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quinta-feira, novembro 24, 2011

Sound + Vision Magazine:
as escolhas de Novembro



Entre livros, discos, DVD e Blu Ray viveu mais uma edição do Sound + Vision Magazine, que ontem decorreu ao fim da tarde na Fnac Chiado. Além das escolhas pessoais de cada um dos autores deste blogue falou-se do álbum 50 Words For Snow de Kate Bush, do novo teledisco dos Duran Duran realizado por Jonas Akerlund, do cinema de Gus Van Sant (a propósito do novo Restless, mas evocando também o magnífico Elephant) e, a fechar, a recente reedição em DVD e Blu Ray de O Rei Leão.

Aqui ficam, para arrumar ideias as, escolhas apresentadas nesta edição do Sound + Vision Magazine:

Discos
JL:
Keith Jarrett “Rio” (ECM/Dargil)
Stacey Kent “Dreamer In Concert”
Miles Davis “Live In Europe 1967 – Bootleg Series Vol 1”

NG:
Heróis do Mar “Heróis do Mar: 1981-1989”
Atlas Sound “Parallax”
Osso Vaidoso “Animal”

DVD/Blu Ray
JL:
“Isto Não é Um Filme”, de Jafar Panahi

NG:
“Tulpan”, de Sergei Dvortsevoy
“George Harrisson: Living In The Material World”, de Martin Scorsese
“Essential Killing”, de Jerzy Skolimowski

Livros
JL:
“Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski (duas traduções, uma da Ed. Presença, outra da Relógio d’Água)
“Helmut Newton - Polaroids”, de Helmut Newton

NG:
“D. Pedro V – Um Homem e um Rei”, de Ruben Andresen Leitão
“Liszt – Vida e Obra”, de Malcolm Hayes
“Sérgio Godinho e as 40 Ilustrações”, por vários autores

A próxima edição do Sound + Vision Magazine será um especial de Natal. Em breve anunciaremos aqui a data da sua realização.

sábado, outubro 22, 2011

Nos 200 anos de Franz Liszt


Assinalamos hoje os 200 anos de Franz Liszt. Este texto foi originalmente publicado no DN a 20 de Agosto com o título ‘Um mundo de gravações nos 200 anos de Liszt’. 

Há um começo para tudo. E foi com Franz Liszt (1811-1886)que a ideia do concerto para apenas um pianista em palco (podemos chamar-lhe "recital") ganhou o seu lugar no mundo da música com os anos, tornando-se mesmo num dos espaços de maior protagonismo no panorama da música clássica. Além de pianista, este húngaro nascido a 22 de Outubro de 1811 foi também maestro e professor. Abade mais adiante. E, claro, um dos compositores de maior relevo do período romântico.

Com Liszt surgiu um novo tipo de "estrela" no mundo da música: o pianista. Aquele cujos dedos dão que falar. O intérprete que soma carisma e dotes interpretativos a obras que assim ganham uma alma pessoal quando por si apresentadas. Ou, como este ano descreveu o pianista Stephen Hough em artigo publicado no jornal The Guardian, "o virtuoso que toma o centro do palco por todo um serão, tocando para uma plateia concentrada". Liszt espanta ainda ao tocar de cor (algo antes quase impensável). E, como maestro, é dos primeiros a entender esse lugar como espaço de afirmação de personalidade. Divulga obras de Berlioz, monta a primeira representação do Lohengrin, de Wagner, e de outras óperas como Genoveva de Schumann, Alfonso und Estrella de Schubert ou Sansão e Dalila de Saint-Saëns. Cria transcrições para piano de obras orquestrais de Beethoven (que o vira em concerto em 1823 em Viena), de Bellini ou Gounod. Convive com Chopin, George Sand, Lamartine... Actua em França, Alemanha, Bélgica, Suíça, Itália, Espanha, Inglaterra e, entre outros países, Portugal, em concreto em Lisboa, onde esteve entre 15 de Janeiro e 25 de Fevereiro de 1845.

"A minha cabeça e os meus dedos têm trabalhado como se estivessem possessos", descreveu uma vez Franz Liszt numa carta a um amigo quando tinha ainda 21 anos. E acrescenta: "Se não enlouquecer encontrarás em mim um artista." Tinha razão. Daí que qualquer retrato de Liszt não fique apenas por esta determinante contribuição para a história da relação do músico com o piano e do instrumento com a plateia. E é desses outros feitos que vivem grande parte das edições discográficas e programas de concertos que, neste ano, dele fazem um pólo de atenções.

