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domingo, junho 15, 2025

Fiona Apple: como fazer uma canção política

Nas suas actividades filantrópicas e de apoio social, Fiona Apple tem servido como observadora do funcionamento dos tribunais, deparando com muitas situações em que as pessoas presentes aos juízes (sobretudo mulheres), mesmo quando não se confirma qualquer acusação, só são libertadas depois de pagarem uma fiança específica (cash bail: valor médio de 10 mil dólares) para os seus casos. Na prática, sem condições para pagar o valor imposto por lei, acabam por ser encarceradas.
A autor de Fetch the Bolt Cutters (o seu álbum mais recente, 2020) decidiu dar conta da situação numa composição de sua autoria. Pretrial (let her go home) é um exemplo modelar do que é, ou pode ser, um tema de consistente intervenção política, alheio a estereótipos "militantes" — ficará, por certo, como uma das grandes canções de 2025.
 

segunda-feira, maio 05, 2025

Dennis Hopper por The Waterboys

Coisa séria: um álbum conceptual (de vez em quando, o adjectivo não é mera pretensão e faz mesmo sentido) em torno das memórias de Dennis Hopper (1936-2010), com assinatura da banda de Mike Scott, The Waterboys. Chama-se Life, Death and Dennis Hopper e conta com várias colaborações que vale a pena ir descobrindo. Para já, fiquemo-nos por Fiona Apple, cujo álbum mais recente, Fetch the Bolt Cutters, data de 2020 — eis uma pequena obra-prima de desencontradas emoções, Letter from an Unknown Girlfriend.
 

sábado, dezembro 19, 2020

10 álbuns de 2020 [1]

Fiona Apple 

Tão só a certeza de que não se trata de colocar palavras na música ou inventar música para as palavras: tudo nasce num mesmo tempo, tudo pertence a uma unidade orgânica com vocação utópica. Dito de forma pedagógica: Fiona Apple volta a mostrar e demonstrar que deambulação experimental e intimidade poética são uma e a mesma coisa. Em 2020, nessa imaculada liberdade criativa, ninguém a igualou — exemplo: Under the Table

segunda-feira, abril 20, 2020

Fiona Apple, opus 5

Obra-prima. 5 estrelas. Álbum do ano.
Tudo isso. E mais. Por uma vez, neste tempo em que o social está condenado a ser predominantemente virtual, eis a Net a acolher um coro de vozes entusiásticas (ao qual se junta agora este humilde ouvinte), consagrando o álbum nº 5 de Fiona Apple — um prodígio de invenção, imaginação e sensibilidade: Fetch the Bolt Cutters surgiu a 17 de Abril, quase oito anos passados sobre The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do (lançado a 18 de Junho de 2012), mas valeu a pena esperar. Esperando também por outras digressões com as 13 canções do álbum, eis o tema-título.

I've been thinking about when I was trying to be your friend
I thought it was then, but it wasn't, it wasn't genuine
I was just so furious, but I couldn't show you
'Cause I know you and I know what you can do
And I don't want a war with you, I won't afford it
You get sore, even when you win

And you maim when you're on offense
But you kill when you're on defense
And you've got them all convinced
That you're the means and the end
All the VIPs and PYTs and wannabes
Afraid of not being your friend


And I've always been too smart for that
But you know what? My heart was not
I took it like a kid, you see
The cool kids voted to get rid of me
I'm ashamed of what it did to me
What I let get done
It stole my fun, it stole my fun

Fetch the bolt cutters, I've been in here too long
[...]
He sings so nice, I guess he tries (I've been thinking about when I was trying to be your friend)
(I thought it was then, but it wasn't, it wasn't genuine)

Fetch the bolt cutters, I've been in here too long
Fetch the bolt cutters (I've been in here too long)
Whatever happens, whatever happens (Whatever happens)
Fetch the bolt cutters, I've been in here too long
Fetch the bolt cutters

