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quarta-feira, julho 22, 2020

Max Richter, "Mercy"

[ Deezer ]
Depois de All Human Beings, o novo álbum de Max Richter, Voices (31 Julho), tem mais um belíssimo teledisco, tal como o anterior com direcção de Yulia Mahr, para um tema de renovada envolvência. Chama-se Mercy — Mari Samuelsen é a violinista, com Richter ao piano.

segunda-feira, julho 06, 2020

Novo álbum de Max Richter

Chama-se Voices e tem lançamento marcado para 31 de Julho: o novo álbum de Max Richter apresenta-se como uma exaltação da pluralidade de "todos os seres humanos", tendo como emblema uma composição com esse título, All Human Beings, simbolizando a própria ideia de igualdade e comunhão.
All Human Beings abre com um registo de Eleanor Roosevelt (1884-1962) a ler o preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos do Homem, desembocando numa colecção de vozes em que, depois da actriz Kiki Layne, que vimos em Se Esta Rua Falasse (Barry Jenkins, 2018), e da estudante tunisina Hiba Sellaoui, se cruzam os sons de diversas línguas reproduzindo fragmentos do mesmo documento. O clima de pudica celebração é reforçado pelo video, assinado por Yulia Mahr.

segunda-feira, janeiro 27, 2020

Max Richter, concerto na NPR

Eis uma especialíssima edição dos 'Tiny Desk Concerts' da NPR: com a colaboração do American Contemporary Music Ensemble, Max Richter interpretou três temas emblemáticos da sua obra, a começar pelo encantatório On The Nature Of Daylight, várias vezes apropriado em cinema, nomeadamente por Martin Scorsese (Shutter Island, 2010) e Denis Villeneuve (Arrival, 2016) — são 17 minutos de precisão, transparência e mistério.

quarta-feira, julho 04, 2018

Max Richter revisita "The Blue Notebooks"

On the Nature of Daylight é um tema de Max Richter cujo conhecimento passará, em grande parte, pelo cinema, nomeadamente através da sua integração em bandas sonoras de filmes como Shutter Island (Martin Scorsese, 2004) ou Arrival - O Primeiro Encontro (Denis Villeneuve, 2016). Seja como for, pertence a um álbum magnífico, à beira de comemorar 15 anos. Para assinalar a data, o compositor e a Deutsche Grammophon lançaram uma edição especial, com várias remisturas e um tema original (Cypher). Eis dois videos para (re)descobrirmos uma obra tão especial, a meio caminho entre a celebração sinfónica e um secreto intimismo: primeiro, um depoimento de Richter sobre esta revisitação criativa; depois, um teledisco de On the Nature of Daylight, dirigido por George Belfield, com Elisabeth Moss na dupla condição de actriz e coprodutora.



domingo, dezembro 27, 2015

As figuras de 2015:
Max Richter


Uma das mais inesperadas criações de 2015 chegou com uma ideia que vai contra aquilo a que estamos habituados a pensar quando se fala de uma obra de arte. Estamos, de facto, habituados à ideia de que alguém cria algo que o alguém pode contemplar através de um ou mais entre os sentidos. Ou seja, um processo que prevê que se esteja desperto, atento, de preferência som a curiosidade suficiente para sentir, contemplar e até mesmo questionar. Mas e se a obra for pensada para, pelo contrário, servir as horas de sono? Em Sleep o compositor Max Richter apresentou uma peça com oito horas de duração. A sua ideia não é a de votar o seu trabalho a uma anulação da música perante o sono (desejado) do ouvinte. Mas antes a de criar uma música que pode ter nessa experiência uma das suas possíveis leituras.

sábado, abril 18, 2015

Max Richter, 2004

A reedição de The Blue Notebooks (2004), segundo álbum a solo do compositor alemão Max Richter, permite-nos revisitar um singularíssimo projecto. Não apenas um exercício incrustado a meio caminho entre um certo classicismo e algumas modernas derivações electrónicas, mas também uma serena coabitação entre instrumentos musicais e voz humana (Tilda Swinton lendo extractos de Kafka).
Para a história, este foi um disco cujo conhecimento ficou muito ligado à inserção de uma das suas faixas, On the Nature of Daylight, no filme Shutter Island (2010), de Martin Scorsese — aqui fica a respectiva memória.

domingo, outubro 19, 2014

A música clássica também se remistura!

