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sexta-feira, abril 24, 2026

Piotr Anderszewski toca Brahms

[ Gramophone ]

O pianista polaco Piotr Anderszewski encara as últimas composições de Johannes Brahms como acontecimentos que desafiam as certezas das estruturas e as nuances das melodias. Aí está a magnífica ilustração disso mesmo com Brahms: Late Piano Works [Warner] — das 6 Peças para Piano, Op. 118, eis o No. 2, Intermezzo.

domingo, janeiro 11, 2026

10 discos de 2025 [10]

* NEW VIENNA, Keith Jarrett

Porquê New Vienna? Porque já existia um Vienna Concert, gravado em 1991 e editado, também pela ECM, em 1992. Foi gravado em 2016, na Musikverein, e ilustra o génio de um pianista que, partindo das liberdades do improviso jazzístico (lembremos o emblemático Facing You, 1971), foi protagonizando uma trajectória em que a atração do chamado domínio clássico aconteceu, não exactamente como um salto qualitativo, antes como a abertura de uma fronteira em que as formas de comunicação musical vão diluindo as matrizes tradicionais de indexação cultural (ouça-se Carl Philipp Emanuel Bach’s Württemberg Sonatas, gravação de 1994 editada em 2023). O aparecimento de New Vienna corresponde também a uma forma de resistência, já que Jarrett não desistiu de organizar e dar a ouvir os seus registos, apesar dos efeitos dos dois AVC que sofreu em 2018, obrigando-o a caminhar com uma bengala e impossibilitando o uso da mão esquerda. Depois do Bordeaux Concert (2022), também da digressão de 2016, o lançamento de New Vienna serviu para comemorar o 80º aniversário de Jarrett (nascido a 8 de maio de 1945 em Allentown, Pensilvânia), levando-nos a redescobrir a amplitude dos seus dotes e a magia da relação solitária com o piano — se é necessário haver um álbum a que damos a designação de "disco do ano", será este.
 

[ Patti Smith ] [ Taylor Swift ] [ Ryan Adams ] [ Lucy Dacus ] [ Ambrose Akinmusire ] [ Haim ]
[ Jonny Greenwood ] [ Bruce Springsteen ] [ Alice Sara Ott ]

sexta-feira, janeiro 09, 2026

10 discos de 2025 [9]

* JOHN FIELD - COMPLETE NOCTURNES, Alice Sara Ott

Eis um laço artístico e simbólico que importava redescobrir e, mais do que isso, dar a ouvir: na sua depurada beleza, os 18 Nocturnos compostos pelo irlandês John Field (1782-1837) foram uma inspiração e, por assim dizer, uma premonição essencial para os 21 Nocturnos de Frédéric Chopin (1810-1849). Revisitadas por Alice Sara Ott, por certo uma das mais sofsticadas pianistas da actualidade (entenda-se: de uma sofisticação de absoluta sobriedade), as 18 peças conseguem a proeza de nos colocar num tempo de fascinantes ambivalência artísticas, até porque a Deutsche Grammophon encenou algumas delas em telediscos de inequívoco gosto pop — eis o Nº 14.
 

[ Patti Smith ] [ Taylor Swift ] [ Ryan Adams ] [ Lucy Dacus ] [ Ambrose Akinmusire ] [ Haim ]
[ Jonny Greenwood ] [ Bruce Springsteen ]

sexta-feira, dezembro 12, 2025

Handel, aliás, Rick Beato

Será possível tocar a Water Music, de George Frideric Handel em guitarra? Eis a pergunta multifacetada (irónica e técnica, numa palavra, filosófica) de Rick Beato — é um dos seus videos mais recentes, como sempre lembrando-nos que escutar música é também abrir o espírito e dispensar as certezas definitivas.
 

segunda-feira, dezembro 01, 2025

Bach / Alice Sara Ott

Por certo "acelerando" a velocidade a que, tradicionalmente, é interpretado o Prelúdio em Dó Maior, BWV 846, o piano de Alice Sara Ott leva-nos a reencontrar Bach através de uma memória ambivalente do cravo — arriscado e fascinante.
 

sexta-feira, agosto 29, 2025

Escutando Bach (com Rick Beato)

[Gramophone]

Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit ['O tempo de Deus é o melhor dos tempos'], BWV 106, é uma cantata de Bach, composta em 1707-08, de que existem diversas versões, incluindo para piano a quatro mãos. Num dos seus videos mais breves, mas também mais eloquentes, Rick Beato propõe uma breve digressão sobre os nossos modos de (des)conhecimento da música. Em boa verdade, como ele próprio reconhece, fá-lo sobretudo para poder partilhar a cantata — vale a pena seguir a sua cristalina exposição e, claro, escutar silenciosamente os prodígios de Bach.

domingo, agosto 03, 2025

Die Schöne Müllerin
— Ian Bostridge e Mitsuko Uchida

Composto por Franz Schubert em 1823, a partir de 20 poemas de Wilhelm Müller, Die Schöne Müllerin [A Bela Moleira] é, por certo, um dos mais célebres ciclos de canções de toda a história da música. Entre as suas múltiplas gravações, a do tenor inglês Ian Bostridge com a pianista japonesa Mitsuko Uchida distingue-se entre as mais admiráveis — lançada há 20 anos, existe no catálogo Warner com selo EMI Classics.