While I'd not yet found my bearings
Those it girls hit the ground
Comparing the way I was to the way she was
Sayin' I'm not stylish enough and I cry too much
And I listened because I hadn't found my own voice yet
So all I could hear was the noise that
People make when they don't know shit
But I didn't know that yet

I grew up in the shoes they told me I could fill
When they came around, I would stand real still
A girl can roll her eyes at me and kill
I got the idea I wasn't real
I thought being blacklisted would be grist for the mill
Until I realized I'm still here (I'm still here)
I grew up in the shoes they told me I could fill
Shoes that were not made for running up that hill
And I need to run up that hill, I need to run up that hill
I will, I will, I will, I will, I will

Fetch the bolt cutters, I've been in here too long
Fetch the bolt cutters, whatever happens, whatever happens
[...]


>>> Mesa-redonda sobre Fetch the Bolt Cutters na NPR.

quinta-feira, novembro 21, 2019

Fiona Apple na banda sonora de "The Affair"

Já sabíamos que Fiona Apple tinha gravado o clássico The Whole of the Moon, de The Waterboys, para o episódio final da série televisiva do canal Showtime, The Affair. Embora correndo o risco de envolver alguns spoilers, a nova versão já circula pela Net através das imagens da própria série — grande canção, admirável Fiona Apple.

quarta-feira, novembro 06, 2019

Fiona Apple + The Waterboys

O título era épico: The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do... E a música também. Foi um dos grandes discos de 2012 e, desde então, não tivemos novo álbum de Fiona Apple. A boa notícia é que vem aí outro — sairá em 2020 e será o quinto título da sua discografia.
Entretanto, Fiona fez-nos a doação de um pequeno prodígio de criação/reinvenção: uma versão do clássico The Whole of the Moon, tema incluído no não menos clássico This Is the Sea (1985), de The Waterboys. Trata-se de uma gravação para o episódio final da série The Affair [Showtime] — recorde-se que o primeiro episódio abrira com o original da banda de Mike Scott. Eis dois momentos de excepção.



terça-feira, janeiro 01, 2019

domingo, março 27, 2016

Andrew Bird + Fiona Apple

Haverá, por certo, boas razões para voltarmos ao novo álbum do americano Andrew Bird, Are You Serious. De qualquer modo, registe-se, para já, uma pequena maravilha que dá pelo nome de Left Handed Kisses, crónica amarga e doce das ilusões românticas, em dueto com a sempre admirável Fiona Apple (cujo último álbum, The Idler Wheel..., já tem quase quatro anos) — o teledisco, maravilhosamente simples, tem assinatura de Philip Andelman.

terça-feira, dezembro 31, 2013

5 telediscos de 2013

Confesso a minha visão parcial: não me é fácil aderir a um teledisco cuja canção me seja indiferente... Por isso, este não é um top de "melhores" telediscos do ano, mas apenas uma pequena antologia de sintomas das coisas extraordinárias que a MTV passou a secundarizar, privilegiando os horrores da "reality TV", e as televisões generalistas gostam de ignorar. Dito de outro modo: as alianças entre música e imagens tiveram um ano muito bom — para ver e ouvir, para escutar através da visão.

*

* HOT KNIFE, Fiona Apple
> real.: Paul Thomas Anderson

Senhora de enigmática nobreza, Fiona Apple expõe-se como um corpo revitalizado pela própria música que dele emana. No nosso cinismo banal, diremos, talvez, que Paul Thomas Anderson se limitou a filmá-la em tradicional playback... Pois.


* RESERVOIR, PUP
> real.: Chandler Levack e Jeremy Schaulin-Rioux

São punk mesmo punk, sem pós-modernismos chiques. E do Canadá! Nesta requintada encenação perpassa uma urgência documental que reduz a pó as "coisas reais" que a televisão nos impinge todos os dias. Ponham bolinha vermelha.


