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16 de ago. de 2015

Paz depois da tormenta - 4 meses...

Amanheci ao som de linda melodia indiana,
entremeada com trovões guturais
das profundezas do Vesúvio oriundos
contra o fundo musical de rajadas
estacatos e baldadas de torrenciais aguas
que dos céus despencavam,







A tempestade escorre em meu rosto
alaga alfombras e cisternas
penetra o recôndito do meu ser
transborda rios e lagos e
brota dos olhos qual suave catarata.





,
Viro pelo avesso
te busco em todas as partes
em nenhuma delas te vejo,
mas em todas te vislumbro em mim
        em meus sonhos e memorias,
             impregnada em meus sentidos
                  grávido de teu sorriso
                       cativo de tua esperanca
                            viva no meu amor
                                impulsionando-me ao futuro





Os pássaros gorjeiam o fim da tormenta
     tu pintas o céu com tuas cores em arco
           Estamos em paz





Flavio, Nápoles, 16 de agosto de 2015

"Ela está em mim, em cada célula, sua paz impregnada em cada fibra do meu coração, 
a imagem dos seus olhos sorridentes indelevelmente gravada na minha retina e
memória, e ouço-os sussurrar:  te amo, seja feliz.  Sinto-me pleno, engolfado por uma
morna energia de Anes, Ros e Rosas, gentilmente empurrado para o futuro" Flavio
Flávio

27 de jul. de 2015

Pelas bandas do Nepal . Capitulo 3

Casa da Rainha dos Ceus
Ele reviu nossa casa, parcialmente destruída pelo terremoto, visitou lugares que frequentamos juntos, me viu nas mulheres vestidas de Kurtas coloridas, com muitas pulseiras, colares, e brincos e sorriu como criança, com os olhos cheios de lágrimas de alegria. Acho que finalmente ele entendeu, espero. Bem, como meus olhos estavam começando a marejar também, e eu não queria provocar uma mudança abrupta no tempo, decidi dar uma chegada para ver o resto do pessoal que já devia estar acordando no Brasil. Macapá, Belém e Marituba, ai vou eu. Mais tarde eu volto para cuidar do fecho deste dia especial.


Quando voltou para o Hotel, Flavio descobriu que o jantar que estaria marcado para o dia 27 havia sido antecipado para o dia 26, e que uma camionete iria levar os convidados para um restaurante tradicional Nepalês. Mal sabe ele, que eu tinha metido o dedinho na mudança. Primeiro, porque a comida era da região onde havíamos vivido juntos quase uma vida toda, mas o mais importante ainda estava por vir. Ele não sabia o que o esperava.



Mas ainda tive que superar mais um obstáculo para chegar ao meu objetivo final. A comunicação em cigarrês não funcionou adequadamente, e o promotor da recepção, acabou propondo que o grupo não ficasse no salão principal, onde estava ocorrendo a apresentação de bailados tradicionais das várias regiões do Nepal. Ele achou que o Flavio preferia conversar. Mas eu não queria que ele conversasse, mas visse as apresentações, especialmente uma, que confirmaria definitivamente minha mensagem.

Apelei, me apresentei de garçonete, vestida em trajes típicos, e convenci os vários homens presentes na mesa, que o salão principal era mais interessante. De novo me fiz presente nas várias mulheres dançando bem quadradinho os bailados nepaleses, com vestimentas bem coloridas. E aí chegou a hora da apresentação final, que eu tinha certeza iria convencer definitivamente o Flavio que os eventos acontecidos desde sua chegada ao Nepal, e especialmente neste dia, não haviam sido casualidade, mas uma clara mensagem minha.

Danca do pavao, tradicional do Nepal
Quando o último numero foi anunciado, ele ficou boquiaberto, com toda a razão. Quando ele poderia esperar me ver dançando em um palco em Katmandu, a dança mais tradicional do Nepal: a dança do Pavão.  E foi um espetáculo pavular, ao som de música nepalesa. Finalmente dei a publico a origem real do Pavulagem da Ro. Quem estiver interessado em ver o vídeo, clique no link abaixo.