Em tempo de celebração dos 200 anos do seu nascimento, não faltam títulos novos nos escaparates das edições discográficas, desde as caixas antológicas a novas gravações. Entre as edições de maior relevo conta-se uma gigantesca caixa, com 99 CD, na qual Leslie Howard apresenta gravações da obra integral para piano do compositor. Lançada pela Hyperion, Liszt : The Complete Piano Music (na foto à direita) é uma aventura que o próprio pianista descreve como "a viagem de uma vida" e que mereceu já o elogio na edição de Junho da revista da especialidade Grammophone. A caixa representa o maior projecto de reunião de gravações por apenas um músico. Entre as caixas comemorativas conta-se ainda Liszt : The Collection, 34 CD em antologia de música orquestral, para piano e órgão, pela Deutsche Grammophone. Ou, pela Brilliant Classics, A Liszt Portrait, que soma um CD-Rom a 30 CD de obras gravadas. Avulso, abundam sobretudo as gravações de obras de piano , de gravações históricas de Wilhelm Kempff a novos registos por Nelson Freire, Lang Lang, Pierre Laurent Aimard ou Benjamin Grosvenor.

Ao mesmo tempo multiplicam-se os programas de concertos e exposições em sua homenagem. Budapeste, capital da Hungria, é uma das cidades naturalmente mais atentas às comemorações, com um programa de concertos que abriu em Janeiro e se estende até Dezembro.



Algumas das muitas edições lançadas para assinalar os 200 anos de Liszt.

domingo, outubro 16, 2011

O legado de um grande pianista


Mais uma edição que assinala os 200 anos de Liszt. Aqui evocando o seu legado enquanto pioneiro na expressão do pianista como figura de protagonismo maior. E numa caixa de 10 CD recordam-se gravações de cinco grandes pianistas. Ou seja, cinco herdeiros de Lizst... 

Uma efeméride é muitas vezes palco para uma mão cheia de edições discográficas. E tal como há um ano aconteceu com Mahler, a obra de Franz Lizst (1811-1886) tem sido visitada por sucessivas edições e reedições, levando a disco registos de uma diversidade de obras de sua autoria, de peças orquestrais a obras para piano. The Liszt Legacy é uma proposta diferente. Toma Liszt como figura central não enquanto compositor, mas antes evocando os seus dotes de virtuoso para piano, a criação de um novo modelo de pianista enquanto “estrela” e da noção de recital para este instrumento como um novo (e importante) espaço desde então presente no calendário de salas de concerto.

Procurando registos gravados entre o seu vasto catálogo, a Deutsche Grammophon junta assim uma série de gravações, todas inéditas em CD, algumas na verdade nunca antes sequer editadas em disco. Este é o caso em concreto dos dois discos dedicados a Claudio Arrau (1903-1991), cujas interpretações de obras de Beethoven e Chopin, registadas em 1954, permaneciam nos arquivos da editora, sem que nunca mais ninguém as tivesse escutado. A estas gravações juntam-se interpretações assinadas por nomes como Alicia de Larrocha (1923-2009) – que interpreta peças de Turina, Granados, Mompu, em gravações de 1955 e 56 – Raymon Lewenthal (1923-1988) – que toca Scriabin, Saint Saëns, Mendelssohn, Rachmaninov, Schumann, Alkan, Czerny, Della Ciaia, Bach, Prokofiev, Debussy, Ravel, Zhelobinsky, Rubinstein, Massanet, Menotti, Liszt e uma peça da sua própria autoria, gravadas em 1957 – Benno Moseiwitsch (1890-1963) – ao som de Schumann, Mussorgsky e Beethoven, em gravações de 1961 – e Egon Petri (1881-1962) – que interpreta peças de Mendelssohn, Gounod, Beethoven, Liszt, Busoni, Bach e Buxtehude. Clássicos maiores da música para piano, por pianistas célebres do catálogo da Decca, da Deutsche Grammophon e da Westminster Records. Celebrando um modelo que definiu, em grande parte, a forma como desde então o piano vive um espaço de considerável entre os espaços (dos palcos aos discos) da música clássica.

domingo, outubro 09, 2011

A arte de criar a ilusão da cor


Gravação ao vivo dos dois concertos para piano de Franz Liszt por Daniel Baremboim (ao piano), acomopanhado pela Staatskapelle Berlin, dirigida por Pierre Boulez. Um dos momentos maiores, até ao momento, do ano Liszt, num lançamento da Deutsche Grammophon. 

