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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ser mãe - como continuar

Antigamente era mais fácil engravidar. Digo antigamente em relação à minha própria história. Ali, quando eu tinha 26 anos. Não, não estou falando de óvulos mais jovens. Falo de um tempo em que a imagem de um filho era apenas uma alegria ingênua, e os problemas se resumiam a como trocar uma fralda ou quantos bodies comprar para o enxoval.

Mas não caiamos naquele lugar comum, falando de "maternidade real", com todo aquele discurso de como tem coisa chata na maternidade. Isso todo mundo sabe, e só precisa ser dito a título de desabafo.

O que mudou para mim depois da maternidade, o que eu chamaria de o choque de realidade, foi minha consciência em relação ao mundo. Não aquele discurso adolescente - necessário na adolescência, mas também necessária a sua superação - de que "não vamos botar filhos neste mundo cruel". É uma consciência indignada, que não se contenta em reclamar como tudo é ruim. É uma consciência que se condói, que se enche de misericórdia, que chora e que chama à ação. Foi-se o tempo em que, para mim, uma propaganda de Coca-Cola era só comunicação. Foi-se o tempo em que uma piada dirigida a uma parturiente era só diversão. E em que a proibição de doulas em maternidades não me remetia a um regime ditatorial.

Hoje minha diarista me ligou dizendo que sua filha de 5 anos está internada por uma crise de diabetes. Só come alimentos com alto teor de açúcar, gordura, sódio, e de baixo valor nutricional. E não venham me dizer que a culpa é da mãe, que tem de ralar dia e noite pra segurar a casa, que não tem nenhuma informação sobre as consequências do consumo de alimentos industrializados e que vive numa realidade em que tem pouca escolha.

Como continuar? Como se deixar fecundar sem pensar na violência generalizada que sofrem nossas crianças dia a dia?

Mas seguimos. Porque sempre há esperança. Cuidemos dos nossos brotos, para que cresçam, floresçam e não repitam os erros das gerações anteriores.

Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Sl. 127:3

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Retrospectiva

Ontem caminhava com o marido pelas redondezas do meu apartamento. O fim do trajeto de ida dava na rua de um restaurante de massas.

- Amor, lembra quando viemos aqui ano passado, logo antes das férias? Viemos comemorar não sei o quê, acho que o meu fim de curso. E veio um cara vendendo mel. Eu agradeci e disse que iríamos viajar. Ele disse: "leve de presente!". Eu respondi: "não, a gente vai pra Argentina. Não conhecemos ninguém lá."

E continuei contando a história. Naquela mesma semana, fomos ao Outback celebrar a diplomação da minha irmã. No dia 30 de novembro, embarcamos pra Buenos Aires. Foram umas férias boas, compridas e esperadas. 2008 tinha sido um ano muito difícil pra mim. Muito stress e pouca esperança.

Passamos a viagem sem anticoncepcional. Um mês para tentar, disse a médica. Porque aparentemente havia uns cistos no ovário que precisavam ser tratados, e o tratamento começaria depois das férias.

No avião, eu ia rabiscando umas palavras sem sentido num pedaço de papel. Algo sobre voltar com alguma coisa no ventre. O Rafael lia e se emocionava.

Na época, eu tinha quase nenhuma informação sobre concepção. Então enchi a cara de vinho, cerveja, batata frita, macarrão e pizza. Não fiz tabelinha; fiz rafting. Bebi e comi pacas, curti a viagem e engordei 3kg.

De volta da Argentina, ficamos dois dias em Brasília antes de embarcarmos outra vez para passarmos o recesso de natal em Fortaleza. Dias 22 e 23 de dezembro estivemos em Paracuru, praia deliciosa ali perto. E naqueles dias senti umas colicazinhas e fui à farmácia comprar um Tylenol. Algumas horas depois, desce o sangue, com uma semana de atraso. Eu e o marido um pouco chateados, não tanto por não ter sido daquela vez – era a primeira vez que tínhamos relação sem proteção e não fizemos nada pra facilitar –, mas porque a médica prometia três meses de anticoncepcional antes de começarmos as tentativas pra valer.

