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4 de jan. de 2016

Com o coração de Roseane no peito!!!

3 de abril 2015
Luta pela vida, nossa e d@s outr@s.
Uma homenagem à minha doce e valente
companheira de caminhada.


Nos últimos anos, muita gente me perguntou como é viver com alguém que tem câncer. Na realidade, nunca me senti totalmente à vontade ao tentar responder a pergunta. Tampouco me sentia satisfeito com as minhas respostas, que não me convenciam. De um ano para cá, no entanto, isto mudou radicalmente, como se eu tivesse sido atingido por um raio: as nevoas se dissiparam e as coisas ficaram muito claras. O real é que venho vivendo intensamente, há quase 15 anos com uma mulher lindamente viva e suave, cujo sonho é contribuir que a sociedade brasileira amadureça, supere todas as formas de discriminação contra a mulher, contra os negros e mulatos, contra os povos indígenas, entre outros. Auto-reconhecendo-se como indígena e negra ela vem lutando ao lado dos quilombolas, povos indígenas e populações negras pelo pleno reconhecimento dos direitos destas populações e pela reparação da dívida histórica que a sociedade brasileira, em particular suas elites, ainda tem para com estes povos, que são a maioria do povo brasileiro.

06 de abril de 2015

Sua maior paixão, no entanto, é entender a luta do povo quilombola do Curiaú, Amapá que lhe inspirou e continua a inspirar a seguir na busca de sua autodeterminação e reconhecimento, mesmo frente a uma série de obstáculos políticos e estruturais.

O câncer a atingiu repentinamente, em meio ao seu trabalho de campo, como um trem descarrilhado. Ela não teve ou tem o câncer, na realidade o câncer a atingiu. Sua reação foi um pouco poética, como a de um Chico: “Apesar de você, amanha vai ser outro dia”. E ela fez de tudo, e continua a fazer para se livrar do inconveniente intruso, e continuou a viver intensamente a vida, ao esmo tempo em que continua com sua pesquisa participativa. Agora incorporando em seu dia a dia a defesa dos direitos dos portadores de colostomia, dos portadores de necessidades especiais e de câncer, usando sua leveza e jocosidade para abordar temas polêmicos e tabus em seu blog.

Por isto tudo, agora entendo porque eu tinha dificuldade em responder a pergunta: “como é viver com alguém que tem câncer?” Eu nunca vivi com este alguém. Eu vivo com uma mulher, Roseane, que não tem medo de intempéries, que nunca se deixou intimidar pela discriminação racial, pelo abuso de poder, pelo machismo sexista e homofóbico, pela violência contra os e as jovens, e muito menos pelo câncer. E sempre respondeu com sua firmeza ponderada, e uma profunda crença no bem e no potencial que existe no recôndito de cada ser humano, e que precisa ser cultivado.
Hoje é sexta feira da paixão, amanhã vai ser outro dia, é Sábado de Aleluia, dia de festa. E para ela, a Páscoa é dia de renascimento.
Enquanto isto, vamos vivendo cada dia como deve ser vivido, intensamente, fazendo tudo que precisamos, podemos e queremos fazer para contribuir para a construção de um mundo melhor para todas e todos, incluindo nos mesmos.
Te amo de paixão, 
Roseane Viana.
Flavio






P.S.Post escrito e publicado no dia 3 de abril de 2015, 13 dias antes da passagem da Ro. Re-publico hoje como celebração de aniversário com ela só no coração.

15 de set. de 2015

Roseane segue conosco, para sempre.

Bom dia família, bom dia amigos e amigas. Por aqui está tudo bem. A casa continua plena de Roseane. Não me sinto só. Ela está em todos os detalhes, nas flores, nos recados, no ar, nos travesseiros. E mais que tudo, ela está em mim, em cada célula, sua paz impregnada em cada fibra do meu coração, a imagem de seus olhos sorridentes indelevelmente gravada em minha retina e memória e ouço-os sussurrar: te amo, seja feliz. Sinto-me pleno, engolfado por uma morna energia multicolorida de Anes, Ros e Rosas, gentilmente  empurrado para o futuro.


