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segunda-feira, dezembro 11, 2023

A Rainy Night in Soho
no funeral de Shane MacGowan

[ FOTO de Andrew Catlin / shanemacgowan.com ]

Falecido no dia 30 de novembro, contava 65 anos, Shane MacGowan deixa um legado musical que, num misto de comoção e contenção, esteve presente no seu funeral. Assim, a cerimónia de despedida do lendário vocalista e compositor de The Pogues incluiu uma das suas canções mais emblemáticas — A Rainy Night in Soho —, interpretada por Nick Cave. A cerimónia realizou-se  na Igreja de Santa Maria do Rosário, na cidade irlandesa de Nenagh.

domingo, setembro 19, 2021

SOUND+VISION
— o regresso à FNAC

Elise LeGrow e Nick Cave [video].
Dois festivais: Cannes e Eurovisão.
O novo álbum de Marisa Monte.
A aventura digital dos Abba.
E a memória emocionada de Charlie Watts.
Foi muito bom voltarmos à FNAC do Chiado, agora no piso de baixo, com tecnologia e visual renovados — brevemente, o registo da sessão estará disponível online.
O próximo encontro está marcado para 16 de outubro, com James Bond no sumário.

terça-feira, março 09, 2021

8 canções de Nick Cave & Warren Ellis

Warren + Nick [Clash]

Nick Cave & Warren Ellis são companheiros de muitas aventuras. Em grupo, claro: Nick Cave and the Bad Seeds. Mas também em dueto, compondo algumas músicas admiráveis para filmes como O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford (Andrew Dominik, 2007) ou Hell or High Water - Custe o Que Custar! (David Mackenzie, 2016). Reencontramo-los, agora, a assinar Carnage, a sua primeira colecção de canções (para já, disponível em streaming; vinyl e CD a 28 de maio).
São oito temas que, de facto, podem ser descritos como elementos de uma banda sonora imaginária, intimista, plena de contrastes, ao mesmo tempo desenhando o mapa de um contido desencanto face às convulsões da natureza humana e à miragem de uma transcendência sem nome. Este White Elephant, por certo uma das grandes canções de 2021, é o tema central do álbum, a meio caminho entre "tradição" e "vanguarda", em última análise celebrando uma glória que dispensa rótulos de qualquer espécie.

sábado, dezembro 31, 2016

Wenders, Handke e os outros (3/3)

O novo filme de Wim Wenders é uma prodigiosa cerimónia cinematográfica ancorada nas palavras escritas por Peter Handke — este texto foi publicado no Diário de Notícias (18 Dezembro), com o título 'Como pensar através dos filmes?'.

[ 1 ]  [ 2 ]