Janeiro de 2009. Volta ao trabalho e anticoncepcional de uso contínuo. Dieta radical, cortei totalmente o álcool e os carboidratos simples. Com o fim das férias, todos os sentimentos ruins que me assombraram em 2008 foram voltando. As crises profissionais e acadêmicas. A falta de perspectiva para o futuro. E eu detestando outra vez o ano novo, porque não havia nada de novo. Dia 15/02 completei 27 anos, exausta e quase triste.

Março. Ecografia e exames de sangue. Tudo perfeito. Ovários limpos, hormônios normais. Tomei apenas duas pastilhas da 3a e última cartela de anticoncepcional e a médica me autorizou a parar. Voltei feliz, feliz do consultório.

E dá-lhe a pesquisar sobre concepção. Dieta mega saudável, os quilos a mais indo embora. Até o marido entrou no esquema.

Abril de 2009. Primeira menstruação depois de interromper a pílula. Chamei uns amigos lá pra casa e quebrei o jejum de álcool com uma tacinha de Malbec.

Feriado de 1o de maio. Marido e eu fomos a Pirenópolis. De acordo com meus cálculos, um dia depois da ovulação. Ficamos num hotel no meio do mato, e lá havia algumas crianças. Brinquei com duas menininhas capoeiristas de lutar boxe. Recusei cerveja artesanal. Andando nas trilhas pra cachoeira, passamos por uma porteira estreita e o guia explicou: "chamam essa daqui de pega grávida". Gostei da brincadeira, e me imaginei grávida.

Dia das mães. Olhando aqui no calendário, vejo que caiu dia 10/05. Na igreja, distribuíram vasos de flores para as mães, e eu doida pra fazer um teste de farmácia. Mas era cedo. Fomos comemorar a data num restaurante escolhido pela minha mãe. Instalaram um pula-pula inflável e as crianças faziam a festa. Na saída, distribuíram rosas e minha irmã pegou uma pra mim. "Toma, você é uma grávida em potencial."

Dia 14/05, quinta-feira. Aniversário do meu irmão e data provável da descida do sangue, se meu ciclo fosse de 30 dias. Eu achei que era, mas não tinha tanta certeza. Vontade de fazer um teste, ligar pra ele e dizer: "Tenho um presente pra você. Um sobrinho!". Não fiz o teste porque era caro, porque tinha medo de dar negativo e porque o marido preferia esperar.

Sexta-feira. Fomos caminhar no parque. Eu olhando uma ou outra mulher barriguda, tentando adivinhar a idade delas. "Essa é mais velha que eu, tenho certeza". E namorando os zilhões de carrinhos de bebê, e as crianças no parquinho. Na volta, já escuro, quis passar na farmácia. "Mas não está muito cedo?", perguntou o marido. "Compro agora e faço no fim de semana." Escolhi o teste mais caro, o da canetinha. E disse: "Espero que este seja o último teste que eu compre. Quer dizer: o último antes de ter o primeiro filho, né?".

Lembrei agora que desde a quarta-feira daquela semana eu vinha acordando cada dia mais cedo. Primeiro às 6h, depois às 5h30, depois às 5h. E não conseguia voltar a dormir. Decidi então fazer o teste no sábado de manhã pra acabar logo com aquilo. Passei mal de madrugada e mandei embora todo aquele xixi que deveria ficar não sei quantas horas retido.

Marido acorda no sábado de manhã e me vê dormindo. Ele pensa: "deu negativo e ela não quis me acordar". Foi ao banheiro e procurou o teste na gaveta. Lá estava ele, intacto. Quando acordei, expliquei o que havia acontecido. Nada de menstruação e nada de teste. Ia ficar pro dia seguinte.

Liguei pros meus pais e convidei pra um almoço no domingo. Fiz lasanha. "Mas amor, pra que tudo isso? E se der negativo?". "Se der negativo, fazemos um almoço em família. Nada de mais."

Domingo, dia 17 de maio. Passo a madrugada acordando. A bexiga cheia, e eu segurando. Não sei se foi às 5h, às 6h, mas lá fui eu. Nervosa, com o intestino solto, queria fazer não apenas xixi. E o medo de aquela confusão estragar o teste. E a bexiga tão cheia que o xixi não saía. "Calma, Lia. Você tem controle do seu períneo. Você consegue fazer uma coisa, depois a outra." Fiz meu xixi. E ela apareceu. A segunda listra rosa.