* FEEL REAL, Deptford Goth
> real.: Aneil Karia e Daniel Woolhouse

Admirável reconversão do corpo como instrumento musical: ponto de fuga de todas as formas e, ao mesmo tempo, objecto cúmplice do desejo de escrita. Não há diferença entre o mapa da pele e a imaginação dos cosmos.


* TEMPEST, Lucius
> real.: Scott Cudmore

Subitamente, a inocência pop adquire contornos de inquietude. E a cena familiar transfigura-se em teatro da crueldade (merci, monsieur). Em comparação, Miley Cyrus, a pôr a língua de fora, não passa de uma menina mal educada.


* DESPAIR, Yeah Yeah Yeahs
> real.: Patrick Daughters

Karen O é também um bicho visual. Entenda-se: uma daquelas divas que se dá bem com a câmara e conhece as nuances de todas as poses. Além do mais, como diria o outro, basta por a banda no topo do Empire State Building... Pois, pois.

quarta-feira, julho 24, 2013

Fiona by P. T. Anderson

Sugere-se ao leitor que cancele compromissos sociais (e desligue o telemóvel!) nos próximos 4 minutos (+ 10 segundos): o novo teledisco de Fiona Apple é um daqueles acontecimentos que merece a nossa disponibilidade total, se possível com uma boa e descomplexada dose de reverência.
Hot Knife, do álbum The Idler Wheel... (um dos acontecimentos de 2012), chega-nos transfigurado por uma primorosa realização de Paul Thomas Anderson (o mestre de The Master). Aliás, fiel à lírica de Fiona — He makes my heart a cinemascope... —, Anderson explora o formato largo para a encenar num fascinante jogo de espelhos. Como num filme. 


>>> Site oficial de Fiona Apple.

sábado, dezembro 22, 2012

Os melhores discos de 2012 (J.L.)


1. Patti Smith, Banga
2. Fiona Apple, The Idler Wheel...
3. Dan Deacon, America
4. Frank Ocean, Channel Orange
5. Bob Dylan, Tempest
6. Bruce Springsteen, Wrecking Ball
7. alt-J, An Awsome Wave
8. Spiritualized, Sweet Light, Sweet Light
9. Divine Fits, A Thing Called Divine Fits
10. Angel Haze, Reservation

Memórias contraditórias do ano musical: por um lado, tenho consciência de que não tive possibilidade de escutar na íntegra — ou com a devida atenção — alguns álbuns que continuam a despertar-me, no mínimo, uma aguda curiosidade (os Pet Shop Boys, por exemplo, ainda estão em lista de espera...); por outro lado, num rápido balanço, deparo com uma lista francamente impressionante de assinaláveis proezas musicais em que, além dos incluídos neste sempre instável top, poderia citar a experiência “antiga” de Leonard Cohen (Old Ideas), The Roots (Undun), Bobby Womack (The Bravest Man in the Universe), Jack White (Blunderbuss) ou The Walkmen (Heaven), a par da tocante frescura de alguns magníficos “novatos”, incluindo a prodigiosa Angel Haze, com direito ao top dos “grandes”. Dos outros mais ou menos estreantes, vale a pena ficar com um breve ‘Top 5’:
I. Lianne La Havas, Is Your Love Big Enough?
II. Tame Impala, Lonerism
III. Jessie Ware, Devotion
IV. Now, Now, Threads
V. THEESatisfaction, Awe Naturale

Last but not least, este foi também o ano em que saíu a maravilhosa antologia de Amy Winehouse, At the BBC. Aqui fica uma memória, tão longe, tão perto.

terça-feira, julho 03, 2012

Novas edições:
Fiona Apple, The Idler Wheel...


