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sábado, abril 04, 2026

(Elizabeth) Taylor + Taylor (Swift)

Aí está o teledisco de Elizabeth Taylor, porventura a canção mais emblemática do álbum The Life of a Showgirl, de Taylor Swift. É uma genuína coleção de memórias — momentos emblemáticos da filmografia de Elizabeth Taylor —, reforçando o laço simbólico que liga a solidão de uma estrela como Taylort Swift ao tempo e ao imaginário de um universo edificado sobre o conceito irradiante de star.
 

>>> Eis os filmes citados no teledisco de Elizabeth Taylor.
>>> A imagem final do teledisco servia de abertura ao trailer original de Bruscamente no Verão Passado (1960).
 

segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Taylor Swift, Opalite

Na companhia de um elenco de vedetas, incluindo Graham Norton, Cillian Murphy e Domhnall Gleeson, Taylor Swift protagoniza e realiza o teledisco de Opalite, o segundo de temas do seu álbum The Life of a Showgirl. Recuperando sinais da iconografia da década de 1990 (a começar pelo anúncio televisivo de uma poção mágica...), eis uma celebração festiva de uma cultura pop em que a tradição persiste como matéria ambígua, porque sujeita a permanentes transfigurações formais e simbólicas — com permanente sentido de auto-ironia.
 

quarta-feira, dezembro 24, 2025

10 discos de 2025 [2]

* THE LIFE OF A SHOWGIRL, Taylor Swift

Para uma estrela pop pós-Madonna, a "introspeção" criativa passou a ser uma espécie de obrigação moral que, em boa verdade, se resume muitas vezes a um banal caderno de encargos mediático. Em vez de se desviar dessa maldição conceptual, Taylor Swift decide olhá-la de frente para a virar do avesso. Daí que a sugestão de auto-retrato desta vida de uma "showgirl" tenha tanto de confessional como de irónico, além do mais denunciando a moda da "apatia" imposta pela Net (escute-se Eldest Daughter). A recordação de Elizabeth Taylor (na canção homónima) possui, por isso, a energia de um verdadeiro "statement" artístico e, porque não dizê-lo, cinéfilo.
 

[ Patti Smith ]

sexta-feira, outubro 31, 2025

The Fate of Ophelia [versão acústica]

The Fate of Ophelia, tema nuclear do álbum The Life of a Showgirl, de Taylor Swift, já tem a prometida versão acústica. Ou como uma canção genuinamente pop apela à sua própria transfiguração — em baixo, o teledisco da primeira versão.

(...) All that time
I sat alone in my tower
You were just honing your powers
Now I can see it all
Late one night
You dug me out of my grave and
Saved my heart from the fate of
Ophelia (...)



domingo, outubro 26, 2025

A miragem de Taylor Swift

Ser ou não ser uma estrela, eis a questão: subitamente, há uma canção que nos fala de Elizabeth Taylor... — este texto foi publicado no Diário de Notícias (10 outubro).