E foi ali que começou meu ano.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Diário de uma gestação - 1o e 2o trimestres, parte I

Ufa! Aqui está uma correria só. Ando pra lá e pra cá com minha sogra vendo principalmente coisas de enxoval. E tem a malhação também: ontem, caminhada e personal. Hoje, 12km de caminhada. E mesmo assim estou engordando muito mais do que deveria. Ó céus!

Demorei a postar porque estava preparando algo especial para as futuras e recém grávidas.

Antes de engravidar, a gente tem um monte de dúvidas: quanto tempo vai demorar? Será que vou saber quando estiver grávida? Como será que meu corpo vai reagir? Os médicos respondem a algumas perguntas, principalmente em relação à preparação para o pré-natal. Mas tem coisa que só mesmo conversando com outras mulheres.

Depois que você engravida, aparecem novas questões: quando vou precisar de novas roupas? Que partes do meu corpo vão aumentar? Que atividades físicas posso fazer? O que devo deixar preparado para a chegada do bebê, e quando? Novamente, os médicos, as revistas, os sites especializados ajudam, mas não resolvem tudo.

Como já comecei a navegar por blogs de mães um pouco antes de engravidar, consegui pescar algumas informações. Mas algumas dúvidas que eu tinha só foram respondidas mesmo com a minha própria experiência de carregar um filho. Então, agora que estou no final do 5o mês e me preparando para o 3o e último trimestre da gestação, resolvi fazer um balanço das coisas que vivi até agora. São as minhas experiências pessoais, então, se você nunca engravidou, pode ser que passe por situações bem diversas. Mas sempre gostei de ouvir os relatos das outras mães, então decidi servir um pouco à comunidade em vez de só ficar pegando dicas nas minhas enquetes (mas elas vão continuar!).

Fiz meu relato em forma de auto-entrevista. Fiz a mim mesma perguntas que eu tinha antes de engravidar e respondi com base na minha experiência até hoje. Brega, mas foi a forma mais organizada que encontrei para compartilhar tudo isso com vocês.

Como o texto ficou muito extenso, precisei dividi-lo. Então hoje vai a 1a parte e amanhã o resto.

+++

LIA ENTREVISTA LIA

Você demorou a conseguir engravidar?

Sim e não. Por razões alheias à vontade minha e do meu marido (pessoais demais para contar aqui), tivemos de esperar mais do que gostaríamos para começar a tentar. Isso nos fez sentir um pouco como aqueles casais que não conseguem engravidar, que ficam olhando as mulheres grávidas e sentindo aquela pontinha de inveja – mesmo sem nenhum problema de fertilidade. Enfim, complexo.

Mas uma vez nosso problema resolvido, engravidei no segundo mês após interromper o anticoncepcional. Ficamos muito felizes de Deus ter nos poupado de uma longa espera, depois de tudo o que já havíamos passado.


Você fez alguma coisa pra acelerar a concepção?

Ah, fiz. Pesquisei um monte sobre maneiras de melhorar a fertilidade e de aumentar as chances de concepção. Adaptei as dietas minha e do meu marido, tratei de perder os três quilos que tinha ganhado no fim do ano passado e passei a anotar tudo o que tivesse relação com meu ciclo menstrual: data em que suspendi a pílula, datas das duas menstruações seguintes e as alterações no meu corpo durante os ciclos (inchaços, cólicas, muco, etc.). Calculei os períodos férteis, dei uma mega margem (principalmente pros dias antes da ovulação) e procurei garantir que estaríamos cobertos nesse período – que, no final, ficou sendo de uns 10 dias, só por via das dúvidas... . Adotamos a filosofia de quanto mais, melhor.

Se ajudou? Não faço a menor ideia; só sei que aqui está a Emília.

Você desconfiou que estava grávida antes de fazer o teste? Sentiu algum sintoma?

Um pouco. Algo me disse que eu estava grávida, até anotei isso no meu diário pessoal. Mas a razão sempre ficava me dizendo para não me iludir sem ter certeza. Aí a gente acha que está grávida, mas prefere não achar demais pra não se decepcionar.

Quanto aos sintomas, foram bem discretos: meus seios incharam um pouco no período ovulatório (normal) e não desincharam mais. Outro detalhe que percebi foram as unhas mais fortes. Mas foi tudo muito sutil.

