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domingo, 5 de junho de 2016

Um poder infinito de perdão


"O mais profundo que podemos dizer de Deus é que Ele é um poder infinito de perdão" [François Varillon s.j., in "Alegria de Crer e de Viver"]

«Só percebe a necessidade do perdão quem experimenta a força extraordinária do Amor. Quem descobre como Deus esteve sempre a seu lado, como Deus o abraçou quando esteve caído, como Deus o vai conduzindo a uma maior fortaleza, a um maior compromisso de Amor. (...)

Perante as marcas do desamor em nós, os arranhões da ofensa, as ruturas do sofrimento, só o excesso de amor (e o perdão é isso, um excesso de amor) pode restabelecer a unidade da imagem e semelhança de Deus em nós. Só o excesso de Amor permite compreender o perdão. Este perdão imprevisível, este perdão sem condições nem medida, este perdão capaz de nos fazer levantar.»

José Tolentino Mendonça, in "Pai-nosso que estais na terra"

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

DEUS NÃO COMPARA

«Deus não compara. O amor não compara. Comparar é sempre julgar e julgar é já não amar, porque julgar é decompor um ser como decompomos um relógio nas suas engrenagens. É o contrário do amor.
A comparação fica sempre no plano do parecer, nunca no plano do ser.»
François Varillon, s.j. in A Mensagem de Jesus

domingo, 1 de dezembro de 2013

POR FALAR EM PECADO

«Só há um pecado: o pecado de ser o contrário de Deus, de não nos criarmos, de ficarmos escravos do nosso egoísmo, do eu, do olhar sobre nós mesmos. É este o único pecado» François Varillon, em "Viver o Evangelho" 


«O orgulho endurece-nos, a avareza fecha-nos, a inveja rói-nos, a luxúria corrompe-nos, a gula embrutece-nos, a cóleradesfigura-nos e a preguiça paralisa-nos.» - Paul Claudel, citado por François Varillon, em "Viver o Evangelho"

domingo, 23 de setembro de 2012

A MORTE...

"... A morte onde cada um entra absolutamente só,levando consigo unicamente o que se deu.O que não se deu fica aí e apodrece pouco a pouco;mas o que se deu é transformado em ser e vai com a pessoa para a eternidade. Porque o nosso ser constrói-se com o que damos..." 


François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver

domingo, 29 de julho de 2012

SER

"... A morte onde cada um entra absolutamente só, levando consigo unicamente o que se deu.
O que não se deu fica aí e apodrece pouco a pouco; mas o que se deu é transformado em ser e vai com a pessoa para a eternidade. 
Porque o nosso ser constrói-se com o que damos..." 


François Varillon

domingo, 13 de novembro de 2011

SOBRE O SOFRIMENTO

Uma história de S. Francisco de Sales contada por François Varillon, s.j. :


"Um cirurgião vê-se obrigado a operar a sua própria filha. Em geral, os médicos não gostam de operar as pessoas da sua família, como os obstretas também não gostam de cuidar do parto de suas mulheres.

Naquele tempo não havia calmantes nem anestesias. O cirurgião teve de cortar com o bisturi a carne da filha, a quem seguravam os braços e as pernas. Ela grita. Mas de repente os seus olhos encontram os olhos do pai, e vê que nesses olhos só há amor.

S. Francisco de Sales acrescenta: a filha já não pode desprender os olhos de seu pai: e enquanto assim fizer, suporta a situação. Não diz que ela deixa de sofrer. O sofrimento é sempre sofrimento. Mas basta-lhe ver toda a ternura, todo o amor que há nos olhos do pai, para poder aguentar."

François Varillon s.j. , em "Viver o Evangelho"

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O AMOR TODO-PODEROSO


«A omnipotência de Deus é a omnipotência do amor, o amor é que é todo-poderoso!

Por vezes, diz-se: Deus pode tudo! Não, Deus não pode tudo. Deus não pode senão o que pode o Amor. Porque Ele não é senão Amor.(...)

Em Deus, não há outro poder que o do amor e Jesus diz-nos (é Ele quem nos revela quem é Deus): «Não há maior amor do que morrer pelos amigos» (Jo 15, 13). Ele revela-nos a omnipotência do amor ao consentir morrer por nós. Quando Jesus é preso pelos soldados, maniatado, amarrado, no Jardim das Oliveiras, Ele próprio nos diz que teria podido chamar uma legião de anjos para O arrancarem das maõs dos soldados. Absteve- Se, contudo, de fazê-lo, porque ter-nos-ia, então, revelado um falso Deus: ter-nos-ia revelado um Deus todo-poderoso em vez de nos revelar o verdadeiro. Aquele que chega a morrer por aqueles que ama. (...)»  

