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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Mamãe, papai e florzinha - continuação

Antes de continuar, só esclarecendo, antes que alguém se ofenda: os textos relativos à minha filosofia de cuidados com a casa e com a minha filha, bem como todo o material publicado neste blog, não têm nenhuma função crítica ou catequizadora. Sou absolutamente contra criticar mães e seu jeito de ser mãe (até a Katie Holmes eu deixo na dela).

Trabalhar fora, contratar babá, por a criança na creche, dar mamadeira, fazer cesariana, tudo vai das necessidades e crenças de cada uma. Errado é matar, roubar, mentir, essas coisas. No mais, ado, a-ado.

+++

Depois de toda a divagação do último post, vamos ao ponto: quem cuida do(s) seu(s) filho(s)? Eu, obviamente. Se, enquanto eu pude, eu cuidei da minha casa, os filhos, então...

Como? É só cuidar, ué. Eu digo o seguinte: não sei cuidar de bebês. Sei cuidar da minha filha. E a gente só aprende cuidando, viu?

A pergunta da Ana Paula era referente a contratar ou não uma babá. Aproveito pra ir além.
Na minha concepção, quem cuida dos filhos são o pai e a mãe. Ponto. Nem babá, nem tia da creche, nem avós, nem tios, nem amigos. Essa história de que precisa de uma tribo pra cuidar de uma criança não é pra mim. Se às vezes já é difícil o casal entrar de acordo quanto à forma de educar os filhos, quem dirá uma gentaiada metendo o bedelho? Não rola, pelo menos pra mim que sou terrivelmente individualista (e não me orgulho disso).

O que eu diria que é o primeiro passo pra você conseguir cuidar do seu filho você mesma é conhecer a criança. Passar todo o tempo que puder junto dela, observar. É justamente no momento em que você se sente mais incapaz de ser mãe – porque você nunca fez isso antes, porque o bebê é muito pequeno e frágil, porque você ainda não o conhece – que você precisa mais do que nunca ser mãe e cuidar você mesma do bebê. Tem gente que delega o cuidado pra pessoas mais experientes nessa hora, por insegurança. Pois eu penso que é assim que a gente adquire experiência, e é assim que a gente vira mãe: sendo mãe. O bebê com certeza não vai morrer na sua mão por falta de jeito. A natureza se encarrega das coisas, mesmo que antes de pegar a manha você sacuda o bebê quando ele está com refluxo, bata a cabeça dele na parede do balde, arranque um naco do dedo ao cortar as unhas ou coisa do tipo.

E aí, um belo dia, você se vê no controle da situação. Seu filho resmunga e você já sabe que ele vai golfar. Começa um chorinho irritado, você já sabe que é sono. E aí você chega à conclusão de que ninguém sabe cuidar do seu filho tão bem quanto você (ok, só o papai!).

O primeiro motivo pelo qual eu não quis ninguém pra nos ajudar com os cuidados da Emília desde o início foi este: eu e o Rafael precisávamos conhecer a nossa filha.

E falando em Rafael, ele é outra peça chave na nossa independência como pais. Eu acho que é possível, sim, uma pessoa – pai ou mãe – cuidar sozinha do seu filho. Mas é punk.

No primeiro mês da Emília, ele tirou férias pra se dedicar à paternidade. E, juntos, demos conta do recado lindamente – até tínhamos tempo de jogar baralho, tão tranquila era florzinha. Minha mãe às vezes ajudava mandando comida, porque era impossível ir a restaurantes ou fazer supermercado (apesar de que eu já tinha deixado o congelador cheio no último mês de gravidez). Mas quem cuidava dela éramos nós mesmos.

Hoje, passo o dia sozinha com a Emília. Quando ele chega do trabalho, a primeira coisa que faz é tirar a camisa e pegar ela no colo. Damos banho nela juntos. Três vezes por semana, ele fica com ela pra eu ir à academia. E nos fins de semana ele também toma conta dela sozinho enquanto eu tiro minhas sonecas. Se eu não tivesse marido, certamente eu precisaria de alguém pra me dar um refresco de vez em quando. Mas, com ele, tudo fica bem tranquilo. Se existisse licença paternidade (porque, convenhamos, 5 dias não é licença, né?), a gente ia cuidar dela com um pé nas costas.

