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segunda-feira, março 16, 2026

6 Oscars para Batalha Atrás de Batalha

Dois filmes gerados no coração do imaginário americano — Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson, e Pecadores, de Ryan Coogler — destacam-se no balanço da 98ª edição dos Oscars, com o primeiro a arrebatar o título de melhor do ano.
 
Eis as contas dos que tiveram mais do que uma estaueta dourada:

BATALHA ATRÁS DE BATALHA (6):
filme, realização, actor secundário, argumento adaptado, montagem e casting.

PECADORES (4):
actor, argumento original, fotografia e música.

FRANKENSTEIN (3):
cenografia, guarda-roupa e caracterização.

GUERREIRAS DO K-POP (2):
longa-metragem de animação e canção.

Pecadores tinha quebrado o recorde de nomeações (16), mas nenhum filme se aproximou dos mais premiados de sempre. São eles três títulos que conseguiram onze Oscars: Ben-Hur (1959), Titanic (1997) e O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei (2013).

Três factos peculiares justificam um sublinhado:
— o Oscar de melhor casting, atribuído pela primeira vez, foi para Cassandra Kulukundis (Batalha Atrás de Batalha).
— Autumn Durald Arkapaw (Pecadores) tornou-se a primeira mulher a receber o Oscar de melhor fotografia.
— na categoria de melhor curta-metragem de acção real houve uma vitória ex-aequo para The Singers e Two People Exchanging Saliva, situação que só acontecera seis vezes; a última verificou-se em 2013, com o triunfo de 00:30 A Hora Negra e 007: Skyfall na categoria de melhor montagem sonora.

>>> Conan O'Brien: monólogo de abertura dos Oscars.

segunda-feira, janeiro 05, 2026

10 filmes de 2025 [7]

* BATALHA ATRÁS DE BATALHA, Paul Thomas Anderson
 
Na sua dimensão mais simples, esta é a odisseia de Bob Ferguson, um pai (Leonardo DiCaprio), à procura de uma filha, Willa (Chase Infinity), o que confere ao filme de Paul Thomas Anderson a dimensão de uma epopeia intimista que faz lembrar algumas variantes do western clássico. Ao mesmo tempo, tudo acontece no turbilhão de uma aventura "made in USA" em que o passado parece não existir a não ser como avatar do presente — incluindo o nosso presente de espectadores. Dito de outro: Paul Thomas Anderson continua a ser o autor invulgar, único no actual cinema americano, de um universo de exuberante espectáculo (IMAX, neste caso) que se desenvolve com a paciência de um conto moral do cinema independente. A música de Jonny Greenwood ecoa tudo isso como uma ópera que fez renascer os seus próprios fantasmas.


[ Sorry, Baby ] [ Depois da Caçada ] [ A House of Dynamite ] [ Juventude ] [ Jovens Mães ] [ Highest 2 Lowest ]

domingo, setembro 28, 2025

DiCaprio, PT Anderson & etc.

Não apenas as singularidades de um filme fora de série como Batalha Atrás de Batalha, mas também a experiência de trabalhar sob a direcção de Paul Thomas Anderson (sem esquecer Scorsese, Tarantino, etc.). E ainda a reafirmação do amor pelo cinema e pela dimensão irredutivelmente social do seu conhecimento — são palavras fascinantes, precisas e libertadoras ditas por Leonardo DiCaprio em entrevista a Ali Plumb, na BBC1.
 

quinta-feira, março 27, 2025

Paul Thomas Anderson & Leonardo DiCaprio

One Battle After Another, o novo filme de Paul Thomas Anderson, protagonizado por Leonardo DiCaprio, só deverá chegar às salas de todo o mundo em finais de setembro. Tal não impede que o seu trailer seja um acontecimento que vale por si — com música de Jonny Greenwood!
 

quarta-feira, janeiro 31, 2024

The Smile + Paul Thomas Anderson

E está de volta o projecto paralelo dos Radiohead... Paralelo, ma non troppo. Isto porque The Smile — Thom Yorke e Jonny Greenwood (elementos dos Radiohead, precisamente) + Tom Skinner (baterista dos Sons of Kemet) — define-se como uma entidade autónoma, prosseguindo uma via de sofisticada pesquisa e ambígua nostalgia. Aí está o seu segundo álbum, Wall of Eyes, além do mais renovando uma frutuosa ligação criativa com Paul Thomas Anderson — é dele a realização deste magnífico Friend of a Friend.
 

terça-feira, fevereiro 07, 2023

A vida depois da morte do cinema

A Árvore da Vida (2011), ou a condição humana do cinema

O cinema está a morrer, ferido por muitas formas de mercantilismo? Talvez, mas os filmes sobrevivem — este texto foi publicado no Diário de Notícias (22 janeiro).

