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terça-feira, outubro 26, 2021

Billie Eilish em tom austero

... apenas com as teclas a cargo de Finneas. E, claro, toda a mágoa da voz de Billie Eilish. Eis a canção de 007: Sem Tempo para Morrer, agora na sua mais austera (porventura mais bela) performance — aconteceu no festival da revista The New Yorker.

segunda-feira, outubro 18, 2021

James Bond
— a morte fica-lhe tão bem

Lashana Lynch e Daniel Craig

Adiado várias vezes devido à pandemia, 007: Sem Tempo para Morrer o 25º oficial de James Bond está nas salas escuras: Daniel Craig despede-se da personagem em tom de requiem — este texto foi publicado no Diário de Notícias (30 setembro).

Neste nosso pobre mundo narrativo, a própria noção de mito foi instrumentalizada, não poucas vezes reduzindo o espectáculo a uma pornografia de excessos visuais. Em cinema, as novas gerações estão mesmo a ser mesmo ensinadas (não pela crítica de cinema, já agora) a conceber o mito como banal acumulação de efeitos especiais: quanto mais cidades destruídas, mais “mitológicos” são os super-heróis… Uma tristeza, enfim. Em qualquer caso, ainda nos resta James Bond. Com filmes melhores ou piores, o agente secreto ao serviço de Sua Majestade Britânica persiste como personagem visceral do nosso imaginário da aventura. Por isso mesmo, aguardámos com expectativa a estreia do 25º título oficial da saga. Inicialmente agendado para abril de 2020, várias vezes adiado devido à pandemia, aí está 007: Sem Tempo para Morrer.
O mito, convém lembrar, não nasce necessariamente de factos artificiosos que se “sobrepõem” aos cenários da nossa realidade. Não é um efeito especial, mas sim uma narrativa. O seu poder é tanto mais envolvente quanto, quase sempre, o mito lida com os limites da própria vida, quer dizer, a permanente e enigmática possibilidade da morte.
Assim é o novo Bond, quinto e último protagonizado por Daniel Craig. O título português nasce, aliás, de um equívoco de interpretação da própria lógica da acção: não se trata de sugerir que o herói vive “sem tempo para morrer”, mas sim de sublinhar que “este não é o tempo de morrer”.

Requiem por 007

Digamos que o tempo da ironia já passou. Lembremos, a esse propósito, um momento exemplar de Dr. No/Agente Secreto 007 (1962), primeiro filme da série, obviamente com Sean Connery. Nele encontramos uma linha de diálogo que define todo um entendimento frívolo da morte, a ponto de atrair um perverso gosto caricatural; assim, a certa altura, os maus da fita perseguem Bond num carro funerário, conseguindo ele que se despistem e caiam num precipício; quando alguém lhe pergunta como é que tudo aquilo acontecera, Bond esclarece, com desconcertante objectividade: “Creio que iam a caminho de um funeral.”
Desta vez, não se trata exactamente de um funeral, mas de um requiem. Porquê? Porque Bond reaparece a viver uma frágil utopia romântica, a ponto de a sigla 007 pertencer agora à agente Nomi (Lashana Lynch). No esplendoroso cenário de Matera, no sul de Itália, a sua relação com Madeleine (Léa Seydoux), vinda do anterior Spectre (2015), parece já não pertencer ao universo Bond. É certo que, tal como Madeleine observa, ele mantém o tique de olhar constantemente por cima do ombro à procura de algo ou alguém ameaçador… Mas o tom é, por assim dizer, pós-Bond: como se fossemos assistir à crónica íntima de uma serena reforma.
Não será assim, claro. Até porque, desde muito cedo, o filme nos recorda que há labirintos por conhecer e percorrer. “Porque é que eu haveria de te trair?”, pergunta Madeleine, ao que Bond responde com a secura que, nele, é uma espécie de assinatura emocional: “Todos temos segredos. Só que ainda não chegámos aos teus.”
Na prática, 007: Sem Tempo para Morrer vai contrariando a placidez dos primeiros momentos, fazendo regressar o arqui-inimigo Blofeld (Christoph Waltz), também presente em Spectre, complementando-o com Lyustsifer Safin (Rami Malek), cérebro purista que, à maneira dos “pequenos homens” que Bond identifica na história da humanidade, tenta impor o paraíso através do triunfo do inferno. Convenhamos que, no plano narrativo, a tragédia que se pressente teria ganho se o filme realizado por Cary Joji Fukunaga tivesse arriscado mais na tensão psicológica, mostrando alguma contenção no habitual “caderno de encargos” do fogo de artifício da acção física.

