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segunda-feira, 20 de maio de 2013

As últimas de Emília

Da Margarida não vou falar porque passei manteiga nela, botei uma maçã na boca, assei no forno e comi na janta. Ô, mas que dá vontade...

Margarida ainda não fala, e Emília há tempos vem falando como adulto, então as pérolas têm rareado. Mas ultimamente ela soltou umas que eu tive de registrar.

Ela anda numa fase girlie total. Tudo rosa, só gosto de meninas, não gosto de meninos, mamãe, eu não gosto do papai porque ele é homem e coisa e tal. Daí ela me chega:

- Mamãe, quando eu crescer, vou casar com o fulano.
- Ah, é? O fulano lá da sua escolinha?
- É.
- Ele é legal, né?
- É.
- E me diga uma coisa: ele sabe que vai casar com você?
- Ele fala todo dia que gosta de mim.
- Ah, é? Que legal... ...mas então quer dizer que agora você também gosta dos meninos?
- Não, só do fulano.

+++

Margarida e Emília brigando pela garrafinha da Minnie. Na jogada, a garrafinha preterida - a da Moranguinho. Emília, com todos os argumentos do mundo, põe fim à discussão:

- Margarida, olha só. Você tem blusa da Minnie e chinelo da Minnie. Você tá toda vestida de Minnie. Eu não tenho nada da Minnie, só essa garrafinha. Então você vai ter que aprender a gostar da Moranguinho.

+++

Emília veste uma blusa com uma menininha estampada e uma flor de aplique, super amassada. Ela apalpa a flor e grita pra empregada:

- Ô fulanaaaaaa!
- Oi!
(e aí ela começa a falar com educação)
- Sabe, essa blusa, quando ela sujar e precisar lavar, aí você passa essa florzinha aqui, porque ela está meio fechadinha, olha.

Juro que não fui eu que mandei ela dizer isso.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Três anos

Ela vai à gaveta, pega dois protetores de tomada. Pega um banquinho, sobe, e enfia os protetores em duas tomadas totalmente inacessíveis.

- Eu tô pondo esse plotetor de tomada é pá Margarida não se chocar!

+++

Falar em como ela cresceu neste último ano é um clichê inevitável. E como meu amor continua incondicional, sem apesares, sem pesares. E como todo o cansaço vale a pena, se é que temos penado.

E para não sermos piegas, deixo que ela, com seu humor, escreva este post. São declarações feitas nos últimos 6 meses.

+++

- Papai, você fica feio de barba.
- Emilinha, não se diz pra uma pessoa que ela é feia. A gente fica triste.
- Tá bom. Papai, quando você tá de barba, a barba fica feia. Quando você fica sem barba, você fica bonito. Falei direitinho?

+++

Olhando uma capivara à beira da poluidíssima lagoa da Pampulha. Sozinha, imóvel, num sol escaldante. Eu discutindo com meus sogros se ela estava morta ou adormecida. Concluímos que estava morta. Poucos minutos depois, ela sacode a cabeça, se levanta e começa a andar. Emília soluciona o mistério:

- Ela estava morta, mas agora ela desmortou!

+++

Na casa da bisavó, fuçando na mesinha de canto. Vê a foto do bisavô.

- Quem é esse?
- É o bisavô, ele já morreu...
- Por que ele morreu?
- Ele já estava velhinho.

Intrigada, ela aponta para um tio-avô:

- E esse aí, por que ainda não morreu?

+++

Cresça, minha filha! (e continue matando a gente de vergonha...)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Emília feminista e outras

Emília vendo fotos de quando eu era criança. Eu e meu irmão na foto:

- Olha, os dois! Não, os dois não purtê você é mulher. As duas.

E o pai:

- Emilinha, quando tem um homem e uma mulher, a gente fala "os dois".
- Pur tê?

...

+++

Fomos a uma loja baratex e compramos algumas roupas pra Emília.

- Emilinha, me diz quanto custou essa blusa?
- Dez Errais!

+++

E mais uma que não podia passar:

- Emilinha, você está muito cri-cri.
- Qui-quiança.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Terrible ou hilarious twos?

Tudo depende do ponto de vista.


Emília mandona

O pai chegou à creche para buscar Emília, o estacionamento estava lotado. Então ele parou em uma vaga paralela, com uma cerca viva ao lado que mal permitia abrir a porta do passageiro. Emília chega ao carro e reclama:

- Pur tê você palô ati?
- Porque o estacionamento estava cheio, Emilinha.
- Tá não, olha lá, tem dois - e aponta para o monte de vagas que surgiram depois que o pai chegou. - Da póxima vez você pála lá, tá bom? Purtê ati fita muito apertado pá Emília subir.