François Varillon, em "Alegria de Crer e de Viver"

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A GRANDEZA DA LIBERDADE CRISTÃ

«Consideremos o Discurso da Montanha; primeiro ponto: a exigência é radical; segundo ponto: sois livres quanto à maneira de viver este radicalismo da exigência. É esta a razão pela qual muitos homens têm medo da liberdade e reclamam instruções formais que Jesus não dá e se recusa a dar. Jesus mostra simplesmente a profundidade da liberdade do homem.(...)


Poderíamos dizer que não é Ele, Jesus, quem é exigente: somos nós quem o somos sem o sabermos. Somos nós que dissimulamos a nós mesmos as nossas próprias exigências, porque temos medo delas e tememos ter de ser homens, Jesus não faz mais do que nos revelar a nós mesmos. 
Ele descobre-nos a grandeza da nossa liberdade, arranca as máscaras que nos fabricámos com as nossas mãos, por medo e por egoísmo. Ele diz-nos: tu vales mais do que pensas, a tua grandeza ultrapassa a consciência que tens dela. Vive de acordo com essa grandeza; quanta mais experiência fizeres dessa vida, mais darás conta de que és grande e de que essa grandeza é uma exigência. Descobrirás até onde pode conduzir-te a tua liberdade se recusares as máscaras. 
A Lei nova, o cristianismo, não pode ser uma lista de instruções. Trata-se, com a ajuda de exemplos típicos, da revelação dos horizontes sem limites da grandeza humana. (...) 
É uma grandeza sem limites vivida na existência mais humilde e mais quotidiana. Horizonte sem limites no coração dos horizontes mais familiares: o lar, a vizinhança, o bairro, a profissão... Jesus diz-nos tudo de que o homem é capaz na vida mais simples, com a condição de que seja o filho dum Deus que é Pai.


François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"

terça-feira, 5 de abril de 2011

SOFRIMENTO E AMOR

"Para ser de Deus é necessário não ser de si mesmo. E para deixar de ser de si mesmo, é preciso arrancar-se de si mesmo. Mas este arrancar-se a si é precisamente o que nós chamamos sofrimento.

Todo o sofrimento pode ser entendido - e é esse o sentido que eu posso dar-lhe - como uma morte parcial, um esboço de morte. O sofrimento é o peão avançado da morte ao longo de toda a vida. 
A morte é a passagem do haver ao ser ou do egoísmo ao amor. Aqui, os termos são permutáveis entre si: o haveré o egoísmoo ser, o amor.

«Bem-aventurados os pobres» quer dizer: bem-aventurados aqueles que são e que amam. Tal como Deus. 
Para ser verdadeiramente, tenho de estar despojado do meu haver. Este despojamento é o sofrimento. E a morte final não é mais do que o fim deste movimento de expropriação que me lança fora de mim para que, não tendo já nada meu, eu seja todo de Deus e de Cristo, pura relação com o Outro e com os outros, o que vem a ser a definição mesma do amor. Mediante o qual eu poderei finalmente entrar no amor." 

François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"

quinta-feira, 3 de março de 2011

O PODER DO AMOR

«A omnipotência de Deus é a omnipotência do amor, o amor é que é todo-poderoso!

Por vezes, diz-se: Deus pode tudo! Não, Deus não pode tudo. Deus não pode senão o que pode o Amor. Porque Ele não é senão Amor.(...)

Em Deus, não há outro poder que o do amor e Jesus diz-nos (é Ele quem nos revela quem é Deus): «Não há maior amor do que morrer pelos amigos» (Jo 15, 13). 
Ele revela-nos a omnipotência do amor ao consentir morrer por nós. Quando Jesus é preso pelos soldados, maniatado, amarrado, no Jardim das Oliveiras, Ele próprio nos diz que teria podido chamar uma legião de anjos para O arrancarem das maõs dos soldados. Absteve- Se, contudo, de fazê-lo, porque ter-nos-ia, então, revelado um falso Deus: ter-nos-ia revelado um Deus todo-poderoso em vez de nos revelar o verdadeiro. Aquele que chega a morrer por aqueles que ama. (...)» 


