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terça-feira, setembro 23, 2025

Robert Redford
— morreu um grande contador de histórias

Os Três Dias do Condor (1975), de Sydney Pollack

Por certo mais conhecido através das suas interpretações em filmes tão populares como Os Homens do Presidente ou África Minha, Robert Redford foi um criador multifacetado também como produtor e realizador: morreu na sua casa de Sundance, no estado do Utah, contava 89 anos — este obituário foi publicado no Diário de Notícias (17 outubro).

Robert Redford morreu aos 89 anos de idade. O mundo soube da notícia através de um comunicado de Cindi Berger, presidente da agência artística Rogers and Cowan PMK, responsável pelas relações públicas do actor, produtor e cineasta: “Robert Redford faleceu a 16 de setembro de 2025, na sua casa de Sundance, nas montanhas do Utah — o lugar que amava, rodeado por aqueles que o amavam. A sua falta será profundamente sentida. A família solicita que seja respeitada a sua privacidade.”
Na sua comovida brevidade, faz sentido que a notícia não destaque um ou outro filme — e escusado será dizer que haveria algumas dezenas de títulos possíveis, de Perseguição Impiedosa (1966), ao lado de Marlon Brando, sob a direção de Arthur Penn, até O Cavalheiro com Arma (2018), de David Lowery, insólito policial com retoques de comédia que, não sendo exactamente o seu derradeiro trabalho de representação, funcionou como uma espécie de despedida simbólica do cinema.
Sundance fica, de facto, como o nome (talvez possamos mesmo dizer: a bandeira) da trajectória plural de um actor que cedo compreendeu a importância das estratégias de produção na consolidação e renovação das estruturas criativas do cinema. Curiosamente, tudo isso começou com a compra de um terreno, nas montanhas do Utah, habitualmente utilizado para provas de ski — Redford conseguiu adquiri-lo graças aos ganhos obtidos em 1969 com Butch Cassidy and the Sundance Kid (Dois Homens e um Destino), um “western” em que contracenava com Paul Newman, sob a direção de George Roy Hill. Parafraseando a sua personagem (Sundance Kid), decidiu chamar Sundance à nova propriedade.
O passo seguinte consistiu em fundar o Festival de Sundance que, desde 1978, tem sido uma montra de eleição para a produção independente. Alguns dos seus títulos vencedores são reveladores do papel de descoberta e promoção de novos talentos que o festival tem desempenhado — lembremos os exemplos emblemáticos dos primeiros filmes dos irmãos Coen, Blood Simple/Sangue por Sangue (1984), ou Todd Haynes, Poison/Veneno (1991), e ainda CODA (2021), de Siân Heder, que viria a arrebatar o Oscar de melhor filme do respectivo ano de produção. Hoje em dia, Sundance é muito mais do que um festival graças ao Instituto Sundance, entidade que mantém diversos programas de apoio aos independentes das mais diversas origens culturais e geográficas, muito para lá dos circuitos dos EUA.

