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Em outubro de 2011 moradores de Ponta Negra pediam silêncio. E agora? Semurb foi fiscalizar isolamento acústico? Aconteceu alguma coisa de lá pra cá?

Tribuna do Norte - 08 de Outubro de 2011
Valdir Julião - Repórter

A despeito de já existir uma sentença judicial condenatória de primeira instância contra o município de Natal, no sentido de que a Secretária Municipal de  Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) proceda a fiscalização e combate à poluição sonora no chamado Alto de Ponta Negra, 46 moradores da rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo, conhecida como "rua do Salsa" apresentaram um abaixo-assinado na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público pedindo providências contra o  que consideram "falta de respeito e de fiscalização à "Lei do Silêncio" no local".

Rodrigo SenaNa rua Manoel Augusto Bezerra - conhecida como rua do Salsa - moradores colocam imóveis à vendaNa rua Manoel Augusto Bezerra - conhecida como rua do Salsa - moradores colocam imóveis à venda
Até mesmo empresários como o dono do Albergue Lua, Renato de Lucca, reclama do que qualifica "de boates a céu aberto", as quais são responsáveis pelos sons estridentes a partir das 23 horas e até o amanhecer na "rua do Salsa".

De Lucca afirmou que está há 16 anos na área e passou a perder clientes por causa da poluição, "porque os hóspedes amanhecem o dia sem conseguir dormir". O empresário também falou que fiscais da Semurb até já estiveram no local, "mas chegaram as 19 horas", horário em que ainda não começaram os shows das casas noturnas das redondezas, porque na rua Aristides Porpino Filho, paralela à "rua do Salsa" também funcionam outras boates, a ponto de alguns proprietários de imóveis já terem colocados placas de venda.

A dona de casa Silvana Marques Jorge disse que em virtude do som nas alturas dos bares, restaurantes e casas de shows, a filha mais velha "não tinha como estudar para a faculdade" e foi morar na casa da sogra "antes de casar".

Silvana Marques explica que só ainda não vendeu a sua residência, porque o imóvel está passando por inventário. Ela disse que também "alugava suíte "para moças" em sua casa e deixou de ter clientes em  virtude da poluição sonora.

Outra moradora da rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo, Adelaide Ferreira ainda afirmou que a movimentação noturna naquela área de Ponta Negra é um chamativo à prostituição, tráfico de drogas e à marginalidade em geral. Ela disse que nunca houve ameaça de violência, mas informou que apesar de sua casa "ter muro alto e cerca elétrica e um cão de guarda", ladrões pulam "e levam tudo o que vê pela frente".

Dona Silvana Marques declarou que dois ladrões chegaram a entrar na sua casa, quando estava com uma filha, mas por sorte, o genro que é policial também se encontrava no momento da invasão e prendeu os bandidos.

Tráfico de drogas também é comum na área
O delegado da 15ª DP em Ponta Negra, Luís Lucena, disse ontem que a Polícia nunca deixou de fazer o seu trabalho de combater o tráfico e à prostituição no  bairro ou na chamada "rua do Salsa". Ele informou que na noite de quinta-feira, 6, "foi presa a principal traficante da área": Cristiane da Silva, 27 anos, conhecida como "Lidô" ou "Gorda", que reside no distrito de Pium, em Parnamirim, e de lá saia para vender drogas no Alto de Ponta Negra.

Além da traficante, foi preso o taxista Antonio Silva Pereira, que foi enquadrado no artigo 33 por tráfico de drogas. Ele disse à Polícia que atendeu apenas o chamado de uma cliente, mas os agentes de Polícia Civil descobriram que ele já fazia "corrida" há algum tempo para a traficante, que teria escondido sete papelote de cocaína no ânus, quando os dois foram abordados pela Polícia.

O delegado Lucena disse que há um mês foi preso outro  grande traficante do Alto de Ponta Negra, Sérgio Lopes da Silva, e outro conhecido por "Jaburu" também foi preso.

Problema do barulho já está na Justiça
Em sentença datada de 29 de outubro de 2010, o juiz Ibanez Monteiro da Silva condenou o município, "na obrigação de fazer", a coibir a poluição sonora no Alto de Ponta Negra, a fim de evitar que os estabelecimentos comerciais produzissem ruídos acima dos níveis legalmente permitidos: 50 decibéis em horário noturno e 55 decibéis no período diurno.

No entanto, a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Rossana Sudário, informou que o município não vem cumprindo com a decisão judicial, apesar de a Semurb tê-la informado que as providências estão sendo tomadas.

Ela disse que aquela rua "é realmente um inferno", mas hoje  a ação civil pública que começou a tramitar em 28 de fevereiro de 2008 na 2ª Vara da Fazenda Pública, hoje se encontra em grau de recurso para que seja executada a sentença contra o município. A TRIBUNA DO NORTE tentou falar, à tarde toda, com gestores da Semurb, mas ninguém atendia o telefone.