Que aconteceu no cinema ao longo da segunda década do século XXI? Continuando a sua tradição de organizar as memórias cinéfilas por décadas, a editora Taschen lançou recentemente o volume 100 Movies of the 2010s. A série de livros, sempre com coordenação de Jürgen Müller, chega, assim, ao décimo título, completando o balanço de cem anos de filmes a partir dos anos 20 do século passado (a publicação não seguiu a ordem cronológica, tendo começado, em 2001, com o volume dedicado aos anos 90).
Como acontece face a qualquer lista, é sempre possível fazer um inventário dos títulos que faltam — entenda-se: dos títulos que “alguém” entende que faltam, na certeza de que esse “alguém” não possui a razão de uma lei inquestionável. Por mim, então, atrevo-me a perguntar como é possível compreender as dinâmicas dos anos evocados (2011-2020) sem citar, pelo menos, um filme de Jean-Luc Godard, a começar pela prodigiosa experiência com o 3D que é Adeus à Linguagem. Ou que sentido faz evocar “modernices” pretensiosas como A Lagosta, de Yorgos Lantimos, ao mesmo tempo que verificamos que entre os ausentes estão autores da dimensão de Pedro Costa, Pablo Larraín ou Steven Spielberg?
Enfim, não deitemos fora a cinefilia com a água das listas e sublinhemos o essencial: 100 Movies of the 2010s é um guia estimulante para reavaliarmos a pluralidade de um tempo de produção em que, dos criadores aos espectadores, conscientemente ou não, todos fomos (e continuamos a ser) protagonistas de uma avalanche de mudanças.
A conjuntura pode resumir-se através da dicotomia, tão dramática quanto sugestiva, que todos passámos a conhecer. A saber: a coexistência, nem sempre pacífica, entre o circuito tradicional das salas e as alternativas de consumo caseiro — a década ficou marcada, precisamente, pelas convulsões dessa coexistência.
Assim se escreve numa breve, mas muito concisa, apresentação: “Mesmo antes de os habituais intervalos entre o lançamento nas salas e posteriores formas de distribuição se terem tornado ainda mais pequenos, os filmes viram-se muitas vezes reduzidos à condição de mero “conteúdo”, para serem vistos através de um click em ecrãs coloridos.” Daí a angustiada interrogação: “Será que tudo o que resta do cinema é o culto da celebridade, os blockbusters e os efeitos visuais fabricados por computador?”
Apesar de tudo isso (ou através disso tudo), a resposta é negativa. Entenda-se: o que resta do cinema possui a energia positiva inerente a qualquer crise artística, mesmo quando, como é o caso, contaminada por muitos valores predominantemente industriais e comerciais. Se quisermos adoptar a ironia de uma célebre frase de Godard, cada um de nós pode mesmo dizer: “Aguardo a morte do cinema com optimismo.” Sem esquecer que, também no cinema e nas suas histórias, não há axiomas mágicos nem definitivos — a frase, convém lembrar, pertence a uma resposta dada a um inquérito sobre o futuro do cinema francês, organizado pelos Cahiers du Cinéma em… 1965.
Os filmes resistem. Eis a certeza que não podemos nem devemos banalizar, mesmo quando reconhecemos que, face à nossa fraqueza educacional, as gerações mais novas foram (e continuam a ser) massacradas pela ideologia de um marketing transnacional que reduz a percepção do cinema a uma acumulação pueril de proezas técnicas. Mais do que isso: o cinema é frequentemente apresentado — e, por consequência, vivido — como uma coleção mais ou menos espectacular de “eventos” sustentados por gigantescas promoções, não uma paisagem de narrativas. O que, bem entendido, define uma concepção mercantil das artes que afecta muito mais do que o cinema — grande questão política (e para os protagonistas da cena política).
Aquilo que resiste nos filmes começa (ou acaba) por ser um insubstituível princípio ético: o valor humano das narrativas, ou seja, o valor narrativo das personagens. O exemplo está na capa de 100 Movies of the 2010s: aí encontramos a imagem manipulada, mas belíssima, de Joaquin Phoenix no filme Joker (2019), de Todd Phillips — demasiado humanos, actor e personagem transcendem as fronteiras do próprio factor humano, afirmando-se como entidades que só existem no cinema, pelo cinema, através do cinema.
Afinal de contas, por aqui passam títulos tão especiais como A Árvore da Vida (2011), de Terrence Malick, Amor (2012), de Michael Haneke, Chama-me pelo Teu Nome (2017), de Luca Guadagnino, Linha Fantasma (2017), de Paul Thomas Anderson, ou Mank (2020), de David Fincher. Através do génio de tais filmes, diluem-se as fronteiras geográficas e as diferenças entre os respectivos modos de difusão.
Sem esquecer Era uma vez em Hollywood (2019), de Quentin Tarantino, filme que, no prefácio, Jürgen Müller e Philipp Bühler elegem como símbolo das certezas e ambiguidades de uma década em que o cinema, mais do que nunca, se viu compelido a reavaliar os seus modos de ser e viver, talvez morrer. Vale a pena citá-los: “A verdade do cinema é artificial. Tem que ser criada. E ainda assim, se aceitarmos a motivação paradoxal que determina o filme, então o cinema acaba por estabelecer uma conexão íntima com as nossas vidas porque as nossas vidas já são um filme.”