Do teatro ao cinema

Tudo isto aconteceu em paralelo com a ascensão de Redford como uma verdadeira “star” do sistema de Hollywood. No começo, a sua actividade parecia ir ficar confinada a um ziguezague entre os palcos da Broadway — com sucessos como a comédia romântica Descalços no Parque, de Neil Simon, em 1963, contracenando com Elizabeth Ashley — e participações regulares em algumas das mais populares séries televisivas da primeira metade da década de 60, incluindo Naked City, Perry Mason e Alfred Hitchcock Apresenta.
Dois títulos seriam decisivos para Redford surgir na linha da frente dos nomes mais populares de Hollywood: primeiro, a adaptação de Descalços no Parque (1967), contracenando agora com Jane Fonda, sob a direção de Gene Saks; depois, o já citado Butch Cassidy and the Sundance Kid, filme de uma vaga de "westerns” apostados na revisão crítica, tanto no plano narrativo como ideológico, das memórias do Velho Oeste. A essa vaga pertence o admirável Tell Them Willie Boy Is Here/O Vale do Fugitivo (1969), também com Redford, marcando o regresso à realização de Abraham Polonsky, marginalizado durante o período “maccartista”, que não assinava um filme desde 1948 (A Força do Mal).
Neste contexto de profundas transformações do sistema de Hollywood, cada vez mais abalado pela concorrência crescente do pequeno ecrã, Redford foi coleccionando sucessos como O Candidato (1972), crónica amarga e doce de umas eleições na Califórnia, sob a direção de Michael Ritchie — foi um momento especialmente importante na sua evolução profissional, já que, para lá do papel principal, marcou a sua estreia como produtor.
Entretanto, a sua amizade com Sydney Pollack (que conheceu na televisão quando eram ambos actores à procura de consolidar uma carreira de representação) foi gerando filmes de grande impacto, cada um deles arriscando reconverter e reinventar algum modelo do classicismo de Hollywood. Conheciam-se desde A Flor à Beira do Pântano (1966), com Natalie Wood, crónica romanesca sobre os tempos da Depressão inspirada numa peça em um acto de Tennessee Williams. Voltaram a colaborar em quatro títulos da década de 70: o “western” As Brancas Montanhas da Morte (1972), em grande parte rodado no Utah, o melodrama O Nosso Amor de Ontem (1973), ao lado de Barbra Streisand, e os “thrillers” Os Três Dias do Condor (1975) e O Cowboy Eléctrico (1979), o primeiro com Faye Dunaway, o segundo reencontrando Jane Fonda.
A apoteose popular da relação criativa Pollack/Redford aconteceria com África Minha (1985), epopeia romântica inspirada na experiência africana da escritora dinamarquesa Karen Blixen, interpretada por Meryl Streep. Colaboraram pela última vez em Havana (1990), melodrama em cenários cubanos pré-revolução, com Lena Olin, a actriz sueca que Ingmar Bergman consagrara em 1984 através do filme Depois do Ensaio.

Uma dimensão política

Por mais que possamos (e devamos) reconhecer a defesa da produção independente como marca vital do labor de Redford, importa não cedermos aos maniqueísmos do politicamente correcto e insistir no facto de ele nunca ter renegado a sua pertença ao sistema de Hollywood. Isso mesmo ficou patente no momento de consagração do seu primeiro filme como realizador, Gente Vulgar (1980), um subtil drama familiar cujas ressonâncias simbólicas não se desvaneceram.
Gente Vulgar ganhou o Oscar de melhor filme do ano, tendo arrebatado mais três estatuetas douradas: realização, para Redford, argumento adaptado, para Alvin Sargent, e actor secundário, para Timothy Hutton. Ao receber o seu prémio, Redford agradeceu aos realizadores com quem trabalhara no passado e com quem, “consciente ou inconscientemente”, tinha aprendido as artes da direção. E fez questão em acrescentar: “Não estará muito na moda, mas é um facto que agradeço o apoio da Paramount Pictures — deixaram-nos fazer o filme como queríamos, e estou muito grato por isso”.
Podemos especular sobre o enquadramento económico e artístico deste agradecimento, perguntando se, em termos gerais, esta relação particular de um cineasta com o “studio system” se prolonga, de alguma maneira, no actual cinema americano. Uma coisa é certa: Redford ainda assinou mais oito longas-metragens como realizador, deixando-nos um legado precioso em que, directa ou indirectamente, se reflectem os contrastes e contradições do seu próprio país, da vida política aos valores culturais.
Dois filmes permitem condensar o valor da sua filmografia como realizador: Quiz Show (1994) e Lions for Lambs (2007). O primeiro evoca um escândalo da televisão americana na década de 1950 (quando foram viciadas as regras de um concurso de perguntas/respostas), no limite colocando questões incómodas sobre o poder, de uma só vez social e simbólico, do pequeno ecrã, questões cuja actualidade se vai renovando, por vezes de forma inquietante. O segundo, lançado entre nós como Peões em Jogo, analisa as repercussões do envolvimento militar americano no Afeganistão, tendo como personagens centrais um congressista republicano, uma jornalista e um professor universitário, interpretados, respectivamente, por Tom Cruise, Meryl Streep e o próprio Redford. Infelizmente, o seu discreto impacto comercial faz com a sua dimensão genuinamente política (não panfletária, entenda-se) continue a ser mal conhecida.
A esse propósito, vale a pena lembrar que essa dimensão política da obra de Redford — enraizada numa tradição “hollywoodiana” em que podemos encontrar cineastas tão diferentes como Frank Capra, Richard Brooks ou Clint Eastwood — nunca o levou a proclamar qualquer maniqueísmo ideológico, muito menos partidário. Embora simplificando (e simplificando muito), podemos dizer que semelhante posição não é estranha a um conceito jornalístico em que a procura social da verdade e os direitos individuais do cidadão se entrelaçam de forma decisiva.
O sintoma perfeito de tal postura será, sem dúvida, o filme Os Homens do Presidente (1976), de Alan J. Pakula, sobre a investigação de Bob Woodward e Carl Bernstein, jornalistas de The Washington Post, do escândalo Watergate que desembocaria na resignação do Presidente Richard Nixon. Interpretando Woodward, com Dustin Hoffman no papel de Bernstein, Redford está na origem do projecto, já que compreendeu muito cedo a importância da investigação que estava a ser desenvolvida — garantiu mesmo a compra dos direitos de adaptação do livro em que Woodward/Bernstein narram essa investigação (All the President’s Men, tal como o filme), antes mesmo de ser posta à venda a primeira edição.
Para muitos espectadores das gerações mais jovens, está por descobrir a multifacetada riqueza da herança que Redford nos deixou, muito para lá dos rótulos de “galã” ou “activista” que tantas lhe são aplicados. Em 2002, a Academia de Hollywood distinguiu-o com um Oscar honorário, em reconhecimento da sua “inspiração para cineastas independentes e inovadores”. Ao entregar-lhe a estatueta, Barbra Streisand disse-o com palavras precisas e carinhosas: “O trabalho de Robert Redford como actor, realizador e produtor representou sempre o próprio homem: o intelectual, o artista, o cowboy. Ele tem uma paixão por contar histórias que reflectem a energia e as vulnerabilidades do espírito americano — a nossa luta para alcançarmos o que é mais elevado na nossa natureza. E embora nem sempre o consigamos, os filmes de Robert Redford garantem-nos a possibilidade de celebrar o esforço”.
 