O conceito de remistura (como o usa hoje a indústria musical) floresceu nos anos 70 em plena era de afirmação do disco sound como força marcante no panorama da música de então, acompanhando desde cedo a entrada em cena de um novo formato discográfico: o máxi-single (de doze polegadas, ou seja, com um diâmetro idêntico ao do LP) no qual começaram então a surgir versões longas criadas para a pista de dança. As remisturas, que alongavam e, aos poucos, começaram a transformar os temas que tomavam como matéria prima, ganharam expressão bem visível nos anos 80, com o tempo sendo rara a edição em single nas áreas da pop, rhythm’n’blues, hip hop e naturalmente da música de dança que não serviam a versão máxi com uma ou mais remisturas... A (re)descoberta do jazz por figuras do acid jazz, rare groove, soul e jazz hip hop (entre outros caminhos) na alvorada dos anos 90 transportou o conceito para as periferias do género. Mais dia menos dia a música clássica lá chegaria. Assim foi. Nomes como Philip Glass e Steve Reich – tomados como referência para novas gerações de criadores de música electrónica – foram dos primeiros a lançar álbuns de remisturas através das quais fragmentos de obras suas conheciam novas abordagens sob pontos de vista levantados por novas formas de entender, no presente, a carga das suas heranças. Mais recentemente a editora Deutsche Grammophon abriu no seu catálogo um espaço para que músicos vindos dos espaços das novas electrónicas e da música de dança – como Moritz Von Oswald, Carl Craig ou Herbert, entre outros – pudessem operar transformações a partir de gravações do seu catálogo de música orquestral. Assim nasceu a série re-composed, onde do conceito de remistura nascia uma abordagem ainda mais profunda ao nível da estruturação da obra que, com um ponto de partida numa gravação de uma obra “clássica”, acabava por nos apresentar uma nova visão: a tal “re-composição”. Um dos nomes chamados a colaborar nesta série foi o alemão Max Richter, que resolveu operar uma transformação sobre as Quatro Estações de Vivaldi a um nível de partitura. Diferente, portanto, do cruzamento com técnicas e formas habituais na música electrónica contemporânea que até aqui estavam a caracterizar muitas das edições desta série.

Max Richter é contudo agora coprotagonista num trabalho mais “canónico” de remistura. Com obra a solo que remonta a 2001, em muitos dos seus discos tendo já cruzado a presença da orquestra com a das electrónicas, Max Richter viu recentemente o tema Berlin By Overnight, do seu álbum 24 Postcards in Full Color (de 2008) ser incluído por Daniel Hope no alinhamento de Spheres. Agora, esse tema é tomado como material de trabalho para quatro remisturas, que assim promovem mais uma série de encontros e diálogos, contribuindo para o talhar de uma ideia do que pode ser a música do século XXI como espaço onde tudo pode confluir e onde todas as vozes se podem entender. 

As abordagens vão dos espaços mais próximos do tecno minimal na leitura de Efdemin (Alemanha) às explorações minimalistas da “voz” do violino por CFDF (Canadá), onde sentimos uma presença das lições de Steve Reich, passando por um espaço de partilha entre estes dois terrenos na faixa assinada por Lorna Dune (presentemente em Nova Iorque), terminando o alinhamento na proposta mais “transformadora” do britânico Tom Adams, compositor, multi-instrumentista e autor de canções, que junta uma presença vocal e traça uma noção de cenografia orquestral mais elaborada, sem perder nunca de vista o ponto de partida (que de resto o disco inclui, logo como faixa de abertura). SE dívidas houvesse da boa relação da música orquestral com o conceito de remistura, este disco arruma-as (e bem).

sábado, setembro 27, 2014

Em busca da música do século XXI (2)


Este texto é um excerto de um artigo sobre cinco compositores do nosso tempo originalmente publicado no suplemento Q do Diário de Notícias com o título 'Para descobrir a música do século XXI'. Nomes como os de Max Richter, Richard Reed Parry (que integra os Arcade Fire), Johnny Greenwood (dos Radiohead), Bryce Dessner (dos The National) ou Nico Muhly, estão aqui na berlinda.

Max Richter é neste momento o mais representativo deste grupo, a já expressiva expressão da sua obra sublinhando o estatuto que entretanto conquistou. Nele encontramos tanto um herdeiro de tradições clássicas que remontam a Vivaldi, passam por Varèse ou Stockhausen e também pelos minimalistas – Reich, Riley e Glass – como um atento ouvinte dos ensinamentos de um, Brian Eno ou John Foxx.

Nasceu na Alemanha mas cresceu e foi educado no Reino Unido, fazendo uma viagem de descoberta musical que parte do punk, num percurso que pelos estudos o levaram da Universidade de Edimburgo à Royal Academy of Arts, e mais tarde a Florença. “Tive uma educação clássica mas estava totalmente atento ao que acontecia à minha volta no Reino Unido, em inícios dos anos 80”, confessa o compositor (2). Os primeiros concertos que viu foram dos Clash e Kraftwerk, tinha então 14 anos. Todas estas experiências, para si, sempre “flutuaram juntas”.

