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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cigarros: fato pitoresco e reflexão

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                                                  G. K. Chesterton
 
 
Por Prof. Pedro M. da Cruz.


 
 
 
 
“Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas sim o que sai dele.” (Mat. 15,11)
 
 
1- Fumavam em toda parte, exceto na capela.
 
Em 1957 a Companhia de Jesus reunia-se para sua trigésima Congregação Geral (CG30). É durante esses momentos solenes que os rumos da Ordem são clarificados. A primeira CG ocorrera em 1558, poucos anos após a morte de Santo Inácio (†1556).
O Pe. Janssens acupava naqueles idos do Século XX o cargo de “Padre-geral” da Sociedade, a maior autoridade da Congregação[C1] . Basta nos recordarmos que o primeiro “Geral” da Companhia de Jesus fora o próprio fundador, Inácio de Loyola.
Bom, em dado momento daquela reunião de superiores, os mesmos tiveram de apresentar-se perante o papa Pio XII. Com efeito, deviam ouvir a mensagem do Pontífice com referência à citada Congregação. Grande foi a surpresa!
Pio XII, além de chamar a atenção dos Jesuítas no tocante à ortodoxia e a obediência, tocou num ponto de particular curiosidade para nós: haviam excessos, como, por exemplo, no uso do fumo. O papa foi o mais terminante e decisivo possível em relação a este detalhe aparentemente pequeno. Seu latim foi curto e grosso”: Auferatur hic abusus de medio vestrum (que o abuso seja varrido do vosso meio).
Era 185 o número de delegados jesuítas presentes ao lado do Padre-geral, Janssens. Os delegados da Holanda ouviram com os olhos vidrados aquela repreensão. O fumo era tão disseminado e aceito na província holandesa, que era possível fumar em toda parte, exceto na capela. “Para os holandeses, era o mesmo que o papa tivesse mandado que eles parassem de respirar 23 de cada 24 horas[C2] .”
A CG30 terminou em novembro de 1957. Uma nota ligeira foi dada na seqüência aos resultados ali obtidos e foi proporcionada pela questão do fumo levantada por Pio XII. Ora, segundo a tradição, o padre-geral deveria mesmo escrever uma carta a toda a Sociedade sobre todas as resoluções tomadas na ocasião. Os desejos do Papa (tanto na questão do fumo como nas restantes) deveriam ser respeitados.
Provinciais diversos estabeleceram normas diversas. Alguns chegaram até a transformar em condição para a entrada na Sociedade a promessa do candidato de não fumar, ou, se ele já fumasse, que deixasse de fazê-lo. O provincial holandês escreveu uma carta a seus subordinados que foi copiada e passada de mão em mão por, praticamente, toda a Companhia. Os fumantes eram divididos em diferentes classes: os inflexíveis, os incessantes, os principiantes e assim por diante. Então, eram dadas receitas para lidar com cada classe.

                Freiras
 
Os fumantes velhos e inflexíveis podiam ser deixados em paz; tinham um vício repugnante, mas estavam velhos demais para mudar; eram incorrigíveis[C3] (Sic.). Os jesuítas de meia-idade tinham que enfrentar o problema da meia-idade. Os Jovens”... e ia por aí. No fim, os homens da província holandesa continuaram a fumar enquanto seguiam seu caminho até à eternidade, como sempre o fizeram.
Menos de um ano após o final da reunião geral dos Jesuítas, Pio XII havia morrido. O Beato João XXIII, fora eleito como seu sucessor na cátedra de Pedro. Os holandeses apressaram-se em assinalar que o novo papa ainda fumava cigarros. “Ironias do Destino”. O fato é que muitos interpretaram erroneamente a bondade e o zelo de Pio XII...
Quanto ao Beato João XXIII, Alden Hatch - um seu biógrafo - presenteia-nos com interessantes fatos de sua vida[C4] . Conta que o papa João XXIII, ainda quando Núncio Apostólico, tornara-se agradável anfitrião dos franceses. Segundo o mesmo autor: “Os vinhos e charutos eram escolhidos cuidadosamente.” Afinal, Ângelo Roncalli possuía muito bom gosto. Os holandeses estavam certos quanto à sua observação; mas, não quanto a seus excessos...
 