segunda-feira, janeiro 17, 2022

Licorice Pizza
— memórias do paraíso perdido

Cooper Hoffman e Alana Haim

Paul Thomas Anderson, realizador de Magnólia, revisita os lugares da sua adolescência, em San Fernando Valley, reencontrando uma emoção romanesca que cristaliza nos actores estreantes: Alana Haim e Cooper Hoffman — este texto foi publicado no Diário de Notícias (30 dezembro), com o título 'Paul Thomas Anderson filma o paraíso perdido'.

Paul Thomas Anderson
Eis uma sugestiva conjuntura cinematográfica. O final do 2021 fica marcado por dois filmes americanos com importantes componentes musicais. Primeiro, foi West Side Story, de Steven Spielberg, por óbvias razões: nele se revisita o musical de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim, estreado na Broadway em 1957. Agora, surge Licorice Pizza, de Paul Thomas Anderson, crónica das atribulações amorosas de dois jovens, Alana Kane e Gary Valentine, em que as canções, muito mais do que um pano de fundo, funcionam como elementos orgânicos de uma complexa e fascinante trama narrativa.
A lista de maravilhas que nos são dadas a escutar inclui July Tree (Nina Simone), But You’re Mine (Sonny & Cher), Peace Frog (The Doors), Life on Mars? (David Bowie) ou If You Could Read My Mind (Gordon Lightfoot)… Sem esquecer o belíssimo tema instrumental, também intitulado Licorice Pizza, composto por Jonny Greenwood, colaborador habitual de Paul Thomas Anderson.
Estamos perante uma memória romanesca que prolonga as componentes (quase) autobiográficas de uma parte significativa da filmografia de Anderson, nascido em Los Angeles, em 1970. San Fernando Valley, a zona da sua adolescência onde, aliás, continua a habitar, ressurge em Licorice Pizza — lembremos que aí se desenvolvia também a teia de personagens e canções de Magnólia (1999) — como cenário emblemático de um modo de viver em que os desejos particulares de cada personagem se enredam sempre com uma peculiar lógica comunitária. Mais ainda: “Licorice Pizza” é o nome de uma lendária cadeia de lojas de discos da Califórnia do Sul.

