Um rabino entrou no quarto da sua casa e viu o seu filho em profunda oração. Num canto, estava um berço com um bebé a chorar.
«Filho, não ouves? - disse o rabino. - O bebé está a chorar.»
Disse o filho: «Pai, eu não ouvi, porque estava perdido em Deus.»
O rabino respondeu: «Filho, quando estamos perdidos em Deus, até vemos uma mosca a andar pela parede.»
Abel Herzerg
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domingo, 25 de agosto de 2013
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
CARIDADE
Um ancião disse: «Tudo o que distribuis como esmola por temor a Deus, não o dês com dureza e frieza, mas olha o pobre com alegria na alma e com um rosto doce, e eleva-o assim acima de ti com honra, sabendo que a oferenda ao pobre é do agrado de Cristo e que o Senhor ama aquele que dá com alegria».
Dizem os que o conheceram, que o aba Agatão, quando tinha de ir fazer compras ao mercado, olhava à sua volta para escolher o vendedor. Se visse uma viúva em dificuldades com o objecto que ele pretendia adquirir, perguntava-lhe: «Por quanto vendes isso?» E dava-lhe o que ela lhe pedia; mas, se não tivesse dinheiro suficiente, dizia-lhe apenas: «Perdoa-me».
Dizem os que o conheceram, que o aba Agatão, quando tinha de ir fazer compras ao mercado, olhava à sua volta para escolher o vendedor. Se visse uma viúva em dificuldades com o objecto que ele pretendia adquirir, perguntava-lhe: «Por quanto vendes isso?» E dava-lhe o que ela lhe pedia; mas, se não tivesse dinheiro suficiente, dizia-lhe apenas: «Perdoa-me».
Do livro: «Os Padres do Deserto»
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
A VERDADE
Saiu o diabo a passear, um dia,
com um amigo seu; viram um homem
que, ali perto, se inclinava para o chão
e parecia pegar em algo caído sobre a estrada.
«Que terá ele encontado?». pergunta o amigo.
«Foi um pedaço de Verdade», diz o diabo.
«E isso não te perturba?», volta o amigo.
«De modo algum, respondeu-lhe o demónio;
deixarei, simplesmente, que ele faça,
daquele pedacinho de verdade,
nem mais nem menos que uma crença religiosa!».
Uma crença religiosa é como um sinal de trânsito que aponta o caminho da Verdade. As pessoas que se agarram ao poste e à tabuleta, evidentemente não caminham para a verdade por terem a falsa sensação de já a terem encontrado.
Anthony de Mello, O canto do pássaro
com um amigo seu; viram um homem
que, ali perto, se inclinava para o chão
e parecia pegar em algo caído sobre a estrada.
«Que terá ele encontado?». pergunta o amigo.
«Foi um pedaço de Verdade», diz o diabo.
«E isso não te perturba?», volta o amigo.
«De modo algum, respondeu-lhe o demónio;
deixarei, simplesmente, que ele faça,
daquele pedacinho de verdade,
nem mais nem menos que uma crença religiosa!».
Uma crença religiosa é como um sinal de trânsito que aponta o caminho da Verdade. As pessoas que se agarram ao poste e à tabuleta, evidentemente não caminham para a verdade por terem a falsa sensação de já a terem encontrado.
Anthony de Mello, O canto do pássaro
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
OS DONS DE DEUS
Um dia, um homem entrou numa loja e, estupefato, viu um anjo atrás do balcão.
Maravilhado com aquela visão, perguntou:
- Anjo, o que vendes?
O anjo respondeu: - Todos os dons de Deus.
O homem voltou a perguntar: - E custam caro?
E a resposta do anjo foi: - Não. São de graça... é só escolher.
O homem, cheio de entusiasmo e alegria, olhou para toda a loja e viu jarras de vidro de fé, pacotes de sabedoria, caixas de felicidade ... Não estava a acreditar que poderia adquirir tudo aquilo.
- Por favor, embrulhe para mim: muito amor de Deus, bastante felicidade, abundante perdão d'Ele, amor ao próximo, paciência, tolerância...
