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quinta-feira, 17 de março de 2016

QUEM RESISTE A UM OLHAR PLENO DE AMOR E TERNURA?


Imagem: Peter's Denial -  Carl Heinrich Bloch, pintor dinamarquês, Séc. XIX

«Os perdões arrogantes geram revolta; os reticentes esmagam; os sem amor não conseguem libertar nem salvar. Só o verdadeiro perdão, fruto de um amor puríssimo, pode fazer brotar uma nascente de vida no coração do infiel e regenerar quem fracassou no amor fazendo-o renascer para ele.

Também para Deus, e antes de mais para Deus, perdoar é amar, amar com um amor tal que faça surgir na escuridão e na impureza da alma um amor inteiramente novo que a purifica, transforma e encaminha para uma perfeição também inteiramente nova.

Pensemos no olhar de Cristo sobre Pedro quando este acabou de negá-lo... Não foi, como toda a certeza, um olhar de censura ou de cólera. Foi, o que é muito mais terrível, um olhar de amor, de amor intenso, exprimindo uma ternura mais solícita, mais calorosa e mais envolvente que nunca.
Pedro não pôde resistir-lhe; partiu-se-lhe o coração e soltaram-se-lhe as lágrimas, ao mesmo tempo amargas e doces. Simultaneamente, pela ação conjugada do olhar de Jesus e do Espírito de Cristo operando nele, um amor novo apoderou-se de todo o seu ser. De tal modo que, poucos dias depois da sua negação, ele ousou afirmar sem hesitações: «Tu sabes que eu sou deveras teu amigo». E Pedro não mente: esse amor novo que o olhar do seu Mestre fez jorrar nele levá-lo-á ao dom da sua vida numa cruz, depois de uma existência passada a pregar às multidões o amor com que Deus nos ama.»

Henri Caffarel, in "Nas Encruzilhadas do Amor"

domingo, 23 de maio de 2010

AS LÁGRIMAS E O RISO

«O cristão crê no amor de Deus. Um amor que a confissão das suas tristes cobardias ou mesmo dos seus pecados graves não consegue repelir, desencorajar e abandonar. Para ele, não é possível o desprezo de si e o abatimento que ele provoca. O olhar divino reergue-o, como ao rapaz ressuscitado por Cristo.

Cristo não veio julgar e condenar. Veio salvar e resgatar. E a redenção é, em primero lugar, a Revelação, a revelação do inimaginável, do «indesanimável», do indestrutível amor do Pai.
Amor do Pai traduzido pelos olhares de Cristo, tantas vezes evocados no Evangelho: «Ele olhou para ele e amou-o». O olhar de Cristo não é anónimo, impessoal - atinge o eu profundo de cada ser. Salva-se quem, ao encontrar esse olhar, reconhecer o seu pecado e o reprovar.

O amor divino que, então, descobre e a que se entrega reconcilia-o consigo próprio, podendo finalmente amar-se com o amor de si sem o qual não pode viver; nele desperta e surge «o homem novo», na alegria da manhã de Páscoa. E fundem-se as lágrimas e o sorriso.»

Henri Caffarel, em "Nas encruzilhadas do amor"

sexta-feira, 25 de julho de 2008

AS LÁGRIMAS E O RISO

«O cristão crê no amor de Deus. Um amor que a confissão das suas tristes cobardias ou mesmo dos seus pecados graves não consegue repelir, desencorajar e abandonar. Para ele, não é possível o desprezo de si e o abatimento que ele provoca. O olhar divino reergue-o, como ao rapaz ressuscitado por Cristo.


Cristo não veio julgar e condenar. Veio salvar e resgatar. E a redenção é, em primero lugar, a Revelação, a revelação do inimaginável, do «indesanimável», do indestrutível amor do Pai. Amor do Pai traduzido pelos olhares de Cristo, tantas vezes evocados no Evangelho: «Ele olhou para ele e amou-o». O olhar de Cristo não é anónimo, impessoal - atinge o eu profundo de cada ser. Salva-se quem, ao encontrar esse olhar, reconhecer o seu pecado e o reprovar. O amor divino que, então, descobre e a que se entrega reconcilia-o consigo próprio, podendo finalmente amar-se com o amor de si sem o qual não pode viver; nele desperta e surge «o homem novo», na alegria da manhã de Páscoa. E fundem-se as lágrimas e o sorriso.» - (Henri Caffarel, em "Nas encruzilhadas do amor")

