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sábado, 31 de dezembro de 2016

Meu irmão de Dezembro

«Meu irmão de Dezembro, levanta-te, olha em redor e vê que já nasceu o dia, e há de andar por aí uma roda de alegria. Se não souberes a letra, a música ou a dança, não te admires, porque tudo é novo. Olha com mais atenção. Se mesmo assim ainda nada vires, então olha com os olhos fechados, olha apenas com o coração, que há de bater à tua porta uma criança. Deixa-a entrar. Faz-lhe uma carícia. É ela que traz a música e a letra da canção. Ela é a Notícia».
António Couto

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

NASCEMOS...

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.

Nascemos muitas vezes ao longo da infância
quando os olhos se abrem em espanto e alegria.
Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.
Nascemos na sementeira da vida adulta,
entre invernos e primaveras maturando
a misteriosa transformação que coloca na haste a flor
e dentro da flor o perfume do fruto.

Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.
Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas.
Nascemos na prece e no dom.
Nascemos no perdão e no confronto.
Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra.
Nascemos na tarefa e na partilha.
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.


José Tolentino Mendonça

domingo, 25 de dezembro de 2016

A CRIANÇA É A MENSAGEM



A criança é a mensagem.
Um Deus que entra em nossa vida desde a meninice é o mais crente de nós.
Acredita em recomeços.
Tem fé nos reinícios.
Adere aos nossos renascimentos.

O bebé é Deus dizendo: «Faça como eu, recomece sempre que um novo início for a salvação.»
Ele não é o outro que vem a nós.
É o menino que vimos crescer.
Não chega. Nasce.
Não se impõe. Entrega-se.
Não reivindica. Serve.
Não esmaga. Mistura-se.
Conta histórias para contar-se entre nós...
Não intimida. Seduz.

sábado, 24 de dezembro de 2016

TÃO DIVINO QUE ATÉ QUIS SER HUMANO



Está quase a chegar aquele primeiro dia «inteiro e limpo, onde emergimos da noite».
Sophia tem mesmo razão: «A casa de Deus está assente no chão».

É por isso que o Natal é o dia que não tem fim. 

É o dia que jamais anoitece e em que até o frio nos aquece.
É o dia em que os céus se abriram, em que os anjos saíram e melodias se ouviram.

O silêncio de Deus, que gemeu em Belém, continua a crepitar nos pobres também.
Quem não os ouve a eles, como pode ouvi-Lo, a Ele?

Aquele Menino é tão divino que até quis ser humano. Aquele Menino é tão humano que só pode ser divino.

O Deus que está naquele Menino humaniza-Se e diviniza-nos. Ele não nos retira humanidade. Pelo contrário, é a Sua divindade que deposita em nós humanidade. (...)

O Natal é o dia em que o futuro nasceu e até justiça choveu. (...)

Deus veio ao mundo. Acampou na terra para eliminar o ódio e acabar com a guerra.
Trouxe, como única veste, a paz e é imensa a alegria que a todos nos traz.

Veio em forma de criança. Haverá quem fique indiferente a tanta esperança?

Naquele dia, colocaram-No numa manjedoura, perto do chão. Mas, desde então, a Sua morada passou a ser o nosso coração!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

QUE SEGREDO TEM O NATAL?


Pergunto-me, Senhor, que segredo tem o Natal?
Há um milagre que acontece dentro de nós,
só pode ser um milagre, pois é como se a vida se reacendesse.

Contemplando o presépio, percebo que este é um milagre humaníssimo
que Deus suscita aos nossos olhos.
Ele amou-nos tanto que nos deu o Seu próprio Filho.

O milagre do Natal assenta sobre este Dom absoluto, 
que nos faz perceber que só somos na medida em que nos damos,
e que a vida renasce, como dádiva, na ponta dos dedos, no olhar, nas palavras.

José Tolentino Mendonça

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

UM DEUS ENAMORADO DA NOSSA PEQUENEZ

O «sinal» é a humildade de Deus levada ao extremo; é o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações. 

A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da própria alma, mais não era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afecto, que aceita a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez.

Papa Francisco

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A LIÇÃO DA MANJEDOURA


«Deus entra na nossa história não pela via da opulência, mas pela via da humildade.

O sinal de Deus não está num palácio. Está numa manjedoura. (...)

