quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Cansado e...


Pinheiro-manso (Pinus pinea L.)
*

(...) algo perdido como este pinheiro-manso no meio da selva urbana. É assim que me sinto hoje.

Notícias como as dos últimos dias, como o abate de uma das minhas árvores monumentais de eleição na Covilhã e de uma alameda de plátanos em Unhais-da-Serra, fazem-me desanimar um pouco e descrer de muito do que faço e escrevo.

Mas não se iludam os inimigos das árvores: estou nesta luta convicto da razão e nada me fará deter na denúncia destes crimes contra o património natural que é de todos os portugueses (mesmo dos que não lhe dão valor e o desprezam).

Um dos motivos que me fazem continuar é saber que não estou só. Obrigado a todos os que nos últimos dias mostraram a sua solidariedade e aqui deixaram o seu comentário. Isto é só o princípio!...

*Por vezes temo que as únicas árvores que estejam a salvo da podite aguda sejam estes rebentos que vou espalhando por varandas e terrenos de amigos. Este pinheiro está na varanda da minha namorada em Braga; aqui podem espreitar a mãe e o irmão da Covilhã que, entretanto, foi adoptado pela minha colega Rosa)

P.S. - Termino com uma boa notícia: curso de identificação de árvores e arbustos (a 29 e 30 de Março em Miranda do Douro).

Passado, presente (e que futuro?)



Bairro do Rodrigo (Covilhã) - O antes e o depois... (fotografia do depois: O Cântaro Zangado)



Unhais-da-Serra (Covilhã) - O antes e o depois... (fotografia do depois: Estrela no seu melhor)


P.S - A infâmia do Bairro do Rodrigo no Diário XXI; o massacre de Unhais no blogue Vila do Paul, terra de tradições.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

O exemplo tem que começar nas escolas

Escola Básica e Secundária das Palmeiras (Covilhã)



Escrevo ainda sob a revolta de ter visto ontem uma parte do património natural da minha cidade ser destruído de forma impune. E de não perceber o que dá o direito ao poder político eleito por 4 anos, de se outorgar a legitimidade para destruir património que levou dezenas de anos a crescer.



No entanto, e sem querer fazer julgamentos públicos, não nos podemos admirar por assistir à destruição do património arbóreo nas cidades, quando o mau exemplo é dado nas escolas que deveriam ser, também neste aspecto, um exemplo de cidadania e de educação cívica para toda a comunidade em que estão inseridas.


Escrevo estas palavras com a legitimidade de quem também é professor e tem a humildade para reconhecer que não sabe tudo, nem está interessado em fazer uma caça às bruxas entre os colegas de profissão (como aliás fiz questão de escrever neste texto).



Escola Básica e Secundária das Palmeiras (Covilhã)





Veja-se um entre centenas de exemplos no país: a Escola Básica e Secundária das Palmeiras na Covilhã. A qual é um orgulho para a cidade por ter sido avaliada pelo Ministério da Educação com "Muito Bom" em diferentes parâmetros.


No entanto, e como se pode observar pelas fotografias que publico, ao nível da conservação das árvores dos seus jardins a nota que merece, tal como grande parte das escolas deste país, é um claríssimo "Insuficiente"!

Não se trata de querer "crucificar" uma escola em particular, até porque basta atravessar a rua para encontrar panorama semelhante na Básica Pêro da Covilhã.

Trata-se antes de querer aumentar o grau de exigência que as escolas devem ter em termos do seu papel na formação da comunidade em que se inserem. Poderá uma escola que não cuida de forma apropriada das suas árvores ter autoridade moral para comemorar o Dia da Árvore? Ou mesmo exigir à comunidade local que o faça?



Mas para que haja uma réstia de esperança e a certeza de que ainda há "escolas com árvores", publico duas outras imagens da minha escola.





Escola Básica Dr. Garcia Domingues (Silves)





Poderemos ter que fazer alguns progressos em diferentes parâmetros de avaliação, mas numa coisa temos muito orgulho: nas nossas árvores!


