Foi há pouco mais de dois meses no ARTE Concert Festival, em Paris: durante hora e meia, tendo como ponto de partida o álbum All Born Screaming, St. Vincent protagonizou o espectáculo sempre surpreendente de quem sabe reinventar, em palco, a riqueza e complexidade do seu trabalho de estúdio — tudo servido com um impecável registo televisivo.
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domingo, janeiro 05, 2025
quinta-feira, dezembro 12, 2024
Later..., com St. Vincent
Digamos, para simplificar, que All Born Screaming é um dos grandes álbuns de 2024, garantindo-nos que podemos aguardar a morte do rock com optimismo. Em grande forma, Anne Clark continua a transfigurar em palco as suas canções, por assim dizer desafiando as suas próprias fronteiras.
Recentemente, esteve com Jools Holland, no programa Later... (BBC), recriando com metódico fulgor o tema Broken Man — eis St. Vincent!
Who the hell do you think I am?
And what are you looking at?
Like you never seen a broken man
sexta-feira, novembro 22, 2024
St. Vincent canta em espanhol
É um dos grandes lançamentos de 2024: All Born Screaming, sétimo álbum de estúdio de St. Vincent tem, desde 15 de novembro, a sua edição em espanhol — Todos Nacen Gritando. Eis a canção-título: una maravilla muy especial.
segunda-feira, abril 29, 2024
St. Vincent, guitarra & etc.
Annie Clark, aliás, St. Vincent, é das poucas artistas contemporâneas que merece o título de experimental — afinal de contas, não só mandou fabricar a sua própria guitarra [ St. Vincent HHH - 6 string ], como passou a ter o seu próprio estúdio de gravação, de que muito se orgulha [ entrevista: Apple Music ]. Aí está, precisamente, o seu sétimo álbum de estúdio, All Born Screaming, como nova ilustração de um desmesurado, quase insolente, talento. Ouça-se um poema apocalíptico, estranhamente sereno: The Power's Out.
Monday morning, subway station
Pushers pushing, racers racing
Came the message on the station
"The power's out across the nation"
And, "Ladies and gentlemen, it seems we got a problem"
The man on my screen said, just as somebody shot him
And the mothers gasped, the children cried
Almost could not believe my eyes
The power's out
And no one can save us
No one can blame us now
That the power's out
It was pouring like a movie
Every stranger looked likе they knew me
Handsomе cowboys praying, Gothic
Said, "I just remembered being happy"
And "Ladies and gentlemen, do remember me smiling"
The queer on the train said as she jumped off the platform
And some blind folks held the police, crying
I swear to you I would not lie
The power's out
And no one can save us
No one can blame us now
'Cause the power's out
And no one can save us
No one can blame us now
'Cause the power's out
That's why I never came home
sábado, abril 13, 2024
St. Vincent, Opus 7
O sétimo álbum de estúdio de Anne Erin Clark, aliás, St. Vincent, All Born Screaming (26 abril), anuncia-se em chamas — literalmente. Veja-se (e ouça-se!) o eloquente Broken Man, realizado por Alex Da Corte.
quinta-feira, janeiro 06, 2022
St. Vincent na PBS
Austin City Limits, não o festival de música, mas o lendário programa de televisão — emitido pela PBS desde 1976 — recebeu recentemente St. Vincent. Do álbum Daddy's Home (2021), eis a canção At the Holiday Party.
terça-feira, novembro 30, 2021
Pirelli por Bryan Adams
| St. Vincent |
Bryan Adams como fotógrafo — o criador de Waking Up the Neighbours teve a seu cargo as imagens para o Calendário Pirelli 2022, objecto de tradição, moda e marketing em que continuamos a poder ler/ver as transfigurações iconográficas e simbólicas de masculino, feminino & etc. Balanço muito interessante, incluindo uma foto admirável de St. Vincent — a totalidade das imagens está disponível em Pirelli Calendar.
| Iggy Pop |
| Bryan Adams |
quarta-feira, setembro 29, 2021
St. Vincent
— ser e não ser uma estrela pop
| The Nowhere Inn |
Foi um momento forte do IndieLisboa: através do filme The Nowhere Inn, Annie Clark supera os domínios do documentário para construir uma ficção… quase documental — este texto foi publicado no Diário de Notícias (5 setembro).
