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terça-feira, fevereiro 10, 2026

Bad Bunny: 13 minutos no Super Bowl

Bad Bunny

O facto de Donald Trump ter condenado o espectáculo de Bad Bunny no Super Bowl (8 fev.) não basta para o transformar num acontecimento. O que se passa é diferente, e não podemos perder a perspectiva que nos faz compreender a respectiva diferença. A saber: face a qualquer acontecimento que adquire o essencial da sua projeção social (e, neste caso, também política) através dos ecrãs televisivos, Trump "emerge" numa postura de juiz cuja autoridade, supostamente, anula todas as diferenças do mundo que ele não tolera. Ora, justamente, acontece que Bad Bunny celebrou uma América (no duplo sentido de nação e continente) de múltiplas e festivas diferenças — vale a pena ver os 13 minutos da sua performance.

sábado, julho 12, 2025

Isto não é futebol [Wimbledon]

The V&A

Eis uma verdade rudimentar: em vez da lógica de conflito que domina a vida do futebol, quase sempre através da sua apropriação televisiva, é possível celebrar a racionalidade, e também as muitas emoções, do confronto — sobretudo porque do outro lado também está um adversário humano.
Exemplo? O balanço da final feminina do Torneio de Ténis de Wimbledon, com a polaca Iga Swiatek a vencer a americana Amanda Anisimova por 6-0, 6-0 (resultado que só tinha acontecido uma vez na história de Wimbledon, quando Dorothea Lambert Chambers bateu Dora Boothby, ambas britânicas, em 1911).
As palavras finais de Anisimova e Swiatek aí estão para dar conta da diferença interior deste universo de genuína competição — em baixo, o match point que deu a vitória a Swiatek.
 




sexta-feira, julho 11, 2025

Wimbledon — uma celebração

Podia parecer um teledisco dos OK Go... Mas não, este é o video de apresentação do Torneio de Ténis de Wimbledon — um maquinismo de celebração das maravilhas de um desporto em que, para lá de todos os desvios que os mais cínicos possam mencionar, prevalece uma cultura de respeito pelos adversários e celebração do espectáculo que outros eventos ditos populares nem sempre têm para nos oferecer — uma delícia (à espera do confronto Sinner/Alcaraz).
 

quinta-feira, outubro 10, 2024

Rafael Nadal: "Retiro-me do ténis profissional"

[ rafaelnadal.com ]

Depois da Taça Davis de 2024, cuja final está marcada para 24 de novembro, Rafael Nadal irá colocar um ponto final na sua carreira profissional — foi o próprio tenista espanhol que anunciou a decisão através de um video pontuado por algumas memórias de uma carreira verdadeiramente excepcional.

domingo, agosto 25, 2024

O cinema e a sua crise olímpica

Que fazer com as salas IMAX? Sobretudo, que fazer perante a óbvia decomposição temática e formal dos super-heróis que, durante algum tempo, foram os seus ocupantes privilegiados? Eis algumas interessantes e, de algum modo, urgentes questões artísticas e comerciais — este texto foi publicado no nº109 da revista Metropolis (agosto).