[Instagram]
Na velocidade alucinante da (des)informação audiovisual em que vivemos, eis um curioso contraste de imagens que, de uma maneira ou de outra, tem pontuado o nosso quotidiano. Assim, por um lado, revemos Greta Thunberg como expressão de uma postura militante que não desiste de fundamentais valores humanistas ignorados em muitos sectores da vida económica e da acção política. Ao mesmo tempo, por outro lado, Taylor Swift lança o seu 12º álbum de estúdio, The Life of a Showgirl, apoiado por uma série de fotografias com assinatura da dupla Mert Allas/Marcus Piggott que serviram para criar cerca de uma dezena de sugestivas capas para o novo registo.
Identificar assim as duas figuras e as respectivas imagens não significa qualquer aproximação (seja ela ecuménica ou conflituosa) das respectivas formas de existência mediática, nem sequer através do factor “feminino”. Afinal de contas, Thunberg tem 22 anos e Swift está a poucas semanas de completar 36, pelo que até mesmo o eventual uso da palavra “juventude” para classificar a sua coexistência no espaço da comunicação global não passaria de mais um gesto gratuito do pobre imaginário “juvenil” com que muitas formas de televisão tentam resumir a complexidade das pessoas, dos seus contextos e também do seu papel simbólico. Trata-se apenas de reconhecer que, em última instância, tal coexistência enriquece e alimenta a pluralidade do mundo.
No território específico do espectáculo, o protagonismo de Swift é tanto mais interessante quanto a sua trajectória profissional nunca dispensou alguma reflexão sobre as formas de representação do seu trabalho — e também, necessariamente, de auto-representação (a começar pelos estereótipos juvenis do seu primeiro álbum, homónimo, lançado em 2006). Acontece que para The Life of a Showgirl as escolhas dessa teatralização, afinal inerente a qualquer linguagem do espectáculo, se faz através de um insólito recuo temporal, tão conciso quanto irónico — as sofisticadas imagens de Allas/Piggott são a bandeira ambivalente desse verdadeiro processo dramatúrgico.
Poderemos considerar que o título do álbum se refere a “A vida de uma bailarina”, destacando a dança como valor inerente às suas performances (dos palcos aos telediscos), à semelhança de várias estrelas contemporâneas da música popular. O certo é que a palavra “showgirl” arrasta uma antologia de memórias que, pelo menos no contexto do “entertainment” americano, excede os limites de um estilo ou uma técnica.
Nos primórdios do cinema sonoro, e através de muitas associações com o imaginário da Broadway, a “showgirl” pertence ao mundo das chamadas Gold Diggers que, além do guarda-roupa exuberante (que Swift recria com grande pormenor), se distinguem pelas monumentais coreografias dos seus números musicais — lembremos, a esse propósito, o génio de encenação de Busby Berkeley em filmes como Gold Diggers of 1935 (1935), Gold Diggers of 1937 (1936) e Gold Diggers in Paris (1938). Para lá do género musical, o artifício da “showgirl” é mesmo um elemento espectacular que contamina muitas personagens do espectáculo, de uma vedeta do mudo como Theda Bara (Cleópatra num filme de 1917) até aos delírios visuais de Lady Gaga na sua emblemática digressão "The Monster Ball" (2009-2011).
Com Taylor Swift, tudo isso se reencena num jogo contido de humor e nostalgia, já que a “showgirl” que ela elege como modelo é alguém cujo imaginário se rege por componentes artísticas e simbólicas bem diferentes. A saber: Elizabeth Taylor (1932-2011). Encontramos mesmo no álbum uma canção intitulada Elizabeth Taylor, espelhando as amarguras decorrentes da conjugação de euforia e solidão, celebração e abandono, que a condição de estrela pode arrastar.
Lembrando os filmes de Elizabeth Taylor, de A Coragem de Lassie (1946) a Quem Tem Medo the Virginia Woolf? (1966), passando por Um Lugar ao Sol (1951), Gata em Telhado de Zinco Quente (1958) ou Cleópatra (1963), será que todos os ouvintes do novo álbum têm imagens para associar ao nome da “showgirl” que ela evoca? Movemo-nos, assim, num deserto de símbolos: num misto de pedagogia e poesia, Swift assume-se como miragem de uma ideia de “star” que se vai apagando nas nossas memórias.

sábado, outubro 04, 2025

Taylor Swift / Elizabeth Taylor

Peça central de The Life of a Showgirl, 12º álbum de estúdio de Taylor Swift, a canção Elizabeth Taylor envolve tanto de requiem como de panfleto sobre a condição de star. Há mesmo um misto de ironia e amargura neste enlace que envolve a estrela maior da actual música popular com a actriz que marcou e, de alguma maneira, reconfigurou o imaginário clássico de Hollywood. Ainda não há teledisco...
 
