-destrutivas. Diz Ele. "Põe de lado as tuas queixas, perdoa aos que te amaram mal, passa por cima da sensação que tens de seres rejeitado e ganha coragem para acreditar que não cairás no abismo do nada mas no abraço seguro de Deus cujo amor curará todas as tuas feridas."

Henri Nouwen, in "Aqui e Agora"

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SOFRIMENTO


"Deus não veio suprimir o sofrimento,
nem mesmo explicá-lo,
mas veio enchê-lo da sua presença."
(Paul Claudel)


"O cristão não é um voluntário do sofrimento,
mas do amor,
um amor que amadurece também através do sofrimento."
(G. Davanzo)

domingo, 29 de novembro de 2009

SÓ EXISTE UM INFERNO

«Só existe um inferno e talvez já o tenhas conhecido: é o lugar onde nada se espera, onde não se ama absolutamente ninguém e de ninguém se atende absolutamente nada, onde não se tem confiança em ninguém...
Isto é a tentação. A nossa tentação. De todos. É o pecado infernal que nos assediará até ao fim dos nossos dias: a instalação definitiva no canto (onde nos deixarão em paz, onde acabaremos por não sofrer mais, por não escutar mais nenhum apelo, onde a dilacerante comunicação será, por fim, cortada. Extinta). Isto é Inferno. Ter perdido o gosto de amar - para não sofrer mais.»

Louis Evely, em "Sofrimento"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O SOFRIMENTO E A VERDADE

«O sofrimento não nos aproxima necessariamente da virtude, mas aproxima-nos sempre da verdade.(...)

«O que, para a maioria das criaturas nem o amor nem a oração nem a poesia nem a arte puderam conseguir, só a morte e o sofrimento serão capazes de o alcançar. Mas talvez ainda venha um dia em que o amor, a arte e a oração exerçam tal poder sobre nós que possamos ser dispensados de sofrer e de morrer.»

Louis Evely, em "Sofrimento"

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SOBRE O SOFRIMENTO

Uma história de S. Francisco de Sales contada por François Varillon, s.j. :


"Um cirurgião vê-se obrigado a operar a sua própria filha. Em geral, os médicos não gostam de operar as pessoas da sua família, como os obstretas também não gostam de cuidar do parto de suas mulheres.

Naquele tempo não havia calmantes nem anestesias. O cirurgião teve de cortar com o bisturi a carne da filha, a quem seguravam os braços e as pernas. Ela grita. Mas de repente os seus olhos encontram os olhos do pai, e vê que nesses olhos só há amor.

S. Francisco de Sales acrescenta: a filha já não pode desprender os olhos de seu pai: e enquanto assim fizer, suporta a situação. Não diz que ela deixa de sofrer. O sofrimento é sempre sofrimento. Mas basta-lhe ver toda a ternura, todo o amor que há nos olhos do pai, para poder aguentar."

(François Varillon s.j. , em "Viver o Evangelho")

domingo, 6 de julho de 2008

Sofrimento e Amor

"Para ser de Deus é necessário não ser de si mesmo. E para deixar de ser de si mesmo, é preciso arrancar-se de si mesmo. Mas este arrancar-se a si é precisamente o que nós chamamos sofrimento.


Todo o sofrimento pode ser entendido - e é esse o sentido que eu posso dar-lhe - como uma morte parcial, um esboço de morte. O sofrimento é o peão avançado da morte ao longo de toda a vida. A morte é a passagem do haver ao ser ou do egoísmo ao amor. Aqui, os termos são permutáveis entre si: o haver, é o egoísmo; o ser, o amor.
«Bem-aventurados os pobres» quer dizer: bem-aventurados aqueles que são e que amam. Tal como Deus. Para ser verdadeiramente, tenho de estar despojado do meu haver. Este despojamento é o sofrimento. E a morte final não é mais do que o fim deste movimento de expropriação que me lança fora de mim para que, não tendo já nada meu, eu seja todo de Deus e de Cristo, pura relação com o Outro e com os outros, o que vem a ser a definição mesma do amor. Mediante o qual eu poderei finalmente entrar no amor." - (François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver")

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Transforma meu pranto em dança

Ultimamente os posts que tenho publicado têm abordado o tema da dor, do sofrimento(motivado essencialmente pela ausência de Deus, ou melhor, pela alienação humana de Deus), da fragilidade e fraqueza humanas. Quem leu os posts mais recentes sabe do que falo...

Ontem, ao visitar o blog dum amigo deparei-me com um texto sublime de um dos meus autores mais amados e queridos: Henri Nouwen. Não conhecia o texto porque, infelizmente, o livro do qual foi retirado não está editado em Portugal.

Quero agradecer ao Vitor a partilha. Para mim, o texto é uma dádiva preciosa!




«Mas é precisamente aqui, durante a dor, a pobreza ou a fraqueza que o Dançarino convida-nos a levantar e a dar os primeiros passos. É dentro do nosso sofrimento, e nunca fora dele, que Jesus entra em nossa tristeza, toma-nos pela mão, puxa-nos gentilmente fazendo-nos ficar de pé e convida-nos a dançar. E descobrimos o caminho da oração, como o salmista; converteste o meu pranto em dança (Salmos 30:11), porque, no âmago da nossa tristeza encontramos a graça de Deus.
E, enquanto dançamos, percebemos que não precisamos ficar confinados ao diminuto espaço da nossa tristeza, mas podemos sair dali. Paramos de centralizar nossa vida em nós mesmos. Chamamos outros para dançarem connosco a dança maior. Aprendemos a dar espaço aos outros, e principalmente ao “Outro gracioso” que está em nosso meio. E quando nos fazemos presentes para Deus e Seu povo, nossa vida enriquece-se ainda mais. E constatamos que o mundo é nossa pista de dança. Nosso passo torna-se mais leve e ligeiro, porque Deus está chamando outros a dançarem também.»
- Henri Nouwen, em "Transforma meu pranto em dança" - Blog: Amando ao Próximo

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Faz sentido sofrer?

«Deus sussura nos nossos prazeres, fala na nossa consciência, mas grita no nosso sofrimento: ele é o Seu megafone para despertar um mundo surdo. (...)


(...) Não há dúvida de que o sofrimento como o megafone de Deus é um instrumento terrível, podendo levar à rebelião final, que não dá lugar ao arrependimento. Mas ele fornece também a única oportunidade que o perverso pode ter de emendar-se. Ele remove o véu, planta a bandeira da verdade na fortaleza de uma alma rebelde.

Se a primeira operação do sofrimento destroça a ilusão de que tudo está bem, a segunda faz cair a ilusão de que aquilo que temos, quer seja bom ou mau em si mesmo, é nosso e basta para nós. Todos sabem como é difícil voltarmos os pensamentos para Deus quando tudo vai bem connosco. A expressão "temos tudo o que queremos" é uma frase terrível quando esse "tudo" não inclui Deus. Nós achamos que Deus é uma interrupção. Como diz Sto. Agostinho em algum lugar: "Deus quer dar-nos algo, mas não pode, porque as nossas mãos estão cheias - não há nelas lugar para colocá-lo". Ou como afirmou um amigo meu: "consideramos Deus como um aviador considera o seu pára-quedas; ele o leva para as emergências, mas não espera jamais ter de usá-lo."»


C.S. Lewis, em "O problema do sofrimento"

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...