A sua carreira profissional começou a bordo do coletivo Piano Circus, um grupo que interpretava obras de nomes como Reich, Glass, Pärt ou Eno. Seguiram-se colaborações com os Future Sound of London e Roni Size & Reoprazent, respetivamente em meados dos anos 90 e no ano 2000. Em 2001, fazendo assim soar a alvorada de um novo século, editou em nome próprio Memoryhouse, álbum que este ano foi reeditado (e apresentado ao vivo no Barbican, em Londres). O disco junta a presença de elementos texturais e cénicos criados por electrónicas ao corpo de uma orquestra. Presente e memórias juntavam-se numa música onde os ecos do passado eram traduzidos num patamar presente que olha o futuro. O jornalista Paul Morley (3), num texto que encontramos na caixa antológica Retrospective, defende que “esta Memoryhouse era apenas a mente, a imaginação, o interior do indivíduo” e ali reconhece ecos tanto de Bartók, Satie ou Harold Budd como de Aphex Twin, Burial ou dos Sigur Rós.

Ao discurso de apresentação do disco Richter associou a expressão pós-clássico que, Morley identificou como possível afinidade com o termo pós-rock, “género que inventou um novo tipo de grupos de guitarras infectados pelas experimentações em estúdio, pela invenção electrónica, as abordagens de improvisação” (4). No fundo também ali se cruzavam barreiras. A utilização de excertos de Memoryhouse em cinema – no trailer de To The Wonder de Malick – e em televisão – na série da BBC Auschwitz – The Nazis and the Final Solution – ajudou a dar visibilidade a Richter, numa mesma altura em que o seu trabalho para cinema (5) começava também a conquistar atenções.

Depois de Memoryhouse Max Richter procurou ir ele mesmo para lá de uma noção (potencialmente restritiva) do que essa expressão “pós-clássico” poderia significar. E ao disco fez suceder uma sucessão de peças que – tal como o histórico Glassworks (1982) de Philip Glass – não eram senão composições criadas para o espaço concreto de um disco. Ideia mais próxima de vivências pop que da tradição da música orquestral. Em The Blue Notebooks (2004) juntou palavras de Kafka na voz de Tilda Swinton, em Songs From Before (2006) colocou Robert Wyatt a ler Murakami, em 24 Postcards in Full Colour (2008) propôs uma reflexão de micro-composição a partir da noção de ringtone e em Infra (2010) convocou heranças de Schubert e aprofundou a busca de caminhos pessoais. Estes quatro discos fazem agora a “retrospetiva” (no formato de uma caixa de 4 CD) que assinalam a associação do compositor à editora Deutsche Grammophon.

Contudo, e apesar da presença recorrente das eletrónicas nessas novas composições, a viagem em que Richter então embarcou aprofundou sobretudo a sua relação com a escrita para piano, para ensembles de câmara e para orquestra. Viagem que teria o seu momento maior no volume que assinou para a série Re-Composed, da Deutsche Grammophon, no qual reinventou – recompondo – as Quatro Estações de Vivaldi, obra na qual ensaia uma outra forma de explorar heranças da tradição clássica ocidental. Aí, como explicou ao DN, o que lhe “interessava mais era o texto”. E continuou: “Claro que é possível manipular o áudio de muitas maneiras, com um computador ou em estúdio, mas o que me interessava mesmo era o texto. E para poder trabalhar com isso precisei de reescrever antes de poder gravar. De certa forma esta foi assim uma remistura em papel, uma remistura analógica. Como compositor trabalho muito com música eletrónica, mas a minha preparação original e o meu universo de partida era o da música feita com pontos num papel. Por isso esta perspetiva”.

2 in ‘Biography’, pag 18 do ‘booklet’ da caixa ‘Retrospective’ 
3 um dos rostos da editora ZTT Records, que editou tanto os Frankie Goes to Hollywood ou Anne Pigalle como o compositor Andrew Poppy. 
4 in ‘A New Way To Listen’, de Paul Morley, pág. 14, texto que integra a caixa ‘Retrospective’. 
5 entre outras, Max Richter assinou já as bandas sonoras de filmes como Valsa com Bashir de Ari Folman ou Lore, de Cate Shortland.

sábado, setembro 20, 2014

Em busca da música do século XXI (1)


Este texto é um excerto de um artigo sobre cinco compositores do nosso tempo originalmente publicado no suplemento Q do Diário de Notícias com o título 'Para descobrir a música do século XXI'.