Divino (eis a permanente interpelação) não é o grande caber no grande. Isso qualquer humano consegue. Divino é o infinitamente grande caber no infinitamente pequeno. (...)

Há, aqui, uma inversão de valores, reconhecida, aliás, por Maria no Magnificat: humilhação dos soberbos e exaltação dos humildes (cf. Lc 1, 52).

De facto, Deus inverte o máximo e o mínimo, o maior e o menor, o grande e o pequeno.

O máximo é o que parece mínimo. O maior é o que se apresenta como menor. O verdadeiramente grande é o que nos surge como pequeno.

Quando aprenderemos a lição da manjedoura?»

Graças a: http://theosfera.blogs.sapo.pt/2267552.html

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

SOMENTE PORQUE É NATAL...



Somente porque é Natal
ele veio nascer à minha porta
como se fora eu a sua mãe.
     É de linho o pano que cobre
meus braços, levemente
encurvados, para neles caber
o berço de embalar
o menino sem presépio.
     A pausa do vento
a preparar a neve
lembra-me  o desamparo
de outras crianças, tantas,
a quem a fome quebranta o choro.
     E digo: venham habitar
para sempre o meu poema
como se fossem meus filhos.

     Graça Pires

domingo, 13 de dezembro de 2015

UMA ESTRELA A INQUIETAR O MUNDO



A festa encenada num presépio familiar
como um anúncio excessivo.
Não é fácil rotular a mensagem de um Deus
comprometido com a humanidade,
que precisou das fraquezas do homem
para se cumprir. Não é fácil.
Por isso, em todos os pinheiros,
há, agora, uma estrela a inquietar o mundo.

Graça Pires
De Ortografia do olhar, 1996

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

É NO AMOR QUE NASCEMOS DE DEUS



«A história de Jesus nos diz que não dependemos de nascimentos palacianos ou ditos normais. É no amor que nascemos de Deus e para uma vida bonita.»

domingo, 6 de dezembro de 2015


"Se já pela criação tudo tem o toque de Deus, pela encarnação do Verbo, tudo é confirmado como sua bênção (...)
O Verbo cala-se na boca de uma criança que ainda tem de aprender a falar e na mudez de um condenado que já não tem direito à palavra...»
José Frazão Correia, s,j, in "A Fé vive de afeto"

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A VINDA DE DEUS


«A vinda de Deus não é apenas o nascimento de uma criança; é a vinda de uma Palavra. Poderia mesmo dizer-se que é a vinda de uma Língua.»

Timothy Radcliffe, in "Ser Cristão para quê?"

domingo, 29 de novembro de 2015

A CRIANÇA É A MENSAGEM



A criança é a mensagem.
Um Deus que entra em nossa vida desde a meninice é o mais crente de nós.
Acredita em recomeços.
Tem fé nos reinícios.
Adere aos nossos renascimentos.
O bebê é Deus dizendo: Faça como eu, recomece sempre que um novo início for a salvação.
Ele não é o outro que vem a nós.
É o menino que vimos crescer.
Não chega. Nasce.
Não se impõe. Entrega-se.
Não reivindica. Serve.
Não esmaga. Mistura-se.
Conta histórias para contar-se entre nós...
Não intimida. Seduz.»



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O DEUS CONNOSCO



«O Deus Connosco não aparece entre nós como um líder valente ou um chefe carismático que motiva em nós a vontade de lutar.
O Deus Connosco não aparece no meio de nós como alguém forte a provocar em nós a capacidade de obedecer.
O Deus Connosco aparece no meio de nós como alguém que quer provocar em nós a Sensibilidade, despertar o que há de mais íntimo em nós.

Deus vem visitar-nos para despertar em nós o carinho, a ternura, os sentimentos da nossa mais profunda humanidade.
Essa é a sua ideia… converter-nos, antes de tudo, à sensibilidade, à ternura, à doçura dos gestos, das palavras e das intenções.»