A história mais recente do cinema a três dimensões é, muitas vezes, uma história mal contada. Há nela um capítulo mais antigo que não pode ser reduzido aos efeitos “espectaculares” que agora nos propõem como a derradeira descoberta da arte de fazer filmes... Em meados da década de 50, títulos lendários como Máscaras de Cera (André De Toth, 1953), Chamada para a Morte (Alfred Hitchcock, 1954) ou O Monstro da Lagoa Negra (Jack Arnold, 1954) aplicaram o 3D no interior de uma guerra comercial que as chamadas “superproduções” dos anos 60 iriam continuar de outro modo — tratava-se de oferecer novidades que pudessem contrariar a desertificação das salas e o aumento exponencial das audiências televisivas.
Convenhamos que aquilo que está a acontecer nos últimos anos não é alheio a um drama com raízes, em parte, semelhantes: face à crise global de frequência das salas, acompanhada de um incremento dos consumos via Internet (legais e ilegais), o 3D surgiu como um “suplemento” de espectáculo, em última instância susceptível de “justificar” a cobrança de bilhetes mais caros.
Não está em causa que, a par da indigência de alguns filmes de “Harry Potter” e seus derivados, tal estratégia tenha também gerado algumas obras fascinantes — lembremos, por exemplo, Alice no País das Maravilhas (Tim Burton, 2010) ou A Invenção de Hugo (Martin Scorsese, 2011). O certo é que, sete anos passados sobre o lançamento desse título charneira que foi Avatar (James Cameron, 2009), não se pode dizer que o 3D tenha consumado a revolução prometida.
Importa, em particular, não reduzir o que está a acontecer a um fenómeno específico de Hollywood. O exemplo de Wim Wenders é, nesta perspectiva, modelar. Primeiro com a abordagem das coreografias de Pina Bausch, em Pina (2011), agora com o prodigioso Os Belos Dias de Aranjuez — por certo um dos acontecimentos fulcrais do ano cinematográfico de 2016 —, o cineasta alemão tem aplicado o 3D como um método paradoxal de intensificação realista, de algum modo próximo do que fez o seu compatriota Werner Herzog em A Gruta dos Sonhos Perdidos (2010).
Sempre atento às convulsões tecnológicas (em meados da década de 70, foi pioneiro a pressentir as mudanças de percepção associadas às novas câmaras de video), Jean-Luc Godard tem também deixado a sua inconfundível assinatura neste processo, através de um trabalho de pesquisa que desembocou nesse filme único que é Adeus à Linguagem (2014).
Porquê a afirmação de um “adeus à linguagem”? A expressão pode justificar as mais variadas reflexões, sendo a mais premente a que decorre de uma constatação amarga: vivemos o enfraquecimento de uma cultura literária, enraizada no valor primordial das palavras, favorecendo a sedução ambígua de um espaço dominado pelo poder das imagens. Godard pergunta-nos se, menosprezando as palavras, ainda sabemos pensar — em qualquer dimensão.

domingo, dezembro 25, 2016

Wenders, Handke e os outros (2/3)

O novo filme de Wim Wenders é uma prodigiosa cerimónia cinematográfica ancorada nas palavras escritas por Peter Handke — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 Dezembro), com o título 'Nick Cave: um compositor que gosta de cinema'.

[ 1 ]

A presença de Nick Cave em Os Belos Dias de Aranjuez tem qualquer coisa de aparição fantasmática. Provavelmente, não deveríamos dizê-lo, permitindo que o espectador descobrisse tal aparição sem ter qualquer informação prévia. O certo é que o trailer (atenuando o próprio efeito de surpresa) revela a sua presença no cenário do filme, ao piano, interpretando Into My Arms — trata-se de uma canção de 1997, incluída no alinhamento do álbum The Boatman’s Call, décimo registo de estúdio de Nick Cave and the Bad Seeds [em baixo: teledisco de Jonathan Glazer].
As mágoas românticas das suas canções têm sido uma pontuação importante de vários momentos da obra de Wenders, a começar por As Asas do Desejo (1987), em que Nick Cave e a sua banda surgiam mesmo numa das cenas. Há ainda temas de sua autoria em Até ao Fim do Mundo (1991), Tão Longe, Tão Perto (1993), e Imagens de Palermo (2008). Wenders incluiu também uma das suas canções no documentário The Soul of a Man (2003), da série The Blues, produzida por Martin Scorsese.
Poderá pensar-se que a condição de artista de culto reduz as suas relações com o cinema a filmes mais ou menos independentes e marginais. O certo é que escutamos canções de Nick Cave em produções como uma comédia de Jim Carrey, Doidos à Solta (1994), Batman para Sempre (1995) e até mesmo Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 1 (2010).
O seu trabalho como autor de bandas sonoras é indissociável da colaboração com Warren Ellis, australiano como ele, companheiro de The Bad Seeds e também de um dos projectos “paralelos” de Nick Cave, a banda Grinderman, fundada em 2006. Assinaram, assim, a música de títulos como Escolha Mortal (2005), de John Hillcoat (com Nick Cave a assumir também as funções de argumentsita), O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford (2007), de Andrew Dominik, A Estrada (2009), outra vez de Hillcoat, e Custe o que Custar (2016), de David Mackenzie, um “western” em cenários contemporâneos, recentemente lançado entre nós. Compuseram ainda as ambiências musicais para a edição audio de um romance de Nick Cave, The Death of Bunny Monroe (2009).
20.000 Dias na Terra (2014), de Iain Forsyth e Jane Pollard, destaca-se de todos estes títulos, uma vez que apresenta uma reflexão autobiográfica pouco canónica, brincando com as próprias regras do documentário. Entretanto, Andrew Dominik voltou a colaborar com Nick Cave no filme One More Time with Feeling, revelado há cerca de três meses em paralelo com o álbum Skeleton Tree. Num registo que combina o olhar documental com a atitude confessional, nele se cruzam as gravações do disco e a memória trágica de um dos quatro filhos de Nick Cave, Arthur, falecido num acidente em 2015, aos 15 anos de idade — para já, o filme teve apenas uma apresentação isolada em salas de cinema de todo o mundo (incluindo Portugal), na véspera do lançamento de Skeleton Tree.

