Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de março de 2011

O beijo

Ontem fui pegar Emília na creche e, como de costume, sentei no banco pra dar o mamá. Ela já estava impaciente e eu disse, já abaixando a blusa:

- Mamãe vai te dar o mamazinho, mas primeiro mamãe vai te dar um beijo, que sem beijo não dá pra ser feliz.

Ela, que já estava com a boquinha aberta pra mamar, olhou nos meus olhos, espalmou a mão sobre os lábios e me jogou um beijão estalado! Nem preciso dizer que morri, né?

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O pai

Ele está cansado. Vai dormir comigo às 22h e demora a pegar no sono, tão agitado está. Ele anda com um livro cor-de-rosa debaixo do braço pra aprender um pouco sobre a maternidade e a paternidade. Ele gosta de passar hidratante na minha barriga e sentir o bebê. Passa gel nas minhas pernas, massageia meus pés e minhas costas.

Ele perde a hora do trabalho porque teve de receber o eletricista, o técnico do telefone, o cara do vidro. Vai pra casa na hora do almoço só pra resolver mais um problema, come mais tarde ou tem de se virar com um sanduíche do Subway. E tenta chegar em casa mais cedo no fim do dia pra jantar comigo.

Acordo às 6h e tomo café da manhã em casa excepcionalmente, e ele pergunta por que não o acordei pra tomarmos café juntos.

Ele vai comigo a todas as consultas na obstetra, lê tudo o que mando sobre trabalho de parto e me acompanha nos exercícios de preparação que faço. Perde a natação e sai pra caminhar comigo.

O chefe pede que ele participe de um evento no fim de semana, e ele não quer porque quer ficar comigo. Digo que pode ir, que tire folga no meio da semana, mas ele quer o fim de semana porque no fim de semana estamos juntos.

Sugiro que almocemos juntos de vez em quando porque o refeitório no meu trabalho está um inferno. Mas peço que ele me busque, porque depois fica impossível estacionar aqui e porque estou evitando dirigir mais que o necessário. Em vez de reclamar, ele sorri e diz: “Gosto de almoçar com você.”

Estou cansada, mas às vezes tenho a sensação de que ele está mais. Meus olhos se enchem d’água quando ligo pra ele e sinto qualquer desânimo em sua voz. Meu coração fica apertado quando o vejo revirar na cama uma e outra vez tentando pegar no sono.

Ele não carrega um bebê na barriga, mas sente o peso no corpo, como eu. O coração dele não trabalha 30% a mais, como o meu, e os órgãos vitais dele não estão esmagados. Mas ele tenta compensar toda a minha falta de energia dando no mínimo esses 30% a mais de si. Ele não vai sentir as dores do parto, mas vai estar lá comigo para me segurar e me aliviar. Ele não precisaria saber nada sobre amamentação, mas conhece todas as posições e a pega correta.

Olho pra ele e penso que ele é o Super-Homem, porque ele faz tudo o que não consigo fazer. Ele diz que não é nada. Olho para ele e quero cuidar dele. Mando tomar própolis porque no trabalho ele senta bem debaixo da saída do ar condicionado. Mando levar frutas secas pra não ficar muito tempo sem comer. Compro pra ele um pacotinho de castanha de Baru. E sexta quero fazer um jantar bem gostoso pra ele.

Essa vida de adulto é difícil. Trabalhar, cuidar da casa. E agora, trazer uma criança ao mundo. Estamos cansados, mas somos dois. Graças a Deus somos dois.

E eu não o trocaria por nada.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pai e mãe – 3 anos sob o mesmo teto.

Ela se mexe dentro da minha barriga. Eu sinto, aviso. Ele põe a mão. Às vezes sente, às vezes não dá tempo. Sinto-a mexer. Aviso. Ele observa. Às vezes vê o movimento da pele subindo, os morros se formando e desaparecendo. Às vezes não. Não consegue ficar olhando para a minha barriga por muito tempo.

Pra mim é fácil. É só curvar a cabeça para baixo e ficar confortavelmente, durante vários minutos, observando a superfície curva do meu ventre adquirir relevos variados. Sinto-a por dentro e por fora.

Nunca estou sozinha. Saio desacompanhada para caminhar, ela massageia meu útero, me lembrando que está comigo. Deito no carro para cochilar, sinto seus cutucões de leve. Trago-a comigo para o trabalho, enquanto ele está só, do outro lado da cidade.

Ela começou a ouvir a minha voz antes de qualquer outra. Só semanas depois é que passou a reconhecer a voz do pai.

Em três meses estarei com ela nos braços. Por alguns minutos, ela ainda estará ligada a mim pelo cordão pulsante. Depois vão cortá-lo, e ele também a terá. Poderá aconchegá-la no colo, amarrá-la junto a seu corpo. Mas eu a terei novamente ligada a mim pelos seios. Durante horas diárias, ela estará conectada ao meu corpo com todas as suas forças, se nutrindo de mim. E ele observará, como observa agora minha barriga.

Durante seis meses, estarei afastada do trabalho. Poderei dedicar-me tempo integral a alimentá-la, consolá-la, aconchegá-la. Ele terá cinco dias de folga, e tentará aumentar esse tempo tirando férias. Depois, ele sairá cedo e voltará ao entardecer, enquanto eu estarei com ela.

Ele me observa com inveja. Sente-se dispensável. Queria tê-la dentro de si; queria alimentá-la com seu corpo; queria poder passar mais tempo com ela. Apalpa e beija meu ventre, fala com meu umbigo. Mas não consegue estar onde estou, e lamenta.

