sexta-feira, 6 de julho de 2012
Dentes, pra que te quero?
domingo, 6 de maio de 2012
Comeu e dormiu
Mas graças a Deus desta vez ela foi tratada em casa e já está de alta dos remédios, tomando só um fitoterápico pra terminar de secar o catarro.
Apesar de extremamente cansativa - seis, sete inalações por dia, broncodilatador de 4 em 4h, inclusive de madrugada, soro no nariz de hora em hora, fisioterapia em casa e três consultas no pediatra em uma semana -, essa bronquilite foi muito mais tranquila que a primeira, porque estávamos em casa. Parto domiciliar é tudo de bom. Doença domiciliar só não é tudo de bom porque é doença, mas é certamente bem melhor que no hospital.
Da outra vez, além de eu ter dormido necas no hospital, Margarida passou a semana seguinte à internação acordando de madrugada aos berros, em pânico. Estresse pós-traumático. Foi muita aromaterapia, música instrumental, passeios ao ar livre e, principalmente, colo, pra fazer as coisas voltarem ao normal.
Desta vez, uma semana após o diagnóstico ela já estava dormindo a noite toda. Os primeiros dias da doença são difíceis, porque ela chegava a passar uma hora tossindo sem parar em plena madrugada. Mas à medida que o catarro foi secando, ela começou a dormir melhor. Como eu também estava resfriada, e muito cansada com os cuidados do dia, o Rafael ficou por conta à noite. E sem mamar à noite, tcha-nam! Desmame noturno. Pelo menos por enquanto.
Funcionou com Emília, está funcionando com Margarida: quando não tem peito à noite, o interesse em acordar diminui. E há três noites ela dorme direto de 18h às 6h. Nas duas primeiras noites ela acordou às 21h30 pra mamar (era a hora em que dávamos o broncodilatador). Mas ontem foi direto, totalizando inéditas 12h de jejum. Comemoremos, até que venham os pré-molares.
E hoje aconteceu mais um milagre: ela comeu. Pelo visto minhas filhas não são muito chegadas nos alimentos sólidos. Já estava quase escrevendo um post "Mi niña no me come", ou melhor, mi niña sólo me come a mi, a mim e aos meus peitos. Mas hoje Margarida comeu impressionantes três colheres, talvez quatro, de milho com cenoura. Também não comeu mais nada o dia inteiro, mas, né? Quase um banquete.
Nem cheguei a falar sobre como anda a introdução de alimentos de Margarida, mas é isso, não anda. Ela bebe muito bem, água e chá. Suco, nem tanto. Mas hoje creio que as portas foram abertas, e devagar e sempre chegaremos lá.
Sarou, comeu e dormiu. Precisa de mais?
segunda-feira, 9 de abril de 2012
TOC - e oração de uma lactente
- Essa não é a minha banana. Essa é a do papai.
Lá vou eu trocar as bananas, enquanto Emília explica pra irmã o que está acontecendo:
- Mamãe pedou a banana errada, Marralida.
+++
Sentada no vaso, junta as mãozinhas.
- Emília ola e você repete. Papai do céu, obidada pulesse dia, obidada purtê a mamãe tá ati, purtê a Marralida tá ati, purtê o papai tá ati, em nome de Jesus amém.
Junta de novo as mãozinhas:
- Ah! E purtê a Emília vai mamá.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
O pão de queijo e o bolo II – no que deu
Confio bastante no nosso pediatra no que diz respeito à alimentação, porque ele é bem radical nesse sentido: amamentação em livre demanda e exclusiva até os 6 meses, depois continuada até pelo menos 2 anos, sem a necessidade de dar à criança qualquer outro leite nesse período; recomendação de não usar sal e açúcar – apesar de aceitar sal em pequenas quantidades, ou “o tempero da casa”, como ele mesmo diz –, total restrição a alimentos industrializados ou com muitas quantidades de açúcar, sal ou gordura. Pra um pediatra que chama iogurte de “porcariada”, imaginei que se ele olhasse as receitas e as considerasse aceitáveis, seria carta branca pra eu autorizar Emília a participar desses lanches com os colegas. E assim foi.
Os bolos contêm até 7g de açúcar por porção. A porção máxima diária recomendada pelo Ministério da Saúde para crianças de 1 a 2 anos é uma colher de sopa – o que dá 15g, segundo o Dr. Pediatra. Então estamos dentro.
Quanto ao leite de vaca presente no pão de queijo, ele disse que com essa frequência (2x por mês) e em quantidade pequena não haveria problemas, já que Emília nunca deu qualquer sinal de intolerância à lactose (sempre consumi leite de vaca normalmente, desde que ela nasceu). Então decidimos por liberar os bolos e o pão de queijo e manter as restrições ao açúcar no suco, à carne (filosofia nossa) e às comidas de festinhas, cujos ingredientes nós desconhecemos. Acho que ficou um bom equilíbrio.
Ontem Emília comeu bolo pela primeira vez, estreando com o sabor milho. Mas eles também deram uma espiga de milho cozido pra ela, como de praxe (não tem espiga de milho na salinha dos pequenos, mas eles abrem exceção pra Emília porque ela come o milho direto no sabugo e faz a maior festa), então ela comeu um pouco de cada. E parece que não estranhou o bolo, porque é puro milho, eu já comi – parece uma pamonha menos doce e menos oleosa.
