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quinta-feira, março 05, 2015

Para ouvir: Martin Gore a solo



O principal compositor dos Depeche Mode vai editar um álbum instrumental, assinando-o com as iniciais MG. Este é um (belo) aperitivo para o que aí vem.

domingo, novembro 24, 2013

Conversas de arquivo:
Martin L. Gore, 2003

Esta entrevista foi realizada em Londres por ocasião do lançemento de Counterfeit 2, disco a solo de Martin L. Gore, dos Depeche Mode. E foi originalmente publicada na edição de 26 de abril de 2003 do DN com o título 'Pode Alguém Ser Quem Não É'.

Porque opta pelas versões sempre que grava a solo?
Gosto de fazer discos de versões porque permitem um olhar sobre as nossas próprias influências. Ainda por cima sinto que não seria justo usar as minhas canções fora dos Depeche Mode, já que isso poderia criar um conflito de interesses e, ainda por cima, não sou um autor prolífico...

Como busca a definição de uma personalidade própria nas versões que grava?
Creio, no subconsciente, que as canções que escolho cruzam-se tematicamente com as que escrevo. Numa versão gosto, depois, de tomar um rumo diferente, evitando fazer uma réplica do original, e assim aplico a minha identidade.

Muitas destas canções vêm dos anos 70. Eram discos que comprou quando era adolescente?
Há canções até mesmo dos anos 30... Mas é verdade que muitas vêm dos anos 70, que para mim foram um dos momentos mais excitantes na música, sobretudo porque estava naquela idade em que se é mais impressionável.

Comprava muitos discos?
Sim, sobretudo singles. Até porque não tinha dinheiro para álbuns!

Que músicos mais admirava então?
Os meus dois ídolos eram David Bowie e Gary Glitter... Saía de casa bem cedo no dia em que saía cada novo disco de Bowie. E pertenci a uns clubes de música onde se podia encontrar discos do Gary Glitter que eram bem difíceis de encontrar. Gostava do glam rock.

Como evoluiu a sua relação com esses músicos ao longo da sua vida?
Sempre acompanhei Bowie e ainda tenho bastante interesse pelo que faz. De resto, o último álbum creio que é fantástico... O Gary Glitter é que não tem sido alvo de interesses muito positivos... De resto, ao pensar em fazer uma versão de uma canção dele para este álbum senti-me mal, já que não queria parecer um aparente apoiante, sobretudo dadas as alegações que correm...

Essas referências apontam claramente para o rock, as guitarras. Mas acabou numa banda pop electrónica. Como é que os sintetizadores entraram em cena?
Comprei o primeiro sintetizador quando tinha 18 anos, e nessa altura sentia-me muito influenciado pelos Kraftwerk, que traziam toda uma nova maneira de fazer e apresentar música. E havia uma certa estagnação no rock... Mas gosto ainda muito da escrita mais convencional e de canções convencionais. Mas depois gosto de apresentar essas mesmas canções num formato mais moderno. Este disco é electrónico, e não creio que tenha havido até hoje muitos discos de versões neste registo.

Nos primeiros dias de 80, quando Vince Clarke abandonou o grupo, teve de assumir o papel de compositor dos Depeche Mode. Foi um desafio?
Não pensei muito nisso na altura, até porque era muito novo e sentia-me entusiasmado. Mas não era uma absoluta novidade para mim, já que desde que tive a minha primeira guitarra, aos 13 anos, escrevia canções. O primeiro álbum em que assumo a composição foi até estranho, porque algumas das canções vinham dos meus 16 anos e outras foram criadas ali, em estúdio. Talvez por isso não tenha um sentido de coesão como álbum. E levou algum tempo até sentir que tinha encontrado o meu espaço como autor...

Quando é que sentiu que isso aconteceu?
Creio que há bons momentos no Construction Time Again e no Some Great Reward... Mas só a partir do Black Celebration me senti completamente satisfeito com o nível de escrita atingido.

A fé, o misticismo, têm sido temáticas recorrentes na sua escrita. Como reage perante o uso da religião como arma política?
Sempre me senti fascinado pela religião, embora nunca tivesse seguido alguma em particular. E o meu cepticismo contra as religiões organizadas deve-se ao facto de sentir que podem ser usadas num mau sentido. Gosto todavia de pensar que há uma espiritualidade que passa pela minha música... Até mesmo nas versões que gravo, como neste disco acontece com o In My Time Of Dying, que é um velho gospel blues sobre a fé, sobre a morte e a presença de Jesus como ajuda. Noutro tema, o Lost In The Stars fala-se de se ser abandonado por Deus...

Sente que é ainda possível detectar a personalidade dos autores dessas canções nas suas versões transformadas?
Por vezes tento trazer o espírito do autor para as versões. Muito do álbum é tranquilo, e em parte das canções quase sussurro. Mas quando chegou à versão do Nick Cave senti que não seria correcto manter esse clima. E aí tive mesmo de gritar (risos).

Porque é que os Depeche Mode não costumam gravar versões?
Só me lembro de termos gravado uma, no lado B do Behind The Wheel, onde fazia sentido termos uma canção de estrada [Route 66]. Mas não sei se faria sentido gravarmos um disco de versões. Temos gostos muito diferentes, mesmo com pontos de referências comuns.