No dia 30 de julho, na sua edição online, a Variety publicou um artigo de Carolyn Giardina cujo título, apesar de invulgarmente longo, vale a pena tentar traduzir na íntegra. A saber: “As projecções dos Jogos Olímpicos em salas de cinema sublinham a necessidade dos exibidores terem conteúdos alternativos.”
A conjuntura é esta: nos EUA, 137 salas IMAX transmitiram as cerimónias de abertura das Olimpíadas de Paris, e também eventos de diversas modalidades, sobretudo ginástica e natação. O acontecimento é tanto mais significativo quanto envolveu mais de metade dos ecrãs IMAX que existem no país (são 216, segundo a estatística mais recente, divulgada em julho). Além do mais, tais transmissões reflectem uma genuína disponibilidade do público: um estudo de The Cinema Foundation sobre a frequência das salas revela que 77% dos espectadores estão interessados em “experiências televisivas nos ecrãs de cinema”.
São dados reveladores de algumas questões cristalinas que, já agora, convém lembrar, ao longo da última década têm sido problematizadas, de forma serena e construtiva, por alguns críticos de cinema. Não se trata, entenda-se, de repetir a lengalenga paternalista que proclama o valor insuperável do conhecimento dos filmes no ecrã de uma sala de cinema. Claro que isso envolve uma verdade insubstituível que, em qualquer caso, não anula o valor prático de outras alternativas — assim aconteceu com as cassetes e o DVD, assim acontece com as plataformas de “streaming”.
A crise do cinema nas salas não pode ser reduzida a uma compulsiva vitimização dessas mesmas salas, apenas lamentando o poder efectivo que as plataformas passaram a ter nas nossas opções de consumo. Acontece que as salas não podem — e, sobretudo, não devem — ficar barricadas na noção simplista segundo a qual estão apenas a servir de “montra” para os filmes que, três ou quatro meses depois (ou menos!), vão surgir nas plataformas.
Trata-se de saber se os exibidores — dos EUA ou de pequenos mercados periféricos como o português — arriscam ou não pensar o seu próprio lugar no mercado, recusando uma postura de mera instrumentalização gerida por produtores e distribuidores. Como todas as crises do género, também esta envolve uma oportunidade para repensar opções pontuais e estratégias globais. Na certeza de que os espectadores estão disponíveis para alguma diversificação da oferta.

>>> Trailer de promoção dos Jogos Olímpicos de Paris em salas IMAX (EUA).

sexta-feira, julho 26, 2024

Lady Gaga, olimpicamente

Paris, 26 de julho de 2024: Mon Truc en Plumes, o clássico de Zizi Jeanmaire renasceu nos palcos dos Jogos Olímpicos através da performance de Lady Gaga.
Ou como a música e a iconografia da música popular transcendem as épocas, reinventando as suas formas, renovando a sua magia — dois videos: a versão de Gaga e, em baixo, Zizi Jeanmaire num registo da ORTF, datado de 18 de dezembro de 1968.



quinta-feira, abril 25, 2024

Memórias de 1974 [ténis]

* Open de Paris (3-16 junho)

Foi em 1974 que se iniciou o reinado do sueco Björn Borg no Torneio de Roland Garros. Tinha 18 anos na sua primeira final, o que fez dele o mais jovem vencedor do torneio de Paris — era a 73ª edição. O seu adversário, o espanhol Manuel Orantes, começou por ganhar os dois primeiros sets por 2–6 e 6–7(4–7); depois, Bjorg garantiu o triunfo com 6–0, 6–1 e 6–1. Foi a primeira vez que, na final deste Open, um tenista conseguiu superar uma desvantagem de 0-2.
Até 1981, Bjorg ganhou o torneio mais cinco vezes (1975, 1978, 1979, 1980 e 1981). Este é um breve registo da final, disponível no arquivo da Associated Press.

domingo, agosto 01, 2021

Nacionalismo olímpico

PABLO PICASSO
Duas Mulheres a Correr na Praia
1922

1. Em Portugal, a participação dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos deixou de ser um evento desportivo, passando a existir como reprodução da nossa mais pueril tradição nacionalista.

2. Antes das provas, os atletas são entrevistados apenas para garantirem que vão mesmo à procura de uma medalha... São, assim, heróis antecipados de um universo em que não existe mais ninguém, nem mesmo as dezenas ou centenas de atletas de outros países que, escândalo supremo, se atrevem a também disputarem os primeiros lugares, esquecendo que estão lá portugueses...

3. Depois, há os gloriosos minoritários: ganham uma medalha e parece que o país redescobriu o caminho marítimo para a Índia. Com os maioritários, vivemos a tragédia compulsiva: são obrigados a explicar por que perderam, quase sempre omitindo-se o facto de, estranhamente, haver outros atletas que também estavam a competir.