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

UM PRESENTE DE DEUS


«Jesus é um Presente sonhado e preparado desde sempre, ideia presente já no Coração de Deus enquanto o Poema da Criação ia nos seus primeiros versos.
Jesus é um Presente de Deus necessitado de acolhimento e cuidado. Não apela primeiramente à nossa obediência, mas ao nosso carinho. Não puxa pelas nossas forças, mas mete-se com o que em nós há de mais entranhável, capaz de ternura e compaixão.»
Rui Santiago Cssr in Teologia da Beleza

sábado, 10 de janeiro de 2015

CONSTRUAMOS UM NATAL PARA TODA A VIDA


A esta hora, muitos presépios já foram desmontados.
A lição da manjedoura porventura já estará esquecida. 

Alguma vez terá sido aprendida?


Estiquemos o Natal a todo o ano. 
Construamos um Natal para toda a vida. 
Não apaguemos a luz que Deus acendeu em nós.
Não eclipsemos o sorriso. 
Cubramos o cinzento dos nossos dias com a luz do presépio, 
com o encanto da manjedoura, com a paz de Belém.

Deixemos brilhar, à nossa frente, a estrela da bondade. 
E deixemos, atrás de nós, um rasto de esperança.
Enfim, não arrumemos totalmente o presépio. 
Ele deixou de ser visível cá fora. 
Mas tem de continuar presente na nossa vida: aqui e agora.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O DEUS CONNOSCO


«O Deus Connosco não aparece entre nós como um líder valente ou um chefe carismático que motiva em nós a vontade de lutar.
O Deus Connosco não aparece no meio de nós como alguém forte a provocar em nós a capacidade de obedecer.
O Deus Connosco aparece no meio de nós como alguém que quer provocar em nós a Sensibilidade, despertar o que há de mais íntimo em nós.

Deus vem visitar-nos para despertar em nós o carinho, a ternura, os sentimentos da nossa mais profunda humanidade.
Essa é a sua ideia… converter-nos, antes de tudo, à sensibilidade, à ternura, à doçura dos gestos, das palavras e das intenções.»

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A VINDA DE DEUS


«A vinda de Deus não é apenas o nascimento de uma criança; é a vinda de uma Palavra. Poderia mesmo dizer-se que é a vinda de uma Língua.»
Timothy Radcliffe, in "Ser Cristão para quê?"

sábado, 28 de dezembro de 2013

A LIÇÃO DA MANJEDOURA


Deus entra na nossa história não pela via da opulência, mas pela via da humildade.

O sinal de Deus não está num palácio. Está numa manjedoura.

Eis a lição jamais devidamente apreendida. É tão frequente, nestes dois mil anos, ouvir falar do presépio num ambiente de pompa, com vestes sumptuosas.

Divino (eis a permanente interpelação) não é o grande caber no grande. Isso qualquer humano consegue. Divino é o infinitamente grande caber no infinitamente pequeno.

Vale a pena recordar, a este propósito, o aforismo de Hölderlin: «Non coerceri maximo, contineri tamen a minimo, divinum est» («Não ser abarcado pelo máximo, mas deixar-se abarcar pelo mínimo, isso é que é divino»).

Há, aqui, uma inversão de valores, reconhecida, aliás, por Maria no Magnificat: humilhação dos soberbos e exaltação dos humildes (cf. Lc 1, 52).

De facto, Deus inverte o máximo e o mínimo, o maior e o menor, o grande e o pequeno.

O máximo é o que parece mínimo. O maior é o que se apresenta como menor. O verdadeiramente grande é o que nos surge como pequeno.

Quando aprenderemos a lição da manjedoura?

http://theosfera.blogs.sapo.pt/2267552.html

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

NÃO FIQUEMOS À ESPERA DO NATAL


Natal é a mesa farta,
mas é sobretudo a alma cheia.

Natal é Jesus, Natal é a família,
Natal é a humanidade e Natal também és tu.

Não fiques à espera do Natal,
sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.

Constrói um Natal para todo o ano,
para toda a vida.

Tu és o Natal
que Deus desenhou e soube construir.

É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.
É em ti que Ele também renasce.

Sê, pois, um Natal de esperança,
de sorriso e de abraços,
de aconchego e doação.

Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.
São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.

Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,
na tua alma, em toda a tua vida.

Há tanta coisa de bom e de belo em ti.
Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.

Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,
partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.

Diz aos teus familiares que os amas,
aos teus amigos que gostas deles,
aos que te ajudam como lhes estás agradecido.

Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.

Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.
Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.

Que tenhas um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

Fonte: http://theosfera.blogs.sapo.pt/2255051.html

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...