O anúncio de um novo perfume Dolce & Gabbana, protagonizado por Madonna, com realização da dupla Mert Alas, é um breve e sofisticado exercício iconográfico que, certamente não por acaso, remete para memórias da obra videográfica da Material Girl — reveja-se, por exemplo, o teledisco de Take a Bow (1994). E também não será indiferente o facto de a banda sonora ser feita com a canção italiana La Bambola, um sucesso mítico de 1968, recriada por Madonna.
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quarta-feira, fevereiro 25, 2026
sexta-feira, janeiro 16, 2026
A IMAGEM: Inez and Vinoodh, 2025
| INEZ AND VINOODH Tilda Swinton Campanha de Tom Ford [perfume: Beauty’s Black Orchid Reserve] 2025 |
sábado, novembro 08, 2025
Scarlett Johansson filmada por Yorgos Lanthimos
terça-feira, janeiro 14, 2025
Oliviero Toscani (1942 - 2025)
| [ Auto-retrato, 2021 ] |
Fotógrafo indissociável da marca Benetton, criador de imagens que revolucionaram o próprio conceito de publicidade, o italiano Oliviero Toscani faleceu no dia 13 de janeiro, em Cecina, vitimado por amiloidose — contava 82 anos.
Toscani perverteu a lógica primitiva da publicidade — dar a ver e valorizar a mercadoria —, criando imagens que se inscreviam directamente na convulsões sociais e políticas do nosso mundo, por assim dizer, celebrando o próprio "produto" através de uma elaborada e paradoxal abstração. Nesta perspectiva, ensinou-nos a olhar e pensar as imagens, não como "reproduções", antes como derivações iconográficas da ilusória transparência dos corpos e objectos.
| Padre e freira (1991) |
| HIV positivo (1993) |
| Corações (1996) |
>>> Obituário no jornal Le Monde.
>>> Oliviero Toscani no Instagram.
>>> Oliviero Toscani no site Artemest.
sexta-feira, agosto 23, 2024
Política & jornalismo
Esta é uma imagem retirada do site da revista Rolling Stone, integrada numa campanha de promoção de novos assinantes.
É também uma prova muito real de uma componente da conjuntura mediática & imaterial em que vivemos, suscitando reflexões que não podem, sob pena alimentarem o cinismo reinante, encerrar-se numa qualquer dicotomia descritiva, muito menos moralista.
A saber: os circuitos do consumo desempenham um papel central na organização das nossas identidades (públicas & privadas), podendo transfigurar qualquer elemento de qualquer universo das actividades humanas — a começar pela política e incluindo o jornalismo. Keep the faith.
domingo, outubro 02, 2022
Elogio do voo
Os modelos da marca Burberry enfrentam a ventania... voando — eis um belo, inventivo e sofisticado exemplo de aplicação dos recursos digitais. Ou como a publicidade se pode confundir com uma certa vanguarda tecnológica. A produção é da Riff Raff Films, de Londres.
segunda-feira, agosto 15, 2022
Q107, o rock e os seus corpos
A rádio Q107, de Toronto, decidiu reforçar a sua imagem de marca com uma campanha que evocasse e, num certo sentido, invocasse a energia da música rock. Cartazes (em cima) e um video (aqui em baixo) revelam uma ânsia simbólica que não se coíbe de percorrer as entranhas do corpo humano. Sinal dos tempos: a música pode ser exaltante, mas já não há nada de sagrado associado aos corpos humanos.
segunda-feira, junho 13, 2022
O paraíso segundo a Volkswagen
Assim vai o mundo. E também o paraíso. Um recente anúncio da Volkswagen (proveniente dos seus representantes na África do Sul) dá-nos a conhecer um determinado ambiente de trabalho (o inferno, bem entendido) para se concentrar numa personagem que se liberta graças ao seu automóvel... A sinopse diz mesmo que estamos perante a "encarnação da liberdade, tenaz independência e do impulso para a libertação."
Motivador, sem dúvida. Com uma promessa de duvidosa gratificação: no final, o automóvel anda por estradas desertas e tudo parece passar-se num planeta sem qualquer outro ser humano... Não se pode ter tudo, claro.
quarta-feira, janeiro 19, 2022
Elogio dos felinos e da sua publicidade
A publicidade situa-nos num mundo idealizado que quase ninguém questiona: o certo é que, de alguma maneira, todas as imagens são políticas — este texto foi publicado no Diário de Notícias (2 janeiro).