Memórias de 1973

No período de pré-produção, Anderson fez questão em mostrar aos actores principais o filme American Graffiti, que George Lucas realizou em 1973, antes de se lançar nas suas aventuras galácticas (A Guerra das Estrelas surgiria quatro anos mais tarde). Aí podemos encontrar também uma memória californiana da juventude, neste caso da cidade de Modesto, durante as férias de verão de 1962. Além de que 1973 é, precisamente, o ano em que decorre a acção de Licorice Pizza.
Para lá da memória temática, o realizador, também argumentista, terá querido sublinhar o valor fulcral do trabalho dos actores. Assim, em American Graffiti, podemos encontrar vários nomes que, de uma maneira ou de outra, iriam adquirir especial evidência na história de Hollywood: Richard Dreyfuss, Ron Howard, Harrison Ford… No caso de Licorice Pizza, deparamos com dois estreantes que são, simplesmente (apetece dizer: radicalmente) as revelações do ano: Alana Haim e Cooper Hoffman, respectivamente como Alana e Gary.
Também aqui o circuito de heranças e cumplicidades é revelador. Assim, Alana Haim é uma das três irmãs da banda Haim, com a qual Anderson tem mantido uma admirável colaboração artística, realizando vários dos seus telediscos (todos disponíveis no YouTube, sugiro, para começar, Now I’m In It). Cooper Hoffman é filho do grande Philip Seymour Hoffman (1967-2014), actor que Anderson dirigiu várias vezes, desde o seu primeiro filme, Passado Sangrento (1996), até The Master - O Mentor (2012).
Mais do que nunca, o cinema de Anderson vive, aqui, da vibração muito física dos actores. Os sobressaltos da sua energia, a exposição contraditória dos seus afectos contaminam o olhar (e os movimentos) de uma câmara de filmar que participa em todos os instantes com a proximidade ambígua de uma verdadeira personagem. Nesta época de tantas máscaras digitais, desvalorizando o labor específico dos actores, redescobrimos, assim, o valor insubstituível da presença humana, reavivando um classicismo de Hollywood que tem a sua matriz tutelar na obra de Elia Kazan, o autor que, há 60 anos, realizou Esplendor na Relva.

Geografia & cultura

Gary e Alana conhecem-se no dia em que os alunos do liceu de Gary estão a ser fotografados para o álbum de curso. Ela tem 25 anos e trabalha como assistente de fotografia, ele tem 15 anos e, ali mesmo, convida-a para sair… O pitoresco do resumo está longe de fazer justiça à riqueza emocional dos labirintos que Licorice Pizza vai percorrendo, incluindo um jantar em casa de Alana (com as irmãs e os pais interpretados por toda a família Haim) e o envolvimento de Gary num negócio de colchões de água…
Paul Thomas Anderson consegue colocar em cena um universo geográfico e cultural — em boa verdade, um sistema de vida — em que se cruzam, numa espécie de magia redentora, sempre ameaçada, a banalidade do quotidiano e a sua transfiguração pelas imagens. A esse propósito, repare-se como as vivências de Alana e Gary são pontuadas pelos encontros com personagens do mundo do cinema interpretadas por actores tão conhecidos como Bradley Cooper ou Sean Penn.
Dir-se-ia que Licorice Pizza reencontra o paraíso perdido de um cinema primitivo em que a presença dos actores, o calor da pele e a verdade infinita dos rostos, dispensam qualquer efeito especial. Na certeza de que esse primitivismo possui, aqui e agora, a urgência de uma vanguarda.

sexta-feira, janeiro 07, 2022

10 filmes de 2021 [6]


Paul Thomas Anderson

Regresso às origens. Não apenas pelas memórias mais ou menos auto-biográficas de San Fernando Valley, zona onde Paul Thomas Anderson cresceu e continua a habitar. Também pelo reencontro com uma depuração clássica que começa na elaborada complexidade das personagens, passando, obviamente, pela naturalidade visceral dos actores (nada a ver, entenda-se, com o degradado naturalismo em que vivemos, nem com qualquer noção pueril de improvisação). Neste romance juvenil que ainda acredita em algum romantismo redentor, cabe aos intérpretes, justamente, pontuar o envolvimento emocional do espectador: Alana Haim e Cooper Hoffman são as revelações do ano.
 