Face a um filme tão sedutor e intrigante como The Nowhere Inn (apresentado na secção musical do IndieLisboa 2021), talvez seja inevitável evocar — e, num certo sentido, invocar — alguns modelos históricos. Estamos perante um retrato, que procura ser um auto-retrato, de St. Vincent, a “persona” artística de Annie Clark, fazendo-nos recordar toda uma genealogia de documentários sobre música e músicos que podemos definir a partir do pioneirismo de Dont Look Back (1967), de D. A. Pennebaker, sobre a lendária digressão britânica de Bob Dylan, em 1965, marcada pela integração “escandalosa” da guitarra eléctrica.
Tendo em conta que The Nowhere Inn se organiza a partir da vontade de a sua estrela se dar a conhecer “realmente”, para lá das regras do marketing, é a referência de Na Cama com Madonna (1991), de Alek Keshishian, que reaparece também em toda a sua sofisticação temática e actualidade simbólica. Tal como a Material Girl, Annie Clark aposta na utilização da matriz documental, não tanto para uma banal acumulação de registos de canções, antes para revelar uma intimidade paradoxal: expondo o que, por princípio, não decorre de uma lógica promocional, desse modo afirmando-se como alguém que, tendo conquistado o direito de se exprimir na primeira pessoa, define as regras e fronteiras dessa exposição.
Na verdade, o filme realizado por Bill Benz pode suscitar estes paralelismos, mas só mesmo por calculada e, num certo sentido, pedagógica ironia. Dito de outro modo: estamos perante aquilo que se convencionou chamar um “mockumentary”, isto é, uma ficção totalmente controlada que finge ser um documentário, nessa medida questionando os próprios limites daquilo que é possível “documentar”. Trata-se, afinal, de um sub-género com muitas variações históricas, incluindo o genial Zelig (1983), de Woody Allen, e mais recentemente os filmes de Sacha Baron Cohen com a personagem de Borat.
O argumento de The Nowhere Inn foi escrito por Annie Clark e Carrie Brownstein (vocalista e guitarrista da banda Sleater-Kinney). São elas que surgem como personagem principais, assumindo os seus próprios nomes: Carrie foi convocada pela amiga para conceber e realizar um documentário capaz de, precisamente, revelar Annie “como ela é”… Através de peripécias mais ou menos burlescas, as coisas vão-se complicando, quanto mais não seja porque Annie resiste a abordar a prisão do seu pai, optando antes por formas de comportamento que Carrie considera fúteis e irresponsáveis, apenas reforçando os clichés mediáticos em torno do estatuto de estrela pop.
Há em tudo isto um perverso efeito de verdade. O pai de Annie esteve mesmo preso por crimes de fraude financeira (o mais recente álbum de St. Vincent, Daddy’s Home, lançado em maio, tem como ponto de partida emocional o fim da pena de prisão do pai, em 2019). Ao mesmo tempo, o filme está longe de se esgotar em qualquer descrição documental, ainda que paródica, a pouco e pouco adquirindo um desencanto que pode fazer lembrar David Lynch, entre a iminência da tragédia e o filtro cruel do sarcasmo. Sem esquecer as situações insólitas que, inesperadamente, nos fazem lembrar um genuíno gosto clássico do “entertainment” — lembro, em particular, um momento de palco que evoca, de forma muito directa, uma cena de Serenata à Chuva (1952), de Gene Kelly e Stanley Donen.
Escusado será dizer que, em última instância, The Nowhere Inn supera a condição de filme “sobre” música (até porque as magníficas canções de St. Vincent, quase sempre incompletas, ocupam um tempo relativamente reduzido). Com metódica inteligência, Annie Clark e Carrie Brownstein exploram as contradições desse terreno pantanoso que, no nosso mundo em rede, leva muitos cidadãos anónimos a confundir a energia da sua identidade com a multiplicação de “selfies” no Instagram.