quinta-feira, 19 de junho de 2008

A VOSSA BÍBLIA EM IMAGENS

«O padre Sertillanges, para nos fazer compreender a atitude do verdadeiro crente perante a criação, escreveu substancialmente o seguinte: alguns turistas aproximam-se, à noite, de um chalé de montanha. Ao vislumbrarem uma luz numa vidraça, nem sequer perguntam quem a terá acendido. Só o pequeno guia reconhece sob a chama, anónima para todos, uma mão querida: a da mãe, a da namorada...
E o seu coração bate e o seu passo estuga-se. E enquanto os viandantes dizem «é ali», ele murmura «é ela». Assim também o crente, diante das criaturas, ao ver filtrar-se por elas uma luz misteriosa, compreende: é Ele. E, dia após dia, vai avançando cada vez mais no conhecimento do seu Deus, depois de ter aprendido a decifrar as suas mensagens...


Se todas as criaturas falam, com efeito, do Senhor e em nome do Senhor, quanto mais o filho aos seus pais!
Escutai este pai de família, um dos meus amigos: «Obrigado, meu homenzinho. Eu ajudo-te a aprender as primeiras noções do catecismo; mas tu és para mim, a cada instante, palavra viva de Deus. Quando, brincando contigo, te ponho de pé em cima de uma mesa e te digo "salta!", atiras-te rindo a bom rir. Sabes que te agarrarei no ar!
Quando estás a dormir, já não é o teu riso cristalino que ouço, mas voz divina que me diz: "Tens uma fé semelhante à deste pequenino? Que arriscas, que pensas poder arriscar por Mim? E olha que os meus braços são muitíssimo mais fortes do que os teus..."


Obrigado, meu homenzinho, por seres tão frágil, tão desajeitado, por necessitares sempre de mim para tudo: para te atar os sapatos, para te cortar a carne no prato. Obrigado por correres para mim com gritos de alegria quando eu entro. Obrigado pelos teus olhos iluminados quando te ofereço o mais pequeno presente. Obrigado, obrigado!».

Aquele rapazinho era para o pai, que o via com um olhar de fé, uma Bíblia viva; sem esse olhar de fé, o pequenino seria unicamente uma palavra de Deus escrita numa língua desconhecida.
É preciso pedir incessantemente ao Senhor que renove o nosso olhar. «Porei o meu olhar no teu coração», promete Ele a quantos lho pedem. Então, o cônjuge, os filhos e todas criaturas se tornarão transparentes para nós, tal como tantos vitrais através dos quais nos atinge a luz, diversamente colorida, da face de Deus.» (Henri Caffarel, em "Na Encruzilhadas do Amor")

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O AMOR COM QUE DEUS NOS AMA


«...Os perdões arrogantes geram revolta; os reticentes esmagam; os sem amor não conseguem libertar nem salvar. Só o verdadeiro perdão, fruto de um amor puríssimo, pode fazer brotar uma nascente de vida no coração do infiel e regenerar quem fracassou no amor fazendo-o renascer para ele.

Também para Deus, e antes de mais para Deus, perdoar é amar, amar com um amor tal que faça surgir na escuridão e na impureza da alma um amor inteiramente novo que a purifica, transforma e encaminha para uma perfeição também inteiramente nova. Pensemos no olhar de Cristo sobre Pedro quando este acabou de negá-lo... Não foi, como toda a certeza, um olhar de censura ou de cólera. Foi, o que é muito mais terrível, um olhar de amor, de amor intenso, exprimindo uma ternura mais solícita, mais calorosa e mais envolvente que nunca.
Pedro não pôde resistir-lhe; partiu-se-lhe o coração e soltaram-se-lhe as lágrimas, ao mesmo tempo amargas e doces. Simultaneamente, pela acção conjugada do olhar de Jesus e do Espírito de Cristo operando nele, um amor novo apoderou-se de todo o seu ser. De tal modo que, poucos dias depois da sua negação, ele ousou afirmar sem hesitações: «Tu sabes que eu sou deveras teu amigo». E Pedro não mente: esse amor novo que o olhar do seu Mestre fez jorrar nele levá-lo-á ao dom da sua vida numa cruz, depois de uma existência passada a pregar às multidões o amor com que Deus nos ama.» - (Henri Caffarel, em "Nas Encruzilhadas do Amor")

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...