Emília mandona 2

Ela chega da escola, estou com Margarida no colo, fazendo inalação.

- Eu telo a mamãe.  
- Quando eu terminar a inalação eu fico com você, ok?
- Não! O papai faz a inanação na Mardalida, você fita tom a Emília.


Emília EMO

Fomos levar Margarida ao pediatra e esquecemos o lanche da Emília. Então falei que se ela tivesse fome, na volta poderíamos comprar uma salada de frutas na lanchonete ao lado. Saindo do consultório, ela pediu a salada. Morremos 5 contos na lanchonete e sentamos na mesinha:

- Não telo a salada. Telo pão.

Não comprei pão, disse que se ela estivesse com fome, que comesse a salada. E começou a choradeira, que durou até já estarmos todos no carro.

- Eu telo pão!! Aaaaaahhhh!! Telo pão!!! - funga, funga.

Para distraí-la, comecei a cantar uma música que ela adora:

- Boi, boi, boi, boi da cara rosa, pega essa menina que é muito carinhosa...

Silêncio.

- Canta, Emilinha!

- Não, eu tô cholando.



Emília aparecida

Estavam aqui minha irmã e minha prima, aquela farra na cozinha. Alguém estava brincando com uma bola de plástico, que foi bater em cheio na testa de Emília. Todos caíram na gargalhada.

- Todo mundo riu! Todo mundo riu!

Então entregou a bola pra tia e pediu pra repetir a dose:

- Adola todo mundo vai rir de novo, té vê?

E, óbvio, todos riem.

- Todo mundo achou daça! (graça)


Emília enrolona

Taí, esta eu acho que é a marca dos dois anos: a enrolação. Impressionante como essas crianças são especialistas na arte de embromar. E Emília, sagaz, descobriu exatamente quais as coisas que nunca negamos, para pedir estrategicamente quando não quer dormir, ir embora ou parar de fazer o que está fazendo.

Hora de sair da casa da vovó?

- Tô tom fome. Telo almoçá.

Nas primeiras vezes, eu procurava algo pra ela comer, morrendo de medo de a menina passar fome. Trou-xa!

Não quer dormir?

- Telo fazê xixi.

E lá vou eu levá-la pro vaso. Passa um, passam dois, três minutos. E parece que a menina tá desfraldando agora, porque nada de xixi. Tiro do vaso, vou levá-la novamente pra cama.

- Telo fazê xixi.

Na terceira vez, quando percebo que ela está quase dormindo no vaso, a gênia aqui percebe a estratégia.

E a última, quando quer ser carregada no colo:

- Minha pernas tá doendo. 


Emília independente

Com essas repetidas crises respiratórias de Margarida, nós ficamos muito cansados e convocamos os amigos e familiares para fazerem programações com Emília. Ela tem adorado.

Ontem, foi a uma festinha de aniversário com um casal de amigos que tem uma filha alguns meses mais nova que Emília.

Quando chegou, perguntei:

- E aí, Emilinha? Como foi a festa?
- Foi malavilhosa!

sábado, 28 de abril de 2012

A morte, as minhocas e outras gracinhas

Emília anda intrigada com a morte. Começou com um livro (maravilhoso, super recomendo), "Fico à espera" (Davide Cali e Serge Bloch, Cosac Naify). Não é especificamente sobre a morte, mas sobre os ciclos da vida. No livro, a esposa do narrador morre e expliquei pra Emília que é porque ela tinha ficado muito velhinha e foi morar com o papai do céu. Pra nós essa explicação é a mais pura verdade, porque cremos nisso.

- Tando eu for bem velhinha, eu também telo ir molá tom o papai do céu!

+++

Ontem ela estava mexendo no minhocário.

- Emilinha, deixa eu pegar essa minhoca pra ela não fugir.
- Ela vai morrer? - ela sabe que as minhocas não sobrevivem fora da caixa, elas secam.
- Vai.
- Ela vai molá tom o papai do céu?
(risos internos)
- Vai.
- Se Deus tisé. (quiser).

+++

No carro, Emília começa a monologar:

- A pizzalia é ludá (lugar) di tomê pitas... A sovertelia é ludá di tomê soverte.

- E o que mais, Emilinha?
- ...
- A padaria?
- A padalia é ludá di tomê pão.

E conferindo se já estava bom pra nós:

- Esteci alduma toisa?

segunda-feira, 9 de abril de 2012

TOC - e oração de uma lactente

Emília e o pai vieram da creche com duas bananas. Coloquei-a pra dormir e, durante a soneca, preparei a mesa com uma das bananas ainda com casca dentro do prato. Ela acorda e vem conferir o lanche:

- Essa não é a minha banana. Essa é a do papai.