I'd cry my eyes violet, Elizabeth Taylor
Tell me for real, do you think it's forever?
Been number one, but I never had two
And I can't have fun if I can't have
Be my NY when Hollywood hates me
You're only as hot as your last hit, baby
Been number one, but I never had two
And I can't have fun if I can't have you

sexta-feira, setembro 05, 2025

Taylor Swift, superstar

O anúncio do novo álbum de Taylor Swift (The Life of a Showgirl) envolveu algumas imagens da cantora marcadas pela nostalgia de antigas formas de espectáculo. Assim (re)nasce uma estrela — este texto foi publicado no Diário de Notícias (15 agosto).

“Showgirl” — a palavra não se encontra no dicionário da cultura politicamente correcta destes nossos dias atribulados, mas Taylor Swift não receou recuperá-la do armário das nostalgias, chamando ao seu novo álbum: The Life of a Showgirl.
O anúncio desse que será o 12º registo de estúdio de Swift (35 anos) teve a candura ambígua que algum marketing ainda sabe produzir. Aconteceu no podcast “New Heights” apresentado pelo seu namorado, o jogador de futebol americano Travis Kelce, na companhia do irmão Jason Kelce. E se é verdade que tudo isso envolveu mais de duas horas de animada conversa, não é menos verdade que o impacto da notícia ficou a dever-se em grande parte ao facto de Swift ter revelado a capa de The Life of a Showgirl.
Nessa capa, Swift surge mergulhada numa banheira, numa pose de calculado artifício, usando uma indumentária de actriz de um espectáculo musical (“showgirl”, justamente) cujo top é feito de diamantes. Da autoria de Mert Allas & Marcus Piggott, a imagem reflecte um gosto de festiva reconversão de formas primitivas de encenação da figura feminina, gosto com que a dupla de fotógrafos já marcou os universos de Madonna [foto, 2010], Lady Gaga, Julia Roberts, Shakira ou Scarlett Johansson.
Observando outras variações da capa, sempre com Swift embrenhada em cenários e luzes que não disfarçam a sua teatralidade, parece haver uma clara vontade de apropriação e reconversão de iconografias passadas (digamos, para simplificar, de Jean Harlow a Marilyn Monroe). Aliás, tal vontade está expressa em diversos momentos da videografia da cantora, incluindo Bad Blood, que lhe valeu o prémio MTV de melhor teledisco de 2015.
Como a própria intérprete esclareceu, esta “vida de uma showgirl” (com lançamento marcado para 3 de outubro) reflectirá acontecimentos e pensamentos do período em que decorreu a sua mais recente digressão ('The Eras Tour'). O que, bem entendido, não exclui a possibilidade de a dimensão confessional do álbum coexistir como as formas, os brilhos e as cores de uma verdadeira estrela — superstar será, por isso, um epíteto que Taylor Swift pode usar sem se confundir com o fogo fátuo das vedetas mais ou menos efémeras do nosso mundo digital.

quarta-feira, setembro 11, 2024

A calma, não o caos [citação]

>>> Vou votar por Kamala Harris e Tim Walz na Eleição Presidencial de 2024. Vou votar por @kamalaharris porque ela luta pelos direitos e causas que acredito necessitarem de uma figura guerreira para as defender. Penso que ela é uma líder dotada e com mão firme, e acredito que podemos fazer muito mais neste país se formos conduzidos pela calma e não o caos.

TAYLOR SWIFT

sexta-feira, abril 12, 2024

domingo, fevereiro 11, 2024

A IMAGEM: Sam Whitney, 2024

SAM WHITNEY
[foto-ilustração do artigo de Jennifer Weiner
'Porque é que de repetente tudo acontece por culpa de Taylor Swift?']
New York Times, 10 fev. 2024


domingo, outubro 23, 2022

Taylor Swift no país dos anti-heróis

Há que reconhecer que Taylor Swift não desiste de criar canções que, através de mecanismos de transparência ou farsa (porventura transparência e farsa), configurem um confessionalismo raro na cultura "juvenil" destes tempos. Anti-hero, do seu novo álbum Midnights, aí está, precisamente, como essa miscelânea de exposição pessoal e artifício espectacular que define a mais nobre tradição pop (cf. Madonna). O respectivo teledisco, dirigido pela própria Taylor Swift, é um pequeno prodígio de encenação, transfigurando a canção em drama, o drama em comédia e, por fim, a comédia em desconcertante parábola — em resumo: uma deliciosa festa narrativa para anti-heróis como nós.