Por último, nós temos conseguido nos virar muito bem por conta própria porque a Emília é uma santinha. Ela não teve cólicas nem gases, nunca foi de ficar acordando à noite (e tem dormido a noite toda desde os dois meses), é independente, chora pouco e brinca bastante sozinha. Só nos dias em que o refluxo aperta que eu sinto aquela dorzinha nas costas, de ficar segurando ela na vertical. Imagino que quem tem bebês com temperamento difícil ou com muitas dores tenha mais dificuldade em se virar sozinho, porque até as mães precisam dormir, né?

Eu digo que ela veio boazinha assim de fábrica. A gente só tomou cuidado pra não estragar.

(continua...)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Respondendo aos comentários

Uma das melhores coisas de postar é receber de volta os comentários. É legal ver a impressão que os outros tiveram do seu texto.

Mas aí eu percebi que fiz uma injustiça com meu pobre marido. No post de anteontem, quando falei que ele tinha dificuldades pra acordar à noite (e de manhã também, diga-se de passagem), acho que algumas pessoas pensaram: "Xiii, tá lascada!"

Então gostaria de esclarecer que meu marido é o marido mais lindo, maravilhoso, adorável, carinhoso, companheiro e ajudador que existe. Ele está completamente fora de qualquer estereótipo de machão sexista, como eu já descrevi aqui e aqui. Ele mesmo me disse: "Ah, amor, eu acho que vou acordar, sim, acho que o nascimento da minha filha pode mudar meu organismo, sei lá..." Eu brinquei: "A ocitocina, né? Vai te ajudar a ficar mais alerta."

É verdade que ele tem o sono pesado. Mas também é verdade que ele faz das tripas coração para jamais me sobrecarregar, e foi assim durante toda a gestação. Atualmente, ele virou meu motorista, e por conta disso perde 1h30 a mais no trânsito todos os dias porque eu trabalho longe pacas e ele vem sempre me pegar pra gente ir almoçar juntos. E devo acrescentar que ele passou a acordar às 6h15, no escuro, pra poder me levar no meu horário, que é cedão. Antes de virar meu motorista, ele já tinha começado a acordar mais cedo só pra tomar café da manhã comigo e garantir que eu não saísse de casa sem comer (antes eu deixava pra tomar café só no trabalho).

Assim como ele é um marido exemplar (lava a louça, tira o lixo, recebe a diarista, vai ao supermercado sozinho), tenho certeza de que ele será um pai maravilhoso, e que não apenas vai me "ajudar". Ele vai dividir comigo as responsabilidades de forma que não fique pesado pra ninguém. E também tenho certeza de que a Emília vai gostar muito mais da shantala dele que da minha (não sou uma massagista muito paciente, e ele gasta mais de meia hora comigo todas as noites só me fazendo massagens...).

Enfim, mega sena da virada é trocado... valioso mesmo é um homem desses!

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E quanto à iminência da chegada da Emília, adorei o comentário da Pat e quero respondê-lo aqui:

Agora devem estar chovendo previsões do tipo "amanhã muda a lua, vai nascer", "sua barriga baixou mais, vai nascer", "seu nariz desinchou, vai nascer". Acertei?

Hahahaha! Até que o povo não está palpitando muito não. Tem gente que diz (homens pricipalmente):

- Nossa, tá chegando, hem? Faltam quantos meses?
(ô dó... já pensou eu mais alguns MESES com esta barriga??)

Já as mulheres preferem a fórmula:

- Esse neném vai nascer agora?!?! Ah, é a maior felicidade, você vai ver, boa hora...

Quanto à mudança de lua, eu mesma estou palpitando sobre a data do parto com base nisso. É que a Emília desceu duas vezes em dias de mudança de lua: 24 e 31/12. Daí resolvi perguntar pra minha gineco se era mito ou verdade. Ela disse:

- Nascem bebês todos os dias... mas quando muda a lua, parece que nasce mais. A lua influencia nas águas, né?

Hoje muda a lua, mas realmente não acho que a Emília nasce hoje. Já sexta que vem, quando muda outra vez, seria um palpite com grandes chances...

E quanto à barriga baixa: de novo, ponto pra mim! Sempre sou a primeira a perceber quando ela desce um pouco. Depois disso é que o povo comenta. E depois vou na gineco e ela confirma o encaixe.

E, finalmente: meu nariz não desinchou porque não inchou! Com toda sua batatância natural, ele não precisou aumentar pra dar conta da falta de ar. Então essa parte ficou na mesma...