Os meus alunos podem estar preocupados com o próximo teste de Matemática ou de História, mas não perdem o sono com medo que as árvores da escola lhes possam cair em cima...





Escola Básica Dr. Garcia Domingues (Silves)



P.S. - Mais notícias tristes sobre árvores:



- O massacre de Unhais-da-Serra no blogue Estrela no seu melhor; o "progresso" não permitiu que se arranjasse uma solução que preservasse um conjunto monumental de plátanos (alguns dos que mostrei neste texto).




segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Requiem por uma árvore

Era assim no Inverno...


Tília (Tilia tomentosa Moench.), Covilhã (passado)





E era assim na Primavera...



Tília (Tilia tomentosa Moench.), Covilhã (passado)



E assim no Verão...


Tília (Tilia tomentosa Moench.), Covilhã (passado)




Infelizmente, nunca a fotografei no Outono e agora já é tarde...Porque hoje alguém a mandou decepar e a condenou a uma morte certa, lenta e degradante.



A mesma tília transformada num cepo (fotografia do José)




Sobre ela falei aqui, aqui, aqui e aqui. Neste texto lamentei a resposta negativa da Direcção-Geral dos Recursos Florestais ao pedido que tinha feito para classificar esta tília como árvore de interesse público. Nesse dia escrevi com mágoa o que hoje escrevo com raiva:

"Concordo (...) que não poderemos proteger todas as árvores por sabermos que daqui a 10 ou 20 anos irão ser notáveis (descontados eventuais acidentes de percurso...).
Mas, como fiz questão de sublinhar na carta que escrevi aos serviços da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, a classificação desta tília notável poderia servir como incentivo para ajudar a população local e as autoridades municipais a mudar a forma como encaram e tratam o património arbóreo da cidade. Dirão que essa não é a missão da Direcção-Geral dos Recursos Florestais. Concordo.
Mas com toda a certeza mudarei de opinião no mesmo dia em que a vir tombar, como já aconteceu a várias outras tílias deste bairro, às mãos das podas assassinas
".


Sinceramente, não me interessa muito em saber quem foi o mandante desta estupidez; se a decisão partiu da Câmara Municipal da Covilhã ou da Junta de Freguesia da Conceição. Apenas me interessa saber qual o destinatário da carta de protesto que irei escrever.


Não sei o que lhes causava incómodo nesta árvore: as folhas que caíam no Outono? A sombra no Verão? O som dos pássaros que aí procuravam refúgio? A mente humana pode ser muito mesquinha e absurda.

Resta-me a convicção profunda que qualquer dos meus alunos de 10 anos seria mais competente e responsável na gestão do património arbóreo do que estes políticos sem estatura moral que nos governam. A esses, aos mandantes, os meus parabéns pela meia dúzia de votos que terão ganhado com esta infâmia!

Algumas notícias com árvores

Lagoa dos Salgados: algumas espécies que proliferam no Algarve: palmeiras e gruas!

- A Sabedoria das Árvores: um workshop para adultos e crianças no Parque de Monserrate (Sintra).

- O site da Direcção-Geral dos Recursos Florestais está em remodelação, motivo pelo qual, suponho que de forma temporária, está indisponível a listagem de árvores classificadas por distrito. Na actualidade esta é a informação disponível sobre classificação de árvores no referido site.

- Uma notícia que nos chega de Espinho: um conjunto de ulmeiros (negrilhos) situado junto às instalações da Universidade Sénior (antiga Escola nº 2) foi cortado pelos serviços da autarquia local. Justificação de Manuel Rocha, vereador responsável pelas Obras e pelo Ambiente: “(...)eram negrilhos que estavam doentes e que largavam uma substância ácida que tinha uma acção corrosiva, até sobre os próprios carros”. Os carros, essa eterna obsessão lusitana!
Sabendo que a generalidade das autarquias não tem técnicos credenciados na área da arboricultura, gostava muito de saber quem são os senhores que passam estes atestados de doença às árvores (embora, paradoxalmente, não me custe a crer que fosse esse o caso, pois grande parte das árvores que vemos nas cidades portuguesas apresentam um aspecto decrépito em consequência das podas ordenadas pelas próprias autarquias).