Em setembro de 2011 a polícia estava combatendo o tráfico em PONTA NEGRA! E agora? Mudou alguma coisa?

A fórmula de combate é velha, não funciona.

O bucaro é mais embaixo e o problema mais complexo: tráfico de drogas, prostituição e violência estão conectados por uma base em comum: base familiar desestruturada. E aí que o problema tem que ser tratado, o restante é paliativo e não vão resolver nunca desse jeito (sem considerar TODO contexto social).

Movimento SOS Ponta Negra



Diário de Natal - 7 de setembro de 2011 

Polícia combate o tráfico em Ponta Negra
Operação Independência foi deflagrada para atender aos apelos dos moradores da vila e de comunidade na ZN

Uma operação batizada de "Independência" foi deflagrada para combater o narcotráfico em comunidades das Zonas Norte e Sul de Natal na madrugada de ontem. Ao todo, quatro pessoas foram detidas e um adolescente apreendido, além de drogas, dinheiro e veículos. O objetivo, segundo o delegado Odilon Teodósio, da Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc), foi atender o apelo da população da Vila de Ponta Negra e acabar com a influência de quatro irmãos que agiam na comunidade da Beira-Rio, na Zona Norte.


Comandada pelo delegado Odilon Teodósio, Denarc cumpriu 25 mandados de busca Foto:Paulo de Sousa/DN/D.A Press
A operação foi deflagrada com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão, contando com a participação de 80 policiais. Desses, 17 alvos eram da Vila de Ponta Negra. "Nosso foco é prender grandes traficantes. Mas líderes comunitários e religiosos do bairro nos pediram bastante para fazer um trabalho naquela área e resolvermos atendê-los". Na Vila, a polícia deteve o comerciante Valter Gomes da Silva, 30 anos, o "Jaburu". Em sua casa, localizada na Rua das Marianas, foram apreendidos R$ 1.938 em dinheiro, um computador, seis celulares, um VW Gol preto e uma moto Honda CB 300 dourada, além de 300 gramas de cocaína e uma pedra de crack.

Segundo Odilon Teodósio, "Jaburu" é bastante violento, chegando a ameaçar moradores do bairro. A polícia chegou ao paradeiro do acusado a partir de filmagens revelando movimentação intensa em frente a sua casa. Ainda em Ponta Negra, foi detida Luciana de Andrade Rocha, 40 anos, com dois tabletes de maconha e 12 trouxinhas da mesma droga. Juntamente com ela foi apreendido um adolescente de 17 anos. E a partir de informações de moradores da Vila de Ponta Negra, a polícia deteve também Waldenilson de Assis Medeiros, sob força de mandado de prisão, no bairro de Felipe Camarão. "Mas a atuação dele é na Vila", afirma Teodósio.

Beira-RioOutra parte da operação, de acordo com o titular da Denarc, foi para deter irmãos que tinham influência no narcotráfico dentro da comunidade de Beira-Rio, na Zona Norte. Um deles foi o Gilian Nascimento da Silva, 26 anos, o "Gili", preso na casa dos pais no conjunto Vale Dourado. O outro era Elton John Nascimento da Silva, 20, o "Tinho", que já encontra-se detido no presídio de Alcaçuz. "Eles já tinham sido pegos antes na Operação Lord (novembro de 2008), mas, como o processo judicial tem demorado muito, todos os envolvidos já foram soltos. Ele e ainda um terceiro irmão, o Manoel Tonieldo, conhecido como Sorriso, estavam tentando voltar a dominar o narcotráfico na comunidade depois que o Senhor (Alexandro Freitas de Souza) deixou a área".

PARECE PIADA: Análise do Itep não consegue diferenciar Crack de Oxi

Oxi. Quem usa tem em média um ano de vida. A droga composta de querosene, cal virgem e pasta de cocaína vicia e mata em velocidade maior que o crack. Mas no Rio Grande do Norte, a exemplo outros estados, não há laboratórios equipados e com metodologia voltada à realização de “ensaios de pureza” capazes de identificar todos os componentes da droga. As análises se restringem à presença de cocaína na amostra.


Para saber se  o entorpecente está, de fato, nas bocas de fumo em Natal é necessária a realização dos ensaios de pureza, através do qual pode-se distinguir o crack do “oxi”. E, hoje, o Itep-RN só consegue confirmar se há ou não presença de cocaína no material apreendido. O que, segundo a Denarc, não é suficiente porque o próprio crack tem como base a cocaína.

A diferenciação, segundo as autoridades, tem sua importância muito mais do ponto de vista social e de saúde pública. Para as polícias é importante saber se há ou não outra droga em circulação e a partir daí mapear sua origem. Mas quem é flagrado traficando ou consumindo o produto sofre as mesmas sansões previstas no Código Penal Brasileiro, independente se é “oxi” ou “crack”.