François Varillon, em "Alegria de Crer e de Viver"

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

SÓ LEVAMOS O QUE DEMOS


"... A morte onde cada um entra absolutamente só, levando consigo unicamente o que se deu.
O que não se deu fica aí e apodrece pouco a pouco; mas o que se deu é transformado em ser e vai com a pessoa para a eternidade. 
Porque o nosso ser constrói-se com o que damos..." 


François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Céu

" O Céu é o contacto do ser do homem com o ser de Deus,
o encontro íntimo de Deus e do homem."

François Varillon, s.j. , em "Alegria de Crer e Viver"

terça-feira, 22 de junho de 2010

A SALVAÇÃO

«A salvação (...) é o esvaziamento, a desapropriação de nós mesmos!(...)

O Pai só é para o Filho, o Filho só é para o Pai, o Espírito Santo é a energia do amor que faz com que Eles sejam um para o outro. Fizemos da salvação algo que se pode possuir, quase que em sentido físico. Seria uma espécie de «sucesso desportivo ideal», e os santos os únicos que o teriam alcançado. Se considerarmos que o fim da nossa vida, dos nosso esforços, é a nossa salvação pessoal, desconhecemos por completo o projecto de Deus e estamos à margem do espírito de Cristo.(...)

Em pleno Sermão da Montanha, Jesus diz-nos: «Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48). É preciso que compreendamos bem o que isto quer dizer: «Sede Pai com Ele!» Isto é: «Tende a preocupação permanente de toda a comunidade».

A perfeição do Pai é a de estar todo dado aos seus filhos. Não façamos do amor ao próximo um meio de salvação ou uma condição para a salvação. Seria subordinar os outros a nós próprios, ou seja, seria não os amar. Dar-me aos outros pelo facto do dom de mim mesmo ser condição para a salvação seria precisamente não me dar.
O dom de si mesmo, isto é, o amor do próximo, é constitutivo da salvação. Não é um meio para a salvação, não é uma condição para a salvação. É a própria salvação.

François Varillon, em "Viver o Evangelho"

domingo, 20 de junho de 2010

A PUREZA ABSOLUTA DO AMOR

«Compreendamos que somos pecadores, não em relação a regras de moral, nem mesmo em relação a uma espiritualidade. Somos pecadores em relação à pureza absoluta do amor.

Esta pureza do amor é necessária para que a minha vocação se realize, uma vez que se trata de entrar em Deus e de viver a sua vida. Isso só será possível quando já não houver em mim a mais pequena réstia de egoísmo, e para falar de S. Bernardo, o menor retorno de mim sobre mim; quando já não houver a menor preocupação comigo mesmo e a menor tentação de me olhar ao espelho. Só nesse momento é que posso entrar na glória de Deus, mas não antes.

Estamos a falar da pureza absoluta do amor, isto é, de um amor absolutamente purificado de todo o egoísmo. Não nos enganemos com esta palavra "pureza". Habituámo-nos a chamar pureza apenas ao que diz respeito à carne, à luxúria, ao sexto mandamento. Não é disso que se trata aqui, mas sim de um amor sem mistura de egoísmo.

É em relação a isso que eu sou pecador; por outras palavras, a minha vocação é a pureza absoluta do amor, e tenho de reconhecer que o meu ponto de partida é impuro.
Na glória de Deus, amarei como Deus ama, sem o menor retorno sobre mim mesmo.

François Varillon, em "Viver o Evangelho"

terça-feira, 15 de junho de 2010

A PROFUNDIDADE DA LIBERDADE HUMANA

«Consideremos o Discurso da Montanha:

Primeiro ponto: a exigência é radical;
Segundo ponto: sois livres quanto à maneira de viver este radicalismo da exigência.

É esta a razão pela qual muitos homens têm medo da liberdade e reclamam instruções formais que Jesus não dá e se recusa a dar. Jesus mostra simplesmente a profundidade da liberdade do homem.(...)

Poderíamos dizer que não é Ele, Jesus, quem é exigente: somos nós quem o somos sem o sabermos. Somos nós que dissimulamos a nós mesmos as nossas próprias exigências, porque temos medo delas e tememos ter de ser homens, Jesus não faz mais do que nos revelar a nós mesmos. Ele descobre-nos a grandeza da nossa liberdade, arranca as máscaras que nos fabricámos com as nossas mãos, por medo e por egoísmo.

