Voltamos ao cinema, mas hoje através das edições em formatos de home vídeo. Resolvi dividir as listas entre edições em DVD e Blu-ray, já que entre nós o volume de lançamentos em tecnologia HD não é ainda dominante e muitos foram os casos de edições importantes que vale a pena destacar. Estas listas referem sobretudo a presença de títulos que não correspondem necessariamente ao plano das estreias em sala mais recentes (quando isso acontece é porque os extras valorizam as edições), sendo sobretudo dominadas pela presença de obras anteriores a 2011, antologias ou mesmo filmes que não tiveram estreia no nosso circuito comercial (algumas nem sequer mesmo em festivais). De ficção televisiva só vi, que me entusiasmasse mesmo, The Newsroom... E ainda não chegou a estes lados em DVD ou Blu-ray...
DVD
O filme venceu o DocLisboa no ano passado e teve estreia comercial em sala este ano. Mas não só é um dos mais surpreendentes filmes de produção nacional mais recente e nos dá um olhar sincero e tranquilo sobre um espaço que assim descobrimos no seu ritmo próprio, como ao chegar ao DVD revelou mais que apenas o filme. Na verdade a edição de É Na Terra Não É Na Lua é um exemplo do que pode ser o valor acrescentado de um lançamento em DVD, não só pelas (bem arrumadas) duas horas de imagens extra que acrescenta num segundo disco, como pelo diário de rodagem que, na forma de livro, soma experiências ao que foi a vivência de Gonçalo Tocha e Dídio Pestana durante as suas viagens à Ilha do Corvo, afinal o objeto do seu olhar. Da restante lista destaca-se a muito oportuna caixa (a primeira de um díptico) dedicada ao cinema de Béla Tarr, que chega no ano do sublime O Cavalo de Turim, que foi na verdade o seu primeiro filme a ter estreia comercial entre nós. Importante é também o três-em-um de João Salaviza que junta num mesmo DVD três curtas (Arena, Cerro Negro e Rafa) que, juntas, definem algumas características comuns e interessante base de trabalho para o estabelecer da sua própria linguagem. Passam ainda por aqui filmes que não estrearam em sala (mas que deviam ter estreado, até mesmo com potencial de mercado) como Maria-Rapaz, um poderoso olhar sobre identidade de género por Céline Sciama, Pão Negro, mais uma incursão de Agusti Villaronga pelas memórias da guerra civil espanhola, uma narrativa sobre imigração ilegal na fronteira entre os EUA e o Canadá por Courtney Hunt ou um dos mais interessantes retratos alguma vez feitos em cinema sobre a história dos Beatles em O Rapaz de Liverpool, que recua aos dias em que Lennon vivia na casa da sua Tia Mimi. Deste ano editorial merece ainda destaque a soma de olhares de Sergei Loznitsa sobre imagens dos tempos do cerco de Leninegrado (em plena II Guerra Mundial), a recuperação de dois títulos fulcrais do cinema de Koreeda ou, finalmente, a recuperação de um clássico radical do new queer cinema assinado em 1993 por Gregg Araki
1. É Na Terra Não é Na Lua, de Gonçalo Tocha (Alambique)
2. Coleção Béla Tarr, de Béla Tarr (Midas Filmes)
3. III Filmes de João Salaviza, de João Salaviza (Midas Filmes)
4. Maria-Rapaz, de Céline Sciama (Leopardo)
5. Totalmente Lixados, de Gregg Araki (Films 4 You)
6. Pão Negro, de Augusti Villalonga (Leopardo)
7. O Cerco de Leninegrado, de Sergei Loznitsa (Alambique)
8. O Rapaz de Liverpool, de Sam Taylor Wood (Zon Lusomundo)
9. Ninguém Sabe / Andando, de Hirokazu Koreeda (Leopardo)
10. Rio Gelado, de Courtney Hunt (Zon Lusomundo)
Blu-ray
Pelo Blu-ray têm regressado à vida uma série de títulos, agradecendo o espectador as vantagens do restauro digital na era da alta definição. Editada para já apenas para zona A (ou seja, as Américas), a trilogia Qatsi, de Godfrey Reggio (que junta os filmes Koyaanisqatsi, Powaqqatsi e Naqoyqatsi) é um dos exemplos maiores do relacionamento do mundo das imagens com o da música através de três experiências de diálogo muito próximo entre o realizador e Philip Glass, o compositor. Três visões do mundo do nosso tempo (a terceira, na verdade, coisa menor) que mereciam lançamento também por território europeu... Apesar de editados no Reino Unido ainda em 2011, o clássico Deep End de Skolimovsky sobre as leis do desejo (de 1970, aqui num restauro magnífico e bem acompanhado por um booklet extenso) e How I Ended This Summer, de Popogrebsky, que encena um espantoso confronto entre gerações com cenário num posto científico no Ártico, chegaram-me às mãos já em 2012 e marcaram o meu ano de visionamentos (e por isso estão na lista). Ao nosso mercado chegaram boas edições recordando filmes de Malick, Spielberg, Hitchcock, Lean ou Hawks. Entre o melhor que o ano nos deu conta-se ainda uma edição substancialmente rica em extras de Things To Come, utopia de ficção científica de 1936 de William Cameron Menzies e o documentário de Patricio Guzman Nostalgia For The Light, que nos mostra, com o deserto do Atacama por cenário, casos distintos de procura: a dos astrónomos que buscam pistas nos céus, a dos arqueólogos que procuram vestígios de antigos trilhos andinos e as mulheres que não desistiram de ali encontrar os restos de maridos, irmãos e filhos desaparecidos durante o regime de Pinochet.