Bond e as crianças

Dito isto, importa reconhecer que o confronto inicial, em Matera, entra para a galeria das melhores cenas de perseguição do universo Bond, ao mesmo tempo que, infelizmente, o essencial protagonismo de Safin se apresenta claramente prejudicado pelo desaparecimento da personagem durante todo bloco central do filme (além de que a interpretação “robotizada” de Malek não parece ser a solução mais interessante para a personagem).
Fica esse magma simbólico da morte que o filme vai preservando como potencial narrativa trágica. Não faltará, por certo, quem detecte nos “nano-robots” do programa genético de Safin — susceptíveis de contaminar os corpos humanos, demonizando todos os contactos de uma pele com outra pele — uma bizarra premonição do Covid-19… Sem qualquer fundamento, como é óbvio.
Seja como for, o que realmente nunca tínhamos visto no universo Bond são as personagens infantis. Sem qualquer decorativismo, entenda-se: Madeleine na excelente cena inicial, defendendo-se do ataque de Safin e tentando proteger a mãe alcoólica; mais tarde, a filha da própria Madeleine, agarrada à sua boneca de malha, tal como a mãe ameaçada por Safin. Uma e outra são personagens estranhas ao imaginário das histórias de espionagem protagonizadas por qualquer encarnação de 007, em qualquer época. Definem um horizonte afectivo capaz de justificar o enfrentamento da morte. Estranhos tempos, Mr. Bond — seja bem-vindo.

domingo, outubro 17, 2021

SOUND + VISION na FNAC
— James Bond & etc.

Sábado, dia 16, ao fim da tarde, estivemos na FNAC/Chiado: Bond, James Bond foi o tema central — não apenas o recente 007: Sem Tempo para Morrer, mas algumas memórias, filmes e canções de uma saga que começou em 1962, com Dr. No/Agente Secreto 007. E também outras marcas cinematográficas da vida e morte dos espiões. Aqui ficam algumas imagens e sons dessa sessão, lembrando a próxima:

SOUND+VISION Magazine
O regresso dos Beatles
FNAC/Chiado, 20 novembro 2021 (18h30)

>>> Goldfinger (1964), Shirley Bassey.
 

>>> A View to a Kill (1985), Duran Duran.
 

>>> The Conversation/O Vigilante (1974), Francis Ford Coppola.

sábado, outubro 16, 2021

007, sob o signo da Guerra Fria

007 - Ordem para Matar (1963)

Nos livros de Ian Fleming e em várias aventuras do Agente Secreto 007, a Guerra Fria funcionou como um fundamental pano de fundo geopolítico e dramático — este texto foi publicado no Diário de Notícias (26 setembro).

