«Aprender a dar e a receber gratuitamente pressupõe uma reeducação longa e laboriosa da nossa psicologia, que não está «estruturada» para um tal regime, pois está condicionada por milénios de necessidade de luta pela sobrevivência.
Diria talvez que a irrupção da revelação divina e do Evangelho no mundo, é como que um fermento evolutivo que tem por objectivo «transferir» o nosso psiquismo para uma lógica de gratuidade - a do Reino, a do amor. Trata-se de um processo de divinização, pois o objectivo é chegarmos a amar como Deus ama: «Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste» (Mt 5, 48) (...)
Não podemos adoptar uma nova maneira de ser senão à custa do «luto» de muitos dos nossos comportamentos naturais, de uma espécie de agonia. No entanto, uma vez transporta a «porta estreita» da conversão da mentalidade, o universo ao qual acedemos é esplêndido: é o Reino, o mundo onde o amor é a única lei, um paraíso de gratuidade onde o amor pode permutar-se sem limites, dar-se e receber-se sem restrições, onde já não há «direitos» nem «deveres», nada a defender nem nada a conquistar, nenhuma oposição entre o «teu» e o «meu», onde o coração se dilata ao infinito.
Neste mundo novo, reina o amor, um amor terrivelmente exigente (pois quer tudo: enquanto não amarmos totalmente, não amamos de verdade), mas soberanamente livre, pois não tem outra lei senão ele próprio.»
(Jacques Philippe, em "A Liberdade Interior")
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domingo, 11 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
TOMA A TUA CRUZ
« Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me. (Lc 9, 23)
Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo.» (Lc 14, 27)
"Nossas cruzes - depois de abraçadas e carregadas em resposta ao convite de Cristo para segui-lo como ele seguiu a vontade de seu Pai celeste - tornam-se os lugares onde encontramos o poder divino que é o único agente possível de nossa transformação.
A cruz que tomo e carrego em resposta ao convite de Jesus para segui-lo torna-se o lugar não só da minha morte, mas também de minha ressurreição.
O caminho da espiritualidade cristã é a via-sacra. Não existe rota alternativa.
A vida cristã está cheia de pequenas mortes e pequenas ressurreições, pequenas sextas-feiras santas e pequenos domingos de Páscoa. Cada abraço de minha cruz é mais um passo para o reino de Deus, um reino que só alcançamos do outro lado da morte de nossos reinos de auto-suficiência e autodeterminação.
Tomar nossa cruz não é, em última análise, escolher entre sofrer ou não. Essa escolha não é nossa. Mas podemos escolher reconhecer o sofrimento em vez de ignorá-lo. E enquanto aguentamos, podemos escolher olhar para Deus. Se o fizermos, descobriremos Deus olhando para nós.
É no meio de nosso sofrimento e fraqueza que Cristo está mais presente. É aqui que a nossa vulnerabilidade e fraqueza encontram o poder transformador de Cristo.»
(David G. Benner, em "Desejar a vontade de Deus")
Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo.» (Lc 14, 27)
"Nossas cruzes - depois de abraçadas e carregadas em resposta ao convite de Cristo para segui-lo como ele seguiu a vontade de seu Pai celeste - tornam-se os lugares onde encontramos o poder divino que é o único agente possível de nossa transformação.
A cruz que tomo e carrego em resposta ao convite de Jesus para segui-lo torna-se o lugar não só da minha morte, mas também de minha ressurreição.
O caminho da espiritualidade cristã é a via-sacra. Não existe rota alternativa.
A vida cristã está cheia de pequenas mortes e pequenas ressurreições, pequenas sextas-feiras santas e pequenos domingos de Páscoa. Cada abraço de minha cruz é mais um passo para o reino de Deus, um reino que só alcançamos do outro lado da morte de nossos reinos de auto-suficiência e autodeterminação.
Tomar nossa cruz não é, em última análise, escolher entre sofrer ou não. Essa escolha não é nossa. Mas podemos escolher reconhecer o sofrimento em vez de ignorá-lo. E enquanto aguentamos, podemos escolher olhar para Deus. Se o fizermos, descobriremos Deus olhando para nós.
É no meio de nosso sofrimento e fraqueza que Cristo está mais presente. É aqui que a nossa vulnerabilidade e fraqueza encontram o poder transformador de Cristo.»
(David G. Benner, em "Desejar a vontade de Deus")
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
DESPOJAR-SE (2ª Parte)
«O único «deus» que pode disputar com Deus o Seu reinado sobre o coração do homem é o próprio homem (entendo-se por homem o «homem velho» enroscado sobre si mesmo, com as suas loucas ânsias de se apropriar de tudo e de exigir toda a honra e toda a adoração).