Continuo sem achar que essas “restrições” estavam diretamente relacionadas às mordidas, mas preferi conversar com o pediatra a respeito da possibilidade de eliminá-las porque eu precisava ter certeza de que elas realmente faziam sentido. Se considerássemos que haveria malefícios à saúde e aos hábitos alimentares de Emília, eu não autorizaria. Mas agora estou tranquila – só com um pouco de medinho de que agora ela peça pra comer bolo de chocolate com cobertura e pão de queijo industrializado. Mas a gente se vira.
Viu, gentes, eu nem sou tão chata assim. É flexibilidade com esclarecimento e responsabilidade!
quinta-feira, 24 de março de 2011
Festa arco-íris
Então venho resgatá-lo, antes tarde que nunca. E como continuo com preguiça de baixar as fotos, vocês podem ver algumas imagens da celebração no blog da minha cunhada.
Quanto às comidas, é legal ver que é, sim, possível, fazer um cardápio gostoso e saudável pra uma festinha. Claro que não será em todos os aniversários dos meus filhos que o menu será totalmente sem açúcar, leite, frituras e outras coisas inapropriadas para bebês. Até porque, né? Haja criatividade. Mas enquanto eles forem pequetitos, dá tranquilamente pra manter um cardápio desse tipo.
+++
Eu sempre disse que pra um ano da Emília faria só um bolinho em casa, com a família. Ocorre que a família, contando só quem mora em Brasília, já dava umas 20 pessoas. Então resolvemos comemorar a data num evento quase tão íntimo, acrescentando à lista de convidados os amigos que tinham filhos pequenos.
O tema e a decoração
Sempre sonhei com uma festa de arco-íris, toda colorida, da decoração aos descartáveis. O tema é simples, alegre e infantil. Fiz questão de ser fiel às sete cores do arco-íris (nada de rosa, porque arco-íris não tem rosa), e o resultado vocês podem ver no blog da minha cunhada. Mesmo barrigudinha do meu sobrinho Davi, ela entrou de cabeça na produção do evento que aconteceu no salão de festas do prédio dela.
A música
A trilha da festa foi obra do papai da Emília. Ele selecionou com carinho músicas gostosas da Palavra Cantada, do Sítio do Picapau Amarelo e do Ronnie Von. Mas o que eu achei especial foi ele ter encontrado um disco do Sérgio Ricardo (com Quarteto em Cy e MPB 4) composto a partir do livro Flicts, do Ziraldo. A maioria de vocês deve saber que Flicts é um livro muito lindo sobre as cores, o que caiu como uma luva para o tema da festa.
Claro que a música fica meio ambiente, e com o bate-papo nem todo mundo percebe o que está rolando, mas nós sabemos como foi especial essa seleção.
Antes do parabéns, minha irmã Bel ainda tocou e cantou pras crianças “Aniversário”, da Palavra Cantada. Emília amou.
O cardápio
Consegui fazer um menu só com coisas que Emília pudesse comer: nada de açúcar, lactose, carnes, claras de ovos, frituras, gordura vegetal hidrogenada, conservantes e outras porcarias.
De salgado, encomendei pasteis assados num restaurante vegetariano aqui de Brasília. Massa fininha, com farinha integral orgânica e sementes de linhaça, com recheios de proteína de soja, milho, legumes e banana. O de banana foi um sucesso à parte.
Encomendei também pão numa padaria alemã que não coloca tranqueiras nas receitas e montei torradinhas com pasta de tomate caseira, azeite e ervas. E pra não ficar 100% light, incluí no cardápio pipoca estourada na hora com óleo de girassol e o mínimo de sal.
De doces, a mesma baguette alemã com geleia sem açúcar, salada de frutas (que foi um sucesso), e bolo. O bolo foi uma experiência de cientista louco: minha mãe passou a semana fazendo testes com nossa diarista-cozinheira. O desafio era fazer algo bonito e gostoso sem leite, sem claras de ovos e com um mínimo de açúcar (de preferência mascavo). E o resultado foi um bolo pina-colada, com recheio de abacaxi e cobertura de coco. Ficou divino, os convidados repetiram e elogiaram.
E por fim, as bebidas. Óbvio que não teve refrigerante. Suco de polpa, em versões com e sem açúcar.
E pra não dizer que eu não libero uma porcaria, as lembrancinhas foram moedinhas de chocolate (o famoso pote de ouro no fim do arco-íris). Essa obviamente a Emília nem viu.
Valeu muito à pena ter feito um cardápio pensando na minha filhota. Ela está naquela fase de querer comer o que nós estamos comendo, e eu não queria ficar regulando comida na festinha dela. Ela comeu muita salada de fruta, uns cinco pasteizinhos, um saquinho de pipoca e algumas bruschettas. Acabou não provando do bolo porque nessa hora já estava empanturrada. Foi um prazer enorme vê-la se deliciando à vontade com um menu saudável e balanceado. Uma amiga minha até disse pra filha, de dois anos: “Se a Emília pode comer, você com certeza pode!”.
Claro que deu trabalho, mas valeu à pena celebrar em grande estilo essa data tão marcante. Ela merece.
sábado, 19 de março de 2011
O bolo, o pão de queijo e o primeiro estresse na creche
Sexta-feira fui buscar Emília na creche e recebi a notícia de que, depois de algumas semanas sem morder ninguém, ela havia abocanhado o nariz de um coleguinha, deixando uma marca muito feia, sangue e tal. O motivo? Ela queria o pão de queijo dele.
Há algumas semanas, havíamos sido chamados à escola para discutir os possíveis motivos de Emília estar mordendo repetidamente os amigos. Uma das hipóteses que a psicóloga colocou seriam as restrições alimentares dela, o que muitas vezes a leva a querer pegar o lanche dos outros. Depois dessa conversa, sem nenhuma intervenção, ela simplesmente parou de morder. Pode ter a ver com os molares que finalmente pararam de sair.