>>> Obituário no Los Angeles Times.
>>> Entrevista na revista Orion (8 nov. 2024).

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Sundance 2013: os prémios

Cenas da vida real dominam a premiação principal da edição 2013 de Sundance com Fruitvale, primeira obra de Ryan Coogler, sagrando com o grande vencedor. Com argumento aprovado há um ano no Sundance Screenwriters Lab, o filme evoca a figura (real) de Oscar Grant, um jovem de 22 anos que foi morto pela polícia da Bay Area num incidente numa estação de comboios na manhã de ano novo de 2009. O prémio maior para documentários de produção norte-americana destacou, por sua vez, Blood Brother, filme de Steve Hoover que nos conta a história de vida de um americano desencantado e desmotivado que encontrou novo rumo ao trabalhar num orfanato da Índia para crianças infectadas com o vírus VIH. Os dois grandes prémios do júri para cinema internacional foram para produções asiáticas. Da Coreia do Sul, Jiseul (de Muel O) recorda os factos em torno de um massacre em 1948. Do Camboja chegou o documentário destacado pelo grande júri, que assim escolheu A River Changes Course, de Kalyanee Mam.

Podem consultar aqui a premiação completa de Sundance.

sábado, janeiro 26, 2013

Sundance 2013 (dia 10)

Mais uma variação do modelo ‘coming of age’ mora na alma de The Way, Way Back, um dos filmes em estreia em Sundance. Assinado por Nat Faxon e Jim Rash coloca-nos no espaço de férias de um filho de pais separados, enviado durante algumas semanas para junto da sua mãe. E da forma como uma presença exterior à família (na forma do funcionário num parque aquático onde o jovem Duncan encontra trabalho temporário) se revela afinal mais atenta e marcante que a da mãe e sua “nova” família.


Sally Potter, a realizadora de O Piano, regressa a Sundance com um épico de quase seis horas de duração sobre as descobertas que um detetive faz quando vai revelando os segredos de uma pequena cidade na Nova Zelândia. Com nomes como os de Elisabeth Moss, Holly Hunter, Peter Mullan e David Wenham no elenco, Top of The Lake conta ainda com banda sonora de Mark Bradshaw.


Anne Fontaine, a autora de Coco Before Chanel, leva a Sundance Two Mothers, a história de duas mulheres, amigas de muitos anos, que se apaixonam pelos filhos uma da outra, a descoberta das relações instalando um clima que coloca em risco o velho relacionamento entre ambas. No elenco encontramos Naomi Watts, Robin Wright, Xavier Samuel e James Frechevile.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Sundance 2013 (dia 9)

O documentarismo político tem marcado a vida recente de Sundance e 2013 não foge à regra. Um dos títulos em cartaz é 99%—The Occupy Wall Street Collaborative Film, um filme co-assinado por Audrey Ewell, Aaron Aites, Lucian Read e Nina Krstic no qual se propõe um retrato sobre o movimento Occupy, as suas causas e potenciais consequências futuras.