Agora que se fecha o ciclo Daniel Craig, vale a pena lembrar que, muito antes do seu “reinado”, depois do lançamento de 007 -Licença para Matar, no verão de 1989, os filmes de James Bond tiveram o maior interregno de sempre. Assim, decorreram mais de seis anos até que, em novembro de 1995, surgisse GoldenEye.
Dois factores terão contribuído para essa espera invulgarmente longa — afinal de contas, Sean Connery protagonizara os primeiros cinco filmes de Bond entre 1962 e 1967. O primeiro desses factores foi a substituição do intérprete de 007: depois de apenas dois filmes, Timothy Dalton cedeu o lugar a Pierce Brosnan. O segundo factor envolvia a geopolítica: o fim da Guerra Fria, “sinalizado” pela Queda do Muro de Berlim, a 9 novembro 1989, dissipou o próprio pano de fundo dramático que alimentava as aventuras de Bond.
A estreia de Bond nas salas de cinema — em 1962, com Dr. No/Agente Secreto 007 — ocorrera cerca de um ano depois do início da construção do Muro de Berlim. A divisão do mundo em dois blocos dominados por EUA e URSS estabeleceu essa “Cortina de Ferro” que muitos filmes da época começaram de imediato a reflectir. Para nos ficarmos pelos exemplos mais directos, e também mais interessantes, lembremos duas referências clássicas: O Espião que Saíu do Frio (1965), de Martin Ritt, tendo como base o romance de John le Carré [capa], e o “thriller” Cortina Rasgada (1966), de Alfred Hitchcock, com o par Paul Newman/Julie Andrews.
Claro que os filmes de James Bond nunca foram crónicas políticas “sobre” a Guerra Fria, quanto mais não seja porque os seus assumidos artifícios dispensam qualquer abordagem realista dos respectivos conflitos. Mas é um facto que os romances de Ian Fleming foram coleccionando sinais e sintomas das tensões Este/Oeste que os filmes integraram, não necessariamente de modo linear.
Lembremos o exemplo da organização criminosa SPECTRE, obviamente apelando a alguns paralelismos simbólicos com o KGB: surge logo no filme Dr. No, baseado no romance homónimo de 1958; o certo é que Fleming apenas a introduziu em Thunderball, lançado em 1961 (e adaptado ao cinema em 1965). Isto sem esquecer, claro, que um dos seus romances tem o título irónico de From Russia with Love (à letra: “Da Rússia, com Amor”) — publicado em 1957, seria filmado em 1963 (entre nós estreado como 007 - Ordem para Matar).
Seja como for, o súbito impasse dos filmes de 007 em finais da década de 80 não poderá ser “racionalizado” através dessa decomposição da sua conjuntura política original. Acontece que a própria paisagem cinematográfica, tanto em termos industriais como comerciais, estava dominada por produtos bem diferentes. 1989 é, de facto, o ano de lançamento do brilhante Batman, de Tim Burton, filme que para o melhor e, sobretudo, para o pior deu origem à “nova era” dos super-heróis. E é também o ano de Indiana Jones e a Grande Cruzada, de Steven Spielberg, em que o aventureiro interpretado por Harrison Ford voltava a reunir-se com o seu pai [poster]. O intérprete do pai transportava memórias de outras aventuras. O seu nome? Sean Connery.

segunda-feira, julho 05, 2021

Amazon/MGM
— Hollywood já não é o que era [3/3]

A Metro Goldwyn Mayer foi comprada por Jeff Bezos, patrão da Amazon: o estúdio possui um património imenso, de clássicos como E Tudo o Vento Levou até aos filmes de James Bond — este texto foi publicado no Diário de Notícias (5 junho).

[ 1 ]  [ 2 ]

