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sábado, fevereiro 25, 2023

Prémio do Júri da Berlinale
para filme de João Canijo

Mal Viver, de João Canijo, produzido por Pedro Borges (Midas Filmes), foi distinguido na 73ª edição do Festival de Cinema de Berlim com um Urso de Prata/Prémio do Júri.
Presidido por Kristen Stewart, o júri da Berlinale atribuiu o Urso de Ouro a Sur l'Adamant, do francês Nicholas Philibert [trailer].
Mal Viver integra um díptico completado com Viver Mal, título que também esteve presente em Berlim, na secção Encontros — ambos os filmes têm estreia agendada para 11 de maio.
 

A IMAGEM: Jens Koch, 2023

JENS KOCH
Todd Field
Berlinale, 23 fev. 2023

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Berlim já viu o novo Malick
(e eu gostei)


O ritmo a que vamos encontrando hoje novos filmes de Terrence Malick em nada se pode comparar ao que outrora conhecíamos num realizador que merecia, mais que qualquer um, o epíteto de bissexto quando chegava a altura de reparar na sua agenda de estreias. Cinco anos separaram a sua estreia em Badlands (1973) de Days of Heaven (1978), o filme que revela primeiros sinais de uma linguagem que viria a aperfeiçoar com o tempo. Vinte anos esperámos depois para o rever, em 1998, em A Barreira Invisível, sete depois até O Novo Mundo (2005) e seis até A Árvore da Vida (2011). De então para cá os intervalos foram reduzidos a dois anos para To The Wonder (de 2013, que entre nós estreou com a tradução menos inspirada A Essência do Amor) e, agora, Knight of Cups, havendo já em carteira dois novos projetos. Um rodado ao mesmo tempo que Knight of Cups, deverá focar a cena musical em Austin, no Texas. Ao mesmo tempo está em pós-produção Voyage of Time, documentário no qual trabalha há vários anos e sobre o qual se disse já que seria destinado a ecrãs Imax e teria duas versões, uma para exibição em museus, outra, mais longa, destinada às salas de cinema… Explicações para tão prolífica agenda? Haverá razões, certamente. E habitualmente esquivo nestas coisas dos media, Malick não deverá ter vontade para as justificar. Mas se virmos em A Árvore da Vida o alcançar definitivo de uma linguagem muito pessoal que vinha a ensaiar desde 1978, podemos entender o pós-2011 como um tempo em que, com voz dominada, agora pode procurar outras demandas: histórias.

Knight of Cups (o título vem de uma carta de tarot) é uma narrativa clara e bem focada sobre um tempo de desnorte e vazio na vida de um argumentista de Hollywood (interpretado por Christian Bale) que, apesar de criar tantas personagens, não sabe afinal nem quem é nem para onde vai. O filme acompanha a sua demanda por um sentido para a sua vida, ao mesmo tempo que evoca ligações passadas e presentes, frágeis e curtas, entre as mulheres que passam pela sua vida cruzando-se personagens criadas por Cate Blanchett ou Natalie Portman. Entre cenas de hedonismo em mansões luxuriantes ao bom estilo o Grande Gatsby (versão Hollywood) ou clubes de strip e tempos de fuga entre areais de praia ou a paisagem sem vivalma do Vale da Morte, a vida do protagonista esbarra no que vê e sente de imediato, um sentido mais profundo não surgindo sequer na linha do horizonte.

Num filme urbano, essencialmente rodado em Los Angeles (e com uma sequência em Las Vegas que acentua mais ainda o fosso que separa a exuberância das formas do vazio que as move), as marcas formais do cinema de Malick são rapidamente reconhecíveis nos movimentos de câmara, nas opções e ritmos de montagem, na música – onde se destacam desta vez Vaughan Williams, Grieg, Debussy, Pärt e Hanan Townshend (que tal como no filme anterior assina o score original), surgindo ainda pontualmente ecos da cultura pop/rock contemporânea – e na presença da voz em off (que em alguns momentos cabe a Ben Kingsley, que conta a história de um príncipe enviado pelo pai para encontrar uma pérola e que, depois de se distrair, esquece quem é e cai num longo sono, num paralelo evidente para com o protagonista).

Há também elementos temáticos em comum, da busca interior ao procurar na fé ou espiritualidades (e aqui não se fecha no cristianismo, apesar de ser num padre que escuta a ideia do sofrimento como etapa a cumprir antes de atingir a iluminação). Há uma família que perdeu um de três irmãos (como n’A Árvore da Vida). Há ocasionais olhares sobre vidas marginais, entre ruas menos bafejadas pela sorte (como em To The Wonder). Mas há um respirar de uma busca nova, entre as imagens da cidade, os muitos planos subaquáticos (entre o mar e piscinas) e uma breve sequência – que podemos associar ao trabalho de fotografia que a personagem de Christian Bale às vezes acompanha – de imagens paradas a preto e branco que colocam novos elementos em jogo.