Com algum brado mediático passou por esta edição do festival de Sundance o documentário After Tilly, filme de Martha Shane e Lana Wilson que, na sequência do assassinato do Dr. George Tilly, recorda este e fala de alguns outros quatro médicos que praticam abortos no terceiro trimestre de gravidez nos EUA. Em choque estão as visões que defendem estes médicos e os grupos pro-life que os retratam como assassinos.


Os perigos das desigualdades para a sociedade e a economia têm sido o centro focal de muitas palestras que Robert Reich (que integrou a administração de Bill Clinton com a pasta do trabalho) tem dado nos últimos tempos. Inequality for All, documentário de Jacob Kornbluth parte destes encontros públicos para escutar ideias e contextualizar reflexões.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Sundance 2013 (dia 8)

Um filme do inglês Mike Lerner e do russo Maxim Pozdorovkin conta-nos a história de uma banda punk feminista russa que, mesmo sem um álbum internacionalmente distribuído, se tornou num dos nomes mais falados de 2012. O filme Pussy Riot—A Punk Prayer tenta documentar a história da acção que gerou o “caso” que delas fez figuras faladas em todo o mundo mostrando, uma vez mais, a força enquanto contracultura que a música pode ter, mesmo que depois subjugada pelo poder.


Dave Grohl, que integrou os Nirvana e é a força motriz dos Foo Fighters, estreia-se com Sound City na realização de documentários nesta edição de Sundance. O músico propõe um reencontro com os míticos estúdios Sound City, no San Fernando Valley (Califórnia), que perdeu o protagonismo que outrora teve com a chegada da nova idade da gravação digital caseira. Grohl junta no velho estúdio Stevie Nicks, Neil Young, Tom Petty, Trent Reznor, Rick Springfield e Paul McCartney e acompanha a criação de um disco, ao mesmo tempo que evoca memórias daquele lugar.


Os Eagles são um nome de primeiro plano da cena pop/rock mainstream norte-americana dos anos 70 e desde 1994 vivem uma segunda vida, mantendo-se reunidos. O filme History of the Eagles Part One, de Alison Ellwood, junta material de arquivo, registo de atuações e filmes caseiros nunca mostrados publicamente, para relatar a história da banda que nos deu canções como Hotel California ou New Kid in Town.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Sundance 2013 (dia 7)

Morto por um disparo de morteiro na Líbia em 2011, a figura do fotojornalista Tim Hetherington, co-autor (com Sebastian Junger) do premiado Restrepo, regressa a Sundance em Which Way Is The Front Line From Here? The Life and Time of Tim Hetherington. O filme é assinado pelo seu parceiro de trabalho em Restrepo, recordando, através de imagens de Hetherington e de entrevistas um homem que não buscava necessariamente imagens de campanha, mas antes olhares sobre quem as vivia no terreno e as pequenas realidades que fazem uma vida em guerra.


O documentário We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks é, como de resto o título sugere, um olhar de perto sobre a Wikileaks e a figura de Julian Assange. Assinado por Alex Gibney, o filme observa não apenas os factos e as suas eventuais consequências, mas lança também um debate global sobre o que é o acesso à informação.


O vice-presidente da administração de George W. Bush foi claramente uma das figuras centrais da vida política norte-americana entre 2001 e 2009. Dividiu opiniões como pouco nesse período em que culminou uma longa carreira política. The World According to Dick Cheney, documentário de R. J. Cutler e Greg Finton procura agora registar o legado do político, num filme que inclui entrevistas exclusivas com o próprio Cheney e alguns daqueles que com ele trabalharam mais de perto.

terça-feira, janeiro 22, 2013

Sundance 2013 (dia 6)

As memórias do regime de Pinochet passam pelo cinema chileno dos nossos dias. E mais um exemplo (a juntar ao brilhante documentário Nostalgia For The Light, de Patricio Guzman) pode chegar com No, o novo filme de Pablo Larraín, que conta com Gael Garcia Bernal como protagonista. O filme recua a 1988 para focar a figura de René Saavedra, um publicitário que então cria uma campanha contra Pinochet.