Que testes você fez?

Fiz o teste de farmácia, três dias depois do atraso da menstruação. Foi um domingo. Teria feito o teste já no primeiro dia de atraso, mas como essa porcariazinha custa horrores, preferi esperar um pouco pra não desperdiçar. Como costumo ser reguladinha, quando fiz o exame de urina já esperava um positivo (claro, sempre com aquela pontinha de dúvida).

Super acredito nos testes de farmácia, então nesse dia mesmo contamos pras famílias. Na segunda cedo fiz o Beta, que deu resultado positivo já às 14h.

Uma coisa que eu sempre me perguntava antes de começar a tentar engravidar era: como faz o exame de sangue? Marca uma consulta e só depois é que faz?

Quem está fazendo pré-natal já sabe: o médico dá um pedido sem data pro exame e você faz assim que desconfiar da gravidez. Oh, que prático!

Como você se sentiu quando seu corpo começou a mudar?

Péssima. Me achava uma baleia. Isso porque eu relacionava as primeiras mudanças no meu corpo a momentos em que eu estive mais gorda. Pensava, por exemplo: “a última vez que meus seios estiveram deste tamanho eu estava 3k mais gorda”; “a última vez que o botão dessa calça apertou eu estava 4k mais gorda”. E quando eu começava a me acostumar com meu novo formato e já estava até me achando bonita, ele mudava outra vez e outra vez eu me achava gorda. E olhem que engordei menos de 1kg no 1o trimestre.

Mas isso foi só até a barriga adquirir a aparência de grávida. Aí as crises passaram, mesmo eu tendo engordado muito mais nos meses seguintes. Porque agora estou mais pesada do que jamais estive, e meu diâmetro abdominal atual só seria atingido em condições normais com uns 50kg a mais. Então parei de relacionar meu tamanho com a gordura e passei a vê-lo somente como resultado da gestação. Hoje estou me achando linda!

Seu cabelo melhorou?

Não! Não é justo! Mas, como disse, as unhas ficaram mais fortes.

Você enjoou?

Praticamente nada. Tive um pouquinho de mal estar um ou dois dias e passei a não suportar mais alguns alimentos que eu já não curtia (cebola, cebolinha, salsa, coentro). Fora isso, me considero uma felizarda.

+++

Por hoje é só! Amanhã falo sobre mudanças no corpo, atividades físicas, dieta e pré-natal.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Desencana!

Este também é para as treinantes.

“Quando desencanei, engravidei.” Já li muito isso por aí e não duvido que, em casos específicos, seja mesmo verdade. Mas não creio que haja uma relação milagrosa entre o estado tô-nem-aí e uma concepção bem sucedida. Da mesma forma, não acredito que a vontade de engravidar seja uma espécie de anticoncepcional natural.

Fico me perguntando exatamente em que consiste esse desencanar. Tudo bem, dá pra tentar colocar a cabeça em outras coisas, não calcular os períodos férteis, não dar a mínima pro muco, namorar quando der vontade. Mas não dá pra se desligar totalmente do fato de que você é uma pré-grávida, não sem ser irresponsável.

Como esquecer que você está tentando engravidar se todos os dias você toma aquela pastilhinha de ácido fólico? Ok, vamos fingir que aquilo é um anticoncepcional de uso contínuo (muita abstração pra minha cabeça, mas tem gente que consegue). Mas essa não é a única mudança na vida de quem está tentando engravidar.

Eu lutava boxe. Sempre me matriculei em pacotes trimestrais, pra ficar mais barato. Aí, na hora de renovar a matrícula, a dúvida: durante quanto tempo ainda estarei apta para um exercício de alto impacto? Logo que parei a pílula, decidi esperar acabar o trimestre já pago antes de mudar de atividade. Não renovei a matrícula e troquei o boxe pelas caminhadas. Tudo em função de uma futura gravidez.

E tem o álcool. Impossível esquecer que você pode estar grávida quando te oferecem uma taça de vinho, ou um choppinho. “Não, obrigada, não estou bebendo.” Alguns perguntam por quê, e você inventa qualquer história do tipo “estou fazendo desintoxicação alimentar” ou “estou tomando antibiótico”.