As fronteiras que em tempos poderiam existir entre os espaços da música clássica e dos universos pop/rock começaram a conhecer grandes rombos em parcerias que juntavam visões de ambos os lados do que, para alguns, podia ser um muro. Mais que as visões de revisitação de Bach ou Debussy pelas electrónicas de, respetivamente, Wendy Carlos e Isao Tomita, ou as experiências de convivência da música dos Deep Purple com a presença de uma orquestra sinfónica, houve diálogos mais profundos estabelecidos quando Pierre Boulez gravou um disco com Frank Zappa, quando Philip Glass criou ciclos de canções com Suzanne Vega, David Byrne ou Leonard Cohen ou quando John Tavener compôs uma peça vocal expressamente pensada para a voz de Björk. Em todos os casos houve sempre em cena pelo menos dois nomes, uns com historial feito em terreno pop/rock, outros em espaços da música erudita. O novo século nasce contudo com uma nova geração de compositores para quem as noções de barreiras não existem, com casos até de figuras com carreira na pop (como Damon Albarn, os The Knife ou Rufus Wainwright a aventurar-se no espaço da ópera). Não é inédita a atitude, e basta recordarmos como Gershwin integrou o jazz ou Bernstein o fez com a música da Broadway e outras formas populares americanas, para termos a noção de que fazer música sem barreiras não é uma invenção do século XXI. O que é talvez do século XXI é a tomada de consciência de que esta pode mesmo ser uma ética a definir uma nova forma mais frequente de estar na música. De resto, em entrevista recente ao DN, o compositor Max Richter descrevia mesmo a música do século XXI como sendo aquela em que “a tendência dominante é a ideia das tradições musicais se interpenetrarem e das fronteiras ficaram difusas”. 

Max Richter é um bom exemplo de uma atitude que passa também por outros compositores que, aos poucos, estão a definir o que é, afinal, a música do século XXI. Se a ele juntarmos os nomes de Richard Reed Parry (que integra os Arcade Fire), Johnny Greenwood (dos Radiohead), Bryce Dessner (dos The National) ou Nico Muhly, encontramos uma mão-cheia de figuras que, já com peças editadas em disco, revelam uma obra em que heranças e experiências na pop se cruzam com instrumentos, grupos e formas da clássica. Para lá dos cânones, uma nova música nasce por ali...

(continua)

PS. A imagem que ilustra este post é um momento da ópera 'Tomorrow in a Year' dos The Knife

quarta-feira, julho 23, 2014

Três meses, três discos (clássica)


Continuando a revisitar o que de melhor surgiu no segundo trimestre de 2014, passamos hoje pelos espaços da música clássica. Na verdade o que temos aqui são até obras do século XXI e um olhar por um nome do século XX que vale a pena conhecer melhor. Do nosso presente chega-nos Retrospective, uma caixa que junta em quatro discos a obra editada de Max Richter entre a sua estreia em Memoryhouse (2001) e a mais recente criação para a série Re-Composed da Deutsche Grammophon. Também bem recente é La Commedia, a mais recente ópera do compositor holandês Louis Andriessen, que resulta de uma colaboração com o cineasta Hal Hartley. Do século XX devemos assinalar um disco onde Gidon Kremer recupera uma série de peças de música de câmara e uma das sinfonias do compositor russo (de berço polaco) Mieczyslaw Weinebrg.

Das edições deste trimestre assinalem-se ainda novas gravações de City Noir, de John Adams e de The Sinking of The Titanic, de Gavin Bryars, assim como a estreia em disco de Richard Reed Parry, músico que muitos conhecerão mais do seu trabalho nos Arcade Fire.

domingo, julho 13, 2014

A música do século XXI está a nascer
numa terra-de-ninguém


É curioso verificar que o texto que acompanha a edição Retrospective, caixa que junta os quatro álbuns a solo que Max Richter editou entre a sua estreia em Memoryhouse e o mais recente volume da série Re-Composed, no qual aborda as Quatro Estações de Vivaldi, é assinado por Paul Morley. Ele é um jornalista veterano, cujo trabalho tanto soube estar atento ao aparecimento dos Joy Division em finais de 70 como, em inícios dos oitentas, deu por si ao lado de Trevor Horn no lançamento da ZTT Records, editora que procurou uma nova linguagem para a comunicação da música pop. A opção por Morley acaba assim por traduzir o espaço onde está (claramente) a emergir uma música que se vai afirmando como expressão progressivamente mais visível daquilo que poderá ser um dia identificado como a música do início do século XXI. Não usaria aqui o termo “clássico” porque na verdade nunca consigo deixar de associar à palavra uma noção de época à qual também surge associada. E “erudito” é um termo muitas vezes usado com tremenda ignorância sobre o que emerge dos espaços da música a que muitas vezes se atribui o rótulo “popular”. Chamemos-lhe música do século XXI... Uma música que vai ganhando forma sem acreditar em barreiras de géneros e assente numa troca de experiências e conhecimento mais alargado do que é o mundo musical de hoje. Que escapa aos que vivem de olhos vendados para lá de tudo o que é pop, rock e afins. E que igualmente passa ao lado dos que, fruto de uma formação “clássica” mais canónica, não parecem reconhecer-se por estes caminhos.