>>> Bostridge + Uchida: Die Schöne Müllerin em palco.
 

domingo, julho 06, 2025

Asmik Grigorian + Strauss (Richard)

[ YouTube ]

Será aquilo que podemos chamar "obra-testamento", mesmo que a designação seja apenas um efeito dramático da biografia do autor: as Quatro Últimas Canções, de Richard Strauss (1864-1949), compostas em 1948, constituem um desafio sempre renovado a qualquer soprano — e tanto mais quanto a sua energia terminal se confunde, dir-se-ia serenamente, com a aceitação da morte.
Com chancela da editora Alpha, a lituana Asmik Grigorian apresenta agora a sua prodigiosa versão, transfigurando a tristeza das canções em pura contemplação espiritual. Aliás, versões, plural, já que se trata de revisitar a obra-prima de Strauss no arranjo canónico com orquestra e também na versão para piano.
Eis um breve video de apresentação do novo álbum e, em baixo, uma performance de 2023, em que Asmik Grigorian é acompanhada pela orquestra da Accademia Nazionale di Santa Cecilia, conduzida por Antonio Pappano — a gravação, feita em Roma, data de 14 de abril de 2023.



sexta-feira, junho 13, 2025

Glenn Gould gravou as Variações Goldberg há 70 anos

Se há milagres na história da música, este é um deles: a gravação das Variações Goldberg, de Bach, por Glenn Gould. Foi há 70 anos — eis a respectiva ária.
 

quinta-feira, março 20, 2025

Ravel por Seong-Jin Cho

Seong-Jin Cho
[ FOTO: Christoph Köstlin / Deutsche Grammophon ]

Nascido em 1994, em Seul, Seong-Jin Cho foi o primeiro sul-coreano a vencer o Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin, em 2015. De então para cá, os seus concertos, a par de um frondosa discografia com chancela da Deutsche Grammophon (além de Chopin, também Handel, Brahms, Schubert, etc.), transformaram-no numa referência incontornável da arte pianística contemporânea. O seu álbum mais recente é dedicado a composições de Maurice Ravel (1875-1937) e corresponde a uma estreia pessoal: pela primeira vez, Seong-Jin Cho grava uma obra completa de solos para piano.

>>> Jeux d'eau + uma breve apresentação de Ravel pelo próprio pianista.
 


domingo, março 16, 2025

Isabel Schicketanz canta Heinrich Schütz
⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐

Não será uma profecia. Digamos apenas que não é grande risco dizer que a alemã Isabel Schicketanz se vai transformar numa das vozes mais celebradas da cena musical e, em particular, da música barroca. Nascida em 1989 na cidade de Cottbus, revela-se no seu álbum de estreia — Seelentrost ("Consolo da alma"), ed. Perfect Noise — uma cantora soprano de mágica subtileza expressiva.
Trata-se, além do mais, da celebração de um compositor barroco pré-Bach, Heinrich Schütz, a par de alguns outros seus contemporâneos, a provar que mesmo as referências canónicas não estão encerradas em performances ou modelos definitivos. Citemos, por isso, as palavras entusiásticas de James Manheim no All Music: "Esta é uma edição que arrisca com ousadia num novo território, iluminando-o com brilhantismo."

>>> Ich steh in Angst und Pein, de Heinrich Schütz.


>>> Salve Mi Jesu, de Christoph Bernhard (1628-1692).
 

sexta-feira, fevereiro 07, 2025

Brahms e Schubert
por Alexandre Kantorow

Figura fetiche do actual panorama europeu da música clássica, o pianista francês Alexandre Kantorow apresenta um belíssimo álbum dedicado a Brahms e Schubert — Brahms Schubert [BIS] —, incluindo cinco canções de Schubert transcritas por Liszt. Eis o primeiro andamento, Allegro, da sonata nº 1 de Brahms.