[continua]

terça-feira, outubro 25, 2016

Nick Cave chega a Marte

Ron Howard e Brian Grazer, produtores de The Beatles: Eight Days a Week, têm um novo projecto documental, desta vez para o canal National Geographic. Tema: o planeta Marte. Em seis episódios, a partir de 4 de Novembro, Mars apresenta-se com música de Nick Cave e Warren Ellis — eis a canção-tema e, em baixo, o trailer da série.



quinta-feira, setembro 29, 2016

SOUND + VISION Magazine / FNAC
— Beyoncé & etc. [hoje]

Regressamos à FNAC para falar do modo como, cada vez mais, a música explora caminhos narrativos que têm as suas raízes no cinema. Beyoncé e Nick Cave serão convocados, como sempre através de imagens + sons. Isto sem esquecer que os Beatles estão de volta… ao cinema!

sábado, setembro 03, 2016

Nick Cave — uma canção antes do álbum

O novo álbum de Nick Cave & The Bad Seeds, Skeleton Tree (nas lojas a 9 de Setembro), vai ser lançado através de um filme realizado por Andrew Dominik, One More Time With Feeling, com exibição única no dia 8 de Setembro. Tal apresentação ocorrerá em apenas 650 salas de todo o mundo, duas delas em Portugal, ambas UCI (Lisboa: El Corte Ingles + Porto: Arrábida 20).
Entretanto, foi divulgada uma primeira canção de Skeleton Tree — chama-se Jesus Alone e surge nesta magnífica austeridade.

You fell from the sky
Crash landed in a field
Near the river Adur
Flowers spring from the ground
Lambs burst from the wombs of their mothers
In a hole beneath the bridge
She convalesce, she fashioned masks of clay and twigs
You cried beneath the dripping trees
Ghost song lodged in the throat of a mermaid

With my voice
I am calling you

You're a young man waking
Covered in blood that is not yours
You're a woman in a yellow dress
Surrounded by a charm of hummingbirds
You're a young girl full of forbidden energy
Flickering in the gloom
You're a drug addict lying on your back
In a Tijuana hotel room

With my voice (...)

You're an African doctor harvesting tear ducts
You believe in God, but you get no special dispensation for this belief now
You're an old man sitting by a fire, hear the mist rolling off the sea
You're a distant memory in the mind of your creator, don't you see?

With my voice (...)

