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domingo, março 09, 2025

Bernard-Henri Lévy
— o primado da escrita

Ah!... Ainda é possível conversar em televisão. Para falar do seu novo livro, Nuit Blanche (ed. Grasset), uma belíssima viagem íntima através de uma noite de muitas insónias e outras tantas memórias, Bernard-Henri Lévy esteve numa edição do programa de Guyonne de Montjou, Libre à vous (TF1).
Em poucos mais de 20 minutos, eis uma digressão pontuada pela questão fulcral do primado da escrita. A saber: como, e porquê, escrever é uma forma de contemplar o mundo, transformando-o em objecto de conhecimento, celebrando o conhecimento como processo de transformação. Voilà!


>>> Site oficial de Bernard-Henri Lévy.
>>> Site oficial da revista La Règle du Jeu.

domingo, março 02, 2025

[ideias] Nobreza de Zelensky

Entre as muitas reacções, dos mais variados quadrantes geográficos e políticos, à presença de Volodymyr Zelensky na Sala Oval da Casa Branca, visado pelos insultos de Donald Trump e JD Vance, Bernard-Henri Lévy teve uma intervenção exemplar no canal televisivo francês BFM TV — em foco a nobreza de um dirigente político e a luta do seu povo.

sábado, março 23, 2024

Memórias do paraíso de Cézanne

Paul Cézanne: Natureza Morta com Prato de Fruta (1879-80)

Eis uma bela homenagem: a revista de Bernard-Henri Lévy celebra a herança plural do seu amigo Philippe Sollers — este texto foi publicado no Diário de Notícias (10 março).

Philippe Sollers
Por estes dias, reencontro palavras dos livros de Philippe Sollers (1936-2023). Por exemplo, a propósito da pintura e dos pintores que mais marcaram o seu mundo e a sua escrita: Monet, Manet, Cézanne… Em Les Folies Françaises, romance de 1988, Sollers contempla Cézanne numa deambulação em que pintura e romance se enlaçam, amorosamente: “Pinto-te, pinto-te, a pintura é um romance, terceiro mundo para lá da realidade e do seu espelho, mais presente do que alguma vez será a consciência da realidade duplicada através de um espelho. É a nossa loucura visível e legível. Música.”
A palavra final, solta, mas precisa, leva-nos a perguntar: que música é esta? Como descrevê-la? Ou ainda: se qualquer descrição padece das limitações da sua própria amostragem das “coisas”, como habitá-la? São palavras reencontradas numa belíssima edição da revista La Règle du Jeu (nº 81, janeiro 2024), dirigida por Bernard-Henri Lévy — um testemunho da longa amizade de Lévy e Sollers e, ao mesmo tempo, uma antologia de textos (assinados, entre outros, por Yann Moix, Nathan Devers e Jean-Paul Enthoven) para nos ajudar a percorrer o território imenso, multifacetado, marcado por uma gravidade radical cúmplice do riso mais livre, de um dos génios da escrita (identificá-lo como “escritor” será sempre pouco) nascidos no século XX.
Ao longo das décadas (Uma Curiosa Solidão, primeiro romance de Sollers, tem data de 1958), Lévy foi um observador atento, empenhado e apaixonado do labor de Sollers. E tanto mais quanto ambos podem ser identificados como protagonistas de um exercício tão vulnerável quanto fascinante: conhecemo-los como personagens regulares da paisagem mediática, com inevitável destaque para o espaço televisivo; ao mesmo tempo, sempre souberam expor-se nesse espaço resistindo às muitas obscenidades culturais que, em nome da “informação”, tendem a reduzir qualquer desejo de pensamento a coisa fútil e, por fim, dispensável.
Este número de La Règle du Jeu começa, aliás, com uma antologia de extractos de intervenções públicas de Lévy dedicadas a Sollers. No dia 7 de abril de 2000, no seu “Bloco notas” da revista Le Point, a propósito da edição do romance Passion Fixe, Lévy condensava num parágrafo admirável a peculiar condição de Sollers como “agente secreto” — aliás, Sollers viria mesmo a publicar um delicioso panfleto autobiográfico intitulado Agent Secret (2021). Citação:
“Philippe Sollers, a sua obra é disso testemunho, teve sempre a obsessão da clandestinidade, das conspirações, dos disfarces, dos lobos. Nunca cedeu contra o desejo, vital, de jogar a sombra contra a luz, de trancar a sua obra e a sua vida — de mobilizar, de facto, os seus livros como outras tantas máquinas da guerra de longa duração que ele quis travar, com alguns outros, contra a monstruosidade do tudo-mostrar e do tudo-dizer.”
Bernard-Henri Lévy
Que monstruosidade é esta? As infinitas variações da escrita de Sollers estão em guerra com a mediocridade de um quotidiano gerido pelo voyeurismo do “Big Brother” (não estamos a falar de Orwell, se é que o leitor faz o favor de me seguir…), antes celebram diferentes maneiras de ver, pensar, sentir e amar em tudo e por tudo alheias à desumanização do nosso mal viver mediático. Na sua alegre brevidade (100 páginas ou menos), os quinze romances finais de Sollers, de L’Étoile des Amants (2002) a Graal (2022) organizam-se mesmo como ecos de um quotidiano cada vez mais maniqueísta, a que a escrita contrapõe lições antigas de diferentes modos de viver e pensar a vida que queremos viver.
Num dos textos de La Règle du Jeu, o professor e crítico literário Olivier Rachet recorda o livro que Sollers escreveu, justamente, sobre Cézanne: Le Paradis de Cézanne (1995). Pertence a esse livro uma máxima que resume exemplarmente a crise da “moral da percepção” em que vivemos e somos obrigados a viver: “Estamos na época em que o homem se separa da sua própria percepção, ou mais exactamente separa-se contra ela.” Em boa verdade, o próprio Cézanne já nos tinha avisado para tal perigo, chamando-nos a atenção para a música que importa defender, ao citar os frutos das suas naturezas mortas: “Eles ficam ali e pedem desculpa por mudar de cor.”

