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domingo, 28 de novembro de 2010

TORNAR-SE CRISTÃO

«Tornar-se cristão não é garantia de um prémio individual; não é a reserva privada de um bilhete de entrada no Céu, que nos permite olhar de cima para os outros e afirmar: «Tenho o que os outros não têm».
Tornarmo-nos cristãos não é algo que nos seja dado, para que nós, individualmente, o introduzamos num qualquer sistema e nos distanciemos dos outros, a quem isso não foi dado. Não: de certa forma, uma pessoa não se torna cristã para si própria, mas para o todo, para os outros, para todos. (...)

Tem de nos ser suficiente saber, na fé, que nós, ao nos tornarmos cristãos, nos colocamos à disposição para a prestação de um serviço para o todo. Desta forma, tornarmo-nos cristãos não é sinónimo de agarrar qualquer coisa só para nós; pelo contrário, significa deixar de lado o egoísmo, que só se conhece a si próprio e que só pensa em si próprio, e assumir a nova forma de existência daqueles que vivem uns para os outros. (...)

Ser cristão é essencialmente, e em primeira linha, a libertação do egoísmo daquele que vive só para si e o mergulho na grande orientação básica do estar à disposição dos outros. (...)

No fim, o movimento essencial da cristandade não é mais do que o movimento essencial do amor, no qual participamos no amor criador do próprio Deus

Joseph Ratzinger, em "Do sentido de ser cristão"

quinta-feira, 3 de junho de 2010

SER CRISTÃO

«É necessário dizê-lo e repeti-lo: ser cristão não é ser fiel às leis, mas antes de mais é ser fiel a Jesus Cristo. Ora, esta fidelidade quase nunca se inscreve na rigidez das regras, mas antes, passo a passo, numa humilde procura dos desejos do Pai na caminhada diária. »

Michel Quoist, em "Deus, sentido único"

terça-feira, 25 de maio de 2010

SER

«As pessoas não necessitam de reflectir tanto sobre o que deveriam fazer; elas deveriam, pelo contrário, reflectir sobre aquilo que elas são.
Ora, se as pessoas e os seus modos fossem bons, então as suas obras poderiam refulgir limpidamente.
Se tu fores justo, então as tuas obras também serão justas.
Não se pode pensar a santidade com fundamento numa acção; deve-se, pelo contrário, fundamentar a santidade em um ser, pois as obras não nos santificam, senão que nós devemos santificar as obras. (...)

O fundamento para que a essência e o fundamento do ser do homem, de onde as obras humanas recebem a sua benignidade, seja inteiramente bom, é o seguinte: que o carácter do homem esteja totalmente virado para Deus.
Coloca todos os teus esforços em que Deus seja grandioso para ti e que toda a tua ambição e devoção se dirijam para Ele em todo o teu actuar. Em verdade, quanto mais assim fizeres, tanto melhores serão as tuas obras, não importa de que género elas sejam.

Mestre Eckhart, em "Tratados e Sermões"

terça-feira, 28 de abril de 2009

Tornar-se Cristão

«Tornar-se cristão não é garantia de um prémio individual; não é a reserva privada de um bilhete de entrada no Céu, que nos permite olhar de cima para os outros e afirmar: «Tenho o que os outros não têm». Tornarmo-nos cristãos não é algo que nos seja dado, para que nós, individualmente, o introduzamos num qualquer sistema e nos distanciemos dos outros, a quem isso não foi dado. Não: de certa forma, uma pessoa não se torna cristã para si própria, mas para o todo, para os outros, para todos. (...)

Tem de nos ser suficiente saber, na fé, que nós, ao nos tornarmos cristãos, nos colocamos à disposição para a prestação de um serviço para o todo. Desta forma, tornarmo-nos cristãos não é sinónimo de agarrar qualquer coisa só para nós; pelo contrário, significa deixar de lado o egoísmo, que só se conhece a si próprio e que só pensa em si próprio, e assumir a nova forma de existência daqueles que vivem uns para os outros. (...)

Ser cristão é essencialmente, e em primeira linha, a libertação do egoísmo daquele que vive só para si e o mergulho na grande orientação básica do estar à disposição dos outros. (...)