Já houve, contudo, vários tributos aos Depeche Mode e mesmo algumas versões em discos individuais de certos artistas. Há canções suas que gostasse ainda de ver reinterpretadas? E por quem?
Senti-me muito honrado pelo facto de Johnny Cash ter feito uma versão de uma canção minha [Personal Jesus]. Ele é a última lenda viva da sua era [o cantor morreria mais tarde, ainda nesse ano]. E um grande autor... Creio que a Tori Amos fez também um belíssimo disco de versões, entre as quais a de um tema nosso [Enjoy The Silence]. Num disco-tributo, o For The Masses, havia versões de bandas como os Smashing Pumpkins ou os The Cure... É bom constatar que influenciámos gente tão diferente entre si.

Surpreende-se com a forma como algumas das suas canções são, por vezes, reinterpretadas?
Sim, sobretudo quando reconheço que vêm de gente de campos tão diferentes. Nunca esperaria que o Johnny Cash escutasse as nossas canções, nem mesmo as dos Nine Inch Nails!...

Neste seu novo disco há canções de nomes mais recentes. Continua atento a tudo?
Compro muitos discos, sobretudo nas áreas da música electrónica... Faço sobretudo compras na Internet.

Consegue afastar-se do universo dos Depeche Mode e viver uma vida pessoal?
Por vezes sinto até que tenho duas personalidades distintas. Por vezes estou a funcionar no "modo rock star", quando chega a altura de fazer promoção ou dar concertos, e depois chego a casa, em Santa Barbara, uma zona onde ninguém sabe quem eu sou, e tenho então uma vida familiar normalíssima. É uma existência estranha...

Tem hobbies exteriores à música?
Gosto muito de jogar futebol. Jogo três vezes por semana quando estou em casa.

Numa pequena equipa local?
Sim... Comecei a fazê-lo há uns dois ou três anos. Ao princípio um pouco desapontado por reparar que tinha esperado tanto tempo para começar a jogar... Mas depois entendi porquê. Até então vivera em Inglaterra, onde não pára de chover, faz frio, e ninguém pode jogar três vezes por semana! Jogar faz-me bem... É um bom exercício, é positivo.

Podemos esperar um hino futebolístico da sua lavra?
(risos). Não sei... Talvez um dia adoptem uma canção minha nas bancadas. Seria tão bom como ter uma versão pelo Johnny Cash.


Imagens das capas dos dois discos a solo já editados por Martin L. Gore. O EP Counterfeit data de 1989. O álbum Countefreit 2 foi lançado em 2003.

sábado, abril 13, 2013

Conversas de arquivo:
Depeche Mode, 2005 (3)

Em tempo de lançamento de um novo álbum dos Depeche Mode estamos a recordar aqui uma entrevista que fiz a Dave Gahan, o vocalista do grupo, por alturas do lançamento de Playing The Angel, em 2005. A conversa decorreu num hotel em Paris, perto da Place Vendôme. A entrevista foi publicada na edição de 14 de outubro de 2005 do DN sob o título ‘Depois da fé, a devoção’.

Como conseguiram sobreviver tantos anos como banda?
Essa é sempre uma boa questão para tudo na vida. Sempre tive uma vontade de conquistar mais de mim mesmo. Salvo num certo momento na minha vida que já passou, é verdade. Tenho sido descrito como um sobredotado, o que é de certa maneira estranho para mim, mas gosto de trabalhar. E trabalho muito, por vezes tendo mesmo de ser obrigado a meter o travão. O que gosto mais na vida é o facto de podermos esperar e ser pacientes, mas a verdade é que também termos de saber agir para continuar a andar. A vida não nos chega pelo correio. Temos de sair à rua para a apanhar?

A que acções se refere quando diz que é preciso agir para poder andar? Acções que parecem estar a falar da vida dos Depeche Mode nos anos 90...
O Violator foi o disco onde ostensivamente desafiámos perante nós próprios a ideia do que eram os Depeche Mode. Mudámos toda a equipa de produção, a maneira como trabalhávamos em estúdio. Abrimos a ideia dos Depeche Mode a um som mais feito de raízes, musicalmente falando em específico de blues e gospel, misturando-os com electrónicas. Creio que isso parece estar a acontecer novamente para a minha grande surpresa. Parece haver novamente esse tipo de vigor no seio da banda. Vigor para nos desafiarmos a nós mesmos. E muito se deve ao que de inspirador teve para nós o Ben Hillier [produtor do álbum]. Agarrou o touro pelos cornos e sem medo. Em estúdio encheu-nos de ideias, e nós precisávamos disso.

Ao fazer um álbum 25 anos depois de editada a primeira gravação, olharam para trás em busca de pontos de referência? 
Não escuto a nossa música. Só muito raramente escuto algo que tenhamos feito no passado. Só quando actuamos é que tenho mais a noção concreta do que fizemos antes. É importante, como artista, deixar o passado onde está. Está feito. Podemos tirar lições, aprender com a experiência. Mas temos de saber onde estamos hoje.