terça-feira, agosto 27, 2024

Schubert em tom de dança

Jovem talento da China, a pianista Yang Liu celebra o gosto do austríaco Franz Schubert (1797-1828) pela música de dança. Com chancela da Naxos, o álbum (lançado em 2022) resulta da sua ligação à Steinway, tocando num piano actual e num pianoforte (cópia de um modelo da década de 1820) — eis 2 Danças Germânicas, D. 841.

sábado, agosto 24, 2024

Stravinsky + jazz

Igor Stravinsky
(1882 - 1971)

Com atraso em relação ao evento — foi no dia 3 de agosto, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian —, mas na certeza de que este é um lugar que não depende de uma colagem mecânica aos acontecimentos: integrado no programa do Jazz em Agosto, o concerto de Sylvie Courvoisier e Cory Smythe, dois pianos tendo como base A Sagração da Primavera, bailado de Igor Stravinsky datada de 1913, foi uma dessas experiências capaz de nos fazer sentir o génio criativo do jazz, ao mesmo tempo sem nos enredar num qualquer sermão "demonstrativo" sobre a "actualização" dos clássicos ou a "transfiguração" dos modernos.
Formada em música clássica no Conservatório de Lausanne, Courvoisier, em particular, encarará a herança (realmente) revolucionária de Stravinsky como uma matéria capaz de suscitar um metódico trabalho de reinvenção. Seja como for, ela não foi a "protagonista", já que Smythe esteve longe de se reduzir a um "acompanhante". Sob o signo de Stravinsky, o diálogo dos dois pianos funciona mesmo como uma celebração paradoxal, por assim dizer entre o caos que o improviso pode atrair e a solidez estrutural de um jazz cujo sabor vanguardista se confunde, afinal, com uma postura eminentemente... clássica — 60 minutos de maravilha, com alguns espectadores irrequietos a quem faltou a serenidade, que ninguém levaria a mal, de abandonarem a sala.

>>> Stravinsky, A Sagração da Primavera — Sinfónica de Londres, maestro Leonardo Bernstein (1966).
 


>>> Courvoisier, vencedora do Prémio Alemão de Jazz/Piano (2022), na respectiva cerimónia (17 abril 2022).


>>> Smythe, um tema do álbum Auto Trophs (2017).

segunda-feira, abril 29, 2024

Bach / Víkingur Ólafsson

Víkingur Ólafsson
GOLDBERG VARIATIONS

Digamos, para simplificar, que este é um dos quatro ou cinco álbuns realmente prodigiosos que pudemos colher entre as edições de 2023. Lembrando o seu desejo "antigo" de interpretar e gravar as Variações Goldberg, o pianista islandês Víkingur Ólafsson sublinha a maravlhosa "contradição" de Bach:
 
>>> Quando escrevemos e falamos sobre as Variações Goldberg, temos tendência a focar-nos no Bach pensador profundo, empenhado artesão e arquitecto musical visionário. Mas quando tocamos e escutamos as Variações Goldberg, não podemos deixar de reparar que estamos também na companhia do Bach mestre da improvisação, alegre, por vezes arrebatado — Bach, no seu tempo o maior virtuoso do teclado.
 
Raras vezes o adjectivo intemporal se terá aplicado com tão grande justeza a uma música que, afinal, em boa verdade, nos reconcilia com a fugacidade do tempo — e das suas sempre imperfeitas medidas.

>>> Víkingur Ólafsson - J.S. Bach: Goldberg Variations, BWV 988: Aria.

sexta-feira, janeiro 19, 2024

Keith Jarrett
* 10 discos de 2023 [10]

* KEITH JARRETT
Carl Philipp Emanuel Bach


Depois dos dois ataques cardíacos que sofreu em 2018, Keith Jarrett deixou de tocar, está mesmo impossibilitado de usar a mão esquerda no seu piano. É uma condição que ele vive, paradoxalmente ou não, numa intimidade feliz com a música — a conversa com Rick Beato, reproduzida aqui em baixo, é esclarecedora e emocionalmente contagiante.
Entretanto, a ECM tem promovido o relançamento de alguns títulos emblemáticos da sua discografia, incluindo o registo triplo que reúne os lendários concertos de Bremen e Lausanne, em 1973.  O álbum Carl Philipp Emanuel Bach foi uma novidade absoluta e, no seu misto de precisão e liberdade, merece, neste balanço de 2023, o epíteto de disco do ano.
Trata-se, de facto, de uma gravação que permaneceu inédita, apesar de ter sido realizada há quase três décadas — aconteceu em maio de 1994, no espaço caseiro do próprio Jarrett, Cavelight Studio. As célebres Württemberg Sonatas surgem, assim, como matéria de um verdadeiro renascimento, de uma só vez técnico e sensual, intimista e universal. Ou como ele disse: “Ouvi as sonatas tocadas por cravistas e senti que havia espaço para uma versão de piano" — eis o primeiro movimento, Moderato, da Sonata nº 1.