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Agora que fui perceber que a lua mudou foi ontem! E eu disse ontem: "Amor, acho que ela desceu mais!". Segunda-feira, se Mila não nascer antes, terei consulta pra confirmar. Mas depois de tantas coincidências, meu voto é que ela vem dia 15/01, sexta-feira, só pra avacalhar a licença-parternidade do Rafael e permitir um grande fluxo de visitantes no hospital...
Uhhhh noite de lua nova...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Será que ele vai acordar?

Meu marido tem o sono pesado. Isso pode lhe render noites maravilhosas de sono, evitando que ele acorde toda vez que eu me levanto, ou noites terríveis, porque ele não acorda mesmo se estiver desconfortável. Se eu estiver com a bexiga cheia, levanto pra esvaziar. Se estiver com frio, levanto pra pegar uma coberta. Se estiver com calor, levanto pra abrir a janela ou ligar o ventilador. Depois deito e volto a dormir melhor.

Ele não. Amanhece todo encolhido, espirrando, mas não consegue despertar pra resolver o problema do frio.

Na noite de segunda pra terça me dei conta que essa característica vai deixar o pós-parto no mínimo interessante. Tínhamos caminhado 4km com algumas subidas (o parque Olhos d'Água deve ser um dos únicos lugares em Brasília com ladeiras) sem alongar. Pra completar, fiquei um pouco de cócoras antes de dormir.

No meio da madrugada, aquela cãimbra.

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIII!!", gritei, semi-dormida.

De manhã, pergunto pra ele:

- Amor, você ouviu meu gritão à noite?
- Grito? Que grito?

Tô vendo que vou ter de ligar a babá eletrônica no amplificador pra garantir que eu não serei a única a acordar pra socorrer minha filha...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

De recesso - dia com o marido

Esta semana estamos de recesso, eu e o marido. Uma beleza. Hoje ele me acompanhou o dia inteiro: obstetra, RPG e nutricionista. Tudo às mil maravilhas.

Doutora faz o exame de toque e me diz: "Temos tudo para um parto normal." Ai, que beleza! E diz também que Emília não pretende se adiantar. "Parece que ela chegará na data certinha." Agora passarei as festas cheia de tranquilidade...

Chego na nutricionista - uma amiga de longa data - e ela com o marido ao telefone. "Desculpe, Lia, mas ele está com meu filho no pediatra e sabe como é, né? Tem que fazer videoconferência comigo." E diz que não conhece marido como o meu, que lê livro sobre parto, criação de filhos, sabe todos os medicamentos que estou tomando e responde antes de mim em que semana estou. "Seu marido é sua doula!" Adorei a comparação. E ele é mesmo.

E mais um exercício coletivo de paternidade: eu e ele fizemos juntos um CD pra Emília. Vai se chamar "Cantando para Emília". Dizem que o bebê se lembra das músicas que a mãe escutou durante a gestação, então tratamos de deixar o CD pronto algumas semanas antes de ela chegar. Cada um escolheu metade das músicas, e ficou assim:

1. Andrae Crouch & The Disciples - My Tribute
2. Ronnie Von - Jardim da Infância
3. Adoniran Barbosa - Vila Esperança
4. Toquinho - Aquarela
5. Dalva de Oliveira - Estrela do Mar
6. Georges Brassens - Le Parapluie
7. Abba - Slipping Through my Fingers
8. Smashing Pumpkins - Lily (My One And Only)
9. Chico Buarque - O caderno
10. Waylon Jennings - She's Looking Good
11. Webb Pierce - Leaning on the everlasting arms
12. Emmylou Harrys - A love that will never grow old
13. Dolores Duran - A noite do meu bem
14. Dorival Caymmi - Acalanto
15. Nat King Cole - Smile (Chaplin)
16. Julie Andrews - Stay Awake (Mary Poppins)

Várias não são músicas infantis, mas têm a ver com nosso sentimento em relação à Emília. Então ficou mesmo um CD do coração.

E já estamos idealizando o volume 2, "Dançando com Emília". Esse vai ser mais tchu-tchu-tchu.