Let us sit together until the moment come

terça-feira, agosto 02, 2016

Nick Cave: álbum + filme

Grande expectativa em torno do novo trabalho de Nick Cave & The Bad Seeds, Skeleton Tree, a lançar a 9 de Setembro — não apenas um álbum, mas também um filme "sobre" as respectivas canções. O filme chama-se One More Time With Feeling e foi dirigido por Andrew Dominik, o cineasta de O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford (2007) e Mata-os Suavemente (2012) — eis o sedutor trailer sobre tão especial evento.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

A vida num só dia


Escrevo sobre a história da relação de Nick Cave com o cinema na mais recente edição da revista online Metropolis. Com o filme Nick Cave: 20.000 Dias na Terra como ponto de partida ali se fala das muitas outras ocasiões em que a sua música chegou ao seu ecrã, assim como das colaborações como ator e argumentista que o aproximaram muito deste universo.
Aqui fica um excerto do texto:

Nick Cave volta-se para Blixa Bargeld, seu colaborador durante 20 anos, confessando-lhe que entendera finalmente que, na música, é preciso saber “editar” (ou seja, escolher o que fica e o que sai na versão final de uma canção). A conclusão é uma entre as muitas reflexões que, juntamente com memórias, habitam o tutano de Nick Cave: 20000 Dias na Terra, filme da dupla Ian Forsyth e Jane Pollard que usa um dispositivo de ficção para fazer um retrato de um dos músicos mais interessantes do nosso tempo.

Coescrito pelos realizadores e o próprio Nick Cave, o filme usa os cenários do quotidiano do músico australiano – que vive em Brighton, no Reino Unido, com as falésias brancas que colocam ponto final ao Canal da Mancha por perto – para, num arco de um dia, caminhar entre o seu presente e passado. As conversas que tem com Warren Ellis, Blixa Bargeld ou Kylie Minogue (que lhe confessa que nunca tinha ouvido a sua música antes de terem gravado o belíssimo dueto Where The Wild Roses Grow, em 1996) ajudam-nos a conhecer a personalidade de Cave e lançam importantes espaços de memórias e partilhas. A visita ao arquivo, onde tem guardadas imagens e peças que fazem mais de 40 anos de vida na música, materializa visualmente alguns desses instantes revisitados. Depois há os belíssimos monólogos em off, quase sempre ao volante, que servem para aprofundar visões e reflexões sobre ele mesmo, o seu mundo e a música que se faz. E depois há o espaço familiar, naturalmente encenado (apesar de filmado em espaços “reais”), desde o despertar em casa, naquele quarto com portadas grandes que já tínhamos visto na foto da capa do seu mais recente álbum de originais, ao serão no sofá, entre os filhos, com um ecrã pela frente.

A música está mais presente no que dela se fala e subentende que nos sons que escutamos. Mesmo assim há que ter em conta que Nick Cave: 20000 Dias na Terra conta não só com banda sonora original de Warren Ellis como junta um tema inédito gravado com os Bad Seeds – Give Us A Kiss, editado no formato de single – e apresenta, já no final, uma espantosa versão ao vivo de Jubilee Street, captada na Ópera de Sydney.

Podem ler aqui o artigo completo.

quarta-feira, novembro 26, 2014

Nick Cave e David Fonseca hoje no Nimas

Foto: N.G.
Sim, é verdade. Um estará no grande ecrã. O outro à frente dele. O que se passa é que estarei hoje, pelas 21.45, no Espaço Nimas, em Lisboa, para apresentar, juntamente com David Fonseca, o filme Nick Cave: 20.000 Dias na Terra.

Ian Forsyth e Jane Pollard são os realizadores de um filme que usa técnicas da ficção para contar uma história real. Uma história que é a de Nick Cave, que ele mesmo co-escreve e protagoniza, encenando memórias pessoais e profissionais num arco narrativo que se descreve ao longo de um dia. Convenhamos que nunca um filme olhou de forma tão original sobre a carreira e figura de um músico.

sábado, novembro 22, 2014

Nick Cave: memórias de 1978



Foi assim que Nick Cave se estreou em disco. Antes de mudar de nome para The Birthday Party, o grupo que lhe deu primeiros episódios de visibilidade surgiu originalmente num par de singles e um primeiro álbum editados sob o nome The Boys Next Door.