As efemérides, afinal, até servem para alguma coisa. E se fosse preciso encontrar uma justificação (entre tantas outras possíveis, é verdade) para as celebrações dos 200 anos de Franz Lizst, bastava apontar o disco que acaba de ser lançado no catálogo da DG juntando os nomes de Pierre Boulez e Daniel Baremboim em torno dos concertos para piano e orquestra do compositor húngaro. Dividindo muita da sua actividade entre o piano e a direcção de orquestras, Daniel Baremboim apresenta aqui a sua primeira gravação destes concertos. A seu lado a Staatskapelle Berlin, mas com a batuta entregue ao veterano Pierre Boulez, num registo que assim propõe dois protagonistas peso maior. Esta é uma gravação ao vivo, captada ao vivo durante a pequena digressão que levou Baremboim, Boulez, estes concertos e a orquestra a cinco cidades.

No texto que encontramos no booklet Baremboim explica que uma das razões que o levou a pensar esta apresentação conjunta dos dois concertos se deve às diferenças que existem entre ambos, lembrando que o Concerto Nº 2, se bem que habitualmente menos apresentado em programas que o primeiro, não deixa de ser uma “obra-prima”, acrescentando até que o cromatismo do primeiro andamento lhe lembra o Lohengrin, de Wagner.

Das duas composições muito já se escreveu, levantando por vezes um debate antigo que questiona se terá sido Liszt um “brilhante tecnicista” (no sentido do virtuosismo que aplicava não apenas à escrita mas também à interpretação) ou se um “poeta sensível”. Na verdade, escutando estas duas obras, de fio a pavio, há que levantar uma terceira hipótese (certamente já colocada): e porque não a soma de ambas? De resto, numa abordagem ao trabalho interpretativo, Baremboim refere no booklet há que ter em conta outras formas de entender o sentido de virtuosismo. Uma expressão que “não significa apenas uma dexteridade digital”, mas também a “exploração de toda a paleta de cores que faz parte da interpretação pianística”. Baremboim propõe então uma imagen: podemos tocar num piano com um cinzeiro. “Não é interesante, não é belo, mas ao menos é um som. Por isso a arte de tocar piano é uma ilusão. E é precisamente a neutralidade do piano que permite a criação da ilusão da cor”. Daí conclui que, para si, o verdadeiro virtuosismo “não é apenas o controlo do tempo e dinámica, mas também dos milhões de cores que podemos criar ao piano como uma forma de ilusão”. Consegue-o, e de forma exemplar, acompanhado por uma segura direcção de Boulez, frente a uma orquestra em grande forma.

domingo, julho 31, 2011

Liszt num olhar transversal


Em 34 discos, recuperando gravações do catálogo da Deutsche Grammophon, 
um olhar transversal pela obra de Franz Liszt em 'Liszt - The Collection', 
caixa que assinala os 200 anos do nascimento do compositor.

Assinalam-se este ano, a 22 de Outubro, os 200 anos do nascimento do húngaro Franz Liszt. Compositor, mas também pianista virtuoso e professor, Liszt é um dos grandes nomes do romantismo e uma figura marcante na história da música. É sua a ideia da criação de concertos para apenas um pianista, sendo inclusivamente sua a designação de “recital solista” para os caracterizar e o estatuto de grande reconhecimento que conheceu em vida deve-se não apenas à música que assinou mas também à popularidade conquistada pelo seu trabalho como intérprete.

Entre a multidão de edições que assinalam em 2011 os 200 anos do nascimento do compositor conta-se esta caixa pela qual passa um olhar transversal pela sua obra, através da recolha de gravações dos arquivos da Deutsche Grammophon. A “arrumação” ordena, ao longo da caixa, os trabalhos para piano e orquestra (nove discos), peças para piano (12 discos), composições para órgão ( dois discos), lieder (cinco discos) e obras de música sacra vocal (seis discos).

O “elenco” de nomes convocados é de primeira linha envolvendo, entre outros, Seiji Ozawa (maestro), Krystian Zimeman (pianista), Giuseppe Sinopoli (maestro), Herbert von Karajan (maestro), Georg Solti (maestro), Bernard Haitink (maestro), Wilhelm Kempf (pianista), Claudio Arrau (pianista), Daniel Baremboim (como pianista) ou Dieter Fischer-Diekau (barítono) e orquestras como, entre outras, a Boston Symphony Orchestra, a London Symphony Orchestra, a Filarmónica de Berlim ou a Staatskapelle Dresden.

Belíssima selecção (com boas gravações e interpretações aclamadas), a caixa Liszt - The Collection peca apenas no booklet que, em 38 páginas, não mais apresenta senão a ficha técnica de cada disco (e do que cada um apresenta). Sem, portanto, uma contextualização que faria todo o sentido perante uma obra antológica desta dimensão.