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domingo, janeiro 04, 2015

5 x Mike Nichols (5)


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Quando Emma Thompson assumiu responsabilidades angelicais... A história das relações, contaminações e combates entre cinema e televisão tem já muitas décadas. Nessa medida, a realização da série Anjos na América (2003) por Mike Nichols não constitui, em si mesmo, uma novidade — afinal de contas, a extraordinária e perturbante evocação dos tempos de descoberta da sida, tendo por base a peça de Tony Kushner, corresponde mesmo a um dos momentos altos da (re)valorização dos materiais televisivos na linha da frente do audiovisual. Acontece que, para além da excelência da mise en scène, Nichols deixou bem claro que a dimensão cinematográfica do seu trabalho é, literalmente, uma questão de assinatura: no genérico, em vez de "a series by", encontramos "a Mike Nichols film" — assim se faz a história, em direcção ao anjo da Bethesda Fountain, no Central Park, em Nova Iorque.

domingo, dezembro 28, 2014

5 x Mike Nichols (4)


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Parece uma fotografia de rodagem de um filme. Mas não: com o seu boné característico e os seus apontamentos, o assistente faz parte do próprio filme — em Recordações de Hollywood (1990), Mike Nichols filmou, literalmente, os bastidores do cinema americano, mesclando frieza e sarcasmo. No original Postcards from the Edge, o filme baseia-se, afinal, num testemunho mais ou menos autobiográfico de Carrie Fisher (a princesa Leia de A Guerra das Estrelas), evocando as suas relações, nem sempre muito pacíficas, com a mãe, Debbie Reynolds. No filme, mãe e filha são interpretadas por Shirley MacLaine e Meryl Streep, respectivamente, num duelo admirável que, a certa altura, envolve um número musical de (re)afirmação da personagem da mãe. O olhar de Nichols sobre tudo isso tem, como sempre, uma implacável crueza — e também a humanidade que daí decorre.

domingo, dezembro 14, 2014

5 x Mike Nichols (3)


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É, por certo, uma das mais espantosas composições de Meryl Streep (e sabe Deus que na sua filmografia não faltam hipóteses de escolha...): em Silkwood (título português: Reacção em Cadeia) ela interpreta a personagem real de Karen Silkwood (1946-1974), trabalhadora de uma central de tratamento de materiais radioactivos (Kerr-McGee, no estado Oklahoma) que denunciou as falhas de segurança das respectivas instalações, vindo a falecer num misterioso acidente de automóvel. Streep e Cher — ambas nomeadas para os Oscars referentes a 1983 (actriz principal + actriz secundária) — são prodigiosas na composição de duas amigas afectadas pelo que vai acontecendo na sua fábrica [em baixo: audio de uma cena pontuada pela belíssima música de Georges Delerue]. A direcção de Mike Nichols (com um elenco que inclui ainda, entre outros, Kurt Russell, Craig T. Nelson e Diana Scarwid) consegue apresentar-nos o drama mais íntimo das personagens, lidando com um conflito profissional cujas marcas são, afinal, visceralmente corporais — é, por certo, um dos mais subvalorizados filmes da década de 80 em Hollywood.

terça-feira, novembro 25, 2014

5 x Mike Nichols (2)


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A perna de Anne Bancroft a enquadrar a figurinha incauta de Dustin Hoffman, com as vestes do seu baptismo universitário — afinal, o título original do filme é apenas The Graduate (1967), bastante mais contido que a "erotizada" versão portuguesa, A Primeira Noite — é uma imagem nuclear da iconografia sexual dos anos 60. Provavelmente, na filmografia de Mike Nichols será um dos filmes em que a sarcástica observação das atribulações de usos e costumes mais cede à facilidade do panfleto moral. Apesar disso — corrijo: precisamente por causa disso —, The Graduate mobilizou e espantou espectadores de todo o mundo pelo modo como a sua encenação de um flirt entre um jovem californiano (Hoffman, a criar a sua própria imagem de marca) e uma senhora de hábitos de imprudente ligeireza (Bancroft, genial como sempre) sabia condensar as euforias e angústias do seu tempo. Tudo pontuado pelas canções de Paul Simon e Art Garfunkel, incluindo esse verdadeiro hino em que se tornou Mrs. Robinson — cantaram-na assim, a 19 de Setembro de 1981, no célebre concerto do Central Park.

sexta-feira, novembro 21, 2014

5 x Mike Nichols (1)

Perante a notícia da morte de Mike Nichols, não pudemos deixar de celebrar a sua invulgar agilidade e inteligência como director de actores: de Elizabeth Taylor a Philip Seymour Hoffman, passando por  Meryl Streep, Harrison Ford ou Julia Roberts, foram muitos os que conseguiram algumas das suas mais admiráveis interpretações em filmes por ele realizados. Por isso mesmo, mais do que nunca, importa recordar que as suas competências nesse domínio são indissociáveis do facto de Nichols ter começado por ser... actor (o que não invalida, como é óbvio, que a história do cinema esteja cheia de autores que, sem nunca terem representado, possuem idênticas capacidades).
Em parceria com Elaine May, Nichols foi mesmo um caso sério de popularidade na transição dos anos 50 para as muitas atribulações dos sixties. Na rádio, através do disco, em palco ou na televisão, May/Nichols impuseram um modelo de subtil humor em que o impecável sentido da palavra e do timing se combinava com uma atenção tão sarcástica quanto didáctica à evolução de usos e costumes — o seu LP An Evening with Mike Nichols and Elaine May (1961) foi distinguido com o Grammy de melhor álbum de comédia. Eis o sketch 'Mother and Son', notável exemplo televisivo do seu talento.