Na infinita multiplicidade de registos que circulam pelo mundo audiovisual, os trabalhos publicitários são um verdadeiro tabu. Não de acordo com esse infantilismo jornalístico que, cada vez que uma figura da cena política recusa avançar com alguma informação supostamente obrigatória, de imediato convoca a palavra “tabu”, arrastando um misto de expectativa e censura moral. O tabu publicitário envolve algo de incomparavelmente mais fundo: por princípio, a “sociedade” e os seus obsessivos “escrutínios” não questionam as representações da publicidade, seja qual for o respectivo domínio, do carácter redentor do espaço familiar até ao conceito compulsivo de festividade associado à juventude.
Um dos exemplos clássicos de impostura das encenações publicitárias é a forma corrente de apresentação dos novos modelos de automóveis. Exemplo benigno, entenda-se: a palavra impostura não decorre de qualquer dúvida sobre as qualidades específicas dos produtos publicitados. Tem a ver, isso sim, com tudo aquilo que nas imagens (e sons) é apresentado como a utilização futura do produto em causa pelo potencial consumidor. Assim, na esmagadora maioria dos anúncios de automóveis, não só não há outros automóveis, como tudo acontece em espaços da mais absoluta solidão. Tráfego? Estradas congestionadas? Cidades habitadas por pessoas? Nada de nada: o automóvel que podemos comprar será o único do planeta Terra…
Há outra maneira de dizer isto: a idealização do produto que se tenta vender envolve (depende mesmo de) uma redução da realidade, seja ela qual for, a uma perversa abstração. Como se vivêssemos, não num mundo em que a publicidade é um acto de linguagem, mas sim num universo “alternativo” que a publicidade sanciona porque, no limite, foi por ela inventado. Os exemplos são intermináveis e, convém não esquecer, quotidianos: da família que irá desfrutar do novo ambientador de odores florais ao adolescente que se “socializa” através do seu telemóvel, todos embarcam, ou podem embarcar, na felicidade publicitada.
Eis um esclarecedor contraponto: um cartaz com chancela da Big Cat Rescue, organização não lucrativa da cidade de Tampa, California, que possui um santuário para felinos selvagens. Concebido por Michael Schillig, da agência publicitária PPK, também sediada em Tampa, o cartaz distingue-se por uma lógica informativa, pedagógica e, em última instância, política. Nessa medida, claro, não pode ser confundido com as motivações de uma qualquer intervenção publicitária sobre os méritos de um aspirador ou as proezas de um desodorizante…
Aliás, não é isso que está em causa. Ou melhor, corrijo: é precisamente isso que está em causa — não em função da “coisa” que se dá a conhecer, antes através da linguagem que se utiliza e, muito em particular, do modo como essa linguagem concebe (ou não) o destinatário (cada um de nós) como sujeito activo, capaz de ver, compreender e pensar.
De que se trata, então? De chamar a atenção para a futilidade e, mais do que isso, a irresponsabilidade de tratar os tigres bebés como meros objectos de uma “experiência táctil”. Na base do cartaz, recorda-se mesmo que esses tigres recém-nascidos são muitas vezes “retirados às mães logo à nascença e explorados para renderem grandes lucros”. Com consequências brutais: “Quando se tornam demasiado perigosos para receberem festas, podem ser vendidos, abandonados ou mesmo mortos” (no site da Big Cat Rescue, podemos aceder a imagens dos tratadores dos pequenos felinos, em fascinante proximidade com os animais, evitando tocá-los com as mãos).
O espantoso cartaz da Big Cat Rescue dá-nos a ver a vibração física — que é uma forma de intimidade — de uma entidade que existe através do nosso olhar, dos nossos gestos e, uma vez mais, das nossas políticas. “Desenhado” com mãos humanas, o rosto do tigre surge, assim, desprovido de qualquer carácter pitoresco, muito menos anedótico. Não é um boneco de peluche para ser acariciado e rapidamente descartado, antes um ser vivo que, na sua irredutibilidade, existe também através do modo como o representamos — sendo a representação um acto vital de disponibilidade cognitiva.
Num tempo em que as notícias “natalícias” nos alertam para a estupidez humana dos que compram animais bebés como objectos decorativos que, mais tarde ou mais cedo, vão ser descartados, esta é uma exemplar lição pedagógica. Na certeza de que um cartaz não resolve, por si só, nenhum drama. Ainda assim, pode contribuir para que algum olhar faça uma pausa, pressentindo a complexidade do mundo à sua volta.
quinta-feira, dezembro 23, 2021
quinta-feira, dezembro 09, 2021
Roupas vs. ambiente
Eis uma maneira breve, original e sugestiva de dar conta das questões que podem ser colocadas quando se avaliam as formas de aplicação de produtos químicos na fabricação de peças de roupa — é um video produzido pela Agência Dinamarquesa de Projecção do Ambiente.
quinta-feira, junho 17, 2021
O “thriller” ainda é o que era
| Denzel Washington, As Pequenas Coisas |
Eis um pequeno grande acontecimento na actualidade cinematográfica, mais concretamente nos videoclubes: As Pequenas Coisas revitaliza a tradição do “thriller”, contando com um elenco liderado por Denzel Washington — este texto foi publicado no Diário de Notícias (27 maio).
