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terça-feira, julho 29, 2014

Meio ano pop/rock arrumado em duas listas

Aos seis meses vividos de 2014 fazem-se contas aos discos. E esta semana, nos Discos Voadores, apresentei listas de dez álbuns e dez canções (departamento pop/rock e periferias) que juntam o que de melhor escutei por aí. Aqui ficam, agora devidamente arrumadas.

10 ÁLBUNS

1 Beck – Morning Phase
2 St Vincent – St Vincent
3 Owen Pallett – In Conflict
4 Neneh Cherry – Blank Project
5 Damon Albarn – Everyday Robots
6 Brian Eno + Karl Hyde – Someday World
7 The Notwist – Close To The Glass
8 Dean Wareham – Dean Wareham
9 Tori Amos – Unrepentant Geraldines
10 Teleman – Breakfast

10 CANÇÕES

1 St Vincent – Prince Johnny
2 Owen Pallett – Fong For Five & Six
3 Teleman – Steam Train Girl
4 Beck Wave
5 Alexis Turner – Closer To The Elderly
6 Fujyia & Myiagi – Flaws
7 CEO – Wonderland
8 Trust – Are We Arc?
9 Dean Wareham – The Dancer Disappears
10 Angel Olsen – Hi-Five


E UMA CANÇÃO PARA O VERÃO...
Silva (ft. Fernanda Takai) – Okinawa

segunda-feira, maio 12, 2014

Em conversa: Dean Wareham (2)

Este texto é mais um excerto de uma entrevista com Dean Wareham que foi publicada na edição de 6 de maio do DN online. 

O tempo dá-nos uma distância para ver as coisas de uma maneira diferente. Como vê hoje os Galaxie 500, cujos discos são vistos como peças marcantes na história da cultura indie? 
Na altura éramos apenas uma entre muitas bandas. Mas aqueles discos envelheceram bem. E se vimos uma lista dos discos que saíram naquela altura, entre 1988 e 1989, acho que os álbuns dos Galaxie 500 são tão bons como as coisas que saíram por essa altura. E com o tempo cresceram. Porque eram diferentes. Não éramos grunge

Nessa altura a produção em voga era consideravelmente pesada e optaram por algo diferente: o minimalismo. 
Havia outras bandas a influenciar-nos nessa altura, como os Joy Division e New Order. Mas também os Dream Syndicate, os Feelies. Havia gente a fazer coisas parecidas. Mas a nossa música era mais triste, e também mais divertida. 

Hoje todos os grupos separados eventualmente se reúnem. Os três ex-Galaxie 500 já pensaram nisso? 
Já me ocorreu essa ideia. Mas não sei... Não nos dávamos bem, O número três numa banda é difícil. Se fosse uma banda de quatro elementos... Seriam quatro pessoas diferentes, e haveria quatro maneiras diferentes de gerir as tensões. Mas numa banda de três elementos não havia uma dinâmica saudável. 

E Damon e Naomi eram já uma equipa?
É verdade. E não funcionávamos bem como uma democracia. 

E a solo não precisa de democracia... 
Sim... Mas ao mesmo tempo dependo da contribuição dos músicos que tive neste disco. Por exemplo, eu não sei tocar bateria para dizer a um baterista o que este deve fazer. Preciso por isso de encontrar as pessoas certas. 

Como surgiu a ideia para criar música para os secreen tests de Andy Warhol, que concebeu juntamente com Britta Phillips? 
O Andy Warhol Museum contactou-me. Era uma encomenda. Poucas pessoas tinham visto aqueles filmes, e era uma parte importante do que ele fez em cinema. E tiveram a ideia de um espetáculo ao vivo que, de resto, apresentámos em Portugal no festival de curtas metragens em Vila do Conde. 

É certamente um trabalho diferente daquilo que se tem de fazer ao criar a banda Sonora para um filme novo... 
Sim é quase como fazer telediscos, mas ao contrário. A diferença é que a música toca durante todos os quatro minutos, ao passo que numa banda sonora a música entra e sai de vez em quando. 

É interessante criar música para imagens? 
Quando se faz um teledisco a música é quem manda. Fazem-se imagens a pensar numa música. Quando se faz música para cinema o filme é quem lidera. Por isso é preciso saber o que está a acontecer no filme. E basta que seja uma pessoa a sorrir para a câmara... O filme aqui é quem dita. Música e imagens juntas são algo muito poderoso. Quando se sai de um filme no qual se gostou da música chega-se a casa, tocamos a música e apercebe-mo-nos de que a música por si só não é tão boa. 

E como é a experiência para o próprio músico? 
Quando é um bom filme é uma grande experiência. Quando se trabalha com um grande realizador é bom, Mas acho que um ator diria o mesmo. 

É cinéfilo? 
De certa maneira. Não é a minha vida. Mas estou interessado nos grandes realizadores europeus e americanos. 

Escreveu há poucos anos um livro. Uma autobiografia... 
Ainda bem, que o fiz antes que alguém, o fizesse. 

Muitas respostas a entrevistas futuras podem estar nesse livro, que tem por título Black Postcards? 
Sim sim... (risos) É verdade, está lá tudo. Foi preciso usar outro lado do meu cérebro. E deu-me um outro respeito pelos escritores e até mesmo pelos críticos de música rock. Aquela coisa de uma pessoa se sentar e expressar mesmo aquilo em que pensa é difícil. É corajoso, de uma forma que escrever letras para canções não o é, porque de certa maneira aí acabamos por nos esconder.