Lá vou eu trocar as bananas, enquanto Emília explica pra irmã o que está acontecendo:

- Mamãe pedou a banana errada, Marralida.

+++

Sentada no vaso, junta as mãozinhas.

- Emília ola e você repete. Papai do céu, obidada pulesse dia, obidada purtê a mamãe tá ati, purtê a Marralida tá ati, purtê o papai tá ati, em nome de Jesus amém.

Junta de novo as mãozinhas:

- Ah! E purtê a Emília vai mamá.

domingo, 4 de março de 2012

Fala, Emília

Ópolis

Depois que Emília viajou pra "Pirinópeles", ela agora brinca com os "ótulos", anda de "ticítolo" e desenha com o "lápilis".

Argumentando 1


Ela volta da creche e quer mamar.

- Emilinha, primeiro você vai ao banheiro.
- Não, eu telo mamá pimêlo.
- Não, meu amor, primeiro tem de ir ao banheiro.
- Mas mamãe, Emi não vai fazê xixi em cima de você!

Argumentando 2

Levando Margarida ao pediatra, numa consulta de emergência, à noite:

- Emilinha, você vai ficar aqui em casa enquanto nós vamos levar Margarida ao médico. A tia Lídia vai colocar você pra dormir.
- Não, eu telo ir também!
- Mas meu amor, vai ser chato, vai demorar, você não vai gostar.
- Não, eu telo tentar!

Argumentando 3

- Emilinha, tira essa faca da boca.
- Massss Emi tá tomano tuidado!!

Argumentando 4

- Emilinha, não faz isso.
- Masss Emi tá fazeno!

Machista?

- Tadê o papai?
- Tá montando o inalador.
- Você não tonsidiu (conseguiu) montá?
- Não.
- Putê você é mulhé?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A televisão me deixou burra

Emília sempre foi uma criança com o desenvolvimento bem na média: sentou aos 6 meses, andou aos 12 – só engatinhar é que foi um pouquinho depois da maioria dos bebês, com quase 10 meses. No entanto, um traço do desenvolvimento dela que eu acho notável para a idade é a competência lingüística (oi, Dr. Caramujo!).

Posso dizer que ela fala tudo. Coordena orações, usa conjunções, preposições, constrói frases com orações subordinadas, domina os principais tempos verbais, usa o plural, faz concordância de gênero e número. Claro que alguns fonemas ainda não saem (o “G”, como em gato, sai “D”, e o “K”, como em carro, vira “T), o vocabulário ainda tem muito o que crescer, ela não usa o subjuntivo dos verbos, mas, né? Ela acabou de completar dois anos e tem muito o que aprender nos próximos anos.

Mas percebo que ela começa a dominar construções complexas como aquelas que incluem noções de tempo e sequência. Ainda antes de completar dois anos, ela soltou a seguinte frase:

- Tchau, vô fazê xixi nu penito. Vô sidulá (segurar) a Abelinha entanto (enquanto) isso.

Ontem ela queria ler um livro, depois disse que ia pentear meu cabelo. Daí eu perguntei:

- Você quer ler o livro ou pentear meu cabelo?
- Té pintiá o seu tabelo entanto lê o livo.

E ela fala também: “Vô jantá antis di mamá. Vô jantá pimero”.

Mas, finalmente, pra quê toda essa babação de ovo sobre a própria cria?

+++

Não acho que Emília seja super dotada, e sei também que as crianças se desenvolvem em ritmos muito próprios: uma tem as habilidades motoras fora de série, outra é muito boa em associações, outra fala mais que papagaio. Isso não significa que uma seja mais inteligente que a outra, apenas têm ritmos e aptidões diferentes.

Mas, além daquilo que é intrínseco à criança, existe a influência do meio. Sabemos, como mães, que a maneira como estimulamos nossos filhos pode ajudar um talento a aflorar ou a murchar. E eis minha tese: acredito que parte do bom desenvolvimento linguístico de Emília se deve ao fato de que ela não vê televisão.

(Nota: sabemos que vários fatores podem levar a criança a falar um pouco mais tarde, tais como bilinguismo, timidez, chupeta etc., e o fato de ela falar um pouquinho depois da média não é necessariamente sinal de algo errado. Mas podemos, sim, estimular a fala e a capacidade comunicativa da criança.)

Quando digo que ela não vê televisão, leia-se: ela assiste a DVDs de desenhos infantis na casa dos avós (na verdade, quase sempre ela pede uma VHS dos 101 Dálmatas) e fica na sala nas raras vezes em que o Rafael vê um jogo de futebol pela TV. Somando, ela deve passar em torno de 2 a 3h semanais diante da tela.