No fundo, ocorre um mistério trágico: o nosso «eu» tende a converter-se em «deus». Isto é: o nosso «eu» reclama e exige culto, amor, admiração, dedicação e adoração a todos os níveis, que só a Deus são devidos.(...)
Quando o interior do homem está liberto de interesses, propriedades e desejos, Deus pode estar nele sem dificuldade. Ao contrário, na medida em que o nosso interior está ocupado pelo egoísmo, não há já lugar para Deus. É um território ocupado.
Assim chegamos a compreender que o primeiro mandamento é idêntico à primeira bem-aventurança: quanto mais pobres, desprendidos e desinteressados somos, «mais» Deus é Deus em nós. Quanto mais somos «deus» para nós mesmos, «menos» Deus é Deus em nós. O plano está, pois, muito claro: «importa que Ele cresça e «eu» diminua» (Jo. 3, 30).» (Ignacio Larrañaga, em "Mostra-me o Teu Rosto")
No fundo, ocorre um mistério trágico: o nosso «eu» tende a converter-se em «deus». Isto é: o nosso «eu» reclama e exige culto, amor, admiração, dedicação e adoração a todos os níveis, que só a Deus são devidos.(...)
Quando o interior do homem está liberto de interesses, propriedades e desejos, Deus pode estar nele sem dificuldade. Ao contrário, na medida em que o nosso interior está ocupado pelo egoísmo, não há já lugar para Deus. É um território ocupado.
Assim chegamos a compreender que o primeiro mandamento é idêntico à primeira bem-aventurança: quanto mais pobres, desprendidos e desinteressados somos, «mais» Deus é Deus em nós. Quanto mais somos «deus» para nós mesmos, «menos» Deus é Deus em nós. O plano está, pois, muito claro: «importa que Ele cresça e «eu» diminua» (Jo. 3, 30).» (Ignacio Larrañaga, em "Mostra-me o Teu Rosto")
quinta-feira, 6 de março de 2008
A Pureza Absoluta do Amor
Compreendamos que somos pecadores, não em relação a regras de moral, nem mesmo em relação a uma espiritualidade. Somos pecadores em relação à pureza absoluta do amor. Esta pureza do amor é necessária para que a minha vocação se realize, uma vez que se trata de entrar em Deus e de viver a sua vida. Isso só será possível quando já não houver em mim a mais pequena réstia de egoísmo, e para falar de S. Bernardo, o menor retorno de mim sobre mim; quando já não houver a menor preocupação comigo mesmo e a menor tentação de me olhar ao espelho. Só nesse momento é que posso entrar na glória de Deus, mas não antes.
Estamos a falar da pureza absoluta do amor, isto é, de um amor absolutamente purificado de todo o egoísmo. Não nos enganemos com esta palavra "pureza". Habituámo-nos a chamar pureza apenas ao que diz respeito à carne, à luxúria, ao sexto mandamento. Não é disso que se trata aqui, mas sim de um amor sem mistura de egoísmo.
É em relação a isso que eu sou pecador; por outras palavras, a minha vocação é a pureza absoluta do amor, e tenho de reconhecer que o meu ponto de partida é impuro. Na glória de Deus, amarei como Deus ama, sem o menor retorno sobre mim mesmo.
Estamos a falar da pureza absoluta do amor, isto é, de um amor absolutamente purificado de todo o egoísmo. Não nos enganemos com esta palavra "pureza". Habituámo-nos a chamar pureza apenas ao que diz respeito à carne, à luxúria, ao sexto mandamento. Não é disso que se trata aqui, mas sim de um amor sem mistura de egoísmo.
É em relação a isso que eu sou pecador; por outras palavras, a minha vocação é a pureza absoluta do amor, e tenho de reconhecer que o meu ponto de partida é impuro. Na glória de Deus, amarei como Deus ama, sem o menor retorno sobre mim mesmo.
François Varillon, em "Viver o Evangelho"
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Deixar-me ferir para Te encontrar
Senhor, porque será necessário deixar-me ferir para Te encontrar? E porque nunca Te impões ao homem, a tal ponto respeitas a sua profunda liberdade. Procuras a abertura por onde possas penetrar no seu coração, na sua vida.(...) a abertura de uma agonia, de uma profunda luta interior, que faz morrer para si mesmo e para mil coisas, para finalmente viver para Ti, para deixar o teu amor de fogo invadir o coração. Em si mesmo, todo o amor não é mais do que uma ferida. Não se ama realmente, se não se deixa o outro penetrar em si. Mas esta entrada do outro em nós mesmos exige, em primeiro lugar, que saiamos de nós próprios, que em nós se abra uma brecha, um rasgão, uma ferida que libertará o nosso coração(...)