quinta-feira, março 10, 2022

"Duas formas de civilização" [citação]

>>> A agressão de Putin contra a Ucrânia não é apenas um assunto militar. É um confronto entre duas concepções da sociedade, duas visões do que faz a vida uma coisa boa e, no fundo, duas formas de civilização.
É do nosso futuro que se trata e da sorte reservada, neste século, às centenas de milhões de mulheres e homens que acreditam na democracia, não desistem da liberdade e querem a paz.

BERNARD-HENRI LÉVY, SEAN PENN, SALMAN RUSHDIE e STING
'O destino do mundo joga-se em Kiev'
Libération, 10 março 2022

sexta-feira, junho 26, 2020

Novo livro de Bernard-Henry Lévy
editado pela Guerra e Paz

A primeira tradução do novo livro de Bernard-Henri Lévy, Ce virus qui rend fou, será portuguesa, com chancela da editora Guerra e Paz: Este Vírus Que Nos Enloquece estará disponível em todas as livrarias, físicas e online, no dia 7 de Julho. Em discussão: "o COVID-19, a política, os media e o esquecimento do resto do mundo...", temas abordados pelo autor numa conversa na Radio Notre Dame. Eis uma mensagem de Lévy para os leitores portugueses e o registo dessa conversa.



terça-feira, março 17, 2020

"O amor — e o ódio — no tempo
do coronavírus"

Eis uma epidemia que, para além do seu poder devastador, vem "ajustar-se a algumas das assombrações mais lúgubres da época" — notável texto de Bernard-Henri Lévy (publicado originalmente na revista Le Point), ou como a sobrevivência humana envolve sempre a construção política do mundo.