Sem manifestações de nostalgia, portanto?
Sim, e muitas vezes há muitas outras coisas a acontecer baseadas apenas nisso. Muitas vezes sentamo-nos os três e o Fletch [Andrew Fletcher] fala muito do passado da banda, do sucesso? Que fizemos isto e aquilo? E acabo sempre a dizer-lhe que isso foi antes, e agora é agora. Quando estávamos em estúdio ele dizia que precisávamos de ter um Enjoy The Silence, um Personal Jesus? E eu respondia que isto era o que tínhamos? Haverá mais discos, mais desafios.

O que pensa de outros seus contemporâneos que se reúnem para digressões sobretudo baseadas em nostalgia?
Não me incomoda. Têm todo o direito de o fazer. E não faz mal nenhum, desde que saibam o que estão a fazer. E se estejam a divertir, até? Reconheço que fez sentido numa banda, que verifique que ninguém se interesse pelo que está a fazer de novo, que toque as coisas antigas. É o que os fãs querem ouvir muitas vezes. Compreendo-o completamente. Mas não é uma coisa que me apeteça fazer a mim ou ao Martin. Temos de sentir que estamos a fazer coisas que sejam relevantes no presente.

Mas sente-se confortável com o passado dos Depeche Mode? Canta ainda temas como Just Can't Get Enough em concertos?
Sim, sinto-me confortável. Mas conversámos já sobre como reinventar algumas, tirar-lhes o pó. Vamos provavelmente fazer novamente o Photographic, o Everything Counts. É interessante fazer essas revisões quando se toca ao vivo. Quando se está em estúdio deve-se ter a mente projectada noutro sentido, ou seja, mais focados no momento e no que estamos a fazer de novo, não tendo necessariamente de tirar referências do que musicalmente está a acontecer no presente, mas tirando sem dúvidas referências do que está a acontecer no mundo e nas nossas vidas pessoais. Musicalmente não penso que estejamos particularmente inspirados por um qualquer género particular.

Todavia este disco é claramente mais centrado nas electrónicas que os anteriores, e até mesmo que as versões de temas antigos de Depeche Mode na sua digressão a solo, onde vincou a presença das guitarras? 
Sim, é verdade. É uma ideia que funciona connosco, e que reflecte também o que são as nossas próprias limitações. Para o Paper Monsters pude trabalhar com pessoas que vinham de outros lugares musicais e isso até foi bastante inspirador. Sinto-me bem por não me ter de obrigar necessariamente a um só caminho. O Ben Hillier gostava de nos ver a usar sintetizadores analógicos, mas também baterias reais, pianos, e a utilização do espaço e do som do próprio estúdio.

sábado, abril 06, 2013

Conversas de arquivo
Depeche Mode em 2005 (2)

Em tempo de lançamento de um novo álbum dos Depeche Mode estamos a recordar aqui uma entrevista que fiz a Dave Gahan, o vocalista do grupo, por alturas do lançamento de Playing The Angel, em 2005. A conversa decorreu num hotel em Paris, perto da Place Vendôme. A entrevista foi publicada na edição de 14 de outubro de 2005 do DN sob o título ‘Depois da fé, a devoção’. 

O mundo algo neurótico em que vivemos é um assunto que inspire quem o possa cantar?
É interessante escrever sobre a maneira como lidamos com os nossos medos enquanto seres humanos. A maneira como nos envolvemos em situações mesmo complicadas... Quando falamos da natureza, não consigo deixar de refletir sobre como somos tão minúsculos no meio de todo este universo. E sinto conforto nessa ideia. Não tenho medo da vida. Tenho medo das pessoas.

Fala do terrorismo? Do regresso do conservadorismo?
Tudo resulta do medo. Do medo de não conseguirmos levar as coisas avante à nossa maneira. Se não conseguimos afirmar um qualquer discurso religioso, então estamos no outro lado. E não consigo compreender como é que as pessoas não entendem que estamos nisto todos juntos...

O medo é fundamental para o crescimento, para a evolução? Nos anos 80 temíamos o bloco de Leste. Agora, o mundo islâmico?
O medo é um motivador. Mas decorre sobretudo de uma postura egoísta perante a vida.

A música pode aí servir de escape?
Sem dúvida! E foi-o bastante para mim. Foi a saída de uma vida que via à minha frente e que não queria aceitar. E permitiu-me ter também uma vida que estava bem para lá dos meus sonhos. E continua a ser assim, desde que me não pendure de uma qualquer maneira. Os Depeche Mode podem ser como uma religião para mim. O medo que me persegue alimenta-me. Sou suposto fazer o quê? Mentalmente sei que o que hoje sou é um pai e um marido. Tentando desesperadamente continuar a crescer nesse aspeto, tentando estar disponível e atento para os meus filhos e a minha mulher. E esse é hoje para mim o meu grande desafio. Aquele pelo qual não quero sacrificar nada mesmo.