Não por acaso, a “franchise” James Bond foi muito citada nas notícias da aquisição da MGM pela Amazon. Desde logo, porque 007: Sem Tempo para Morrer, 25º título oficial da saga do agente secreto, aguarda estreia há mais de um ano (o seu lançamento global está agora agendado para setembro/outubro); depois, porque não parece possível que, para futuros títulos de 007, os elementos da família Broccoli que controlam a respectiva produção abdiquem de considerar Bond como um produto específico das salas de cinema.
Tendo em conta a imensidão da filmoteca da MGM, e apesar do potencial de lucro dos filmes de 007, esse parece ser apenas um pormenor. É certo que a história da propriedade do estúdio no último meio século tem sido, no mínimo, instável, envolvendo peripécias mais ou menos agitadas como a sua compra pelo multimilionário Kirk Kerkorian, a aquisição da United Artists (foi, durante algum tempo, a MGM/UA) e até um período em que uma parte do seu catálogo de clássicos pertenceu ao fundador da CNN, Ted Turner. De qualquer modo, a Prime Video passa a ter inusitadas hipóteses de programação. Como disse Bezos, numa reunião com os accionistas a 26 de maio, trata-se de “reimaginar e desenvolver” para o século XXI o catálogo da MGM.
Afinal de contas, para lá de James Bond, a Amazon passa a controlar as “franchises” de Rocky (incluindo as sequelas Rocky/Creed em que Sylvester Stallone continua a participar), Hobbit (que Peter Jackson realizou na sequência de O Senhor dos Anéis), RoboCop (“thriller” de ficção científica iniciado por Paul Verhoeven) e A Pantera Cor de Rosa (paródia policial com Peter Sellers). Isto sem esquecer uma avalanche de títulos muito populares que inclui, por exemplo, Os Sete Magníficos (1960), O Silêncio dos Inocentes (1991) e Quatro Casamentos e um Funeral (1994).
Recuando aos tempos clássicos, a MGM emerge também como o estúdio que manteve a mais sofisticada unidade de produção de filmes musicais, dirigida por Arthur Freed, contando com talentos como Judy Garland, Fred Astaire ou Gene Kelly; entre as suas obras-primas podemos encontrar Um Americano em Paris (1951), de Vincente Minnelli, Serenata à Chuva (1952), de Gene Kelly e Stanley Donen, ou Brigadoon (1954), também de Minnelli. Sem esquecer que, ainda antes, nomeadamente nas décadas de 30/40, a MGM teve sob contrato nomes como Greta Garbo, Clark Gable, Johnny Weissmuller, Spencer Tracy, Katharine Hepburn, Ava Gardner e Cyd Charisse.
De uma maneira ou de outra, um capítulo fundamental da história e das lendas de Hollywood vai passar a ser matéria de eleição na vasta paisagem, realmente planetária, das plataformas de streaming. No seu programa da CBS, The Late Show, Stephen Colbert lembrou mesmo que Bezos passa a ser proprietário da série The Apprentice, da qual alegadamente existem gravações, nunca emitidas, com comentários racistas do seu protagonista, Donald Trump… Eis um excelente extra, sugeriu Colbert, para uma reedição em DVD.

sexta-feira, fevereiro 14, 2020

Billie Eilish — a canção de 007

O novo James Bond, No Time to Die, só chega em Abril, mas a respectiva canção-tema já foi divulgada. Aí está Billie Eilish, igual a si própria, subtil e intensa, sem deixar de satisfazer a tradição sonora de 007 [a canção e, em baixo, o poema].



sexta-feira, outubro 16, 2015

Daniel Craig vai deixar de ser 007?

Quando é que uma imagem, sendo informativa, mesmo na mais perversa ambiguidade, se torna também sintomática? Talvez quando, mesmo contra a vontade de informar que presidiu à sua concepção, não consegue evitar que a olhemos imaginando o que nela se oculta.
Duas coisas se ocultam neste surpreendente cartaz de Spectre, o 24º título oficial do agente secreto 007 [estreia: 5 Nov.]: primeiro, o rosto macabro, eventualmente paródico, que a personagem assume; segundo, a razão ou razões que fazem com que o seu protagonismo se defina a partir de tão assumida ocultação — além do mais, marcada por uma iconografia que não pode deixar de evocar o culto dos mortos tal como ficou registado nas imagens de Que Viva México!, filme de 1932, para sempre inacabado, de Sergei M. Eisenstein (do pouco que foi divulgado na sinopse oficial do novo filme, sabe-se que James Bond começa por se deslocar ao México...).
Especulando para além da sedução do sintoma, será que podemos supor também que, deste modo, é o próprio Daniel Craig que se expõe, ou é exposto, como uma provável ausência? É um facto que tem havido informações contraditórias sobre a (im)possibilidade de ele interpretar mais um título da franchise de 007... Seja como for, parece que o assombramento é tema cada vez mais presente nas aventuras de James Bond.
QUE VIVA MÉXICO! (1932)