Só deixando-me ferir é que Te encontrarei, Deus de amor. E a chaga não basta. Tu propões-Te levar-me até à agonia, até ao combate interior que acabará por me libertar de mim mesmo para viver de uma vida de amor, para viver de Ti, Senhor, que és Amor, para passar como Tu, Jesus, a uma vida de ressuscitado(...)
Só descobre a pérola do amor aquele que se deixa ferir intimamente pelo dardo do amor de Deus. Geralmente, o Senhor não dá um só grande golpe. Atendendo às nossas capacidades de O acolher, Ele procede por pequenos toques repetidos. Toques que não são nem contínuos nem de longa duração. Temos de estar abertos para percebê-los, termos fome de amar e deixar-nos amar. Temos de procurar Deus, humilde e pobremente; de reconhecer que, só aos pouquinhos, é que poderemos viver a nossa experiência de amor a Deus, experiência única, como é único o amor de Deus por cada um de nós. Temos de deixar-nos atrair e educar no amor, sem, no entanto, romper com a fonte onde se dessedenta o nosso dia a dia.
Só deixando-me ferir é que Te encontrarei, Deus de amor. E a chaga não basta. Tu propões-Te levar-me até à agonia, até ao combate interior que acabará por me libertar de mim mesmo para viver de uma vida de amor, para viver de Ti, Senhor, que és Amor, para passar como Tu, Jesus, a uma vida de ressuscitado(...)
Só descobre a pérola do amor aquele que se deixa ferir intimamente pelo dardo do amor de Deus. Geralmente, o Senhor não dá um só grande golpe. Atendendo às nossas capacidades de O acolher, Ele procede por pequenos toques repetidos. Toques que não são nem contínuos nem de longa duração. Temos de estar abertos para percebê-los, termos fome de amar e deixar-nos amar. Temos de procurar Deus, humilde e pobremente; de reconhecer que, só aos pouquinhos, é que poderemos viver a nossa experiência de amor a Deus, experiência única, como é único o amor de Deus por cada um de nós. Temos de deixar-nos atrair e educar no amor, sem, no entanto, romper com a fonte onde se dessedenta o nosso dia a dia.
Pe. Constant Tonnelier, em "Quinze dias com São João da Cruz"
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Vencer-se a si mesmo
O que é "vencer-se a si mesmo" ? François Varillon disse: " Trata-se de nos tornarmos homens livres. O que Deus quer é a nossa liberdade. A liberdade é o esquecimento de nós mesmos, ou seja, uma outra forma de designar o amor. Mas adquiri-la não é espontâneo, nem automático. É preciso vencer-se. Antes de dizer: «Esqueci-me de mim» tenho que dizer a mim próprio: «Preciso de sair de mim mesmo». Em termos um pouco técnicos: o êxodo precede necessariamente o êxtase, isto é, não posso continuar centrado em mim mesmo, tenho que viver fora de mim, voltado para o outro.(...)
(...) Não poderei entrar em Deus enquanto o mais pequenino átomo de auto-contemplação, de olhar voltado para mim mesmo, não for queimado."
François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"
(...) Não poderei entrar em Deus enquanto o mais pequenino átomo de auto-contemplação, de olhar voltado para mim mesmo, não for queimado."
François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Autonegação
"Sendo a obediência a si mesmo a fonte mais segura de destruição para os homens, assim o único porto seguro é não ter outra vontade, outra sabedoria, senão seguir o Senhor aonde quer que nos conduza. Permitamos que esse, então, seja o primeiro passo, abandonar a nós mesmos, e aplicar toda a energia mental ao serviço de Deus." - João Calvino
Calvino baptizou de "autonegação" a transformação global da personalidade, termo que usou para sintetizar toda a vida cristã. Jamais deve ser confundida com auto-rejeição, nem deve ser pensada como acto doloroso e trabalhoso, repetido de tempos em tempos em razão de grande resistência interna. Trata-se de uma condição global, organizada, da vida no reino de Deus, mais bem descrita como "morte do eu".(...)