- Uma notícia que me faz temer o pior: com uma duração prevista de seis semanas, tem início hoje, dia 11 de Fevereiro, uma operação de limpeza de árvores no Parque Palmela, em Cascais. O que será que esta gente entende por "limpeza de árvores"?

- Uma informação via Floresta do Interior: IV Seminário "Temas actuais de engenharia florestal", a 20 de Fevereiro, dedicado às plantas invasoras.

- Um blogue com excelentes fotografias de árvores.

Viagens VI



Na passagem por Estremoz a vista descansa nas encostas cobertas de vinha e na monumentalidade das oliveiras.


sábado, fevereiro 09, 2008

Árvore aberta

Sobreiro (Quercus suber L.) - Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas)


Dobrei teus pulsos a dura aranha
do teu corpo
a tua árvore
faca que rasgou a barreira do ventre
a tua face abrindo-se como um barco
amei-te tempestade de ossos e de nervos
contra ti
contra ti


exílio
pátria sobre o chão
e fuga

furiosa e suave lâmina animada
bebida a jactos
aranha alta e linda
enclavinhada
destilando o suor a baba o vinho a seiva
o estrépito da primavera
de uma árvore que se abre
no silêncio.

António Ramos Rosa


Sobreiro (Quercus suber L.) - Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas)


P.S. -
Deixo a ligação para duas imagens recentes e prévias à derrocada da pernada (aqui e aqui).

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

O Sobreiro de Portugal

Sobreiro da Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas) - Imagem retirada de "Árvores Monumentais de Portugal", Ernesto Goes (1984)


O engenheiro Ernesto Goes que percorreu este país, de lés-a-lés, em busca de árvores monumentais, não parece ter hesitado quando escreveu a propósito deste sobreiro (Quercus suber L.) da Herdade de Pai Anes: "Deve ser sem dúvida o sobreiro mais espectacular do país...". E depois de o contemplar é fácil acreditar nestas palavras.

E continua a sua descrição: "Se bem que anteriormente fora parcialmente descortiçado conforme descrição de Sousa Pimentel no seu livro "Árvores Giganteas de Portugal" publicado em 1894, no entanto desde há muitos anos deixou de o ser, pois presentemente dá a impressão que está todo revestido de cortiça virgem. O tronco mantém a mesma grossura (7,20 metros) e a copa idêntica dimensão (presentemente de 30 metros de diâmetro), se bem que algumas grandes pernadas já tivessem caído com o ciclone de 1941."



No passado Sábado tive, finalmente, a oportunidade de lhe prestar a devida vassalagem. E "baptizei-o" como: O Sobreiro de Portugal.


Este colosso feito sobreiro situa-se na Herdade de Pai Anes, nas imediações da povoação de Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide (na estrada que liga esta povoação à vizinha vila de Nisa), estando classificado como árvore de interesse público desde 1993.

O desejo de visitar este monumento natural tinha já alguns anos, tendo sido recentemente avivado após ter lido um texto que alertava para o estado de conservação desta árvore classificada.
Sobreiro da Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas) - na actualidade

Este desejo concretizou-se, como escrevi atrás, no passado Sábado e da melhor forma possível, ou seja, na companhia de amigos que comigo partilham o amor às árvores.

É certo que a árvore está no estado que as fotos documentam, isto é, uma das pernadas principais caiu, abrindo algumas fendas na zona de inserção no tronco. Mas acreditem que, apesar do descrito, a parte restante da árvore aparenta respirar vitalidade.

No entanto, parece-me imprescindível que seja feita, por técnicos competentes, uma análise criteriosa ao estado de saúde da mesma, como forma de garantir que este sobreiro não corre o risco de colapsar sob o seu próprio peso.