O titular da Delegacia Especializada em Narcóticos (Denarc), Odilon Teodósio, afirma que não há evidências suficientes para distinguir se a droga apreendida nessa quinta-feira em poder de um traficante na comunidade Passo da Pátria seja o “oxidado”. “O aspecto não é suficiente. Somente um exame apurado pode dizer isso”. O relato do traficante, associado à constatação dos policiais militares, são na opinião do delegado aspectos merecedores de atenção.

“Mas somente testes apurados podem oferecer certeza. Aqui mesmo [na Denarc], apreendemos crack de vários tipos de coloração”, afirma Odilon. O bioquímico chefe do laboratório de análises e pesquisas forenses do Itep-RN, Fabrício Fernandes, explica que o Instituto está adquirindo equipamentos que serão suficientes à realização desses ensaios.

“Os esquipamentos estão inclusos em um investimento de R$ 5,2 milhões. Com esses equipamentos e a metodologia adequada será possível, quando necessário, distinguir a composição química. É a partir dessa composição que se pode, tecnicamente, dizer se a amostra é de “oxi”.

Sem repressão, tráfico e prostituição correm soltos em Ponta Negra

Delegado Luiz Lucena afirma que já prendeu 15 pessoas ligadas ao tráfico em Ponta Negra e continua com novas investigações

Ricardo Araújo e Valdir Julião - Repórteres
Foto: Júnior Santos
Tribuna do Norte - 17 de Março de 2011

Delegado Luiz Lucena afirma que já prendeu 15 pessoas ligadas ao tráfico em Ponta Negra e continua com novas investigações

O tráfico de drogas na área de boates, bares e restaurantes na Rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo, conhecida como Rua do Salsa, em Ponta Negra, se mantem sem reservas e com um método já conhecido pela polícia: pastoradores de carros fazem o contato com os consumidores, intermedeiam a venda e se encarregam da entrega.

De acordo com informações de um espanhol que tem visto de turista no Brasil, a venda de drogas na região se inicia por volta das 0h30. Num português arranhado, ele disse: "Eu não tengo droga. Non gosto, non uso. Um amigo meu tem pó. Ele está vindo". Neste momento, mais uma viatura da PM passa na frente dos bares, mas não para.

Na área externa, próximo ao estacionamento, com R$ 10 é possível adquirir uma pedra de crack. Um papelote de cocaína chega a custar R$ 50. Pelo transporte da drogas, os "aviões" cobram, em média, R$ 5.

Na noite da última quarta-feira, equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE negociou a compra de uma pedra de crack  para comprovar a facilidade de acesso a entorpecentes no local. A droga foi devolvida ao 15º Distrito Policial, em Ponta Negra, juntamente com protocolo  descrevendo todo o procedimentos. O produto e o documento foram entregues ao Delegado Luiz Lucena

Investigação

A Polícia não entra em detalhes para não prejudicar as investigações, mas o delegado da 15ª DP esclarece que a sua equipe "já vem realizando um trabalho" na chamada "rua do Salsa", em Ponta Negra, para combater a prostituição e, principalmente, o tráfico de drogas, como cocaína e crack.

"Já prendemos umas 15 pessoas. Hoje (ontem) mesmo estava finalizando um inquérito policial sobre uma mulher que foi presa em flagrante delito traficando crack", disse Luiz Lucena .

O delegado Lucena informou que a prisão da mulher, identificada como Emanuely Lima do Nascimento, ocorreu em 5 de março, portanto,  dias antes da veiculação no programa "Fantástico", da TV Globo, mostrando a prostituição e o tráfico de entorpecentes na rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo.

Lucena explicou que essas prisões "durante um trabalho feito pela Polícia Civil e também pela Polícia Militar". Ele mesmo disse que um agente de Polícia Civil, lotado na 15ª DP, passou 30 dias fora do expediente na delegacia, investigando o tráfico de drogas na área de Ponta Negra, primordialmente na "rua do Salsa".

Ele informou, ainda, que elaborou um relatório e o enviou para o setor de inteligências das duas Policias, com a finalidade de identificar os fornecedores de drogas.

Estrangeiros lotam bares e boates

 Ninfetas e mulheres exibindo corpos como mercadorias. Acesso à cocaína e ao crack mais fácil do que se imagina. Ausência de polícia e órgãos de combate ao crime e exploração sexual. Quatro dias após a veiculação de uma reportagem em cadeia nacional sobre a prostituição e tráfico de drogas em Natal, nada mudou.

A equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE  visitou, no começo da madrugada de ontem, o complexo de bares na Rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo, conhecida como Rua do Salsa, em Ponta Negra. Alheias à presença de uma equipe de reportagem, as garotas de programa se oferecem aos turistas às vistas de quem está ao redor. Estes, por sua vez, para aumentar o prazer do sexo, compram drogas e oxigenam o tráfico na região.