Então aconteceu. Uma festa de aniversário de uma das educadoras, salgadinhos que ela não podia comer, um biscoito substituto que ela receberia e que desapareceu, Emília sem nada, colegas com pães de queijo, enfim, momento selvagem. Mais uma vez, mencionaram as restrições. E parece que a solução é muito simples: eu deixo Emília comer de tudo o que oferecem na creche, e tudo se resolverá.
O problema é que nem tudo que é servido para as crianças de 1 a 2 anos é saudável. Em alguns lanches, tem bolo – que é feito lá, tem pouco açúcar, nunca leva chocolate ou cobertura e tem opção sem leite. Mas é bolo, e tem açúcar cristal, e manteiga ou margarina. Em outros lanches, o que eu acho pior, tem pão de queijo. Também é feito lá, mas o mais “saudável” dos pães de queijo ainda é cheio de gordura saturada e sódio. E, óbvio, contém leite de vaca, que não acrescenta nada para um bebê que mama no peito além de uma maior probabilidade de ela desenvolver alergias ou intolerância.
Lá eles têm dois cardápios: um para bebês até 1 ano, e outro para crianças de 1 a 6 anos. Pão de queijo e bolo caseiros podem ser boas opções para uma criança de 6 anos, mas são alimentos inapropriados pra uma de apenas um.
Conversei com a nutricionista – de quem eu gosto muito –, e ela explicou os ingredientes de cada alimento. Também explicou que em festas há várias restrições (não pode refrigerante, salgados fritos, empadas, bolos com recheio), mas os pais nem sempre respeitam. Mesmo assim, discordo do cardápio.
Minha chateação, que terminou em lágrimas na sexta à noite, é que me senti pressionada a introduzir precocemente alimentos que eu considero inadequados para a idade da minha filha. Porque somos vegetarianos, talvez possamos passar a impressão de sermos aqueles pais neuróticos, que querem isolar os filhos do mundo, que gostam de ser diferentes e tal. Olha, eu não gosto de ser diferente. Aliás, detesto. Adoro, por exemplo, o fato de que a maioria esmagadora dos pais acha errado o filho bater, xingar, roubar. Olha, que legal, eu também acho! Mas eu acharia muito mais legal se o mundo todo preferisse alimentos saudáveis, e que gostosuras adocicadas ou gordurosas fossem reservadas para ocasiões especiais, sempre com moderação. Com certeza seria muito mais fácil, e eu não “inventaria” de ser diferente, oferecendo Coca-Cola à minha filha só pra contrariar.
Nos anos 50, as propagandas de Coca-Cola eram direcionadas para bebês (vejam aqui, no Comer para Crescer). O anúncio diz que estudos científicos comprovam que pessoas que bebem Coca-Cola desde a primeira infância têm mais chance de serem bem aceitos socialmente. E todo mundo dava. E porque todo mundo dava, estava certo?
A nutricionista explicou que a maioria dos pais reclama do contrário, que as festas têm muitas restrições, e dão frituras e outras tranqueiras pros filhos numa boa. Mas só porque a maioria dá, não significa que está certo.
Quem acompanha meu blog sabe que procuro sempre exercer uma maternidade consciente. Tento não projetar meus desejos, minhas inseguranças, minhas neuras na minha filha (ainda que seja impossível fugir disso 100%). Busco estudos científicos, recomendações do Ministério da Saúde, da OMS, da Sociedade Brasileira de Pediatria, seleciono bons livros, tenho um blog e ouço as outras mães. Então, a decisão de não dar açúcar, leite de vaca ou gordura saturada pra minha filha até os 2 anos não é uma paranoia, um medo de que ela engorde (nunca tive problema de peso, nem pra cima, nem pra baixo, pra ter esse tipo de trauma), uma busca pela perfeição. Foi uma decisão tomada com base no que eu estudei, orientada pelo nosso pediatra. Simplesmente considero desnecessário oferecer alimentos nocivos à saúde para quem tem um paladar virgem, aberto a tudo, e que ama qualquer coisa saudável. Será que alguma criança menor que 2 anos reclamaria se no lanche da creche só tivesse frutas e pão? Duvido. Nós é que projetamos os nossos gostos neles, e por isso tanta gente se horroriza quando vê Emília comendo um rabanete (até eu, trem amargo, mas ela gosta!). Eu odeio cebola e caqui, mas amo que ela goste dessas coisas.
Minha opinião? A creche não deveria oferecer bolo e pão de queijo para crianças menores que 2 anos, nem permitir festas com alimentos fora do cardápio. Mas isso vai mudar? Provavelmente não. E o que eu faço? Esse é o motivo das lágrimas.
Procurar outra escola seria uma opção. Mas acho que a decisão de trocar um filho de escola tem de ser muito bem pensada, porque é outra adaptação, e uma grande chance de se frustrar outra vez. Nesse embalo, corremos o risco de ficar trocando repetidamente o filho de escola, e às vezes os prejuízos são maiores que os benefícios. Além disso, eu teria de achar uma instituição que oferecesse um cardápio melhor que essa. Tirando esses dois alimentos, o resto do cardápio é maravilhoso, balanceado, a comida é quase sem sal e muito gostosa (já provei). E eles dão alimentos sólidos desde o começo pros bebês, nada de sopas ou purês, o que incentiva a mastigação. Eles sempre têm uma opção alternativa para quem não come carne (o que, por incrível que pareça, não costuma gerar conflitos, porque a soja é visualmente muito parecida com a carne e Emília não percebe que a comida dela é diferente). E isso foi um dos principais motivos pelo qual coloquei minha filha lá: eles aceitam crianças com restrições alimentares. Inclusive, quando tem pão de queijo ou bolo, eles trazem um biscoito, um pão, uma tapioca, ou outra alguma coisa para ela.