O anjo anotou o pedido e foi separar os produtos. Ao regressar, entregou-lhe vários pacotinhos, que cabiam na palma da mão do homem.
Espantado, ele indagou: - Como é possível que me possa dar apenas esses pacotinhos?! Eu quero levar uma grande quantidade dos dons de Deus.
O anjo respondeu: - Querido amigo, na loja de Deus nós não vendemos frutos. Apenas sementes.
Maravilhado com aquela visão, perguntou:
- Anjo, o que vendes?
O anjo respondeu: - Todos os dons de Deus.
O homem voltou a perguntar: - E custam caro?
E a resposta do anjo foi: - Não. São de graça... é só escolher.
O homem, cheio de entusiasmo e alegria, olhou para toda a loja e viu jarras de vidro de fé, pacotes de sabedoria, caixas de felicidade ... Não estava a acreditar que poderia adquirir tudo aquilo.
- Por favor, embrulhe para mim: muito amor de Deus, bastante felicidade, abundante perdão d'Ele, amor ao próximo, paciência, tolerância...
O anjo anotou o pedido e foi separar os produtos. Ao regressar, entregou-lhe vários pacotinhos, que cabiam na palma da mão do homem.
Espantado, ele indagou: - Como é possível que me possa dar apenas esses pacotinhos?! Eu quero levar uma grande quantidade dos dons de Deus.
O anjo respondeu: - Querido amigo, na loja de Deus nós não vendemos frutos. Apenas sementes.
domingo, 15 de janeiro de 2012
TODOS PODEM
Certo senhor pediu a Frei Egídio, um dos companheiros mais queridos de S. Francisco, que rezasse por ele.
- Reza tu mesmo, estranhou o frade. Porque ficas para trás, encolhido, quando tu mesmo podes ir para a frente, e mandas outro em teu lugar?
- Mas, Frei Egídio, desculpou-se aquele senhor, eu sou pecador, ando muito afastado da religião. Mas o senhor, que é santo, pode conseguir tudo o que pedir a Deus.
- Olha, meu irmão, censurou-o o Frade. Se todas as estradas da Perúgia (região de Assis) estivessem cobertas de ouro e prata e caso corresse a notícia de que toda a gente os poderia apanhar à vontade, enviarias tu um emissário em teu lugar para se servir desses tesouros?
- De modo algum! Pelo contrário, eu mesmo me apressaria e jamais confiaria tal missão a quem quer que fosse.
- Pois bem, concluiu o santo, assim é com Deus. O mundo todo está cheio d`Ele.
Todos podem consegui-l`O. Não é preciso mandar ninguém em nosso lugar.
- Reza tu mesmo, estranhou o frade. Porque ficas para trás, encolhido, quando tu mesmo podes ir para a frente, e mandas outro em teu lugar?
- Mas, Frei Egídio, desculpou-se aquele senhor, eu sou pecador, ando muito afastado da religião. Mas o senhor, que é santo, pode conseguir tudo o que pedir a Deus.
- Olha, meu irmão, censurou-o o Frade. Se todas as estradas da Perúgia (região de Assis) estivessem cobertas de ouro e prata e caso corresse a notícia de que toda a gente os poderia apanhar à vontade, enviarias tu um emissário em teu lugar para se servir desses tesouros?
- De modo algum! Pelo contrário, eu mesmo me apressaria e jamais confiaria tal missão a quem quer que fosse.
- Pois bem, concluiu o santo, assim é com Deus. O mundo todo está cheio d`Ele.
Todos podem consegui-l`O. Não é preciso mandar ninguém em nosso lugar.
domingo, 19 de junho de 2011
A GRANDEZA DE DEUS
"Ouvi contar esta história.
Uma criança com toda a naturalidade, voltou-se para Deus e perguntou-lhe:"E tu, o que é que queres ser quando fores grande?"
"Pequeno", respondeu-lhe Deus, também com toda a naturalidade.