sexta-feira, fevereiro 28, 2020

Taylor Swift: #HeToo

Há em Taylor Swift uma espécie de desespero militante. Em vez de explorar a sua dimensão mais sóbria, artisticamente mais interessante (recorde-se o seu solo na NPR), persiste numa pop cuja energia interpretativa não chega para ocultar o esquematismo das suas matrizes. Assim volta a acontecer com a canção de The Man, sugestiva divagação anti-machista, (sobre-)produzida em tom exuberante no seu mais recente álbum, Lover, mas que se afigura muito mais interessante na versão acústica ao vivo recentemente divulgada.
O teledisco de The Man, revelado a 27 de Fevereiro, vem introduzir um delicioso grãozinho de areia na arquitectura iconográfica do seu marketing. Num labor eminentemente pessoal (é a sua estreia como realizadora, a solo, de um dos seus clips), Swift conduz a ambiguidade da canção a um desmascaramento burlesco, por certo cedo pressentido pelo espectador, mas que se apresenta sustentado por um salutar humor.
A propósito, vale a pena lembrar que, em princípio, as militâncias, mesmo quando se simplificam em discursos esquemáticos (like a virgin, hélas!), não têm nada a perder com algum gosto metódico da irrisão — eis a prova.

quinta-feira, novembro 07, 2019

Taylor Swift, solo

De que falamos quando falamos de Taylor Swift? Ou como a escutamos?
Digamos que, ao longo dos anos, a temos descoberto entre a facilidade de um descarnado naturalismo e a procura de uma genuína e, de algum modo, confessional teatralidade.
O que nos conduz a uma pergunta clássica: ser uma estrela é apenas a monótona reiteração de um estatuto ou pode ser um sistema coerente de risco e consequência, sedução e desafio?
Integrado na série de performances designadas como 'Tiny Desk Concert', a passagem de Swift pelos estúdios da NPR envolve uma radiosa resposta àquelas dúvidas. Conduzindo-nos a nova interrogação: e se a saturação de efeitos & poses que tem caracterizado o seu protagonismo no país global do entertainment fosse um logro artístico? E se ela arriscasse expor-se através do minimalismo de uma guitarra ou um piano?
É o que acontece aqui. São quatro canções — The Man, Lover, Death by a Thousand Cuts e All Too Well, as três primeiras do recente Lover (2019), a última de Red (2012) — despidas de artificialismos redundantes, devolvidas à sensibilidade primordial da voz. Solo, voilà. Menos é mais. 

terça-feira, março 13, 2018

A confissão de Taylor Swift

Entre as descendentes musicais e iconográficas de Madonna, Taylor Swift é, por certo, de uma só vez, uma das mais aplicadas e também das mais redundantes. O seu teledisco de Look What You Made Me Do, primeiro single do álbum Reputation (lançado em Novembro de 2017), surgiu mesmo como uma apoteose de citações esvaziadas de qualquer sentido narrativo minimamente consistente.
Assim não acontece no seu novo e muito sugestivo teledisco de mais um tema do mesmo álbum, Delicate, realizado por Joseph Kahn. Não só a canção é francamente mais interessante, evitando os excessos de uma típica sobre-produção, como descobrimos Swift num exercício de angústia e paródia gerado pela sua súbita condição... invisível. Tudo trabalhado através de uma genuína coreografia, capaz de escolher a subtileza contra o espalhafato.
Enfim, a abertura de Delicate, com Swift assediada pelos representantes dos media, faz lembrar o começo de Drowned World / Substitute For Love (1998), prodigioso exercício confessional de Madonna com realização de Walter Stern... Mas é caso para dizer: antes assim.

