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quinta-feira, janeiro 09, 2025

2024 / 10 álbuns [10]

* ADULT JAZZ, So Sorry So Slow

Depois de Gist Is (2014) e Earrings Off! (2016), a classificação dos Adult Jazz como uma banda experimental talvez tenha qualquer coisa de incontornável — além do mais, são ingleses, o que, por maldosa ironia, sugere sempre um toque chic na procura de caminhos alternativos. Ao mesmo tempo, esta espantosa Opus 3 reafirma-os como uma banda de tenaz procura de canções que, na sua singularidade, são capazes de transcender rótulos e estilos, teorias seguras e práticas consagradas — ouça-se o tema que encerra o alinhamento, Windfarm [video], com a colaboração do violoncelista Oliver Coates. Este é um álbum que se oferece ao ouvinte como se a história anterior da música devedora de alguma sensibilidade rock tivesse redescoberto o grau zero da sua própria reinvenção, esse lugar em que, como se prova, tudo volta a ser possível — fascinante.


[ Waxahatchee ] [ Jessica Pratt ] [ Danish String Quartet ] [ Andra Day ] [ Fred Hersch ] [ The Smile ] [ Billie Eilish ]
[ Ryan Adams ] [ Beyoncé ]

lopes_jjlr

terça-feira, setembro 17, 2024

So Sorry So Slow
— melhor álbum de 2024?

Uma década depois de Gist Is (2014), oito anos passados sobre Earrings Off! (2016), os Adult Jazz continuam a provar que pertencem a um território de fascinantes ambiguidades, dir-se-ia a mais ancestral das vanguardas: So Sorry So Slow (2024), Opus 3 dos ingleses de Leeds, prolonga um gosto experimental que tende a gerar canções como contidos exercícios de música de câmara, clássicos na sensibilidade e, ao mesmo tempo, genuinamente experimentais.
Uma proeza de imaculada verdade criativa, para continuar a ouvir, descobrindo novos enigmas e revelações em cada audição, porventura deparando com aquele que poderá ser, de longe, o melhor álbum do ano — eis o poema e o teledisco de Bleat Melisma.

How long?
How long ‘til I am won?
A constant roam through combination
A saddlebag
The moor alone
Remove the bone, desire
Undecorated

How heartless, how heartless, how heartless you are
Who would pitch up his tent next to me?

Cannot sustain
Snacking alone
Nor holy bread, that threat of manna makes it
So hard to slow
Or call a home
Impossible to hope with breath unbaited

How heartless, how heartless, how heartless you are
Who would you pitch up his tent next to me?

It could be me
That lucky bolt
All sadness smote
All lame with hope
I’m waiting
Who?

In this day, all of them
A bleat of happiness!
This day, more of them
A bleat of happiness!

So brick me in
The chapel wall
A quatrefoil
To frame the world
I’m waiving

terça-feira, julho 02, 2024

Adult Jazz: o regresso

Alheios a qualquer agitação mediática, os ingleses Adult Jazz regressam com um álbum magnífico, desde já um dos mais sedutores e inclassificáveis da colheita de 2024. Depois de Gist Is (2014) e Earrings Off! (2016), aí está So Sorry So Slow (2024), pop adulta com travo expermental e, pourquoi pas, jazzístico. Para começar, eis Dusk Song.

If he led us here, where is he?
Will it be a final sun set on me?
Here
Suddenly a sun
Yellowing on me
Here
Feel the sting
A sting creeping in

You know time is run out
Is your brother here?
Father here?
Lover here?
Sister here?
Mother here?


sexta-feira, fevereiro 09, 2024

Adult Jazz, Earrings Off! (2016)

sexta-feira, maio 27, 2016

Adult Jazz, opus 2

Os Adult Jazz estão de volta. Dois anos depois do magnífico Gist Is, os britânicos de Leeds apresentam Earrings Off!, segundo álbum que elege a dialéctica corpo/sociedade como tema aglutinador das suas canções. O menos que se pode dizer do primeiro tema divulgado, Eggshell, é que a sua liberdade poética volta a enraizar-se num gosto experimental que será jazzístico, pelo menos, no espírito — o teledisco, austero e magnífico, tem realização de Sam Travis.

I stuff my courage with a sock
I stuff my courage and I know what's going on
And now the language is stuck
Maybe the language doesn't know what's going on

I shrug my luggage off
I shrug my luggage and be painless in a month
I will be holy and bold
Without a handle, as a doll with only a bump

And my body cases lead smoke
Like an eggshell full of black wool

I stuff my courage with some socks
I stuffed my courage, strutted foxy like a fox
And if the body is a rock
Rock body tell me what I'm not

I mark a circle on the floor
I take a breath, and then a toothbrush to my core
And it's a sacred fight
I mist the mirror and it tells me that I'm right

And my body cases lead smoke
Like an eggshell full of black wool

A boy with a bow or a girl without one
A boy with a bow or a girl without one
Is easier said than done
I'm pacing up the edge of my room
Half-proud

Compulsory, essential song
Each line
I sing along, I know that it's wrong
Even now
I still feel fear
Feel caked in wrong
It's in the bell curve
I lick along
And get moral feelings

We'll feast on moths
With salted wings
We'll drink the blood of anything
So let's talk
Creature to creature

segunda-feira, janeiro 05, 2015

30 discos de 2014 (J. L.)