Sobreiro da Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas) - na actualidade

É certo que o seu proprietário, o Sr. Manuel Carmona, que tivemos o prazer de conhecer na ocasião, já tinha alertado os serviços competentes do Ministério da Agricultura para o estado de conservação da árvore.

Mas, sem querer desculpar a inoperância destes serviços, nada nos garante que a queda da referida pernada fosse um processo evitável. Pelo contrário, a perda de uma pernada mais frágil e doente, poderá mesmo garantir uma maior longevidade da restante parte da árvore. Resta apenas garantir, tal como escrevi atrás, que as pernadas restantes suportam o peso da copa; podendo para tal ser necessário recorrer a estruturas metálicas de suporte, tal como no caso do afamado plátano classificado de Portalegre.

Pelo que referi anteriormente, parece-me evidente que os serviços florestais não podem "abandonar" as árvores e os seus proprietários, após o processo de classificação. O Estado não se pode furtar ao seu papel de auxiliar, pelo menos de um ponto de vista técnico, as pessoas que aceitam a classificação de uma parte dos que lhes pertence.
Afinal de contas, estamos perante património de todos que compete ao Estado ajudar a salvaguardar. É que casos como este, podem levar outras pessoas a descrer dos benefícios de propor para classificação árvores que se situem nas suas propriedades.



Sobreiro da Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas) - na actualidade

No presente caso, temos ainda que agradecer ao Sr. Manuel Carmona a paciência perante este desinteresse do Estado e o seu empenho no cumprimento da lei. É que outras pessoas, menos sensíveis para a causa da preservação das árvores, já teriam intervido (ainda que com a melhor das intenções), causando danos irreparáveis à árvore.



Sobreiro da Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas) - na actualidade

Esta árvore é um monumento em si. Até a sua decadência é um processo que encerra alguma grandiosidade... Estamos a falar de uma árvore multissecular que, apesar do descrito, aparenta ter ainda a força e a vontade para impressionar as gerações futuras.

É necessário encarar estes processos, como a queda da referida pernada, com uma certa naturalidade, pois trata-se da inevitabilidade do tempo... O que me choca não é a morte natural de uma árvore, mas antes a estupidez humana que acelera em muito este processo.

No entanto, sendo inegável que este sobreiro entrou num processo de decadência, continua a ser uma árvore que respira vida e nenhum dos presentes duvidou que ela poderá continuar a maravilhar os amantes das árvores monumentais, muitos anos após a nossa partida deste mundo. Assim se garanta, por quem de direito, que a mesma dispõe de condições de sustentabilidade.

Sobreiro da Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas) - na actualidade

Não digam que já viram uma árvore até terem visto esta! Se já aqui defendi que o sobreiro deveria ser consagrado como a nossa árvore nacional, este magnífico exemplar deveria ser aclamado como O Sobreiro de Portugal.

Sobreiro da Herdade de Pai Anes (Póvoa e Meadas) - na actualidade

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

De novo o "raide"!....

Mimosa (Acacia dealbata Link.)


- Informação que agradeço à Jardineira Aprendiz: o famigerado Raide às Mimosas na Serra do Caramulo está de regresso - ler notícia aqui. É certo (e de louvar) que na dita notícia se refira os danos que estas invasoras causam à biodiversidade local; só não compreendi o tom ambientalista que se quer associar a esta iniciativa: "...a visita frequente dos seus amigos (entenda-se por "amigos": participantes no raide) constitui um destes instrumentos de luta pelo re-estabelecimento da flora arbustiva natural da encosta ocidental do Caramulo".



