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domingo, outubro 15, 2017

King Krule: punk + hip hop + jazz

Archy Marshall, 24 anos, nascido em Londres — nome artístico: King Krule. Foi uma das grandes revelações de 2013 (portanto, aos 19 anos) e continua a convocar-nos para paisagens musicais de estranha e envolvente pluralidade: as suas raízes punk derivam constantemente para um austero hip hop, não poucas vezes à beira de uma secura típica de um tempo de spoken word, enfim, integrando ziguezagues, improvisados ou não, de genuína sensibilidade jazzística.
O novo álbum de King Krule, terceiro da sua conta pessoal — depois de 6 Feet Beneath the Moon (2013) e A New Place 2 Drown (2015), este assinado como Archy Marshall — chama-se The Ooz e já tinha sido apresentado através do tema Czech One. Vale a pena ler a entrevista dada à NPR, evocando algumas influências juvenis, de Nirvana a Jimi Hendrix, passando por Marvin Gaye (decididamente, o rapaz cuida da sua saúde musical) e também explicando a origem do título The Ooz. Entretanto, aqui fica o registo de mais duas canções: Dum Surfer e Half Man Half Shark.



sábado, agosto 26, 2017

King Krule — quatro anos depois...

King Krule foi uma das mais notáveis revelações de 2013 (tinha 19 anos). Depois, é verdade que não deixou de estar envolvido em diversos projectos [notícia: Stereogum], mas o certo é que não voltámos a encontrá-lo como protagonista da sua invulgar energia criativa... Pois bem, valeu a pena esperar quatro anos: aí está Czech One, cartão de visita de um novo single, para mais servido por um belo teledisco de Frank Lebon — uma viagem de serenos assombramentos para uma canção de crua e paradoxal solidão.

The train’s motion
Untidy echo
And she pants

She asked me why I’m here but I come here every night
Do you need to tell her something? No I need a place to write
And as the sea of darkness forms and casts us into night
You ask me what her name was called but I found it hard to write
One time I was impaled forlorn and thrown into a pile
I said you know where I’m coming from and she looked me in the eye
Loverboy you drown too quick
You’re fading out of sight

Is it the numb density? Can’t even look her in the eye
Where tiny men have been absorbed for questioning the sky
To when and where the stars were formed, that glance upon this night
Lightyears to sit upon and paint us as we lie
And to think it’s us she’s wasted on, can’t even look her in the eye

See I’ve found a new place to mourn, she asked me who died
Well if there’s a dark uniform, I need a place to hide
As simple as his faith had gone, the burning of the spire
And yet he still searched for warmth but it was cold by the fire

She grips me tight, she grips me tight
But I still rip at the seams
I can’t sleep at night, never slept at night
But she still sits in my dreams
I’m out of sight, so out of sight
But she sees what I see, she’s watching me

She’s still watching me
She still sees what I see
The train’s motion
Untidy echo

quinta-feira, janeiro 09, 2014

King Krule inspira-se em Hitchcock

Não, de facto a ilustração não está mal colocada... Além de ser uma das revelações de 2013, King Krule gosta de desafiar a gravidade e é também um bom cinéfilo. Assim, no teledisco de A Lizard State, tema de espírito mais ou menos jazzístico, extraído do seu álbum de estreia 6 Feet Beneath the Moon, inspira-se em deliciosos momentos da série televisiva Alfred Hitchcock Presents para encenar uma insólita declaração de amor, na companhia de alguns serenos répteis e em nostálgico preto e branco — tudo dirigido pelo impecável Jamie-James Medina.

domingo, dezembro 29, 2013

Os melhores discos de 2013 (J. L.)

ARCHY MARSHALL (nome artístico: King Krule)
* OS VELHOS. ... lembro-me quase sempre do mau humor de Jean-Paul Belmondo, em O Acossado (1959), de Jean-Luc Godard — numa cena de rua, quando uma jovem lhe tenta vender um exemplar dos Cahiers du Cinéma, sugerindo que, por certo, ele não tem nada contra a juventude, Belmondo responde: "Sim, gosto muito dos velhos".
Este ano, musicalmente, houve muitas e gratas razões para continuar a gostar dos velhos, a meu ver quase sempre mais genuínos e verdadeiros que muitas sofisticadas "imitações" pós-modernas, tão seriamente profissionais quanto emocionalmente inócuas. Lembro, por isso, as proezas de John Fogerty (Wrote a Song for Everyone), Paul McCartney (New) ou David Bowie (The Next Day); ou o monumento de relíquias esquecidas e recuperadas de Eric Clapton (Give Me Strength: The '74/'75 Recordings); ou ainda as novas aventuras de veteranos, embora de uma geração posterior, como The Flaming Lips (The Terror) e Nine Inch Nails (Hesitation Marks); além de que, last but not least, 2013 voltou a ter Beatles (On Air - Live at the BBC Vol. 2)!

