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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Qualidades do serviço a Deus

Primeiramente deve ser sincero. Reparemos nesta pequena frase de S. Paulo, na segunda carta aos Coríntios (6, 6): «caritate non ficta, uma caridade não fingida». Aprofundemos isto, começando por perguntar-nos se a nossa caridade não será por encomenda. Tenhamos a preocupação de prestar um serviço sincero, para que possamos dizer como Cristo: «O meu alimento é fazer a vontade de meu Pai» (cfr. Jo 4, 34). O meu alimento, quer dizer, aquilo que eu tomo todos os dias, que é absolutamente necessário à minha vida. (...)

Em segundo lugar, esse serviço tem que ser muito real. Não podemos ficar em palavras. «Não são aqueles que dizem: "Senhor, Senhor" , que entrarão no Reino, mas aqueles que fazem [sempre o verbo fazer] a vontade do meu Pai» (Mt 7, 21). «Meus filhinhos, não amemos em palavras e com a língua, mas em actos e em verdade» ( 1 Jo 3, 18). (...)

Em terceiro lugar, o nosso serviço deve procurar ser perfeito - nunca o será, claro - porque se trata de Deus e a caridade fraterna é uma virtude teologal (...) . As virtudes teologais são as que nos ligam directamente a Deus. Tenhamos presente a grande cena do juízo final, em Mateus 25. O infeliz que alimentaste, o mendigo que vestiste, o prisioneiro que visitaste, o desgraçado a quem ninguém amava e que olhaste com amizade, era eu. Jesus está no mendigo, na religiosa marginalizada na sua comunidade por não ter um feitio fácil. E Jesus, é rigorosamente Jesus. É preciso respeitar Deus em todo e qualquer serviço humano. Isto exclui, à partida, a negligência voluntária.

Em quarto lugar, o serviço deve ser desinteressado. (...) A recompensa é amar como Deus ama. Não há outra. A recompensa do nosso desinteresse medíocre será um desinteresse absoluto. A nossa recompensa será a de nos apagarmos completamente e ficarmos felizes por não dizer «eu» durante toda a eternidade, de tal maneira seremos movimento puro para o outro e para os outros.(...)

Façamos a pergunta a nós mesmos: verdadeiramente, desejamos outra recompensa além dessa? Servimos os irmãos para assegurar a salvação? Espero que não. Servimos os irmãos porque somos amados. Qual é de facto a pureza do nosso serviço? É precisamente porque somos amados que não podemos deixar de querer amar sempre mais. (...) Tenho desinteresse porque sou amado. E o que Deus me dá em recompensa é um desinteresse ainda maior. Jesus diz para nos considerarmos «servos inúteis» (Lc 17, 10).

É evidente que servir a Deus não é prestar-Lhe um serviço. Que serviço poderíamos prestar a Deus? Servir a Deus é assemelharmos-nos a Ele. É ser verdadeira e plenamente homem. É sermos filhos dignos do nosso Pai. Creio que Deus não nos tratará como servos inúteis. Segundo o Evangelho, somos nós que devemos dizê-lo: «Quando tiverdes feito tudo o que tendes a fazer, dizei a vós mesmos: Somos servos inúteis». Mas não há o perigo que Deus nos diga isso. O que Ele quer é chamar-nos seus amigos. Nós é que entendemos que somos servos. Mas os serviços que prestamos são serviços de amigos de Jesus, mesmo que seja a mais ingrata das tarefas humanas, a mais monótona, a que mais vazia nos parece de toda a amizade humana.

E finalmente - mas nunca chegaríamos ao fim - o nosso serviço deve ser fiel, quer dizer, sem desistências, sem desânimos. Não há nada como os pequenos trabalhos humildes e monótonos para revelarem a verdadeira fidelidade do coração. É preciso muito mais amor para dar a vida gota a gota, de manhã à noite, dia após dia, sem afrouxar e sem desanimar, numa vida difícil de comunidade, do que para dar a vida toda de uma só vez. Não há nada mais difícil do que uma comunidade humana. Bonhoeffer dizia: «Não pode deixar de ser um dom de Deus». Creio que não há comunidade sem o Espírito Santo; fora dele é pura ilusão.

François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Servir a Deus

Cristo diz-nos. "Não vos chamo servos, chamo-vos amigos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. E Eu dei-vos a conhecer tudo o que o meu Pai Me ensinou» (Jo 15, 15-16). Afirmação espantosa. É como se nos dissesse: sabeis tanto como Eu. É preciso ser-se tanto mais servo quanto menos se é tratado como servo. Em francês, há uma expressão que me parece vir aqui muito a propósito: prestar um serviço de amigo. É a síntese entre o servo e o amigo.

Não se pode fazer a vontade de Deus e continuar a ser simplesmente servo, porque a vontade de Deus é sempre uma vontade de amor. Fazer a vontade de Deus é necessariamente entrar na sua intimidade e já não ser pura e simplesmente servo, mas sim amigo e amigo íntimo. No entanto, é preciso que o facto de sermos amigos não nos impeça de continuarmos ao seu serviço. Deixaríamos automaticamente de ser amigos.

Reparemos em S. Mateus 12, 50: «Quem faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão e minha irmã e minha mãe». Isto é: é meu íntimo. Serviço de amigo. O amigo não presta serviço como aquele que é apenas servo. É uma tonalidade completamente diferente. (...)

Não nos deixemos iludir. O serviço de Deus através do serviço aos irmãos significa dar a minha vida por eles, na totalidade e no pormenor. Ser o amigo que presta serviço, um serviço de amigo, é dar a própria vida.

François Varillon, em "Viver o Evangelho"


Quais devem ser as qualidades desse serviço?

Amanhã, se Deus quiser, publicarei a resposta a esta questão segundo a opinião do Pe. François Varillon. Contudo, gostaria de saber quais devem ser, na vossa opinião, as qualidades desse serviço?

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...