 Constatou-se que, em conversas informais com frequentadores dos bares, que a partir de R$ 100 é possível "sair" com uma das  meninas ou mulheres. Sim, há jovens a partir de 17 anos que frequentam o local em busca de  clientes que pagam por sexo.  Quem chega cedo ao complexo de lazer não percebe o comércio ilegal de drogas e a prostituição que ocorre sem nenhum pudor.

O fluxo de taxis trazendo turistas, exclusivamente homens a partir dos 20 anos para os bares, aumenta a partir das 23h. É como se tudo o que acontece tivesse horário pré-determinado. Minutos antes das 23h, um camburão da Polícia Militar passou em frente ao complexo, mas nenhum policial desceu do veículo.

Até à meia-noite, as prostitutas circulam entre as mesas, em busca do programa e do parceiro perfeito para aquela noite.

 Os brasileiros não são muito bem-vindos. O que é confirmado quando elas reconhecem um e viram o rosto, como sinal de desinteresse. De acordo com Patrícia, quando as meninas identificam que o brasileiro, mesmo sendo turista, está interessado num programa, tentam descartá-lo.

"Você sabe né?! Brasileiro é bom de cama e adora pechincha. A gente trabalha mais na cama e ganha menos (risos). Nosso objetivo é pegar estrangeiro. Eles nem sempre transam, de tão bêbados que ficam", comentou Patrícia.

 Além das mulheres, inúmeros travestis frequentam o estabelecimento. Nas três horas em que a equipe de reportagem esteve no complexo de bares, 12 circulavam visualizando a movimentação no local.

A maioria se posiciona nos locais próximos aos estacionamentos. Muitos dos clientes preferem abordá-los na saída da festa. Outros iam embora e ouvia-se comentários de que a noite estava fraca. 

Prostituta conta que polícia não interefe nem no tráfico

 Timidamente, Patrícia se aproxima do possível cliente (o repórter) e revela o preço do seu trabalho: R$ 100.

Repórter – Tudo bem? E aí...

Patrícia – Tudo ótimo. Meu programa custa R$ 100. Faço quase tudo.

Repórter – Está disponível?

Patrícia – Sim. Mas vou sair com os dois? (pergunta olhando para outro membro da equipe de reportagem).

Repórter – Se você quiser, sim. Por quanto ficaria?

Patrícia – R$ 150.

 Revelado o objetivo da conversa, Patrícia topa conversar com a equipe da TRIBUNA DO NORTE num espaço mais tranquilo. Para isso, recebeu R$ 30. A entrevista foi realizada dentro do veículo que conduzia a equipe. Mais relaxada e ciente de que nada seria feito, Patrícia contou em detalhes quando decidiu fazer programa e como funciona o comércio de mulheres no local.

  "Uma amiga minha trabalha aqui há um certo tempo e me convidou. Eu estava desempregada, separada e não sabia como ia alimentar meus filhos e pagar o aluguel", comentou Patrícia. Aos 27 anos, mãe de dois filhos (um de três e outro de oito anos) ela precisa fazer no mínimo seis programas mensais ao custo de R$ 150 cada, para pagar as despesas da família.  Patrícia faz programas por conta própria, sem agenciadores.

O valor cobrado por ela, que está há quatro meses na "praça", é abaixo da média das demais meninas, que chegam a cobrar até R$ 250 por duas horas. Segundo Patrícia, quando mais lábia e domínio de idiomas como o espanhol, italiano e inglês, melhor o pagamento. A língua menos falada dentro do complexo de bares é o português.

Repórter – Como você se comunica com seus clientes estrangeiros?

Patrícia - Como eu não sei outra língua, coloco o preço do programa no celular e mostro pro cliente gringo.

Repórter – Eles pagam numa boa?

Patrícia – Sim. Os brasileiros é que pedem pra gente baixar o valor.

Repórter – Você prioriza que tipo de homem para fazer programa?

Patrícia – Todas que estão aqui querem homens de fora do país. Eles pagam bem e não abusam da gente. Tem uns que pagam e dormem e a gente vai embora.

Repórter – A polícia interfere nesse comércio de drogas e sexo?

Patrícia – Desde que estou aqui, nunca.

Espanhol seria apenas o locador dos imóveis

O escritório Pinheiro & Schelb Advogados Associados, responsável pela defesa do empresário Salvador Costa Arostegui, afirma que ele não tem qualquer ligação com as atividades que apontam para a prática do "sexo turismo" e a trafico de drogas em uma das mais movimentadas áreas de Ponta Negra. Segundo os advogados Calliandro Pinheiro e José Majuli Bezerra Filho, "Salvador é apenas o locador dos imóveis" que formam o complexo de bares, restaurantes e boates na rua Dr. Manoel Augusto Bezerra de Araújo, mais conhecida como "rua do Salsa".