Este foi o primeiro single. Uma versão de These Boots Are Made For Walkin' um clássico de Lee Hazelwood que ganhou voz através da célebre primeira versão gravada por Nancy Sinatra. Em clima new wave, mas a anunciar alguma (saudável) inquietude, era assim NIck Cave, em 1978.


Hoje à noite no Espaço Nimas

A propósito de Nick Cave posso acrescentar aqui que estarei mais logo, pelas 21.45, juntamente com a Rita Redshoes, a apresentar a sessão da noite do filme Nick Cave: 20.000 Dias na Terra, no Espaço Nimas, em Lisboa.


domingo, outubro 26, 2014

Duran Duran, Nick Cave e Mozart:
filmes com música no LEFFEST


Decorre entre os dias 7 e 16 de novembro a edição deste ano do Lisbon & Estoril Film Festival. Entre os filmes da seleção oficial, as homenagens, retrospetivas e sessões especiais surgem alguns títulos que tomam a música (ou os músicos) como um dos seus focos maiores de atenção. Assim, numa primeira abordagem ao cartaz deste ano do festival, ficam aqui três primeiras sugestões, todas elas da seleção oficial - fora de competição.

Duran Duran Unstaged é um filme-concerto de David Lynch que tem como protagonistas o grupo britânico mais os convidados que levam a palco, entre eles Kelis, Beth Ditto (dos Gossip) ou Mark Ronson. O concerto toma as canções do mais recente All You Need Is Now como centro das atenções, mas junta algumas incursões pelas memórias da discografia do grupo. A intervenção de David Lynch é bem clara nas imagens que se cruzam com o que acontece em palco.

Nick Cave – 20000 Dias Na Terra é uma construção ficcionada de um dia na vida do músico. Através de encontros com alguns dos seus colaboradores habituais – como Warren Ellis ou Blixa Bargeld - ou com a cantora Kylie Minogue, com quem gravou o dueto Where The Wild Roses Grow, e de visita aos seus espaços de vida privada, arquivo e palco somos confrontados com uma forma diferente de contar uma história de vida (com música). 

Depois de uma carreira no palco, a ideia de juntar três óperas de Mozart para contar episódios da vida de Giacomo Casanova deu forma a Variações de Casanova, filme de Michel Sturminger que terá antestreia durante o festival. Protagonziado por John Malkovich, o filme conta com uma série de nomes de proa do canto lírico do nosso tempo, entre os quais Jonas Kaufman e Barbara Hanningan.

sexta-feira, setembro 05, 2014

Para ouvir: novo single de Nick Cave

Uma nova canção de Nick Cave, com os Bad Seeds, de título Give Us a Kiss representa aquele que será o seu próximo single, com lançamento em vinil (de dez polegadas) agendado para inícios de novembro. No lado B surge uma versão gravada ao vivo na Ópera de Sydney, do tema Jubilee Street, do seu mais recente álbum de originais.

Podem ouvir aqui o novo single.


terça-feira, julho 15, 2014

O trailer do filme sobre Nick Cave



Num tempo em que deixou de ser novidade a revelação a cada ano de uma multidão de documentários sobre músicos e perante um tão desinteressante panorama de biopics musicais (nem todos são Todd Haynes a saber pensar pontos de vista para abordar Dylan) eis que Nick Cave surge como protagonista de uma ideia que pode mesmo gerar um dos filmes do ano.

Com o título 20.000 Days on Earth, e com realização de Ian Forsyth e Jane Pollard, o filme simula a ideia de um documentário sobre o 20.000º dia que Nick Cave vive na Terra. Vemo-lo a escrever, numa ida ao psicoterapeuta, a ver Scarface com os filhos ou em conversas com Kylie Minogue, Darren Ellis ou Ray Winstone. O filme tem primeiras estreias agendadas para meados de setembro. Para já aqui fica o trailer.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Os melhores discos de 2013 (N. G.)