terça-feira, agosto 29, 2017

Taylor Swift ou o vazio da comunicação

Revelado nos cada vez mais retóricos prémios MTV, o teledisco de Look What You Made Me Do (tema do álbum Reputation, a lançar em Novembro) é uma tentativa esforçada, tão esforçada que roça o patético, de apresentar Taylor Swift como uma artista de todos os recursos e todas as invenções — dos filmes de zombies à imitação (?) das coreografias de Beyoncé, há de tudo um pouco, como se nem o realizador Joseph Kahn nem ninguém soubesse o que fazer para vender a imagem da sua vedeta.
Assim se agrava o bloqueio criativo já detectável, no arranque de 2016, em Out of the Woods e, antes, em Bad Blood. A canção, convenhamos, não ajuda muito, de tal modo se apresenta como uma variação mega-produzida (leia-se: sem sensibilidade nem pensamento) daquilo que as Spice Girls fizeram há vinte anos, com outra simplicidade e alegria. Estamos perante um exemplo de hiper-comunicação que, de facto, já não trabalha a não ser para disfarçar o seu trágico vazio interior — isto para não evocarmos em vão o nome de coisas mais materiais.
No universo mínimo (nada a ver com minimalista) de Taylor Swift, o "segredo" está em acumular sugestões e situações que, de alguma maneira, remetam para o historial comercial, mediático e "social" da própria protagonista (o que, há que reconhecê-lo, pode dar origem a curiosos relatórios jornalísticos). No final do teledisco, num gesto de desesperada auto-ironia, a intérprete assume perante a câmara todas as "personagens" que interpretou, com a mais "realista" empunhando um prémio da MTV e debitando esta frase exemplar: "Gostaria muito de ser excluída desta narrativa" — é um bom gag, infantilmente brechtiano, sobretudo se o interpretarmos como uma angustiada confissão realista.

sexta-feira, janeiro 01, 2016

A Natureza segundo Taylor Swift

No universo de Taylor Swift, o requinte, sem dúvida sedutor, da fabricação industrial coexiste com a sensação de um infinito processo de remake de matrizes pop que outros e outras (Blondie, Bananarama, Madonna, hélas!...) já aplicaram com uma subtileza criativa que a ela sempre lhe falta. Porventura um sintoma revelador desse processo que tem tanto de musical como de tecnocrático está na evolução dos seus telediscos e, mais concretamente, na sua contaminação digital.
Há poucos meses, o triunfo de Bad Blood nos prémios MTV emergiu como exemplarmente revelador: a concepção hiper-tecnológica do teledisco significa, em última instância, que a encenação da canção já não é uma prioridade, privilegiando-se a mera ostentação dos meios devedores de matrizes publicitárias.
O novo teledisco de Swift, revelado na noite de fim de ano, representa um passo mais nessa lógica, não por acaso apropriando-se de (ou promovendo) um conceito virtual de Natureza. Vogamos, afinal, num território herdado da degradação figurativa de fenómenos como a saga Twilight, incapaz de tratar dois elementos decisivos — a paisagem e a presença animal — de outro modo que não seja a sua banal e repetitiva instrumentalização digital. No limite mais desconcertante de tudo isto, esta música que se quer sensual e hiper-erotizada não possui qualquer programa ou método para representar os corpos e a sua irredutibilidade — vale a pena conhecer e reflectir sobre a gélida existência de tudo isso.

domingo, setembro 06, 2015

A MTV de Taylor Swift

O triunfo de Taylor Swift nos prémios MTV tem um valor inevitavelmente sintomático sobre a evolução da "televisão da música" — este texto foi publicado no Diário de Notícias (4 Setembro).

O triunfo do teledisco Bad Blood, de Taylor Swift, nos prémios da MTV (vídeo do ano) é significativo daquilo que mudou no canal que, em 1981, nasceu para ser a “televisão da música” (hoje em dia parasitado pela banalidade dos formatos da reality TV). Muitos telediscos da actualidade deixaram de ser concebidos como narrativas em torno, ou através, das canções, para passarem a existir como acumulação de momentos breves, de agressivo e mais ou menos gratuito impacto visual, obedecendo a matrizes de linguagem que vêm da publicidade mais rotineira.