O Afeganistão do presente é o cenário para Wajma (An Agfhan Love Story). O filme, que assinala uma expressão contemporânea do cinema afegão, acompanha o dilema que assombra um pai que descobre a gravidez de uma filha não casada, e acaba dividido entre heranças culturais e a devoção que tem por ela. A Kabul dos nossos dias é assim o palco para este filme de Barmak Akram, protagonizado por Wajma Bahar.


Este pequeno trio de filmes de várias geografias termina no Camboja com A River Changes Course, filme que lida com os cenários de êxodo rural de populações rumo à capital cambojana. O filme é assinado por Kalyanee Mam, que em 2010 assinou a direção de fotografia do documentário Inside Job, então premiado com Oscar para Melhor Documentário.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

Sundance 2013 (dia 5)

Continuando a visitar a programação de Sundance passamos hoje por uma longa metragem de Liz W. Garcia, que tem obra até aqui essencialmente feita na escrita de argumentos para cinema e televisão. The Lifeguard é a história de Leigh que, a aproximar-se da casa dos 30, e perante um cenário menos favorável no trabalho e na vida emocional resolve regressar ao subúrbio onde cresceu, retomando locais e relações antigas e encontrando novo dia a dia como vigilante num condomínio.


Entre os filmes em estreia em Sundance conta-se The Look Of Love, nova longa-metragem de Michael Winterbottom. Protagonizada por Steve Coogan (que já trabalhou antes com o realizador em 24 Hour Party People), esta é uma história que nos leva ao Soho londrino em finais dos anos 50 e ao dia a dia de um empresário que abre uma série de clubes para homens e revistas eróticas. Música de Antony Genn e Mark Slattery.


Michael Cera é um dos protagonistas de Magic Magic, filme chileno, realizado por Sebastián Silva, que acompanha a viagem por cenários rurais de duas primas e do namorado americano de uma delas, a noção de fronteira entre a realidade e o que se passa na mente de uma delas aprofundando-se com um caso de insónia que se agrava aos poucos. No elenco figuram ainda as presenças de Juno Temple, Emily Browning, Catalina Sandino e Agustín Silva.

domingo, janeiro 20, 2013

Sundance 2013 (dia 4)

Mais três títulos que se podem ver por estes dias pelos lados de Sundance. Hoje focamos três documentários.

O financiamento das campanhas eleitorais está na mira de Citizen Koch, documentário co-assinado por Carl Deal e Tia Lessin que parte das consequências de nova legislação aprovada nos EUA em 2010 (e que permite apoio corporativo a campanhas) para tentar responder a uma questão: quem tem afinal o poder (quem paga as campanhas ou o eleitor)? O filme toma entre vários exemplos a campanha do republicano Scott Walker (não confundir com o músico, que não tem nada a ver com isto), atual governador do Wisconsin.


Manhunt é um pouco o que o título sugere: uma caça ao homem. O homem é Bin Laden, a missão que o localizou e abateu regressando à ordem do dia pelo magnífico 00.30 Hora Negra de Kathryn Bigelow que esta semana estreou entre nós. Assinado por Sheila Nevins, o filme recua mais atrás no tempo, quando um grupo de analistas da CIA procuravam localizar o nome do líder da Al Quaeda ainda antes dos ataques do 11 de Setembro.


Ficamos por vezes boquiabertos como, em pleno século XXI, ouvimos políticos em campanha a falar, ao estilo medieval, de comportamentos que não cabem na sua ginástica mental atrofiada pelo fundamentalismo (ideológico e, muitas vezes, religioso). O mesmo está a acontecer no Uganda, onde uma geração de “missionários” americanos e líderes estão a levar a curso uma “batalha pelas almas”... Retratos de extremismo religioso, que se manifesta por vezes das formas mais drásticas, fazem a “alma” de God Loves Uganda, documentário de Roger Ross Williams que denuncia algumas destas situações.

sábado, janeiro 19, 2013

Sundance 2013 (dia 3)

Já começam a chegar notícias e críticas de Sundance. Não estamos por lá, mas vamos aqui dando conta do que consta do programa que por lá se vai vendo...

O ator Joseph Gordon Levitt apresenta a sua primeira longa-metragem como realizador nesta edição do festival. O filme Don John’s Addition, uma narrativa centrada na figura de um viciado em pornografia que resolve resolver a sua sexualidade de forma “real”, conta no elenco com nomes como os de Julianne Moore ou Scarlett Johansson, além do próprio Gordon Levitt.