Ele diz-nos: tu vales mais do que pensas, a tua grandeza ultrapassa a consciência que tens dela. Vive de acordo com essa grandeza; quanta mais experiência fizeres dessa vida, mais darás conta de que és grande e de que essa grandeza é uma exigência. Descobrirás até onde pode conduzir-te a tua liberdade se recusares as máscaras.

A Lei nova, o cristianismo, não pode ser uma lista de instruções. Trata-se, com a ajuda de exemplos típicos, da revelação dos horizontes sem limites da grandeza humana. (...) É uma grandeza sem limites vivida na existência mais humilde e mais quotidiana. Horizonte sem limites no coração dos horizontes mais familiares: o lar, a vizinhança, o bairro, a profissão...
Jesus diz-nos tudo de que o homem é capaz na vida mais simples, com a condição de que seja o filho dum Deus que é Pai."

François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"

terça-feira, 30 de março de 2010

PERDER PARA GANHAR

«Acção de graças, trabalho, comunidade. Tudo isto implica uma morte.
A acção de graças é a morte do meu instinto de propriedade.
O trabalho é a morte à minha preguiça.
A comunidade é a morte do meu individualismo.
A morte está absolutamente em tudo. Mas creio que ela é, ao mesmo tempo, ressurreição.
A ressurreição não se dá depois da morte; já está presente na própria morte.
Morrendo ao meu individualismo, à minha preguiça, ao meu instinto de propriedade, passo para Cristo, torno-me mais Cristo, até me tornar totalmente Ele, depois dessa morte que é a morte final.»

François Varillon, em "Viver o Evangelho"

quinta-feira, 4 de março de 2010

PASSAGEM PARA A VIDA DIVINA

«O que é o Mistério Pascal, o Mistério da Morte e Ressurreição do Senhor?

A Páscoa é o centro de tudo.(...) É uma palavra que quer dizer passagem. Passagem para a vida divina. (...) A Páscoa é o centro da vida cristã. Mas a Páscoa é muito mais; é, numa palavra, a própria vida cristã. (...)

Jesus que sobe o Calvário a caminho da morte, na realidade vai a caminho da verdadeira vida, a caminho da liberdade.(...)

Tenho de compreender que cada uma das minhas decisões tem uma estrutura pascal. (...)


A nossa vida é um tecido de decisões; é através das minhas decisões que me construo, que me torno homem e homem livre. As minhas decisões têm uma estrutura pascal, são uma passagem pela morte.(...)
Toda a decisão é uma passagem pela morte, para sair da escravatura a caminho da liberdade. A minha decisão arranca-me à escravatura do meu egoísmo, porque sou sempre escravo do meu egoísmo. As minhas decisões arrancam-me à escravatura e fazem-me entrar no Amor.

Mas o arrancar-me à escravatura é, evidentemente, uma morte. É uma morte parcial, deixar o travesseiro, quando está frio e a névoa é densa, mas é a passagem para a liberdade e para uma liberdade verdadeiramente divina, uma vez que Cristo diviniza o que nós humanizamos.
Toda a decisão deve ser humanizante de certa forma, tornar-me mais homem, tornando os homens e o mundo mais humanos.(...)

O essencial da nossa fé, esta morte parcial, a morte que a minha decisão implica, é uma passagem à vida de Cristo. É uma ressurreição, uma passagem à liberdade, quer dizer, ao triunfo sobre todas as formas de egoísmo. (...)

Portanto, sou transformado, a pouco e pouco, pelo conjunto das decisões que tomo livremente e que fazem morrer a minha escravidão.»

François Varillon, em "Viver o Evangelho"

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A LUZ DA LIBERDADE EM CRISTO

«A verdadeira unidade não é a unicidade mas a riqueza dum pluralismo soldado pelo amor. Uma sinfonia é feita duma pluralidade de notas que não têm valor senão em relações que mantêm umas com as outras. Mas cada nota deve manter-se ela mesma e querer que as outras sejam elas mesmas, porque, se ela desaparecesse, o acorde já não seria um: ficaria mais pobre.
O ideal da orquestra não é que haja só violões. O violão deve querer que o violoncelo seja plenamente violoncelo, a flauta plenamente flauta e que essa diferença, essa riqueza e essa diversidade dos instrumentos constituam uma orquestra verdadeiramente una.

O amor quer que o outro seja e que seja verdadeiramente outro. Não um reflexo de si, não um satélite, mas uma outra liberdade. Deus quer - é o seu próprio ser, o seu acto simples, eterno - que o outro seja, que os outros sejam. E este querer é eficaz, como todo o querer divino.