quinta-feira, março 05, 2020

Bernard-Henry Lévy
— à procura da Europa

"Eu quero que, na Europa, ultrapassemos (...) o paradigma nacional", diz Bernard-Henri Lévy. Eis uma frase precisa e contundente que, em qualquer caso, não deixa de ser vulnerável às mais diversas apropriações, por vezes distorcendo o pensamento que a gera. Precisamente para a enunciar, pensar e partilhar, BHL escreveu Hôtel Europe, drama teatral centrado numa "princesa Europa" ameaçada pela leviandade de algumas ideias, fragilizando a possibilidade de uma Ideia aglutinadora, diversa, aberta à diversificação.
Foi em 2014. Depois, ao longo de vários anos (até à realização das eleições europeias, em maio de 2019), Hôtel Europe transfigurou-se em Looking for Europe, performance que BHL assumiu enquanto actor do seu próprio texto, representando-o nas "capitais de espírito europeu", de Kiev a Paris, passando por Bruxelas, Viena ou Lisboa (com uma derivação por Nova Iorque).
Reescrevendo o texto para cada uma das cidades, o autor criou um fascinante palimpsesto que pode ser conhecido através de uma edição especial da revista que ele próprio dirige, La Règle du Jeu (nº 69/70, Setembro 2019). Em jogo está essa dialéctica do nacional e do continental, vista a partir de um lugar francês, assim resumida na versão original de Hôtel Europe:

>>> Se há uma "identidade" que não está a funcionar, não será aí que a encontramos: a identidade, não da França, mas da Europa? É curioso que ninguém o diga. É curioso que nos encham com a "identidade nacional em perigo" quando é do lado da Europa que as coisas se estão a afundar.

>>> Entrevista sobre Looking for Europe [BFMTV, 01-03-2019].

quinta-feira, fevereiro 20, 2020

Jean Daniel (1920 - 2020)

Nome grande do jornalismo francês, observador e pensador das grandes clivagens políticas do século XX, Jean Daniel faleceu no dia 19 de Fevereiro, em Oslo — completaria 100 anos a 21 de Julho.
A revista de actualidade Le Nouvel Observateur (actualmente: L'Obs) é o emblema exemplar da sua trajectória: fundou-a, em 1964, com o industrial Claude Perdriel, segundo um princípio de análise e intervenção para o qual todos os domínios, a começar pelo político, são de natureza cultural. A sua vida pública ficou marcada por relações de cumplicidade e confronto com personalidades como Albert Camus, Michel Foulcault ou François Mitterand, preservando sempre os valores de um humanismo tecido de contundência moral e compaixão — no livro Jean Daniel, Observateur du Siècle (2003), Hubert Védrine definiu-o através de uma fórmula sugestiva: "Jean Daniel comportou-se no domínio do jornalismo como um homem de Estado."
Autor de mais de três dezenas de livros, escreveu, por exemplo, L'Ère des Ruptures (1973) Les Religions d'un Président : Regards sur les Aventures du Mitterrandisme (1988) e Demain la Nation (2012). L'ami Anglais, uma colecção de crónicas históricas romanceadas, valeu-lhe o Prémio Albert Camus em 1994.

>>> A verdade segundo Jean Daniel [Arquivo INA].


>>> Video de L'Obs anunciando a morte de Jean Daniel.


>>> Obituário em L'Obs.
>>> Memória de Jean Daniel por Bernard-Henri Lévy.
Libération, 21 Fev. 2020

domingo, outubro 13, 2019

António Lobo Antunes
— por Bernard-Henri Lévy

Lisboa, 28 Setembro 2019
A homenagem a António Lobo Antunes, realizada na Fundação Gulbenkian no dia 28 de Setembro, começou com uma notável exposição de Bernard-Henri Lévy. Percorrendo os labirintos de significação gerados pela escrita de Lobo Antunes, o autor de La Pureté Dangereuse falou da voz primordial gerada pelo fluxo das palavras, do labor específico do leitor e, no limite, da omnipresença do Mal — eis o respectivo registo, disponível também nas páginas de La Règle du Jeu.

segunda-feira, março 04, 2019

China, século XXI

Jia Zhang-ke é um dos cineastas chineses que temos podido acompanhar no mercado português: o seu novo filme encena a relação amorosa de uma mulher com um chefe mafioso — este texto foi publicado no Diário de Notícias (1 Março).