* * * * *
Lana Del Rey
Nina Simone
Carminho

Piotr Beczala
The Dream Syndicate
Feist
PJ Harvey
Camille Thomas
The Kills

sábado, janeiro 06, 2024

Camille Thomas
* 10 discos de 2023 [8]

* CAMILLE THOMAS
The Chopin Project Trilogy


Nascida em Paris, em 1988, Camille Thomas é um dos nomes emblemáticos da actual aristocracia do violocenlo. Como ela escreve nas notas deste maravilhoso álbum triplo, "Chopin é, desde sempre, uma inspiração e uma consolação, como um amigo íntimo que partilha a minha vida." Aqui encontramos uma homenagem a um criador (1810-1849) que, "ainda que tenha composto essencialmente para piano", deixou um legado que apela às transcrições para violoncelo, a começar por aquelas que foram feitas pelo seu amigo Auguste Franchomme (1808-1884) — sem esquecer o tema Jane B, de Serge Gainsbourg, cantado por Jane Birkin no álbum Jane Birkin/Serge Gainsbourg (1969), tradicionalmente identificado como Je t'aime... moi non plus, agora reinterpretado com a própria Jane Birkin.
Aqui ficam Jane B, com Julian Brocal no piano, e o movimento IV - Finale. Allegretto, do Trio para Piano em Fá Menor, Op.8, com Daniel Hope (violino) e Julien Brocal (piano).




* * * * *
Lana Del Rey
Nina Simone
Carminho

Piotr Beczala
The Dream Syndicate
Feist
PJ Harvey

quarta-feira, janeiro 03, 2024

Bradley Cooper
* 10 filmes de 2023 [5]

* BRADLEY COOPER
Maestro

Dir-se-á que, tal como em Assim Nasce uma Estrela (2018), Bradley Cooper faz um filme cuja "base" é a matéria musical. Sem dúvida, quanto mais não seja porque Leonard Bernstein é um dos grandes compositores do século XX, alheio a hierarquias académicas que dividem a música em "séria" ou "ligeira". Mas o essencial é incomparavelmente mais rico e complexo: trata-se de expor a música, não como "produto" de um criador, mas sim corpo e alma desse ser humano que lhe dá vida. Uma grande história de amor, eis o resumo possível — com a sublime Carey Mulligan, convém não esquecer, ao lado do admirável actor/realizador.


* * * * *
Mark Cousins
Nanni Moretti
Nuri Bilge Ceylan
Jafar Panahi

segunda-feira, janeiro 01, 2024

Piotr Beczala
* 10 discos de 2023 [4]

* PIOTR BECZALA
Romances: Rachmaninoff & Tchaikovsky


Eis uma aliança perfeita: as sofisticadas modulações da voz do tenor polaco Piotr Beczala e a serenidade clássica do piano do austríaco Helmut Deutsch. Aplicando a designação tradicional dos russos (romances), escolheram uma colecção de canções de Sergey Rachmaninov e Pyotr Il'yich Tchaikovsky para um reecontro/recriação em que a riqueza do canto não exclui, antes pelo contrário, a presença forte do piano. Entre as suas escolhas está a Op. 73, "6 Romances" de Tchaikovsky, compostos antes da sinfonia final ("Pathétique") — eis o nº4 (The Sun Was Set).


* * * * *
Lana Del Rey
Nina Simone
Carminho

segunda-feira, janeiro 02, 2023

10 discos de 2022 [8]

* Beethoven Diabelli Variations

Habitualmente citada como um exemplo de eleição na abordagem das composições de Mozart e Schubert, a pianista Mitsuko Uchida encontra na obra de Beethoven aquilo que talvez possamos chamar o "elo central" de um permanente ziguezague entre clássicos e românticos, de uma só vez confirmando e desafiando as respectivas matrizes. Nesta perspectiva, a sua prodigiosa gravação das Variações Diabelli (compostas entre 1819 e 1823) poderá ser interpretada como uma aventura emocionalmente semelhante ao álbum que lançou em 1990 com os 12 Estudos de Debussy — assim como este se apresentava como uma radical transfiguração da herança "impressionista", as Diabelli [aqui em baixo: Tema, Var. I Alla Marcia maestoso e Var. II Poco Allegro] surgem, agora, refeitas como uma aventura formal em que podemos reencontrar, em filigrana, algo como uma condensação histórica de tudo aquilo que Beethoven quis incluir na sua composição, incluindo alguma nostalgia de Bach — se é que a contundência poética de Beethoven, tal como interpretada por Uchida, possui algo de nostálgico.






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