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quarta-feira, fevereiro 09, 2011

História da música electrónica, concreta e experimental #19

Henry Cowell, parte 2

Cowell foi uma das figuras centrais no círculo de compositores de vanguarda, onde se incluem nomes como Cal Ruggles e Dane Rudhyar, Leo Ornstein, Colin McPhee, John Becker, Edgard Varèse e Ruth Crawford. Em 1927 fundou a revista New Music onde viriam a ser publicados muitos dos futuros nomes da composição ultra-modernista. Em 34 fundou a editora New Music Recordings, onde, para além dos seus próprios trabalhos, editou trabalhos de jovens autores ultra-modernistas.

Em 1928, Cowell, Ruggles, Varèse, Carlos Salzedo, Emerson Whithorne, Carlos Chávez constituíram a associação Pan-americana de compositores, cujo objectivo era promover os compositores de todo o hemisfério ocidental e criar uma comunidade entre eles que transcendem as fronteiras. O primeiro concerto realizado pela associação decorreu em Nova Iorque em 1929, dedicado à música latino-americana, que incluiu obras de Chávez, do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, e dos cubanos Alejandro Garcia Caturla e Amadeo Roldán. No ano seguinte, a associação promoveu um concerto dedicado aos ultra-modernistas norte-americanos, com obras de Cowell, Crawford, Ives, Rudhyar, Antheil, Henry Brant e Vivian.

Nessa época Cowell começou a dar aulas de composição e teoria musical. Entre os seus estudantes contam-se nomes como George Gershwin, Lou Harrison, que baptizou Cowell como mentor dos mentores, e John Cage que o proclamou como o maior precursor da nova música na América. O contacto com compositores de diferentes partes do mundo contribuiu para uma visão musical eclética que ficou bem expressa na sua frase “Eu quero viver no mundo da música”.

De regresso aos Estados Unidos da América, Cowell viria a ser preso em 1936 e condenado a doze anos de prisão sob a acusação de ser bissexual. Durante os quatro anos que esteve na prisão estadual de San Quentin, ensinou música e dirigiu a banda da prisão, tendo continuado a compor novos temas, cerca de 60 no total. Em 1940 foi-lhe concedida a liberdade condicional tendo casado com Sidney Hawkins Robertson no ano seguinte, uma estudiosa de música popular proeminente que desempenhou um importante papel na conquista da liberdade de Cowell. Em 42 foi-lhe concedido um indulto. Em 65 viria a morrer em Nova Iorque após uma série de doenças.

terça-feira, janeiro 11, 2011

História da música electrónica, concreta e experimental #18

Henry Cowell, parte 1


Henry Cowell é considerado, mesmo pelos seus detractores, como um dos maiores compositores do século XX. Poucos foram os criadores musicais que produziram um conjunto de obras tão radicais e tão normais, e, simultaneamente, tão penetrantes e abrangentes. A sua carreira ficou marcada pela produção maciça bem como por ter sido um dos maiores pedagogos musicais norte-americano.

Cowell nasceu a 11 de Março de 1897 na zona rural Menlo Park, na Califórnia, filho de dois escritores, sendo seu pai imigrante irlandês e a sua mãe natural do Iowa. Cowell demonstrou talento musical precoce e começou a tocar violino aos cinco anos de idade. Após o divórcio de seus pais em 1903, ele foi criado por sua mãe, Clarissa Dixon, autora das primeiras novelas feministas. Apesar do divórcio, Cowell manteve contacto com o seu pai, que lhe deu a conhecer a música irlandesa, que viria a ser um marco em toda a sua carreira.

Cowell foi um autodidacta, e na sua adolescência já compunha temas, normalmente com melodias repetitivas, como é o caso do tema Anger Dance. Mais tarde viria a ser admitido na Universidade da Califórnia através de convite do seu patrono Charles Seeger. Após dois anos em Berkeley, Cowell prosseguido estudos em Nova York, onde ele encontrou Leo Ornstein, o radicalmente "futurista" pianista e compositor. Ainda adolescente, Cowell escreveu a peça para piano Dynamic Motion, em 1916. De regresso à Califórnia, Cowell envolveu-se numa comunidade teosófica, Halcyon, liderado pelo poeta irlandês John Varian, que alimentaram o interesse Cowell na cultura folclórica irlandesa e mitologia. Em 1917, Cowell escreveu a música para a produção teatral de Varian The Building of Banba, que viria a ser a ser a sua composição mais conhecida.

No início dos anos 20, Cowell viajou amplamente na América do Norte e Europa, como pianista, tocando suas próprias obras experimentais, explorações seminais da tonalidade, politonalidade, polirritmia. Béla Bartók ficou impressionado com a técnica e mestria de Cowell, tendo-lhe pedido autorização para utilizar o seu método de tocar. Outra técnica inovadora, consistia em dedilhar as cordas do piano directamente, ao invés de tocar as teclas. Esta técnica de tocar piano viria a ser uma das principais influências para as composições de John Cage.

Em 1919, Cowell começou a escrever New Musical Resources, que viria a ser publicado após extensa revisão em 1930. Com foco na variedade de conceitos inovadores de rítmico e harmónico que ele usou nas suas composições, viria a ter um efeito poderoso sobre os compositores vanguardistas americanos. As suas experiências com variações rítmicas conduziram à invenção do Rhytmicon (de que falarei mais tarde), instrumento polifónico que viria a ser nos anos 60 amplamente utilizado pelo produtor Joe Meek. Até aos inícios dos anos 30, Cowell compôs dezenas de peças para piano, das quais se destacam Banshee.

No início dos anos 1930, Cowell começou a investigar os sistemas aleatórios, permitindo que os instrumentistas determinassem os elementos primários da composição. Uma de suas principais peças de câmara, o Mosaic Quartet (String Quartet No. 3) (1935), é classificada como uma colecção de cinco movimentos sem sequência predeterminada.


Ponto de escuta: The Banshee
105-henry cowell-the banshee (1925. 1957)-dps by sonsmusica