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terça-feira, fevereiro 03, 2026

John Coltrane, Ascension
— 60 anos depois

Até que ponto o free jazz é, ou pode ser, free? Podemos responder evocando Ascension, álbum fulcral de John Coltrane em que, abraçando as liberdades da improvisação, o saxofonista de Blue Train (1958) e A Love Supreme (1965) reforçava a lógica de uma etapa criativa para lá da formação clássica do quarteto — entre os convidados estão Freddie Hubbard (trompete), Pharoah Sanders (saxofone tenor) e McCoy Tyner (piano).
O álbum teve duas "versões" — 'Edition I' (aqui em baixo) e 'Edition II' — que existem numa edição conjunta, datada de 2000, com chancela da Impulse!. As gravações ocorreram a 28 de junho de 1965, tendo Ascension sido lançado em fevereiro de 1966 — 60 anos depois, o tempo imobilizou-se na vertigem do seu próprio futuro.

domingo, outubro 24, 2021

"A Love Supreme", ao vivo em Seattle

Eis a matéria de que se faz a história — ou refaz. A Love Supreme, de John Coltrane, um dos objectos incontornáveis do património jazzístico, surgiu nas lojas em janeiro de 1965. Cerca de nove meses mais tarde, a 2 de outubro, o saxofonista reunia o seu ensemble em Seattle, no Penthouse Club, para uma performance do álbum que foi registada pelo músico e professor Joe Brazil (que viria a participar, como flautista, noutro álbum de Coltrane, Om, lançado postumamente em 1968). A gravação permaneceu inédita até ao ano da graça de 2021...
Ainda e sempre com chancela Impulse, perante A Love Supreme / Live in Seattle dir-se-ia que revemos o futuro do jazz refeito em exercício presente de revisitação do passado — aqui fica a primeira parte, Acknowledgement; em baixo, o mesmo tema tal como surge no álbum original.




>>> Sobre A Love Supreme — programa 'Jazz United', rádio WBGO (Newark, New Jersey).

sexta-feira, janeiro 11, 2019

10 álbuns de 2018 [10]

* THE FINAL TOUR: THE BOOTLEG SERIES, VOL. 6, Miles Davis & John Coltrane

Noblesse oblige... Em 1960, ao partir para a sua digressão europeia, o quinteto de Miles Davis era um colectivo que a história viria a consagrar, não apenas como fenómeno artístico, mas também entidade mitológica: Miles coabitava com John Coltrane (saxofone), Wynton Kelly (piano), Paul Chambers (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria). O certo é que, rezam as crónicas, era também um grupo em irreversível processo de desagregação. Dito de forma necessariamente esquemática, o génio de Miles ia por caminhos que o génio de Coltrane não estava disposto a seguir. E vice-versa: o primeiro lançara Kind of Blue no ano anterior, o segundo Soultrane em 1958. Daí que estes cinco concertos — dois em Paris, um em Copenhaga, dois em Estocolmo — estejam pontuados por capítulos de evidentes dissonâncias, por assim dizer entre a aritmética intimista do trompete e a vertigem galáctica do saxofone. Pois bem, tal conflito ficou como um dos mais belos capítulos da história do jazz, com todos os músicos (ouçam-se, por exemplo, as sofisticadas deambulações de Kelly) a desafiarem os seus próprios limites técnicos e criativos, expondo às suas atónitas audiências a beleza de uma liberdade tão material quanto espiritual. Depois do também fundamental Freedom Jazz Dance, editado em 2016, com o "outro" quinteto de Miles (Wayne Shorter, Herbie Hancock, etc.), este é o prodigioso Vol. 6 da série de "bootlegs" do trompetista — eis o som de So What (tema de abertura de Kind of Blue), registado no segundo concerto da noite de 22 de Março de 1960, no Konserthuset, de Estocolmo.

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Bruce Springsteen
Keith Jarrett
Spiritualized
boygenius
Shemekia Copeland
Jorja Smith
Danish String Quartet
Neil Young
SOPHIE

sexta-feira, agosto 03, 2018

Que viva Coltrane!

Se for necessário citar um álbum, um só, da discografia de John Coltrane (1926-1967) ao longo da década de 60, a escolha tem qualquer coisa de compulsivo: A Love Supreme (1965) é, de uma só vez, a cristalização perfeita do bop ou hard bop e uma afirmação radical de uma lógica de experimentação e improviso inseparável de uma inigualável pureza poética (enfim, não simplifiquemos: Kind of Blue, de Miles Davis, é de 1959...). Mas não são os tops ou as classificações o mais importante. O que, realmente, importa não esquecer é que a década de 60 foi, para Coltrane, então ligado à etiqueta Impulse!, um período de fascinante criação e reinvenção, desafiando sempre os seus próprios limites.
Pois bem, este Verão de 2018 essa história adquiriu um novo e esplendoroso capítulo com a edição de um conjunto de inéditos cujo reunião em álbum ficou, na altura, adiada [ler, a esse propósito, a contextualização de Giovanni Russonello no New York Times]: Both Directions at Once: The Lost Album é o fascinante registo de uma única sessão, no dia 6 de Março de 1963, com Coltrane acompanhado pelos fiéis McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (contrabaixo) e Elvin Jones (bateria), os mesmos de A Love Supreme — em boa verdade, este é o quarteto que encontramos noutros registos fundamentais, da mesma época, como Ballads (1963), John Coltrane and Johnny Hartman (1963), Live at Birdland (1964) e Crescent (1964).
Como refere Hank Shteamer, encontramos aqui matéria preciosa para compreendermos como Coltrane pensava a sua própria evolução [Rolling Stone]. Enfim, dir-se-ia que, mesmo através da sua incompletude, Both Directions at Once é um testemunho exemplar dessa capacidade de ir por um caminho e... experimentar outro, até porque podemos escutar várias, e bem diferentes, takes de alguns dos temas — eis duas faixas do álbum: Untitled Original 11383 (Take 1) e Slow Blues; em baixo, recordamos Psalm, de A Love Supreme.