1. Qatsi Trilogy, de Godrey Reggio (Criterion)
2. Deep End, de Jerzy Skolimovsky (BFI Video)
3. How I Ended This Summer, de Alexei Popogrebsky (New Wave)
4. A Barreira Invisível, de Terrence Malick (CLMC)
5. Things To Come, de William Cameron Menzies (Network)
6. E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg (Zon Lusomundo)
7. Lawrence da Arábia, de David Lean (Sony Pictures)
8. Obras Primas de Alfred Hitchcock (Zon Lusomundo)
9. Os Homens Preferem as Loiras, de Howard Hawks (CLMC)
10. Nostalgia For The Light, de Patricio Guzman
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sábado, dezembro 22, 2012
quinta-feira, dezembro 13, 2012
Figuras de 2012: João Salaviza
Não foi apenas a vitória na Berlinale, que lhe deu um Urso de Ouro pelo belíssimo Rafa. Foi a forma como soube usar o microfone no tempo de antena para os agradecimentos (como o fez também Miguel Gomes) para levar mais longe das nossas fronteiras o clima de estagnação em que viveu a produção cinematográfica portuguesa em 2012 e que, apesar de ter já nova lei do cinema aprovada, não está ainda regulamentada, adiando para 2013 a abertura de concursos (que este ano, sublinhe-se, não houve). De resto, João Salaviza soube ser uma das mais presentes e vivas vozes nas várias ações de protesto e chamada de atenções para o sector que o ano foi acolhendo. Somemos a isto a edição em DVD, pela Midas Filmes, das curtas Arena, Cerro Negro e Rafa. E a preparação de uma primeira longa-metragem...
segunda-feira, abril 30, 2012
IndieLisboa 2012 (dia 5)
Quinto dia do IndieLisboa, conta hoje entre os destaques com a passagem de The Loneliest Planet, de Julia Loktev, pelas 21.30 na Culturgest. Protagonizado por Gael Garcia Bernal e Hani Furstenberg, o filme acompanha uma caminhada de montanha de um jovem casal e observa como um pequeno gesto, que não pode ser esquecido, pode mudar uma relação. Entre as muitas curtas a ver nos vários programas hoje passa uma vez mais Cerro Negro, de João Salaviza (no programa Competição Internacional Curtas 7, no pequeno Auditório da Culturgest pelas 16.45). O festival passa ainda Palácios de Pena, de Gabriel Abrantes (no programa Competição Nacional Curtas 4, às 19.00 no Grande Auditório da Culturgest).
No novo blogue de cinema do DN escrevi sobre mais dois filmes que vi no Indie Music:
Amma Lo-Fi, de Ingibjörg Birgisdóttir, Kristín Björk Kristjánsdóttir e Orri Jónsson
“A sala está arrumada. Não apenas arrumada, mas bem limpa. Junto a um armário um naperon de renda cobre um sintetizador. E eis que chega a protagonista. Nasceu na Dinamarca, lembra-se do dia em que os alemães entraram na sua cidade, dos anos que viveu no Brasil e de como, mais tarde, procurou nova casa na Islândia, onde vive. Aos 70 anos Sigridur Nielsdóttir descobriu a música. Ou, antes, descobriu que podia fazer canções. Primeiro na cozinha, mudando o aparato para a sala do apartamento na cave, onde vive, pouco depois. Hoje já tem mais de 50 álbuns gravados, é conhecida como a “avó lo-fi” e está transformada numa figura de culto contando entre os seus admiradores com os Múm (banda islandesa cuja música já chegou a estas latitudes)”. Ler aqui o texto completo
Wild Thing, de Jérome de Missolz
“Partilhar memórias pessoais com a visão de quem as protagonizou. Foi este o motor que conduziu Jérôme de Missolz até Wild Thing, uma história pessoal de seis décadas de cultura rock’n’roll. O realizador parte assim em busca “dos últimos dos últimos incorruptíveis”, o filme propondo um percurso cronologicamente arrumado dos acontecimentos desde as primeiras erupções de novas ideias com Little Richard e outros primeiros heróis como Chuck Berry (a quem Iggy Pop chama o Shakespeare do rock’n’roll) para avançar depois pelos anos 60 (onde começa por focar os Animals, Rolling Stones e The Who, abrindo espaço aos Byrds, que descreve como “a reação americana aos Beatles” e depois ao psicadelismo, escutando os Pink Floyd, citando os Doors e ouvindo John Echols, dos Love)” – Ler aqui o texto completo
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