Os homens querem ser grandes, mas a grandeza de Deus está em tornar-se pequeno, em dar a vida, em desaparecer pelo bem do outro."
Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos"
Uma criança com toda a naturalidade, voltou-se para Deus e perguntou-lhe:"E tu, o que é que queres ser quando fores grande?"
"Pequeno", respondeu-lhe Deus, também com toda a naturalidade.
Os homens querem ser grandes, mas a grandeza de Deus está em tornar-se pequeno, em dar a vida, em desaparecer pelo bem do outro."
Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos"
terça-feira, 23 de outubro de 2007
O único Jesus que eu conheci
«Pregue o Evangelho sempre, se(quando) necessário, use palavras.» - Francisco de Assis
Há alguns anos atrás um prisioneiro branco morreu de ataque cardíaco em Montgomery, no Alabama. Na prisão tivera uma profunda experiência de conversão e construído um relacionamento autêntico com Jesus. O presidiário da cela ao lado, um negro enorme, era cínico. Todas as noites o prisioneiro branco falava por entre as barras da prisão e falava ao seu companheiro sobre o amor de Jesus. O negro troçava dele; dizia que ele estava doente da cabeça, que a religião era o último refúgio dos insanos. Apesar disso, o prisoneiro branco passava-lhe passagens das Escrituras e repartia com ele os doces que recebia de algum parente. Durante o funeral do homem branco, quando o padre falou a respeito da vitória de Jesus na Páscoa, o robusto prisioneiro negro ergueu-se a meio do sermão, apontou para o caixão e disse:"Essse é o único Jesus que eu conheci".
Brennan Manning, in "A assinatura de Jesus"
Há alguns anos atrás um prisioneiro branco morreu de ataque cardíaco em Montgomery, no Alabama. Na prisão tivera uma profunda experiência de conversão e construído um relacionamento autêntico com Jesus. O presidiário da cela ao lado, um negro enorme, era cínico. Todas as noites o prisioneiro branco falava por entre as barras da prisão e falava ao seu companheiro sobre o amor de Jesus. O negro troçava dele; dizia que ele estava doente da cabeça, que a religião era o último refúgio dos insanos. Apesar disso, o prisoneiro branco passava-lhe passagens das Escrituras e repartia com ele os doces que recebia de algum parente. Durante o funeral do homem branco, quando o padre falou a respeito da vitória de Jesus na Páscoa, o robusto prisioneiro negro ergueu-se a meio do sermão, apontou para o caixão e disse:"Essse é o único Jesus que eu conheci".
Brennan Manning, in "A assinatura de Jesus"
quinta-feira, 26 de julho de 2007
A Porta do Coração
Certa vez um homem havia pintado um lindo quadro. No dia da apresentação ao público, convidou várias pessoas para ver a obra. Compareceram as autoridades locais, fotógrafos, jornalistas, enfim, uma multidão. Afinal, o pintor além de um grande artista era também muito famoso. Chegado o momento, tirou-se o pano que revelava o quadro. Houve um caloroso aplauso! Era uma impressionante figura de JESUS batendo suavemente à porta de uma casa. Com o ouvido junto à porta, ELE parecia querer ouvir se lá dentro alguém respondia. Houve discursos e elogios. Todos admiravam aquela obra de arte.Porém, um curioso observador, achou uma falha no quadro. A porta não tinha fechadura. E intrigado, foi perguntar ao artista...- Sua porta não tem fechadura? - Como se fará para abri-la? - Perguntou o admirador. Respondeu-lhe o artista: - É assim mesmo. Esta é a porta do coração humano, só se abre pelo lado de dentro.
Autor desconhecido
quinta-feira, 28 de junho de 2007
O Cristão e o Monge Budista
Certo Cristão, um dia, visitou
um bom Monge Budista e disse-lhe:
«Permita-me que eu lhe leia
algumas passagens do Evangelho,
o Sermão da Montanha, por exemplo».
«Ouvirei com prazer», respondeu o Monge.
E depois de ter lido várias linhas
o Cristão pára um pouco e o Monge diz,
sorrindo:«Quem disse tais palavras
era, de facto, um grande iluminado!».