Juntar num mesmo disco um manifesto político e uma perspetiva musical que olha em frente, desafiando (em vez da mais habitual cenografia voz e guitarra tantas vezes usada quando se pretende debater causas). Foi o que fizeram os suecos The Knife. Sucessor de Silent Shout (2006) e nascido na sequência de uma experiência nos palcos da ópera com Tomorrow In A Year, o álbum Shaking The Habitual mostrou por um lado uma alma interventiva com vontade de discutir questões de género, de igualdade de oportunidades ou de uma mais justa distribuição de riqueza (juntando mesmo uma BD para levar o debate a um patamar artístico e político ainda mais completo) e, por outro, uma abordagem à composição com vontade de olhar adiante na utilização das electrónicas, experimentando mesmo uma certa aspereza e angulosidades num quadro de ideias que faz deste um dos discos mais visionários do nosso tempo. A vontade de procurar novos caminhos habita também o álbum Matangi de M.I.A.. O reencontro de Nick Cave com os Bad Seeds deu-lhe o seu melhor disco de sempre. O regresso de David Bowie foi um dos casos maiores do ano. Os diálogos de John Grant com as electrónicas confirmaram as promessas do álbum de estreia a solo. E, com nova alma (ler ânimo) os Arcade Fire voltaram a ser entusiasmantes. Breve retrato de um ano que teve discos dos These New Puritans, James Blake, Kanye West e Disclosure (reativando ecos da deep house) entre os seus melhores. Além destes dez títulos o melhor de 2013 no departamento pop/rock e periferias passa ainda por discos de nomes como Mark Eitzel, Darkside, Pet Shop Boys, Julianna Barwick, Alela Diane, Major Lazer, Justin Timberlake, Julian Cope, Vampire Weekend e Elvis Costello com os The Roots.

1. The Knife, Shaking The Habitual (Rabid)
2. M.I.A., Matangi (Interscope)
3. Nick Cave & The Bad Seeds, Push The Sky Away (Bad Seeds, Ltd.)
4. John Grant, Pale Green Ghosts (Bella Union)
5. David Bowie, The Next Day (ISO Records)
6. Arcade Fire, Reflektor (Merge)
7. These New Purtitans, Field of Reeds (Infectious Music)
8. James Blake, Overgrown (Polydor)
9. Kanye West, Yeezus (Roc-A-Fella)
10. Disclosure, Settle (Island)


Canção do ano


A 8 de janeiro o mundo acordava com uma nova canção de David Bowie, a sua primeira nova canção em dez anos. Com uma carga de memórias, transportando-nos para os dias em que viveu em Berlim, Where Are We Now foi o cartão de visita perfeito para o álbum que chegaria dois meses depois. Outra das grandes surpresas do ano chegou com David Sylvian, que editou em formato de single (num vinil de dez polegadas e lançamento digital) o tema Do You Know Me Now?, onde retomou as linhas mais clássicas de composição que lhe deram em Secrets Of The Beehive (1987) a sua obra-prima em disco. Entre as grandes canções do ano está John Grant e também Nick Cave, com Jubilee Street, o momento maio do alinhamento do álbum que lançou logo no início do ano. Ecos do psicadelismo dos sessentas iluminam San Francisco, o tema que anunciou a chegada do segundo álbum dos Foxygen. E em Love Is A Bourgeois Construct reencontramos o charme e a perspicácia do melhor da obra dos Pet Shop Boys num tema que usa elementos de uma composição de Michael Nyman que, por sua vez, cita Henry Purcell. Entre os melhores do ano estão ainda temas do projeto Major Lazer (com a voz de Ezra Koenig, dos Vampire Weekend), da dupla alemã Coma, de uma colaboração de Blixa Bargeld com Teho Teardo e uma outra de Elvis Costello com os The Roots. Arcade Fire, Franz Ferdinand, CocoRosie, El Perro del Mar, Seoul ou o regresso dos Pixies contam-se ainda entre os momentos melhores de 2013.