https://www.facebook.com/flavio.valente.7?pnref=story 


Rainha dos ceus, senhora do arco-íris
Esta é a breve história de um amor eterno entre dois nepaleses que se reencontraram brasileiros, após alguns séculos e que tem encontro marcado no terceiro coral à esquerda, seja onde for que este esteja, para começar de novo. Pena que a maior parte de nós, mortais, tenha a tendência a esquecer algumas coisinhas, quando passamos de cá para a outra. Ainda bem que tem algumas rainhas de copas e/ou dos céus, que não nos deixam esquecer, com seus arco-íris, roupas coloridas e pavulagem,

Fim do principio do recomeco

Pelas bandas do Nepal . Capítulo 2

Hoje pela manhã, os céus do Nepal estavam azul anil, de fazer inveja ao céu do Brasil, sem uma nuvem. Eles saíram cedo para Nagarkot, um ponto de observação das montanhas que compõem o Himalaia. Após um percurso maravilhoso de subida, a turma chegou na torre de Nagarkot. Pela primeira vez em várias semanas, era possível a observação de uma vista de 360° de cordilheira, e ver todo o vale em direção a Katmandu. Nem os nepaleses, nem o Flavio e sua colega acreditavam no que estavam vendo. Brincando, o Flavio comentou com o pessoal quem sabe Sidarta tinha organizado o cenário. Mal sabe ele....As coisas estavam indo bem, mas faltava o principal.


No caminho de volta, a idéia era parar em Bhaktapur, uma das cidades sagradas do Nepal, gravemente atingida pelo terremoto. Isto era central no meu plano, mas eu precisava organizar bem as coisas. Meu mensageiro somente estaria disponível a partir de meio-dia, e o acompanhante do Flavio estava com muita pressa de voltar para Katmandu e visitar o templo crematório, o que também estava nos meus planos. Ele havia marcado o almoço, em um restaurante familiar de beira de estrada, com uma só mesa, para as 10 horas da manhã, hora comum de se comer no Nepal. Mas isto acabaria levando a um desencontro fatal, e meu plano iria por agua abaixo, sem monções.

Mas eu dei um jeitinho... Dei uma desreguladinha no ponteiro do combustível, o que foi o suficiente para atrasá-los mais ou menos uma hora para o almoço, e portanto, para a visita a Bhaktapur. Mas não pensem mal de mim. Eles ficaram parados em um lugar lindo com uma vista maravilhosa, e seguiram viagem sem transtorno....maior.

Mas o tal de individuo acompanhante continuou tentando atrapalhar meus planos. Ele tentou convencer o Flavio a não visitar a cidade, porque tudo teria sido destruído. E propôs que ao invés, fossemos visitar o acampamento dos atingidos pelo terremoto, que ainda continuam em tendas, três meses após o mesmo. Mas tudo correu como eu havia planejado: eles não entraram pelo portão principal da cidade, o que teria me atrapalhado muito, e a pessoa que os levou ao acampamento era meu mensageiro, com quem o Flavio tinha prometido a se encontrar caso viesse ao Nepal.

A visita ao acampamento foi rápida devido a um conflito que havia acabado de ocorrer entre os acampados e a administração do campo, o que dificultou uma conversa mais aberta com os afetados. Como sobrou tempo, meu mensageiro propôs que o grupo desse uma olhada pelo menos em alguns templos importantes da cidade, que ficavam fora da área que exige o pagamento de ingressos. Finalmente, as coisas estavam chegando aonde eu queria.

Templo de Indrayeni
Eu estava tão ansiosa que não conseguia controlar minhas cores, e todos os Kurtas e Saris das nepalesas que passavam com seus cestos de mantimentos e com suas crianças com uniforme escolar impecável pareciam se incendiar, ao sol de uma hora da tarde, irradiando as brilhantes cores do arco-íris. Eles foram subindo lentamente do acampamento dos afetados em direção a uma porta secundária que levava a zona central da cidade. Após andar uns cem metros, meu mensageiro mostrou uma construção pequena, a direita do caminho, edificada sob uma árvore sagrada e disse: este é o templo da Deusa Indrayeni, rainha dos céus, que usa o arco-íris como arco para lançar raios, trovoes e temporais, ou mesmo para seu transporte.