O que tem me incomodado é que, apesar de aceitarem a restrição, eles parecem não conseguir lidar muito bem com os problemas que aparecem. É como se eles me dissessem: “nós podemos dar outros alimentos para sua filha, mas isso gera consequências negativas para todos”. Ou seja: pode ser diferente, mas não pode. Essa dificuldade de lidar com a diferença me fez sentir desamparada.
Sei que não deve ser simples pras educadoras, por isso tento ser flexível. Autorizei um biscoito que leva açúcar, mas mascavo, por minha conta. E prometi que conversaria com o pediatra dela sobre a possibilidade de liberar o bolo. Vou perguntar a ele qual será o prejuízo maior: a saúde dela ou esse momento de inserção social. Mesmo assim, faço contra minha vontade, porque, como eu disse, não compreendo por que oferecer açúcar a um bebê, que come de tudo. Sei que, comendo os bolos “leves” da creche, ela vai começar a pedir bolos comuns, de chocolate, com cobertura etc. e tal, porque vão ser parecidos com os que ela come na creche. Mas tudo bem, eu sei lidar com isso, sempre vou a festas, levo a comida dela e fica tudo numa boa. Quando tem fruta, pipoca ou alguma coisa que ela possa comer, dou também. Agora, o pão de queijo não tem a menor condição.
Quanto às festas, vou ter de pedir pra elas ficarem mais atentas à Emília, porque é simplesmente descabido pra mim autorizar salgadinho de padaria, com ingredientes desconhecidos (banha de porco? Gordura vegetal hidrogenada?). Minha vontade era buscá-la mais cedo toda vez que tivesse festa, pra evitar esse estresse. Infelizmente nem sempre dá pra fugir do trabalho. Mas quanto a isso, vamos ter de achar uma solução, nem que seja chamar alguém da coordenação pra tirar Emília da sala e levá-la pro parquinho.
Pra quem teve a paciência de me ler até aqui, obrigada por ouvir meu desabafo. Não quero discutir alimentação infantil nem pregar uma dieta específica pros filhos de ninguém. A questão é: até onde bater o pé sobre nossas convicções e até onde ser mais flexível? O que buscamos é o melhor pros nossos filhos. Mas nem sempre as decisões são fáceis de tomar. Às vezes, ser adulto é uma droga.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
O quarto dia
A estratégia de dar o leite se ela não comesse bem a fruta funcionou demais. Ela, que mal tomava 5ml de água ou suco no copinho, só faltou arrancar o bico com a força da sucção, segundo relatou a tia. E se ela não tomou mais que uns 50ml do meu leitinho, foi o suficiente pra me dispensar até as 13h30, minha gente!!! No almoço, bateu quase meia pratada de feijão com abóbora.
Mas quando me chamaram pra buscá-la, óbvio que se jogou no meu colo e se agarrou nas minhas tetas feito peixe limpa-vidros. Uma filha que vai com todas as tias da creche, sorri como se estivesse em casa, come cada vez melhor, está apta a beber no copo e ainda ama meus peitos: muito mais do que eu pedi a Deus.
E voltei pra casa nesta sexta-feira com a sensação de missão cumprida.
"Me arruma aí uma vaca mecânica e eu fico aqui o dia inteiro. Pode ir trabalhar tranquila, viu, mamãe?"
segunda-feira, 21 de junho de 2010
O que deixar pronto antes do parto
Pediatra
Acabei de mudar de pediatra, o que me faz concluir que não é indispensável escolher, ainda da gestação, o profissional que vai cuidar da saúde do seu bebê. Algumas mães fazem questão de deixar isso acertado para que o pediatra que vai acompanhar o parto seja o mesmo que continuará com a criança depois. No meu caso, fui de plantonista mesmo e marquei a primeira consulta com um médico que atendia meu convênio.
Acho que não dá muito pra saber se o médico que te atendeu na gestação realmente será aquele que você vai querer pra cuidar do seu filho depois. A gente ainda não é mãe e não sabe exatamente o que faz um bom pediatra. Não dá pra saber como ele tratará seu bebê nem se a criança gostará dele. Claro, as visitas prévias podem ser úteis pra descartar logo de cara um médico ruim. Mas a gente gostar de um profissional numa consulta preparatória não significa que continuaremos gostando dele depois que a criança nascer.
Vale, sim, fazer uma lista de pediatras recomendados, ligar nos consultórios para saber quem aceita seu convênio ou, se não aceita, quanto cobra, e se vai estar atendendo no período ao redor da data provável do parto. Assim, quando o bebê nascer, você já terá pra quem ligar pra marcar a consulta dos 10 dias. Provavelmente o pediatra não vai ter vaga e você vai dizer que seu bebê é recém-nascido e vai conseguir um encaixe. Aí você vai convivendo com aquele profissional e, se acontecer algum acidente de percurso, procura outro. Simples assim. Fidelidade, só conjugal.
Creche
Para as mamães que trabalham e optam por deixar seus filhos na creche, eu diria que é útil visitar creches antes do parto, mas não é suficiente nem indispensável. Não é suficiente porque não dá pra bater o martelo quanto à instituição preferida antes de a gente virar mãe de fato. E não é indispensável porque dá tempo de fazer essas visitas durante a licença maternidade, especialmente se sua licença for de 6 meses.