* OS NOVOS. Dito isto, não posso deixar de reconhecer que a imagem corrente da juventude, combinando ridicularização mental e indiferença social (como é possível a MTV ter chegado tão baixo?...), foi sendo compensada e, sobretudo, corrigida pela simples e maravilhosa verdade do talento realmente jovem. É verdade: dos álbuns que fui escutando (e não tenho, nem de longe nem de perto, a pretensão de ter acedido a tudo, nem sequer a tudo o que, à partida, suscitava a minha curiosidade), muitos dos que me tocaram têm assinatura de gente muito nova, admiravelmente criativa.
Para mim, de facto, alguns dos grandes momentos musicais de 2013 foram de nomes estreantes. Daí a minha proposta, naturalmente instintiva e nada científica, de um top de primeiros álbuns — não sei se foram os "melhores", mas atrevo-me a pensar que a alegria de continuar a fazer música (velha, nova ou sem calendário) passa por aqui.

1 - 6 FEET BENEATH THE MOON, King Krule.


[Canção: EASY, EASY] Archy Marshall nasceu em Londres, usa o nome artístico King Krule e canta num registo de elaborado dramatismo que alguns incluem nos domínios da chamada neo-soul; o seu primeiro álbum foi editado a 24 de Agosto de 2013, dia do seu 19º aniversário.

2 - IF YOU WAIT, London Grammar.


[Canção: NIGHTCALL] Paisagens pop, horizontes electrónicos, alguma contaminação trip hop, dois rapazes (Dan Rothman, guitarra; Dot Major, piano, bateria e tudo o que for necessário) e uma rapariga (Hannah Reid, vocalista de serena teatralidade): são de Londres, of course.

3 - SAN FERMIN, San Fermin.


[Canção: DAEDALUS] San Fermin? O festival de Pamplona? O álbum tem um touro na capa, mas a banda é a cena de trabalho de um compositor de Brooklyn, Ellis Ludwig-Leone, ex-assistente de Nico Muhly: sofisticação pop reescrita, em apoteose, como monumento sinfónico.

4 - SILENCE YOURSELF, Savages.


[Canção: HUSBANDS] Londres, outra vez. É um quarteto feminino que abraçou as radiosas angústias do pós-punk e soa como se o mundo tivesse começado ali (ou acabado, tanto faz...). A vocalista, Jehnny Beth, é de facto francesa e chama-se Camille Berthomier. C'est la vie.

5 - PURE HEROINE, Lorde.


[Canção: TENNIS COURT] Ninguém escapou a Royals, o single que fez de Lorde uma espécie de Miley Cyrus em versão alien. É bastante melhor, digo eu. E não vem de Londres: nasceu na Nova Zelândia, tem 17 anos e no seu BI consta o nome Ella Maria Lani Yelich-O'Connor.

6 - AMOK, Atoms for Peace.


[Canção: DEFAULT] Aviso à navegação: é o joker desta selecção. Porque é um primeiríssimo álbum, mas de uma banda de experts reunidos por Thom Yorke, incluindo o produtor Nigel Godrich e Flea, dos Red Hot Chili Peppers. Mas não será que soa um pouco a Radiohead? Não um pouco... Muito!

7 - TORRES, Torres.


[Canção: HONEY] Será que podemos, ou devemos, falar de maturidade aos 22 anos? Torres chama-se, de facto, Mackenzie Scott e vem de Nashville. Em todo o caso, as suas raízes não estão exactamente no country, mas num rock primitivo, feminino, apaixonado e apaixonante.

8 - SING TO THE MOON, Laura Mvula.


[Canção: THAT'S ALRIGHT] Diz-se influenciada pelo som das Eternal. As profundezas da soul e as nuances do R&B ressurgem, cristalinas e sensuais, na voz desta intérprete inglesa, natural de Birmingham. Passou pelo coro de uma igreja, o que, bem entendido, só lhe fez bem.

9 - DAYS ARE GONE, Haim.


[Canção: FALLING] Beach Girls? As três irmãs Haim são da Califórnia (Los Angeles) e praticam uma pop tão visceral quanto versátil, a que tem sido reconhecida a influência dos Fleetwood Mac. Elas preferem evocar as Destiny's Child, o que talvez seja outra maneira de dizer o mesmo.

10 - 180, Palma Violets.


[Canção: LAST OF THE SUMMER WINE] Provavelmente, como num filme dentro de um filme, não saímos do mesmo sítio. Ou seja: ainda de Londres, aí estão os Palma Violets, senhores de um garage rock puro e duro, sem desculpas nem modernices — e quem vier atrás que feche a porta.