(...) O que é a "autonegação" ("morte do eu"), que anda de mãos dadas com a restauração da alma e, logo, com o todo da pessoa? No início, parece algo terrivelmente negativo, cujo objectivo é aniquilar-nos. Sendo franco, da perspectiva da alma arruinada, a autonegação é e sempre será tão brutal quanto parece à maioria das pessoas à primeira vista. A vida arruinada não será complementada, mas substituída. Precisamos simplesmente perder a vida, a arruinada, sobre a qual a maioria das pessoas, de qualquer modo, tanto se queixa.
Qualquer um que quiser salvar a sua vida perde-la-á, mas qualquer um que perder a sua vida por minha causa, encontra-la-á. Pois, de que adianta você conquistar o mundo inteiro se no processo perder a sua vida (alma) - perder a si mesmo. Ou o que o homem poderá dar em troca da sua alma? Mateus16-25-26; Mc 8:35-36: Lc 9:24-25
Quando Jesus diz que devemos perder a vida se quisermos encontrá-la, está a ensinar-nos, pelo lado negativo, que não devemos fazer de nós e da nossa "sobrevivência" o principal ponto de referência do nosso mundo - ou seja, não devemos tratar de nós como Deus deveria ser tratado, ou tratar-nos como Deus.(...)
(...) Tornar os meus desejos supremos é o que Paulo descreveu como ter "mente carnal" ou "mente da carne", que é um estado de morte (Rm 8:6).
(...) Quando Jesus diz que os homens que encontram a sua vida, ou alma, perde-la-ão, ele está mostrando que os que acreditam estar a controlar a sua vida - «Eu sou o mestre do meu destino: eu sou o capitão da minha alma», como disse o poeta William Ernest Henley - descobrirão em definitivo que não estão no controle: estão totalmente à mercê de forças além deles, e até mesmo dentro deles.(...)
(...) A autonegação em Mateus 16:24 e em outras passagens dos evangelhos refere-se sempre à rendição de um eu menor, morto, para um eu maior, eterno - a pessoa planeada por Deus quando a criou (...) Jesus não nos nega uma realização pessoal, mas mostra-nos o único caminho verdadeiro para alcançá-lo. No Mestre "encontramos a nossa vida". (...)
(...)Estar morto para o eu é a condição em que a mera circunstância de não conseguir o que quero já não me surpreende ou me ofende, e não tem nenhum controle sobre mim.(...)
Quem está morto para o eu não perceberá certas coisas que outros vêem - por exemplo: desprezo social, comentários mordazes, insinuações ou desconfortos físicos. No entanto, outras rejeições ao "querido eu", conforme o filósofo Kant o chamou, ainda serão percebidas, ás vezes de forma muito clara. Porém, se estivermos mortos para o eu num grau significativo, essas rejeições não nos controlarão, nem mesmo a ponto de perturbar os nossos sentimentos ou a nossa paz de espírito. Vamos ainda, como disse Francisco de Assis, "usar o mundo como uma roupa folgada, que nos toca em poucos lugares e só levemente".
Isso significa que alguém morto para o eu não tem sentimentos? Cristo estaria recomendando a "apatia" do estóico ou a eliminação do desejo, como Buda? Não. A questão não é só sentir ou desejar, mas sentir ou desejar da forma correcta, ou não ser controlado por sentimentos e desejos.
Dallas Willard, em "A Renovação do Coração"
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Negar-se a si mesmo (2ªparte)
O que significa para um homem "negar-se a si mesmo" totalmente?
Primeiro, isto significa a completa repudiação da sua própria bondade. Significa cessar de descansar sobre quaisquer obras nossas, para nos recomendar a Deus. Significa uma aceitação sem reservas do veredicto de Deus que “todas as nossas justiças (nossas melhores performances), são como trapo de imundícia” (Isaías 64:6). Foi neste ponto que Israel falhou: “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Romanos 10:3). Agora, contraste com a declaração de Paulo: “E seja achado nEle, não tendo como minha justiça a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé..." (Filipenses 3:9).
Para um homem "negar-se a si mesmo" totalmente, deverá renunciar completamente à sua própria sabedoria. Ninguém pode entrar no reino dos céus, a menos que se torne “como criança” (Mateus 18:3). “Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!” (Isaías 5:21). “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1:22). Quando o Espírito Santo aplica o Evangelho em poder numa alma, é para “destruir os conselhos e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10:5). Um mote sábio para todo o cristão adoptar é “não te estribes no teu próprio entendimento” (Provérbios 3:5).