A discreta chegada do filme As Pequenas Coisas é sintomática do período difícil que os circuitos de cinema estão a atravessar. Escusado será sublinhar que a pandemia afectou, aliás, continua a afectar o funcionamento de todos os mercados. E também já ninguém ignora que a dicotomia salas/plataformas de streaming não pode ser encarada como uma mera questão “moral”, implicando toda uma reflexão sobre as componentes artísticas e as bases económicas do próprio universo cinematográfico. Nesta conjuntura, As Pequenas Coisas está disponível — apenas nos videoclubes —, depois de, nos EUA, ter tido uma carreira repartida entre as salas e a plataforma HBO Max.
Há qualquer coisa de ensurdecedor no “silêncio” promocional que envolve o filme. Por razões que a pandemia pode ter reforçado, mas que estão longe de esclarecer o quase “anonimato” do lançamento de As Pequenas Coisas — são questões específicas das últimas duas décadas da vida dos filmes, da produção à difusão.
Nada a ver, entenda-se, com qualquer juízo de valor sobre o filme que, já agora, no meu caso, é inequivocamente positivo. Acontece que a poderosa máquina promocional, eminentemente global, dos grandes estúdios americanos (neste caso, a Warner Bros.) parece já não saber o que fazer com um filme de perfil clássico, sóbrio, profissionalmente exemplar, em tudo e por tudo exterior ao alarido dos super-heróis que, ciclicamente, enchem os nossos ecrãs e as ruas das nossas cidades com aparatosas promoções.
Dir-se-ia que não basta ter os trunfos que são (ou eram) os actores. E neste caso não é um, não são dois, são três intérpretes todos eles já “oscarizados”: Denzel Washington, Rami Malek e Jared Leto (a composição deste último valeu-lhe nomeações para os prémios da última temporada, na categoria de secundário, quer pelos Globos de Ouro, quer pelo sindicato nos actores). Temos assistido, de facto, a um triste esvaziamento do valor comercial dos actores, favorecendo novos modelos de (des)educação dos espectadores face à pluralidade histórica do cinema: os filmes mais promovidos — aos quais é facultada uma gigantesca ocupação dos mercados — são quase sempre os que ostentam referências de outros domínios (sobretudo banda desenhada e jogos de video), não os que envolvem componentes clássicas da linguagem cinematográfica. A começar pelos actores, precisamente.
Mais ainda: As Pequenas Coisas possui uma estrutura de “thriller” que não pode deixar de evocar um título eminentemente popular — Seven (1995), de David Fincher —, e não apenas pelo facto de se tratar de uma investigação em torno de um suspeito que parece actuar como um “serial killer”; a acção situa-se também na década de 90, como se John Lee Hancock, na dupla condição de argumentista e realizador, tivesse querido explicitar as origens da sua inspiração.
Será que o trabalho de Hancock consegue sustentar uma comparação directa com a sofisticada “mise en scène” de Fincher? Em boa verdade, não creio. Mas não é essa a questão. Podemos dizer, isso sim, que As Pequenas Coisas se inscreve numa tradição temática e estética que, justamente, Seven reconverteu e relançou. Agora, como se prova, essa tradição tornou-se uma componente secundária do mercado e do marketing. Espera-se, além do mais, que não ressurja o discurso demagógico que, tentando escamotear o papel decisivo dos mercados nas orientações dominantes dos espectadores, venha clamar que cabe à “crítica” salvar aquilo que os próprios mercados foram metodicamente desvalorizando.
As Pequenas Coisas exibe o gosto de um valor narrativo que, de facto, está longe de ser acarinhado pela maior parte dos filmes (ditos) de “acção” que passaram a ocupar a linha da frente da indústria. Que valor é esse? Pois bem: o tempo. Entenda-se: o valor dramático da duração de cada cena.
Assim, a investigação dos dois elementos da polícia (interpretados por Washington e Malek) em torno de um suspeito (Leto) desenvolve-se através de um sedutor paradoxo narrativo. Por um lado, a montagem, assinada pelo veterano Robert Frazen, vai instalando uma expectativa que nasce da sensação de que o tempo está a faltar (para resolver os crimes); por outro lado, a duração interna de cada cena é sempre ambígua, dando especial atenção aos detalhes (as “pequenas coisas”) que se acumulam de modo pausado, inesperado e inquietante.