Ouço o suave rufar de seu coração negro, indígena mantendo a cadencia para a Alegre dança da vida. E do recôndito do meu ser, sinto fluir a energia de Leila Diniz, Rosa Parks, Frida Kala, Maria Bonita e os sonhos de Alice. E, em coro, elas cantam: a vida é bonita, é bonita e é bonita...e me
guiam em direção ao futuro: ... Amanhã há de ser outro dia!!!!

Sinto-me inteiro e a sinto em mim, comigo.





Nossa doce, suave, decidida e incansável guerreira descansa merecidamente, mas nos deixou uma poderosa mensagem de esperança e crença na bondade essencial de todo e toda pessoa e na necessidade de assumirmos nossas responsabilidades individuais e coletivas para garantir o bem estar e a dignidade de todos e todas e cada um, e que todas as lutas são importantes e devem ser respeitadas, e mais que tudo as vozes dos afetados/as tem que ser ouvidas.
E a celebração desta vida que queremos fazer. Nossos corações choram a perda do convívio, da companhia, do carinho. Nosso coração chora de alegria por ter tido o privilégio de conviver com ela.
Juntos continuaremos a nos lembrar de seus gestos, suas palavras, sua sagacidade, sua esperança, e sua intensidade e riremos de suas tiradas e pavulagens.
Roseane segue conosco, para sempre.

Flavio


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"Se nos olhos não houvesse lágrimas, não haveria arco-íris no coração" (uma das últimas anotacoes no diário da Roseane)




27 de jul. de 2015

Pelas bandas do Nepal . Capitulo 3

Casa da Rainha dos Ceus
Ele reviu nossa casa, parcialmente destruída pelo terremoto, visitou lugares que frequentamos juntos, me viu nas mulheres vestidas de Kurtas coloridas, com muitas pulseiras, colares, e brincos e sorriu como criança, com os olhos cheios de lágrimas de alegria. Acho que finalmente ele entendeu, espero. Bem, como meus olhos estavam começando a marejar também, e eu não queria provocar uma mudança abrupta no tempo, decidi dar uma chegada para ver o resto do pessoal que já devia estar acordando no Brasil. Macapá, Belém e Marituba, ai vou eu. Mais tarde eu volto para cuidar do fecho deste dia especial.


Quando voltou para o Hotel, Flavio descobriu que o jantar que estaria marcado para o dia 27 havia sido antecipado para o dia 26, e que uma camionete iria levar os convidados para um restaurante tradicional Nepalês. Mal sabe ele, que eu tinha metido o dedinho na mudança. Primeiro, porque a comida era da região onde havíamos vivido juntos quase uma vida toda, mas o mais importante ainda estava por vir. Ele não sabia o que o esperava.



Mas ainda tive que superar mais um obstáculo para chegar ao meu objetivo final. A comunicação em cigarrês não funcionou adequadamente, e o promotor da recepção, acabou propondo que o grupo não ficasse no salão principal, onde estava ocorrendo a apresentação de bailados tradicionais das várias regiões do Nepal. Ele achou que o Flavio preferia conversar. Mas eu não queria que ele conversasse, mas visse as apresentações, especialmente uma, que confirmaria definitivamente minha mensagem.

Apelei, me apresentei de garçonete, vestida em trajes típicos, e convenci os vários homens presentes na mesa, que o salão principal era mais interessante. De novo me fiz presente nas várias mulheres dançando bem quadradinho os bailados nepaleses, com vestimentas bem coloridas. E aí chegou a hora da apresentação final, que eu tinha certeza iria convencer definitivamente o Flavio que os eventos acontecidos desde sua chegada ao Nepal, e especialmente neste dia, não haviam sido casualidade, mas uma clara mensagem minha.