4. Quando ganham, os responsáveis políticos confirmam, ansiosos: não só voltámos a descobrir o caminho marítimo para a Índia como nos preparamos para reduzir a pó as viagens de Richard Branson e Jeff Bezos na atmosfera — Portugal passou a ser o líder incontestado do mundo do desporto, da política e do provincianismo como cultura nacional.

5. De onde vem, para que serve, qual o saldo colectivo deste nacionalismo, literalmente, de trazer por casa? Uma coisa é certa: deixámos de admirar e respeitar o difícil labor dos atletas; limitamo-nos a celebrá-los, quando ganham uma medalha; caso contrário, olhamo-los com obscena piedade.

sábado, dezembro 08, 2018

Desporto & performance

Aceleração, fragmentação, transpiração. As convenções dos anúncios de material desportivo (em particular dos "sapatos de ténis") são fáceis de identificar — e são muitas vezes aplicadas com a mais entediante preguiça criativa. Eis uma sugestiva excepção: um anúncio da Nike [Japão] executado com sofisticado sentido narrativo. Fica no ar ("air" é, aliás, a palavra associada ao produto) uma sugestão de marginalidade dos protagonistas que, curiosamente, faz parte deste imaginário pueril da performance: ser um herói do desporto envolve a pertença a uma tribo rebelde... Pequeno imaginário, grande trabalho de encenação e montagem.

domingo, agosto 06, 2017

Justin Gatlin & Usain Bolt

FOTO: Antonin Thuillier/AFP [Le Monde
O jamaicano Usain Bolt disputou os seus derradeiros 100 metros nos Mundias de Atletismo, realizados em Londres. Desta vez, não repetiu as suas espectaculares vitórias — recorde-se que continua a ser campeão do mundo com a incrível marca de 9,58 segundos. Ficou em terceiro lugar, tendo sido superado pelos americanos Justin Gatlin e Christian Coleman, respectivamente em 1º e 2º lugar.
As notícias referiram o facto de Gatlin ter sido assobiado por alguns sectores do público, atitude que não teve qualquer peso no modo como Bolt viria a sublinhar o mérito do vencedor. Por isso mesmo, vale a pena reproduzir esta fotografia do breve ritual de reconhecimento e admiração de Gatlin em relação a Bolt — não será um gesto tão mediático (?) como o mais recente insulto de um dirigente do futebol a outro dirigente do futebol; digamos apenas que, apesar de tudo, o mundo pode ser menos maniqueísta.

quinta-feira, março 03, 2016

As guerras do futebol

Não há simpatia clubista nem fair play que consigam resistir à avalancha de vulgaridades que, socialmente, passou a enquadrar os confrontos futebolísticos. Infelizmente, os clubes, com triste destaque para os grandes (?), tendem a equivaler-se nos mesmos discursos oficiais (!) que ignoram a possibilidade de uma salutar rivalidade, alimentando antes uma mentalidade de permanente conflito. O simples prazer de ver um jogo de futebol há muito foi reduzido a um detalhe irrelevante...
O mais espantoso — e também o mais triste — é o modo como tudo isso, regularmente, se transfigura em "acontecimento" jornalístico. Esta manchete do jornal A Bola (3 Março) é reveladora de uma cultura do conflito que já nem se redime pela ironia que os jornalistas, eventualmente, reivindicarão para o seu trabalho.
Não é uma questão de verdade ou mentira — não se trata de discutir a precisão da informação (nem de pôr em causa que os presidentes dos clubes, ou qualquer um dos seus representantes, digam o que muito bem entenderem). Apenas se lamenta a redução da cultura jornalística a uma prática de exuberante simplismo e quotidiana superficialidade.

quarta-feira, novembro 04, 2015

Para ler: em que pensamos
quando estamos a correr?

É uma questão interessante... Pelo meu lado costumo estar (sempre) a ouvir música... Mas há quem possa ter outras ideias... Aqui fica um artigo interessante, publicado na New Yorker.

Podem ler aqui.