No fim, o movimento essencial da cristandade não é mais do que o movimento essencial do amor, no qual participamos no amor criador do próprio Deus.»

(Joseph Ratzinger, em "Do sentido de ser cristão")

domingo, 26 de abril de 2009

REVOLUÇÃO COPERNICIANA

«Amar como um cristão significa tentar seguir este caminho: que não amamos apenas aquele que nos é simpático, que nos agrada, com quem temos afinidades, e não apenas aquele que tem algo para nos oferecer ou do qual esperamos poder vir a obter benefícios.
Amar de forma cristã, ou seja, amar como Cristo nos explicou o amor, significa sermos bondosos para aquele que precisa da nossa bondade, mesmo que não simpatizemos com ele. Significa aventurarmo-nos pelo caminho de Jesus Cristo e, desse modo, fazer uma revolução coperniciana, por assim dizer, na nossa vida.

A verdade é que, de certa forma, ainda vivemos todos antes de Copérnico. Não só porque, regendo-nos pelas aparências, pensamos que o Sol nasce e se põe, e roda em torno da Terra, mas também porque existe um sentido mais profundo. Porque todos nós acalentamos aquela ilusão natural que nos leva, a cada um, a colocar o nosso Eu no centro de tudo, em torno do qual o mundo e os homens têm de girar. Todos nós temos de redescobrir constantemente que só construímos e vemos as outras coisas e as outras pessoas em relação ao nosso próprio Eu, e que, ao mesmo tempo, as consideramos satélites que giram em torno do centro do nosso Eu.

À luz do que já foi dito, tornar-se cristão é pois algo de muito simples e, no entanto, de muito cataclísmico. É precisamente isso, fazermos uma revolução coperniciana na nossa vida e deixarmos de nos encarar como o centro do Universo, em torno do qual os outros têm de girar, porque, em vez disso, começámos a aceitar verdadeiramente que somos uma das muitas criaturas de Deus que, em conjunto, giram em torno do centro que é Deus.»

Joseph Ratzinger,em "Do sentido de ser cristão"

quinta-feira, 19 de março de 2009

O CRISTÃO

«O cristão não é alguém que "tem" a verdade, alguém mais inteligente, mais amante do que os outros. O cristão não é melhor do que um outro homem, mas tem alguém em sua vida. Tem o Cristo, aquele que sopra no sopro de cada um dos seus dias.

Mas, mesmo que o receba como um beijo, como uma presença, não é por isso que o cristão é melhor... Ele poderá ser melhor somente porque alguém de melhor marcha com ele, está nele!»


(Jean-Yves Leloup, em "Amar... apesar de tudo")

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O homem espiritual

Observemos algumas características que devem estar presentes no homem espiritual:

1. Primeiro é o desejo de ser santo, antes que ser feliz.
2. O homem pode ser considerado espiritual quando quer ver a honra de Deus promovida através da sua vida, mesmo que isto signifique que ele próprio deva sofrer desonra ou perda temporária.
3. O homem espiritual deseja levar a sua cruz. Muitos cristãos aceitam a adversidade ou a tribulação com um suspiro e dizem que é a sua cruz, esquecidos de que essas coisas sobrevêm igualmente ao santo e ao pecador. A cruz é aquela adversidade extraordinária que nos sobrevém como resultado da nossa obediência a Cristo. Esta cruz não nos é imposta; nós a tomamos voluntariamente com pleno conhecimento das suas consequências.
4. Ainda, o cristão é espiritual quando vê todas as coisas do ponto de vista de Deus. A capacidade de pesar todas as coisas na balança divina, e de atribuir-lhe o mesmo valor atribuído por Deus, é sinal de vida cheia do Espírito.
5. Outro desejo que caracteriza o homem espiritual é morrer com rectidão antes que viver no erro.
6. O desejo de ver outros progredirem às suas custas é outra característica do homem espiritual. Quer ver outros cristãos acima dele, e fica feliz quando eles são promovidos e ele é deixado de lado.
7. O homem espiritual habitualmente faz julgamentos segundo a eternidade, e não julgamentos temporais.

A.W.Tozer

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...