Quando as pessoas ficam sabendo que estou grávida, entre comentários como “Já??”, “Foi planejado?” e “Vocês são rápidos no gatilho!”, muitos dizem: “Ótimo, é bom assim, de carreirinha, que dá menos trabalho e cresce tudo junto!”.
Então: carreirinha é bom ou não é? (não estou falando de drogas ilícitas).
Lá em casa o intervalo entre meu irmão mais velho e eu é de 1 ano e 9 meses. Esse é exatamente o mesmo intervalo entre eu e minha irmã do meio. Eu acho ótimo, mas deve ter dado uma trabalheira danada pra minha mãe.
Tenho algumas amigas que têm filhos pequenos com intervalo de menos de dois anos entre eles e sinto o drama. Como o mais velho ainda é um bebê – usa fraldas, não come totalmente sozinho, não toma banho nem escova os dentes sem assistência –, a atenção que ele demanda é maior que aquela que demandaria uma criança mais velha. Daí tem aquela cena clássica: você está amamentando o bebê, daí o mais velho faz cocô, começa a chorar, enfim, aquela comoção. Ou você está dando banho no mais velho enquanto o recém-nascido dorme, quando ele de repente acorda aos berros querendo mamar.
Alguns dizem que é melhor mais perto porque o mais velho não tem ciúmes. Isso eu já posso dizer que não é verdade porque Emília, do alto dos seus 13 meses, já demonstra claramente que os adultos (principalmente a mãe) são dela – e só dela. Uma das educadoras da escolinha contou que estava com um bebê novo na sala, em adaptação, no colo. Emília apontou pra cena e começou a gritar e menear a cabeça, do tipo “o que esse traste está fazendo no seu colo? O bebê da sala sou eu!”. Inclusive ela andava meio bullie na escolinha: cada dia era uma mordida ou um puxão de cabelo. E parece que a causa da agressividade era mesmo a chegada dos novatos.
Por outro lado, provavelmente é mais fácil pra uma criança menor se acostumar com um visitante do que pra uma criança que já passou 3 ou 4 anos como filha única, com todos os privilégios que isso traz. Os mais velhos também são capazes de birras mais elaboradas, são mais pesados e mais fortes e, portanto, mais difíceis de controlar.
Um das vantagens de emendar a produção é que você já está no embalo, não doou os brinquedos e roupinhas do mais velho e ainda tem a casa toda adaptada pra um bebê. Não tem que montar um novo enxoval nem remodelar muita coisa. Por outro lado, algumas coisas você tem de ter em dobro: carrinho é um pra cada, cadeirinha de carro também, e pra quem usa fraldas de pano, tem que aumentar o estoque. Com um intervalo um pouco maior, daria pra passar essas coisas pro segundo quando o mais velho não usasse mais.
E o que mais? Quando a gente espera demais, pode acabar desanimando. Eu mesma confesso que quando vejo bebês em aleitamento exclusivo golfando, a mãe com aquele monte de panos, me dá uma preguiça... Soube também de gente que resolveu esperar mais tempo e acabou desistindo depois. Daí quando deu vontade de novo de ter um segundo filho, já era tarde demais.
Quanto ao fator trabalho, acho que quando o intervalo entre os filhos é menor que dois anos dá mais trabalho no início, mas menos trabalho depois. No início, como eu disse, você fica com dois bebês te solicitando o tempo todo. Mas quando eles crescem, a pouca diferença de idade facilita para eles brincarem e fazerem programações juntos. Lembro que minha irmã mais nova (6 anos de diferença pro mais velho, quase 4 e meio de diferença pra mim e mais que 2 e meio de diferença pra terceira) reclamava que ninguém queria ir ao parquinho com ela. Ela ainda era criança, com vontade de brincar, e nós já estávamos com outros interesses. Então ela ficou meio que “criança única” por um tempo.
A conclusão, portanto, é que não tem conclusão nenhuma. Qualquer diferença de idade entre irmãos é linda! Vejo meninos e meninas quase adolescentes receberem um novo irmãozinho com o maior fascínio do mundo (e, sim, ainda com algum ciúme), e vejo bebezões se encantando com as caretas de um recém-nascido. Filhos são bênção, irmãos também, então o melhor momento para virem é quando o casal sentir que é a hora. Ou, simplesmente, quando eles decidirem vir.