- Ainda na zona de Águeda, uma carta (artigo?) no Soberania do Povo faz-me temer pelo futuro de um choupal - ler aqui. Em relação à referida notícia quero apenas fazer o seguinte reparo: existem empresas especializadas em arboricultura que conseguem determinar, com recurso a equipamento electrónico, a sustentabilidade de uma determinada árvore e logo avaliar sobre o respectivo risco em tombar. E são essas empresas as primeiras interessadas em colocar em primeiro lugar a segurança das pessoas. Não se condenem as árvores à moto-serra sem previamente ser feita uma avaliação dos riscos.



- Duas notícias que agradeço ao Luís Gil: a Região de Turismo do Algarve é, desde final de Janeiro último, a mais recente parceira da Rota da Cortiça, um produto turístico que será lançado no Verão em São Brás de Alportel, por iniciativa da Câmara local - ler notícia aqui.
A Associação Portuguesa de Cortiça (APCOR) estabeleceu um protocolo de cooperação com a associação ambientalista alemã NABU visando a promoção da cortiça. Esta associação tem 406 mil membros, 1500 grupos locais espalhados por toda a Alemanha e 25 mil voluntários.



- A Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Arboricultura reunirá no próximo dia 9 de Fevereiro de 2008, às 16h 00, no Parque Biológico de Gaia, em Avintes, Vila Nova de Gaia. Ler aqui a convocatória.


- O apelo não foi ouvido e ao que me constou os plátanos de Unhais-da-Serra (Covilhã) foram ou estão a ser cortados. Confio na palavra do Sr. António Santos de que apenas foram cortados os estritamente necessários e que não existia nenhuma alternativa.
Todavia não deixo de lamentar esta situação e esperar que os restantes sejam, enquanto conjunto, propostos para classificação como árvores de interesse público.
(Nota pessoal: prometi ao Sr. António Santos ir visitar com ele o local, o que não se revelou possível por afazeres profissionais; não que a minha presença ou o que pudesse escrever neste blogue evitassem este desfecho. No entanto, assim que for possível tenciono visitar o local e tirar as minhas próprias conclusões).

P.S. - Porque o PROMETIDO É DEVIDO amanhã mostrarei imagens de uma árvore fabulosa: O sobreiro de Portugal!

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores (II)

Mais um caso de podite aguda - Oeiras (fotografia de Albano Matos)

O João Vaz tem feito um trabalho notável na denúncia de vários casos de podas mal executadas em diversos pontos da Beira Litoral e, em particular, na cidade e concelho da Figueira da Foz. O Jornal de Notícias publicita este acto meritório e de coragem cívica.

(Nota pessoal: quando confrontado com um conjunto de dados técnicos, o vereador do Ambiente da C. M. da Figueira da Foz, José Elísio, afirma que "...(as ditas podas são feitas) de acordo com orientações científicas e devidamente acompanhadas por técnicos da Câmara..." Após observar algumas das imagens que o João Vaz tem publicado no seu blogue e outras que tem partilhado comigo via e-mail, apetece-me desabafar que os ditos técnicos camarários serão, sob um ponto de vista técnico e científico, grandes especialistas em demolições!...)


P.S. - Mas porque a vida também é feita de boas notícias, deixo-vos duas sugestões de consulta:

- um projecto do núcleo de Aveiro da Quercus que visa reconverter uma área de eucaliptal - Recuperação ecológica do Cabeço Santo;

- O blogue TiagusBTT, apesar de não fazer parte das minhas Ligações, é um daqueles sítios que visito com alguma regularidade, pois permite-me conhecer alguns recantos das serranias beirãs e, em particular, da Serra da Estrela; apesar disso, desta vez, o que me chamou a atenção foi a imagem de uma belíssima árvore lá para os lados da Serra do Açor (mais concretamente junto ao
santuário da Nossa Senhora das Necessidades). Pela imagem, penso que se trata de um Quercus robur mas, independentemente da espécie, está já na minha lista de visitas futuras.

Árvores, livros e amigos




Uma oferta de um amigo e que oferta!..."El Árbol, una maravilla de la naturaleza" é uma obra escrita por Jenny Linford e editada pela Parragon Books. Um livro magnífico escrito por e para quem ama as árvores. Obrigado Serafim.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Festival de Árvores # 20 e outras histórias...