Outra coisa além do álcool são todas as porcarias que se deve começar a evitar logo que se suspende o anticoncepcional. Frituras, gorduras saturadas, corantes, conservantes... E o cuidado redobrado pra garantir todos os nutrientes necessários para um possível embrião.

Por isso digo que é impossível não estar nem aí. E também não acredito que quem “desencanou” estivesse completamente zen, sem nem pensar na gravidez. Tenho ainda outra teoria: normalmente, a concepção demora mesmo alguns meses para acontecer. No início, é natural que estejamos mais empolgadas com o projeto, pesquisando muito pra aprender sobre tudo aquilo que é tão novo pra nós (pelo menos quando se trata do primeiro filho). Depois, você se cansa de tanta informação e outras agendas vão aparecendo na nossa vida. Isso tem grandes chances de coincidir com o 5º, 6º, 9º mês de tentativas, quando a probabilidade acumulada de gravidez atinge valores mais altos. Assim, creio que essa associação entre estado zen e concepção possa ser, em muitos casos, mera coincidência.

Comigo foi assim: no primeiro mês, a expectativa era maior. Depois, passei a pensar nisso cada vez menos. Mas nunca esqueci que estava tentando engravidar, e não passei um dia sem pedir a Deus que se lembrasse de nós. Calculava direitinho os períodos pré e pós-ovulatório (quando é possível estar grávida sem saber) e, se liberasse uma tacinha de vinho, era só na primeira semana do ciclo. Fui adaptando minha vida para quando chegasse a tão esperada notícia, e não sei se cheguei a desencanar totalmente.

E aqui estou eu, grávida, depois do 2º mês de tentativas “sérias”. Então, se alguém te disser que você não engravidou ainda porque não desencanou, não se sinta culpada. Desencane!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Dicas

Conheci pela rede uns blogs incríveis de mães que já viveram os primeiros desafios da maternidade e que trazem experiências e dicas super úteis para quem está começando essa caminhada. Aí fico toda invejosa: “Poxa, queria ter coisas práticas para passar pros outros.”

A verdade é que não sei nadica de nada. Não sei o que é um cueiro – já me explicaram várias vezes, mas eu sempre me esqueço (parênteses: quando ouço essa palavra, penso em coveiro, bueiro, tudo menos qualquer coisa relacionada a crianças. Ô palavra horrorosa!). Não sei segurar um bebê, não sei nem como manter uma criança viva, quem dirá feliz! Mas, não sabendo hoje, suponho que saberei quando for necessário. Cada coisa na sua hora. Então poderei ser chiquérrima, a mãe experiente cheia de dicas pra dar!

Por enquanto, a única experiência pela qual já passei foi a de tentar engravidar. Então, para aquelas que sonham com um bebê, deixo este texto que escrevi quando estava grávida, mas ainda não sabia. Não é bem uma dica (até porque a última coisa que quem quer engravidar precisa são conselhos), mas espero que agrade às futuras mamães.

O tempo de Deus

Conheci gente que engravidou sem querer. Conheci gente que engravidou quando quis. Conheci gente que engravidou normalmente, depois de uns meses de tentativa, e ainda ouvi dizerem a respeito: “nossa, como ela demorou!”. Conheci casais que engravidaram depois de uma longa espera, depois de vários exames invasivos e tratamentos. E conheci casais que nunca conseguiram engravidar. Uns adotaram, outros preferiram esperar, até desistirem completamente. Conheci mulheres que tiveram um, dois abortos. Conheci mulheres que tiveram gravidez ectópica. Tenho uma tia que teve um natimorto. E essa mesma tia foi mãe aos 38, e novamente aos 40. Tenho outra tia que foi mãe aos 42, e aos 44. E tenho mais outra que perdeu o útero ainda jovem. Minha sogra engravidou do meu cunhado mais novo usando DIU, quando ainda amamentava meu marido. Minha mãe engravidou aos 28 anos pouquíssimo tempo depois de casar, e teve quatro filhos.

Se você é mãe, ou está grávida, e, principalmente, se teve o privilégio de conceber rápido, sem ter de passar por preocupações, ajoelhe no chão e agradeça muito. Como eu faço agora. Essa coisinha é um milagre.

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