É precisamente nessa terra de ninguém que as coisas estão a acontecer. Uma terra que de certa maneira nomes como Gershwin ou Bernstein já visitaram ao entender que podiam cruzar linguagens para traduzir um pulsar realista dos ecos do seu tempo (e dos seus lugares). Terra que os minimalistas ajudaram a desenvolver (sobretudo Glass e Reich, mas em finais dos sessentas também Riley), estabelecendo pontes que comunicaram com outras músicas e assim alargaram horizontes. Terra que muito ganhou também com as visões que Brian Eno ajudou a definir quando descobriu ideias que transcendiam as fronteiras mais clássicas da canção. Que John Tavener vislumbrou quando chamou a voz “não educada” de Björk para uma peça conjunta que um dia será vista como referência. E que, vale a pena frisar, muito ganharam também com o cada vez mais presente entendimento das electrónicas e do próprio estúdio como ferramentas fulcrais de trabalho (algo que podemos agradecer ao trabalho de Stockhausen e alguns dos seus contemporâneos, e também a nomes como os Kraftwerk, Klaus Schulze e outros mais que dali partiram para experimentar outros patamares possíveis a partir dessas raízes comuns).

É nesta terra onde tanto os Kraftewerk como Arvo Pärt são matéria prima de reflexão que está a emergir uma nova música. E entre os seus primeiros grandes valores surgem nomes que juntam uma formação musical “clássica” a uma visão que não se fecha nos cânones. E assim contamos com nomes como os de Johnny Greenwood (que é guitarrista dos Radiohead), Richard Reed Parry (que inrtegra os Arcade Fire), Bryce Dessner (que é um dos elementos dos The National) ou Nico Muhly (que trabalhou com Philip Glass e tem assinado arranjos para vários discos pop/rock). Todos eles gravaram já discos de obras orquestrais por editoras como a Decca ou Deutsche Grammophon, Mulhy tendo já estreado uma primeira ópera (espaço que entretanto foi já igualmente ensaiado por nomes como os de Damon Albarn ou os The Knife). Contudo, talvez caiba a Max Richter o papel de ser o primeiro a ensaiar uma comunicação que eventualmente culmine numa derrocada de muros entre os universos da “clássica” e da cultura “pop” (se entre compositores já começaram a tombar, entre ouvintes e programadores ainda é desafio a aprofundar).

Nascido na Alemanha e educado desde cedo no Reino Unido, Max Richter é apresentado na Biografia que lemos no booklet de Retrospective como alguém que toma os Beatles e Bach como fontes de inspiração. Porém é da descoberta das músicas de Eno, Pärt, das potencialidades das novas electrónicas e do conhecimento histórico da música, do trabalho ao lado de uns Future Sound of London ou com orquestras que nasce a música de visões largas que nos propõe. Depois de uma etapa como instrumentista no coletivo Piano Circus foi com o belíssimo Memoryhouse (que este ano teve estreia ao vivo no Barbican) que se estreou discograficamente em 2002 num disco que juntava olhares pessoais pelas suas vivências e que conciliava uma demanda sonoplasta quase cinematográfica (usando electrónica e sons reais captados fora de estúdio) com o labor de uma orquestra.

Memoryhouse definiu um ponto de partida para o talhar de uma linguagem que Max Richter aprofundou depois em The Blue Notebooks (onde juntou palavras de Kafka na voz de Tilda Swinton), Songs From Before (que coloca Robert Wyatt a ler Murakami), 24 Postcards in Full Colour (uma reflexão de microcomposição a partir da noção de ringtone) ou Infra (que convoca heranças de Schubert e aprofunda a busca de caminhos pessoais.

Retrospective surge na sequência de um acordo firmado entre Max Richter e a Deutsche Grammophon que surge depois do impacte expressivo da sua contribuição (via Vivaldi) para a série Re-Composed. É uma caixa “retrospetiva” que assim junta os discos que editou entre 2004 e 2010. E que mostra que, de facto, está já a emergir uma música orquestral e de câmara do século XXI. E que, tal como nos espaços da comunicação, não acredita mais em barreiras nem distâncias.

segunda-feira, junho 02, 2014

Para ouvir: Vivaldi, segundo Max Richter

Uma gravação de uma interpretação ao vivo da ‘Re-composição’ das ‘Quatro Estações’ de Vivaldi por Max Richter, pelo Ensemble LPR, dirigido por Tito Muñoz e com Daniel Hope como solista. O registo foi captado no Poisson Rouge, em Greenwich Village (Manhattan, Nova Iorque) em 2013.