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Parece clichê o discurso sobre os males da televisão, coisa ultrapassada. A gente viu tanta porcaria e ficou tudo bem... E tem coisa boa na TV também, oras! Inclusive coisa dita educativa.
Reconheço o valor de muitas produções audiovisuais e defendo que o cinema e o vídeo oferecem ricas possibilidades para manifestações artísticas. O longa de animação 101 Dálmatas, por exemplo, que Emília adora, é lindo, muito bem desenhado e com uma trilha sonora ótima. Assim são muitas outras produções para crianças, e é importante que elas também tenham contato com as formas de expressão do tempo em que vivem. Ninguém vai ficar só apreciando escultura grega ou recitando Camões para todo o sempre.

O grande problema da televisão é que ela é altamente hipnotizante. Para nós, adultos, mas especialmente para crianças pequenas. É uma atividade passiva, e não interativa.
Quando Emília está lá vendo o “fime do auau”, não dá pra conversar com ela. Tento colocar meu rosto bem na frente dela e olhá-la nos olhos, pra ver se chamo sua atenção, mas ela desvia a cabeça pra enxergar a televisão. E Margarida, com 4 meses e meio, se contorce toda pra enxergar a tela quando está ligada.

O tempo gasto diante da televisão é um tempo desperdiçado, durante o qual a criança poderia estar realizando qualquer atividade que contribuísse para seu desenvolvimento: lendo um livro, montando um quebra-cabeça, jogando jogo da memória, desenhando, brincando no parquinho, brincando de casinha, jogando bola. Todas essas atividades trabalham facetas importantes do desenvolvimento infantil: motricidade, cognição, competência linguística, competência relacional.
Realmente é muito prático deixar uma criança na frente da televisão pra ir fazer qualquer outra coisa. E é por isso que eu acho que existe aquela máxima de que criança que vai pra escola cedo se desenvolve mais rápido. Eu acho que a questão não é ir ou não pra escola. A questão é o tipo de atividades que a criança faz durante o dia, e todos sabemos que crianças que ficam em casa, seja com a babá, seja com a mãe, muitas vezes passam grande parte do dia na frente da televisão. Já nas creches, é mais difícil isso acontecer.

É perfeitamente possível criar uma criança com um mínimo (ou zero) de televisão, pelo menos até os dois ou três anos e especialmente quando a criança não tem um irmão mais velho. É necessário, contudo, mudar os nossos hábitos. Porque o tempo que a criança passa vidrada na televisão não é só aquele durante o qual ela está vendo a Galinha Pintadinha. Ela também se desliga do mundo quando nós, adultos, estamos assistindo ao Jornal Nacional, ao seriado ou à novela no mesmo cômodo que a criança. Tanto porque ela tende a olhar para a televisão, mesmo que o programa não seja legal pra idade dela, quanto porque nós estamos totalmente indisponíveis para atendê-las. É só observar o comportamento das pessoas na sala de espera de um consultório quando existe uma televisão pendurada passando não importa o quê.

Claro que ninguém precisa ser absolutamente radical e banir a televisão e o You Tube de casa (apesar de que isso não faria mal e não geraria nenhum trauma para uma criança de 2 ou 3 anos). Mas algumas atitudes são necessárias para preservar nossos filhos do excesso e garantir que eles realizem outras atividades mais produtivas:

Esperar – ninguém precisa colocar um bebê de poucos meses para ver televisão. Mesmo que não haja nenhum adulto por perto para lhe dar colo, conversar ou brincar com ele, um brinquedinho ou qualquer objeto que não seja perigoso para ele é muito mais interessante do ponto de vista do desenvolvimento. Se der pra esperar até dois ou três anos para introduzir a criança à televisão, melhor ainda. Antes disso, ela não traz nenhum benefício*.

Selecionar – é indispensável conhecer aquilo que seu filho está vendo, assistir antes, verificar se não há nada inapropriado para a idade e se os valores que aquele programa transmite são compatíveis com os valores da família. É interessante também escolher programas que tenham qualidade artística, musical, gráfica e um bom enredo. A educação estética começa cedo.

Limitar – por melhor que seja o programa, não dá pra deixar a criança muito tempo diante da TV. Como eu disse acima, é necessário que ela faça outras coisas, se movimente, interaja com outras pessoas. É importante incluir nesse limite o tempo que nós, adultos, assistimos à televisão na presença da criança.