2- O vício é terrível e condenável
 
É ordinário os autores apresentarem o fumo como parte das chamadas drogas não terapêuticas[C5] . Estas são usadas com a finalidade de se obter prazer, recreação e similares. A maconha, e a cocaína, por exemplo, são ilegais, enquanto que o álcool e o fumo, por nós tratado, são tidos como lícitos, socialmente aceitáveis.
O tabaco é, de fato, uma droga utilizada com largueza. Nos últimos anos vem crescendo a convicção de que fumar em excesso, é um grave perigo para a saúde do corpo. Informação esta que não deve ser desprezada pelo bom católico. O cristão verdadeiro leva a sério sua responsabilidade pela vida e saúde da humanidade. Aproximar-se desses bens lícitos exige prudência e sabedoria.
O vício é, com toda certeza, algo terrível. Assemelha-se a um leão buscando a quem devorar. Nem todos têm músculos, maturidade e inteligência o bastante para enfrentá-lo com grandeza de caráter na hora devida. Deve, sim, ser repelido, ainda que distante, quando finge não incomodar.
Talvez os Jesuítas reprovados por Pio XII quanto ao uso excessivo do cigarro, tenham esquecido as sábias palavras de Baltasar Gracián[C6] , um antigo escritor de sua mesma Ordem, que afirmara: “O vício é seu próprio castigo.” Com efeito, ele acaba não só com a vida, como também com a honra de quem lhe é escravo. Concluamos, portanto, com o mesmo pensador: “Tudo que é muito bom sempre foi pouco e raro: usar muito o bom é abusar.”
 
3- Cigarro, armadilha para incautos
 
Reflitamos: geralmente, o ego desordenado fala mais forte, o impulso por mostrar-se”, numa teatralidade muitas vezes cômica, impera sobre o indivíduo. A tragada, ou mesmo, certos movimentos de mão, começam por emprestar à pessoa, e isso, num universo de fantasias interior, tudo aquilo que ele não é, mas gostaria de sê-lo. É estranho, no entanto, temos de reconhecer: existe uma misteriosa relação entre o ato de fumar nos imaturos, e sua ânsia por realizar-se enquanto pessoa.
Fumar, de algum modo, faz-lhe sentir-se mais. Como que, compõe em sua mente a peça que lhe faltava para apresentar-se com o status que sabe não possuir. De fato, determinados objetos[C7] , quiçá por seu caráter social, possuem este poder de fadas. Faz-nos sentir um pouco o que não somos; e, por serem assim, perigam aprisionar-nos num mundo de sonhos, onde, mais que sermos nós mesmos, podemos tornar-nos personagens vãos e hipócritas num jogo de orgulho e sensualidade. Ora, a ilusão, em determinados momentos, pode criar uma espécie de auto-gestão, torna-se, digamos assim, autógena, e, então, ameaça destruir o que há de mais genuíno na personalidade que a incubou.
Não negamos o que há de positivo no universo simbólico criado em nós através de certos objetos. Podem sim, e devem, servir-nos como auxílios, ferramentas, um coadjutor nas buscas pessoais pela integralidade possível. Afinal, há, indiscutivelmente, uma relação natural entre os seres humanos e as coisas com seus significados. O problema está em que, pessoas imaturas podem escravizar-se por aquela agradável e transitória sensação fantasiosa que alguns bens criados nos conferem, e, assim, ao invés de uma saudável assimilação de valores, tornarem-se prisioneiros num mundo onírico e irreal.
Claro que esta situação não permaneceria num mesmo nível por toda a vida do indivíduo (isto se imaginarmos que ele viverá por muitos anos), pois, é observável e imperativo, pela natural estrutura do ser humano, que ocorra um progresso pessoal e constante, mesmo que em ritmos variados. A própria diversidade das relações vividas durante o fluxo da convivência social nos possibilita tal empresa.
Porém, a visão quimérica de si mesmo, causada aos míopes, em nosso exemplo, também pelo ato de fumar (que, desta forma, o levará à dependência, se já não o levou) retardaria sensivelmente este processo de amadurecimento da personalidade. E é claro que tal situação lastimável causará transtornos, não só para ele, como também para todos que gozam de sua companhia.
Finalmente, não deixamos de reconhecer – como já o fizemos nas entrelinhas - que o fumo seria apenas mais uma arma nas mãos do imprudente, usada, sem que ele o perceba, contra seu próprio ser. Tem que existir um emaranhado de outros, objetos, situações, atos e circunstâncias que, concomitantemente, conduzam à maior dificuldade no caminho da realização pessoal. Um rapaz, por exemplo, buscará também em shows, bares, e modas, ou mesmo, “no fundo dos copos”, sua própria felicidade. Porém, sempre se relacionando de forma indevida com essas realidades.
O fato é que, não buscar o conhecimento verdadeiro de si mesmo, mas, pelo contrário, viver numa teatralidade malsã, sempre tornará o ser humano escravo de todas as coisas. A química presente no cigarro, por exemplo, será (agora, sim!) a próxima corrente que fará o indivíduo, ainda mais, cativo daquele objeto. Afinal, “um abismo atrai outro abismo”... Porém, repitamos: antes disso, foi também a ignorância e imaturidade humanas quem o fizeram iniciar-se no caminho da autodestruição.
Deste modo, o que deveria ser apenas um degrau que elevasse a mente da criatura ao criador, serviu-lhe, neste caso, como meio de perdição. Veja, caro leitor, até onde pode chegar o ser humano, ferido como está pelo Pecado Original.
Que a Virgem Maria seja o auxilio e a proteção contra todo vício que ameaça destruir a nossa juventude.
Nossa Senhora, sacrário da ciência divina, rogai por nós!
 