1. David Bowie, Where Are We Now? (Iso)
2. David Sylvian, Do You Know Me Now? (Samadhi Sound)
3. John Grant, GMF (Bella Union)
4. Nick Cave & The Bad Seeds, Jubilee Street (Bad Seeds Ltd.)
5. Foxygen, San Francisco (Jagjaguwar)
6. Pet Shop Boys, Love Is a Bourgeois Construct (X2)
7. Major Lazer, Jessica (Secretly Canadian)
8. Coma, Les Dilletantes (Kompakt)
9. Blixa Bargeld + Teho Teardo, Mi Scusi (Specula Records)
10. Elvis Costello + The Roots, Cinco Minutos Con Vos (Blue Note)


Arquivo / reedições


Os cinco álbuns que Scott Walker editou entre 1967 e 1970, entre os quais encontramos nove versões sublimes de canções de Jacques Brel, surgiram este ano reunidos numa caixa. Não trazia temas extra, mas o som remasterizado e um booklet com um completo ensaio que serve de exemplo ao que deve ser o trabalho de escrita para servir uma reedição. Entre os muitos discos que, ao longo do ano, reativaram registos de arquivo contam-se novas incursões pelos catálogos de nomes como os de Nick Drake ou The Velvet Underground. Houve edições expandidas de importantes títulos de nomes como os House of Love, Postal Service, Teardrop Explodes, Tears For Fears ou Electronic. Dos Beatles continuam a chegar surpresas: primeiro na forma de um segundo volume de sessões na BBC, depois através de uma coleção de gravações ainda inéditas de 1963, lançadas para já apenas em suporte digital.

1. Scott Walker, Scott – The Collection 1967 – 1970 (Mercury)
2. Nick Drake, Tuckbox (Island)
3. The House Of Love, The House Of Love – 3CD Deluxe Edition (Cherry Red)
4. Postal Service, Give It Up – 10th Anniversary Edition (Sub Pop)
5. The Beatles, Beatles Bootlegs 1963 (Apple Records)
6. The Velvet Underground, White Light White Heat – Super Deluxe (Verve)
7. Teardrop Explodes, Wilder – Deluxe Edition (Mercury)
8. Tears For Fears, The Hurting – CD + DVD Box Set (Mercury)
9. Electronic, ElectronicSpecial Edition (EMI)
10. The Beatles, The Beatles At The BBC – Vol 2 (Apple Records)


Clássica


Between Two Waves não corresponde à primeira edição em disco de obras do compositor contemporâneo russo Victor Kissine, mas representou o primeiro momento de protagonismo maior da sua obra até ao momento, numa ediçãoo pela ECM que contou com a contribuição de Gidon Kremer e dos músicos da sua Kremerata Baltica. Transportando ecos de memórias de juventude (da cidade de São Petesburgo – então Leninegrado – onde viveu e das águas do rio Neva em particular) o disco representou mais um exemplo claro de uma atenção sábia de Manfred Eicher (e da sua ECM) pelo espaço musical que nasce de filhos da antiga URSS. O ano “clássico” vincou a presença de John Adams entre os nomes de referência da sua geração junto das programações das orquestras e de quem as edita. Trouxe belíssimas gravações de obras recentes de John Corrigliano, Philip Glass e Dutilleux. Juntou novas abordagens de grande nível a Poulenc, Shostakovich (com a integral de Petrenko a caminho de se completar) ou Stravinsky (no ano do centenário d’A Sagração da Primavera). A Deutsche Grammophon juntou as suas gravações de obras de Henze numa só caixa. E Daniel Hope celebrou a música do nosso tempo no mais interessante dos seus discos temáticos. 

