Antes de continuar, só esclarecendo, antes que alguém se ofenda: os textos relativos à minha filosofia de cuidados com a casa e com a minha filha, bem como todo o material publicado neste blog, não têm nenhuma função crítica ou catequizadora. Sou absolutamente contra criticar mães e seu jeito de ser mãe (até a Katie Holmes eu deixo na dela).
Trabalhar fora, contratar babá, por a criança na creche, dar mamadeira, fazer cesariana, tudo vai das necessidades e crenças de cada uma. Errado é matar, roubar, mentir, essas coisas. No mais, ado, a-ado.
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Depois de toda a divagação do último post, vamos ao ponto: quem cuida do(s) seu(s) filho(s)? Eu, obviamente. Se, enquanto eu pude, eu cuidei da minha casa, os filhos, então...
Como? É só cuidar, ué. Eu digo o seguinte: não sei cuidar de bebês. Sei cuidar da minha filha. E a gente só aprende cuidando, viu?
A pergunta da Ana Paula era referente a contratar ou não uma babá. Aproveito pra ir além.
Na minha concepção, quem cuida dos filhos são o pai e a mãe. Ponto. Nem babá, nem tia da creche, nem avós, nem tios, nem amigos. Essa história de que precisa de uma tribo pra cuidar de uma criança não é pra mim. Se às vezes já é difícil o casal entrar de acordo quanto à forma de educar os filhos, quem dirá uma gentaiada metendo o bedelho? Não rola, pelo menos pra mim que sou terrivelmente individualista (e não me orgulho disso).
O que eu diria que é o primeiro passo pra você conseguir cuidar do seu filho você mesma é conhecer a criança. Passar todo o tempo que puder junto dela, observar. É justamente no momento em que você se sente mais incapaz de ser mãe – porque você nunca fez isso antes, porque o bebê é muito pequeno e frágil, porque você ainda não o conhece – que você precisa mais do que nunca ser mãe e cuidar você mesma do bebê. Tem gente que delega o cuidado pra pessoas mais experientes nessa hora, por insegurança. Pois eu penso que é assim que a gente adquire experiência, e é assim que a gente vira mãe: sendo mãe. O bebê com certeza não vai morrer na sua mão por falta de jeito. A natureza se encarrega das coisas, mesmo que antes de pegar a manha você sacuda o bebê quando ele está com refluxo, bata a cabeça dele na parede do balde, arranque um naco do dedo ao cortar as unhas ou coisa do tipo.
E aí, um belo dia, você se vê no controle da situação. Seu filho resmunga e você já sabe que ele vai golfar. Começa um chorinho irritado, você já sabe que é sono. E aí você chega à conclusão de que ninguém sabe cuidar do seu filho tão bem quanto você (ok, só o papai!).
O primeiro motivo pelo qual eu não quis ninguém pra nos ajudar com os cuidados da Emília desde o início foi este: eu e o Rafael precisávamos conhecer a nossa filha.
E falando em Rafael, ele é outra peça chave na nossa independência como pais. Eu acho que é possível, sim, uma pessoa – pai ou mãe – cuidar sozinha do seu filho. Mas é punk.
No primeiro mês da Emília, ele tirou férias pra se dedicar à paternidade. E, juntos, demos conta do recado lindamente – até tínhamos tempo de jogar baralho, tão tranquila era florzinha. Minha mãe às vezes ajudava mandando comida, porque era impossível ir a restaurantes ou fazer supermercado (apesar de que eu já tinha deixado o congelador cheio no último mês de gravidez). Mas quem cuidava dela éramos nós mesmos.
Hoje, passo o dia sozinha com a Emília. Quando ele chega do trabalho, a primeira coisa que faz é tirar a camisa e pegar ela no colo. Damos banho nela juntos. Três vezes por semana, ele fica com ela pra eu ir à academia. E nos fins de semana ele também toma conta dela sozinho enquanto eu tiro minhas sonecas. Se eu não tivesse marido, certamente eu precisaria de alguém pra me dar um refresco de vez em quando. Mas, com ele, tudo fica bem tranquilo. Se existisse licença paternidade (porque, convenhamos, 5 dias não é licença, né?), a gente ia cuidar dela com um pé nas costas.
Por último, nós temos conseguido nos virar muito bem por conta própria porque a Emília é uma santinha. Ela não teve cólicas nem gases, nunca foi de ficar acordando à noite (e tem dormido a noite toda desde os dois meses), é independente, chora pouco e brinca bastante sozinha. Só nos dias em que o refluxo aperta que eu sinto aquela dorzinha nas costas, de ficar segurando ela na vertical. Imagino que quem tem bebês com temperamento difícil ou com muitas dores tenha mais dificuldade em se virar sozinho, porque até as mães precisam dormir, né?
Eu digo que ela veio boazinha assim de fábrica. A gente só tomou cuidado pra não estragar.
(continua...)
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