Vale a pena recordar que Hancock tem desenvolvido a sua carreira através de alguns títulos saborosamente atípicos, incluindo The Blind Side/Um Sonho Possível (2009), retrato dos bastidores do basebol que valeu um Oscar de melhor actriz a Sandra Bullock, Ao Encontro de Mr. Banks (2013), evocando Walt Disney, interpretado por Tom Hanks, e O Fundador (2016), com Michael Keaton, sobre as origens dos restaurantes McDonald’s. Agora, com As Pequenas Coisas, ele acrescenta mais um objecto insólito a uma filmografia que não desiste de um obstinado classicismo. Sem esquecer que, entre as proezas artísticas do filme, há ainda uma notável banda sonora de Thomas Newman, também ele um respeitável “marginal” de Hollywood — afinal de contas, já foi nomeado quinze vezes para os Oscars e nunca ganhou…
Spike Lee em Cannes
Objecto emblemático do espectáculo de Cannes, aí está o cartaz oficial da 74ª edição do festival [6-17 julho].
Recuperando a personagem de Spike Lee (Mars), no seu filme She's Gotta Have It/Os Bons Amantes (1986), a imagem, num misto de ironia e objectividade, cruza a obra daquele que será o presidente do júri oficial com a iconografia romanesca da cidade de Cannes. O grafismo tem assinatura do atelier Hartland Villa, sendo a fotografia de Spike Lee publicada com a autorização do fotógrafo Bob Peterson & Nike (isto porque serviu, no original, para uma campanha publicitária).
Recuperando a personagem de Spike Lee (Mars), no seu filme She's Gotta Have It/Os Bons Amantes (1986), a imagem, num misto de ironia e objectividade, cruza a obra daquele que será o presidente do júri oficial com a iconografia romanesca da cidade de Cannes. O grafismo tem assinatura do atelier Hartland Villa, sendo a fotografia de Spike Lee publicada com a autorização do fotógrafo Bob Peterson & Nike (isto porque serviu, no original, para uma campanha publicitária).
sábado, agosto 22, 2020
Os cinco sentidos de um whisky
De vez em quando, a publicidade produz as suas voláteis e fascinantes obras-primas. É o caso deste anúncio do whisky Woodford, concebido e executado pela agência BBDO. Dir-se-ia um breve ensaio sobre as nuances dos cinco sentidos humanos — espectacular, elegante, quase saboroso.
quarta-feira, abril 29, 2020
#supportthedoctors
Sob o lema #supportthedoctors, estas são imagens de Lidija Milovanovic, numa produção da agência McCann, de Belgrado, Sérvia — uma mensagem universal para os tempos de pandemia; ou como o rosto conta sempre as nossas histórias, e as histórias da relação de cada um com os outros.
quarta-feira, abril 15, 2020
domingo, março 29, 2020
Distância social [Audi]
O anúncio da Audi tem assinatura da NRG Brands, agência de publicidade da Bulgária — eis um exemplo de serena sabedoria na promoção da ideia de distância social, recriando e, por assim dizer, "corrigindo" um emblema de reconhecimento internacional. Mais simples não seria possível. E mais pedagógico também não.
>>> Outro anúncio da Audi, neste caso em filme, realizado pela NRG Brands em 2017.
>>> Outro anúncio da Audi, neste caso em filme, realizado pela NRG Brands em 2017.
sexta-feira, janeiro 17, 2020
Greenpeace + Aardman
"Salvem as tartarugas!": uma campanha do Greenpeace com a preciosa colaboração dos criadores da Aardman Animations — ou como todas as formas de pedagogia ecológica são importantes.
quinta-feira, novembro 28, 2019
E.T. voltou à Terra
| [1982] |
Se há filmes cuja dramaturgia se instalou de modo visceral no imaginário popular, E.T., O Extraterrestre (1982), de Steven Spielberg, é obviamente um desses filmes. Como se prova, parece possível refazê-lo, não exactamente como sequela, antes "desviando" as suas peripécias para outro universo. A publicidade, neste caso: o novo anúncio da plataforma digital Xfinity consegue a proeza de revisitar com contagiante alegria algumas das principais linhas de força (e situações) do filme, para mais contando com o próprio intérprete de Elliott, Henry Thomas, agora com 48 anos e... chefe de família. Eis aquele que é, por certo, um dos melhores anúncios do ano.
quinta-feira, agosto 22, 2019
Os cães não fumam, mas...
São imagens que vêm da Nova Zelândia, da responsabilidade da Quitline, entidade de apoio aos cidadãos que querem deixar de fumar. No seu mais recente video, concebido pela agência YoungShand (Auckland), os protagonistas são um homem e o seu cão — e a história não é o que parece...
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