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sexta-feira, novembro 14, 2025

Rosalía, Opus 4

Cruzamento de culturas? Enfim, convenhamos que a expressão pode servir (e tem servido) para um pouco de tudo — das genuínas experiências de contaminação de formas, estéticas e narrativas, até à exploração demagógica de um "ecumenismo" que se vende bem em certos espaços televisivos e, claro, nos enredamentos "sociais" que nos querem impor.
Celebremos, por isso, a excepção da espanhola Rosalía, apostando na afirmação das suas raízes musicais, ao mesmo tempo que procura integrar inspirações e influências de outras paisagens, e também outras vozes. Assim, no seu quarto álbum de estúdio, Lux, na lista de convidados encontramos a portuguesa Carminho, a islandesa Björk e o músico experimental americano Yves Tumor — os dois últimos participam em Berghain, contando também com a companhia da London Symphony Orchestra, tema, além do mais, servido por um feérico teledisco assinado por Nicolás Méndez.
 

sexta-feira, agosto 08, 2025

Björk, 1993

Não é uma efeméride... Aliás, não precisamos de justificações do calendário para regressarmos a Human Behaviour, canção emblemática de Debut (1993), primeiro álbum de estúdio de Björk — aqui, no programa Late Night with Conan O'Brien, a 10 de novembro de 1993.
 

domingo, dezembro 03, 2023

A canção de Björk e Rosalía

Oral (James Merry)

Uma canção de amor? Uma canção sobre a demanda do amor? Talvez uma canção sobre a dificuldade de entender o outro — e de o outro entender quem o procura...

Just because the mind can make up whatever it wants
Does it mean that it'll never come true?

Enfim, as canções de Björk são feitas dessa esplendorosa ambiguidade que as faz existir como espelho cristalino dos contrastes do humano e, ao mesmo tempo, parábolas cujo fascínio começa na metódica resistência a qualquer sentido unívoco ou definitivo.
Uma coisa é certa: com a colaboração da espanhola Rosalía, Oral é uma canção de combate, com um objectivo muito preciso. A saber: trata-se de denunciar os métodos de piscicultura que têm afectado o equilíbrio dos elementos naturais da Islândia.
Assim, os lucros gerados pela canção ficarão ao dispor dos habitantes de Seyðisfjörður, permitindo-lhes custear o processo judicial instaurado contra as empresas estrangeiras que, naquela região, têm explorado a criação do salmão. O dinheiro que restar será investido na organização de campanhas apelando à criação de legislação que contrarie as práticas que continuam a danificar os fiordes, lagos e rios de algumas parcelas do território islandês.
Oral chegou-nos através de um teledisco com assinatura de Carlota Guerrero, fotógrafa e artista visual espanhola.

domingo, dezembro 04, 2022

O ritual de Björk

É uma das canções de Fossora, por certo um dos melhores álbuns de 2022, que Björk dedica à memória de sua mãe: Sorrowful Soil tem agora um teledisco tão espectacular (e tão vulcânico...) quanto a criatividade da princesa da música islandesa — tudo encenado como um ritual de renascimento.
 

sexta-feira, setembro 09, 2022

Björk
— fragmentos de um discurso amoroso

O 10º álbum de estúdio de Bjõrk, Fossora, está a chegar (30 setembro). O tema de apresentação chama-se Atopos (citando Roland Barthes e os seus Fragmentos de um Discurso Amoroso) e cruza um pano de fundo techno com... clarinetes! Tudo apresentado numa encenação uma vez mais ligada a uma espectacular reconversão de elementos naturais — para celebrar tudo isso, eis o respectivo teledisco, com assinatura de Viðar Logi.

quarta-feira, agosto 07, 2019

Björk, eroticamente, naturalmente

Björk continua a trabalhar com o realizador Tobias Gremmler, ilustrando, recriando e (apetece dizer) delirando os cenários do seu álbum Utopia (2017). Depois de Tabula Rasa, aí está, agora, o teledisco da canção Losss, prolongando um gosto de transfiguração fundado na mesma dialéctica — reconversão utópica da Natureza, erotização de todas as formas.