* * * * *
1 - West Side Story / 2 - Time / 3 - Being the Ricardos / 4 - Spencer / 5 - Funeral de Estado

sábado, novembro 27, 2021

Jonny Greenwood + Paul Thomas Anderson

No seu novo filme, Licorice Pizza [estreia portuguesa: 23 dezembro], Paul Thomas Anderson volta a contar com a colaboração de Jonny Greenwood — eis o tema-título.

sexta-feira, novembro 12, 2021

O novo filme de Paul Thomas Anderson

O novo filme de Paul Thomas Anderson, Licorize Pizza, chega no Natal (Portugal: 23 dezembro) e, segundo o Pitchfork, vai ter a respectiva banda sonora [capa] à venda a partir de 26 de novembro. A lista de canções é uma gloriosa tentação (incluindo um novo tema assinado por Jonny Greenwood):

01 Nina Simone: July Tree

02 Chris Norman / Suzi Quatro: Stumblin’ In

03 Johnny Guarnieri: Sometimes I’m Happy

04 Bing Crosby / The Andrews Sisters: Ac-Cent-Tchu-Ate the Positive (Single Version)
[c/ Vic Schoen and His Orchestra]

05 Chico Hamilton Quintet: Blue Sands [c/ Buddy Collette]

06 Sonny & Cher: But You’re Mine

07 Chuck Berry: My Ding-a-Ling (Live at Fillmore Auditorium, San Francisco, CA/1967)
[c/ Steve Miller Band]

08 The Doors: Peace Frog

09 Paul McCartney / Wings: Let Me Roll It

10 David Bowie: Life on Mars?

11 Clarence Carter: Slip Away

12 Seals & Crofts: Diamond Girl

13 Mason Williams: Greensleeves

14 Donovan: Barabajagal

15 Congregation: Softly Whispering I Love You

16 Jonny Greenwood: Licorice Pizza

17 Gordon Lightfoot: If You Could Read My Mind

18 James Gang: Walk Away

19 Blood, Sweat & Tears: Lisa, Listen to Me

20 Taj Mahal: Tomorrow May Not Be Your Day

A acção passa-se em 1973, no San Fernando Valley, na região de Los Angeles, tendo como intérpretes principais Alana Haim (uma das três irmãs da banda Haim) e Cooper Hoffman (filho de Philip Seymour Hoffman); entre os secundários estão Sean Penn, Tom Waits, Bradley Cooper e Benny Safdie.
Eis o trailer (com Life on Mars?, de David Bowie) e duas das preciosidades que integram o alinhamento da banda sonora: Peace Frog/The Doors e Slip Away/Clarence Carter.





domingo, janeiro 03, 2021

10 álbuns de 2020 [7]

Haim

Ao terceiro álbum, as irmãs Haim — Este, Danielle e Alana (da esquerda para a direita) —, de Los Angeles, continuam a habitar um território tradicional, de assumida solidão criativa, sem ostentação. As suas genuínas raízes pop integram as marcas de um romantismo paradoxal, amargo nas memórias, festivo nas melodias, sofisticado nos ritmos. Ponto a não menosprezar: uma parte importante da sua identidade iconográfica foi-se consolidando através dos telediscos em que foram encenadas por Paul Thomas Anderson — este é o tema The Steps, numa passagem pelo programa CBS This Morning.



* * * * *

[ 1. Fiona Apple ] [ 2. Víkingur Ólafsson ] [ 3. Bob Dylan ] [ 4. Lianne La Havas ] [ 5. Keith Jarrett ]

terça-feira, março 03, 2020

Haim: nova canção, novo álbum

Agora já é oficial: as Haim têm um novo álbum, Women in Music Pt. III, a ser lançado no dia 24 de Abril. Depois das canções Summer GirlNow I'm in It e Hallelujah, aí está The Steps, ainda e sempre com realização de Paul Thomas Anderson — tão simples que parece simples.

sexta-feira, novembro 22, 2019

Haim, Hallelujah

Da ligeireza da pop faz parte o fantasma do drama, porventura a suspensão da tragédia. Assim é a música das Haim, as três irmãs de Los Angeles a atravessar um período de singles, por certo a preparar o álbum que sucederá a Days Are Gone (2013) e Something to Tell You (2017). Depois de Now I'm in It, aí está um belíssimo Hallelujah — a realização, cruzando depuração e elegância, volta a pertencer a Paul Thomas Anderson.

sexta-feira, novembro 01, 2019

Haim, "Now I'm in It"