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E fuçando pela net para baixar as músicas, descobrimos que "O Caderno" faz parte do disco "Casa de brinquedos", do Toquinho. Eu nunca tinha ouvido falar desse disco - o que talvez não seja o caso de vocês, mães. Mas se alguém não conhece, recomendo demais.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Chatinho (ou lindinho)

Troca de e-mails ontem com meu marido:

11:54 Lindinho para mim
Assunto: Posto kd

RE:
hahahah
tus é fogo.
vou ver se faço hj a tarde

14:07 Lindinho para mim

<3 linda
ps: KD O POSTO?? vc ñ tem consideração pelos seus leitores fiéis! :P

15:19 Lindinho para mim
Assunto: nao tem posto
q lastima

RE:
to fazeno o posto meu

15:40 Lindinho para mim
Assunto: Ê! Posto!

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Mala sem alça? Não, é lindo mesmo meu fã número um!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O pai

Ele está cansado. Vai dormir comigo às 22h e demora a pegar no sono, tão agitado está. Ele anda com um livro cor-de-rosa debaixo do braço pra aprender um pouco sobre a maternidade e a paternidade. Ele gosta de passar hidratante na minha barriga e sentir o bebê. Passa gel nas minhas pernas, massageia meus pés e minhas costas.

Ele perde a hora do trabalho porque teve de receber o eletricista, o técnico do telefone, o cara do vidro. Vai pra casa na hora do almoço só pra resolver mais um problema, come mais tarde ou tem de se virar com um sanduíche do Subway. E tenta chegar em casa mais cedo no fim do dia pra jantar comigo.

Acordo às 6h e tomo café da manhã em casa excepcionalmente, e ele pergunta por que não o acordei pra tomarmos café juntos.

Ele vai comigo a todas as consultas na obstetra, lê tudo o que mando sobre trabalho de parto e me acompanha nos exercícios de preparação que faço. Perde a natação e sai pra caminhar comigo.

O chefe pede que ele participe de um evento no fim de semana, e ele não quer porque quer ficar comigo. Digo que pode ir, que tire folga no meio da semana, mas ele quer o fim de semana porque no fim de semana estamos juntos.

Sugiro que almocemos juntos de vez em quando porque o refeitório no meu trabalho está um inferno. Mas peço que ele me busque, porque depois fica impossível estacionar aqui e porque estou evitando dirigir mais que o necessário. Em vez de reclamar, ele sorri e diz: “Gosto de almoçar com você.”

Estou cansada, mas às vezes tenho a sensação de que ele está mais. Meus olhos se enchem d’água quando ligo pra ele e sinto qualquer desânimo em sua voz. Meu coração fica apertado quando o vejo revirar na cama uma e outra vez tentando pegar no sono.

Ele não carrega um bebê na barriga, mas sente o peso no corpo, como eu. O coração dele não trabalha 30% a mais, como o meu, e os órgãos vitais dele não estão esmagados. Mas ele tenta compensar toda a minha falta de energia dando no mínimo esses 30% a mais de si. Ele não vai sentir as dores do parto, mas vai estar lá comigo para me segurar e me aliviar. Ele não precisaria saber nada sobre amamentação, mas conhece todas as posições e a pega correta.

Olho pra ele e penso que ele é o Super-Homem, porque ele faz tudo o que não consigo fazer. Ele diz que não é nada. Olho para ele e quero cuidar dele. Mando tomar própolis porque no trabalho ele senta bem debaixo da saída do ar condicionado. Mando levar frutas secas pra não ficar muito tempo sem comer. Compro pra ele um pacotinho de castanha de Baru. E sexta quero fazer um jantar bem gostoso pra ele.

Essa vida de adulto é difícil. Trabalhar, cuidar da casa. E agora, trazer uma criança ao mundo. Estamos cansados, mas somos dois. Graças a Deus somos dois.

E eu não o trocaria por nada.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Chatinha

Anteontem cheguei em casa morrendo de sono, doida pra fazer logo minha marmita do dia seguinte e cair na cama. O Rafael tinha ido ver mais filmes do FIC (recusei o convite justamente porque precisava descansar).