We all are struggling, just doing our best
We've gone through the grinder, suffered loss
Lost to, to which everything flows, an absence which
Attracts floral blooming softly

Soft is my chest, I didn't allow loss
Loss make me hate, didn't harden from pain
This pain we have will always be there
But the sense of full satisfaction too

I opened my heart for you
Your lower lip so heavy on you
My spine curved erotically
We're finally vulnerable

Loss of love, we all have suffered
How we make up for it defines who we, who we are
It defines us, how we overcome it
Recover, repair from loss

Loss of faith just ignites survivors
They stare doubt straight into the eye
I forgive, the past is bondage
Freedom aphrodisiac (aphrodisiac)

I've opened my heart for you
Tied ribbons on my ankles for you
Drew orchids on my thighs for you
Your lower lip so heavy on you
My spine curved erotically
Tied ribbons on my ankles for you
Drew orchids on my thighs for you
Your lower lip so heavy on you
My spine curved erotically
We're finally vulnerable

domingo, maio 12, 2019

Björk, natural e digital

Mensagem da Islândia: Björk continua a criar e recriar formas em que natural e digital se tocam, entrelaçam e, no limite, confundem. Veja-se o novo e espantoso teledisco de Tabula Rasa, canção do seu mais recente álbum de estúdio, Utopia (2017) — a realização tem assinatura de Tobias Gremmler, responsável pelos fundos e projecções da actual digressão de Björk, 'Cornucopia' [poster em baixo].


sexta-feira, dezembro 08, 2017

Björk: "a utopia é aqui"

Animal ou alien? Depois de The Gate e Blissing Me, Björk continua a convocar-nos para paisagens utópicas, translúcidas e enigmáticas, de um primitivismo que se quer também futurista. Como é sabido, o novíssimo álbum (nono da discografia) chama-se Utopia — eis é a canção-título, em teledisco assinado por Warren Du Preez e Nick Thornton Jones. Mensagem linear: "a utopia é aqui". 

Bird species never seen or heard before
The first flute carved from the first fauna

Utopia
It’s not elsewhere
Let's purify

You assigned me to protect our lantern
To be intentional about the light

Utopia
It isn't elsewhere
It’s here

My instinct has been shouting at me for years
Saying, "Let’s get out of here!"
Huge toxic tumour bulging underneath the ground here
Purify, purify, purify, purify toxicity

quinta-feira, novembro 16, 2017

Björk: mais uma canção utópica

Está quase a chegar o álbum Utopia, de Björk. Depois de The Gate, aí está uma nova canção: Blissing Me surge num misto de fluidez e fragmentação, filmada num extraordinário plano-sequência por Tim Walker & Emma Dalzell.

all of my mouth was kissing him
now into the air i am missing him
is this excess texting a blessing
or just two music nerds obsessing

he reminds me of the love in me
i’m celebrating on a vibrancy
sending each other mp3s
falling in love to a song

this handsommest of wickermen
he asked if i could wait for him
now how many lightyears this interim
while falling in love with his songs

his hands are good in protecting me
touching and caressing me
but would it be trespassing
wanting him to be blissing me
robbing him of his youth

cliffhanger like suspension
my longing has formed its own skeleton
bridging the gap between singletons
sending each other these songs

the interior of these melodies
is perhaps where we are meant to be
our physical union a fantasy
i just fell in love with

so i reserve my intimacies
i bundle them up in packages
my rawward longing far too visceral
did i just fall in love with love?


segunda-feira, outubro 02, 2017

Björk, utopicamente

Especialíssima introdução ao novo álbum de Björk, Utopia (a lançar em Novembro): The Gate, além de se apresentar como um claro prolongamento das experimentações de Biophilia (2011) e Vulnicura (2015), vai percorrendo as fronteiras instáveis do natural e do virtual, da voz humana e dos sons artificialmente produzidos — como um ritual.

terça-feira, junho 13, 2017

Björk — a Natureza depois do natural

Decididamente, ela não se aquieta — e inquieta-nos. Dito de outro modo: Björk é uma artista da mais absoluta convicção que, com abençoada paciência, nos leva a regressar sempre ao seu trabalho, mesmo aquele que, inicialmente, no seu brilhantismo de execução, nos pode ter parecido menos inspirado — falo por mim, penso em Vulnicura (2015), objecto de emblemática e, afinal, fascinante resistência a que, regularmente, vou regressando.
De Vulnicura, justamente, o tema Notget tem sido uma espécie de bandeira sensorial, primeiro como apresentação, depois como consumação. Agora, surge na sua segunda versão como teledisco, ainda e sempre com assinatura de Warren Du Preez & Nick Thorton Jones. Dir-se-ia que quanto mais Björk se aventura no mimar de uma Natureza primordial (neste caso, em pose a preto e branco de... borboleta?), mais somos levados a supor que o seu labor visa outras paisagens, posteriores a qualquer naturalismo, sem dúvida tocadas pela Realidade Virtual que a tem seduzido. Nunca vimos nada assim — afinal de contas, esta é uma canção sobre a transcendência que a dor anuncia. 