De acordo com as declarações de Danielle Haim, a nova canção das Haim — o trio de irmãs completado por Este e Alana — nasceu da necessidade de enfrentar a depressão, em qualquer caso, abrindo para "um pouco de luz". Projecto consumado: numa altura em que ainda não há notícias de um novo álbum (Something to Tell You surgiu no Verão de 2017) Now I'm in It é mais um exemplo de uma pop sofisticada, mas minimalista, de novo transfigurada em teledisco por Paul Thomas Anderson.

quinta-feira, agosto 01, 2019

O Verão das Haim

Reveladas em 2013, as três irmãs de Los Angeles com o apelido (e nome artístico) Haim não desistem de repetir uma verdade rudimentar: as notícias da morte da música pop são francamente exageradas. Além do mais, depois do registo de estúdio de Right Now e do magnífico teledisco de Little of Your Love, continuam a ter em Paul Thomas Anderson um especialíssimo colaborador. De novo com direcção de Anderson, aí está Summer Girl — não é todos os dias que vemos um teledisco em que as protagonistas passam o tempo a despir peças de roupa, sendo o resultado abençoado pelo mais delicado pudor.

sexta-feira, junho 28, 2019

Thom Yorke & Paul Thomas Anderson

Menos de um ano decorrido sobre a sua colaboração com Luca Guadagnino, assinando a banda sonora do filme Suspiria, Thom Yorke volta a associar-se a um cineasta: Paul Thomas Anderson dirigiu um especial de 15 minutos, produzido pela Netflix, para acompanhar o lançamento do novo álbum de Yorke, Anima (o terceiro a solo, depois de The Eraser e Tomorrow's Modern Boxes, respectivamente de 2006 e 2014). Registe-se, desde já, a magnífica fusão de uma musicalidade sempre devedora das electrónicas com um metódico espírito introspectivo — eis o tema Not the News e, em baixo, o trailer do filme de Anderson.



quinta-feira, julho 05, 2018

Revendo "Linha Fantasma"

Vicky Krieps
Linha Fantasma já está disponível em DVD e não é, definitivamente, um filme sobre a "moda" — este texto foi publicado no Diário de Notícias (24 Junho), com o título 'Além do corpo e do sexo'.

Revejo Linha Fantasma, de Paul Thomas Anderson, na recente edição em DVD. O retrato de Reynolds Woodcock, personagem (fictícia) da moda londrina em meados da década de 1950, parece-me ser, não apenas um dos grandes títulos da produção de 2017, mas um dos filmes maiores de todo o século XXI. Com esse detalhe, amargo e doce, que decorre do facto de a composição de Woodcock pelo genial Daniel Day-Lewis ter sido, em princípio, o derradeiro trabalho cinematográfico do actor inglês.
Não posso deixar de recordar o seu relativo apagamento no mercado cinematográfico. Não por qualquer expectativa em relação às condições de recepção do filme (a noção segundo a qual o crítico é aquele que espera que os outros pensem o “mesmo” que ele é um disparate pueril que, confesso, com o passar dos anos, deixei de tentar sequer esclarecer). Em qualquer caso, em boa verdade, não estou só no reconhecimento dos méritos de Linha Fantasma.
O que não posso deixar de referir é o facto de, através de uma série de factores mediáticos (com destaque para as campanhas promocionais), o filme de Paul Thomas Anderson ter sido “encaixado” numa espécie de sinopse compulsiva: uma história sobre os bastidores da moda... e com vestidos muito bonitos!
Não me interpretem mal. O guarda-roupa de Linha Fantasma é belíssimo, tendo valido ao seu criador, Mark Bridges, o único Oscar que o filme ganhou (sem esquecer que a Academia de Hollywood considerou que a marioneta de Churchill criada por Gary Oldman em A Hora Mais Negra possuía mais mérito que a composição de Daniel Day-Lewis). O que discuto é de outra natureza. A saber: o facto de se confundir a realidade específica do cinema com a exibição de elementos mais ou menos decorativos e superficiais.
Se o guarda-roupa de Mark Bridges é tão admirável não é porque “reproduza” o visual que, na época, era possível descobrir na Vogue ou na Harper’s Bazaar. Entenda-se: são publicações de excelência. Mas os vestidos de Linha Fantasma valem, em última instância, pelo modo como, através deles, Woodcock descobre a sua mulher e musa, interpretada pela igualmente genial Vicky Krieps.
Dir-se-ia que, ao vesti-la, Woodcock não está a embelezá-la mas, num certo sentido, a inventá-la, expondo-a à crueldade suprema do amor. A saber: procurando, conscientemente ou não, que o seu corpo, pose e aura coincidam por inteiro com o seu desejo. Sexo? Sim, ma non troppo. Aliás, não digam a ninguém que vos estou a dar uma “chave” de leitura, mas a personagem de Vicky Krieps chama-se Alma.