Leu outros livros de outros músicos antes de escrever este seu?... O Apenas Miúdos, de Patti Smith, saiu depois... 
Sim, e esse está maravilhosamente escrito. É muito diferente do meu, é mais sobre a arte. O meu é mais sobre a experiência de estar numa banda. O que li mais?... Li a biografia do Dee Dee Ramone. Nota-se quando é a própria pessoa a escrever ou quando há alguém a ajudar. Li o livro de Glenn Matlock, dos Sex Pistols. Há muitos livros. Há mesmo muitos desde o sucesso da biografia do Keith Richards. 

A sua escrita de canções é autobiográfica? 
É diferente. Não é bem uma autobiografia... Dentro daquelas canções há esperanças, desejos experiências que tive. Mas também pode ser algo que alguém tenha dito num programa de televisão.

quarta-feira, maio 07, 2014

Em conversa: Dean Wareham


Este texto é um excerto de uma entrevista com Dean Wareham que foi publicada na edição de 6 de maio do DN online.
Conhecemo-lo em finais dos anos 80 nos Galaxie 500, nos noventas, nos Luna, mais adiante tendo gravado com Britta Phillips. Depois de há alguns meses nos ter apresentaddo um EP a solo, apresenta-se finalmente com um disco em nome próprio - um belíssimo álbum de alma indie a que deu o seu próprio nome -e hoje estará em Lisboa para apresentar estas canções em concerto no Sabotage (Cais do Sodré) às 22.30. Esperámos um quarto de século para o escutarmos em nome próprio. Mas valeu a demora. Dean Wareham falou ao DN e fica aqui a transcrição dessa conversa:

Tem uma discografia que remonta a finais dos anos 80, primeiro com os Galaxie 500, depois os Luna, mais adiante com Britta Phillips. Porque levou tanto tempo para editar um disco em nome próprio? 
Acho que foi porque sempre tive bandas. Pensei nisso em 1992, quando comecei os Luna... Mas gosto da textura das bandas. Mas agora estou mais velho e acho que as bandas são para miúdos. Não sei... Tem a ver com a forma de organizar a nossa vida e há coisas que se tornam mais difíceis quando ficamos mais velhos.

A escrita de canções é uma arte que leva tempo a desenvolver-se e se calhar com o tempo torna-se algo tão pessoal que talvez colida com as ideias dos outros com quem se partilha o trabalho numa banda. A menos que se seja claramente o seu líder... 
Nos Luna eu acho que era um pouco o líder. Mas sim, discutíamos muito sobre tudo. Como as bandas de resto fazem. Tínhamos de tomar decisões colaborativas sobre tudo. Mas é verdade, quando se envelhece ficamos mais exigentes connosco quando escrevemos. Quando era mais novo ficava feliz se tivesse qualquer coisa para cantar, fosse o que fosse. 

Hoje os temas antecipam o pensar sobre a música quando avança para a escrita de uma canção?
Não. Os temas só se tornam mais claros mais adiante. A música aparece primeiro. Às vezes acontece em paralelo. Há ideias musicais e de letra e fico sem saber qual fica bem com o quê até as experimentar.

A sua voz o saber na escrita evoluíram gradualmente. Nunca houve saltos grandes na sua obra...
Sim, acho que sempre fiz uma canção de cada vez. E até ao abordar um álbum, nunca houve aquelas decisões de fazer um disco eletrónico ou um álbum disco ou um disco feliz. Era sempre o que cada canção pedia. 

As suas referências ainda são as mesmas desde os dias dos Galaxie 500? Ou seja, mantém essas referências formadoras ainda vivas? 
Creio que sim... Tenho tantos discos... Hoje tanto escuto Brahms como o meu disco preferido dos Clash. Creio que as opiniões que formamos aos 15 ou 16 anos tendem a permanecer connosco. Eu vivia em Nova Iorque, com essa idade, por altura das bandas punk... Ouvia os Ramones, os Talking Heads, Television, Suicide. E ainda presto muita atenção a essas bandas. 

Isso foi quase um curso universitário!... 
Sim, foi mesmo quase como um curso universitário num dos períodos mais importantes da história do rock'n'roll. Nada se compara àquilo... Mas falou-se depois de uma segunda onda de bandas nova iorquinas nos anos 2000... 

As experiência dos dias de mais tenra juventude, quando ainda estava na Austrália, viajaram alguma vez para a sua música? 
O meu irmão mais velho ouvia David Bowie, Iggy Pop e os Roxy Music. Tinha discos do início dos Bee Gees. Neste disco há uma canção , o Love is Not a Roof Against the Rain, que tem uma progressão de acordes que tirei do New York Mining Disaster 1941. Tinham 18 ou 19 anos nessa altura!... É incrível.

quarta-feira, abril 16, 2014

Ver + ouvir:
Dean Wareham, The Dancer Disappears



Não se trata exatamente de um teledisco, mas estas são imagens que a editora de Dean Wareham tem no seu canal de YouTube para acompanhar o tema que abre o álbum a solo que o músico acaba de editar entre nós.