If I regret us
I’m denying my soul to grow
Don’t remove my pain
It is my chance to heal

terça-feira, abril 04, 2017

Björk — do lado do virtual

Será que o envolvimento de Björk com a realidade virtual — e a experimentação musical a ela associada — nos fez perder a cantora cuja enigmática energia poética habitava álbuns como Post (1995) ou Homogenic (1997)?
Enfim, evitemos moralismos apressados e lembremos que, mesmo que Björk pareça numa encruzilhada por definir, nunca lhe faltou a força da convicção. Assim, por exemplo, com o tema Notget, do álbum Vulnicura (2015) — aí está o seu vertiginoso teledisco, celebrando um modelo de performance que, de facto, passou por inteiro, para o domínio do virtual.
Fica a pergunta: o corpo é ainda um objecto de expressão física ou uma tela de transfigurações virtuais? Seja qual for a resposta, podemos ter uma certeza: Björk quer que nós formulemos a pergunta.

Once you fell out of love
Our love couldn’t carry you
And I didn’t even notice
For our love kept me safe from
Death

You doubted the lights
And the shelter it can give
For in love we are immortal
Eternal and safe from death

If I regret us
I’m denying my soul to grow
Don’t remove my pain
It is my chance to heal

We carry the same wound
But have different cures
Similar injuries
But opposite remedies

After our love ended
Your arms don’t carry me
Without love I feel the abyss
Understand your fear of death

I will not forget
This not get
Will you not regret
Having love let go

After our love ended
Your spirit entered me
Now we are the guardians
We keep her safe from death

Love will keep all of us safe from death
Love will keep us same from death
(Safe! From!)
Love will keep all of us safe from death
Death
Love will keep us safe from (from) death
(Safe safe from from death death)
Death!


quarta-feira, novembro 02, 2016

Björk digital

A evolução digital de Björk conduziu-a ao álbum Vulnicura, lançado no começo de 2015. Para que dúvidas não houvesse, ela criou mesmo uma exposição intitulada 'Björk digital'. Nos seus espectáculos, performances e telediscos (e cada uma destas entidades, sem perder a sua identidade, parece incluir sempre algo das outras), temos assistidos, assim, a uma digitalização dos gestos criativos em que aquilo que seja um corpo ou uma voz está, afinal, em permanente discussão. Eis que chega agora uma espécie de trailer de um novo teledisco, para o tema Notget, dirigido por Warren Du Preez e Nick Thornton Jones — no álbum, a canção dura 6m 26s; para já, temos direito a 21 segundos plenos de sedução e mistério.

quinta-feira, março 26, 2015

segunda-feira, março 09, 2015

Para ler: uma visita à exposição sobre
Björk que inaugurou esta semana no MoMA

E depois das antecipações chegam as notícias das visitas à exposição dedicada a Björk que o MoMA, em Nova Iorque tem patente. A inauguração foi este fim de semana. E já há comentários...

Podem ver aqui a crítica no Guardian.
E aqui um texto no New York Times.

quinta-feira, março 05, 2015

A nova capa de 'Vulnicura'


A edição em suportes físicos do novo álbum de Björk vai ter uma capa diferente, da imagem que estava a ser usada no lançamento digital já disponível. Tratamento especial, portanto, para quem não se importa de esperar.

domingo, março 01, 2015

Bowie & Björk: a pop no museu

Bela primeira página do Libération para assinalar a abertura da exposição de Björk no MoMA, a par da continuada digressão da mostra 'David Bowie Is'. Um dossier para reflectir esse fenómeno dos nossos dias que é a pop no museu — inclui uma entrevista com Björk, sob o signo de uma pergunta sugestiva: "Como pendurar uma canção na parede?".

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Björk, segundo Alex Ross

O jornalista e ensaista Alex Ross, autor do livro O Resto é Ruído, assinou um texto no Guardian sobre Björk, que chega em vésperas do lançamento em suportes físicos do seu novo disco e de uma exposição no MoMA.

Podem ler aqui.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

Discos: as edições desta semana




Há um verdadeiro festim de edições de discos ao vivo a chegar esta semana aos escaparates das novidades. Além dos álbuns de John Grant com a BBC Philharmonic Orchestra – Live In Concert – e de BjörkBiophilia – de que já aqui falámos nos dois últimos dias, foram lançados esta semana os discos Live In Dublin de Leonard Cohen (que inclui 3CD e um DVD), Winterland Night 1978 de Bruce Springsteen (triplo CD), The 1972 Broadcast dos Crosby Stills Nash & Young, Live In Orlando 1989 dos R.E.M., Through Yellow Curtains de Joni Mitchell (com gravações de finais dos anos 60), Chicago 1992 dos Pearl JamTwenty Thousand Roads de Emmylou Harris e Live at The Sands do Rat Pack.