Acompanhar – o principal motivo pelo qual deixamos que nossas crianças assistam a tanta televisão, e precocemente, é para termos mais tempo para nós. Mas se estivermos ao lado deles enquanto isso, podemos diminuir o nível de passividade dessa atividade, comentar, responder às perguntas da criança e conversar com ela sobre aquilo que ela está vendo, tirando algum aprendizado daquilo.

Educar não é fácil. Temos nossos filhos é para cuidar deles, e isso exige uma dedicação muito maior do que comprar os lançamentos dos DVDs infantis e apertar um botão. Não existe atalho: nossos filhos precisam de seres humanos – de preferência nós, os pais.

*Em outubro de 2011, a revista Pediatrics – Official Journal of the American Academy of Pediatrics, publicou um artigo intitulado “Media Use by Children Younger than 2 Years” (O uso da mídia por crianças menores de 2 anos). O artigo conclui que a mídia tem efeitos potencialmente negativos e nenhum efeito positivo conhecido para crianças menores de dois anos e desencoraja fortemente seu uso para essa faixa etária. O estudo também não recomenda que adultos assistam a televisão quando crianças pequenas estiveram no recinto. “Embora programas para bebês e crianças possam ser fonte de entretenimento, não devem ser anunciados ou considerados pelos pais como educativos” (tradução minha).

+++

Um adendo: estou amando os comentários. Quem chegou até aqui, leia o que já escreveram aí nesta caixinha, porque os acréscimos estão riquíssimos.

Só queria esclarecer quanto à relação fala-televisão: óbvio que ver televisão não vai necessariamente postergar o desenvolvimento linguístico de uma criança, da mesma forma que sua abstinência não implica sempre que a criança falará melhor e mais cedo.

Existem uma série de fatores que exercem influência na aquisição da linguagem, e talvez a mais relevante seja a própria constituição genética, neurológica, da criança. Mas acredito (assim como os cientistas do estudo acima) que o excesso de atividades não-interativas e a perda de preciosas horas durante as quais aquele pequenino cérebro deveria estar fazendo novas conexões podem ser fatores negativos nesse processo.

Assim como uma pessoa que treina na piscina todos os dias não vai necessariamente nadar mais rápido que alguém que só treina de vez em quando, mas que é maior e mais forte. Mas que ajuda, ajuda!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Rápido, antes que elas sumam!

Hoje a Sarah fez um post sobre as palavrinhas que as crianças falam do jeito delas e que, de repente, começam a ser pronunciadas da maneira correta. É um orgulho só pra nós, mas dá uma saudade... Porque, cá entre nós: o jeito deles é muito mais bonitinho!

Então corri aqui pra registrar as palavras mais engraçadinhas da Emília, que estão quase sumindo do vocabulário dela:

- pefessora (professora);
- tanda (cama - que já está virando "tama");
- pitinhar (pentear - que já está virando "pintiar");
- almoçada (almofada - que já está virando almofada mesmo);

E a mais fofa, na minha opinião:

- pipininho (pequenininho - que já está virando "petenininho").

sábado, 31 de dezembro de 2011

Em vez de feliz ano novo, simplesmente boa noite

Pela segunda vez desde que me entendo por gente, passarei o ano novo dormindo. Assim que acabar de escrever este post, vou escovar os dentes, me deitar e só acordar em 2012 com Margarida resmungando no berço. Sim, porque, assim como no ano passado, os fogos da meia-noite não me acordarão. E viva o ouvido seletivo!

Ano passado eu tinha um bom motivo pra virar o ano adormecida. Este ano, tenho dois.

Se eu fosse supersticiosa, em vez de calcinha colorida pra dar sorte, recomendaria a todas vocês que passassem o ano novo na cama. Porque 2011 foi porreta demais.

+++

E pra fechar 2011, as últimas da boneca falante.

Depois de acordar da soneca da tarde, com o cabelo todo desgrenhado e uma cara de pouquíssimos amigos. Emília vê então Margarida no tapete, dá-lhe um beijo e um carinho e solta: - Madarida, você tá bunita dimais!

Em frente ao parquinho, eu e Rafael sentados no banco e ela sai andando por aí. Rafael vai atrás:
- Não, papai! Fita aí nu banto tom a mamãe (fica aí no banco com a mamãe). Vô toprá toisas. (Vou comprar coisas).
Ela segue andando, e o Rafael continua atrás:
- Não, papai! Fita aí tom a mamãe! Eu já volto.

Na loja de brinquedos, ela pega um brinquedinho de bebê da estante e oferece à irmã:
- Toma Madarida, Emi toprô pá você.

Ao ver um calendário que minha cunhada mandou fazer com a foto do meu sobrinho:
- Ti dacinha (que gracinha)! Adorei!