Recentemente Martin Gore disse numa entrevista que os Depeche Mode atraem sobretudo as paixões de pessoas disfuncionais. Quer comentar? O Martin estava aí a falar dele (risos)? Mas eu também me identifico com isso. Creio que as pessoas identificam-se com as canções por causa das suas próprias doenças na vida e sociedade, desconfortos e medos sobre o que nos envolve e que não podemos controlar. Ao longo dos anos apercebi-me de que, à medida que envelheço as únicas coisas que consigo controlar são as minhas acções e as minhas escolhas. E elas podem ditar a maneira como penso sobre mim mesmo. Por isso tenho de ser cauteloso nessas escolhas, mas ao mesmo tempo ter a vontade de tomar alguns riscos, mesmo com coisas com as quais me sinta desconfortável. É como quando compramos um novo par de sapatos. Ao princípio magoam-nos, e levamos tempo a usá-los.

Playing The Angel espelha entre as suas canções um evidente sentido de ameaça? De medo. Mas nas entrelinhas parece correr uma brisa de esperança...
É verdade.. É bom ouvir isso, porque é de facto o que ali está. É importante para mim e para o Martin haver esse sentido de esperança. Eu sou mesmo assim, até nos momentos mais silenciosos, naqueles lugares onde o desespero nos pode dominar. Algo nos pode acalmar se tivermos vontade de ver o que nos pode acalmar. O Martin sempre escreveu sobre isso tanto nas suas palavras como nas suas melodias. E não sou diferente. Uma canção pode estar a seguir um certo rumo, muito sombrio, mas tento sempre encontrar uma luz algures. Por vezes está na melodia, ou nos contrastes nas palavras. Uma canção pode estar a falar de esperança, mas não deixa de mostrar que pode haver uma luta que nos puxe para baixo. E a vida é mesmo assim. Não podemos vencer o que nos aparece pela frente na vida se não lutarmos. Os problemas surgem quando tentamos controlar as coisas de outra forma.

Vê a música dos Depeche Mode como retratista da vida real?
A música é um retrato da vida muitas vezes, e se quisermos sobreviver como Depeche Mode, temos um vasto leque de situações onde podemos ir buscar ideias. Mas ao mesmo tempo temos abordado quase sempre os mesmos assuntos.

(continua)

sábado, março 30, 2013

Conversas de arquivo:
Depeche Mode em 2005 (1)

Em tempo de lançamento de um novo álbum dos Depeche Mode vamos recordar aqui uma entrevista que fiz a Dave Gahan, o vocalista do grupo, por alturas do lançamento de Playing The Angel, em 2005. A conversa decorreu num hotel em Paris, perto da Place Vendôme. A entrevista foi publicada na edição de 14 de outubro de 2005 do DN sob o título ‘Depois da fé, a devoção’. 

Quando promoveu o seu álbum a solo Paper Monsters deixou claro que, se os Depeche Mode voltassem a gravar, teria de participar como autor no disco. Isso, de facto, aconteceu?
É verdade. Esse disco foi para mim o catalisador do que veio a acontecer. E deu-nos força para continuar. Neste novo disco há, portanto, um certo espírito de competitividade que até aqui nos faltava internamente.

Precisava de experimentar as suas capacidades como autor, a solo, antes de as apresentar nos Depeche Mode?
Sim, creio que sim. Houve sempre esta ideia de que algumas canções que eu tinha feito poderiam caber em discos nossos. Uma ideia que remonta aos dias do Violator ou ao Songs Of Faith and Devotion. Mas nunca senti que esse fosse exactamente o meu lugar. Ao longo dos anos fui-me progressivamente sentindo cada vez mais desconfortável com o papel que havia atribuído a mim mesmo.

Como um grito mudo interior?
Creio que sim. Havia um desejo de sair de casa e tentar algo novo?

Em que termos pensa que a sua escrita difere da de Martin Gore?
Em primeiro lugar tenho de dizer, e creio que o Martin diria o mesmo, que não escrevo para os Depeche Mode. Assim como o Martin não escreve para os Depcehe Mode. Ele escreve para si. Quando comecei a escrever as canções para o álbum que acabei por gravar como Paper Monsters, não vislumbrava nada mais além. Sentei-me a escrever e estava apenas a fazer isso mesmo. A escrever. E a chegar ao fim do dia com a sensação que tinha conseguido fazer algo. Continuei a escrever depois da Paper Monsters Tour e só no final do ano o Daniel Miller [patrão da Mute, que era então a editora dos Depeche Mode] chegou ao pé de mim e propôs que se fizesse um novo álbum de Depeche Mode. Tornou-se então bem claro para mim que teria de falar com os outros elementos do grupo e dizer-lhes que, se íamos desafiarmo-nos novamente como Depeche Mode, teriam de contar comigo a assinar algumas canções.

Durante 25 anos cantou primeiro as canções de Vince Clarke, depois as de Martin, e pontualmente as de Alan Wilder. Foi como um actor a vestir um papel escrito por outro?
De certa maneira, penso que sim. Há cantores como Frank Sinatra, Elvis Presley ou Billie Holliday, que eram os modelos que eu admirava, que sempre foram intérpretes.