Digo que não dá pra escolher a creche antes pelos mesmos motivos ali de cima, relativos aos pediatras. Só pra exemplificar: quando estava no comecinho da gravidez, visitei uma creche que amei e até já tinha resolvido comigo mesma colocar a Emília lá. Depois que a Emília nasceu, e especialmente depois que ela fez 4 meses, entendi o que faz uma criança daquela idade e que atividades a creche deveria oferecer para garantir seu bom desenvolvimento. Aí lembrei que, naquela visita, os bebês de 4 a 6 meses estavam todos sentados no bebê conforto, quietinhos. Pode ser que eu tenha pego um momento mais relax mesmo, mas hoje não consigo imaginar minha filha o dia inteiro sentada na cadeirinha.
Aquela creche também sofreu uma reforma e está completamente diferente, ou seja: eu teria de visitá-la outra vez. Sem contar que as tarifas mudam, mudam os membros da equipe, as tias, a coordenadora... Então eu digo que é útil fazer uma pesquisa prévia, descobrir quais as creches recomendadas na sua região e até fazer visitas. Mas depois tem que visitar de novo, não tem jeito.
E se a mamãe estiver com medo de não conseguir vaga, vale fazer uma reserva, mas só se for sem compromisso. Eu preenchi uma intenção de matrícula na escolinha onde a Emília vai "estudar" quando ela tinha um mês, mas ainda não paguei nada. Algumas creches não reservam vaga a menos que você já deixe a criança matriculada. Aí eu já acho arriscado, porque a gente pode mudar de ideia.
Pra quem vai de babá, acho que é mais ou menos a mesma coisa. Pesquisa, testa, mas só com o bebê fora da pança é que vai dar pra saber se a moça é de confiança.
Enxoval
Isso sim, tem que estar pronto antes de o bebê nascer. Tem as coisas óbvias, tipo fraldas, roupinhas, berço, carrinho, cadeirinha do carro e tals. Mas tem coisas que dá pra adiantar ainda mais e eu digo que vale a pena.
Por exemplo: roupinhas pra 6 meses. Super prático ter um guarda-roupa todo pronto pra quando seu bebê crescer (e às vezes eles começam a usar roupa de 6 meses aos 3). Aí o que faltar você vai completando. Eu acabei economizando por ter feito isso, porque depois que a Emília nasceu, tudo o que falta eu compro no primeiro lugar que achar. E quase sempre sai mais caro. Durante a gravidez, eu tinha tempo pra pesquisar, pechinchar, esperar chegar coisas pela internet ou pela irmã que viajou.
O que não comprei antes foram coisas pra comer (babadores de plástico, cadeirinha, prato, colher), só mamadeiras pro caso de ela precisar. Isso porque ela só começaria a comer aos 6 meses. Mas, sabe, me arrependi de não ter pedido pra minha irmã trazer algumas dessas coisas dos EUA. Porque agora é um saco sair pra comprar e, como eu disse, não rola de ficar indo de loja em loja pesquisando preço com um bebê a tiracolo.
Alimentação pós-parto
Importantíssimo. Super recomendo deixar planejado como você, pós-parida, vai se alimentar. Lembrando que você vai estar amamentando por aí de 2h em 2h, provavelmente vai estar cortada em algum lugar, na frente ou embaixo e, ainda que tenha um parto roots facilíssimo, pós-parto é pós-parto e não dá pra sair por aí mexendo panelão de feijão no dia seguinte. Além disso, no 1o mês o Dr. Pediatra não vai deixar você levar a cria àquele restaurante bacanérrimo com ar condicionado, e suas opções de comer fora vão ficar bem restritas. Então, se você não quiser passar o pós-parto comendo China in Box e pizza delivery, eis minhas dicas.
Ali pela 37a semana, enchi meu congelador com feijão, grão de bico, sopas, proteína vegetal, enfim, tudo que dá pra congelar. Também fiz uma super feira com todo tipo de não-perecíveis e abasteci a despensa (aproveitei pra comprar estoque de produtos de limpeza, papel higiênico, aquelas coisas indispensáveis ao nosso dia-a-dia. Uma beleza, passamos quase 2 meses sem precisar ir ao supermercado). Arranjei também um serviço de feira em domicílio, e passei a encomendar frutas, legumes e verduras por e-mail. Depois, arrumei uma pessoa pra vir aqui em casa um dia por semana cozinhar. Finalmente, tinha mamãe que me mandava saladas e umas comidinhas feitas no dia, o que ajudou muito no 1o mês.
+++
Taí o que lembrei. Quem quiser, se esbalde. E quem quiser mais, a palpitaria está aberta.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Sobre anemia, gestação e vegetarianismo
Durante todo o pré-natal, a Emília não apresentou nada de anormal. Muito pelo contrário, sempre recebeu elogios tanto da minha obstetra quanto da médica que faz minhas ecografias. Mesmo assim, sempre fiz questão de garantir que eu não estava fazendo nada que viesse a prejudicar minha filha.
Como a maioria dos meus leitores já sabe, tenho uma dieta restritiva. Basicamente, não como carne. Como, muito esporadicamente (nem é todo mês), um salmãozinho grelhado. Isso significa duas coisas:
1) Minha ingestão de vitamina B12, presente exclusivamente no reino animal, é bem menor que a média da população. Assim como o ácido fólico (vitamina B9), ela é importante para a manutenção do sistema nervoso. Sua carência também pode gerar anemia, porque ela participa na formação da hemoglobina. No meu caso, a B12 vem só dos laticínios e dos ovos.