O Rafael é quem normalmente coloca Emília pra dormir. Quando ela pede pra ficar comigo, ele argumenta: "Pôxa, Emilinha, papai trabalhou o dia inteiro, está com saudades de você". Dia desses ela estava com ele e me queria:
- Mamãe voltô du tabaio, papai! Tá tum saudadi da Emília.

E hoje eu ia levá-la pro banho, quando Margarida começou a chorar.
- Emilinha, vou ter de ficar com a Margarida.
- Não, mamãe! A mamãe tomá banho junto a Emília!
- Emilinha, a Margarida precisa da mamãe.
- A Emília também picisa da mamãe.

Posso morrer?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

E ela continua falando...

Eu ou a vaca?

Toda vez que volta da creche, a primeira frase que Emília diz é "Té mamá pêto mamãe". Mas ontem foi diferente. Ela entrou pelo corredor pedindo:

- Té lêti di vata! Tê cial (cereal) lêti di vata!


Cabeleireira


Depois do banho, eu penteando os cabelos de Emília:

- Deixa eu pitinhá seu tabelo, mamãe.
...
- Tabelão!
...
- Tá bunita, mamãe!

(Se eu não tivesse Margarida pra cuidar, tinha ficado ali a noite toda... tava tão gostoso que eu quase dormi ali.)


Gorda?


Emília sem blusa, aperta uma dobrinha da barriga:

- Bãinha, mamãe!

Ainda se fosse a minha...


Não dá certo


Toda vez que Emília inventa uma moda maluca, a gente diz: "não dá certo".

Eu dando o mamá da Margarida, ela arrasta uma cadeirinha pra perto de mim, segurando um livro na outra mão:

- Té lê. Té lê sentada assim. - e senta com a barriga virada pro encosto. E conclui:

- Num dá ceto.


Feio?

Rafael vai buscar Emília na creche de camiseta e bermuda de skateiro. Emília olha praquilo e dá sua opinião mais sincera:

- Papai não tá bunito.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Conversas com Emília

Era uma casa muito engraçada

Com Emília na janela, mostrando a chuva a ela. Ela aponta para um prédio qualquer:

- Tasa moço.
- Isso, é a casa do moço. O que tem na casa do moço ?
- Tapete.
- Muito bem, tapete. E o que mais?
- Chuva.
- Chuva, muito bem. E o que mais?
- Teto.
- Muito bem. E o que mais?
- Auau. - hesitou e mudou de ideia. - Não, não tem auau. Tem dato. (gato)

Chapeuzinho vermelho

Contando a Emília a história da Chapeuzinho vermelho:

- A mamãe da chapeuzinho fez uma cesta de...
- Doces.
- E pediu pra chapeuzinho levar para a...
- Vovó.
- A vovó morava lá do outro lado da...
- Paneta! (planeta)*

* Minha sogra viajou pra Tailândia mês passado e o Rafael dizia que ela estava do outro lado do planeta. Faz todo o sentido, né?

(...)

- O que que o lobo fez com a vovó?
- Tomeu.
- Isso, depois ele pegou e vestiu a...
- Tôta.
- Isso, vestiu a touca da vovó. E o que mais?
- A busa. A taça. (a blusa e a calça. Era pra ser a camisola...)

Emília e Margarida

De manhã:

Dia 1
- Demais! Demais! A Maida é demais!

Dia 2
- Emilinha, vem ver a Margarida!
- Todô! A Maida todô!
- É, a Margarida acordou...
- Oi, Maida! Tainho. Beijo. Maidá, Maidáaa! Minha fô!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Qual é a música?



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Falatório matinal

Muitas mães já devem ter reparado que os filhos parecem mais inteligentes depois do sono. É impressionante: eles vão dormir e acordam com novas habilidades motoras ou novas palavras. E isso vale até pras sonecas diurnas.

Hoje de manhã Emília acordou tão falante (será que encontrou o Dr. Caramujo nos sonhos?) que quase arrumei um palanque pra ela fazer um discurso:

- A Maida tá cholando não. A Maida tá filiz.
- Mamãe tá tum sede. Mamãe tomá ábua. A Maida não toma ábua. A Maida toma leite mamãe.

+++

E o que é melhor que o sorriso de um bebê?

O sorriso de um bebê acompanhado pela fala da irmã:

- Ah, soíso! A Maida deu soíso!

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"Mamãe tem dois nenéns!"

