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sexta-feira, março 06, 2026

Epidermólise bolhosa?
> as canções de um combate

Eddie Vedder: um concerto, uma forma de militância

Eddie Vedder, vocalista dos Pearl Jam, está envolvido numa militância para dar a conhecer, e criar condições para que seja vencida, uma doença tão rara como a epidermólise bolhosa: o documentário Matter of Time (Netflix) testemunha esse combate — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 fevereiro).

É mesmo verdade que o documentarismo pode ter um papel importante no conhecimento do mundo à nossa volta. Assim acontece quando o trabalho documental, distanciando-se das formas de sensacionalismo que proliferam no espaço mediático, sobretudo em televisão, possui a inteligência básica de dar conta de uma questão complexa, seja ela qual for, sem escamotear, precisamente, a sua complexidade. Exemplo a descobrir, agora disponível na Netflix: Matter of Time, uma realização de Matt Finlin, com Eddie Vedder como figura de destaque.
Enfim, dizer que Vedder está em “destaque” é uma facilidade de linguagem que importa relativizar. O vocalista dos Pearl Jam, também com uma importante carreira a solo (o seu álbum mais recente, Earthling, foi lançado em 2022), surge, de facto, como protagonista de um concerto, mas este não é um “filme-concerto”. A sua performance no Benaroya Hall, em Seattle, aconteceu em 2023 com uma finalidade muito precisa: abrir o leque informativo sobre uma doença rara — epidermólise bolhosa (EB) — e mobilizar apoios para os projectos científicos que estão a ser desenvolvidos no sentido de encontrar uma cura.
Eddie e a sua mulher, Jill Vedder, são activistas que têm trabalhado, justamente, no sentido de dar a conhecer a doença, as difíceis condições dos que sofrem os seus efeitos, sobretudo crianças, e também as investigações em torno da EB. Em termos necessariamente esquemáticos, poderemos dizer que a EB é uma doença genética que se manifesta através de uma extrema fragilidade do tecido cutâneo. A designação “bolhosa” decorre do facto de se formarem bolhas na pele, de tal modo que o mais pequeno atrito pode dar origem a feridas difíceis de controlar. Para lá dos cuidados quotidianos que a doença exige, as crianças e adultos atingidos enfrentam inevitáveis limitações nas suas interações sociais.
O concerto de Eddie Vedder é tratado através de uma montagem ágil e sugestiva (a imponência do Benaroya Hall ajuda), alternando com testemunhos de vários médicos que investigam a EB ou acompanham, em particular, o tratamento regular das pessoas atingidas pela doença. E porque é de cinema que, aqui, estamos a falar, importa sublinhar o facto de as várias sequências com essas pessoas (algumas delas também presentes no concerto) serem filmadas com invulgar depuração: por um lado, trata-se de preservar um realismo frontal, em todos os sentidos da palavra, capaz de dar conta do dramatismo que os tratamentos podem envolver e do sofrimento inerente à situação dos pacientes; por outro lado, tudo isso chega-nos através de um método de elaborado pudor, preservando a dimensão humana de tudo o que vemos acontecer.

Uma questão de tempo

Estamos perante um combate em que se unem as histórias familiares e a pesquisa científica, tudo encontrando um eco muito especial nas canções de Vedder. Através dos testemunhos daqueles que estudam a EB ficamos a saber que, além de já haver medicamentos com algum efeito paliativo, a comunidade científica considera que no espaço de uma década será possível encontrar uma cura. Ao mesmo tempo, as palavras dos familiares, e dos próprios pacientes, espelham os factos mais crus, a par das emoções mais delicadas, de histórias de admirável resiliência.
É uma questão de tempo, como diz Eddie Vedder na canção que dá título ao filme — o respectivo teledisco está disponível no YouTube [video], aliás numa animação que ecoa algumas sequências do filme em que os desenhos animados servem para “figurar” o modo como a EB ataca as células. Não é todos os dias que deparamos com um documentário tão singelo, e também tão verdadeiro, sobre vivências tão especiais.

domingo, julho 20, 2025

Pearl Jam, 2009

* JUST BREATHE

Yes, I understand
That every life must end
As we sit alone
I know someday we must go

Oh, I'm a lucky man
To count on both hands
The ones I love
Some folks just have one
Yeah, others they got none

Stay with me
Let's just breathe

Practiced all my sins
Never gonna let me win
Under everything
Just another human being

Yeah, I don't want to hurt
There's so much in this world
To make me bleed

Stay with me
You're all I see

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't, I'm a fool, you see
No one knows this more than me
As I come clean

I wonder every day
As I look upon your face
Everything you gave
And nothing you would take
Nothing you would take
Everything you gave

Did I say that I need you?
Oh, did I say that I want you?
Oh, if I didn't, I'm a fool you see
No one knows this more than me
As I come clean

Nothing you would take
Everything you gave
Hold me 'til I die
Meet you on the other side

sábado, janeiro 07, 2023

Eddie Vedder canta One

Eis uma bela memória da mais recente cerimónia de homenagem do Kennedy Center a personalidades do mundo das artes — foi no dia 4 de dezembro. Consagrados pela sua carreira foram: George Clooney, Amy Grant, Gladys Night, Tania León e ainda Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr., isto é, os U2.
Entre os momentos fortes — é sempre um evento em que sobriedade e alegria, pensamento e espectáculo se cruzam de forma contagiante —, será forçoso destacar a interpretação de uma das canções mais emblemáticas dos U2, One, por Eddie Vedder [video]. Sem esquecer que, depois dos anos em que Donald Trump quebrou a tradição, não aceitando o convite do Kennedy Center para acompanhar a cerimónia, Joe Biden não faltou.

sexta-feira, agosto 27, 2021

Pearl Jam, "Ten" — 30 anos

Ten, álbum de estreia dos Pearl Jam, foi lançado a 27 de agosto de 1991, faz hoje 30 anos. Na paisagem dilacerada do grunge, nascia uma via poética que nunca cedeu à normalização do marketing, permancendo selvagem, terna e intimista. Exemplo: Black, neste caso em versão unplugged, em 1992, numa MTV que já não existe.
 

terça-feira, outubro 27, 2020

Miley Cyrus "vs" Pearl Jam

Sem ofensa — e se Miley Cyrus fosse, antes de tudo o mais, uma invulgar intérprete de "covers"? Seja qual for a resposta, importa escutar as suas recriações nas chamadas Backyard Sessions da MTV (com o canal da música, pelo menos por alguns momentos, a distanciar-se dos horrores da "reality TV" e do divertimento acéfalo). Eis uma esclarecedora ilustração do seu poder de transfiguração face às canções de outros: Just Breathe, tema do álbum Backspacer (2009), dos Pearl Jam, até agora "impossível" de imaginar de outro modo que não fosse na voz de Eddie Vedder.