Danca do pavao, tradicional do Nepal
Quando o último numero foi anunciado, ele ficou boquiaberto, com toda a razão. Quando ele poderia esperar me ver dançando em um palco em Katmandu, a dança mais tradicional do Nepal: a dança do Pavão.  E foi um espetáculo pavular, ao som de música nepalesa. Finalmente dei a publico a origem real do Pavulagem da Ro. Quem estiver interessado em ver o vídeo, clique no link abaixo.

https://www.facebook.com/flavio.valente.7?pnref=story 


Rainha dos ceus, senhora do arco-íris
Esta é a breve história de um amor eterno entre dois nepaleses que se reencontraram brasileiros, após alguns séculos e que tem encontro marcado no terceiro coral à esquerda, seja onde for que este esteja, para começar de novo. Pena que a maior parte de nós, mortais, tenha a tendência a esquecer algumas coisinhas, quando passamos de cá para a outra. Ainda bem que tem algumas rainhas de copas e/ou dos céus, que não nos deixam esquecer, com seus arco-íris, roupas coloridas e pavulagem,

Fim do principio do recomeco

28 de jun. de 2015

Ciumeira

Ègua, mas que baita festança…diria o Epaminondas do Zapi-Zapi.




E eu que nem sou ciumenta, fiquei morrendo de ciúmes com tanta da Pavulagem do casal 100, porque 20 é pouco. Ei Tigrão!!! vocês ganharam o título honorífico de Pavões do Ano, e uma assinatura grátis do Pavulagem da Ro.




Nunca vi tanta gente chic em um lugar só, a não ser no casamento da Lady Di. Noivo e noiva, deslumbrantes, acompanhantes e familiares, chiquérrimos. Até a Pipi com seu vestido longo, laço vermelho e acessórios, estava de arrombar.






Eu encomendei o arco íris. Felicidades primo e prima, de todo o coração!!!!!!!

17 de jun. de 2015

Por este mundão de deus!!!!

Obrigada  a todos e todas por terem aceito meu pedido e feito minha vontade. Estou em paz. Sinto-me bem. Muito feliz mesmo. Como se estivesse flutuando em um mar de nuvens de pavulagem. Tantas homenagens, tantas lembranças, a música de hoje é explode coração ... rsrs... 

Hoje se completam dois meses que parti como queria, e um mês que me reencontrei com as grandes aguas de nossa terra, com direito a um cortejo digno de uma rainha, com música, poemas e arco-íris, na medida certa.

Obrigada mãe e pai por terem estado comigo até o fim, amo vocês. Sei como foi e está sendo difícil para vocês. Adoro as rosas, mãe.  Obrigada  pelo amor: manas e manos, sobrinhas e sobrinhos, afilhadas e afilhados, comadres e compadres, primas e primos, toda a grande família. Sigo encarafunchada e tatuada no coração de vocês.

Para as fieis súditas, Divinas Divas e Alice um chamamento a que continuem com a pavulagem e a celebração da vida, e de cada dia que vocês possam usufruir com os seus e suas familiares. A vida é bela e deve ser vivida intensamente. Agradeço a vocês por terem me acompanhado em minhas loucuras  e, especialmente por terem organizado o Trapichaço:  I NES QUE CI VEL!!!


Estou me achando neste mundão de deus, espalhada por todas as partes, mas unificada na lembrança de vocês. Se eu ficar quietinha no meu cantinho, ou cantinhos, não se preocupem, é o meu jeito de cabocla. Mas certamente continuarei a dar meus pitacos, discretamente. Vocês não se livraram de mim não, viu manas e manos??? Estou em vocês para sempre.

Agradeço finalmente a meu fiel escudeiro, meu rei que me acompanhou todo este tempo e continua se esforçando para psicografar meus desejos. Perdoem seus exageros, ele é assim mesmo, as vezes se acha os fundilhos da Gilda, esticado, esticado...