sábado, março 28, 2015

Bond 24: o primeiro trailer

Será que James Bond vai ser liberto da obrigação de se confundir com um super-herói resgatado da BD, sustentado por efeitos especiais mais ou menos aparatosos e redundantes? A pergunta justifica-se em função das suas mais recentes proezas, incluindo o vistoso e monótono Skyfall (2012), assinado pelo talentoso Sam Mendes, obviamente reduzido a uma função meramente instrumental.
Mendes, precisamente, está de volta na realização de Spectre, 24º título oficial da saga cinematográfica de 007, quarto protagonizado por Daniel Craig. E o primeiro trailer (ou teaser-trailer, de acordo com a terminologia do marketing) surgiu na noite de 27 de Março, produzindo um desconcertante e interessante efeito de surpresa: a história de Spectre surge promovida, não através de uma acção "física" mais ou menos agitada, antes através de um curioso sublinhado das suas componentes dramáticas — a estreia mundial está agendada para 6 de Novembro.

quinta-feira, dezembro 04, 2014

007 Spectre chega em 2015


Spectre será o título do próximo filme da série James Bond, foi hoje anunciado. No elenco surgirão os nomes dos atores Daniel Craig, Ralph Fiennes, Ben Whishaw, Naomie Harri, Rory Kinnear, Christoph Waltz, Léa Seydoux, Monica Bellucci, David Bautista e Andrew Scott.

O título do filme e o elenco foram hoje apresentados pelo realizador Sam Mendes, nos estúdios Pinewood, no Reino Unido.

sábado, março 01, 2014

Os Óscares não ouvem bem as canções...

Este texto sobre canções que os Óscares ignoraram é uma versão editada e atualizada de um outro que foi publicado há cerca de um ano na revista Metrópolis com o título ‘Quando os Oscares não ouvem as melhores canções’.

Em tempo de Óscares, propomos um outro olhar pela história das estatuetas douradas com que Hollywood celebra anualmente os feitos do cinema. Se há categoria onde são mais os tiros ao lado que aqueles em que as escolhas acertam no alvo, ela é a da Melhor Canção Original. E são tantas as ocasiões em que temas que fizeram história passaram ao lado das atenções da Academia, muitas vezes até sem nomeação, que resolvemos apresentar uma lista de dez clássicos criados para o cinema que nunca foram premiados. Mas que mereciam tê-lo sido...

Com nova cerimónia de entrega de Óscares a caminho fazem-se contas, ensaiam-se projeções, antecipam-se cenários... Se em algumas das categorias principais 2014 promete ser um dos anos mais disputados dos últimos tempos, já no espaço da música mora a monotonia de sempre, a sensação de que o que de melhor havia por aí a considerar acabando fora das listas dos nomeados. Não é novidade esta sensação. Tem mesmo sido regra e raras foram as ocasiões nos últimos anos em que uma canção musicalmente estimulante ou até cinematograficamente marcante tenha chegado à lista dos nomeados, muito menos ainda as que subiram ao palco para receber a estatueta dourada. Há um ano a cantora Adele levou o primeiro Óscar para uma das mais tradicionais das famílias musicais da história do cinema: as canções para James Bond. Skyfall ficou assim como a primeira ‘Bond song’ oscarizada, ultrapassando o patamar das nomeações a que chegaram as contribuições de Paul McCartney, Carly Simon ou Sheena Easton também ao serviço do agente 007. E superando também aquelas que continuam a ser, pelos feitos do mercado (ou seja, pelas vendas dos discos) as mais populares ‘Bond songs’ de sempre: a campeã A View To A Kill dos Duran Duran (a única que alguma vez atingiu o número um nos EUA ou Reino Unido) e as não menos aclamadas Live and Let Die de Paul McCartney e Nobody Does It Better de Carly Simon que, tendo igualado nos EUA o número dois na tabela de vendas alcançado por Adele no Reino Unido, conseguiram melhores resultados em Inglaterra que a voz de Skyfall na América...