"Nosso cliente apenas loca os quiosques e pontos comerciais. Os locatários é que têm responsabilidade sobre as atividades ali desenvolvidas", disse Calliandro Pinheiro, em visita à redação da TRIBUNA DO NORTE.

Outro ponto levantado pelos advogados foi a menção do nome de Marcus Gadelha, que segundo informações colhidas no local, seria o administrador do complexo.  José Majuli Bezerra Filho afirma que o citado é, na realidade, funcionário do escritório  Pinheiro & Schelb Advogados Associados. "Ele está encarregado de  inventariar e fiscalizar os imóveis e tem desenvolvido um trabalho no sentido de manter incólume o patrimônio do nosso cliente Salvador Arostegui", disse.

Para finalizar os advogados garantem que as imagens divulgadas na matéria do programa Fantástico, da Rede Globo, não foram realizadas no bar Extravasa e sim no bar Bora Bora, integrante da Praça O Jardim. 

Acompanhe alguns pontos da nota emitida pelos advogados do empresário:

- Os imóveis em questão pertencem ao Sr. Salvador Costa Arostegui, mas encontram-se locados a terceiros e que o Sr. Salvador não faz parte da administração de nenhum deles;

- Há mais de 02 anos o Sr. Salvador não vem ao Brasil, sendo certo que não possui qualquer vinculação com as atividades comerciais praticadas em seus imóveis;

- Quanto as atividades comerciais desenvolvidas nos bens de propriedade do Sr. Salvador Costa Arostegui, importa esclarecer que a própria Justiça Federal já as declarou lícitas, autorizando-o a continuar explorando e recebendo os alugueis de seus imóveis, já que não houve expropriação de suas propriedades;

- Devido a notória falta de segurança em todo o bairro de Ponta Negra e não só no complexo em questão, em setembro de 2010, foi enviado ofício às autoridades públicas solicitando providencias no sentido de inibir a venda de drogas e a prostituição nos arredores do centro comercial;

CNJ - Juízes fiscalizam exploração

Uma equipe composta pelos juízes auxiliares Nicolau Lupianhes, Agamenilde Dantas e José Antônio de Paula Santos Neto, além do assessor Sílvio Marques Neto e mais quatro servidores da Corregedoria Nacional do Conselho Nacional de Justiça-CNJ, está visitando o Rio Grande do Norte desde essa terça-feira com o objetivo de verificar o cumprimento das determinações feitas pelo órgão ao Tribunal de Justiça do RN na inspeção promovida em fevereiro passado.

Durante a visita, que vai até amanhã, os juízes auxiliares também estão levantando as medidas que estão sendo tomadas pelo Tribunal de Justiça para garantir a dignidade das crianças e dos adolescentes e combater a exploração sexual de menores. A revisão da inspeção está sendo feita em unidades de primeiro e segundo graus da justiça comum estadual.

Ao ser indagado sobre o caso das crianças colocadas em situação de risco em Ponta Negra e  exibido em mídia nacional, o juiz descreveu como uma situação trágica que não é "privilégio" apenas do Rio Grande do Norte ou de Natal, mas que o Brasil inteiro sofre com isso. Porém, ele esclareceu que todos estão trabalhando muito para combater o problema. Um grande exemplo citado por ele é o trabalho desenvolvido pelo juiz José Dantas de Paiva, da 1ª Vara da Infância e Juventude de Natal.

Em entrevista, Nicolau Lupianhes informou que o trabalho da equipe no momento é o de colher dados, checar se as recomendações do relatório da inspeção estão sendo cumpridas, como adoção de políticas públicas por parte das varas da infância e juventude, por exemplo.

Prostituição e tráfico de drogas continuam "liberados" na noite de Ponta Negra

Ricardo Araújo - Repórter
Tribuna do Norte 16/março/2011

Mulheres e adolescentes exibindo corpos como mercadorias. Acesso à cocaína, ao crack e a outras drogas mais fácil do que se imagina. Ausência das polícias e dos órgãos de combate à exploração sexual. Três dias após a veiculação de uma reportagem no Fantástico, da rede Globo, em cadeia nacional sobre a prostituição e tráfico de drogas em Natal, nada mudou.

A equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou, na noite/madrugada destas terça e quarta-feira (15 e 16), o complexo de bares na Rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo, conhecida como Rua do Salsa, em Ponta Negra.

Alheias à presença de uma equipe de reportagem, as garotas de programa se oferecem aos turistas às vistas de quem está ao redor. Estes, por sua vez, para aumentar o prazer do sexo, compram drogas e oxigenam o tráfico na região.