Freixos com a Gardunha ao fundo

Notícias com árvores:


- Já está disponível para consulta a vigésima edição do Festival of the Trees;


- Coincidindo com a XXV edição do Nevestrela, um conjunto de vigilantes da Natureza do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) participou, no Sábado passado (dia 2), em mais uma acção de reflorestação inserida no projecto "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela" - Informação via Naturlink;

- Duas notícias via Ondas 3: a Câmara de Mirandela decidiu prolongar a campanha de adopção de oliveiras (notícia do jornal Nordeste de 31 de Janeiro último); em Portalegre uma associação ambientalista (Quercus) tenta fazer cumprir a lei em relação à protecção dos sobreiros, uma vez que a autarquia local, enquanto estrutura do Estado, não parece estar muito interessada em fazer valer as leis desse mesmo Estado - ler aqui a notícia.

- Na cidade brasileira de Dourados, um conjunto de empresários e políticos (incluindo representantes da Prefeitura local) deram o exemplo, plantando 500 árvores da flora nativa daquela região do país. Desconheço se no Brasil também se utiliza a expressão: o exemplo deve vir de cima!... Ler aqui a notícia.



Raízes e folhas sós

ST na América, Dezembro de 2007

Raízes e folhas sós são estas,
Perfumes dos bosques desabitados e das margens dos lagos, perfumes para os homens e as mulheres,
Azedas e cravos de amor, dedos que se retorcem e apertam mais do que as vinhas,
Fluxos da garganta dos pássaros ocultos na folhagem das árvores quando o sol nasce,
Brisas da terra e do amor que partem das praias vivas para vós, sobre o mar vivo para vós, ó marinheiros!
Morangos com gelo e frescos ramos do terceiro mês para os jovens que vagueiam pelos campos quando o Inverno já se retira,
Corolas de amor perante ti e dentro de ti sejas tu quem fores,
Corolas que se hão-de abrir à maneira antiga,
Se lhes trouxeres o calor do sol, abrir-se-ão, adquirindo forma, cor, perfume para ti,
Se te transformares em alimento e humidade elas transformar-se-ão em flores, altos ramos e árvores.

Walt Whitman
(traduzido por José Agostinho Baptista)

domingo, fevereiro 03, 2008

A noiva do escaravelho

Magnólia (Magnolia grandiflora L.) - Convento de Nossa Senhora do Desterro, Monchique


A leitora Ana Luísa enviou-me um artigo muito interessante, da autoria de Susana Neves, sobre a Magnolia grandiflora e sobre o extraordinário exemplar desta espécie que existe nos arredores da vila de Monchique - A Noiva do Escaravelho (a ler).

P.S. - Ler aqui e aqui outras referências a esta magnólia.

sábado, fevereiro 02, 2008

O freixo e a nuvem

Freixo (Fraxinus angustifolia Vahl) - Póvoa de Meadas (entre Castelo de Vide e Nisa)


Bom fim-de-semana e Bom Carnaval para todos os foliões.


P.S. - Esta fotografia foi tirada à beira de um dos maiores tesouros naturais deste país. Claro que estou a falar de uma árvore...e que árvore! Desculpem fazer-vos sofrer de curiosidade durante uns dias mas a espera valerá a pena.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A espessura é branca

Amendoeiras [Prunus dulcis (Mill.) D. A. Webb]

A espessura da árvore
é branca

A casa repercute
os favos de silêncio

Ouço a medula da madeira
o pudor do silêncio jovem

O sangue circula sem bandeiras
ri na brancura
do corpo

Um rosto sob a cabeleira
rompe
no ardor do instante
em relâmpagos de ternura

Todas as hastes livres nascem
do quadrado aberto
sobre o rio

A palavra é um rosto que deixa ver o branco
do seu tremor

Do branco ao negro o branco
fogo
de uma árvore que estala em cada mão

O tronco antigo
é a casa nova
nos seus ramos vivos

Não uma escrita invulgar mas como as ervas
pobres. Como as pedras.

