Ela incomoda pacas, mas me apeguei a ela. Ontem senti umas pontadas na lombar e no intestino, tipo cólica menstrual, por causa dela. Tive de deitar de lado e amarrar uma bolsa de água quente nas costas, pra depois completar o trato com uma massagem do marido.
Por causa dela, levantar é um sufoco. É como virar de um lado pro outro segurando um saco de batatas de dez quilos. E pra pôr os pés no chão preciso jogar uma perna, depois a outra, fazendo uma curva como se estivesse saltando um obstáculo.
Ela me força a manter distância das bancadas, pedir licença toda vez que preciso me deslocar entre várias pessoas e usar sempre as mesmas roupas, porque quase nada me cabe.
Ela é um saco, mas está sendo um custo me despedir. Ela, a barriga.
Tenho a sensação de que ela desceu mais no dia 31, e ontem alguma coisa a mais deve ter acontecido pra me causar aquela dor aguda nas costas. Ela já não está tão bonita, empinadinha. Parece mais a pança do Seu Boneco, substituindo o chopp por uma bola de basquete.
Quando ando, ela sacode de um lado pro outro, num movimento amplo. E sentar de pernas fechadas é impossível, porque ela está muito mais baixa que minhas coxas.
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Quando não tinha barriga, invejava aquelas gravidonas salientes. E quando fiquei saliente, passei a invejar as mães com seus bebês e crianças. Não grávida, queria estar grávida. Grávida, queria ser mãe. E agora que estou prestes a ser mãe, quero ser grávida outra vez.
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Nas últimas semanas, apareceram várias grávidas aqui pela blogosfera. E eu, achando tudo lindo e morrendo de inveja. Como se eu não estivesse grávida. Assim como desejei tanto ser a mãe que todas eram, contar as histórias do seu bebê, compartilhar como foi o parto e falar sobre amamentação. Agora desejo congelar este momento: esta barriga enorme e caída, o quarto dela montado, a mala da maternidade no chão, o bebê conforto vazio no carro. Eu, deitada de lado, com uma bolsa de água quente amarrada nas costas. Um movimento intenso no meu ventre, a sensação de que minha bexiga está sendo pisoteada.
Uma semana. Duas, talvez. Três, no máximo. E ela não estará mais dentro de mim. Ela, a Emília.
Fico pensando como será a primeira vez que eu colocar a mão sobre meu umbigo. Fico pensando como será sentir a pele flácida e o ventre vazio.
No fundo, sei que nada disso importará, porque ela estará nos meus braços. E sei que isto será muito melhor que a sentir aqui dentro.
Mas quero tudo. E custa me despedir da barriga.
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Há um ano