Jeff Nichols, o autor de filmes como Histórias de Caçadeiras e Procurem Abrigo, regressa a Sundance com Mud, uma nova longa metragem de ficção. Novamente em cenário rural, para o seu terceiro filme Nichols propõe agora a história de dois jovens amigos que se cruzam com fora da lei (interpretado por Matthew McConaughey). O elenco inclui ainda Tye Sheridan, Jacob Lofland, Reese Witherspoon e Sam Shepard.


Muito aguardada em Sundance é ainda a estreia de Interior. Leather Bar, o filme co-assinado por Travis Matthews e James Franco que tenta imaginar as imagens das cenas do leather bar que, por “censura” decretada pela Motion Picture Association of America, acabaram por ser retiradas da montagem final de Cruising, o histórico filme de 1980 de William Friedkin. Os dois realizadores tentam assim imaginar o que terão sido essas imagens num filme sobre a criação desse outro filme. O elenco inclui Val Lauren, James Franco, Travis Mathews, Christian Patrick e Brenden Gregory.

sexta-feira, janeiro 18, 2013

Sundance 2013 (dia 2)

Mais três títulos que passam por Sundance, que ontem inaugurou a sua edição 2013.

Além de Kill Your Darlings (de que aqui falávamos ontem), a figura de Jack Kerouac surge num outro filme a apresentar nesta edição do festival. Trata-se de Big Sur, de Michael Polish, com Jean-Marc Barr, Kate Bosworth e Josh Lucas, que recorda o momento quando, assombrado pelo sucesso de On The Road, o escritor busca refúgio isolando-se na cabana do seu editor em Big Sur, na Califórnia.


Histórias em volta do vírus VIH continuam a chegar aos festivais de cinema, e há novos exemplos em Sundance este ano. Uma delas é o documentário Blood Brother, de Steve Hoover, que nos leva até à Índia. O filme centra-se da figura de um homem que, descontente com a sua vida na América, se muda para a Índia, entregando o seu trabalho (e tempo) a um orfanato entre o qual existiam várias crianças infetadas com o vírus. Ao contrário de outros, que ali estiveram de passagem, ele foi ficando, dedicando a sua vida aos que ali vivem.


Fechamos hoje com Circles, um filme sérvio (uma co-produção com vários outros países) que aborda um tema frequentemente presente na cinematografia presente daquela região do centro da Europa: as sequelas da guerra. Realizado por Srdan Golubovic, o filme cruza a história de três personagens, focando essencialmente as consequências, 12 anos depois, de um incidente numa loja, e que custara a vida a um soldado em licença que resolvera intervir.

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Sundance 2013 (dia 1)

Abre hoje, pelos lados do Utah, a edição 2013 do Festival de Sundance, cada vez mais um dos mais interessantes pólos de revelação de grandes ideias, autores e filmes no panorama do cinema atual. O festival que no ano passado nos deu o belíssimo Beasts of The Southern Wild (estreia entre nós a 14 de fevereiro), tem este ano um impressionante cartaz de novidades. Vamos, aos poucos, referir aqui alguns dos tílulos que ali estão a ser apresentados...

Começamos com Jobs, o filme sobre o fundador da Apple, que no ecrã é interpretado por Ashton Kutcher e é claramente um dos títulos mais aguardados desta edição do festival. A realização está a cargo de Joshua Michael Stern, que aqui tem a sua primeira obra, na qual regressa a 1976, quando Jobs e o seu parceiro de trabalho Steve Wozniak criam o seu primeiro PC, do qual produzem 200 unidades.


Outro dos títulos mais aguardados deste ano é Kill Your Darlings, o filme de John Krokidas que nos leva ao “berço” da cultura beat ao evocar o tempo em que se conhecem figuras como Jack Kerouac, William Burroughs ou Allen Ginsberg, este último interpretado por Daniel Ratcliffe. A banda sonora é assinada por Nico Muhly.


Este primeiro trio de filmes encerra com Before Midnight, terceira parte de uma trilogia – que passou já por Before Sunrise (1995) e Before Sunset (2004) – que assim retoma a trama e as personagens criadas há quase 20 anos por Ethan Hawke e Julie Delpy. A realização está, naturalmente, a cargo de Richard Linklater. O argumento é co-assinado pelo realizador e os dois atores.