Podem ver o vídeo do concerto aqui.

domingo, maio 18, 2014

Max Richter em quatro episódios (1)


A aproximação de Max Richter à Deutsche Grammophon, que começou pela sua colaboração na série Re-Composed com um disco no qual “re-compunha” As Quatro Estações de Vivaldi, conhece agora nova etapa numa altura em que esse mesmo disco de 2013 conhece reedição com faixas extra e até mesmo uma versão com um DVD acoplado. A essa segunda vida de Four Seasons Re-Composed junta-se agora uma série de quatro reedições de títulos anteriores da obra em disco do compositor alemão, nenhuma delas representando contudo o registo de trabalhos seus criados para o cinema – apesar de entre o alinhamento destes discos surgirem faixas que acabaram usadas em vários filmes. Ao longo dos próximos tempos haveremos de passar por estas quatro reedições, encetando hoje esse percurso com The Blue Notebooks, o mais antigo dos títulos deste lote que para já está apenas disponível em formato digital e que em breve conhecerá lançamento em suporte físico. Originalmente editado em 2004, The Blue Notebooks foi o sucessor do belíssimo Memoryhouse, o seu primeiro disco lançado em nome próprio. Com textos de Franz Kafka e Czesław Miłosz (lidos pela voz da atriz Tilda Swinton) como fio condutor, o disco representa uma clara progressão no sentido da definição de uma linguagem pessoal atenta a heranças clássicas, ciente de uma inspiração (embora não ofuscante) de figuras maiores do nosso tempo como Glass ou Eno e capaz de integrar num mesmo espaço o trabalho de uma orquestra, a presença solista de um piano ou um terreno de câmara para cordas, com elementos electrónicos e sons do mundo ao nosso redor. The Blue Notebooks é um disco mais feito de pequenos acontecimentos que as vistas largas orquestrais de alguns momentos de Memoryhouse haviam ensaiado. As palavras lançam um espaço de ideias e sugestões que uma música melancólica vai depois desenhando entre as presenças protagonistas do piano e de um ensemble de cordas, ocasionalmente abrindo portas a texturas electrónicas e uma sonoplastia delicada e não intrusiva (que por vezes pouco procura mais que juntar a presença discreta e distante de uma máquina de escrever). É um disco curto, do qual sairiam depois elementos para filmes como Valsa com Bachir (de Ari Folman) ou Shutter Island (de Martin Scorsese). Há já dez anos estava aqui bem clara a génese de uma linguagem que hoje faz de Max Richter um dos mais interessantes compositores do nosso tempo.

quarta-feira, maio 14, 2014

Em conversa: Daniel Hope


Esta entrevista serviu de base ao artigo 'A arte de reinventar uma peça da história da música' publicada na edição de 9 de maio do DN, assinalando a edição nacional de 'Vivaldi's Four Seasons – Re-Composed', de Max Richter, onde o violinista Daniel Hope surge como solista.

É certamente diferente trabalhar com um compositor vivo...
É muito diferente!... Mas quão bom poderia ser poder mandar um email a Mozart?..

Na verdade neste disco cruzam-se dois tempos e dois compositores: Vivaldi e Max Richter...
É um desafio. Amo esta peça desde os meus oito anos de idade e por isso ela faz parte da minha memória e alma. Foi-me apresentado um desafio... Durante anos toquei o Vivaldi sem questionar nada. E este projeto desafiou-me precisamente a fazer isso. E de uma forma maravilhosa. Por um lado deu-me a hipótese de conhecer uma obra nova mas, ao mesmo tempo, a de revisitar a obra-prima original. Foi tentar ser criativo com algo que se conhecia muito bem.

Ouviu gravações d'As Quatro Estações antes de avançar para este trabalho?
Nunca antes de uma gravação. E não o recomendaria a ninguém. Mas claro que ao longo da minha vida ouvi muitas gravações de grandes obras e cada uma que escutamos dá-nos algo, quer gostemos quer não do que ali escutamos. Há sempre momentos que podemos recordar. Se me falar de um concerto para violino eu lembro-me das grandes gravações feitas nos últimos 20 anos. O que uma grande gravação faz é inspirar-nos.

Tem trabalhado com vários compositores do nosso tempo. Consegue dizer já o que é a música do século XXI?
Não faço ideia o que é a música de hoje. Trabalho com uns 60 compositores e alguns já escreveram para mim, mas eu não compararia nunca um Max Richter com um Kurtág, com um Berio, com um Mark Anthony Turner. Todos têm a sua linguagem individual. Mas não sei o que é a música de hoje. Eu reajo à música de um modo especial e quando me relaciono com um compositor é sempre uma coisa entusiasmante. Nunca tento rotular nem comparar ou procurar semelhanças. Assim como não compararia um Beethoven com um Shubert ou um Shostakovich.

A noção de fronteiras derrubadas entre géneros e o impacte da era da globalização. Sente-os na música atual? É por aí que se espelha a modernidade?
Até um certo ponto. Mas um dos primeiros a recompor Vivaldi foi Johann Sebastian Bach. É algo que sempre aconteceu ao longo da história. É claro que a tecnologia assegura mais o espalhar da mensagem e hoje temos formas de dissecar a música de muitas maneiras, o que é completamente novo. Mas não acho que a ideia de recompor seja assim tão nova. O Max [Richter] o que fez foi algo dfieremte, que foi mesmo uma composição. Mas o principio está aío há cinco séculos. Este trabalho não é uma paráfrase. O Max disse mesmo que é 90% recente e 10% de Vivaldi. Será por aí.