1. Victor Kissine, Between Two Waves (ECM)
2. John Adams – P. Oundjian / Royal Scottish Nat. Orch., Harmonielehre + Doctor Atomic Symphony (Chandos)
3. John Corrigliano – D.A. Miller / Albany Symphony, Conjurer (Naxos)
4. Francis Poulenc - P. Jaarvi / Orch. de Paris, Stabat Mater (Deutsche Grammophon)
5. Hans W. Henze, The Complete Deutsche Grammophon Recordings (Deutsche Grammophon)
6. Pierre Dutilleux, B Hanningan + A. Kartunen / Orch. Phil. De Radio France, Correspondences (Deutsche Grammophon)
7. Dmitri Shostakovich – V. Petrenko / Royal Liverpool S. Orch, Symphony 4 (Naxos)
8. Daniel Hope, Spheres (Deutsche Grammophon)
9. Philip Glass, Visitors (Orange Mountain Music)
10. Igor Stravinsky - S. Rattle / Berliner Phil., Le Sacre du Printemps (EMI Classics)

PS. A produção nacional surgirá numa lista a publicar ainda esta semana. Esta é a lista "definitiva" (se é que isso existe) deste ano. A que apresentei na Radar já tem umas semanas e entretanto foi ligeiramente alterada. 

segunda-feira, dezembro 09, 2013

As canções de 2013:
Nick Cave & The Bad Seeds, Jubilee Street



Começamos hoje a recuperar alguns dos episódios mais marcantes de 2013. O mais recente disco de estúdio de Nick Cave & The Bad Seeds surgiu logo nos primeiros meses do ano e, com ele, esta que foi uma das melhores canções que escutámos este ano.

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Novas edições:
Nick Cave and The Bad Seeds, Live from KCRW

Nick Cave & The Bad Seeds
“Live from KCRW”
Bad Seeds Ltd.
4 / 5 

Trata-se de um segundo álbum num mesmo ano (coisa rara nos dias que correm). E, ao mesmo tempo, representa o quarto registo captado ao vivo por Nick Cave na companhia dos Bad Seeds. Nos antípodas da grandiosidade do espaço convocado pelo anterior Live at the Royal Albert Hall (2008), em Live from KCRW encontramos o músico e banda numa sessão em estúdio para a estação de rádio que emite a partir do campus universitário do Santa Monica College (Los Angeles, Califórnia). Com as canções do belíssimo Push The Sky Away ainda por perto (num alinhamento de dez há quatro que dali chegam), o “concerto” aqui registado é um acontecimento relativamente íntimo, a instrumentação muitas vezes optando por deixar as canções mais perto de um esqueleto de ideias, a pouca carne que as acompanha surgindo ora da voz de Nick Cave ora de ideias (algo discretas) que os arranjos acabam por revelar. Não se trata de uma sessão acústica, já que tanto a eletricidade habita as guitarras que escutamos como as teclas que ocasionalmente ajudam a criar cores adicionais aos cenários. Abrindo ao som de Higgs Boson Blues, evocando clássicos como The Mercy Seat (numa versão espantosa dominada pelo piano e o violino) ou And No More Shall We Part, o registo ao vivo mostra claramente o ambiente informal ali instalado e a presença próxima de uma plateia reduzida. No final, ao som de Jack The Ripper, a intensidade aumenta de tom, sem contudo afastar do coração deste Live from KCRW a melancolia tranquila que durante aquele tempo ali se instalou (e, agora, todos podemos partilhar).

sexta-feira, maio 10, 2013

5 Dias 5 Discos
Anton Corbijn (5)

Anton Corbijn trabalhou mais que uma vez com Nick Cave. Mas esta foto sua que vemos na capa de The Boatman’s Call, álbum de 1997, representa um dos melhores retratos alguma vez tirados do músico.

quinta-feira, maio 09, 2013

Nick Cave, a preto e branco

Mais um teledisco para mais um dos temas do magnífico álbum que Nick Cave lançou este ano com os Bad Seeds. O tema escolhido desta vez é Mermaids, que aqui se apresenta num teledisco que nasce diretamente do concerto de apresentação do álbum Push The Sky Away nos EUA.