2) Minha ingestão do ferro heme é praticamente nula. Esse é o ferro presente na carne que, segundo os médicos, é mais biodisponível e mais facilmente absorvido pelo organismo.
Então, eu teria tudo para ser anêmica, especialmente durante a gestação. Certo? Mais ou menos.
Seu quadro nutricional depende de toda a sua dieta. Você pode comer picanha, riquíssima em ferro, mas não ingerir vegetais verde escuros e leguminosas. É por isso que o percentual de vegetarianos e de onívoros anêmicos é exatamente o mesmo.
Gostaria de falar para aquelas pessoas que 1) namoram a ideia de não comer carne mas têm medo de deficiências nutricionais ou 2) têm filhos que rejeitam carne, especialmente a vermelha, e ficam preocupados com seu desenvolvimento.
Confesso que tinha medo, sim, de deixar faltar alguma coisa pra minha filha. Toda mãe tem. Assim, comuniquei meus hábitos alimentares à minha obstetra e tratei de buscar acompanhamento nutricional. A médica logo descartou a necessidade de incluir carne na alimentação e simplesmente manteve o acompanhamento pelos hemogramas. Me passou um polivitamínico que toda gestante toma, e mais nada de especial. A nutricionista também não alterou minha dieta, mas bolou um plano pra prevenir a anemia – comum em gestantes. Montou um cardápio que separasse refeições ricas em cálcio de refeições ricas em ferro, me orientou a sempre consumir alimentos ricos em vitamina C junto com o ferro e passou um suco de couve com limão para ser tomado diariamente.
Mesmo com todos esses cuidados, meu hemograma apontou um número de hemácias um pouco abaixo do limite. E agora? Fígado nela?
Por cautela, a obstetra me encaminhou pra um hematologista para investigar. Como a hemoglobina estava normal, ela não se desesperou e disse que verificaríamos com calma se realmente haveria a necessidade de alguma suplementação. Minhas reservas de vitamina B12 também estavam um pouco abaixo do normal (o que era esperado, depois de 10 anos sem comer carne).
Primeira visita ao hemato. Ele já diz: “Duvido que você esteja anêmica. Sua hemoglobina está ótima. Aliás, pra alguém na sua idade gestacional, seus exames estão excelentes. Por precaução, você vai tomar duas doses de vitamina B12 injetável e vamos verificar sua ferritina.” A ferritina é a reserva de ferro. Ela e a hemoglobina são os melhores indicativos de anemia. Ele também explicou que é normal que no hemograma de gestantes as hemácias pareçam um pouco baixas, porque o sangue se “liquefaz”. Com a retenção de líquidos, ele fica mais dissolvido, e a concentração de hemácias por volume cai. É uma falsa anemia.
Pois bem. Tomei as injeções e mais nada. Nenhum suplemento de ferro. Continuei com o suco de couve e fiz os exames.
Hoje voltei ao hemato e ele disse: “Não há absolutamente nada a ser feito. Todos os seus índices estão excelentes. Se você quiser, pode voltar daqui a uns seis meses só para vermos se houve alguma queda nas suas reservas de B12; então podemos fazer reposições periódicas.”
Nem preciso dizer que fiquei feliz da vida, né? Então, pessoal, dá pra ser vegetariano e perfeitamente saudável, inclusive durante a gestação. No meu caso, precisei de suplementação de B12 por causa da gestação. Mas que gestante não faz suplementação de ácido fólico?
E acrescento que meu marido, vegetariano há 15 anos, aproveitou a deixa pra ir ao hemato também. O ácido fólico dele é absurdamente alto, o que corrobora a informação que li por aí de que gestantes vegetarianas que seguem uma dieta balanceada não precisariam de suplementação de ácido fólico. A B12 dele está normal. E ele não come ovo. Anemia também passou longe do exame dele, mas homem é covardia, né?
É verdade que quem adota a dieta vegetariana tem de tomar alguns cuidados; mas o mesmo vale pra quem tem uma dieta onívora. Se me preocupo com vitamina B12 e ferro, muita gente tem de cuidar do colesterol e da glicose. Não defendo que o vegetarianismo seja a melhor opção pra todos. Preciso apenas dizer que é uma opção saudável e responsável para qualquer pessoa – mesmo gestantes e crianças. E se alguém quiser tentar, vá atrás de informações e faça um acompanhamento como eu. É seguro.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Preparação para o pós-parto
- É pra quando?
- Janeiro.
- E já está tudo pronto?
- Er... mais ou menos. Está tudo encaminhado.
Visitem o quarto da Emília e verão no canto uma poltrona listrada (ficava na minha antiga sala) com uma almofada de amamentação em cima. Pendurada no armador, Mirandolina, a boneca cabeçuda. Só.
Abra o armário da Emília (embutido, já estava lá quando comprei o apartamento) e verão apenas uns dois bodies, uns quatro vestidinhos, algumas meias e sapatinhos e três mantinhas. Mentira! Verão também o bebê conforto e o carrinho! Aêeeee! Não estou tão atrasada assim.
Acontece que minha irmã vai pra NY este domingo e preferi esperar pela volta dela pra encerrar o enxoval. E minha sogra vem no início de dezembro com a parte de cama e banho. Daí que ficou tudo pra última hora mesmo, e acabei nem planejando chá de bebê.