Criou, portanto, uma personalidade através da interpretação?
Creio que sim. E levei muito tempo a encontrar qual era exactamente o meu lugar, aquele onde me sentia seguro. Podia cantar canções de qualquer outro autor, desde que nelas procurasse uma identificação. E há um tema que me parece ser transversal a todas as canções do Martin, que é o da luta numa relação. E a sua própria relação com a vida. E sempre tive isso em comum com ele. O que o Paper Monsters me permitiu depois fazer foi abraçar as minhas próprias lutas, que reflectem muitos desconfortos, sobretudo ao nível do tornar claro e aberto o que se passa no âmago de uma relação.

E como se relacionou ao longo dos anos com as temáticas de fé, muito obsessivas por vezes, na escrita de Martin Gore?
Também me identifico aí. E parece-me que o que eu próprio escrevo revela também essas obsessões pela fé. Ou a sua falta ou eventual procura?

É um homem religioso?
Não creio que o seja. Mas julgo que desejo acreditar que há algo em que possamos acreditar. Acredito que há uma grande força a trabalhar.

(continua)

quinta-feira, março 28, 2013

Discos pe(r)didos:
Recoil, Hydrology

Recoil 
“Hydrology” 
Mute Records 
(1988) 

Tudo começou com um acaso. Daniel Miller, o “patrão” da Mute Records, pela qual os Depeche Mode então gravavam, escutou algumas das maquetes que Alan Wilder tinha gravado. Eram experiências instrumentais, usando samples, sob uma sonoridade próxima à dos Depeche Mode, mas longe dos formatos da canção pop. Um primeiro par de composições foi então editado num EP com o título 1 + 2 sob a designação Recoil, que nascia como projeto paralelo ao grupo (estatuto que manteria até à saída de Wilder, em meados dos anos 90). Com o tempo, o projeto Recoil evoluiria para um espaço de experimentação do formato da canção, contando então com colaborações vocais de nomes como os de Douglas McCarthy (dos Nitzer Ebb) ou Toni Halliday (dos The Curve) e, após o seu afastamento dos Depeche Mode, tornou-se no espaço central do trabalho de Alan Wilder. Mas um dos mais interessantes entre os títulos da discografia do projeto Recoil data ainda dos dias em que Wilder militava nos Depeche Mode e procurava ainda formas no espaço da música instrumental. Lançado em 1988 – quando o grupo estava em pleno ciclo 'For The Masses' – o álbum Hydrology apresenta três temas instrumentais que vão bem mais longe que as sugestões de ensaio sobre sons e forma que havíamos escutado entre os caminhos mais “mecânicos” de 1 + 2. O alinhamento abre com Grain, que parte de um ensaio minimalista para piano e eco, construindo depois um espaço cénico em seu redor. Mais elaborados, Stone e The Sermon são composições de perto de um quarto de hora cada, ensaiando sons e soluções electrónicas mais próximas da sonoridade dos Depeche Mode por alturas dos álbuns Black Celebration (1986) e Music For The Masses (1987), todavia procurando uma lógica distinta da que conhecemos das suas canções, mas revelando em comum um interesse pelas estruturas rítmicas e pela utilização de certos registos áudio disponíveis à tecnologia da época. The Sermon traduz ainda primeiras formas de trabalho sobre a voz, nomeadamente através da manipulação de gravações que nos libertam de uma geografia ocidental europeia e avançam, inesperadamente, por território africano... Hydrology (que em formato de CD seria editado com as duas composições de 1 + 2 como extra) é um disco claramente datado. Mas é uma peça interessante não apenas no quadro da demanda de uma música electrónica “popular” nos anos 80, como expressão direta de uma busca que, então, decorrida da vida dos Depeche Mode e acabava depois por realimentar a sua sonoridade.