Constatou-se que, em conversas informais com frequentadores dos bares, que a partir de R$ 100 é possível "sair" com uma das  meninas ou mulheres. Sim, há jovens a partir de 17 anos que frequentam o local em busca de  clientes que pagam por sexo. Inclusive algumas funcionárias dos bares também fazem programa, ao final da jornada de trabalho formal. "Sim, elas também fazem. Podem até dizer que não, mas com uma nota de R$ 100 na mão...", relata Patrícia (nome fictício), uma das garotas de programa que circula entre os bares. 

Além das mulheres, inúmeros travestis frequentam o estabelecimento. Nas três horas em que a equipe de reportagem esteve no complexo de bares, 12 circulavam visualizando a movimentação no local. A maioria se posiciona nos locais próximos aos estacionamentos. Muitos dos clientes preferem abordá-los na saída da festa. Outros iam embora e ouvia-se comentários de que a noite estava fraca.

Tráfico

De acordo com informações de um espanhol que tem visto de turista no Brasil, a venda de drogas na região se inicia por volta das 0h30. Num português arranhado, ele disse: "Eu não tengo droga. Non gosto, non uso. Um amigo meu tem pó. Ele está vindo". Neste momento, mais uma viatura da PM passa na frente dos bares, mas não para. O comércio continua.

Na área externa, próximo ao estacionamento, com R$ 10 é possível adquirir uma pedra de crack. Um papelote de cocaína chega a custar R$ 50. Pelo transporte da drogas, os "aviões" cobram, em média, R$ 5.

O transporte das drogas nas ruas que cercam o complexo de bares é feito pelos "pastoradores" de veículos. Pela agilidade entre a negociação dos valores, quantidade a ser comprada, pagamento e recebimento da "encomenda", não se passam mais de cinco minutos. Além da venda, eles apontam aos interessados os melhores locais para fazer uso do entorpecente e ainda se oferecem para fumar ou cheirar junto. 

Durante a reportagem, a equipe da TRIBUNA DO NORTE comprou uma pedra de crack ao preço de R$ 10. Outros R$ 5 foram entregues ao "flanelinha-avião". Orientado pela assessoria jurídica, o jornal já providenciou a entrega da droga adquirida à Polícia Civil.

Prostituição

Quando a equipe de reportagem estava no local, uma das prostitutas se aproximou e ofereceu o "programa" por R$ 100. Revelado o objetivo da conversa, Patrícia (nome fictício) topou conversar com a equipe da TRIBUNA DO NORTE num espaço mais tranquilo. Para isso, recebeu R$ 30. A entrevista foi realizada dentro do veículo que conduzia a equipe.

Mais relaxada e ciente de que nada seria feito, Patrícia contou em detalhes quando decidiu fazer programa e como funciona o comércio de mulheres no local.

"Uma amiga minha trabalha aqui há um certo tempo e me convidou. Eu estava desempregada, separada e não sabia como ia alimentar meus filhos e pagar o aluguel", comentou Patrícia. Aos 27 anos, mãe de dois filhos (um de três e outro de oito anos), ela precisa fazer no mínimo seis programas mensais ao custo de R$ 150 cada, para pagar as despesas da família.

O valor cobrado por ela, que está há quatro meses na "praça", é abaixo da média das demais meninas, que chegam a cobrar até R$ 250 por duas horas. Segundo Patrícia, quando mais lábia e domínio de idiomas como o espanhol, italiano e inglês, melhor o pagamento. A língua menos falada dentro do complexo de bares é o português.

Bate-papo
Repórter – Como você se comunica com seus clientes estrangeiros?
Patrícia - Como eu não sei outra língua, coloco o preço do programa no celular e mostro pro cliente gringo.
Repórter – Eles pagam numa boa?
Patrícia – Sim. Os brasileiros é que pedem pra gente baixar o valor.
Repórter – Você prioriza que tipo de homem para fazer programa?
Patrícia – Todas que estão aqui querem homens de fora do país. Eles pagam bem e não abusam da gente. Tem uns que pagam e dormem e a gente vai embora.
Repórter – A polícia interfere nesse comércio de drogas e sexo?
Patrícia – Desde que estou aqui, nunca.

Moradores da Vila de Ponta Negra fazem protesto contra as drogas


Uma movimentação na Vila de Ponta Negra, zona Sul da capital, na tarde de ontem chamou a atenção para o grande consumo de drogas na região. Apesar de poucas pessoas aderirem ao movimento, a intenção foi tentar reprimir o consumo de crack na Vila por meio da conscientização. Deth Hak, embaixadora universal da paz e membro do movimento Filhos de Ponta explicou que toda ação é importante para coibir o tráfico de drogas, a prostituição e qualquer tipo de violência.

Além de Deth estiveram na movimentação outros membros de entidades: Patrícia Marinho, diretora do Departamento dos Direitos Humanos da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, Keila Moreira, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Graça Leal representante do Centro Cultural de Ponta Negra. Segundo as líderes do movimento, o medo de represália evitou que moradores participassem da manifestação. “A sociedade civil tem que se organizar. O crack é uma questão de saúde pública”.