Fiquem em paz, sigam em frente e sejam felizes. É tudo o que eu mais quero desta vida.
Bjks

Bjks

14 de mai. de 2015

Conversando sobre a morte, e celebrando a vida. #Ane_vive #RO_lives


Uma semana antes de falecer, Ane enviou uma mensagem para a familia convidando a todos e todas a discutir o tema da morte e, em especial, a se preparar juntos/as para viver o dia da morte,


"Gente vamos compartilhando as coisas por aqui, assim não ficaremos tão distantes. 

Estou gostando muito dessa terapia paliativa em casa. Estamos aproveitando tudo o que temos direito, e com qualidade e vida digna que todo mundo deveria ter. 

Eu criei o grupo para falarmos de um assunto , difícil, mas que depende da forma que tratamos, pode ser suave, e mais aceitável, que é a morte.

Se vocês morassem aqui, falaríamos todos juntos e com apoio da equipe que cuida de mim.
Hoje o médico nos perguntou como eu queria minha cerimônia de despedida não estando mais viva.
Falei tudo pra ele, e ele nos aconselhou a compartilhar com vocês, e assim atender meus últimos desejos.

Pode ser difícil para vocês, mas imaginem para os nossos pais?
Então  preciso do apoio de vocês para irem conversando com eles sobre isso.
Eu nunca gostei de ver morto, ver gente em caixão e ir para cemitério.


Por isso, quero ser cremada. Acho que o serviço de cremação aqui é mais fácil e tranquilo do que Macapá.

A equipe médica, e nossos amigos e amigas aqui podem nos ajudar sobre isso.


Então, eu quero ser cremada aqui, e que minhas cinzas sejam espalhadas ao vento , do alto da fortaleza de São José de Macapá.


O médico falou que podemos fazer algo menos triste, uma homenagem.
Todos poderiam comunicar a família e meus amigos e amigas para me homenagear.
Aqui, eles tocam música, recitam poesia, bebem, comem e riem bastante. Chora se muito pouco.
O médico disse que podemos ir organizando isso e não deixar para ultima hora.

Como eu tenho amigas pelo mundo afora, elas poderiam ser convidadas, e se quisessem ir para Macapá poderiam ir, mas tudo preciso ser organizado com muita antecedência , para elas se organizarem também.  Os filhos do Flávio também.

Bem cansei de digitar, o que vocês acham? Posso contar com o apoio de vocês?"

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A cerimonia de celebração vai ter lugar no dia 16 de maio de 2015, no Trapiche Eliezer Levy, a partir das 15 horas, sobre o Rio Amazonas, que Roseane tanto amava. Ela se juntara a suas aguas e viajara por todas as partes e nos visitara a todos e todas como queria. 




7 de mai. de 2015

Ghost writer ou psicografador?

Poucos dias antes de falecer Rô me perguntou candidamente:

- Desta vez a Fênix não vai renascer das cinzas, não é?
Eu respondi , com a voz embargada pela emoção:
- ta difícil amor, parece que o teu e o nosso tempo estão se esgotando.
Somente aí eu tive noção que ela apesar das três semanas de piora progressiva ainda acreditava que ia ficar boa ou que pelo menos ia conseguir sobreviver mais um tempo.
Ela era uma pessoa que exalava otimismo e esperança admiráveis,  não só em relação a sua própria vida, mas a vida de todos que a cercavam. No meu entender, esta é a razão central para a sobrevida de mais de três anos, em boas condições de saúde.  Ela acreditava na vida, acima de tudo.







Como  de costume, mudando totalmente de assunto, começou a falar do seu blog.
-  eu acho que seria legal se você pudesse continuar com meu blog. Voce podia ser um tipo de "ghostwriter" para mim.
 - eu estaria mais pra um psicografador, respondi brincando...
- para mim tanto faz, disse ela sorrindo...
 E a conversa ficou por aí…

É isso aí gente, a partir de hoje  Roseane Viana renasce das cinzas e o blog  Pavulagem da Rô vai continuar sendo um espaço pra celebrar a vida, trocar ideias e debater temas polêmicos.





#Ane_vive. #RO_lives