Eis que giro o acendedor do fogão e nada. “O gás deve estar fechado”, pensei. Abri o gás, e nada. Abre, fecha, abre, fecha, tenta outra e outra boca. Pego o celular (tu... tu... tu...):

- Oi amor.
- Amoooor. Acabou o gás!
- Tem certeza? Tentou abrir a chave?
- Tentei amor, acabou o gás, eu não consigo cozinhar. Como eu vou fazer, amor, sem a minha marmitinha?
- Liga pra empresa de gás. Eles trazem na hora.
- Ahhh não... vai demorar.
- Vai não, amor, é na hora.
- Mas eu não tenho o telefone.
- Não tem na geladeira?
- Não, todos os ímãs feios foram jogados no lixo na mudança.
- Então liga pra sua mãe e pergunta.
- Não quero. Não quero receber homem do gás, vai demorar, não quero fazer isso sozinha.
- Ué, mas aí você não vai poder cozinhar.
- Mas eu quero dormiiiir... eu tô tão cansada.
- Olha amor, eu posso resolver isso pra você amanhã de manhã. Você quer? Mas aí hoje não tem como eu resolver.
- Ê! Quero! Eu cozinho o brócolis no microondas! Batata no microondas! Olha, e tem minha panela elétrica.
- Ok, amor.
- Mas não esquece, viu? Não esquece que eu não posso ficar sem o meu fogão. Brigada amor.
- De nada.
- Bom filme.

E fui dormir às 20h... tão bom ter marido.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Enquanto isso, o pobre do marido...

- Amor, fiz as listas da minha mala e da Mila. A tua tu te vira.
- Eu vi. Pai não tem importancia mesmo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pai e mãe – 3 anos sob o mesmo teto.

Ela se mexe dentro da minha barriga. Eu sinto, aviso. Ele põe a mão. Às vezes sente, às vezes não dá tempo. Sinto-a mexer. Aviso. Ele observa. Às vezes vê o movimento da pele subindo, os morros se formando e desaparecendo. Às vezes não. Não consegue ficar olhando para a minha barriga por muito tempo.

Pra mim é fácil. É só curvar a cabeça para baixo e ficar confortavelmente, durante vários minutos, observando a superfície curva do meu ventre adquirir relevos variados. Sinto-a por dentro e por fora.

Nunca estou sozinha. Saio desacompanhada para caminhar, ela massageia meu útero, me lembrando que está comigo. Deito no carro para cochilar, sinto seus cutucões de leve. Trago-a comigo para o trabalho, enquanto ele está só, do outro lado da cidade.

Ela começou a ouvir a minha voz antes de qualquer outra. Só semanas depois é que passou a reconhecer a voz do pai.

Em três meses estarei com ela nos braços. Por alguns minutos, ela ainda estará ligada a mim pelo cordão pulsante. Depois vão cortá-lo, e ele também a terá. Poderá aconchegá-la no colo, amarrá-la junto a seu corpo. Mas eu a terei novamente ligada a mim pelos seios. Durante horas diárias, ela estará conectada ao meu corpo com todas as suas forças, se nutrindo de mim. E ele observará, como observa agora minha barriga.

Durante seis meses, estarei afastada do trabalho. Poderei dedicar-me tempo integral a alimentá-la, consolá-la, aconchegá-la. Ele terá cinco dias de folga, e tentará aumentar esse tempo tirando férias. Depois, ele sairá cedo e voltará ao entardecer, enquanto eu estarei com ela.

Ele me observa com inveja. Sente-se dispensável. Queria tê-la dentro de si; queria alimentá-la com seu corpo; queria poder passar mais tempo com ela. Apalpa e beija meu ventre, fala com meu umbigo. Mas não consegue estar onde estou, e lamenta.

Acho que é essa sensação que o faz mais pai. E porque ele é tão doce a ponto de querer ir além das funções primitivas de macho é que eu o amo.

Hoje faz três anos que estamos casados, o último aniversário sem filhos. E as suas meninas vêm aqui lhe dizer parabéns, marido, amante, pai.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Porque foi bom que não fosse menino desta vez

Eu e o Rafael discutindo nomes de meninos (os nomes são fictícios, mas refletem, com certo exagero, a tendência dos nossos gostos – eu, nomes de cearenses; ele, nomes esquisitos).

Eu: Já sei que nome eu quero. Sebastião.
Ele: Erasmo é muito mais legal.
Eu: Mas Sebastião é tão lindo... meu pai vai adorar.
Ele: A gente coloca Sebastião no segundo filho. O primeiro vai chamar Erasmo. Erasminho, que lindo. Já estou até imaginando...
Eu: Não consigo me acostumar com esse nome. Se meu filho chamar isso, não vou amar.
Ele: E eu não vou amar se chamar Sebastião.
Eu: Credo, amor, que horror! Você não vai amar seu próprio filho?
Ele: Ué, você disse que não ia amar se chamasse Erasmo.
Eu: E não vou mesmo.