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Mortes em decorrência do crack mobilizam Vila de Ponta Negra

Nominuto.com - 24 de maio de 2010
Texto e fotos: Fábio Bezerra


Entidades e moradores promoveram caminhada para alertar a sociedade.

Foi realizada no final da tarde desta segunda-feira (24 de maio), na Vila de Ponta Negra, uma passeata em protesto contra o crescente número de mortes de adolescentes em decorrência do uso de drogas, em especial o de crack. Moradores e representantes de algumas entidades caminharam pelas ruas e becos do bairro, vestidos de preto e branco, segurando velas acesas.

“Caminhada Silenciosa da Paz” foi o tema da passeata que contou com a participação de representantes da Secretaria Municipal de Saúde, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Departamento dos Direitos Humanos, Centro de Cultura da Vila de Ponta Negra e Movimentos como S.O.S Ponta Negra e Filhos de Ponta Negra.

Segundo a embaixadora do Movimento Universal da Paz e coordenadora do Movimento Filhos de Ponta, Deth Haack, a caminhada foi para chamar a atenção da sociedade para os casos crescentes de violência em todos os lugares do Brasil.

“Pretendemos mostrar que essa problemática é por causa do crescimento da violência decorrente do uso de drogas. Toda semana vemos casos aqui no bairro e em todo o país de pessoas mortas, principalmente de adolescentes envolvidos com o crack.”

A embaixadora também chama a atenção para crianças e adolescentes envolvidas com prostituição. “Nossa luta não é só contra as drogas. É contra a violência doméstica e prostituição infantil. Temos vários casos dentro do nosso Movimento de meninas que vendiam seus corpos em troca de dinheiro.”

A caminhada começou por volta das 17h e contou com a tímida presença de alguns moradores do bairro, pois a maioria não comparece com medo de represálias.

Graça Leal

De acordo com a coordenadora de Cultura da Vila de Ponta Negra, Graça Leal, sempre que há uma caminhada ou qualquer movimento contra as drogas é difícil encorajar a população a participar. Graça diz ainda que o problema não está só nas drogas, mas também na falta de uma política pública que desenvolva atividades para os adolescentes.

“Toda caminhada é assim mesmo. Mas não vamos desistir. Precisamos mostrar pra sociedade que o problema não é só resolver o envolvimento de adolescentes com as drogas. É preciso resolver o problema da educação, é preciso investir em clínicas de reabilitação. Cadê as políticas de emprego para o adolescente? É preciso ocupar a mente dessas crianças para que eles não caiam nessa vida. Não podemos cruzar os braços, pois depois que o crack toma conta deles, é difícil o longo caminho pra tirá-los dessa vida, mas é perfeitamente possível. A sociedade civil precisa se organizar", declarou a coordenadora.

# Leia mais: Combate ao crack ganha força com programação na Vila de Ponta Negra


.: Natal contabiliza 758 bocas de fumo em apenas 4 bairros

TRIBUNA DO NORTE - 19/jul/2009
Foto: Marcelo Barroso

Equipe da Denarc conseguiu contabilizar as bocas de fumo em quatro bairros de Natal e os número impressionam

Um número que impressiona e que representa bem a aflição dos moradores de Natal. Representa também o poder de alcance dos narcotraficantes, o sofrimento de milhares de famílias e a incapacidade das polícias em minimizar a influência do tráfico de drogas, que tomou conta da cidade. Segundo um levantamento feito pela Delegacia de Narcóticos (Denarc) a partir das denúncias realizadas pela população, em apenas quatro bairros da capital são 758 os pontos de venda de entorpecentes.

A informação foi passada semana passada, pelo delegado Odilon Teodósio, que tem a dura missão de tentar diminuir o comércio de drogas em Natal. “É só para se ter uma ideia de como está o tráfico aqui”, disse o delegado. Foram escolhidos os bairros das Quintas, na zona Oeste, onde há 233 bocas de fumo, Ponta Negra, na zona Sul, com 209 pontos, as Rocas, que tem 164 bocas de fumo e o conjunto Vale Dourado, Zona Norte, onde foram registrados 152 pontos de venda.

A título de comparação, o número de pontos de vendas de drogas nesses quatro bairros é 457,35% maior que o número de escolas da rede municipal de ensino em toda a capital, que é de 136. Se for comparado com o número de unidades básicas de saúde na cidade, que é de 76, o número de bocas d e fumo é 501,47% maior. A grande oferta significa um grande número de usuários, o que, por tabela, quer dizer mais trabalho para a polícia em relação a outros delitos. O tráfico de drogas traz com ele uma série de outros crimes como homicídios, assaltos e furtos, que os dependentes cometem em busca de dinheiro para comprar principalmente crack e maconha.