Acho que é essa sensação que o faz mais pai. E porque ele é tão doce a ponto de querer ir além das funções primitivas de macho é que eu o amo.

Hoje faz três anos que estamos casados, o último aniversário sem filhos. E as suas meninas vêm aqui lhe dizer parabéns, marido, amante, pai.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pequenos acidentes

Ontem o Rafael foi jogar futebol e, numa disputa de bola, caiu com a testa no chão (pra quem não acompanha este blog, Rafael não é meu filho, é meu marido). Chegou em casa tonto, com um galo gigante, uns 6cm de diâmetro e pelo menos meio de altura. Disse que quase não consegiu voltar dirigindo pra casa e que estava com ânsia de vômito.

Deitei-o no sofá, com um saco plástico devidamente posicionado ao seu lado para evitar acidentes, e dá-lhe gelo no galo! Inventei que tinha que ser 20min porque os médicos sempre mandam fazer compressas de 20min quando tenho torcicolo. Analogias de leigos.

Resolvi também limpar com água oxigenada um arranhão que ele ganhou na queda, não sem gritos de protesto: "Não aguento mais dor!"

Antes de ir pra cama, procurei alguma pomadinha que pudesse ajudar a nocautear o galo (eu pensando nele chegando no trabalho hoje com aquele farol vermelho na testa... mico total). Gelol acabou e ele é alérgico a Calminex. Peguei uma pomada anti-inflamatória que o médico receitou no meu último torcicolo e fui ler a bula: "contusões, traumas..." Voilà. Passei a pomada com cuidado (o galo estava mole no meio... medo!) e, hoje de manhã, ele já estava bem melhor, apresentável até. "Obrigado, amor, por me cuidar..."

Aí eu imaginei quando forem os bebês, e eu adiar meu sono para botar gelo na pancada, limpar o machucadinho, ler todas as bulas procurando alguma coisa que ajude a melhorar. E tranquilizar a pobre vítima, claro, porque o desespero só aumenta a dor. E a gente vê que até nesses momentos mais chatinhos o amor é uma delícia!

***

Só tenho um pouco de receio de exagerar nessas analogias marido/filho. Ontem de manhã, no telefone com o Rafael, eu disse: "Vá logo trabalhar, e não esqueça seu sanduíche." Jesuis!!

***

Minha irmã acabou de me falar que eu sou louca, que não tinha que ter passado pomada nenhuma e que tinha que ter levado o Rafael no hospital. Disse que isso é lesão com derrame e que podia ter acontecido algo grave. Que bom que Deus protege os tolos!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Mais dele

Ele é meu fã número um. Acha lindo tudo o que escrevo e reclama se demoro para postar.

- Mas, amor, a blogosfera anda meio parada ultimamente, o pessoal está de férias... se eu escrever demais ninguém vai conseguir acompanhar.
- Mas eu sou dependente!

Ele começa a acessar o blog assim que chega do trabalho e fica entrando até aparecer um post novo.

Ele também é fã da minha barriga:

- Adoro barrigona!

E não reclama quando as formas – as de outras partes do corpo – começam a arredondar. Aqueles pneus nas laterais das costas, o quadril que já começa a pegar na camisola soltinha, a bunda que eu juro que conseguiu aumentar. Tudo lindo.

Não posso reclamar. É bom se sentir bonita e é bom ter o reconhecimento dos outros. Ninguém é totalmente seguro de si, por mais que pareça. Mas mesmo que ninguém me dê bola, que eu odeie tudo o que eu faça, que eu entre em crise sempre que meu corpo mostra mais uma mudança, ele está sempre lá, me achando linda.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Ele

Ele está triste, não sabe o que é. Diz que não sabe. Eu sei que ele sabe. Faço pressão, insisto. Não sei, juro. Estou assim. Mas ele nunca vem me dizer que está triste sem saber a razão. Se vem me dizer que está triste, é porque quer conversar, claro, pra ver se juntos arrumamos algum jeito de a tristeza passar.

Deixo os minutos correrem, ele ao meu lado. Conversamos amenidades, preparamos juntos minha marmita do dia seguinte. Depois do banho, cama. E eu já tinha desistido de perguntar o que se passava.

- Acho que sei por que estou triste.

Diga. Por favor, diga, meu amor. É a distância. As coisas não estão como antes. É certo, não estão. Mas é uma fase, vai passar. Choramos? Não lembro se choramos. Mas nos aproximamos, disso me lembro.

Depois. Ele me diz que tem um presente. Você comprou? Não. Alguém deu pra nós? Não, não. Presente tem de comprar, é? Você fez! Ele fez, CD do coração volume 4. É para eu ouvir durante a gravidez, ele diz. Os dois primeiros CDs que ele montou foi quando morávamos longe. Depois veio o terceiro, numa época em que eu estava triste, triste. E agora esse. Algumas músicas estranhas, outras lindas. Ele diz:

Havin' my baby
What a lovely way of sayin' how much you love me


Consigo, finalmente, chorar um pouco; e a sensação é ótima.

Ele diz que adora tudo o que eu escrevo. E falo dele aqui, sem autorização, com um pouco de receio de tornar públicas coisas íntimas. Mas arrisco, esperando que seu amor o faça me achar linda agora, como ele costuma achar tantas vezes sem razão.

Seguidores

 
Blog Design by Template-Mama.