Foi o ano da plena revelação de um dos álbuns mais electrizantes de Miles Davis: Miles at the Fillmore reúne os sons de quatro dias (17/20 Junho 1970) no Fillmore East, Nova Iorque, levando-nos a redescobrir um artista de génio numa encruzilhada fascinante entre o património acumulado e a vertigem da experimentação: é um álbum sem tempo, clássico pela excelência, moderno em qualquer conjuntura — e se é preciso escolher um disco do ano, este será o meu.
Em todo o caso, que o leitor não se iluda com a abundância, porventura deselegante, desta lista. Não são 30 discos porque queira fazer valer a quantidade. O excesso é, aqui, sintoma das próprias limitações que não posso deixar de me reconhecer: acredito que não ouvi com a devida atenção (ou, pura e simplesmente, não ouvi) muitos outros que, por certo, mereciam um destaque neste balanço. Digamos que estes podem condensar um panorama de géneros (e séculos!) cujos contrastes nos levam a experimentar a deslocação criativa das próprias fronteiras musicais — didacticamente, ou talvez não, aqui ficam por ordem alfabética dos respectivos títulos.

* The Art of Conversation, KENNY BARRON & DAVE HOLLAND



* Charlie Haden & Jim Hall, CHARLIE HADEN & JIM HALL

* Familiars, THE ANTLERS


* Gary Clark Jr. Live, GARY CLARK JR.

* Gist Is, ADULT JAZZ

* Gone Girl, TRENT REZNOR & ATTICUS ROSS

* The Great Lakes Suites, WADADA LEO SMITH

* High Hopes, BRUCE SPRINGSTEEN



* Last Dance, KEITH JARRETT / CHARLIE HADEN

* Macroscope, THE NELS CLINE SINGERS

* Manipulator, TY SEGALL

* Meshes of Voice, SUSANNA / JENNY HVAL


* The Rite of Spring, THE BAD PLUS

* Road Shows, Vol. 3, SONNY ROLLINS

* Ryan Adams, RYAN ADAMS

* Singles, FUTURE ISLANDS

* Small Town Heroes, HURRAY FOR THE RIFF RAFF

* Songs, DEPTFORD GOTH

* Spark of Life, MARCIN WASILEWSKI TRIO & JOAKIM MILDER

* Stravinsky: Le Sacre du Printemps & Petrouchka, LES SIÈCLES / FRANÇOIS-XAVIER ROTH


* To Be Kind, SWANS

* Trialogue, WESSELTOFT SCHWARZE BERGLUND

* Ultraviolence, LANA DEL REY

quinta-feira, julho 31, 2014

Adult Jazz: the next big thing?

Os Adult Jazz estão disponíveis, para audição, na NPR. Ao apresentá-los, Tom Moon atreve-se (e muitíssimo bem!...) a evocar a herança plural, complexa e difícil de Frank Zappa (e também os King Crimson e os Dirty Projectors). Que é como quem diz: estamos perante uma banda que, à maneira de muitos colectivos contemporâneos, exibe uma abundante colecção de referências (enraizadas sobretudo na Net?) que, em qualquer caso, nunca se impõe como razão "escolar" do seu trabalho — o que conta é o desafio sistemático ao próprio conceito de canção, de acordo com uma lógica que procura menos a estabilização académica de um "estilo" e mais a criação de genuínas aventuras narrativas.
Apetece dizer, por isso, que na sua frondosa diversidade, o álbum de estreia dos Adult Jazz — Gist Is — se escuta como quem lê um romance em que a personagem central é a própria sensualidade dos contrastes que a música pode acolher. Sem esquecer, claro, a delicada inquietação lírica de tudo isto (por exemplo, no tema Springful):

Right honor, coat of armor
And I'm proud
Let my left die, dreams are led like
And I'm down
Still a lover but no further
Then a board game
Still a lover but for sugar
In my vein

São de Leeds e, de acordo com uma entrevista no Stereogum, dizem frases maravilhosas como "as mãos e os gestos são coisas semanticamente tão ambíguas" (a propósito da capa de Gist Is). Há neles uma educada insolência juvenil que justifica o rótulo adulto no seu nome. E mesmo se é verdade que os Adult Jazz não serão, em rigor, um projecto de jazz, a ideia de que tudo é possível justifica a conotação jazzística desse mesmo nome.
Eis o teledisco de Springful, seguido do som do imenso e sinfónico Spook. E se eles não forem the next big thing, não creio que haja muitos outros para reivindicar o epíteto — em qualquer caso, os Adult Jazz são um caso exemplar de singularidade criativa.