O Flavio olhou na minha direção, como se estivesse me vendo e vi lágrimas brotar dos seus olhos, e fiquei triste. Não era isso que eu queria causar, só queria que ele lembrasse de nossa historia no Nepal, há muito tempo, quando nos conhecemos em meio às montanhas, trabalhando os campos, cuidando de búfalos e cabras, e nos amando como sempre nos amamos, pelas ruas de Bhaktapur. Queria mostrar para ele que o amor é eterno para além desta vida, porque vida não tem começo, meio ou fim, só nossos corpos.


Continua...

13 de jun. de 2015

Carta para Roseane 13 de junho de 2015

Meu amor,

Hoje amanheci com uma saudade brutal, como naqueles tempos em que namorávamos por Messenger. Eu em Brasília e tu em São Paulo e depois em Macapá. Sinto falta da tua voz, do teu cheiro, e do teu silencio pleno de amor. E mais do que tudo sinto falta do teu olhar matreiro, vivo e sorridente. Me fazes falta.

Não, não estou reclamando....Estou bem, me cuidando. Não se preocupe. Estamos todos e todas nos cuidando e nos cuidando uns aos outros, dentro do possível. Sei o quanto estavas preocupada com todos e todas nós, antes de tua viagem. Fiques tranquila, entendemos que tu tinhas que ir, e que terias ficado mais conosco se pudesses. Mas era hora de seguir adiante.

Obrigado pelas mensagens e recados. Tenho recebido todos. Só que as vezes demoro para entender. Espero que compreendas. Depois de 8 anos na Batatolandia, ainda tenho dificuldades monstruosas em entender o Alemão, agora tu me vens com todos estes novos dialetos que vens experimentando, e fica difícil. Passarinhês é um pouco mais fácil, mas pedrês, aguês e especialmente o tal de florês são mais difíceis... O florês nem se fala, com todos suas variedades, rosês, margaridês e etc. Mas obrigado de qualquer maneira, acabo entendendo. E bom saber que tu estás cuidando de mim.

No entanto, venho sentindo necessidade de conversar contigo mais vezes e te dar notícias das nossas bandas. Talvez tu já estejas sabendo de tudo, mas deve ser difícil dar conta de estar em tantos lugares e com tanta gente ao mesmo tempo, e gostaria de poder manter esta linha de comunicação aberta.

Acho que por hoje é só, volto a escrever. Mas antes de terminar, quero te dizer duas coisas. Primeiro é que estou morrendo de ciúmes. Sei que estás realizando o sonho de te espalhares pelo mundo, e fico feliz por isto, mas me fazes uma falta doida. Segundo, é que tua “cumadi” está grávida e teu afilhado querido vai ter uma irmãzinha ou um irmãozinho em breve.

Vamos nos falando, meu amor. Beijos. Até o terceiro coral à esquerda,

Flavio



PS: Encontrei nossa primeira foto juntos, em 15 de outubro de 2000, em Belo Horizonte, no meio de tuas coisas, esquecestes de levar. Segue anexa a esta carta.

12 de jun. de 2015

À Musa Ro



Namorante apaixonado
     manco entonteado
vejo estrelas
        no céu claro
sinto doce no amargo
        perco a fome
        ao teu lado

Rodopia a cabeça
jogo-me sem  medo algum
           ao espaço
mergulho em um imenso mar
           de rosas e amor,
            com cuidado misturados .





Fosse eu um impúbere
               jovem galante
diria estar descobrindo
          o amor,
          adolescente calor

Como não o sou,
decerto redescubro
     a mim mesmo
em teu regaço.
   
    
    

    Intenso, maduro
    enmolecadamente vivo
                 e   enamorado.

20/10/00
Flavio





24 de mai. de 2015

Um poema para Ro

Direção que o coração aponta



Sonhos dementes
        insanos
     rodopio os olhos
         junto os panos
         faço a cama
     embrulho o piano

Enfio o coração
       no chapéu de três pontas
    e arreio o cavalo
partindo na direção que
      o coração aponta

Sei lá onde chegarei
  Oiapoque ou Chuí
Polo Norte,
    Polo Sul
mas seguirei minha batida 
      por aí


                                                          A vida é uma caixa de Pandora
                                                                        solta fogo, solta estrelas
solta dor e pandorgas
     no meio de tudo também te solta
e eu te agarro pelo cangote
         te fungo e te beijo
         e danço xote
         e pelo mundo
                           saímos
construindo nossa própria sorte.                      

                                                   Flavio