>>> Bad Blood, Taylor Swift.


Escusado será dizer que Bad Blood, dirigido por Joseph Kahn, é um objecto de evidente competência de execução, sustentado por uma sofisticação tecnológica que o coloca a par de muitas produções saídas dos grandes estúdios de cinema (as explosões finais poderiam muito bem pertencer a qualquer das mais recentes aventuras de Vingadores e Homens-Aranhas). Acontece que tudo isso existe menos para servir a canção e mais como colecção de proezas efémeras, vistosas e superficiais, à maneira de muitos spots publicitários.
Os contra-exemplos não faltam. Se recuarmos um pouco mais de um quarto de século e citarmos um caso emblemático como Express Yourself (1989), de Madonna, as diferenças são reveladoras. Num caso como noutro, trata-se de criar uma apoteose de consagração da respectiva intérprete. Acontece que Express Yourself, realizado por David Fincher (cuja primeira longa-metragem, Alien 3, só surgiria três anos mais tarde), trabalha uma complexa teia temática que, para além de um cuidado argumento, sabe recriar temas, figuras e simbolismos que vêm do clássico Metropolis (1927), de Fritz Lang.
A referência à visão de Lang é também reveladora daquilo que mudou. Assim, a aliança Madonna/Fincher move-se no interior de um imaginário em que as memórias cinéfilas constituem uma fundamental matéria de referência. Na MTV actual, a cinefilia não existe, já que a memória, na melhor das hipóteses, se reduz à dimensão pueril do pitoresco.

>>> Express Yourself, Madonna.

quinta-feira, julho 16, 2015

Neil Young: acabou-se o streaming!

FOTO: Wikipedia
Neil Young não está satisfeito com a qualidade da reprodução sonora dos serviços de streaming (recorde-se que ele está ligado ao projecto Pono, companhia que nasceu sob o signo da defesa da qualidade de reprodução, comercializando um leitor portátil e alimentando um serviço de download). Daí a decisão drástica: a retirada de toda a sua música dos serviços de streaming — todos! [notícia: Rolling Stone].
É um gesto que, para além das suas circunstâncias específicas, não pode deixar de ser aproximado da atitude de Taylor Swift quando, há cerca de três semanas, expressou uma visão muito negativa do novo Apple Music. Seja como for, a atitude de Young acrescenta mais um capítulo à já longa odisseia da música na Net — as suas peripécias parecem estar longe do fim.
Entretanto, tudo isto ocorre poucos dias depois do lançamento de The Monsanto Years, 36º álbum de estúdio de Neil Young, uma peça do mais impecável e envolvente primitivismo rock fabricada em conjunto com a banda Promise of the Real — eis um dos seus temas: A Rock Star Bucks a Coffe Shop.

domingo, junho 21, 2015

Taylor Swift em confronto com a Apple

"Não vos pedimos iPhones de borla. Por favor, não nos peçam que vos forneçamos a nossa música sem qualquer compensação" — as palavras são de Taylor Swift e estão numa carta aberta dirigida à Apple (To Apple, Love Taylor). Em causa está o lançamento do novo serviço de streaming Apple Music, agendado para 30 de Junho. A sua oferta inicial envolve a oferta de três meses de apreciação sem quaisquer encargos e Swift considera essa medida um atentado aos direitos dos músicos: "Três meses é um longo período sem qualquer pagamento e não é correcto pedir a alguém que trabalhe por nada. Digo-o com amor, reverência e admiração por tudo aquilo que a Apple já fez."
Num contexto em que a discussão do perfil dos serviços de streaming é mais actual do que nunca (recorde-se o exemplo do Tidal e o apoio que recebeu de nomes tão emblemáticos como Madonna), a posição assumida representa, no mínimo, uma ferida simbólica numa estratégia sempre empenhada em cultivar uma imagem cool e equilibrada. Resta saber se Swift vai ficar isolada na sua reivindicação ou desencadear uma vaga de efeitos imprevisíveis entre os criadores musicais.