Jia Zhang-ke
Ensina a sabedoria tradicional que não devemos confundir a árvore com a floresta... Numa inversão mais ou menos perversa, podemos defender a ideia de que a visão global da floresta não esgota o conhecimento particular de cada árvore...
As metáforas nem sempre nos ajudam a esclarecer as ideias, sobretudo quando o que está em jogo é a gigantesca China, neste caso a nossa metafórica floresta. Todos sabemos, o assunto está mesmo na rotina dos noticiários, que a China vive um processo de vertiginoso crescimento que, segundo alguns observadores, visa a reconquista dos seus poderes imperiais, agora face aos EUA de Donald Trump (se o leitor se interessa pela complexidade que tudo isso envolver, recomendo vivamente o mais recente livro de Bernard-Henri Lévy, L’Empire et les Cinq Rois).
Enfim, é de cinema que falo e dessas árvores metafóricas que são os cidadãos chineses. Dito de outro modo: há alguns talentosos cineastas da China que, com paixão e método, continuam a interessar-se pelos homens e mulheres do seu país, encenando-os em histórias tocantes, quase sempre de grande vibração dramática.
Jia Zhang-ke, nascido em 1970 em Fenyang (província de Shanxi), é um desses cineastas e dos que, felizmente, tem estado bem representado no mercado português. O seu filme mais recente, As Cinzas Brancas Mais Puras (apresentado na competição de Cannes/2018), chegou agora às nossas salas.
Por bizarro preconceito (favorável ou desfavorável, em qualquer caso preconceito), supõem-se muitas vezes que as histórias cinematográficas chinesas são variações “obrigatórias” sobre a pompa e circunstância que está condensada em O Último Imperador, esse filme lendário de Bernardo Bertolucci consagrado nos Oscars de 1988. Belo filme, sem dúvida, aliás realizado por um... italiano. Mas não é essa a questão.
Observe-se As Cinzas Brancas Mais Puras. Que encontramos aqui? Antes do mais, uma intriga de amor e morte, protagonizada pela frágil Zhao Qiao (Zhao Tao, musa do realizador e também sua mulher na vida real) e esse homem inquietante que é Guo Bin (Liao Fan) — ele é um chefe mafioso, ela está apaixonada por ele. Num confronto urbano que ameaça descambar em extrema violência, ela dispara um tiro para o ar de modo a defender o seu amante... Acaba por ser detida, passa vários anos na prisão e regressa acreditando que pode refazer a sua relação...


Em boa verdade, estamos muito longe de qualquer visão mítica ou esotérica dos cenários chinesas: As Cinzas Brancas Mais Puras é um “thriller” de perturbante intensidade emocional, assombrado por uma permanente ameaça de morte. E se queremos sugerir algum paralelismo temático e estilístico, a primeira hipótese em que pensamos será, muito provavelmente, a do americano Quentin Tarantino.
Entenda-se: não precisamos de procurar referências para caucionar o trabalho de Jia Zhang-ke. Até porque os filmes que dele conhecemos nascem sempre de um profundo amor pelas gentes do seu país, a começar por Plataforma (2000), espantoso retrato das convulsões da Revolução Cutural maoísta vistas a partir da experiência de um grupo teatral que, num inusitado desafio (cultural!), se transfigura em banda rock.
Podemos mesmo dizer que o novo filme de Jia Zhang-ke se filia nessa grande tradição narrativa que é o melodrama, tradição que sempre ligou simbolicamente o Ocidente e o Oriente. Lembrando também o que tantas vezes se esquece ou simplifica: o espírito melodramático não nasce de qualquer exaltação abstracta do amor. Bem pelo contrário: tal como acontece em As Cinzas Brancas Mais Puras, é através do realismo mais cru que partimos à descoberta da possibilidade de o amor acontecer. Ou morrer.

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

#MeToo [citação]

>>> (...) que o amor se sinta feliz de dizer "mulher" sem ser alvo da cólera de #MeToo; que se sinta feliz de dizer "homem" sem que se oiça berrar #MeTooToo.

BERNARD-HENRI LÉVY
Bloco-notas, 7 Jan. 2019