Mas se pra umas coisas eu sou super relaxada, pra outras nem tanto. Como já disse aqui, visitei creches e maternidades há bastante tempo e comprei o carrinho (que exigia uma pesquisa maior) com uma boa antecedência também. O berço ainda não chegou porque é uma relíquia que está na família do meu marido (que inclusive dormiu nele) há 30 anos e que teve de ser trazido de Três Corações e enviado pra restauração.
E como minha mente sistemática até que anda funcionando bem, já há algum tempo tenho me preocupado com a questão alimentação pós-parto. Lactante tem de se alimentar bem, certo? E como comer bem sem tempo para cozinhar ou ir a um bom restaurante?
Há algum tempo já planejei meu cardápio congelado: sopas, grãos, leguminosas, quibe (de soja, claro). Fiz a lista de suprimentos pra comprar na 37ª semana (vai que ela resolver vir na 38ª!) e deixar a casa abastecida, inclusive com produtos de limpeza.
Mas não dá pra viver só de congelados e alimentos não perecíveis, então já combinei com minha mãe que ela vai me dar uma força pra complementar minhas refeições com saladas e coisas frescas. Mas há outro fator: frutas e verduras estragam rápido, e o trabalho da mama acabaria ficando maior: comprar e cozinhar.
E eis que ontem experimentei uma solução: Feira em Casa! Um amigo meu tem um negócio de compras em domicílio: você faz o pedido, ele vai lá na Ceasa e entrega tudo na sua casa! Prático, não é mesmo? O preço é muito próximo ao do verdurão, com a vantagem que é tudo mais fresco e você não tem de se deslocar ou perder tempo. Vai ser ótimo pra quando eu estiver por conta da minha bonequinha, mas agora já veio bem a calhar. Andar com essa pança na frutaria lotada e pequena e depois tentar caber no elevador junto com o carrinho já não está mais rolando.
E ainda tem o momento “o que será que ele me trouxe?” Claro, é você que faz a lista, mas ver os vegetais é outra coisa. Eu tinha pedido uma unidade de batata doce, a R$0,80. Pois ele me trouxe a maior batata doce do universo, acho que maior e mais pesada que a Emília. Cortei em cubos e congelei umas seis porções. Acho que é a solução pra fome no mundo...
Se alguém que mora em Brasília se interessar, passo o contato. Você marca o horário e ele vai até você!
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E aproveitando o momento propaganda, a Michelle, do Comidinhas Deliciosas, está vendendo uns enfeites fofos de natal, olha aí.
Quem se interessar visita lá o blog dela e deixa um comentário!
Ah, ela mora em Brasília mas pode mandar a encomenda pelo correio também!
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Diário de uma gestação - 1o e 2o trimestres, parte II
Continuando a auto-entrevista de ontem:
Quando você começou a perder suas roupas, e quais as primeiras que você perdeu?
Não me lembro exatamente quando, mas acho que foi lá pelo terceiro mês, bem antes de os outros notarem alguma mudança em mim. As primeiras a saírem do armário foram calças e bermudas, por causa do cós. Já falei sobre isso aqui. Depois foram os soutiens – graças a Deus tenho uma irmã com busto GG, que me emprestou os soutiens que ficavam apertados nela –, em seguida as camisas de botão.
Quando você comprou as primeiras roupas de gestante? Você ainda está usando alguma coisa de antes de engravidar?
Comprei uma calça jeans com elástico e outras duas molinhas na Hering logo que perdi a maior parte das calças. Estou usando tudo até hoje. Recentemente tive de comprar muito mais coisa - bermudas, vestidos e mais blusas - porque já perdi quase todo meu guarda-roupa. Ainda estou usando alguns vestidos (poucos, viu, pessoal? Esses na altura do joelho e sem muita sobra de tecido ficam curtos assim que a barriga começa a crescer. E os acinturados, nem pensar!), poucas camisetas (porque barriga de fora é uó), as poucas batinhas que eu tinha, alguns shorts mais molinhos, folgadinhos e de cintura baixa e as calças de malhar. Ah, e as calcinhas! Ainda estou usando as de antes de engravidar.
Biquíni, só estou usando um, que minha irmã GG me deu e que ficava um pouco folgado em mim (principalmente no busto). Agora está perfeito.
Que medidas do seu corpo mudaram?
Nesta ordem: barriga, quadril, busto. Minhas coxas aumentaram bem pouquinho, justo nas semanas em que perdi a linha na dieta. E o braço, graças a Deus, continua o mesmo.
Pra dar uma ideia, em 20/07 eu tinha 76cm de cintura e 93 de quadril. Em 14/09, eu tinha 82 de cintura e 97 de quadril (dá mais ou menos 1cm de barriga por semana e 1 de quadril a cada duas).
Atualmente devo estar bem maior. Só na minha próxima consulta com a nutricionista, quando voltar de férias, vou ter a dimensão do estrago.
Você está fazendo alguma atividade física?
Caminhada diária e pilates duas vezes por semana. RPG também, uma vez por semana, não sei se conta.
Eu já fazia boxe antes engravidar, e tive de parar. Também não podia fazer natação por causa das hérnias no pescoço. Por isso escolhi o pilates, pra ajudar no parto e no pescoço. Mas tô doida pra voltar pra algo que dê mais suadeira...
Acho que o povo é meio fresco com grávida. Foi o maior sacrifício pra fisioterapeuta me colocar pesos de respeito no meu treinamento. Eles morrem de medo.