Aquele que é a luz, quer que a luz resplandeça nos olhos do ser amado. Se te amo, não posso querer que os teus olhos sejam baços. Se te amo, quero que haja luz nos teus olhos e desejo estar junto de ti como um contágio de luz, uma transmissão de existência luminosa.

Um olhar de amor ou amizade, é um olhar de ambição para o outro. Amo-te quer dizer: sou ambicioso em relação a ti, sobretudo não quero dominar-te nem abafar a tua liberdade, desejo despertar-te. Quero que a minha liberdade comungue com a tua, o que não é possível se a tua não existir.(...)

Deus é suscitador de pessoas livres. Ele não pode amar-nos se não vir nos nossos olhos a luz da liberdade.» - François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

RECEBER E VIVER A VERDADE

«O cristão não reflecte ao jeito dum filósofo que inventa, de certo modo, a sua verdade e a propõe a outras pessoas. O cristão não inventa a verdade, recebe-a. (...)

O cristianismo não é uma filosofia, a Revelação não se situa no plano da explicação das coisas: ilumina o nosso caminhar até Deus, o que é totalmente diferente.
A Revelação diz-nos qualquer coisa sobre Deus e qualquer coisa sobre o homem, na medida em que isso é necessário à verdade da nossa relação viva, real, com Deus.»

François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O INFERNO

«O inferno é a solidão onde o amor já não pode entrar. (...)» (François Varillon)

Deus ama incondicionalmente a todos nós, sem exclusão. Ele quer a salvação de todos, sem excepção.

François Varillon escreveu: «Eu rezo por todos os homens sem excepção, incluindo Judas e todos os que foram monstruosos neste mundo... porque, de facto, eu espero a sua salvação. Se a não esperasse, não rezaria... Mas esta fé e esta esperança implicam precisamente que o amor com que os homens são amados seja um amor tomado a sério. Que é um amor a sério? É um amor que não anula a liberdade humana, mas fundamenta-a. O amor não seria amor se manipulasse a liberdade com o fim de obter a todo o custo a reciprocidade. (...)

O amor já não é amor se disser: vou obrigar-te, finalmente, a que me ames. Não se pode obrigar ninguém a amar. Constrangir a amar não é amar.

Num livro admirável, Jean Lacroix escreveu uma frase que é talvez uma das mais profundas que se escreveram nestes últimos anos:
«Amar é prometer e comprometer-se a nunca empregar, em relação ao ser amado, os meios do poder. Recusar qualquer poder é expor-se à recusa, à incompreensão, à infidelidade».

Em Deus, o amor não é senão amor, portanto, um amor que se proíbe absolutamente de fazer uso do poder. O seu amor é verdadeiramente oferecido, e isso implica que se torne um amor acolhido. Quem poderá garantir que o amor realmente dado, ou oferecido, nunca será um amor livremente recusado? Se se pretender que uma tal garantia existe, deixa de haver amor. Porque não se pode encontrar essa garantia senão no uso do poder. A única garantia possível seria que Deus nos obrigasse a amá-l`O!

Na verdade, a recusa do amor é qualquer coisa particularmente assustadora. Está no limite do pensável. Ou, se preferirem, não se pode pensar senão como limite. Pelo contrário, o que está para além do que se pode pensar, para além de todo o limite, é que Deus possa deixar de amar. Não há mal-amados de Deus. Mas a liberdade do homem - que constitui a sua grandeza - é tal que o amor incondicionalmente oferecido pode ver-se incondicionalmente recusado. (...)

Quando se acredita verdadeiramente na grandeza do homem, acredita-se também que a eventualidade da condenação está inscrita, como recusa incondicional do amor, na própria estrutura da sua liberdade.

Sempre que o Evangelho parece dizer que Deus toma por sua conta a condenação dos homens,, que é Ele quem pronuncia a sentença de condenação (Mt 13, 41; 25, 41), quer dizer que Deus mesmo nada pode, senão sofrer perante uma liberdade que se fecha ao amor.

O castigo não procede de Deus, vem do interior, como aquele que fecha as persianas e nesse mesmo instante fica privado da luz do sol. Isto significa ainda que o acto criador, que é eterno, não pode deixar de incluir esta eventualidade; é o grande risco do acto criador.»

François Varillon, em "Alegria de crer e viver"

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...