✠ ✠ ✠
 
Bibliografia
 
MARTIN, Malachi. Os Jesuítas. Tradução. Rio de Janeiro: Record, 1987. 464 pgs.
HATCH, Alden. João XXIII, o Papa Inesquecível. Trad.: Paulo Nasser. Rio de Janeiro: Casa Editora Vecchi, 1963. 360 pgs.
LOWERY, Daniel L. Seguir o Cristo. Manual de Moral para o povo de Deus. Trad.: Pe. Carlos Sanson, C.SS.R. São Paulo: Editora Santuário, 1995. 168 pgs.
GRACIÁN, Baltasar. A Arte da Prudência. Trad.: Davina M. de Araújo. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. 97 pgs.

[C1]Obviamente que este, o padre geral, submetia-se à CG. No mais, toda esta estrutura estava sob a autoridade suprema do Santo Padre, o Papa.
[C2]MARTIN, Malachi. Os Jesuítas. Rio de Janeiro: Record, 1987. Pg. 215
[C3]MARTIN, Malachi. Os Jesuítas. Rio de Janeiro: Record, 1987. Pg. 218
[C4]HATCH, Alden. João XXIII, o Papa Inesquecível. Trad.: Paulo Nasser. Rio de Janeiro: Casa Editora Vecchi, 1963. Pg.114.
[C5]LOWERY, Daniel L. Seguir o Cristo. Manual de Moral para o povo de Deus. Trad.: Pe. Carlos Sanson, C.SS.R. São Paulo: Editora Santuário, 1995. Pg. 109-112.
[C6]GRACIÁN, Baltasar. A Arte da Prudência. Trad.: Davina M. de Araújo. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. 97 pgs.
[C7] Podemos citar, além dos cigarros,: Carros, Motos, Roupas etc.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ai, ai, ai, essa Pastoral da Sobriedade...

João XXIII fumando
O futuro papa João XXIII fumando seu bom e velho cigarrinho
 
Prof. Pedro M. da Cruz.
 