E se é verdade que Annie Clark sempre se distinguiu por uma rigorosa contenção na exposição da sua vida privada, não é menos verdade que tal contenção não exclui o gosto de (alguma) partilha com os outros. A frase promocional no cartaz de The Nowhere Inn não podia ser mais certeira: “A identidade é uma obra de arte”.
sábado, abril 10, 2021
St. Vincent
— novo teledisco de "Daddy's Home"
Depois do lyric video, aí está o teledisco de The Melting of the Sun — o novo álbum de St. Vincent, Daddy's Home, vai-se consolidando em imagens tecidas de precisão, drama e nostalgia.
domingo, abril 04, 2021
St. Vincent no Saturday Night Live
A promoção do novo álbum de St. Vincent, Daddy's Home, passou agora pelo Saturday Night Live, numa edição apresentada por Daniel Kaluuya. São momentos de sofisticada sobriedade com as duas canções já divulgadas: Pay your Way in Pain e The Melting of the Sun.
sexta-feira, abril 02, 2021
St. Vincent em família
Nina Simone, Marilyn Monroe, Joni Mitchell... Eis algumas das inspirações pessoais que Annie Clark cita na canção The Melting of the Sun. É uma galeria familiar que prossegue a divulgação do novo álbum de St. Vincent, Daddy's Home (14 maio) — ou como a nostalgia das referências não exclui a excelência da experimentação.
It's just the melting of the sun
(It's just the sun)
I wanna watch you watch it burn
(So watch it burn)
We always knew this day would come
(The day has come)
It's just the melting of the sun
quinta-feira, março 04, 2021
St. Vincent, 2021
Annie Clark de cabelos loiros. É um pormenor. Ou talvez não. Objectivamente, tanto quanto estas coisas podem mascarar as subjectividades: St. Vincent tem um álbum novo, Daddy's Home, a ser lançado no dia 14 de maio. Começou a ser promovido com um breve e sedutor video, sendo agora divulgada a primeira canção, Pay Your Way in Pain. Canção do ano? Prince? Seja como for, a aristocracia pop ainda é o que era.
segunda-feira, agosto 19, 2019
Sleater-Kinney, opus 9
Corin Tucker, Janet Weiss e Carrie Brownstein — quem é quem na capa de The Center Won't Hold? Digamos que a imagem de marca do nono álbum de estúdio das Sleater-Kinney está concebida para gerar, justamente, essa ideia de cumplicidade construída em torno de uma poética visceralmente punk.
Já conhecíamos a canção (e o fabuloso teledisco) de Hurry on Home. É altura de acrescentar que este conjunto de onze temas confirma a contagiante exuberância de um entendimento de uma herança musical que recusa qualquer "modernismo" gratuito, o que não exclui a alegria de um permanente experimentalismo. Uma maneira sugestiva de resumir a questão seria dizer que as três mulheres de Olympia, capital do estado de Washington, se movem na mesma paisagem que, em anos recentes, ganhou nova energia pública através do trabalho exemplar de St. Vincent... Voilà: convém relembrar que Annie Clark, aliás St. Vincent, é a produtora de The Center Won't Hold.
>>> Teledisco/lyric video de LOVE.
>>> Site oficial das Sleater-Kinney.
quarta-feira, janeiro 30, 2019
St. Vincent por St. Vincent
Palavras de St. Vincent: "Não consigo pensar em ninguém que me faça dizer 'o que é magnífico naquele artista é a sua consistência.' Tudo aquilo que permanece igual demasiado tempo morre. Deixa de captar a imaginação das pessoas."
Aplicando a sua visão, digamos que não é a sua consistência, mas o permanente desafio formal, que lhe confere a grandiosidade pop que lhe reconhecemos — e tudo o que semelhante postura envolve, do instintivo ao experimental.
É isso mesmo que podemos testemunhar neste video da revista GQ, registado a propósito de um artigo publicado a 22 de Janeiro. Ao longo de 12 minutos, Annie Clark revisita algumas das suas canções mais emblemáticas (Cruel, Pills, Slow Disco, etc.), explicando a sua génese, mais ou menos racional, mais ou menos acidental...