O departamento das grandes antologias também vibra nesta altura do ano. E há edições em versões económicas e nem por isso e em todas as frentes. Os Wilco editam a caixa Alpha Mike Foxtroot: Rare Tracks 1994-2014 em caixa e, ao mesmo tempo, a versão compactada What’s Your 20?. A obra de Donna Summer é recuperada na caixa The CD Collection e em várias reedições avulsas. Há uma nova integral em álbum de Simon & Garfunkel sob o título The Complete Album Collection. Peter Hammil lança a caixa ...All That Might Have Been. De Serge Gainsbourg e Jane Birkin surge Jane + Serge 1973. Dos Blondie há uma caixa em vinil com os LPs do grupo.

Em formato ‘best of’ mais “clássico” há que ter atenção para com o Best Of (literalmente) dos The Czars, a banda onde em tempos militava John Grant.

Há ainda mais espaços para a memória no plano das reedições. Brian Eno lança versões expandidas de alguns dos seus álbuns dos anos 80: Nerve Net, Neroli, The Drop e The Shutov Assembly. E dos Pixies chega a muito esperada edição alargada do seu álbum de 1989: Doolittle 25, com lados B, sessões na rádio e maquetes, entre os extras. 

Nos terrenos da música contemporânea há notar a chegada, via Naxos, de gravações de Beltane Fire de Peter Maxwell Davies e Airline Icarus de Brian Current, assim como uma interpretação, por Tom Winpenny (organista) de La Nativité du Seigneur, de Messiaen

Entre novidades, mais algumas antologias e reedições, há ainda a assinalar:
Boris Blank - Electrified
Future Sound of London – Environments 2 (agora em vinil)
Klaus Schulze – Schulze Boot Vol 1 – Stars are Burning
Mark Kozelek – Sings Christmas Carols
Mogwai – Industry 3 Fitness Industry 1 EP
She + Him – Classics

terça-feira, dezembro 02, 2014

Novas edições:
Björk

“Biophilia Live”
One Little Indian
5 / 5

Com uma agenda de edições onde não costuma haver muitas surpresas, os finais de ano costumam abrir alas a retrospetivas, reedições e discos ao vivo. Entre os registos de palco têm surgido este ano uma série de registos de arquivo, a “quadra” que se aproxima tendo agora juntando algumas gravações mais recentes aos escaparates. Só esta semana surgem, entre outros, novos discos ao vivo de John Grant (dele aqui falámos ontem), Leonard Cohen e Björk. Fiquemos pela cantora islandesa por agora, para assinalar a chegada de um “pack” (2CD + DVD) onde se apresenta um retrato da sua mais recente digressão e do qual tivemos, por estes lados, contacto por ocasião da passagem do filme-concerto Biophillia Live. O filme, realizado por Nick Fenton e Peter Strickland, representa a pièce de résistence do DVD, colocando-nos (uma vez mais) frente a imagens da atuação no Alexandra Palace, em Londres, que assinalou o final da digressão. Ao lado, os dois CD asseguram a parcela áudio da edição. Em conjunto encerra-se um capítulo no qual, como em episódios anteriores, Björk juntou um conceito e uma demanda à vontade de fazer novas canções. Desta vez houve uma ideia a presidir ao conceito: a natureza. Ou, melhor ainda, o encontrar de formas para, instrumental e tematicamente, expressar diretamente a natureza em canções. Se entre os temas do álbum Biophilia (de 2011), que nos trouxe o seu mais interessante conjunto de canções desde os dias de Vespertine (2001), se exploravam já essas relações no mapa dos temas, no filme-concerto reparamos que não só havia já na construção instrumental uma busca de ligação igualmente focada para com a natureza e as possibilidades de geração de sons que o mundo natural pode oferecer à música. Explorando ora a força da gravidade, entre outras mais forças do mundo físico, as canções de Biophilia ganham com a sua apresentação em palco a capacidade de materializar as ideias que estão na sua origem, aproveitando (naturalmente) as potencialidades instrumentais chamadas a palco para reinventar alguns temas antigos (curiosamente com alguma atenção maior para com o alinhamento do álbum Post). Juntamente com um coro feminino e dois músicos, Björk tem neste disco (com DVD) o seu melhor retrato de palco até aqui registado.