“A Sobriedade no beber é a saúde da alma e do corpo.”[1]
“O vinho bebido sobriamente é como uma vida para os homens ...”[2]
“Não incites a beber aquele que ama o vinho, pois o vinho já perdeu a muitos.”[3]
 
A poucos dias atrás, tive o prazer de reencontrar um amigo de infância. Após breve momento de conversa amistosa, soube de seus trabalhos na comunidade católica em que residia. Participava há algum tempo duma certa Pastoral da Sobriedade. Até aí tudo bem. O que me chamou a atenção foi a forma pessimista e repressiva com que tratava o uso das bebidas alcoólicas e do cigarro.
Estranhando aquele posicionamento depreciativo numa pessoa que se dizia católica, lembrei-lhe da postura tradicional da Igreja perante aquelas questões. Ele, afirmando não conhecer, por parte da Igreja, aquele “modo de ver as coisas” que eu lhe apresentava, dizia-me que, pelo contrário, o que aprendera na Pastoral da Sobriedade era aquela postura intolerante, tão própria de tantos grupos protestantes. Segundo ele, até aquele momento, seria inaceitável para um cristão, em todos os casos, o uso daqueles produtos. Perguntei-lhe em que materiais de estudos a pastoral em questão se baseava para inferir tais ensinamentos; o que ele não soube me responder. Na verdade nunca haviam consultado documento algum, como mais tarde me confessou com toda sinceridade...
Ora, ora – perguntei-me – como pode chamar-se “da Sobriedade” uma pastoral que repudia o bom uso das bebidas e do cigarro. Não é a sobriedade o mesmo que moderação e temperança? E isso não significa o uso das coisas numa medida certa, sem exageros e descontrole? Bom, deixando para depois outras questões que daqui poderíamos extrair, deixe-me dizer que, na verdade, após algumas pesquisas sobre a Pastoral em questão pude perceber que a mesma anda em conformidade com os ensinamentos da Igreja, pelo menos no papel...
O problema, neste caso, não é a doutrina que os “agentes de pastoral” deveriam seguir, mas sim o fato de os mesmos nem se darem conta, tantas vezes, de que não estão transmitindo o que a Igreja lhes ordena. Não quero aqui afirmar que todos os “agentes de pastoral” sejam deste feitio, porém, me parece que, em não poucos casos, é muito comum nas Comunidades Eclesiais de Base – CEBs - além, claro, das evidentes contradições de princípios (pois, onde uns bebem demais, outros condenam até mesmo o uso moderado de bebidas) um profundo e incompreensível desprezo pelos documentos da Igreja, principalmente aqueles que provém da Santa Sé. Isso parece supor uma espécie de tendência a descentralização e ao subjetivismo, também filhos de certa incompreensão da Colegialidade Episcopal.
Tendo conseguido com alguém certos materiais que alguns agentes “da Sobriedade” deveriam ler por completo antes de catequizar as pessoas, tive uma grata surpresa. Alí, já nas primeiras páginas, o Santo Padre, o Papa João Paulo II, nos afirmava resoluto que “... o uso moderado da bebida não vai contra as proibições morais e só o abuso é condenado...”[4].
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Nosso Santo Padre apreciando uma deliciosa cerveja bávara
 