Foi então que, sabiamente, resolvemos suspender essa discussão até saber o sexo da criança. Como diria Seu Jaiminho, é pra evitar a fadiga.

E viva a Emília!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pequenos acidentes

Ontem o Rafael foi jogar futebol e, numa disputa de bola, caiu com a testa no chão (pra quem não acompanha este blog, Rafael não é meu filho, é meu marido). Chegou em casa tonto, com um galo gigante, uns 6cm de diâmetro e pelo menos meio de altura. Disse que quase não consegiu voltar dirigindo pra casa e que estava com ânsia de vômito.

Deitei-o no sofá, com um saco plástico devidamente posicionado ao seu lado para evitar acidentes, e dá-lhe gelo no galo! Inventei que tinha que ser 20min porque os médicos sempre mandam fazer compressas de 20min quando tenho torcicolo. Analogias de leigos.

Resolvi também limpar com água oxigenada um arranhão que ele ganhou na queda, não sem gritos de protesto: "Não aguento mais dor!"

Antes de ir pra cama, procurei alguma pomadinha que pudesse ajudar a nocautear o galo (eu pensando nele chegando no trabalho hoje com aquele farol vermelho na testa... mico total). Gelol acabou e ele é alérgico a Calminex. Peguei uma pomada anti-inflamatória que o médico receitou no meu último torcicolo e fui ler a bula: "contusões, traumas..." Voilà. Passei a pomada com cuidado (o galo estava mole no meio... medo!) e, hoje de manhã, ele já estava bem melhor, apresentável até. "Obrigado, amor, por me cuidar..."

Aí eu imaginei quando forem os bebês, e eu adiar meu sono para botar gelo na pancada, limpar o machucadinho, ler todas as bulas procurando alguma coisa que ajude a melhorar. E tranquilizar a pobre vítima, claro, porque o desespero só aumenta a dor. E a gente vê que até nesses momentos mais chatinhos o amor é uma delícia!

***

Só tenho um pouco de receio de exagerar nessas analogias marido/filho. Ontem de manhã, no telefone com o Rafael, eu disse: "Vá logo trabalhar, e não esqueça seu sanduíche." Jesuis!!

***

Minha irmã acabou de me falar que eu sou louca, que não tinha que ter passado pomada nenhuma e que tinha que ter levado o Rafael no hospital. Disse que isso é lesão com derrame e que podia ter acontecido algo grave. Que bom que Deus protege os tolos!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Ele

Ele está triste, não sabe o que é. Diz que não sabe. Eu sei que ele sabe. Faço pressão, insisto. Não sei, juro. Estou assim. Mas ele nunca vem me dizer que está triste sem saber a razão. Se vem me dizer que está triste, é porque quer conversar, claro, pra ver se juntos arrumamos algum jeito de a tristeza passar.

Deixo os minutos correrem, ele ao meu lado. Conversamos amenidades, preparamos juntos minha marmita do dia seguinte. Depois do banho, cama. E eu já tinha desistido de perguntar o que se passava.

- Acho que sei por que estou triste.

Diga. Por favor, diga, meu amor. É a distância. As coisas não estão como antes. É certo, não estão. Mas é uma fase, vai passar. Choramos? Não lembro se choramos. Mas nos aproximamos, disso me lembro.

Depois. Ele me diz que tem um presente. Você comprou? Não. Alguém deu pra nós? Não, não. Presente tem de comprar, é? Você fez! Ele fez, CD do coração volume 4. É para eu ouvir durante a gravidez, ele diz. Os dois primeiros CDs que ele montou foi quando morávamos longe. Depois veio o terceiro, numa época em que eu estava triste, triste. E agora esse. Algumas músicas estranhas, outras lindas. Ele diz:

Havin' my baby
What a lovely way of sayin' how much you love me


Consigo, finalmente, chorar um pouco; e a sensação é ótima.

Ele diz que adora tudo o que eu escrevo. E falo dele aqui, sem autorização, com um pouco de receio de tornar públicas coisas íntimas. Mas arrisco, esperando que seu amor o faça me achar linda agora, como ele costuma achar tantas vezes sem razão.

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