Podemos olhar para a história de todo um legado de prémios onde, apesar a lista impressionante de clássicos que por ali passam, conhecemos a falta de algumas das canções que fizeram páginas maiores na história da relação da música com o cinema. E para não esquecer hoje quem ficou de fora, mais que recordar a história das canções que os Óscares já premiaram, propomos uma viagem no tempo através de dez outras que, por incrível que possa parecer, ficaram de fora dessa lista.

1937. Someday My Prince Will Come, por Adriana Caselotti
É verdade que a Disney não se pode queixar de falta de atenção por parte dos Óscares, pelo menos na hora de premiar a música dos seus filmes. Só entre 1989 e 1999 somou seis vitórias - com Under the Sea de A Pequena Sereia, o tema título de A Bela e o Monstro, A Whole New World de Aladdin, Can You Feel The Love Tonight de O Rei Leão, Clours of The Wind de Pocahontas e You'll Be In My Heart, de Tarzan - numa lista de mais de dez que remonta a 1940, ano em que somou a primeira com When You Wish Upon A Star, da banda sonora de Pinóquio, e avança até 2012, quando Man or a Muppet, da mais recente encarnação no grande ecrã dos Marretas voltou a cantar triunfo para aqueles lados. Curiosamente, a estreia da Disney nas longas metragens com Branca de Neve e os Sete Anões (em 1937) passou ao lado até mesmo das nomeações. Destino bizarro (na época, claro esta) para uma banda sonora da qual saiu uma mão-cheia de canções que se transformaram em standards, com o é há muito Someday My Prince Will Come, canção que teve a sua primeira versão na voz da cantora Adriana Caselotti para a banda sonora original do filme.

1961. Can't Help Falling In Love With You, por Elvis Presley
Muita da obra de Elvis Presley na primeira metade da década de 60 surgiu associada à multidão de filmes que então protagonizou, as respetivas bandas sonoras apresentando assim as novas canções que ia gravando. Para Blue Hawaii, filme de Norman Taurog, uma das canções inéditas então criadas para a voz de Elvis Presley foi Can't Help Falling In Love With You, que se revelaria mesmo com um dos maiores sucessos do cantor nos anos 60. A canção conheceu depois varias outras vidas. Os U2 usaram a versão original para fechar os concertos da Zoo TV Tour e Bono chegou a gravar uma leitura em nome próprio para a banda sonora de Honeymoon in Vegas, de Andrew Bergman. Entre os muitos que assinaram outras versões estão figuras com Doris Day, Patti Page, Bob Dylan, os UB40 ou Chris Isaac.

1964. Goldfinger, por Shirley Bassey.
Se há canção do "cancioneiro 007" que merecia ter ganho um Óscar ela seria a que em 1964 Shirley Bassey deu ao terceiro filme da série. Traduzindo a essência do encontro de uma pungente secção de metais com a alma orquestral que John Barry transformou em imagem de marca do som para James Bond (sugerindo um paradigma ainda hoje respeitado), esta foi a primeira das três contribuições da cantora para os filmes de 007 (regressando mais tarde para colaborar em Diamonds Are Forever e Moonraker). Varias versões de Goldfinger surgiram mais tarde, por nomes que vão dos Magazine ou Tom Petty aos portugueses Belle Chase Hotel.

1965. You’ve Got To Hide Your Love Away, dos The Beatles
A carreira cinematográfica dos Beatles, um pouco ao jeito da do seu compatriota Cliff Richard (mas sem a dimensão atingida pela de Elvis Presley), nasceu como derivação direta do seu trabalho musical, os seus dois primeiros filmes, ambos realizados por Richard Lester, servindo mesmo de veículo para a apresentação de novas canções e a respetiva edição imediata em álbuns que, em parte, registavam a face vocal das suas bandas sonoras. Help!, estreado em 1965, representou musicalmente a materialização de sinais de mudança iminente na música dos Beatles e deu-nos uma mão cheia de grandes clássicos, entre os quais este tema, na voz de John Lennon.