Fiona Apple
“The Idler Wheel...”
Clean State / Sony Music
4 / 5

Sete anos de ausência... Longe vão de facto os tempos em que muitos músicos chegavam a lançar dois álbuns por ano. Os ciclos de vida dos discos mudaram, as rotinas de palco também. E um intervalo desta extensão, mesmo invulgar, não constitui mesmo assim uma surpresa maior. O certo é que não foram só os admiradores de Fiona Apple que esperaram muito pelo fim do silêncio. A própria estrutura da sua editora só soube do disco já com ele gravado e terminado... Convenhamos que valeu a espera. Com o título The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do (e para poupar espaço passamos a referir o disco como The Idler Wheel...) o disco revela uma cantora que encontrou o espaço para uma escrita que sabe valorizar aquela que é a mais vincada e pessoal das suas características: a voz. E daí, desde logo, a opção estrutural de contenção nos arranjos, as canções servindo-se da paleta minimalista que é concedida pelo piano e (vários) instrumentos de percussão. A escrita sublinha o carácter pessoal de vivências e experiências contadas e partilhadas. A voz vive as palavras com um saber interpretativo que sugere afinidades jazzísticas mas que na verdade mora para lá das fronteiras das arrumações sistemáticas. A cenografia acrescenta ângulos e linhas, numa economia de elementos que, sem despir os arranjos, antes procurando outras soluções, valoriza afinal a presença vocal e amplifica o sentido do que se conta... O disco mostra, no fim, como uma ideia de desafio pode passar longe da vanguarda da invenção das formas que pensam os dias do futuro.

PS. Não proteste quem pense que o álbum tem título comprido. Basta recordar que em 1999 a mesma Fiona Apple editou When the Pawn Hits the Conflicts He Thinks Like a King What He Knows Throws the Blows When He Goes to the Fight and He'll Win the Whole Thing 'Fore He Enters the Ring There's No Body to Batter When Your Mind Is Your Might So When You Go Solo, You Hold Your Own Hand and Remember That Depth Is the Greatest of Heights and If You Know Where You Stand, Then You Know Where to Land and If You Fall It Won't Matter, Cuz You'll Know That You're Right... A contenção também se manifesta por aqui (apesar do disco imediatamente anterior a este novo, editado em 2005, ter tido por título o mais... curto, Extraordinary Machine).

quarta-feira, junho 20, 2012

Fiona Apple canta Paul McCartney

Foi, por certo, uma das mais belas prendas de parabéns oferecidas a Paul McCartney — 70 anos no dia 18 de Junho. Nesse mesmo dia, Fiona Apple esteve no programa de Jimmy Fallon para apresentar o seu novo e magnífico álbum, tendo interpretado um velho clássico de Paul McCartney & The Wings: Let Me Roll It (de Band on the Run, de 1973). A interpretação, aqui reproduzida, é um exclusivo da Net — logo a seguir, recordamos uma performance do próprio autor (a canção foi escrita com Linda McCartney), em 2010, no programa de Jools Holland.



domingo, junho 10, 2012

O polvo de Fiona Apple

Um polvo, sim, em forma de... chapéu. Muitos caracóis também. Um minotauro na cama. E mais um polvo, gigante, assombrando a noite da cidade. Enfim, uma crónica urbana mais ou menos realista. Assim é o novíssimo, desconcertante e fascinante teledisco de Fiona Apple: chama-se Every Single Night e é a porta de entrada no álbum pacientemente apelidado de The Idler Wheel is wiser than the Driver of the Screw, and Whipping Cords will serve you more than Ropes will ever do — a realização pertence a Joseph Cahill.

terça-feira, junho 05, 2012

Fiona Apple... finalmente!

É o primeiro título conhecido do novo álbum de Fiona Apple, sete-anos-sete depois do extraordinário Extraordinary Machine (2005). Chama-se Every Single Night e apresenta-se como uma deambulação muito íntima, pungente e metodicamente geométrica. O álbum, com lançamento agendado para dia 19 de Junho (nos EUA) tem um título... arfante: The Idler Wheel is wiser than the Driver of the Screw, and Whipping Cords will serve you more than Ropes will ever do.