quarta-feira, março 27, 2013

Novas edições:
Depeche Mode, Delta Machine

Depeche Mode 
“Delta Machine” 
Sony Music 
3 / 5 

Este texto foi originalmente publicado na edição online do DN a 25 de março de 2013 com o título ‘Eletrónicas e ecos dos blues, segundo os Depeche Mode’.
Depois de uma primeira sucessão de quatro álbuns históricos que ajudaram a definir as linguagens da pop feita com eletrónicas, de uma inesquecível ode ao negro (Black Celebration, 1986), de alcançado o pico criativo entre Music For The Masses (1988) e Violator (1990) e de ensaiada uma assimilação de ecos da vivência americana em Songs Of Faith and Devotion (1993) os Depeche Mode têm vivido uma existência em clima de sucesso global, mas com discos nem sempre capazes de recuperar os patamares mais vibrantes de outros tempos (com episódio relativamente desapontante no anterior Sounds of The Universe, editado em 2009). Delta Machine tenta, tal como Playing The Angel (2005) o fez face ao menor Exciter (2001), o recuperar de ecos de outros dias, procurando encontrar na genética eletrónica fundadora da música do grupo novos motivos de entusiasmo para compor novo lote de canções. Importante peça no jogo é a presença de Flood (que produziu Violator e Songs of Faith and Devotion), que assume as misturas, a cadeira da produção cabendo, como nos dois discos anteriores, a Ben Hiller. Heaven, uma balada instrumentalmente convencional e feita de formas algo esgotadas foi escolha pouco feliz para um alinhamento que, na verdade, procura a redescoberta de um fôlego "primordial" que tem faltado à música dos Depeche Mode. E no fim, mesmo longe dos pontuais momentos mais inspirados de escrita que levaram algum entusiasmo ao alguns temas do disco de 2005, o alinhamento revela-se como o mais consistente que o grupo desde o virar do milénio. A angulosidade mais minimalista de My Little Universe (onde exploram aproximações a modelos techno) ou Alone traduzem os sabores mais inesperados num álbum que entusiasma muito mais pelo som que pela composição das canções, sendo até vários os momentos em que parecem piscar o olho a ideias já ensaiadas (como num Broken que evoca os dias de Music Fot The Masses ou um Soft Touch/Raw Nerve que parece procurar ecos da memória de A Question Of Time). Aqui e ali recuperam-se ensaios de cruzamento entre heranças dos blues e eletrónicas, que caracterizaram algumas das primeiras abordagens do grupo aos sons das guitarras nos anos 90. No final, e dada a ausência de grandes instantes memoráveis (e um programa temático que já cansa de tantas vezes repetido), Delta Machine é uma experiência sonicamente satisfatória, representando mesmo o disco com mais elaborado trabalho no departamento da sonoridade desde a saída de Alan Wilder. Agora que o som está no ponto, falta voltar a investir na escrita das canções.

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Depeche Mode, ano 33

Com novo álbum e nova digressão (que passa por Lisboa) na agenda deste ano, os Depeche Mode entram no seu 33º ano (32 de vida discográfica) com um novo single. Aqui fica o teledisco que acompanha Heaven.

segunda-feira, novembro 12, 2012

Xavier... anyways

Somos um pouco aquilo que vemos, ouvimos e lemos. E o que fazemos traduz por isso aqueles que admiramos, mas também a forma como os integramos em nós, o que deles assimilamos e o modo como os reinventamos. De geração espontânea, convenhamos, o mundo tem pouco, muito pouco... Xavier Dolan é por isso, e naturalmente, espelho dos modelos e das referencias que o entusiasmam. Nada de mal nisso, antes pelo contrário... Depois de um surpreendente J’ai Tué Ma Mère (2009) sobretudo autobiográfico e de uns falhados Amantes Imaginários (2010) talvez demasiado próximos da soma Godard + Kar Wai + Almodóvar que então juntava, o novo Laurence Anyways, que ontem teve antestreia nacional ao passar na secção competitiva do LEFF, representa não o seu grito do Ipiranga face às suas referências (porque não mostra vontade em romper com aqueles que o inspiram), mas o momento em que o mesmo “eu” que dominava as personagens e clima do filme de estreia aprende a dominar as citações e figuras que quer levar ao seu cinema.

Com dimensões de alguma ambição épica (são 169 minutos de filme) Laurence Anyways em nada rompe com o que Dolan já nos mostrou. Barroco nas formas, ocasionalmente histriónico nos diálogos e com alma de grande teledisco, o filme acompanha retalhos da vida de um professor que vive um dia a dia arrumado. Trabalho, uma relação estável... Mas que desde sempre sentiu que nascera com o corpo errado. O processo de transição, a forma como a mulher com que vive, a família e colegas reagem evoluem entre saltos no tempo, porém sob uma condução narrativa que partilha um permanente diálogo com uma demanda de sons e imagens que faz afinal do filme um corpo que se afirma essencialmente como uma experiência estética (o que não significa, note-se, um abafar do tema, antes juntando esse texto ao contexto, um diluindo-se no outro).

Se a personalidade compósita que é expressão natural de uma linguagem em formação na era da informação – onde tantos dados circulam e podem ser assimilados – tem aqui a sua mais evidente expressão de um “eu” ainda em construção, as citações continuam a morar sem receio no cinema de Xavier Dolan. Das folhas que caem do céu como no Written In the Wind de Douglas Sirk ao desfile de rostos e poses como na versão do teledisco de Fade To Grey dos Visage que está disponível no DVD antológico da banda, Laurence Anyways herda elementos de uma genética que, afinal, é o DNA que constrói este olhar. Junta-se ainda a música de uns Fever Ray, Depeche Mode, Tindersticks, Kim Carnes, Beethoven ou Duran Duran (dando maior visibilidade que nunca ao brilhante The Chauffeur, a canção do álbum Rio que nunca foi single – e devia ter sido), somam-se olhares que por vezes abandonam a medula da narrativa para observar gentes e lugares ao seu redor e uma espantosa composição do protagonista por Melvil Poupaud, e encontramos em Laurence Anyways uma das melhores supresas deste ano. É que, depois do passo em falso de Amores Imaginários, a ambição evidente deste projeto poderia ter acabado num verdadeiro tropeção. Pelo contrário, e mais que nunca, mostra porque em Xavier Dolan podemos encontrar uma das vozes mais interessantes da sua geração.


Três imagens para “escutar” sons que integram a espantosa banda sonora de Laurence Anyways. Memórias pop que passam pelos Visage, Duran Duran e Depeche Mode.