1967. Mrs. Robinson, de Simon & Garfunkel
Uma das canções de maior sucesso da história da dupla Paul Simon / Art Garfunkel, deu-lhes um número um em 1968 e representou um dos temas centrais do álbum Bookends. Mas uma primeira versão da canção tinha surgido um ano antes, na banda sonora de The Graduate, o histórico filme de Mike Nichols magnificamente interpretado por Dustin Hoffman e Anne Bankroft. Nem uma nomeação conquistou...


1973. Knocking on Heaven’s Door, de Bob Dylan
Tema composto e cantado por Bob Dylan para o filme Pat Garret and Billy The Kid de Sam Peckinpah, no qual o próprio cantor surge como ator, ao lado de nomes como James Coburn e Kris Kristofferson. A canção foi um êxito logo na sua versão original, dando a Dylan o seu maior sucesso no formato de single em toda a década de 70. E conheceu depois inúmeras versões, assinadas por nomes que vão dos Grateful Dead ou Guns N’Roses a Antony and The Johnsons.

1977. New York New York, de Liza Minelli
Canção composta por John Kamber e Fred Ebb para a voz de Liza Minelli, para a banda sonora do filme com o mesmo título, o drama musical realizado por Martin Scorsese após Taxi Driver que, na altura, foi um fracasso na bilheteira. Dois anos depois da estreia do filme uma versão da canção, gravada por Frank Sinatra transformou-se não só num dos maiores êxitos do cantor como numa referência maior do “songbook” americano.

1982. Forbidden Colours, de David Sylvian e Ryuichi Sakamoto
David Sylvian integrava ainda os Japan quando, meses depois de se estrear a solo, na companhia de Ryuichi Sakamoto, com o single Bamboo Houses / Bamboo Music foi convidado pelo músico japonês, que assinava a banda sonora de Feliz Natal Mr. Lawrence, de Nagisa Oshima, a juntar-se a ele para criar a canção-título para o filme. Juntos assinaram assim Forbidden Colours, que, com título inspirado por um livro de Mishima, não só uma das pérolas maiores da obra dos dois músicos como uma das mais belas canções alguma vez compostas para o cinema.

1986. Absolute Beginers, de David Bowie
A relação de Bowie com o cinema iniciou-se nos anos 70, como ator em The Man Who Fell To Earth, de Nicholas Roeg, e expandiu-se nos anos 80, quando ao trabalho em cena juntou a escrita de uma série de canções, muitas delas editadas em singles, sem representação nos seus álbuns de estúdio da época. O ano de 1986 foi mesmo o mais produtivo nesta relação de Bowie com o cinema, tendo assinado parte da banda sonora de Labirinto, a canção-tema da animação When The Wind Blows e participando (como ator e músico) em Absolutamente Principiantes, de Julian Temple, para o qual compôs o tema-título, que lhe deu um dos seus maiores êxitos nessa década.

2000. Playground Love, dos Air
O álbum de 1998 Moon Safari colocou nas bocas do mundo (que ouve música) o nome dos franceses Air e, com eles, um gosto por um sentido de elegância onde electrónicas com travo vintage faziam canções com sabor a coisa do presente. Sofia Coppola, desafiou então os dois músicos para assinarem a banda sonora original para a sua primeira longa-metragem, As Virgens Suicidas, para a qual, além do score instrumental, compuseram (com Gordon Tracks) e gravaram esta canção que hoje é já um dos “clássicos” da sua carreira.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

007 Skyfall: a primeira imagem


E eis que chega uma primeira imagem do novo filme James Bond. Skyfall, o 23º filme oficial da saga 007 tem Sam Mendes como realizador e uma vez mais conta com Daniel Craig como protagonista. O elenco junta ainda nomes como os de Judi Dench, Ralph Fiennes, Berenice Marlohe, Naomie Harris, Helen McRory ou Javier Bardem. A sinopse reza que “a lealdade de James Bond a M é testada no momento em que o passado da chefe dos serviços secretos regressa para a atormentar. E quando o MI6 é atacado, o espião 007 tem de procurar e destruir a ameaça, independentemente dos custos pessoais que a ação possa acarretar” [tradução adaptada do texto citado pelo NME].