Para um homem "negar-se a si mesmo" totalmente, deverá renunciar completamente à sua própria força. É “não confiar na carne” (Filipenses 3:3). É o coração curvando-se à declaração positiva de Cristo: “Sem mim, nada podeis fazer” (João 15:5). Este é o ponto no qual Pedro falhou: (Mateus 26:33). “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Provérbios 16:18). Quão necessário é, então, que prestemos atenção à 1 Coríntios 10:12: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia”! O segredo da força espiritual reside em reconhecer a nossa fraqueza pessoal: (veja Isaías 40:29; 2 Crônicas 12:9). Então, “fortifiquemo-nos na graça que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 2:1).
Para um homem "negar-se a si mesmo" totalmente, deverá renunciar completamente à sua própria vontade. A linguagem do não-salvo é, “Não queremos que este Homem reine sobre nós” (Lucas 19:14). A atitude do cristão é, “Para mim, o viver é Cristo” (Filipenses 1:21) — honrá-Lo, agradá-Lo, servi-Lo. Renunciar à sua própria vontade significa atender à exortação de Filipenses 2:5, “Que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”, o qual é definido nos versos que imediatamente se seguem como de abnegação. É o reconhecimento prático de que “não sois de vós mesmos, porque fostes comprados por bom preço” (1 Coríntios 6:19,20). É dizer com Cristo, “Não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres” (Marcos 14:36).
Para um homem "negar-se a si mesmo" totalmente, deverá renunciar completamente às suas luxúrias ou desejos carnais. “O ego do homem é um feixe de ídolos” (Thomas Manton, Puritano), e estes ídolos devem ser repudiados. Os não-cristãos são “amantes de si mesmos” (2 Timóteo 3:1); mas aquele que foi regenerado pelo Espírito diz com Jó, “Eis que sou vil” (40:4), “Eu me abomino” (42:6). Dos não-cristãos está escrito, “todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus” (Filipenses 2:21); mas dos santos de Deus está registado,“eles não amaram a sua vida até à morte” (Apocalipse 12:11). A graça de Deus está “ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tito 2:12).
Arthur W. Pink - Monergismo
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Negar-se a si mesmo
Em especial para o Daniel
«Negar-se a si mesmo é. . . voltar-se da idolatria da centralidade do eu»
«O que somos (nosso ego ou identidade pessoal) é, em parte, resultado da criação (a imagem de Deus) e, em parte, resultado da Queda (a imagem estragada). O ego que devemos negar, rejeitar e crucificar é o caído, tudo o que dentro de nós for incompatível com Jesus Cristo (daí os seus mandamentos: "negue-se a si mesmo" e então "siga-me"). O ego que devemos afirmar e valorizar é o criado, tudo o que em nós for compatível com Jesus Cristo (daí a sua afirmativa de que se perdermos a nossa vida mediante a negação própria a encontraremos). A verdadeira autonegação (a negação de nosso ego falso e caído) não é a estrada para a autodestruição, mas o caminho da autodescoberta.» - John Stott
"Para sermos perfeitamente o que Deus quer que sejamos, é-nos preciso ser com toda a verdade nós mesmos. Mas, para sermos nós mesmos, de verdade, temos que encontrarmo-nos em Cristo - o que só pode acontecer se nos perdermos Nele. É esta nossa grande vocação...
Num sacrifício puro, o que realmente importa é a preferência do amor de Deus a tudo mais e o gesto mais efetivo é aquele que de modo mais claro e completo exprime essa preferência" -Thomas Merton
«Negar-se a si mesmo é. . . voltar-se da idolatria da centralidade do eu»
«O que somos (nosso ego ou identidade pessoal) é, em parte, resultado da criação (a imagem de Deus) e, em parte, resultado da Queda (a imagem estragada). O ego que devemos negar, rejeitar e crucificar é o caído, tudo o que dentro de nós for incompatível com Jesus Cristo (daí os seus mandamentos: "negue-se a si mesmo" e então "siga-me"). O ego que devemos afirmar e valorizar é o criado, tudo o que em nós for compatível com Jesus Cristo (daí a sua afirmativa de que se perdermos a nossa vida mediante a negação própria a encontraremos). A verdadeira autonegação (a negação de nosso ego falso e caído) não é a estrada para a autodestruição, mas o caminho da autodescoberta.» - John Stott
"Para sermos perfeitamente o que Deus quer que sejamos, é-nos preciso ser com toda a verdade nós mesmos. Mas, para sermos nós mesmos, de verdade, temos que encontrarmo-nos em Cristo - o que só pode acontecer se nos perdermos Nele. É esta nossa grande vocação...
Num sacrifício puro, o que realmente importa é a preferência do amor de Deus a tudo mais e o gesto mais efetivo é aquele que de modo mais claro e completo exprime essa preferência" -Thomas Merton
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INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO
“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...
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