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Emília lendo (era pra ser Emília cantando)


No meio da música, logo depois de "bêsh" (bichinho) ela vê pela janela o letreiro de uma escola de inglês. Começa a soletrar e é novamente distraída pelas letras impressas na máquina fotográfica. Se a gente não lê pra ela, é tudo T, O, T, O...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Só os pais entendem os filhos

Tem aquelas palavrinhas perfeitas que ela fala: não, mão, pão, mamão (percebam que ela gosta dos “ãos”), papai, mamãe, mamá, peixe, pé (quase, ela fala algo como “pê”). Mas grande parte do vocabulário de uma criança de 1 ano e 5 meses ainda é ininteligível para os leigos.

Me digam o que significa “papá”. Quem pensou em papar (comer) errou. Quem pensou papai, errou também. Acertou quem disse tampar. Mas só quem vê Emília com o copinho na mão, apontando pra tampa e exigindo papá poderia saber disso.

E tem aquelas palavras cuja pronúncia é quase idêntica, mas que significam coisas diferentes:

- Tsêtsê = sentar
- Tsatsê = Caqui
- Tetê = Tetê, a Teresinha amiga dela.

Perceberam a sutileza?

E “ptão”, o que seria? Cavalo, óbvio. Porque se o cachorro faz auau e é auau, o cavalo faz pocotópocotópocotó = ptoptopto = ptão, porque Emília ama “ão”.

É impressionante como entramos tão facilmente nesse universo comunicativo dos nossos filhos pequenos e conseguimos nos compreender tão bem, com as devidas limitações. Eles arrumam maneiras incríveis de se expressar.

Como Emília diz “o papai vai dirigir o carro”? Ela aponta pro banco do motorista, diz “papai”, e solta um “pffffffff” (é, gente, o carro faz pfffffff). Volto com ela da creche e escuto um “môoooooo”. Quando olho pela janela do carro, vejo a foto de um boi na fachada do açougue. Depois ela começa a abanar a mão e falar: “tents, tents!”. Olho pro lado e vejo a fumaça levantada pelo churrasquinho de rua. “É, meu amor, é quente!”.

Como é deliciosa essa fase de aquisição da linguagem!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pamãe e Mãpai

Ontem me esqueci de mencionar outras duas palavrinhas dignas de nota: pamãe e mãpai. Além de falar papai e mamãe normalmente (com variações: papêi, mamêi, papaish, mamãish), Emília vira e mexe solta esses híbridos. Como já faz tempo que ela fala isso, resolvi deixar registrado antes que ela canse. Ela ama o pamãe e a mãpai dela... (ou seriam a pamãe e o mãpai?).


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Imagino que seja normal da idade apontar pra figuras masculinas e dizer "papai" e apontar pra figuras femininas e dizer "mamãe". Às vezes eu explico: "é o menino", "é a moça", mas tem uma imagem em particular que eu não posso contestar: só podem ser mesmo o papai e a mamãe.


Lá em casa temos alguns pôsteres de filmes pendurados na parede. Um deles é do italiano Bianca, do Nanni Moretti.



Quem conhece o Rafael não me deixa mentir: não é a cara do Nanni Moretti barbudo?


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E logo acima desse tem um pôster de La Dolce Vita com o Marcello Mastroianni ao fundo fumando um cigarro. Esse, segundo Emília, é o "uôuô". Qual deles, não sei. Nenhum dos dois fuma, mas pelo visto Emília acha que são uns galãs.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ão e mnã

Emilinha é mesmo lusófona. A primeira palavra que ela pronunciou perfeitamente foi “pão”. Logo em seguida veio o mamão, depois a mão e, a nova moda: o não.

Esse “ã” nasal, que os hispano-hablantes, os anglófonos, enfim, a maioria dos gringos penam tanto para pronunciar, sai com naturalidade da boca dos nossos brasileirinhos.

E ela gosta tanto de falar os “ãos” que sai por aí repetindo sem propósito: “pão, pão, pão, pão...” Mesmo que esteja com a boca cheia de pão.

A mão, ela pede quando está sentada na cadeirinha do carro. Estica a mãozinha dela e solicita a minha. Depois segura com a maior cara de satisfação e muitas vezes dorme assim. Também pede mão quando resolve que não quer caminhar sozinha, quando quer andar um pouco mais rápido, quando tem uma rampa ou um degrau no caminho, quando quer nos levar pra algum lugar...

E o não? Ah, o não... Como essa palavrinha parece dar prazer!

- Emilinha, dá um beijo no auau (de pano).
- smack!
- Agora dá um abraço.
- Não (balançando a cabeça pros lados).

O engraçado é que algumas palavras que parecem bem fáceis, como banana (ela sabe falar muito bem o “ba’ e o “na”), ela prefere falar ao seu modo. Mnãmnãmnã... ad eternum. É a “palavra” preferida.

Ela acorda, mama, depois pede “esxê” (descer), depois “mão”, depois nos leva pra cozinha recitando “mnãmnãmnãmnã....”