Aqui em BH estou caminhando 6 ou 10km, dependendo do dia. Ontem caminhei 12km. Caminhar é um dos melhores exercícios para gestante, e acho que isso tem contribuído para que eu me sinta tão bem, disposta e sem dores. Espero que os exercícios também tornem o 3o trimestre menos penoso.
Você fez alguma mudança na sua dieta com a gestação?
Sim, um pouco. Eu já me alimentava bem, pesquiso muito sobre nutrição. Já não tomava refrigerante, evitava alimentos industrializados e deixava as porcarias pro fim de semana. Como eu disse, dei mais uma melhorada na dieta ainda antes de engravidar. Fiquei mais radical com os industrializados, as frituras, cortei o álcool, procurei mais os orgânicos.
Estou fazendo acompanhamento e minha nutricionista recomendou que eu tomasse suco de couve com alguma fruta rica em vitamina C (prefiro limão) todos os dias, pra prevenir anemia. Como minha ingestão de cálcio e outros nutrientes já estava ok, não houve grandes mudanças.
Mas, claro, ninguém é de ferro, e nessas 2 semanas e meia de férias já engordei mais que minha cota mensal (culpa das sobremesas).
Você é vegetariana. Teve de incluir carne na dieta?
Não. Estou tomando um suplemento vitamínico específico para gestantes que contém mais que a necessidade diária de vitamina B12, único nutriente presente exclusivamente no reino animal (tão importante pro bebê quanto o ácido fólico – que, aliás, costuma ser mais que suficiente em dietas vegetarianas). O resto está balanceado com acompanhamento profissional.
Tenho de confessar que sou uma vegetariana de meia-tigela, porque como peixe esporadicamente (tipo uma vez por mês). Acabei aumentando um pouco a ingestão de salmão pra umas três vezes ao mês, a contragosto do meu marido – esse, sim, vegetariano convicto! Mas a dieta ovo-lacto-vegetariana é adequada para todos os estágios da vida, desde que bem planejada.
Até agora você teve algum desconforto físico por causa da gravidez?
Como eu disse, estou ótima: não tive enjoos, inchaços, falta de ar, prisão de ventre, gases, dores nas pernas ou na coluna. Só que agora a barriga já está limitando alguns movimentos, principalmente na hora de malhar. Mas ela ainda não está atrapalhando meu sono: posso ficar um tempo de barriga pra cima enquanto relaxo e estou colocando um travesseirinho embaixo da barriga quando deito de lado. Fica bem confortável.
Como você está planejando seu parto, e como está sendo seu pré-natal?
Assim que engravidei, pesquisei muito sobre parto. Conheci o parto humanizado, fiquei sabendo das intervenções que são feitas normalmente, li as recomendações da OMS e escolhi o que eu queria: parto normal hospitalar, com o mínimo de intervenções. Meu pré-natal também está sendo o menos invasivo possível: só quando voltar de férias vou fazer meu segundo exame de sangue, e ecografias, só as preventivas.
Depois que tomei essas decisões e conversei com minha médica sobre isso, decidi relaxar e parei de pesquisar, porque isso se tornou meio estressante. Também preferi não fazer plano de parto. Parece que a gente tem de ficar o tempo todo desconfiando dos médicos e enfermeiros, porque todo mundo quer te enganar e te cortar. É claro que há zilhões de cesarianas desnecessárias; é claro que a comunidade médica ainda não adotou as recomendações da OMS; e é claro que estamos diante de um problema de saúde pública. Mas ler demais sobre isso estava me fazendo mal, e isso não é nada humanizado, não é mesmo? Por isso resolvi confiar na minha médica e não pensar mais nisso.
Como você encontrou sua obstetra? Foi antes ou depois de engravidar?
Antes de engravidar, fiz o acompanhamento pré-natal com uma médica que atendia pelo meu convênio. Eu tinha outra gineco antes dessa, com quem eu não me sentia muito à vontade, e resolvi mudar justamente para me preparar para a gestação. Ocorre que essa última me pedia exame atrás de exame, mesmo eu sendo relativamente jovem e bastante saudável. Já no primeiro mês de tentativas, ela disse que usaríamos o indutor se eu não engravidasse nos dois meses seguintes. Quando engravidei, nem voltei mais lá.
Tentei outra credenciada, que se mostrou claramente cesarista. Depois da primeira consulta, já comecei a procurar outras opções.
Uma amiga minha que já teve dois partos normais, cada uma com uma obstetra diferente, me recomendou fortemente a médica que fez o segundo parto dela. Não atendia convênio, mas àquela altura, já entrando no 3o mês de gestação, achei melhor resolver logo isso. Fiz uma visita à médica e gostei bastante. Pra garantir, consultei o Projeto Acalanto, aqui de Brasília, e uma outra amiga pegou ótimas referências dela numa comunidade no Orkut. Fiquei com ela. Há um mês mais ou menos, quando fui visitar as maternidades, a enfermeira super pró parto normal me perguntou quem era minha médica. Quando eu respondi, ela disse: “Essa mulher é uma santa. Você está nas mãos de Deus.”
Você está fazendo algo para facilitar o parto normal?
Atividade física, como disse lá em cima. Tenho exercitado o períneo também, mas sem muita disciplina.
Do que você tem mais medo?
De voltar a trabalhar depois da licença. Por enquanto, estou super zen quanto ao parto e quanto a cuidar de um bebê. Meu medo tem mais a ver com a organização do meu tempo a partir dessa mudança enorme na minha vida.
No geral, como você avalia sua gravidez até agora?
Estou amando estar grávida. Nunca experimentei nada mais gostoso do que carregar um bebê. Quero de novo, e de novo.