Lisbon & Estoril Film Festival (dia 3)

Hoje o LEFF apresenta , pelas 19.00, no Cinema Monumental, Holy Motors, o muito esperado novo filme de Leos Carax. Ali perto, no Nimas, pelas 20.00, inicia-se o ciclo dedicado ao cinema de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, hoje com duas sessões entre as quais passam Parabéns, Esta é A Minha Casa, O Pastor, O Fantasma e China China. Pelas 22.00, no Monumental, Winter Go Away, de vários realizadores, é um retrato de espaços de oposição a Putin na Rússia dos nossos dias.
 

sábado, setembro 22, 2012

Depeche Mode, 1987

Há 25 anos, em setembro de 1987, este single anunciava a edição de Music For The Masses, um dos melhores discos da obra dos Depeche Mode. 25 anos depois recordamos o teledisco que então acompanhou Never Let Me Down, uma das primeiras colaborações do grupo com o realizador e fotógrafo Anton Corbijn.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Got my 'Mojo' working...


Nos últimos tempos a revista não tem "trabalhado" para o que me interessa ler... Mas a edição deste mês da Mojo recupera uma lógica de ‘dossier’ que gera um dos seus melhores números dos últimos meses. A premissa que lança a ideia é interessante: como é que as electrónicas “salvaram” David Bowie?... Alude-se, naturalmente, aquele tempo em meados dos anos 70 quando, depois de Diamond Dogs e Young Americans, Bowie vivia em Los Angeles e passava alguns dos episódios de maior solidão e assombramento da sua vida. A música dos Kraftwerk e outros pioneiros das electrónicas entra em cena. Rumará mais tarde a Berlim. Jon Savage, um veterano da “escrítica” pop, parte de All Saints, uma antologia que recupera peças instrumentais (na sua maioria de finais de 70) para redescobrir como as electrónicas influenciaram e mudaram a música de David Bowie. E, de certa forma, como a adesão de Bowie ajudou a passar a mensagem mais adiante... O dossier junta uma lista de 50 temas fundamentais da história das electrónicas (como todas as listas, há sempre quem possa fazer outra bem diferente). Há um texto de Jean Michel Jarre, um outro de Martin Gore (dos Depeche Mode)... E um CD com faixas de nomes que vão de Fad Gadget, Daf, Can ou Cabaret Voltaire aos LCD Soundsystem, Photek ou Daft Punk. Bela edição, sim senhor...

PS. O título do post, para quem não conhece, alude a uma canção celebrizada por Muddy Waters. 

quarta-feira, abril 04, 2012

Novas edições:
VCMG, Ssss


VCMG
"Ssss"
Mute Records
2 / 5

É impossível contar a história da pop electrónica sem referir os nomes de Vince Clarke e Martin Gore. Ambos surgiram em cena na alvorada dos oitentas a bordo dos Depeche Mode. Mas foi curta a sua vida conjunta, Vince Clarke anunciando a saída do grupo pouco depois do lançamento do álbum de estreia Speak & Spell (1981). Martin Gore “salta” então para a linha da frente da escrita, revelando uma alma bem distinta da de Clarke logo em A Broken Frame (1982). Daí em diante, e salvo ocasionais contribuições de Alan Wilder e, mais recentemente, de Dave Gahan, Martin Gore fez-se o compositor dos Depeche Mode. Ao mesmo tempo Clarke procurou o seu caminho, primeiro nos Yazoo, depois na fugaz aventura The Assembly, encontrando terra firme, desde 1984, a bordo dos Erasure... Uma remistura de Clarke para um álbum de remixes dos Depeche Mode assinalou o reencontro entre os dois músicos. E da vontade em trabalhar novamente juntos após um intervalo de 30 anos resolvem fazê-lo num álbum lançado sem o aparato que poderia ser esperado perante tamanha reunião de veteranos. Chamam ao projeto VCMG (as suas iniciais, portanto) e optam por uma política instrumental em clima techno. Ou seja, em vez de procurarem um ponto de diálogo entre o que hoje são e outrora fizeram juntos, resolvem partir rumo a um espaço de interesse comum. Pena que Sssss seja tamanha desilusão, o alinhamento revelando (apesar de pontuais motivos de interesse, sobretudo nos registos de som escolhidos) uma opção por uma techno sem viço nem brilho nem mesmo marcas maiores de personalidade. Competente na produção, sem dúvida, mas inconsequente, o método de trabalho encontrado (todo o disco foi criado via email) acabando por mostrar como a presença física num espaço comum e o diálogo são ainda argumento que a comunicação digital não substitui por inteiro. Compare-se este reencontro com o (igualmente discreto) os resultados da bem mais compensadora reunião de Nick Rhodes com Stephen Duffy via The Devils (onde reencontraram as canções da primeira encarnação dos Duran Duran, onde ambos militavam em 1978) e reconheça-se quão aquém do que de potencialmente cativante poderia haver neste reencontro fica aqui por acontecer...