Um dos seus projetos mais recentes levou-o a revisitar [com Anne Sofie Von Otter] memórias do campo de concentração de Terezín. Não se limitou contudo a recolher as memórias musicais. Houve ali um interesse pelas histórias a elas associadas.
Investiguei durante 15 anos sobre a música e os músicos, e também entre os sobreviventes. É uma história incrível e há ali música incrível também. Foi emocionante encontrar dois sobreviventes que pudessem contar a sua história.

O que chamou a esse universo?
Cheguei lá por acaso. Há uns 15 anos, a guiar de regresso de um concerto ouvi uma peça que não conhecia. Era um trio de Gideon Klein que não sabia quem era. Fui investigar e vi que era um homem espantoso que foi assassinado na casa dos 20 e que teria sido uma das grandes vozes da música do século XX. Foi o que começou tudo.

Parte importante da sua discografia apresenta discos temáticos, mais que o registo mais habitual de programas mais próximos da noção de recital. O que o atrai neste tipo de seleção musical?
Gosto de fazer estes discos. É como contar uma história. E juntar música e história em torno de um conceito. Fiz já muitos álbuns e têm um conceito. E os de que gosto mais são os que fiz na Deutsche Grammophon, que elevou esses conceitos a outro nível, especialmente com o Spheres. Enquanto puder fazer esses discos.

terça-feira, maio 13, 2014

Em conversa: Max Richter


Esta entrevista serviu de base ao artigo 'A arte de reinventar uma peça da história da música' publicada na edição de 9 de maio do DN, assinalando a edição nacional de 'Vivaldi's Four Seasons – Re-Composed'.

Até à edição deste seu disco, os títulos da série Re-composed mostravam um trabalho mais orientado no sentido mais habitual das técnicas de DJs. Usavam mais ideias frequentes na música eletrónica e em formas de trabalho em estúdio que um foco na partitura, que é o que aqui resolvei fazer...
Em Vivaldi o que me interessava mais era o texto. É claro que é possível manipular o áudio de muitas maneiras, com um computador ou em estúdio, mas o que me interessava mesmo era o texto. E para poder trabalhar com isso precisei de reescrever antes de poder gravar. De certa forma esta foi assim uma remistura em papel, uma remistura analógica. Como compositor trabalho muito com música eletrónica, mas a minha preparação original e o meu universo de partida era o da música feita com pontos num papel. Por isso esta perspetiva.

Que relação tinha antes com as Quatro Estações de Vivaldi?
A principal força motriz de todo este trabalho foi mesmo a minha relação com a obra original. Apaixonei-me por esta obra em criança, foi mesmo das primeiras peças de música clássica que me conheci. Esta e o Eine Kleine Nachtmusik... São coisas que andam por aí e que acabamos por conhecer. Mas apaixonei-me pelo Vivaldi e ouvi-o muito. Ao longo dos anos, contudo, e de tanto ouvir, cansei-me. Para mim o projeto era mesmo artístico. Era o de tentar reclamar essa sensação de maravilha perante o original.

Consegue identificar já o que é a música do século XXI?
Creio que a tendência dominante é a ideia das tradições musicais se interpenetrarem e das fronteiras ficaram difusas.

O cinema tem sido um importante espaço de trabalho para si. Mas este ano a sua obra extra-cinema em disco está a ser reeditada. Memoryhouse, por exemplo, está já disponível em vinil.
Tocamos peças desse disco de tempo a temo e fizemo-lo todo no Barbican em janeiro. Ouvi-o ao remasterizar e foi como rever um velho amigo. Foi uma experiência interessante essa ligação com a memória. É fascinante reencontrá-lo uns anos depois.

Viu o trailer do filme A Essência do Amor, de Terrence Malick, que usaba o tema November desse mesmo álbum?
Não vi o filme embora adore o trabalho do Terrence Malick. Mas vi o trailer.

Qual a importância da música para cinema no espaço atual do seu trabalho?
De certa maneira o cinema é uma das maneiras para alguns músicos poderem viver hoje em dia. E para mim é algo muito natural isso de trabalhar no cinema, como o é em ópera ou bailado ou fazer discos. São partes muito naturais do meu espetro de atividades. Na verdade o que para mim é estranho é quando as pessoas fazem uma distinção entre ser compositor e compositor para cinema. No século XVIII não havia isso com os compositores de ópera.