Alegrou-se o Cristão e continuou...
Mais uma vez o Monge interrompeu:
«Quem tais palavras disse é, na verdade,
digno de ser chamado o Salvador
de toda a humanidade».
Empolgou-se o Cristão ainda mais
e levou a leitura até ao fim.
E outra vez o Budista comentou:
«Quem disse essas palavras deve ser
um homem que irradia Divindade!».
O Cristão transbordava de alegria
e voltou para casa decidido
a convencer o bom Budista
a tornar-se também um bom Cristão.
No caminho para casa, encontrou Jesus e disse-Lhe com esfuziante entusiasmo:«Mestre, eu consegui que aquele homem confessasse e admitisse a Vossa Divindade!».
Jesus sorriu e disse: «E qual foi a utilidade disso para ti, para além de inchar o teu ego cristão?».
O canto do pássaro, Anthony de Mello
terça-feira, 12 de junho de 2007
O Olhar de Jesus
No evangelho de Lucas( 22; 60-62) lemos a seguinte passagem:
«Mas Pedro disse: Homem, não sei o que dizes.
Imediatamente, enquanto ele ainda falava,
o galo cantou e o Senhor, voltando-Se,
fixou o olhar em Pedro... E Pedro, saindo,
chorou amargamente».
Eu tinha um relalcionamento bastante bom com o Senhor. Conversava com Ele, pedia-Lhe coisas, louvava-O, agradecia-Lhe. Mas tinha sempre um sentimento ou sensação inesquecível de que Ele queria que eu olhasse bem no fundo dos Seus olhos... E isto eu não queria. Conversava muito, mas desviava os olhos, cada vez que percebia que Ele estava a olhar para mim. Sim, olhava sempre para outro lado. E eu sabia porquê! Tinha medo. Receava encontrar uma acusação nos olhos d´Ele: algum pecado não arrependido. Mas pensava também poder encontrar, naquele olhar, algum pedido: algo que Ele quisesse de mim.Um dia, finalmente, juntei toda a minha coragem e olhei! Não havia acusação alguma. Nem exigência ou pedido. Aqueles olhos diziam-me, simplesmente: «Eu amo-te!». Nessa altura eu olhei-os ainda mais no fundo com a persistência de quem procura algo. Nada encontrei, apenas a mensagem de sempre: «Eu amo-te!». Como Pedro, também eu saí... e chorei.
O canto do pássaro
de Anthony de Mello
sexta-feira, 8 de junho de 2007
A mais bela lição de Amor e Compaixão
Os homens dos pergaminhos arrastavam-na pela rua.Vinha quase nua. Suja, ferida e cabisbaixa. Ferida. Eles traziam pedras nos bolsos, para atirar a ela e ao Mestre. Principalmente ao Mestre.
Empurraram a pecadora para perto dele e fecharam o círculo dos juízes impolutos, prontos a derramar o sangue pecador. O apedrejamento ia começar.
- Que dizes tu disto? – apontando eles com o dedo indicador para a mulher, que soluçava prostrada na terra.
Silêncio.
O Mestre nada disse. Continuava a enigmática escrita no pó da terra. Pensavam consigo que finalmente o tinham desmascarado. Apanharam-no.- Não respondes? Não vais cumprir com o que dizem os Pergaminhos? – insistiam eles, gritando.
Pacientemente, O Mestre levantou-se. - Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire uma pedra contra ela. – inclinando-se novamente, continuou a escrever na terra.
Os pergaminhos.
Silenciosamente os mais velhos começaram a sair. Depois os mais novos. Saíram todos.
Ficou a mulher sozinha com O Mestre.- Ninguém te condenou?- Ninguém, Senhor.- Nem eu te condeno. – disse Ele ajudando-a a levantar-se pelo braço - Vai-te e não peques mais.
A mulher, como que removendo todas as pedras da sua existência, renasceu. Saiu dali irradiando alegria. Sentia-se limpa, curada e perdoada. Curada.
(Baseado em João 8:3-11)
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