No final, quando lhe é perguntado se há um tema que tenha composto que justifique a designação de "favorito", recorda The Bed, incluído no álbum Actor (2009), decididamente não reconhecido pela aritmética dos tops... Como ela diz, terá sido o seu momento Debussy — consistentemente ou não, não a vamos desmentir e recordamos a respectiva performance, em 2009, no Austin City Limits.
quarta-feira, outubro 17, 2018
St. Vincent e o piano de Thomas Bartlett
Prodigiosa reinvenção de Masseduction, o novo álbum de St. Vincent, Masseducation, é também uma celebração de novas alianças entre piano e voz. O tema Savior pode servir de exemplo modelar — ei-lo, ao vivo, em Los Angeles [The Belasco] com Annie Clark na companhia de Thomas Bartlett [só disponível no YouTube].
sábado, outubro 13, 2018
St. Vincent — "New York" com piano
Mais uma canção de St. Vincent, reinventada para o novo álbum Masseducation: New York, agora apenas na companhia do piano, é um pequeno oásis de perfeição.
quinta-feira, outubro 04, 2018
St. Vincent — sedução, aliás, educação
As sucessivas versões/reinvenções da canção Slow Disco (a última das quais se chama Slow Slow Disco) permitiam perceber a desmesurada capacidade de Annie Clark, aliás, St. Vincent para, num misto de fulgurância e pudor, recriar os temas do seu álbum Masseduction. Pois bem, o limite de tal labor era, afinal, o próprio álbum como objecto total — assim, St. Vincent acaba de anunciar, para lançamento a 12 de Outubro, um novo álbum construído a partir do anterior. E no título apenas muda uma letra: Masseducation.
Na companhia do pianista Thomas Bartlett, as gravações de Masseducation decorreram durante duas noites, enquanto decorriam as misturas de Masseduction. De acordo com Annie Clark, tratou-se de um processo instintivo, "sem ensaios nem conversas"... "duas, três takes" & etc. [Stereogum]. O primeiro exemplo, Savior, refaz o original em clima da cortante intimidade.
sexta-feira, setembro 28, 2018
"Slow Disco", ainda mais slow
Belíssima canção: Slow Disco. E momento emblemático dos concertos de St. Vincent na sequência do lançamento do álbum Masseduction. De tal modo que, a certa altura, decidiu acelerar a sua estrutura, tendo nascido Fast Slow Disco. Agora, chegou a altura de conter a velocidade, celebrar uma lentidão mais sensual do que nunca e propor uma versão (ainda mais) encantatória — aí estão os sons de Slow Slow Disco.
sexta-feira, agosto 10, 2018
St. Vincent na PBS
O festival Austin City Limits continua a merecer a atenção da PBS. Este ano, entre as propostas da televisão pública americana, inclui-se um especial de uma hora com St. Vincent, a emitir a 7 de Outubro. Para já, numa espécie de single de antecipação, podemos ver e ouvir uma fabulosa interpretação de New York — um pouco menos de 3 minutos, 5 estrelas.
sexta-feira, julho 27, 2018
A guitarra de St. Vincent
A guitarra de Annie Clark, aliás, St. Vincent, criada pela Ernie Ball Music Man, impõe-se como um singular e belíssimo objecto, obviamente indissociável da sofisticação das suas performances. Este é um video em que a experimentação da guitarra se cruza com imagens de telediscos e momentos de palco — a sugestiva ambivalência do título, 'Disruption by design', liga o gosto experimental da ruptura artística à concepção material dos respectivos objectos.
A exposição da própria St. Vincent é tanto mais interessante quanto ela avalia as diferenças entre a identidade privada do artista e a sua persona pública, não recusando, antes pelo contrário, assumindo a não coincidência das duas entidades. Na sábia ironia das suas palavras, eis um belo resumo do que pode ser a consciência da sua própria teatralidade: "Vende o teu próprio mito, mas nunca o compres".
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