Ao invés da narrativa fragmentada em A Árvore da Vida este é um filme sem grandes elipses. O passado surge mais em encontros e evocações em vez de flashbacks, estes sendo breves e muitas vezes usando as texturas de imagem das velhas câmaras de vídeo. Tal como em To The Wonder, mas sem o desencantamento que então assombrava as figuras de Affleck e Bardem, a firme busca de sentido e de identidade do protagonista acompanha-nos num contraste entre a tranquilidade aparente da sua expressão (algo inerte e desencantada) e o torpor de dúvidas e ansiedades que imaginamos por detrás dos seus olhos. Acompanhá-lo, ao longo de duas horas, foi até aqui a melhor das experiências desta 65ª Berlinale.

PS. Este texto foi originalmente publicado na Máquina de Escrever

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Berlinale 2013 (dia 8)


Passa hoje, fora de competição, o filme Dark Blood, de George Sluizer, aquele que foi o último rodado por River Phoenix, em 1993, e que nunca chegara a ser concluído. O realizador apresentou no ano passado, em Utrecht, uma versão definitiva do filme que, assim, teve finalmente estreia pública. Na competição oficial são hoje apresentados os filmes Dolgaya schastlivaya zhizn (com o título internacional A Long and Happy Life), de Boris Khlebnikov (Rússia) e Uroki Garmonii (título internacional Harmony Lessons), de Emir Baigazin (uma coprodução entre o Cazaquistão, a Alemanha e a França).

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Berlinale 2013 (dia 7)

Berlim assiste hoje à estreia mundial de Night Train To Lisbon, filme de Bille August, com Jeremy Irons como protagonista e que teve parte da rodagem feita em Lisboa. Também hoje passa, na competição oficial, Prince Avalanche, o novo filme de David Gordon Green. Na secção Forum passa hoje, pela primeira vez, A Batalha de Tabatô, de João Viana, realizador que tem na competição oficial a curta-metragem Tabatô.

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Berlinale 2013 (dia 6)

Dia fortíssimo hoje em Berlim, com a passagem de Pardé, o novo filme do realizador iraniano Jafar Panahi, co-assinado por Kamboziya Partovi. O dia de hoje será ainda assinalado pelas passagens de Camille Claudel 1915, o novo filme de Bruno Dumond e por Side Effects, um dos dois novos filmes que Steven Soderbergh vai apresentar este ano (o outro, sobre a figura de Liberace, estando com estreia apontada ao canal televisivo HBO).

Entretanto podem ler aqui o que o Guardian publicou sobre Maladies, de Carter, e aqui sobre The Spirt of 45, de Ken Loach, filmes que passaram já por esta edição da Berlinale.

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Berlinale 2013 (dia 5)


O quinto dia da edição 2013 da Berlinale será provavelmente dominado pela passagem de Before Midnight, filme de Richard Linklater que completa uma trilogia que passou, antes por Antes do Amanhecer (1995) e Antes do Anoitecer (2004), todos eles protagonizados pela dupla Julie Delpy e Ethan Hawke. O dia de hoje, entre a competição, vai ainda ver filmes como Layla Fourie, de Pia Marais, ou novas passagems de Vic & Flo on Vu An Ours, de Denis Coté. Na secção Panorama vê-se hoje Bambi, um novo documentário de Sébastien Lifschitz (o autor de Presque Rien) e Interior Leather Bar, filme co-assinado por Travis Mathews (o autor de I Want Your Love, que venceu o Queer Lisboa em 2012) e pelo ator e realizador James Franco.

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Berlinale 2013 (dia 1)

A cidade de Berlim acolhe hoje a abertura da 63ª Berlinale. As honras da noite ficam por conta de The Grandmasters, o novo filme de Wong Kar Wai, uma história de dois mestres de Kung Fu na China de 1936, em vésperas da invasão japonesa.

Esta edição conta na seleção oficial com novos títulos de realizadores como Gus van Sant, Steven Soderbergh, Bruno Dumont ou o iraniano Jafar Panahi. Um ano depois dos prémios para Miguel Gomes e João Salaviza Portugal tem cinco novos filmes no programa, um deles, a curta Tabatô, de João Vieira, na competição oficial.

Como sempre, nem só da competição oficial vive a Berlinale. Na seleção oficial, mas fora de competição passa, por exemplo, Dark Blood, o último filme com River Phoenix que, apesar de rodado (e não terminado) em 1993 só teve primeira exibição pública em 2012 no fesrival de Utrecht. Por outras secções passam ainda filmes como Don Jon'sAddition de Joseph Gordon Levitt, Frances Ha de Noah Baumbach, Bambi de Sébastien Lifschitz, Lovelace de Rob Epstein e Jeffrey Friedman, Interior Leather Bar de Travis Mathews e James Franco ou Sing Me The Songs That Say I Love You de Lian Lunson, sobre o concerto de homenagem a Kate McGarrigle.

Podem ler aqui um texto sobre esta edição da Berlinale que publiquei no DN.