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Cenas de um reencontro

A dupla Martin Gore e Vince Clarke, que integrou a formação original dos Depeche Mode, edita este ano o álbum de estreia do projeto (na área do techno) a que chamam VCMG (as suas iniciais). O álbum, com o título Ssss, chega a 13 de Março e inclui os temas Lowly, Zaat, Spock, Windup Robot, Bendy Bass, Single Blip, Skip This Track, Aftermaths, Recycle e Flux. Aqui ficam os sons de Spock, o single de avanço, editado em finais do ano passado.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Novas edições:
Vários artistas, Ahk-toong Bay-bi Covered


Vários Artistas
"Ahk-toong Bay-bi Covered"
Q4C
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Assinalando os 20 anos do lançamento de Achtung Baby, o álbum de 1991 que não só revolucionou a linguagem dos U2 como garantiu à banda as fundações de uma existência mais sólida (que o próprio Bono disse já ser a razão principal pela qual o grupo ainda hoje existe), um tributo desafia uma série de músicos e bandas a reinventar as 12 canções do álbum, arrumando as versões pela mesma sequência com a qual os originais surgiram originalmente no alinhamento do álbum. Não deixa de ser curioso o facto de ter sido num outro tributo, editado em 1990, que ganharam forma os primeiros sinais de mudança que o grupo começara a convocar às sessões de um álbum cujos primeiros passos eram então dados em Berlim, e sob um clima de algum conflito. Foi com Night and Day, versão de um clássico de Cole Porter, apresentado em Red Hot + Blue, que pela primeira vez entrou em cena uma forma de encontrar diálogos entre as electrónicas, as programações rítmicas e a alma “clássica” dos U2 que ganharia depois forma em Achtung Baby. Agora, 20 anos depois, o tributo Ahk-toong Bay-bi Covered (lançado fisicamente com a revista Q e com edição digital que recolhe fundos para a Concern Worldwide) abre com uma versão de Zoo Station assinada por uma das bandas que então inspiravam a transformação: os Nine Inch Nails, numa leitura menos visceral, interessante enquanto fechar de um ciclo e surpreendente na forma de repensar o original, reinventando-o por outros azimutes. A versão dos Nine Inch Nails representa mesmo o melhor momento de uma montra de versões assinadas por figuras ilustres, a visão acústica de Until The End Of The World por Patti Smith ou a abordagem sem corantes nem conservantes de Love Is Blindness por Jack White completando o trio de excelência de um alinhamento que caminha depois entre a mediania de um So Cruel por uns Depeche Mode em piloto automático ou um The Fly sem rasgo maior segundo Gavin Friday, momentos inconsequentes como um One por Damien Rice ou Who's Gonna Ride Your Wild Horses pelos Garbage, passando por abordagens falhadas de Mysterious Ways pelos Snow Patrol ou Acrobat pelos Glasvegas. Pelo caminho Jacques Lu Cont (ou seja, Stuart Price) remistura Even Better Than The Real Thing, versão que acaba creditada aos U2 e que repersenta outro dos momentos altos do tributo. Um possível futuro colaborador para a banda irlandesa? Não era nada má ideia...

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Primeiros sinais de um reencontro


E eis que chegam os primeiros sinais do que é a colaboração entre Martin Gore (dos Depeche Mode) e Vince Clarke (dos Erasure e ex-Depeche Mode). 30 anos depois do seu trabalho conjunto em Speak & Spell (o álbum de estreia dos Depeche Mode, onde Clarke assinou a autoria de clássicos como Just Can’t Get Enough ou New Life), juntam-se como VCMG e, antes de um álbum que têm agendado para 2012, eis que se estreiam já este mês ao som de Spock. Aqui fica o tema instrumental que será dentro de dias o seu primeiro single.

Um primeiro comentário? Algo desapontantes estes primeiros sinais. Uma evolução de pequenos acontecimentos, recuperando aqui e ali registos de teclados analógicos dos oitentas, lançando-os sob uma matriz techno que sustenta o tema mas onde nada de particularmente interessante na verdade acontece.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Vince Clarke + Martin Gore: o reencontro


É um reencontro que se faz 30 anos depois. Em finais de 1981, depois de editado o álbum Speak & Spell e de alcançado o primeiro êxito global ao som de Just Can’t Get Enough, Vince Clarke, que era até então o principal compositor dos Depeche Mode, deixa o grupo para formar os Yazoo, mais tarde o curto projecto Assembly e, em 1984, os Erasure (ainda hoje activos). Martin Gore passou então a ser o compositor de serviço dos Depeche Mode. E apesar de pontuais contribuições de Alan Wilder e das mais recentes participações autorais de Dave Gahan, tornou-se no rosto criativo do grupo. Agora, 30 anos depois da separação, Gore e Clarke voltam a trabalhar juntos. Recentemente Vince Clarke tinha já assinado uma remistura para uma nova antologia dos Depeche Mode. Agora anunciam para 2012 a estreia em álbum da dupla VCMG (afinal as suas iniciais), que se anuncia como um disco de tecnho... Antes do álbum serão lançados alguns EPs. O primeiro chega a 13 de Dezembro e apresenta cinco misturas distintas para o tema Spock.