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

"Linha Fantasma": corpo e Alma

Daniel Day-Lewis e Vicky Krieps
Linha Fantasma é um filme que renova os prodígios da aliança entre o cineasta americano Paul Thomas Anderson e o actor inglês Daniel Day-Lewis — este texto foi publicado no Diário de Notícias (30 Janeiro), com o título 'Como filmar o desejo de perfeição?'.

Assim vai o mundo. O novo filme de Paul Thomas Anderson, Linha Fantasma, tem como personagem central Reynolds Woodcock, figura de prestígio da alta costura londrina, na década de 1950. Tanto bastou (e basta) para que se lhe cole o rótulo de retrato do mundo da moda. Escusado será dizer que tudo acontece num universo em que o esplendor dos vestidos pontua todos os cenários e situações. Mas tratá-lo como um filme “sobre” a moda será o mesmo que encarar Tubarão (1975), de Steven Spielberg, como um ensaio sobre os hábitos alimentares dos monstros marinhos...
Paul Thomas Anderson
Contemple-se a genial composição de Daniel Day-Lewis: através do rigor das formas dos vestidos de Woodcock, o que ele nos expõe está muito para além da destreza do profissional; trata-se, isso sim, de revelar os contornos da obsessão que o faz mover. A saber: o desejo de uma perfeição absoluta e imaculada, porventura próxima de uma verdade sobre-humana, quer dizer, divina.
Daí a singularidade da sua relação com Alma, a criada de mesa de um restaurante que se transforma na sua musa. Interpretada pela admirável Vicky Krieps (escandalosamente ausente de todas as listas de prémios da temporada), ela vai ocupando um lugar de espectacular ambiguidade, a meio caminho entre a banalidade das tarefas quotidianas e a hipótese de o trabalho de Woodcock atingir um patamar puramente espiritual (e não valerá a pena sublinhar a sugestão simbólica que o seu nome arrasta).
Tudo isto, importa não esquecer, acontece no interior de um insólito triângulo, nada amoroso, por vezes francamente bélico, cujo terceiro vértice é Cyril (Lesley Manville), irmã de Reynolds. Atenta às questões muito terrenas da gestão da casa Woodcock, é ela que procura manter aquele mundo ritualizado no interior de alguma razoabilidade racional, impondo, literalmente, as boas maneiras à mesa.
Por isso é tão difícil definir o que acontece — o que realmente acontece — no interior do filme. De tal estranheza nasce, aliás, o seu fascínio e, mais do que isso, o poder encantatório de todas as situações. Tal como em Haverá Sangue (2007), sobre a corrida ao petróleo no começo do século XX, também com Daniel Day-Lewis no papel central, Paul Thomas Anderson concentra-se numa personagem cujo sonho envolve tanto de utópico como de potencialmente destruidor.
Na sua odisseia, Woodcock (sarcástico apelido...) partilha connosco uma singela descoberta: a procura da perfeição passa pela presença de Alma, mas não se resolve nem consuma nas suas qualidades. Daí, aliás, que tudo no filme seja tão estranhamente erótico. Desde logo, porque o erotismo surge deslocado de qualquer explicitação sexual. Depois, porque o perfeccionismo utópico da costura acontece através da fusão de cada vestido com o corpo, numa dimensão totalmente abstracta que nem o próprio Woodcock sabe definir. Aprende, em todo o caso, que o seu trabalho aponta para o êxtase sem retorno da morte. Paradoxalmente ou não, eis a moral da história: este é um filme feliz, sobre a linha da vida e o seu fantasma.

>>> House of Woodcock, tema da banda sonora original, composta por Jonny Greenwood + trailer.