Eu nunca acreditarei:
no Deus que não precisa do homem;
no Deus-árbitro que só julga de regulamento na mão;
no Deus que exija sempre vinte valores nos exames;
no Deus capaz de ser explicado por uma filosofia;
no Deus incapaz de amar o que muitos desprezam;
no Deus insensível diante de uma rosa;
no Deus incapaz de perdoar o que muitos condenam;
no Deus para quem os homens valessem, não pelo que são, mas pelo que têm ou representam;
no Deus que não aceita uma cadeira nas nossas festas humanas;
no Deus que, para nos tornar felizes, nos oferecesse uma felicidade divorciada da nossa natureza humana;
no Deus que só os de idade madura, os sábios, os instalados, podem compreender;
no Deus asséptico (=desinfectado), elaborado no gabinete por tantos teólogos e canonistas;
no Deus que “prefira” os ricos e os poderosos;
no Deus a quem agrade a beneficência de quem não pratica a justiça;
no Deus que criasse discípulos desertores das tarefas do mundo e
indiferentes à história dos seus irmãos;
no Deus que destruísse a terra e as coisas que o homem ama, em vez de as transformar;
no Deus que defendem os que nunca sujam as mãos, os que nunca se assomam à janela, os que nunca se deitam à água;
no Deus que agrade àqueles que dizem sempre: “vai tudo bem”.
Juan Arias, em "“O DEUS EM QUEM NÃO CREIO” (com ligeiras adaptações pessoais)
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terça-feira, 19 de novembro de 2013
sábado, 16 de novembro de 2013
O DEUS EM QUEM NÃO CREIO (1ª PARTE)
Eu nunca acreditarei em:
«Um Deus que condene a matéria.
Um Deus que ame a dor.
Um Deus que acenda luz vermelha contra as alegrias humanas.
Um Deus mágico e feiticeiro.
Um Deus que se faça temer ou que não se deixe tratar por tu.
Um Deus que se torne monopólio de uma igreja, de uma raça, de uma cultura ou de uma casta.
Um Deus incapaz de compreender que as crianças têm o direito de brincar e são esquecidas.
Um Deus que se diverte, condenando.
Um Deus que “manda” para o inferno.
Um Deus que nunca tivesse chorado pelos homens.
Um Deus que não vá ao encontro de quem O abandonou.
Um Deus que exija do homem que, para crer, renuncie a ser homem.
Um Deus dos que creem que amam Deus porque não amam ninguém.
Um Deus que não possa ser percebido nos olhos de uma criança ou de uma mulher bonita ou de uma mãe que chora.
Um Deus que não tivesse nascido de uma mulher;
Um Deus no qual eu não possa esperar contra toda esperança. (...)
Sim, o meu Deus é... outro Deus».
Juan Arias, em "O Deus em quem não creio" (com ligeiras adaptações pessoais)
«Um Deus que condene a matéria.
Um Deus que ame a dor.
Um Deus que acenda luz vermelha contra as alegrias humanas.
Um Deus mágico e feiticeiro.
Um Deus que se faça temer ou que não se deixe tratar por tu.
Um Deus que se torne monopólio de uma igreja, de uma raça, de uma cultura ou de uma casta.
Um Deus incapaz de compreender que as crianças têm o direito de brincar e são esquecidas.
Um Deus que se diverte, condenando.
Um Deus que “manda” para o inferno.
Um Deus que nunca tivesse chorado pelos homens.
Um Deus que não vá ao encontro de quem O abandonou.
Um Deus que exija do homem que, para crer, renuncie a ser homem.
Um Deus dos que creem que amam Deus porque não amam ninguém.
Um Deus que não possa ser percebido nos olhos de uma criança ou de uma mulher bonita ou de uma mãe que chora.
Um Deus que não tivesse nascido de uma mulher;
Um Deus no qual eu não possa esperar contra toda esperança. (...)
Sim, o meu Deus é... outro Deus».
Juan Arias, em "O Deus em quem não creio" (com ligeiras adaptações pessoais)
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