Gostaria de desenvolver uma relação prolongada e recorrente com um mesmo realizador?
Quando se trabalha com um realizador mais que uma vez não temos de voltar a inventar a roda. Temos assim a nossa linguagem já no seu sítio. Eu trabalhei com o Ari Folman em Valsa com Bashir e agora no seu novo filme. E foi fácil porque já sabíamos o modo de pensar um do outro.

domingo, maio 11, 2014

A música do presente em 27 miniaturas


A tradição de apresentar pequenas peças, sob o pedido dos aplausos entusiasmados vindos da plateia, no final de atuações ao vivo, crê-se que remonte a Londres em inícios do século XVIII e aos espaços da ópera. Mas foi hábito que ganhou a forma que hoje conhecemos quando, no século XIX, Liszt ajudou a definir o modelo do recital. Raras são contudo as vezes em que escutamos peças de autores contemporâneos nesses instantes de celebração. E foi de uma série de buscas na Internet, que lhe tomaram uma noite inteira até que a manhã finalmente despertou, e que a levaria a contactos pessoais com 26 compositores do nosso tempo, que a violinista, de 33 anos, Hilary Hahn, definiu um conjunto de convites para que escrevessem novas miniaturas para violino e piano. Lançando depois um concurso para escolher o vigésimo sétimo.

Foi a própria violinista quem telefonou aos compositores, chamando assim a colaboração de nomes de várias geografias e espaços musicais, entre os quais surgiram figuras como David Lang, Valentin Silvestrov, Max Richter, Nico Muhly, Einojuhani Rautavara, Eliott Sharp ou James Newton Howard, aos quais se juntou Jeff Myers, o vencedor do concurso.

A violinista, que já garantira estreias de obras de Edgar Meyer ou Jennifer Hidgon, e em 2012 partilhou o alinhamento do álbum Silfra com Hauschka, registou agora as primeiras gravações destas 27 miniaturas em In 27 Pieces – The Hilary Hahn Encores, disco que partilha com o pianista Cory Smythe e lança pela Deutsche Grammophon. 

Esta é uma versão acrescentada de um texto que foi originalmente publicado na edição de 6 de maio do DN

domingo, fevereiro 23, 2014

A memória, segundo Max Richter


No último ano ouvimo-lo nas bandas sonoras de filmes marcantes como Lore de Cate Shortland ou Desligados de Henry-Alex Rubin e brevemente será sua a música que vamos encontrar em The Last Days on Mars. A intensa agenda de trabalho que o alemão Max Richter tem hoje no mundo do cinema parece tomar parte significativa do seu tempo e passaram já dois anos desde que assinou um dos mais bem sucedidos títulos da série Re-Composed, da editora Deutsche Grammophon, operando então uma sucessão de transformações sobre As Quatro Estações, de Vivaldi. Antigo elemento do grupo Piano Circus, com o qual encetou a sua discografia, Max Richter herdou claramente para a sua música elementos e referencias de compositores como Arvo Pärt, Michael Nyman ou Philip Glass, que faziam parte do repertório desse coletivo a que pertenceu anos a fio, depois de ter terminando os seus estudos. Foi da assimilação dessas vivências e da demanda por uma “voz” pessoal que nasceu, em 2002, um primeiro álbum assinado em nome próprio, ao qual chamou Memoryhouse. Agora, 12 anos depois, uma reedição devolve esse disco megnífico aos escaparates das novidades, num tempo em que a sua obra discográfca entretanto juntou títulos como The Blue Notebooks (2004), Songs From Before (2006), 24 Postcards in Full Colour (2008) e Infra (2010) e a sua presença no cinema passou já por filmes como Valsa Com Bashir de Ari Folman ou Imperdoáveis, de André Techiné, a sua obra tendo também conhecido já experiências nos campos da ópera e merecido a atenção do MoMA, em Nova Iorque. Memoryhouse – que desde a sua edição em 2002 teve utilização na série documental da BBC Auschwitz: The Nazis and The Final Solution e num dos dois trailers de A Essência do Amor, de Terrence Malick (que concretamente usou o tema November) – representou um momento de afirmação de um caminho tão capaz de mostrar atenção pelas novas formas e tecnologias como ser herdeiro de tradições de outros tempos. Houve quem usasse o termo neoclássico para descrever um disco essencialmente feito de peças instrumentais orquestrais, pontualmente acolhendo a presença de vozes gravadas e também de texturas e outros discretos elementos electrónicos. É um disco que cruza a realidade e a ficção, as várias faixas que apresenta correspondendo ora a reflexos de situações reais ora a ecos da imaginação. Doze anos depois Memoryhouse revela claramente a porta para um mundo que, entretanto, Max Richter aprofundou e desenvolveu. Mas convenhamos que não podia ter começado de melhor maneira.

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Para ouvir: 'November', segundo Max Richter



Numa altura em que o músico vê reeditado o álbum Memoryhouse, recordamos November, de Max Richter, tema que foi usado num dos trailers de A Essência do Amor, de Terrence Malick.