“A gente vai atrás do traficante grande, porque desses pequenos fica complicado”, explicou o delegado Odilon Teodósio, que essa semana comandou a prisão do ex-policial militar Marcelo Marcondes da Luz, que atuava nas Rocas.

O experiente delegado conta que em Natal algumas delegacias distritais colaboram na prisão de traficantes, também fazendo investigações contra o tráfico. Mas defende que a colaboração poderia ser maior, já que a demanda da Denarc fica pesada demais para o efetivo que é reduzido.

Psicanalista conta o drama dos viciados

Quem trabalha há muitos anos na recuperação de dependentes de drogas percebe claramente como a grande oferta das substâncias atrapalha o tratamento e a vida dos usuários. O psicanalista Stenio Saraiva Barros lida diariamente com essas pessoas e vê o sofrimento delas em tentar se afastar de substâncias que são trazidas até em serviço de motoentrega.

Quando falou com a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE, Stenio Saraiva havia acabado de atender minutos antes em seu consultório, um viciado em cocaína, que lhe fizera uma revelação. “Esse rapaz acabou de me dizer que vários desses pequenos hotéis no centro da cidade são pontos de venda de drogas. A droga que você quiser é possível encontrar nesses pontos, segundo o meu paciente”, disse o psicanalista.

Segundo Stênio Saraiva, os pacientes que passam pelo consultório dele já relataram do serviço de “disque-droga”, em que o usuário pode fazer o pedido do entorpecente pelo telefone e uma pessoa vai deixar em uma motocicleta, onde ele estiver. “A facilidade é muito grande. Anos atrás havia um ponto de venda em um shopping da cidade. Era só chegar ao estacionamento, ficar um tempo lá que o cara vinha lhe oferecer”, denunciou.

O professor Stenio ressalta a dificuldade criada no tratamento para os dependentes a partir da facilidade com que a droga é encontrada. Segundo ele, o desejo do dependente sempre aparece, e se a droga está próxima, ele pode saciá-lo e alimentar o vício sem qualquer problema.

A disseminação das drogas pelas ruas tem um outro lado tragicamente importante: cada vez pessoas mais novas têm acesso aos entorpecentes. Saraiva lembra que atendeu em uma instituição pública, um menino de seis anos que já usava crack. “Ele chegou lá com um estado de saúde que precisou ir direto para o hospital. Desnutrido, magro, não tinha forças nem para falar. O estado do menino era deplorável . Ele realmente precisava de ajuda para poder largar o vício e a droga que o estava matando”, disse o psicanalista.

Entrevista: Elias Nobre - Delegado-Geral de Polícia Civil

É possível dar conta de tantos pontos de venda?
Olha, o que dificulta nosso trabalho é o varejo do tráfico. A quantidade realmente é grande e se a gente trabalha só no varejo fica difícil. Por isso, a polícia hoje faz um trabalho direto na fonte. É uma questão de prioridade. Atacando os grandes traficantes e prendendo, estamos combatendo indiretamente os pequenos. Não adianta encher os presídios de peixes miúdos e deixar os tubarões do lado de fora. Claro que já fizemos várias prisões com pequenas quantidades de crack, como três ou quatro pedras, mas é preciso atacar o grande.

As drogas estão espalhadas por todos os bairros. O quanto isso dificulta mais, visto que antes ela se concentrava mais na periferia?
Não só em todos os bairros, como em pequenas cidades do interior. Há cidades que até pouco tempo atrás nem se sabia o que era droga, e hoje a gente vê crianças drogadas no meio da rua. Aliás, este é um problema do país inteiro. É um problema não só de polícia, mas principalmente social.

Certamente o tráfico representa uma demanda maior porque acaba relacionado a outros delitos...
Um exemplo é a quantidade de objetos apreendidos na casa de Marcelo (ex-PM preso por tráfico no bairro das Rocas) esta semana. Todos trocados por drogas. Para conseguir a droga o usuário acaba roubando ou furtando. Vemos inclusive pessoas espancando os pais para conseguir dinheiro. Muitas vezes estamos investigando uma quadrilha de traficantes e prendemos pessoas envolvidas em roubo a bancos, de cargas ou grupos de extermínio.

Adianta fazer trabalho policial, sem um outro de prevenção?
Se não houver o cuidado com o lado social, você pode construir uma cadeia por dia, que todas vão encher.

As delegacias distritais têm sido orientadas a fazer o combate ao tráfico, ou somente a Denarc tem feito?
As distritais precisam fazer de tudo. Claro que a Denarc é uma especializada. Mas apesar da competente equipe que temos lá, e o do delegado que considero um dos melhores do Brasil, a demanda realmente é muito grande.

Qual a importância do “Disque-Denúncia” para a polícia?
É a mais importante fonte de informação que temos. Todas as denúncias são checadas pela pessoal da inteligência e investigadas pela delegacia correspondente. É importante que a população continue denunciando, para que nós possamos continuar fazendo as prisões.