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Emília e os animais

Reza a lenda que a primeira palavra de Emília foi au-au. Tanto o Rafael quanto minha mãe juravam que, quando Emília via um canídeo, apontava e dizia “au-au”. Daí vinham me mostrar, e eu só ouvia “pssaoablablo”. E eles: “viu? Au-au”. Ok.

Daí um belo dia realmente ouvi Emília dizer algo parecido com au-au ao apontar pra um cachorro. Era algo mais do tipo “auá”. Mas nessa época ela já falava mamã e papá, então não perdemos nosso lugar pra uma besta.

Diga-se de passagem que “au-au” sequer é uma palavra. É uma onomatopeia que nem de longe lembra o som que os cães fazem. Não sei quem ensinou isso pra ela. Eu sempre digo “olha o cachorrinho!”, ou “olha o Rottweiler”, ou “olha o Golden Retriever, o Poodle, o Lhasa apso”, enfim, qualquer coisa menos primitiva que “au-au”. (Mentira, gente, eu não entendo nada de cachorro, nunca tive um, só sei que Dálmatas têm manchas). Chamo tudo de cachorro mesmo, e pombo é pombo, e pardal é pardal, as aves cuja sub-espécie eu desconheço são passarinhos e não tem nada de au-au nem de piu-piu. Mas pelo visto estou sozinha na minha crença de que chamar cachorro de au-au é coisa de retardado.

Mas eis que ela gostou desse negócio de “auá” e tudo o que anda, voa, nada ou rasteja ganhou esse apelido. Cachorro é “auá”, gato é “auá”, pombo é “auá”. E peixe? “Auá”.

Daí dia desses fui pegá-la na creche e, como de praxe, deixei ela curtir um pouco o aquário antes de ir embora. “Auá!” Peixe com codinome de auá deixa a dúvida: será que ela não estaria dizendo água?

Chegando em casa, perguntei: “Meu amor, o que foi que você viu hoje na sua escolinha? Foi o peixe?”. Ela responde prontamente: “auá!”

Mas os animais não apenas têm nome como também fazem barulho. E o som dos animais é sempre “wraaaaaa!” Começou nos idos de 2010, em uma visita ao zoológico. O leão, lá no fundo de sua cova, repousava com a maior cara de pastel e nenhuma emoção. Não queria que minha filha conhecesse o rei da floresta nessas condições, e tentei provocar a besta: “LEÃAAAO!! Ô LEÃAAAO!! Dá uma rugida aí pra Emília ver!!”. E nada. Então eu tive de improvisar e substituir a voz da fera: “WRAAAAW!!”. E ela achava a maior graça e repetia: “wraaaa!!”. Saí de lá perguntando: “Milinha, como faz o leão?” E ela: “wraaaa!”.

Daí Emília ganhou de aniversário da Lu um livrinho com a foto de vários animais e a palavra referente ao barulho que cada um faz. Pra vaca, muuuu, pra ovelha, béeee, pro cachorro au-au, e assim sucessivamente. Ela curte à beça. A gente faz a maior sonoplastia e ela, a maior festa (apesar de que ninguém consegue me convencer de que porco faz “óinc”. O nosso porco faz um barulho igual ao de um gordo roncando). Ela até ensaiou repetir um “béee”, que ficou mais pra “báaaa”, mas quando está “lendo” o livro sozinha, adivinha que som os animais fazem? O cachorro: “wraaaa!”, o gato: “wraaaaa!”, a vaca: “wraaaa!”.

E aí eu pergunto: “Emilinha, como faz a vaca?” “Wraaaa!” E como faz a ovelha? “Wraaaaa!” E como faz o papai? “Wraaaaa!”.

E a mamãe, como faz? “Wraaaaa!”. É. Essa faz assim mesmo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Blabluagua

Leio muito pelos meus blogs preferidos listinhas das palavras engraçadinhas que os bebês falam. Tipo "abua = água", e por aí vai. Obviamente Emília ainda não chegou a este nível de evolução, mas eu sim, aparentemente cheguei a este nível de involução.

Agora que Flóris começou a balbuciar fonemas mais elaborados, talvez seja a hora de começar a falar direito. Ela não, eu. E a lista é minha mesmo:

- Quicesa = Princesa
- Olus nos meus olus = olhos nos meus olhos
- ula = olha
- muto lida = muito linda
- platinha = plantinha
- Zitcha, Zizitcha, Ziribonga, Flóris Lóris = Emília

Sem contar que ando falando o "r" igual Gringow, tipo "vamos trocar a frwalda, Corwação?", ou "ai que frwio!"

Será que tem problema?

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