Será que os coordenadores de meu amigo em seu trabalho pastoral também não haviam estudado este texto? Ou será que, lendo não lhe deram importância? O caso é que, mesmo a pessoa que me emprestou os materiais em questão manifestou a mesma postura “tipo-protestante” – se assim posso dizer - que apresentei no início deste texto. Isso me levou a deduzir, ao lado de outras evidências, que, pelo menos aqui em nossa cidade, a “Pastoral da Sobriedade” não tem feito jus ao seu nome.
Consegui também com os mesmos, outro livro chamado: “Meu pai bebia demais, hoje sou um adulto que sofre.”[5] Ora, é obvio que se meu pai fosse alcoólatra inconsequente ele seria repreensível, necessitaria de tratamento, e também deveria abster-se de álcool, mas, daí a deduzir que ninguém mais poderia saborear uma bebida porque “meu pai era um doente-alcoólatra”, seria o mesmo que abster-se do uso de facas na preparação de alimentos só porque um qualquer utilizou-a indevidamente para o crime. Abusus non tollit usum.[6]
Não defendo aqui a idéia absurda de que as pessoas devam viajar com garrafas de conhaque por não conseguirem enfrentar uma única noite sem bebedeira, ou mesmo que o alcoolismo seja normal, não, pois todos sabemos que esta é uma doença grave que necessita de um tratamento sério e constante. Porém, ao dizermos que um objeto não seja branco, não se pretende, necessariamente, que ele seja preto; afinal, pode ser de qualquer outra cor. Do mesmo modo, ao condenarmos o alcoolismo – como bem faz a Pastoral da Sobriedade, assim como qualquer um que tenha amor à vida - não pretendemos pregar aqui o seu extremo oposto, ou seja, a abstenção total do uso de bebidas. Este é um bem lícito que muitos tem a graça de usufruir, com sabedoria e moderação, para maior glória de Deus.
Sim, filhos adultos de alcoólatras sofrem; os beberrões devem abandonar seu vício; para muitos, um único copo de cerveja já é demais... pois, que estes tenham um modo de vida que favoreça seu estado e situação. Daí a concluir que todo e qualquer ser humano não deva saborear os mesmos bens com as devidas precauções, já é extremismo barato.
Interessante que na página 44 do primeiro livro por nós já citado, numa certa carta da Pastoral da Sobriedade, podemos constatar que ela pretende ser fundamentalmente “...uma ação da Igreja, vivida em comunhão com a Igreja ...”.[7] Esperemos, pois, que este testemunho de submissão aos ensinamentos católicos possa despertar nos “agentes de pastoral” uma linguagem mais sóbria com relação ao uso lícito dos bens criados por Deus, isso sem abandonar o trabalho sério que realizam em defesa das famílias, contra o mal do alcoolismo, da droga[8], e de todos os tipos de vícios que venham destruir o homem e a sociedade.
Finalmente, recordemo-nos de um caso oportuno. Não é verdade que Nosso Senhor comia e bebia, a ponto de dizer que muitos o chamavam de comilão e beberrão? [9]Basta conferirmos nas Sagradas Escrituras! É claro que o Divino Mestre jamais se excedeu na bebida, pois era Deus e possuía toda a sabedoria e sobriedade. E mais: confiava na capacidade que os homens possuem de conviver com estes prazeres, uma vez que seu primeiro milagre fora, exatamente, a transformação da água em uma bebida alcoólica, e – vejam que jocoso – à pedido de Nossa Senhora. E não venham os puritanos nos dizer que naquele vinho não havia álcool! Basta consultar as Escrituras: logo que o chefe dos serventes provou a água tornada em vinho exclamou ao noivo: “É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.” [10] Ora, segundo o chefe dos serventes: vinho bom, continha álcool, pois embriagava. E, ainda segundo ele, o noivo guardara o vinho bom até aquele momento (no caso, aquele que fora produzido milagrosamente por Jesus). Sendo assim, conclui-se que ele percebera o teor alcoólico quando provara o vinho milagrosamente trazido por Cristo. Que maravilha! Nosso Senhor fizera surgir litros e litros de bebida alcoólica! Seis talhas de pedra! Afinal, ele mesmo levara consigo muitos outros homens à festa, falo de seus discípulos, que também deveriam ser, como bons católicos que eram, excelentes apreciadores da Deliciosa Arte de Beber, à exemplo de seu Divino Mestre. Imitemo-lhes, portanto, na temperança, e aprendamos a guardar a santa moderação e a pérola da sobriedade.

[1] Eclo.31,37
[2] Eclo.31,32
[3] Eclo. 31,30
[4] MOMM, Nilo. Pastoral da Sobriedade. Pronunciamentos da Igreja. São Paulo: Edições Loyola, 1999. Pg.12.
[5] TRACY, Guilherme; DIAS, Terezinha. Meu pai bebia demais, hoje sou um adulto que sofre. 4 Ed. São Paulo: Santuário, 2006. 48 pgs.
[6] Trad.: O abuso não invalida o uso.
[7] Idem. MOMM, Nilo. Pastoral da Sobriedade... pg..44
[8] O Catecismo da Igreja Católica recorda àqueles que se drogam ou são tentados a fazê-lo, que o uso da Droga, “excluídos os casos de prescrição estritamente terapêutica (médica) constitui culpa grave.” Conf. CIC § 2291.
[9] São Mateus 11,19
[10] São João 2,10