Tu poderás captar o esplendor
chamar-lhe-ás suave sob um sono de árvores.

Caminharás entre as plantas. Sentirás a sua sede
e o olhar abrir-se-á no escuro fresco.

Ninguém te dirá que não te perdes na
densa água negra. Ou no branco papel.

Nunca apagarás o desejo. Nem
desistirás de procurar o lugar
ainda que lhe chames ausência.

Procura e não procures. Não existe um centro
mas a clareira por vezes
de súbito retém-nos.

António Ramos Rosa

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Retratos do Portugal que odeia as árvores

Orjais (Covilhã)


Felgueiras



Felgueiras

Fotografias dos leitores e amigos: Albano Matos (primeira foto) e Nelson Lima (segunda e terceira fotos). Obrigado a ambos pela partilha das imagens.


quarta-feira, janeiro 30, 2008

A oliveira do Manuel



O Manuel chama-lhe carinhosamente a oliveira da burra; supostamente, era no interior desta oliveira (Olea europaea L.) que um almocreve procurava abrigo nocturno, deixando a burra presa à mesma.


Sem desprimor para o dito almocreve, esta bem que merece ser a oliveira do Manuel. Pois almocreve algum lhe terá tido o amor e o carinho que se vê no olhar do Manuel quando fala da sua árvore...


E motivos para a admirar não faltam!





Esta oliveira que por comparação com outros exemplares classificados (como estas e esta), deverá pertencer à elite das milenares, situa-se na quinta do Manuel no sítio de Torres e Cercas (arredores de Silves).

Como outras árvores de vetusta idade, há algo de sagrado nesta oliveira que nos remete ao silêncio. E algo que me impressionou e emocionou acima de tudo: o cheiro que dela se desprende é algo de indescritivelmente belo e inebriante; não há palavras que o descrevam...

E agora, este monumento natural em números:

Altura: 6,5 metros

Perímetro à altura do peito (P.A.P.): 6,60 metros (8,13 metros*)

Maior diâmetro da copa: 7,70 metros

* O primeiro valor do P.A.P. refere-se apenas ao "tronco principal" da oliveira, enquanto o segundo valor inclui um rebentamento que parte da base do tronco principal (visível à direita na fotografia sob este texto).


P.S. - Regresso ao "almocreve" que referi no início deste texto, que de tanto pernoitar no interior desta oliveira, acabou por lhe imprimir o seu rosto...

terça-feira, janeiro 29, 2008

Virou moda?

A praga das "oliveiras-lulu"

A Manuela baptizou-as, e bem, com o nome de "oliveiras-lulu". Mais tarde, manifestei a minha preocupação pelo alastrar deste tipo de "poda artística" no concelho de Silves, ao encontrar mais exemplares no Algoz.

Este fim-de-semana deparei com o alastrar deste fenómeno a um jardim particular da cidade de Silves.

Será que esta triste moda veio para ficar? Ficará contida nos limites deste concelho algarvio ou corremos o risco de a ver propagar ao restante território nacional?

P.S. - Amanhã e como forma de compensar os leitores, prometo "revelar" uma soberba oliveira!

Os carvalhos e a Matemática

Aldeia de João Bragal de Baixo (Guarda) - Em primeiro plano, jovens exemplares de carvalho-negral (Quercus pyrenaica Willd.)

Uma iniciativa do Departamento de Matemática da Universidade da Beira Interior denominada Carpe Mat, visa estimular o gosto dos mais novos pela disciplina de Matemática.

O desafio actual é particularmente interessante para a Sombra Verde, pois envolve um hipotético problema relacionado com a reflorestação de um terreno na Serra da Estrela.
Este desafio destina-se aos alunos do 3º Ciclo das escolas dos distritos de Castelo Branco e Guarda - podem consultar aqui o regulamento.